Darcanjo
11 Round 10 – Warrior
Quando Elizabeth chegou todos pareciam estar brigando um com os outros. Ela não precisou prestar muita atenção para perceber o assunto: polichinelos. Karla, sua irmã, se enfureceu logo e saiu. Ela se estressa rápido quando julga algo como besteira.
Como sua aula começaria em pouco tempo resolveu dar uma saída, pois queria observar o local antes dela começar. Assim que saía Eric a avisou que o grupo combinou de se reunir à meia noite para comentar como foi o treino de cada um.
O visual do lugar era magnífico, além de ser muito belo era espaçoso e perfeito para qualquer tipo de treino. Quando se concentrou e ouviu o som da floresta no pé da montanha seus olhos quiseram marejar, mais uma vez Elizabeth se tornou séria e voltou a seguir seu caminho. Não posso ser sentimental, sentimentos só fazem com que você exponha seus pontos fracos a quem não gosta de você.
– Uma mulher guerreira? E ainda por cima loira? – Disse o instrutor num tom esnobe se contendo logo em seguida – Saiba que não sou do tipo de pessoa que vai ficar repetindo, então preste bastante atenção.
Elizabeth se absteve de comentários e somente concordou com a cabeça, deixando o professor ainda mais furioso.
– A magia de armamento é a magia mais completa que existe. Com ela você pode criar qualquer arma, armadura e escudo que sua mana permitir. O ideal é somente usar armas e se especializar em alguma. O porquê é simples, o gasto energético é entre os mais altos. Você tem de liberar uma boa quantidade de mana, moldá-la mentalizando a arma que você quer e depois nutri-la com sua energia, evitando que use energia demais e ela acabe ou energia de menos e a arma se desfaça. Lembre-se disso, pois após a arma se desfazer você perderá toda a mana investida.
Novamente Elizabeth somente concordou com a cabeça fazendo uma veia pulsar no rosto do professor. Então ele se acalmou e pensou um pouco. Provavelmente estava pensando em alguma forma de menosprezá-la, pior professor não deveria existir. Elizabeth tinha de aprender tudo que pudesse nessa aula, para depois aprender o resto sozinha.
– Bem, vou lhe contar um segredo para moldar a mana mais facilmente, você deve se concentrar num sentimento, o mais forte que você lembrar e então pensar em que tipo de arma usará. Você tem sorte de ter me pego como professor, sou aquele que mais avançou na primeira fase no último evento ocorrido, infelizmente compromissos externos me impediram de ganhá-lo.
– Quer dizer que você ficou com medo de se machucar e desistiu de lutar?
Agora o professor passou de uma posição de arrogância calma para pedantismo avançado, ele respirou fundo, contou até dez, levantou a cabeça, inclinou os ombros para trás e estufou o peito.
– Ora, ora, ora, parece que temos uma espertinha por aqui. Muito bem, vejamos o quanto você conseguirá avançar nessa primeira missão. O último recorde, que pertence a mim, foi conseguir criar uma arma e atacar o objeto sem quebrá-la. Preparada? Que pergunta estúpida a minha, mas é claro que não, quem sabe daqui a algumas semanas, mas é protocolo te deixar tentar a primeira vez, sabe como é, a primeira experiência frustrante faz com que a pessoa fique com mais vontade de acertar nas outras. Muito bem, primeiro libere a energia, depois rapidamente molde a arma, pense numa que tenha lâmina.
– Para uma arma ter lâmina necessita que seu centro seja mais denso e suas extremidades mais finas. O peso deve ser o mínimo para torná-la balanceada na minha mão e não usar toda minha energia. Devo começar com um tamanho um pouco menor, 80 cm deve ser o bastante. O formato será de uma espada comum, pois é mais fácil imaginá-la. Devo formá-la com as duas mãos para facilitar a saída da mana na criação. O sentimento deve ser decidido agora, pois quanto mais tempo eu demorar para escolher depois de liberar a mana, mas magia será perdida – Pensou Elizabeth.
– Ei, eu não tenho o dia todo – Disse o professor – Sou Alberto, o melhor professor de magia de armamento daqui, não posso perder meu tempo com alunos rank E, tenho de me concentrar nos ranking S para aumentar minha fama.
– Estou pronta.
Dito isso Elizabeth inspirou fundo, soltou o ar bem devagar enquanto colocava as mãos uma sobre a outra e as separava de forma semisserrada até alcançarem a distancia de 30 cm uma da outra. Tencionou suas mãos para liberar energia e imediatamente já deu forma a ela, formando um florete.
– Ela já conseguiu fazer uma espada desde o começo!? Eu só tinha conseguido fazer uma faca de combate! Impossível! – Pensou Alberto.
– Rosa? Eu pensei na cor prateada. Kaham – Pigarreou Alberto para se livrar do espanto e manter a pose – A espada assume a cor de sua mana, independente da cor da espada que você imaginou. Não é obrigatório o uso de uma espada, qualquer tipo de arma é válida exceto as de tiro, pois essa é a especialidade dos atiradores. Muito bem, você passou na primeira fase. Devo dizer que se saiu melhor do que eu esperava. Agora certamente você terá mais dificuldade, terá de manter a mana e movimentá-la, acertando e destruindo um objeto.
O professor virou de costas e pegou uma pena de galinha que estava no chão.
– Agora vou segurar essa pena e você...
– Ploc, ploc, ploc – soou a mesa ao cair em pedaços no chão.
– Ah, era para cortar a pena? Você não falou logo então pensei que pudesse ser qualquer objeto – Disse com a espada intacta na mão, desfazendo-a somente 3 segundos depois.
Se eles não estivessem em viagem astral o professor teria ficado pálido como um fantasma. Alberto balbuciava palavras sem sentido, as únicas que Elizabeth conseguiu identificar foi: Como, por que e impossível.
– Trapaceira!! – Exclamou Alberto – Se você já sabia fazer as armas de mana não precisava ter vindo. Por um minuto você conseguiu me enganar, mas você pensou mesmo que eu não iria perceber!
– Mas... – Elizabeth foi se explicar mas foi interrompida.
– Fora daqui! Fora de minha cabana! Da próxima vez que eu lhe ver fazendo gracinhas lhe denunciarei e seu grupo perderá pontos.
Elizabeth pensou em responder, mas desistiu. Afinal ela só queria duas coisas: aprender e ir embora dali. E ela conseguiu.
Fale com o autor