Darcanjo
10 Round 9 – Shooter
– Não acredito que eles estavam falando sério mesmo sobre isso – Pensou Karla.
– Não quero nem saber, faz aí os 100 polichinelos – Resmungou David.
– Gente, daqui a pouco começa as aulas – Comentou Eric.
– Finalmente a voz da razão.
– Klaus, você perdeu, faz logo os polichinelos – Complementou Eric.
– Eu não acredito, ontem vocês estavam todos alegres com a ideia de poder treinar e agora só estão se preocupando com polichinelos. Estou indo para minha aula, depois que vocês ficarem para trás não me culpem – Resmungou Karla.
Dizendo isso Karla saiu do pequeno quarto reservado para eles. Fora de lá ela deu de cara com uma paisagem montanhosa. A transição cidade-rural era impactante, mas a vista conseguiu ser ainda mais deslumbrante. Uma noite cheia de estrelas e com uma lua cheia que parecia poder ser alcançada pelos seus dedos. Uma vista noturna afastada das luzes da cidade é muito rara, onde eles poderiam estar? Era melhor nem saber.
Procurando saber o número de grupos inscritos contou os cômodos parecidos com os dormitórios, totalizando 72. Se cada grupo tinha 5 pessoas, então existiriam um total de 360 pessoas. Como vencer tantas pessoas? Isso é impossível! Mas, ainda assim dava para aprender como matar os fantasmas mais chatos, então pelo menos valeria a pena tentar aprender alguma coisa.
– Shooter, então é aqui que eu vou treinar.
Ao chegarem da viagem astral eles chegaram num quarto minúsculo onde tinha um livro de regras e um quadro para bilhetes onde estavam escritos os horários, locais e nomes das pessoas que poderiam treinar naquele dia. Karla pegou o horário mais cedo, 21h, na cabana Shooter.
As assim chamadas cabanas eram como os dormitórios, construções no meio do nada, só com paredes brancas e uma porta, só que bem maiores.
– Bom dia, pode ir entrando – Disse a instrutora ao abrir a porta.
Para a decepção de Karla, não havia nada demais lá. Somente uma mesa, uma arma que parecia ser feita de vidro e uma parede reforçada com um alvo.
– Não se preocupe, isso é só para o treino inicial.
– Nossa, você consegue ler mentes?
– Não minha pupila, mas eu meio que consigo ler as pessoas. Eu sou uma especialista em cores. Tento conhecer o máximo de pessoas possíveis e descobrir as cores de suas manas, de suas energias espirituais.
– Legal – Disse Karla com um sorriso – Meu deus, minha tutora é hippie. Me salvem! – Pensou.
– A energia espiritual de cada pessoa tem uma cor, toda vez que a mana é usada para criar um objeto ou num objeto mágico ele assumirá essa cor. A cor varia pela personalidade da pessoa.
– Queria que a minha fosse cor de rosa – Disse começando a se interessar pelo assunto.
– As pessoas da cor rosa são carinhosas e um tanto delicadas, normalmente são bonitas e vaidosas, mas ao mesmo tempo por ser uma variação do vermelho, tem uma garra muito grande para defender seus interesses ou de seus amigos.
– Está decidido, sou dessa cor.
– Agora vou lhe ensinar o básico da magia de precisão. Essa magia é parecida com a de armamento, pois você pode criar sua própria arma, mas como isso gasta muito mana, nossa equipe fabricará as armas para você.
– Quer dizer que posso escolher quantas armas quiser?
– Não, você só tem direito a um grupo de arma primário e um secundário, que pode ser feito com uma arma única ou dupla.
– Mas essas armas se desfazem com facilidade?
– As criadas somente por mana sim, mas as nossas são um pouco especiais, assim como alguns objetos daqui. Você viu que escreveram seu grupo num papel, não é? Se isso fosse feito com um papel comum, não teríamos como transportá-lo, pois é difícil para um ser espiritual transportar matéria, mas temos algumas magias para criar objetos feitos em parte por matéria e parte por magia, mana, assim será sua arma.
– E a munição? É limitada?
– Essa é a razão da arma ser dada por nós. A munição é criada por mana, você terá de revistar um material com sua mana, formar a bala e atirar, logo, a munição é limitada pela sua magia. O material mais fácil de atirar é o ar. Tem um impacto razoável a um custo de mana baixo. O custo mais alto são as balas feitas totalmente de mana, mas também são as mais efetivas.
– Entendi.
– Bem, isso é tudo, o resto você irá aprender com a experiência e tempo. Agora você pode pegar essa arma aí em cima e treinar um pouco a fabricação das balas é só carregar a arma com um pouco de mana, concentrar sua energia no intuito da arma absorver o ar e revistá-la com energia. Assim que carregá-la, a arma ficará da cor da sua mana, por enquanto ela fica nessa cor meio transparente.
– Uma arma rosa, todas as meninas daqui vão ficar morrendo de inveja. Olha, ela está tomando uma cor. Preto!? Como assim, preto? Isso é um absurdo! Essa arma só pode estar com defeito, professora, você poderia trocar ela por... professora? Ela... desapareceu.
Um aviãozinho de papel entrou na sala. Ele parecia ser do mesmo material que a professora havia comentado e havia escrito algo nele:
“Me desculpe, minha querida pupila, você é detentora da magia negra, ela é considerada uma das cores mais poderosas, mas as pessoas dessa cor só pensam nelas mesmas e, por isso, há quem diga que essa cor dá muito azar para todos que estão a sua volta, queria lhe aconselhar sobre o assunto, mas já quebrei um espelho hoje de manhã e estou com 7 anos de azar. No mais você deve aprender a atirar e dar o nome das armas que vai querer na cabana “Coordenação” para que possamos confeccioná-las. Beijos e boa sorte, de sua ex-mentora Clarisse.”
– Droga de hippie supersticiosa.
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