Dark Blood
1 Bionic
Notas iniciais
Lyvennie-chan aqui ((:
Bem, bem, bem. Como vocês podem ver, eu e a Ju-chaan nos unimos em um novo projeto! E, digamos que deu muito trabalho, ok? Nós reunimos nossos "dons" e usando o poder da "pancadaria" da Jujy-chan, o meu conhecimento com armas e nosso grande poder para fazer cenas "calientes", nós estamos postando o primeiro capítulo de nosso mais novo trabalho! *--*
Nesse capítulo, Jujy-chan se encarregou de Death The Kid. Eu me encarreguei de Maka Albarn. E, juntas, nos encarregamos de Soul Eater Evans, Aye! Então, por esse motivo, vocês vão ver marcas nossas em cada POV lol E, sim, isso é uma espécie de prólogo pra vocês. Mas aí vocês perguntam: Ly-chan, Ju-chan, um prólogo dessse tamanho?
Sim, sim, My Dears, desse tamanho. Porque são três prólogos unidos em um só! *---*
Ok, ok. Acho que já dei explicações demais, por hoje xD
Espero que gostem, e que possam viajar no mundo de Dark Blood *-----*
E não esqueçam de ouvir as músicas, ok?
Boa Leitura! De Pé, Reverência, Aye! <- Dando uma de Happy.
Death The Kid: Arena de Tiro da BK.
Cuz I Can — Pink
Puxou o gatilho novamente e o alvo em movimento foi atingido diretamente no peito, derrubando-o e fazendo surgir mais três. Dois tiros surdos de uma única vez e mais um terceiro, milésimos depois. Dessa vez, os alvos caíram antes mesmo de começarem a se mover.
Estava ali a cerca de três horas, mas só agora havia começado a suar. Seus olhos estavam semicerrados enquanto buscavam, minuciosamente, pelo próximo alvo a se erguer, jogou uma das pistolas no ar e moveu a alavanca, aumentando a velocidade e o número de alvos a subir. O suor escorreu por sua têmpora direita. Cinco alvos se ergueram em diversas direções do outro lado da arena, alguns a quase vinte metros de distância.
Atirou duas vezes e dois dos mais próximos caíram, com furos profundos no lugar onde estaria a cabeça. Recarregou em uma velocidade inacreditável, a qual ele já estava acostumado.
Os alvos tinham diversos formatos, uns mais altos e magros que os outros, alguns maiores e corpulentos, e tantos outros que tinham formato de uma pessoa comum. Claro, os dois primeiros citados se davam ao formato dos demônios.
Mais três caíram, dois em sincronia e o outro logo depois.
O garoto não parecia cansado, pelo contrário, poderia continuar naquele aquecimento durante muitas e muitas horas diretas.
Ele era alto, de pele pálida e bom físico para a idade. Cabelos negros perfeitamente recortados e com um lado da franja contendo três listras brancas. Olhos cor de âmbar que brilhavam de frieza e concentração. Vestia uma camisa de manga curta negra estilizada com uma caveira cômica, com calças jeans cinza-escuro gastas e com rasgos nos joelhos. Tênis esportivos brancos e aparentemente novos.
Um som agudo soou por todo o recinto e ele soprou a ponta das pistolas, que esvoaçaram fumaça e depois, guardou uma em cada bolso. Todos os alvos se abaixaram em sincronia, com a sirene que tocou, encerrando o treinamento.
– Espero que seja importante. – Ele disse, sua voz era firme e um pouco fria.
– Isso? Importante? Hihihi. – Começou uma delas, segurando o riso ao por a mão na boca.
– Só importante demais. – Respondeu a outra, ajeitando o chapéu de cowboy na cabeça.
Eram duas garotas parecidas em vestimentas e rosto, eram irmãs.
A que segurava o riso era menor que a outra, tinha a pele alva e rosto infantil, era a mais nova. Tinha os cabelos curtos e loiros, um pouco acima dos ombros, coberto por um chapéu de cowboy azul e branco, olhos azul-claro brilhantes. O corpo era mais chamativo que o da irmã mais velha, vestia uma blusa vermelha de gola alta e que deixava a barriga à mostra, com uma gravatinha branca pequena. Um short estufado jeans azul e botas negras que passavam das canelas.
A irmã mais velha era alta e esguia, corpo menos formado que o da irmãzinha e pele alva como a dela. Os cabelos eram longos e lisos de um tom loiro-acastanhado, olhos azul-escuros. As roupas eram parecidas com as da irmãzinha, porém, ao invés do short ela usava uma calça jeans com um cinto branco e as botas estavam cobertas pela calça.
– E o que seria “importante demais”? – O garoto ergueu uma das sobrancelhas em desconfiança.
– Ei, calma aí. Não estamos te atrapalhando, viemos passar o recado – A mais velha recuou um pouco, erguendo as mãos em sinal de rendição.
– Ele quer falar com você! Com você, Kid-kun! – A mais nova apontou para ele.
Ele tentou esconder a surpresa.
– Obrigado pela informação, Liz, Patty. – Ele agradeceu, já não estando desconfiado.
– Disponha, Death The Kid, fica nos devendo essa. – Brincou a mais velha, chamada Liz – Parece ser algo realmente importante dessa vez, portanto, essa pode ser nossa última conversa.
– Morte, morte! – Cantarolou a mais nova, Patty.
– Que pensamento positivo o seu, mas não sou exatamente fã de despedidas. – Kid passou por elas, lançando um aceno enquanto caminhava pelo corredor longo.
– Ele é realmente um pouco mimado demais. – Liz comentou, pondo a mão atrás da cabeça e dando um suspiro.
– Vamos matar uns demônios de madeira, onee-chan! – Patty gritou, já pegando sua pistola e estendendo a mão para puxar a alavanca.
– Vamos nessa! Quem acertar menos paga o almoço!
[...]
Death The Kid caminhava pelo corredor imponente e de cabeça erguida, era vazio e úmido no QG da Blood Killers. Ele viu, de relance, dois agentes, mas ignorou-os. Não podia deixar Ele esperando por muito tempo.
Virou a esquerda na bifurcação do corredor e deparou-se com uma porta de madeira italiana luxuosa e dupla, com maçanetas redondas e douradas que refletiram sua imagem com um pouco de deformidade, ele resistiu ao impulso de arrancar ambas fora, mas respirou fundo e ao invés disso, apenas estendeu os braços e empurrou a porta para frente, abrindo-a e adentrando o recinto luxuoso. O chão era de madeira branca, era um quarto quadrado e um pouco pequeno, sem janelas e iluminada por um lustre de cristal esbranquiçado e belo, com um tapete persa no meio, uma mesa de pernas curtas envolta por várias almofadas, uma delas ocupadas por uma figura de manto negro e rosto escondido, bebia uma xícara de chá e observava Kid fechar a porta.
– Vejo que as irmãs Thompson deram o recado – Ele murmurou, sua voz era engraçada, mas nem por isso Kid ficou tranquilo.
– Me disseram que era importante, do que se trata, chichi-ue? Digo, Shinigami-Sama? – Kid tratou de se corrigir, não podia chamá-lo de pai, apesar de tudo.
– Uma missão.
Kid segurou o impulso de dizer “não me diga”.
– Preciso que roube um elemento... Valioso, precisamos dele mais do que qualquer outra coisa – Informou Shinigami-Sama, bebericando mais um pouco do chá.
– E o que seria esse “elemento valioso”? – Agora ele estava ficando curioso.
– Uma droga, capaz de enlouquecer os demônios e usá-los como nossos, criada por um cientista louco, Franken Stein. Quando usada, a droga deixa os demônios quase que invulneráveis e praticamente invencíveis.
O garoto arregalou os olhos, surpreso.
– Invencíveis? – Sua voz saiu em um sussurro perplexo.
– Sim, se usarmos de forma correta, poderemos controlá-los, também – Prosseguiu o pai, indiferente à surpresa do filho.
– Qual o nome dessa droga? – Deixando a surpresa de lado, Kid mostrou seu interesse.
Shinigami-Sama estendeu a mão para algo ao seu lado, que Kid não pôde ver até ser lançado. O garoto agarrou o objeto no ar e observou o relógio negro com ponteiros prateados e dois botões ao lado.
– Todas as informações estão aí, fracasso não é uma opção, caso isso aconteça, você morrerá jovem.
Ele tremeu levemente com a possibilidade, assentiu e deu às costas ao pai.
– Até breve, Shinigami-Sama, não fracassarei.
As portas se fecharam atrás de si e Kid deu um longo e arrastado suspiro, apertou em um dos pequenos botões e uma tela subiu, com uma coloração esverdeada. As informações surgiam em frente aos olhos dele.
E, enquanto analisava o documeto, seus olhos passaram por um nome que, realmente, lhe chamou atenção:
Sangue Negro.
Maka Albarn: Toronto, Canadá.
Trouble — Pink
Um mortal pra trás. Foi o suficiente para que a loira se esquivasse do golpe proferido pelo demônio de classe A.
– Você poderia ter tornado as coisas mais fáceis. Até pensei em te convidar para tomar um chá. — a loira disse, fuzilando o Kishin com seus olhos verde-esmeralda. Ela estava furiosa, mas nem isso podia retirar seu bom e velho humor. — Topa?
O monstro rugiu e partiu para o ataque. A garra nojenta e verde do demônio passou raspando no rosto da garota, que desviou rapidamente, com dois mortais, seguidos, para trás. Ela aterrissou em uma das barras de metal com um leve baque. E olhou para o chão, que encontrava-se dezenas de metros abaixo de onde ela estava. Não era, exatamente, aconselhável lutar com um monstro de Classe A, àquela distância do chão. Até porque, as barras daquela imensa construção — ainda desestruturada, com parafusos frouxos e larguras indefinidas — eram escorregadias e mal cabiam os pés de Maka nelas. Mas aquilo pouco importava para ela. Até porque, morrer não era uma opção para uma Demon Hunter de Classe S. Maka retomou o equilíbrio e encarou o monstro, com uma expressão mortal.
– Eu vou considerar isso como um "quem sabe". — ela disse, erguendo rapidamente a Beretta Px4, na mão direita, e um punhal branco, — de lâmina curta, estreita, penetrante e cortante — na mão esquerda. — Mas, devido a minha mudança de humor, eu estou oficialmente te desconvidando.
Maka mirou na cabeça do Kishin e apertou o gatilho da Bereta. A bala saiu, dividindo-se em quatro e acertou a cabeça da coisa em cheio. Os quatro fragmentos causaram graves ferimentos em seu rosto. Deixando o demônio cego dos dois olhos, e com dois buracos em sua testa. O monstro rugiu de dor, e um líquido rubro espirrou de cada um dos ferimentos. Maka abriu um sorriso malicioso. Era por isso que adorava sua Bereta, porque só ela conseguia fazer um monstro agonizar antes da morte.
Maka enfiou a Bereta na cinta-liga de sua perna esquerda e agarrou a Pistola Parabellum, com calibre de 9 mm. O Kishin avançou furiosamente em sua direção e a loira, por reflexo, pulou para a barra ao lado e equilibrou-se rapidamente, a tempo de atirar bem na garganta do demônio. Foi então que escutou um bipe no comunicador incrustado em seu ouvido e logo em seguida pressionou-o, para que fosse capaz de escutar a voz de Azusa.
– Maka? — Azusa chamou, com uma voz tensa e preocupada.
– Azusa-sama... Estou meio ocupada agora! — ela disse, enquanto esquivava-se de um segundo demônio que surgiu por trás de sua cabeça.
Maka atirou duas vezes enquanto dava um mortal para esquivar-se do golpe do monstro de classe C. Os tiros que dera acertaram em cheio a garganta do monstro, fazendo-o urrar de dor. A loira sorriu. Tinham sido belos tiros.
– Preciso falar urgentemente com você, Maka. É sobre uma nova missão de Ranking S. — Azusa disse, cada vez mais tensa.
Maka suspirou e deu mais três tiros seguidos, bem no coração do Akuma. Este grunhiu, mais algumas vezes, e perdeu o equilíbrio. Suas asas grotescas e nojentas pararam de bater e ele caiu em queda livre.
– Do que se trata a tal missão, Azusa-sama? — Maka falou, com uma certa frieza na voz, enquanto cuidava de desviar de um segundo Kishin que aparecera para ajudar seu companheiro cego.
A Albarn praguejou um palavrão, baixinho o suficiente para sua mestra não escutá-la, e enfiou o punhal dentro de sua longa bota negra que cobria metade de sua panturrilha torneada. Logo agarrou o Revólver que estava preso ao cinto apertado, fortemente, em seu quadril e cruzou os braços, com as armas prontas para causar belos estragos. A loira apertou ambos os gatilhos e as balas acertaram seus alvos. A bala do Revólver acertou em cheio o coração do Kishin cego, — o que fez ele pender da barra de ferro e cair no chão, estilhaçado e morto — já a bala da Pistola Parabellum acertou em cheio o segundo Kishin, fazendo-o urrar de dor, derramando o mesmo líquido rubro que Maka estava cansada de ver.
– Eu preciso que você vá, sozinha, em busca de um elemento valioso e perigoso! Eu só posso confiar em você para trazê-lo até mim! — Azusa disse, parecendo sincera demais.
Maka revirou os olhos. E, assim que recuperou o equilíbrio, atirou duas vezes, com as duas armas, no Kishin que ainda voava acima de Maka, babando. A saliva do monstro encostou na barra de ferro ao lado da qual Maka estava e rapidamente abriu um buraco. Era uma saliva ácida.
– Você ia jogar isso em mim! — Maka praguejou para o monstro, furiosa. — Seu imbecil! — ela disse, voltando a olhar para o Kishin que fazia um sério esforço para manter-se em pleno vôo — porque as quatro balas de Maka haviam acertado-lhe no coração e na cabeça, duas em cada.
– Maka!? — Azusa exclamou, envolvida por uma incerteza.
Maka suspirou.
– Não foi nada, Azusa-sama. — ela mudou de assunto, tão rapidamente quanto se esquivara de uma bomba de saliva ácida. — Mas, que elemento é esse? — a loira perguntou por fim, logo depois de sussurar um belo palavrão para o demônio que negava-se a morrer.
– É a coisa mais perigosa que já foi criada. Franken Stein, o gênio da ciência, criou isso, sem ao menos saber o quanto poderia ser perigoso. E muitas organizações das trevas estão em busca deste artefato. É mais cobiçado que um elixir da imortalidade, Maka. — Azusa disse, tentando esconder a aflição — evidente em cada sílaba que ela pronunciava. — Esse elemento, foi posto num artefato capaz de protegê-lo, se mantido em temperaturas mínimas. E com esse elemento, todos os demônios, de todas as classes, poderão ser controlados. E não há antídoto, Maka. Você faz ideia do que é?
A Albarn praguejou algo em latim e recarregou a Pistola Parabellum, ao mesmo tempo em que punha o Revólver em seu cinto. Depois de tantos tiros sucessivos o monstro prosseguia vivo. Maka podia ter certeza que ele estava quase no fim da transição de Classe A, para S, porque nenhum demônio Kishin seria capaz de sobreviver com tantos ferimentos. Maka mirou de novo na cabeça do monstro e apertou o gatilho sucessivamente, oito vezes.
– Você só pode estar falando do... — Maka começou, mas não encontrou fôlego suficiente.
– Sim, estamos falando do Sangue Negro, Maka. E como agente especial, você sabe do perigo que corremos, caso a Blood Killers o tenha em mãos. — Azusa disse, desta vez, mais controlada.
Maka viu o Kishin cair em queda livre e estilhaçar-se no chão, junto dos seus amiguinhos. E, logo quando pensou estar livre, sentiu uma respiração no seu pescoço. Por reflexo, puxou o punhal e arrastou na garganta do outro Akuma, que viera vingar seu companheiro morto, talvez.
– Eu sei. Se isso cair nas mãos de Death The Kid e seus comparsas, nós estamos perdidos. — Maka disse, esquivando-se da investida do monstro, que cuspia bolas de saliva ácida, uma atrás da outra. Não eram tão ácidas quanto as de um Demônio Classe A, os Kishins, ou os de classe S, os Kuramas, mas podiam fazer um belo estrago em peles fininhas e alvinhas, como a de Maka.
– E então, Maka? Aceita a missão? — Azusa perguntou, mesmo sabendo qual seria a resposta da loira.
Maka sorriu, no mesmo instante em que agarrou seu Rifle e prendeu a Pistola Parabellum na sua cinta-liga. O Kishin avançou até ela, com um urro de dor, como se estivesse reclamando por conta do enorme rasgo em sua garganta.
– O que? Meu punhal tá uma merda por causa da sua garganta! Não reclama! — Maka disse, falando baixinho para que Azusa não ouvisse.
– Maka? Vai aceitar ou não? — Azusa perguntou impaciente.
Maka arreganhou um sorriso ercanioso e frio, assim que deu outro mortal pra trás e atirou no Kishin, acertando em cheio sua cabeça, que dividiu-se em milhares de pequenos pedaços. Ela parou com um dos joelhos na plataforma e o outro erguido. Uma de suas mãos pairava sobre a barra, dando-lhe equilíbrio. Ela ergueu o Rifle na altura dos lábios carnudos e avermelhados e soprou a fumaça que ornamentava a ponta do cano da arma.
– Você acha mesmo que eu vou deixar uma missão dessa escapar, Azusa? Preciso estourar mais algumas cabeças pra pôr no meu currículo. — ela disse, ainda sorrindo.
Azusa riu.
– Pra quê o currículo, Maka? — ela perguntou, ainda rindo.
Maka deu de ombros, olhando para aquela lua mortalmente sarcástica.
– Vai saber. Vai que um dia eu preciso arranjar um novo emprego, Sensei? — ela disse, por fim, sem deixar que seu bom-humor fosse abalado por simples demônios.
– Bom saber que seu bom-humor nunca some. — Azusa disse, encerrando a conversa. — Espero você no QG, o mais rápido o possível. — e, com isso, desligou a chamada.
Maka ergueu-se e endireitou as costas, ficando em pé na barra de ferro. Ela arreganhou ainda mais o sorriso maligno e olhou bem para o céu, realmente, próximo de si. Arrumou o vestido preto e, por fim, pulou da grande construção, em direção à sua carona.
E, enquanto caía, a única coisa que podia-se ver, era seu olhar vingativo e sedento, acompanhado de sua longa capa negra.
Soul Eater Evans: Arena de taekwondo da Spartoi
Not Myself Tonight — Christina Aguilera
– O próximo!
A equipe de médicos veio rapidamente, dois homens vestidos de branco segurando a maca, enquanto um terceiro e um quarto erguiam o caído no tatame da arena, largando-o desajeitadamente em cima da maca e, na mesma velocidade na qual vieram, eles foram correndo para fora da arena em direção a enfermaria.
– E com isso, temos nove – Contou o vencedor da partida de taekwondo, sem entusiasmo.
– E vai terminar no nove mesmo! – Disse o próximo adversário do garoto, subindo no tatame, indiferente ao fato de que os outros lutadores assobiavam a “Marcha Fúnebre” atrás dele.
Este era grande e corpulento, com braços musculosos e cara de mau, com um dos dentes caninos em falta e um dourado no lugar de um molar.
O garoto deu de ombros, abrindo a garrafa e jorrando toda a água fria em seu rosto.
– Se você diz, veremos – Ele respondeu para o grandão.
O juiz olhou para os dois, suspirou e abaixou o braço, recuando na mesma hora. Já pedindo para que trouxessem uma maca de número maior.
O grandão avançou com uma voadora, o garoto virou o corpo para o lado e o adversário passou por ele quase caindo para fora do tatame.
Girou nos calcanhares e tentou outro chute, dobrando levemente o joelho e tentando acertar o rosto do garoto, este se abaixou com uma expressão entediada.
– Soooooooul-kuuun! – Chamou uma voz feminina e sedutora.
O garoto bufou.
– Que saco. — ele disse, enquanto acertava o cara gigantesco bem no olho, com uma força brutalmente fora do comum. Seu oponente foi parar do outro lado do tatame
– Soul-kun, não seja malvado comigo. — a garota disse, brincando com os cachos louros de seu cabelo.
Soul desviou do golpe raivoso do grandalhão, ao mesmo tempo em que revirou os olhos na direção da garota. Ele acertou em cheio o abdomém de seu oponente e logo em seguida chutou-o na cabeça, fazendo-o cair de cara no tatame. Soul estalou os ossos do pescoço, com movimentos leves e logo em seguida estalou os dedos das mãos.
– Fala sério, Yui. Você não consegue me deixar em paz nem quando estou treinando?- Soul disse, contrariado com a insistência daquela garota.
– Deixa de ser chato, Soul. Eu sei que alguma parte de você ainda me deseja. — ela disse, irritantemente sedutora.
Soul riu baixinho, enquanto desviava de mais uma investida sem fundamento do grandalhão. O cara tentou socá-lo bem no olho, mas Soul foi bem mais rápido e interceptou seu soco com uma das mãos e, com a outra, socou-lhe o estômago.
– Se você acha que alguma parte de mim te deseja, você é mais insana do que pensei. — Soul comentou.
O grandalhão rugiu alto para Soul e, no mesmo instante, foi jogado ao chão, vítima de um movimento extraordinariamente perfeito. Soul enroscara seu braço esquerdo no pescoço do pobre iludido, e com um movimento rápido, girara a ponto de dar-lhe uma chave de braço. Quando a armação estava concluída, ele chutou a dobra do joelho direito de seu oponente e o impulsionara para a frente. Em questão de segundos, o homem estava jogado ao chão, com a respiração presa, graças a Soul, que mantinha-se por cima, ainda despreocupado, conversando com Yui.
– Soul, não seja malvado. Você bem que poderia me dar mais uma chance. — ela disse, mordendo seu lábio inferior, um de seus lábios avermelhados e carnudos — e lançando um olhar extremamente pidão, que seria irresístivelmente dourado, se Soul já não tivesse "tomado o antídoto" há anos.
– Eu não caio mais nessa, Yui. Seus olhos dourados podem ser irresistíveis para qualquer outro mané, mas não para mim. — Soul disse, ainda em cima do seu oponente.
– Argh, você é muito chato. Só mais uma chance! — ela pediu, de novo, tornando-se cada vez mais irresistível. Mas não seria daquela forma que ela fisgaria Soul.
– Olha, Yui, eu já te disse, quando tínhamos quinze anos, que não dava mais certo. E venho te dizendo isso, desde então, há dois anos! — ele completou, logo em seguida voltando sua atenção para o cara abaixo de si. — Hey, cara, qual o seu nome mesmo? Tenho que registrar o nome dos caras que já derrotei...
O homem tentou rugir, mas o fôlego lhe faltou. Soul riu abertamente.
– Não ruge, não, amigo, só diz seu nome. — o garoto de orbes rubi disse, brincalhão.
– Gy... Gyan... — o homem disse, por fim, derrotado.
Soul riu e saiu de cima de Gyan, deixando o caminho livre para os paramédicos.
– Podem levar esse, também. — ele disse, descendo os dégraus do tatame e chegando até o balcão onde havia mais água disponível para ele.
Yui não perdeu tempo e aproximou-se, sedutora, aproveitando que mais ninguém jazia na sala.
– Yui, não chega perto. — ele disse, no exato instante em que ela ia deslizar os dedos por seu rosto.
– Nossa, como você é rude. — ela disse, sorrindo maliciosa e com uma das sobrancelhas, perfeitas, arqueadas.
– Você ainda não viu nada.- ele disse, virando na direção dela, encarando-a com frieza — a qual vinha fazendo parte de seu cotidiano sempre, principalmente quando Yui implantava-se nesse cotidiano. — O que você veio fazer aqui, afinal? Agum recado?
Yui sorriu e deslizou os dedos pelo rosto de Soul, mesmo contra a vontade do moreno, e aproximou ainda mais seus corpos.
– Eu vim te ver. — ela disse, fingindo-se de ingênua, mas sem abandonar o sorriso maliciosamente sedutor.
– Me poupe. Eu sei que a essa hora você está dando duro no trabalho, Yui. Não sou tão idiota quanto pensa. — ele disse, agarrando a mão dela e jogando-a para longe.
– Nossa, você sabe quais são meus horários de trabalho? — ela perguntou, cínica.
Soul revirou os olhos para ela, antes de dar as costas, à procura de sua espada para o treinamento de Esgrima.
– Eu meio que aprendi... Eu acho que fica fácil saber quando você está trabalhando. — ele disse, sorrindo rudemente para ela. — Porque são, exatamente, os únicos horários nos quais tenho paz.
Yui deu um longo suspiro.
– Tá, cansei. Hoje você me venceu. — ela disse, entregando-lhe uma prancheta vermelha.
– Sabia que uma hora você ia desistir. — ele disse, retomando uma posição divertida e levemente despreocupada. — O que é isso?
– Aí está o desenho de onde você vai encontrar Spirit, dessa vez. Vá até ele imediatamente, é uma missão de ranking S. — ela disse para Soul, tomando uma postura mais séria.
Soul sorriu pra ela, naturalmente.
– Obrigada. Você podia ter feito isso mais cedo. — ele disse, passando um dos dedos no queixo dela.
Por uma fração de segundo, Yui acreditou que ele a beijaria. Mas, na fração seguinte, ela notou que o sorriso não era natural, era sarcástico.
– Uma vez frio, sempre frio, Yui. Lembre-se disso. — ele falou, por fim, abandonando a sala, e uma Yui transtornada.
Já do lado de fora, Soul observava o desenho na prancheta. Havia uma espécie de vulcão pequeno, rosa e mal desenhado, um vaso de flores apenas com uma montoeira de raízes e uma porta com um número três apontando para a direita.
"Spirit você desenha muito mal", Soul pensou.
Decifrou o desenho depois de dois longos minutos: não era um vulcão, e sim uma saia rosa, o vaso de flores era um vaso com samambaias e a porta número três apontando para a direita...
– Bingo. – Soul murmurou com seu típico sorriso sarcástico.
Recomeçou a caminhar, virando à direita no corredor.
[...]
Ele parou diante de uma porta simples de madeira escura, com uma maçaneta redonda, prateada e com um pouco de ferrugem das extremidades. Respirou fundo. Não gostava muito de visitar todas as diversas salas de Spirit... E suas “charadas” eram irritantes, a seu ver. De acordo com o sensei de Soul, a mudança excessiva de salas era por segurança.
Soul não bateu, apenas girou a maçaneta e empurrou-a para frente.
– Huhu... Isso que é corpo – Suspirou uma voz masculina no canto esquerdo da sala, do lado oposto à porta.
Um homem ruivo estava de pé, observando a parede com um binóculo de lentes negras e que continham um pequeno ponto vermelho no meio de ambas, o homem sorria pervertidamente e um pouco de sangue escorria por seu nariz.
Soul pigarreou, o homem deu um grito, lançando o binóculo por cima da cabeça. Esse voou em alta velocidade e atingiu um vaso, de flores belíssimas, o qual se espatifou no chão com um "crash" alto.
– Ah, é você. – Disse Spirit, soltando um resmungo.
– Sabe, eu não sei de muita coisa, mas tenho certeza de que não deve-se usar o binóculo raio-x para espionar o banheiro feminino, do outro lado do corredor, pela parede. – Comentou o grisalho com uma careta.
– E-eu não estava espionando! Estava... Hm... Testando o binóculo.
– Certo, vou fingir que acredito. Agora, pode me falar porquê me chamou?
Impaciente, Soul lançou-lhe a prancheta para Spirit, enquanto este sentava-se na mesa e encarava-o, adquirindo, aos poucos, um semblante sério — que não era típico dele.
– O cientista gênio Franken Stein criou algo além das próprias expectativas dele, uma mistura perigosa e extremamente poderosa. Se usada de forma errada... Nem sabemos o que pode acontecer. Ele pode ser usado para domar os demônios, tanto de Classe C, quanto os de A e S. E a Blood Killers está atrás dessa mistura.
– Está falando do...?
– Sim, o Sangue Negro – Interrompeu-o o chefe – E preciso que o nosso melhor agente se infiltre no esconderijo de Stein e pegue o Sangue Negro. Depois podemos procurar um jeito de destruí-lo.
– E suponho que "o nosso melhor agente”, seja eu – Soul prosseguiu com o raciocínio, segurando o sorriso egocêntrico e sarcástico que queria se formar em seus lábios.
– Não fique se achando, moleque. Não é como as outras missões de infiltração que você já participou! É muito maior que isso!
Spirit abriu uma das gavetas da mesa e de lá, puxou um óculos de lentes vermelhas e um relógio que não tinha ponteiros, mas um pequeno botão prateado. — Leve isto, todas as informações estão aí. – Ele apontou para os óculos – E isto lhe levará até a entrada do esconderijo. E, cuidado, ele se autodestruirá assim que você chegar lá.
– Bom saber, vou precisar tirar bem rápido. – Comentou ele, pegando ambos os objetos no ar com facilidade.
– Escute Soul, essa missão é a mais importante de todas. Falhar não é uma opção. Um erro pode causar uma Terceira Guerra Mundial entre os demônios e os humanos.
– Estou ciente dos riscos, não deixarei que a Blood Killers chegue primeiro e, caso eu dê uma topada com Death The Kid... Aposto que quebrar seu pescoço, com minhas próprias mãos, não vai ser algo tão mau assim.
– Se você encontrar com ele, é bom que esteja com um colete à prova de balas e um capacete dos bons. Ele tem uma mira infalível e certeira, não o subestime. – Alertou Spirit.
– Pode deixar, mandarei a cabeça de um Kurama como lembrancinha, durante a viagem. E quem sabe a de Kid, como brinde. — ele disse, com um sorriso sádico e um olhar convencido.
E, com um aceno de cabeça, Soul Eater abandonou o recinto, caminhando até o seu quarto, lentamente, para iniciar os preparativos.
Notas finais
Esperamos que tenham gostado, de verdade!!
Mil beijinhos pra vocês e nos vemos no próximo (que será postado em breve)!
De pé, Reverência, Aye!!
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