Dark Dawn

20 Capítulo 20: Antes da Tempestade


Notas iniciais
Vigésimo capítulo. Boa leitura!

Capítulo 20:

Antes da Tempestade

○♦○

O GRUPO DE SAKURA SEGUIU pelo desfiladeiro sem descanso. Ainda que a nevasca não tivesse arrefecido, rugindo nas rochas e curvando à sua vontade mesmo as árvores mais fortes, ela não se permitiu diminuir o ritmo ou descansar; precisavam chegar o mais depressa possível às Montanhas Três Lobos.

Se o Chikage tivesse mais Shinobis leais a ele à espera deles ou se ao menos desconfiasse do embuste que armaram para enganá-lo, farejando o cheiro da mentira e enviando-os nos seus encalços, sem dúvida teriam de retardar o progresso e enfrentá-los. A perspectiva de fugir de uma batalha não agradava Sakura, mas havia muito mais na balança do que o seu orgulho de Kunoichi. Agora era Hokage, e suas decisões deveriam se basear sempre tomando o bem-estar de todos como prioridade.

Se Sasuke estava tão desgostoso quanto ela por haverem usado aquele subterfúgio e enviado o grupo de Shikamaru no rastro dos homens do Chikage, nada expressara ou dissera nas últimas duas horas e meia.

Sakura não podia dizer o mesmo de seu time, no entanto. Hikari se queixara do cansaço pelo menos três vezes na última hora, pedindo que parassem para uma pausa. Os meninos tinham mascarado o descontentamento no início, mas conforme a exaustão os deixava mais mal-humorados eles também passaram a vocalizar a insatisfação com aquela viagem para a sua sensei.

— Estamos quase chegando a uma cidade. Aguentem só um pouco mais — ela tinha pedido, e por mais que lhe doesse ser dura com eles e exigir que continuassem avançando durante aquela nevasca não cedeu.

Não até que conseguissem distinguir muito vagamente as luzes baças e os contornos disformes das construções da cidade de Nakashima, parcialmente oculta por um véu de flocos de neve que era varrido pelo vento intenso.

Tinham alcançado a borda da floresta de abetos e enxergado, através das árvores semicongeladas, os primeiros sinais de civilização em algum tempo. Apenas ali, a tempestade deu-lhes uma pequena trégua e transformou-se numa nevada contínua.

Nakashima era uma cidade consideravelmente grande e estava localizada logo abaixo de uma grande ravina rochosa, no centro de um declive do terreno, com montanhas azuis ao fundo, cerceada por uma floresta tão ou mais densa do que a que eles atravessaram.

— Puxem os capuzes dos seus mantos — Sakura aconselhou os seus alunos. — E não chamem atenção para si. Devemos passar despercebidos numa noite tempestuosa como essa, se mantivermos a discrição.

— Hai, sensei! — eles concordaram e puxaram os capuzes por cima das cabeças, cobrindo ao menos metade dos seus rostos.

Sakura fez o mesmo, escondendo dos olhos de estranhos as suas exóticas madeixas cor-de-rosa. Espiou Sasuke e viu que ele fez o mesmo. Ótimo, pensou consigo mesma.

Devagar, eles desceram a ravina, atentando-se para o terreno que se tornara inóspito devido a todo aquele gelo. Aproximaram-se de Nakashima, ultrapassando as primeiras casas com chaminés expelindo fumaça na noite extremamente fria e atravessando vielas cuja escuridão era afastada pelas lamparinas vermelhas que ardiam seu fogo sob os caibros das casas e pelos altos postes de luz amarelada.

Poucos residentes aventuravam-se nas ruas e expunham-se à nevada. Estes que o faziam vinham enrolados em grossos casacos, cachecóis e luvas de lã. Nenhum deles parecia estar particularmente feliz com a visão de forasteiros chegando à cidade, mas tampouco demonstraram hostilidade ou os incomodaram.

Hikari soprou as mãos descobertas na vã esperança de aquecê-las e lançou um olhar infeliz à Sakura.

— Podemos comer alguma coisa quente, sensei? Eu estou congelando.

Sakura suspirou no ar frio, olhando de um lado a outro. Encontrou um restaurante aberto com uma infinidade de lanternas vermelhas penduradas na sua fachada. A promessa de calor, aconchego e de comida quente amenizava um pouco do mau humor de todos.

— Não interajam com ninguém — ela advertiu os alunos antes que eles entrassem.

Sasuke foi o último a fazê-lo e, ainda assim, hesitou na entrada enquanto Sakura mantinha a porta de correr pesada aberta para que ele passasse.

— Pretende passar a noite nesse mau tempo? — ela indagou, despertando-o de um devaneio. A expressão soturna no seu rosto pouco entregava, mas mesmo que Sakura quisesse saber o que se passava na cabeça dele não tentaria. Não confiava em si própria quando o assunto era ler as emoções de Sasuke; não mais. Ainda que o homem à frente dela tivesse se revelado um aliado particularmente útil (e confiável).

— É uma boa ideia? — ele retrucou, indicando para o interior do restaurante onde o trio de jovens ninjas já discutia com empolgação os pratos que pediriam, sentando-se à volta de uma mesa mais afastada.

Sakura deu de ombros.

— Só vamos comer e depois procurar por um lugar para passarmos a noite. Eles merecem relaxar um pouco depois de todo o percurso que percorreram até aqui.

Lá dentro, estava quente e aconchegante o suficiente para que Sasuke afrouxasse o cachecol do pescoço. O cheio de comida era realmente tentador. Havia poucos clientes àquela hora da noite, o que era bom. Ainda assim, nem Sasuke nem Sakura abaixaram a guarda ao se acomodarem na mesma mesa que os alunos dela. Não chamaram atenção para si ou para o grupo, portando-se com demasiada discrição e cautela.

Uma atendente simpática veio anotar seus pedidos. As crianças pediram pratos variados e quentes: uma tigela de curry com porção de arroz e costelas de porco fritas, arroz cozido com legumes e carnes bem temperados, carne de vaca temperada servida numa tigela acompanhando cebola e arroz, e espetos grelhados de carne e legumes em molho tare.

Sakura pediu apenas por uma tigela de udon com carne de porco enquanto Sasuke se limitou a pedir por uma porção de arroz e chá. Enquanto esperavam pela comida, os dois adultos trocaram olhares ansiosos, os dedos dela batucando na mesa sem cessar. Felizmente, o pedido chegou pouco menos de meia hora depois. As tigelas fumegavam e eram muito bem-vindas depois do frio da neve das montanhas congeladas do país do Ferro.

Itadakimasu! — Hikari cantarolou, unindo as mãos para agradecer pela comida, e foi ecoada pelos meninos.

Foi imitada pelos companheiros de time, que engajaram numa conversa ciciada descontraída enquanto comiam, mas Sasuke e Sakura estavam soturnos demais e comeram em silêncio. Depois de pagar, saíram com a mesma discrição com a qual entraram no estabelecimento, e puseram-se a procurar por uma estalagem que os acomodasse naquela noite fria.

Encontraram uma localizada numa parte mais sossegada da cidade. As luzes das lamparinas vermelhas tremeluziam na escuridão invernal, e a neve se acumulara nas ruas de tal forma que cada passo dado provocava um ruído úmido. A respiração de Sakura se transformava em nuvens de vapor no ar gelado da noite.

A estalagem era modesta porém tinha seu próprio charme. Copiava o estilo arquitetônico das habitações antigas, mas se via um toque de modernidade aqui e ali. Eles passaram pelo vestíbulo e foram se registrar na recepção. Sakura pediu por dois quartos: um para ela e para seus alunos, e outro exclusivo para Sasuke.

Os garotos soltaram muxoxos, resmungando sobre serem perfeitamente capazes de ficar sozinhos nos seus próprios quartos, mas Sakura não quis ouvir nada daquilo. Sasuke tentou não se deixar ser atingido pela atitude dela; era compreensível, não era? Que ela quisesse manter um olho vigilante — até mesmo maternal — sobre os seus jovens pupilos enquanto ele não deveria fazer parte daquilo.

Sasuke subiu sozinho para o seu quarto no terceiro andar, fechou a porta e se desfez do cachecol e do manto de frio. O quarto estava escuro até que, pelo tato, ele encontrou o interruptor e o acendeu. Uma cama de solteiro e uma televisão antiga sobre uma mesinha foram as duas primeiras coisas que lhe chamaram a atenção. O assoalho estava coberto por um carpete azul grosso e macio. Uma porta estreita levava, certamente, a um banheiro enquanto outra de vidro, de correr, levava para a sacada.

Aproximando-se da cama, ele colocou a bolsa de viagem em cima. Inspecionou rapidamente o cômodo, mas não encontrou nada de incomum. Ouviu o ruído de passos e de vozes no quarto ao lado: eram os alunos de Sakura, discutindo sobre quem dividiria as duas camas de casal com quem. No fim, pelo que conseguiu entender da conversa — encerrada assim que Sakura decidiu as divisões das camas —, os dois meninos dormiriam em uma, enquanto ela dividiria a outra com a garota.

Caminhou pelo quarto a esmo, sem ter nada com o que ocupar a mente, que estava agitada demais para que ele tentasse dormir naquele momento. Foi até o banheiro e decidiu que um banho quente o ajudaria a relaxar. Tirou as roupas e entrou na água escaldante, tentando desligar seus pensamentos um pouco. Nos últimos dias, seu humor tinha piorado. Estava mais sisudo e sorumbático do que nunca. Sentia falta do seu mundo, sentia falta do calor de sua esposa e do sorriso de sua filha.

Mais um pouco e poderei ir para casa, consolou-se enquanto fechava o registro e se enrolava num roupão limpo previamente deixado pelo estalajadeiro no banheiro. Usou outra toalha para secar os cabelos úmidos e, com a única mão, limpou o vapor do pequeno espelho sobre a pia. Olhou para o seu semblante abatido com desgosto. Fechou os olhos por um instante e queimou chakra no globo ocular direito, ativando seu Sharingan. Nada aconteceu, contudo. Sasuke não soube se deveria tomar aquilo como um bom ou mau sinal.

Saiu do banheiro ainda de roupão e com a toalha enrolada na nuca, contendo a umidade do cabelo. Sentou-se à beira da cama e olhou, entediado, para as paredes que pareciam querer sufocá-lo e prendê-lo. Impacientemente, levantou-se, pegou peças de roupa e as vestiu, mas não colocou o manto de inverno ao redor dos ombros. Deslizou a porta e saiu para a varanda sem se importar com o choque do ar gélido da noite na sua pele ainda quente do banho.

Suspirou, e o seu suspiro se tornou uma fumaça branca. Sentia como se minúsculas agulhas de gelo penetrassem na sua pele, mas a sensação era boa; estava farto da inércia, farto da autocomiseração e farto de toda aquela miséria que o acompanhava todo o tempo.

Ouviu o som de passos e se virou. A porta do quarto ao lado se abriu e Sakura passou por ela, fechando-a atrás de si quando pisou na sacada conjunta. As maçãs do seu rosto estavam avermelhadas pelo frio e o verde dos seus olhos brilhava na semiescuridão criada pelas distantes e baças luzes dos postes de iluminação lá embaixo.

— Vai apanhar uma gripe se ficar aqui fora com esse cabelo molhado — ela comentou enquanto se apoiava na balaustrada e fitava a rua deserta.

Nuvens do tom do índigo tinham encoberto a lua, de modo que as sombras se aprofundavam naquela noite particularmente escura. Sasuke fitou o rosto perfilado de Sakura na tentativa de lê-lo. Era difícil admitir, mas não conseguia deduzir seus pensamentos. O que lhe era uma novidade desconcertante, pois era capaz de entender a esposa apenas ao olhá-la nos olhos. Aquela Sakura diante dele, entretanto, era um enigma, uma mulher cujas dores ele desconhecia embora seu eu daquela realidade fosse o responsável por cada uma delas.

— Hikari está se afeiçoando a você — ela disse de repente.

— E você desaprova isso — deduziu.

Foi a vez de Sakura suspirar.

— Tenho sentimentos conflitantes a isso, admito. Hikari é uma boa menina. Tem um coração puro e uma natureza gentil. Ela brilha. E atrai pessoas para perto porque é genuína e compassiva. Em alguns aspectos ela me lembra do...

— Naruto — Sasuke completou por ela, surpreendendo-a. — Eu sei. Também notei essa semelhança nos últimos dias. Ela se aproxima de mim sem demonstrar receios. Sempre me diz palavras gentis, e age como se entendesse a minha dor e a minha solidão.

“Ela também alega ser capaz de ver através de você. Diz que sabe que você esconde o que está sentindo na frente dela e dos garotos, que você se obriga a ser forte o tempo todo pelo bem de todos. Parando para pensar... Você não age tão diferente da Sakura do meu mundo. — Sakura achou ter ouvido um tom de reprovação na voz grave dele. — Ela sempre tentou esconder o que estava sentindo de mim e do Naruto porque acreditava que precisava ser forte aos nossos olhos, para que não nos preocupássemos com ela.

Os olhos de Sakura viraram-se para o rosto dele, sondando-o. Passou-se um momento de silêncio antes que ela recuperasse a voz para continuar a conversação. Um vento frio perpassou-os.

— Ainda não me habituei a te escutar dizer o nome do Naruto com tanta naturalidade. Mas suponho que seja razoável. Você disse que trabalham juntos no seu mundo pelo bem da vila.

— Aa — Sasuke confirmou sem receios.

Ela cruzou os braços cobertos pelo manto pesado, virando-se completamente para ele e apoiando o peso do corpo no balaústre da sacada numa postura mais relaxada.

— E como exatamente isso funciona? Importa-se de ser menos elusivo? Eu estou realmente curiosa sobre o seu mundo.

Sasuke a fitou durante um curto momento, então averteu os olhos para a noite outra vez.

— Eu investigo possíveis ameaças à vila e ao mundo Shinobi. Faço um trabalho externo buscando vestígios e realizando investigações. — Aquilo era o mais loquaz que conseguia ser sobre a sua função; Naruto riria dele se estivesse ali, provavelmente.

Sakura meneou a cabeça e ele não conseguiu decidir se interpretava aquele gesto como esgar ou não. Ela soou bastante sincera quando perguntou sobre o seu trabalho. Mas ele não havia progredido muito ainda quando a questão era ler os sentimentos daquela mulher parada diante dele.

— Entendo. Suponho que você passe bastante tempo fora da vila então.

O silêncio dele foi toda a resposta de que ela precisava. Franzindo os lábios, Sakura continuou:

— Não duvido de que seja um trabalho bastante importante e, certamente, a sua função como protetor é o que te trouxe para este mundo em primeiro lugar. O Chikage deve ter te visto como uma grande ameaça para chegar ao ponto em que chegou.

As palavras dela surpreenderam-no daquela vez. Aquilo era o mais próximo de uma conversa agradável que eles tinham em dias. Estavam mesmo progredindo?, perguntava-se. Muito embora a resposta verdadeiramente não importasse; Sasuke tinha planos de partir daquele lugar muito em breve. Consertar seu laço com Sakura não deveria fazer parte da sua lista de prioridades e, ainda assim, uma sensação boa espalhou-se pelo seu peito, confortando-o.

— Mas e o que a Sakura do seu mundo faz? Ela trabalha, certamente. — O sorriso que ela abriu era estonteante e, ao mesmo tempo, persuasivo.

— Sim, a minha esposa é responsável por comandar a Unidade Médica e o Hospital da vila.

— Interessante — ela meneou a cabeça em aprovação. — Foi-me oferecido esse cargo, há alguns anos. Infelizmente, eu precisei recusar. Tinha os meus alunos para treinar e cuidar, e a função de ser professora já ocupava bastante do meu tempo. Antes disso, treinei dois anos fora da vila na Floresta Shikkotsu para aperfeiçoar o meu poder — ela indicou para a testa coberta pelo hitaiate vermelho onde o pináculo do seu poder jazia na forma de um selo. — Realizei muitas missões ao longo desses anos... Algumas em equipe, mas a maior parte eu cumpri sozinha. Depois... da morte do Naruto e da sua deserção definitiva... — disse com dificuldade, como se as palavras estrangulassem-na. — Eu não quis ser realocada para nenhum outro time que estivesse com membros desfalcados. Não parecia certo.

Ela mordeu os lábios pintados de cor-de-rosa e se recompôs depressa, esboçando outro sorriso que não lhe chegava verdadeiramente aos olhos.

— Mas, então, a Sakura do seu mundo divide o trabalho com a maternidade, o que eu acredito que seja muito mais desafiador. — Os olhos verdes estreitados brilhavam na noite escura, mais do que qualquer outra estrela ou astro. — Como era mesmo o nome da sua filha?

— Sarada.

Apenas mencionar o nome da filha trazia-lhe angústia. Não suportava permanecer no escuro sem saber o que estava se passando no seu mundo. Simultaneamente, a ideia de, a qualquer momento, repetir aquela experiência extracorpórea com o Sharingan deixava-o apreensivo, quase perturbado.

— É um nome bastante distinto. E bonito. Quantos anos ela tem?

— Completou treze anos faz pouco tempo.

A expressão dela abrandou ainda mais, os olhos avertendo para o chão e o corpo se virando para a sacada. Sasuke deduziu que ela não faria mais nenhum comentário ou pergunta, mas se equivocou quando a voz dela tornou a ressoar, desta vez mais baixa:

— Deve ser uma menina maravilhosa.

— Ela é — concordou sem hesitar. — Tem o sonho de ser Hokage e treina muito duro para realizá-lo. Ela herdou o poder dos Uchiha, muito embora o tenha despertado em circunstâncias completamente diferentes. — O olhar de Sasuke tornou-se terno. — E também herdou a força sobre-humana da Sakura. Sarada é o recomeço do meu clã. E o fato de aspirar ser como o Naruto a colocará no caminho certo. Ela jamais cometerá os mesmos erros que eu cometi ou que os meus antecessores cometeram.

Isso pareceu silenciá-la. Sem fitá-lo, ela anuiu mecanicamente, escondendo dele a expressão no seu semblante. Deu-lhe as costas e só depois de um momento de profunda reflexão murmurou numa voz embargada.

— Entendo. Obrigada por compartilhar essas informações do seu mundo comigo, Sasuke-kun. Foi uma conversa bastante esclarecedora. Espero que tenha uma boa noite.

E afastou-se da balaustrada, partindo em direção à porta do quarto que ocupava. Sem lhe dizer mais nenhuma palavra de despedida, abriu-a e entrou no cômodo. Deixou-o sozinho na sacada para ponderar se havia dito algo inconveniente que pudesse tê-la feito fugir da conversa daquela maneira.

Depois de um tempo sem conseguir chegar à conclusão alguma, ele também se afastou da sacada, voltou ao quarto e fechou a porta, bloqueando a corrente de ar frio que tentara segui-lo para dentro do recinto. Deitou-se na cama e fechou os olhos, procurando relaxar cada músculo do corpo para dormir e continuar a jornada até as Montanhas Três Lobos no dia seguinte.

Adormeceu num sono profundo sem se lembrar se havia sonhado ou não na manhã posterior. E aquele vazio continuava a inquietá-lo: tinha medo de se acostumar àquele mundo, tinha medo de esquecer-se das coisas boas que a vida lhe trouxe depois de tantos anos miseráveis como a fragrância de Sakura nos lençóis e nos travesseiros em que dormia ou o som da voz de Sarada chamando-o pela manhã para se levantar e vir tomar o desjejum. Detalhes que foi incapaz de esquecer mesmo tendo passado tantos anos longe de casa na missão para investigar o clã Ōtsutsuki.

Naquele mundo, os lençóis frios não tinham cheiro de nada e não havia voz alguma para chamá-lo quando despertasse pela manhã. Sasuke detestava tudo isso, detestava cada pequena ausência e cada vazio na sua nova rotina.

Se ele se esquecesse de qualquer um desses detalhes, jamais se perdoaria. Pior: sentia como se, ao esquecê-los, jamais pudesse encontrar o caminho de volta para sua casa e sua família.

E isso nunca poderia voltar a se repetir na sua vida. Não podia perder o que mais amava uma segunda vez. Não suportaria.

Notas finais
Esse capítulo foi mais calmo e curtinho, mas foi importante pra mostrar que a Sakura está, aos poucos, aceitando conhecer esse Sasuke. Agora, preparem-se para o próximo capítulo, pois teremos uma grande surpresa e um grande plot twist! Haha A Cúpula dos Kages se aproxima! Muito obrigada pela leitura e até o próximo (que deve sair entre sábado e domingo)! xoxo