Dark Dawn

6 Capítulo 6: Velhos Conhecidos


Notas iniciais
Sexto capítulo! Boa leitura!

Dark Dawn

Capítulo 6:

Velhos Conhecidos

○♦○

SASUKE VIAJOU DURANTE DOIS dias e alcançou a fronteira do país do Fogo — no extremo norte do território — com o país da Grama, ao cair da noite do terceiro. Felizmente, fez o percurso sem quaisquer causalidades. Para isso, tinha viajado quase sem pausas ou descansos — excetuando-se aquelas que ele fazia para comer ou para dormir por algumas poucas horas — desde a manhã do dia em que despertou naquele mundo, intercalando seu percurso ora pelo chão ora pelas árvores, evitando cidades e povoados até que chegasse ao seu destino: o covil daquele que já foi, um dia, seu mestre.

Conhecia a localização de todas as bases subterrâneas de Orochimaru. O período que viveu sob a tutela do antigo Sannin havia sido marcado por andanças constantes, de país em país, tudo para evitar que os Shinobis de Konoha os rastreassem e os encontrassem. Naquela época, o próprio Sasuke não queria ser encontrado.

Ele sabia que poderia não ser fácil encontrar o antigo mestre, afinal, havia dezenas de bases subterrâneas, que eram ativadas, desativadas e reativadas segundo as suas necessidades, mas ele também sabia que existiam subordinados trabalhando em várias dessas bases que poderiam lhe informar a localização exata de Orochimaru. Ou era com isso que estava contando.

A tempestade violenta que fustigava o sul do país do Fogo amenizou tão logo ele atravessou o golfo, abrandando para um sereno morno porém incessante. O céu escuro e tempestuoso tornou-se cinza-claro e melancólico, refletindo seu humor sombrio. O vento trespassava suas roupas encharcadas, e embora sentisse frio ignorou a sensação de dormência e de cansaço dos membros a fim de continuar a viagem longa.

Sasuke atravessou grandes florestas e correu por penhascos imensos, distanciando-se cada vez mais do lugar para onde realmente queria correr, em todo o tempo renegando as palavras de antes do Shinobi da Folha. Tinha de haver uma explicação plausível para aquilo tudo. Como ele poderia ter adormecido num mundo e desperto num outro completamente diferente? Um mundo em que ele venceu a batalha no Vale do Fim e Naruto... Não, Sasuke se recusava a pensar na possibilidade até que ouvisse a confirmação de alguém que conhecia. E no momento, quem poderia lhe fornecer as respostas das quais precisava era Orochimaru.

Por isso, seguiu em direção ao país da Grama onde a maior e mais próxima base subterrânea estava localizada e chegou ao lugar, uma densa floresta no sopé de uma grande montanha, justo quando o ocaso caía sobre a região. A escuridão expulsava os fachos de luz restantes do céu em chamas, e nuvens compridas se estendiam de uma ponta a outra do horizonte, prometendo uma noite sombria além da ausência do luar e das estrelas.

Sasuke caminhou por um bom tempo ainda, procurando na semiescuridão pela rocha que delimitava a entrada secreta para a base. Depois de um tempo, ele a encontrou no exato local onde se recordava. Contornou-a a fim de adentrar uma exótica formação rochosa que se assemelhava a uma grande caverna. Nas penumbras do crepúsculo, enxergou as formas de grandes pilares de calcário que se erguiam do solo e se encontravam com estalactites pálidas dependuradas no teto alto.

A entrada estava semioculta, logo atrás de uma das grandes colunas, e era uma porta larga de rocha sólida. Sasuke a atravessou e seguiu por um túnel comprido iluminado pelas chamas de velas que ardiam em suportes com forma de cabeças de serpentes de pedra que brotavam de ambos os lados da parede. Olhos dourados e ardentes seguiam-no pela semiescuridão tremeluzente.

Seus passos ecoaram no chão de pedra lisa, o som se propagou pelo túnel e anunciou a sua chegada feito um arauto. Mais adiante, ele identificou as silhuetas de duas pessoas paradas próximas uma à outra. Mesmo antes que os alcançasse, Sasuke sabia quem eram pelas suas compleições.

— Suigetsu. Karin — ele pronunciou os nomes de ambos assim que as chamas bruxuleantes das velas mais próximas lhe permitiram distinguir os rostos dos antigos membros do Taka.

Karin pareceu engolir a seco antes de cumprimentá-lo.

— Sasuke.

Karin pareceu a Sasuke mais cautelosa e ressabiada do que o comum. Quanto a Suigetsu, este permaneceu enredado a um silêncio profundo, um gesto que ele não pensou que atribuiria algum dia ao espadachim falante.

— Por que está aqui, Sasuke? — Karin indagou, estreitando os olhos escarlates por trás dos seus óculos. — Por que voltou depois de tantos anos em exílio?

Sasuke a ignorou e olhou ao redor e além dos dois nukenins. Exceto por eles, a base parecia estranhamente vazia. E ele não viu Juugo em lugar algum. Se não estivesse trancafiado em algum cômodo do esconderijo, suspeitava que não o encontraria ali.

— Preciso ver Orochimaru — ele declarou.

Karin e Suigetsu se entreolharam por um momento antes de fitarem Sasuke outra vez.

— Ele não está aqui. — Foi Suigetsu quem informou.

— Então me levem até ele — insistiu, soando um pouco rude ao ordenar os antigos subordinados e não pedir com gentileza. Mas ele não tinha tempo a perder com formalidades. Quanto mais cedo descobrisse o que estava havendo, mais rápido poderia voltar ao mundo que pertencia e para a família que o aguardava.

Suigetsu cruzou os braços e olhou-o com certa hostilidade.

— Não pode esperar que acatemos ordens suas depois de tanto tempo, Sasuke. Depois de ter nos abandonado como se não passássemos de lixo.

Ele não podia dizer que esperava pela animosidade. A verdade é que, apesar de não manter contato com os membros do extinto Taka, Suigetsu e Karin pareciam diferentes das poucas ocasiões em que os viu nos últimos anos. Doze anos atrás Karin tinha sido a responsável por ajudar no parto de sua filha e ele sempre lhe seria grato por isso. Mas Suigetsu e ele tinham se visto há menos de um ano quando Shin, uma das experiências de Orochimaru, decidiu ameaçar sua família e acabou por sequestrar a sua esposa. E ainda assim, aquele não parecia ser o Suigetsu que ele vira da última vez. Tampouco Karin.

Fechando os olhos, ele inspirou profundamente. Quando os reabriu, surpreendeu os dois observando cada uma de suas reações com muita atenção e muito cuidado. Isso agravou o seu estado de inquietação.

— Escutem, tenho um assunto sério a tratar com Orochimaru e preciso vê-lo com urgência. Se não podem me levar até ele, então me digam onde está e eu mesmo irei até o seu esconderijo.

Mais uma vez eles se entreolharam e Karin foi a primeira a aquiescer para o seu companheiro.

— Está tudo bem, Suigetsu — ela murmurou. — Não sei o que houve ou o que ele quer com Orochimaru-sama depois de tanto tempo... — Fez uma pausa para voltar a fitá-lo de modo incisivo. — Mas o chakra dele está diferente. Está mais... leve.

Suigetsu crispou o rosto e não quis dar um voto de confiança a Sasuke como Karin havia feito. Mas ele confiava no julgamento da Kunoichi sensora o suficiente para, ao menos, não interferir caso ela decidisse ajudá-lo a encontrar o Sannin.

— Orochimaru-sama está numa base a um dia e meio de viagem daqui, Sasuke, seguindo a noroeste em direção ao país da Cachoeira. Você se lembra da localização dessa base, não é? — Karin indagou-o, ajeitando os óculos no rosto.

— Aa — ele aquiesceu. — Vou ao encontro dele então. — Deu meia-volta e preparou-se para partir, deixando os dois Shinobis para trás e seguindo pelo corredor por onde veio, mas foi interrompido pela voz de Karin.

— Espera!

Sasuke se virou para ela outra vez.

— Você... — Karin sussurrou e então balançou a cabeça. — Aconteceu alguma coisa com você, Sasuke?

Ele desviou o olhar para o chão por um longo momento e relutou em responder a pergunta de Karin. Não queria contar a ninguém o que estava passando porque o próprio Sasuke não tinha certeza da resposta e a verdade lhe escapava. Por isso balançou a cabeça e não ousou quebrar o silêncio denso no túnel. As chamas das velas tremeram na semiescuridão, diminuindo a intensidade da luz.

Iie — negou. — Como eu disse, tenho assuntos que não são da conta de vocês e só posso resolvê-los com o auxílio de Orochimaru. Por isso, preciso encontrá-lo agora. — Ao término, deu as costas aos dois novamente e voltou a se afastar pelo túnel.

Não demorou, contudo, a notar que era seguido por uma Karin bastante decidida e por um Suigetsu notavelmente desconfortável que se recusava a deixá-la por conta própria com Sasuke. Pensou em dizer a eles que não queria companhia, mas sabia que não teria sua vontade respeitada, portanto, limitou-se a acelerar os passos, deixando os túneis frios do esconderijo para trás. Era noite alta já, e uma nesga do céu escuro e da lua nova apareceram por aberturas nas copas entrelaçadas das árvores.

Os passos de Karin e Suigetsu não cessaram, amassando a relva úmida sob os seus pés a uma distância razoável de Sasuke, que estagnou mais adiante e tombou a face o suficiente para fitá-los e questioná-los com o olhar.

— O que acham que estão fazendo?

— Seguindo você — Karin se adiantou, marchando até ele. — Sem chance que eu vou permitir que você fique sozinho com o Orochimaru-sama!

— Você ficou maluca! — Suigetsu a alcançou com uma expressão tão pálida quanto os seus cabelos. — Esqueceu tudo o que ele fez em todos esses anos?! Houve um bom motivo para termos deixado esse cara no canto dele! — Os olhos cor de violeta encontraram Sasuke e averteram, hesitantes: — Quero dizer, sem ofensa, Sasuke, mas você não foi exatamente uma boa companhia para se manter desde o fim da guerra.

— Suigetsu! — Karin o repreendeu, erguendo um punho para socá-lo; o espadachim se encolheu.

— Você sabe que eu estou falando a verdade!

Sasuke estreitou os olhos para os dois.

— Não quero nenhum dos dois me seguindo — advertiu-os. — Eu disse que o que tenho a resolver com Orochimaru não é da conta de vocês.

— É da minha conta a partir do momento em que ele é o único Sannin ainda vivo! — Karin ladrou de volta, recusando-se a recuar. — E eu quero te observar de perto para ter certeza de que não o colocará em perigo!

Sasuke absorveu aquela informação devagar. Se Orochimaru era o último Sannin restante, isso significava que a mestra de Sakura, e Godaime Hokage, estava morta. Tinha receio de perguntar à Karin como Tsunade morreu e receber a confirmação que definitivamente não queria ouvir. Não ainda. Que fosse na presença de Orochimaru.

— Não devo satisfações a nenhum de vocês dois — declarou com um dar de ombros antes de seguir pela floresta rumo às coordenadas que Karin lhe passara anteriormente.

Caminhou alguns metros floresta adentro antes de saltar na direção dos galhos robustos das árvores, galgando-os a uma velocidade contínua. Não se deu ao trabalho de verificar se ainda era seguido, tinha certeza de todo modo que Karin e Suigetsu ignorariam seu aviso e viriam atrás dele ainda assim. Optou por concentrar sua energia em chegar ao esconderijo onde Orochimaru estava. O Sannin haveria de lhe dar as respostas que ele buscava.

Acima de Sasuke, havia uma noite profunda e escura; a lua nova pouco fazia para aclarar a escuridão e dispersar as penumbras mais densas. O vento cortante trespassava suas roupas, ainda um pouco úmidas da chuva que tomou durante boa parte da viagem até ali e que caíra sobre toda a porção leste do país do Fogo pelos últimos dois dias consecutivos. Apenas naquela manhã o aguaceiro havia cessado.

Apesar da fome e do cansaço que o sobrecarregava, manteve o ritmo vários metros acima do nível do solo, percorrendo o breu da floresta como mais uma das suas sombras, mais um dos seus fantasmas silentes. Identificou as presenças de Suigetsu e de Karin um pouco mais atrás, mas não deu atenção a eles. Torcia para que desistissem e o deixassem em paz. Àquela altura Sasuke deveria saber que suas vontades eram raramente atendidas ou respeitadas.

Um tempo depois, Karin e Suigetsu, num movimento ousado, o alcançaram, acelerando o passo a fim de igualá-los ao de Sasuke, que praticamente deslizava entre as árvores.

— Quando senti o seu chakra... — Karin falou por cima do ruído alto do vento. — Eu quase não acreditei!

Ele não precisou perguntar por que ela se surpreendeu com a sua visita, a própria Karin explicou em seguida:

— Ficamos anos sem quaisquer notícias suas, Sasuke. O último rumor que ouvi envolvendo o seu nome dizia que você ainda estava sendo perseguido pelas nações aliadas para que pudesse ser punido pelos seus crimes.

A Kunoichi sensora estreitou os olhos cuidadosamente antes de dizer as próximas palavras.

— Vocês nos abandonou depois do fim da guerra, depois que aquele Jinchūriki da Kyūbi... — ela cerrou os dentes e se deteve, decerto por notar a perturbação que houve no chakra de Sasuke e que era um reflexo do seu súbito humor sombrio pela menção a Naruto.

Sasuke não queria conversar sobre aquele assunto agora e definitivamente não com Karin e com Suigetsu. Ele acreditou que apenas os conhecimentos de Orochimaru, mesmo distorcidos, poderiam ajudá-lo a entender o que estava havendo consigo e a encontrar o caminho de volta para o mundo ao qual pertencia, o mundo no qual havia conseguido se redimir com as pessoas que amava e o mundo em que servia a um propósito nobre.

Crispando o rosto, Sasuke acelerou ainda mais e deixou Karin e Suigetsu para trás de vez. Não se importou se continuariam no seu encalço ou não. Só precisava chegar até Orochimaru e, a partir dali, começaria a procurar uma forma de deixar aquele lugar.

○♦○

A viagem até a fronteira do país da Grama com o país da Cachoeira foi um pouco mais tumultuada do que Sasuke acreditou que seria. Durante o percurso, precisou evitar ser detectado por pelo menos três grupos de Shinobis de Taki que ou estavam de passagem pela região e a caminho de outro destino, ou patrulhavam aquela fronteira por algum outro motivo.

Ele encontrou o primeiro grupo a cerca de trinta milhas da localização do esconderijo de Orochimaru, mas os outros dois grupos perambulavam próximos demais da entrada secreta da base subterrânea. Não podia permitir que Orochimaru fosse detectado por aqueles Shinobis antes que tivesse a chance de conversar com ele.

Por isso tinha rodeado a entrada pela última meia hora, observando os Shinobis de uma distância segura, examinando o ponto onde eles — cerca de quatro homens, três Jounins e um Chūnin a julgar pelas suas vestimentas — descansavam, à sombra vistosa de uma árvore. Escondido entre a vegetação, Sasuke procurava um meio de nocauteá-los sem causar alardes desnecessários. A alvorada o tinha encontrado há algumas horas e o céu estava azul e límpido; o sol ardia sobre a floresta úmida e densa do território no extremo sul do país da Cachoeira. Planejava usar alguns bunshins como isca e afastá-los de perto da entrada até que Karin pousou silenciosamente ao seu lado no galho robusto da árvore que Sasuke usava como camuflagem.

Um microssegundo depois, a vegetação se agitou do seu outro lado: era Suigetsu que também havia acabado de pousar. Sasuke lançou olhares hostis a ambos, questionando-os.

— O que acham que estão fazendo? — sibilou.

— Te ajudando a se livrar desses ninjas patéticos — Karin respondeu, erguendo o queixo em desafio à postura animosa por parte de Sasuke. — Ou acha que quero esses cães de Taki farejando o esconderijo de Orochimaru-sama também?!

Suigetsu ergueu as mãos num gesto defensivo.

— O plano e a iniciativa foram todos dela, Sasuke. Eu não tenho nada a ver com isso.

— Então por que me seguiu, cabeça de peixe?! — Karin cerrou os dentes e apontou um dedo acusatório para Suigetsu.

— Para não te deixar sozinha com o Sasuke, é claro, sua masoquista. — Ele abanou uma mão diante da expressão pretenciosa. — Você nunca age com bom senso quando está perto desse cara. — Indicou para Sasuke com o polegar.

— Como você ousa...

Calados — Sasuke comandou e foi prontamente acatado. — Preciso chegar até Orochimaru e farei isso com ou sem a ajuda de vocês.

Suigetsu entrelaçou os dedos na parte de trás de cabeça e olhou entediado para Sasuke.

— Sempre arrogante e desprezando aqueles que tentam te ajudar. Vejo que isso não mudou no fim das contas.

— Pois vá embora então — Sasuke declarou ao se colocar de pé no ramo. — Estou cansado de repetir que os meus assuntos não dizem respeito a nenhum de vocês dois.

Karin abaixou o rosto de repente, escondendo a expressão consternada de Sasuke. Apertou um punho e partiu os lábios, sussurrando num fio de voz:

— Você não sentiu nada quando ele morreu por você, Sasuke?

Erguendo os olhos escarlates e marejados, voltou a fitá-lo.

— Não sentiu nada mesmo? Ele deu a vida por você!

Sasuke estreitou os olhos, atônito.

— Não sei do que você está falando.

— É claro que sabe! — insistiu, erguendo a voz mais do que deveria. — Ele se sacrificou por você!

Respirando fundo, ele fitou a antiga integrante do, agora, extinto Taka. Intuiu que não gostaria de continuar a ouvir o que ela tinha a dizer, mas também sentia uma necessidade visceral de entender aquele mundo e entender quem ele havia se tornado nele, por mais que pudesse se detestar.

— De quem você está falando? — perguntou com calma.

— Do Juugo! — Karin cuspiu. — De quem mais, Sasuke?! Será que éramos tão insignificantes para você que se esqueceu de nós num piscar de olhos?!

— Juugo está morto — ele constatou num tom inesperadamente vazio, não sabendo como lidar com a informação.

Karin soluçou de repente, secando depressa as lágrimas que molharam suas bochechas, escondendo os vestígios do choro tanto de Sasuke quanto de Suigetsu.

— Você... não se lembra? — Suigetsu indagou, o olhar vidrado na expressão de Sasuke. — Não se lembra mesmo, Sasuke? — persistiu. — Ele deu a vida para salvar a sua pele quando você estava sendo caçado por alguns esquadrões de Konoha. Porra, Sasuke, está mesmo me dizendo que não se lembra?!

Ele trocou a perna de apoio, de repente se sentia desconfortável na presença de ambos.

— Aconteceram... algumas coisas — Sasuke se limitou a dizer, abrindo e fechando seu punho esquerdo. — O que precisam saber é que não sou a pessoa que vocês pensam que sou.

— Ainda posso sentir e distinguir o seu chakra perfeitamente, Sasuke — Karin o contrapôs com severidade. — E mesmo que eu sinta que há algo diferente em você, que o seu chakra não esteja tão sombrio e frio quanto há alguns anos, ainda assim é você.

Sasuke fechou os olhos num gesto de concordância.

— É por isso que preciso conversar com Orochimaru. Ele pode ser a única pessoa a me ajudar a entender o que aconteceu e por que estou nesse lugar. E, como disse, farei isso com ou sem a ajuda de vocês, embora adiante que esta seja completamente desnecessária.

— Cuzão como sempre — Suigetsu murmurou e também se colocou de pé. — Mas, dane-se, eu estou entediado no momento e acho que servir de isca para uns ninjas estúpidos seja a diversão que estou precisando.

— Quem é o masoquista agora?! — Karin retrucou, colocando-se de pé também.

Suigetsu deu de ombros e levou as mãos até as bolsas que usava acopladas ao seu cinto. Tirou de lá uma kunai com uma extremidade curva e bastante afiada que afinava no formato de um gancho, que ele jogou para cima e pegou de volta, brincando com a arma enquanto lançava olhares maliciosos para Karin e para Sasuke.

— Só me deem uns dois minutos, tá bem? Eu alcanço vocês rapidinho!

— Convencido.

A Kunoichi sensora revirou os olhos, mas no segundo posterior Suigetsu tinha saltado do galho em direção ao esquadrão de Shinobis de Taki, espreitando-os com a perícia de um caçador inveterado. Sasuke observou-o trabalhar de cima do galho, mas então sentiu a mão de Karin pousar no seu ombro.

— Vamos levar você até Orochimaru-sama, Sasuke — prometeu. — Porque eu também quero saber o que aconteceu com você para ter mudado tanto.

Apesar de não havê-la respondido, ele aquiesceu com um aceno da cabeça. Quanto mais cedo chegasse até Orochimaru, melhor, porque isso significaria estar um passo mais próximo de descobrir como tinha ido parar naquele mundo e, mais importante, o que Sasuke precisava fazer para sair dele e voltar para o lugar ao qual realmente pertencia onde sabia que as pessoas que o amavam estavam esperando-o.

Notas finais
Perdão pela imensa demora! Recentemente tive uma das minhas crises "amigáveis" e durante esses períodos o melhor que faço é, infelizmente, ficar afastada da escrita. Mas ela passou e eu consegui terminar esse capítulo com atraso, mas consegui! Para quem chutou que o Sasuke iria atrás da nossa cobra mais amada, parabéns! Haha E ele aparece no próximo! E teremos mais revelações sobre esse mundo em que o Sasuke foi parar! Até o próximo capítulo! Xoxo