Danse Macabre
4 Capítulo 4
Sozinha
Me afastei o máximo possível de Daryl naquela primeira noite. Eu não conseguia esquecer a imagem dele fumando, e nunca achei que algo que eu considerava nojento, fosse me deixar daquele jeito. Mas era porque eu queria Daryl. Eu sempre iria querê-lo, eu já havia me conformado com isso, eu apenas não sabia com qual força eu iria querê-lo. Ou como. Ou mesmo quando. A única coisa que eu sabia naquele momento em nossas vidas era de que estávamos juntos e sozinhos enfrentando o mundo, e tudo seria apenas nós dois. Inclusive nós mesmos.
Na manhã seguinte, eu estava pegando algumas latas para o café da manhã na despensa, Daryl havia saído pra fumar — algo que até hoje considero muito considerável da parte dele, não fumar dentro de casa — e eu não o ouvi entrando, até vê-lo encostado na pia, os olhos observando o que eu fazia.
"Um dólar por seus pensamentos."
Disse brincando e ele cruzou os braços, levando a mão a boca, mordendo o dedão devagar.
"Pensando em você."
Parei o que fazia e o olhei, vendo que ele me fitava sério, esperando uma reação.
"Em mim?"
Ele assentiu. "Na lista."
Assenti e continuei o que fazia, não queria incitar nada, queria que fosse espontâneo da parte dele aquilo. Ao menos aquela vez. Ao menos aquela conversa.
"Sua ou minha?"
"Minha."
Estremeci com a possibilidade do que viria a seguir.
"O que tem ela?"
Rodei pela cozinha pegando duas vasilhas, dois copos e duas colheres, o café consistiria em duas latas pequenas de pêssegos em caldas, só que sem a calda e água. Sentei em uma das cadeiras da pequena mesa ao canto e vi Daryl vir em minha direção e se sentar na cadeira ao meu lado, os olhos na lata que eu abria devagar com um velho canivete prata.
"Minha lista não tem muita coisa." Continuei o assunto uma vez que ele não me respondeu.
"Vai me contar o que tem nela?" Balancei a cabeça negando e ele colocou um pêssego na boca, mastigando rapidamente. "Fala uma que te falo uma."
Ponderei. Sabia que ele poderia inventar algo para apenas me fazer falar, mas não conseguia ver essa veia enganadora em Daryl. Comi um pêssego e tomei um gole de água antes de falar mais alguma coisa.
"Você primeiro."
Ele sorriu fracamente e disse:
"Você de joelhos."
Senti a ponta dos meus cabelos ficarem vermelhos junto de todo o resto de meu corpo e precisei de um copo inteiro de água pra me acalmar. Não conseguia acreditar que ele havia dito aquilo.
A melhor defesa, é o ataque. Esse não parecia ser só o meu lema.
"Você… dentro de mim."
Ele engasgou, cuspindo um pouco e me senti um pouco vingada com isso.
"E você pensa nisso?"
Ele perguntou sem me olhar, apenas fitando a vasilha com os pêssegos a sua frente. Sua mão com a colher levando mais um para dentro da boca.
"S-sim."
Eu sei que devo ter parecido ridícula gaguejando enquanto conversava com o homem que eu queria que fizesse algumas coisas comigo. Mas Daryl não parecia se importar. Ele, na verdade, parecia ponderar muito sobre o que eu falava, sem se importar se eu levava muito tempo ou gaguejava ou ficava vermelha.
"Você pensa e faz o que?"
A pergunta dele me fez colocar a colher na tigela vazia e olhá-lo. Talvez eu tivesse entendido, mas não queria passar vergonha. Mordi meu lábio e o fitei intensamente, querendo que ele olhasse pra mim. Mas Daryl evitou. Ele não queria olhar pra mim, e eu achava que sabia o motivo. Eu sempre achava que era por medo de perder o controle e nos levar para algo que ainda não estávamos pronto. O que na verdade era, era que Daryl tinha medo dele mesmo. Um medo que até hoje, ele me diz que tem quando se trata de mim.
Continuei fitando Daryl, sabendo que primeiro ele queria ouvir minha resposta para só depois dizer mais algo, fazer algo. Me levantei, indo até a pia e deixando minha vasilha e colher dentro, voltei para perto da mesa, colocando mais água em meu copo e vendo Dary terminar seus pêssegos e recostar na cadeira, os olhos agora fitando o meu com intensidade assustadora.
"Nada. O… o que eu deveria fazer?"
"O que você pensa?"
Os olhos dele estavam escuros agora, as mãos subiram pra mesa, espalmando-as, mas logo após ele cruzou os braços, apertando-os contra o peito. Engoli em seco, eu não tinha ideia do que fazer com meu corpo, estava inquieta.
"Você, Daryl."
"Fazendo o que?"
Engoli em seco, bebi toda a água do meu copo, me virando para a pia novamente, não tendo coragem de olhá-lo. Não conseguia encará-lo, e não foi necessário. Em segundos Daryl estava atrás de mim, suas mãos segurando as minhas presas no mármore da pia, o corpo pressionado contra o meu e eu estremecia. Eu estremecia com a intensidade do que estava acontecendo. Daryl respirou fundo em minha nuca e disse:
"Você me vê fazendo o que, Bethanie?"
"Me… tocando."
Minha voz estava fraca, meu corpo estava fraco.
"Minha mão passa pelo seu corpo?" Assenti sem conseguir falar, apenas sentindo Daryl apertar mais e mais as mãos nas minhas, o corpo preso ao meu por trás, a respiração quente em minha nuca. "Por onde minha mão passar hoje, você também vai passar a sua."
Ele me soltou de uma só vez, me fazendo quase reclamar em voz alta. Não tive coragem de me mover, não até ouvir a porta dos fundos bater, indicando que Daryl tinha saído. Deus, ele queria que eu pensasse nele me tocando e me tocasse? Respirei fundo e comecei a lavar a louça, juntando a dele também. Não sabia o que pensar sobre aquilo. Até hoje Daryl sabe muito bem que para mim aquilo era pecado. Meus ensinos na Igreja sempre me disseram que tocar-se era pecado, mas Daryl Dixon fazia o pecado ser a diversão mais interessante de todas.
Após terminar de lavar a louça, fiquei esperando Daryl voltar por um tempo, mas nada. Ele deveria ter ido checar as outras casas por suprimentos, ou talvez caçar — a besta não estava mais atrás da porta. Eu não sabia, mas sabia que estava sozinha e isso por si só já inundava minha mente com as palavras dele.
Balancei a cabeça, não querendo pensar em nada daquilo. Daryl sempre foi instigante, e sempre será. E ele sabia muito bem que eu não tinha ideia de como começar aquilo. Eu era a ingênua naquela história toda — talvez nem tanto — mas não sabia o que fazer, como me tocar pensando nele.
Balancei a cabeça novamente decidida a lavar a roupa que havia encontrado e aproveitar o sol que estava lá fora para fazê-las secar hoje mesmo e já conseguirmos usá-las.
Entrei no pequeno banheiro com as peças na mão, colocando-as no chão ao lado da pia e pegando uma por uma, esfregando o sabão de coco envelhecido e passando na água, lavando devagar. E foi inevitável. Minha mente foi de encontro a Daryl. Ele era tão diferente de tudo que eu conhecia na vida. Ele não mantinha um padrão. Ele não era tímido o tempo todo, era observador e inteligente. E acredito que foi assim que ele se tornou quem ele é.
Pensei no que ele me pedira. Como eu faria aquilo? Eu deveria simplesmente começar a me tocar enquanto pensava nele me tocando? Deveria estar deitada? Em pé? Mordi o lábio e olhei para o espelho a minha frente acima da pia, parando de esfregar as roupas por um momento. Eu estava com o rosto e o pescoço vermelho, estava com suor escorrendo de minha testa e descendo por minha nuca também.
Queria fazer o que ele havia falado, mas apenas o pensamento de me tocar, fazer o que eu queria que ele fizesse, era um pouco embaraçoso demais. Continuei a lavar a roupa, esfregando e tirando o sabão, deixando uma pilha para colocar do lado de fora. Mas então, peguei uma camisa velha de Daryl, meus olhos observando o tecido. Ele havia tirado linha daquela camisa para dar os pontos em minha perna.
Aquele pensamento enviou um arrepio leve em minha espinha. Eu me lembrava da mão de Daryl correndo minha perna, a vontade de incitá-lo a levá-la mais para cima era forte. E então fechei os olhos e soltei a roupa que estava em minha mão, dentro da pia com água. Pensar em Daryl era fácil, o que não era, era começar a me tocar. Mas então, pensei em Daryl na minha frente, os olhos me observando.
Dei dois passos para trás, minhas costas pressionando a parede do banheiro. Por alguns minutos eu tentei imaginar o que ele faria ou diria, mas nada vinha na minha cabeça, então a voz dele veio. Primeiro baixa, depois mais alta. A voz de Daryl veio em minha cabeça e eu comecei a correr as mãos por meu rosto. Meus dedos movendo-se do mesmo modo que ele havia movido na prisão, prestando atenção ao meu lábio inferior.
A voz de Daryl me dizendo o que via enquanto o outro casal fazia sexo. A voz dele ao me atiçar, me provocar. E foi com a voz dele que fui descobrindo meu corpo. Primeiro timidamente, mas após algum tempo, eu conseguia segurar meus seios sem me sentir ficar vermelha e colocar a mão dentro de minha calça, suspirando com o toque.
Meus dedos corriam minha pele quente, eu sentia como se estivesse com febre, e imaginar Daryl correndo os olhos e os dedos em mim, me deixava ainda mais quente. Afastei o tecido de minha calcinha para o lado, deixando minha mão me tocar devagar apenas onde eu tocava para me lavar ao tomar banho. Eu sabia o que era masturbação, mas… nunca havia feito nada assim.
Me toquei devagar, achando onde eu sentia mais prazer, meus joelhos estremecendo, minha boca se abrindo devagar. A mão que segurava meu seio era a mão dele, apertando ao ponto de doer, e eu me aprendi gostando de sentir a força que Daryl poderia usar em mim. A força que ele fazia contra o meio de minhas pernas, a força ao tentar passar para dentro de mim, me sentindo escorregadia.
Deus, eu era inocente demais. Se soubesse que Daryl me observara o tempo todo, como ele me disse que fizera, eu teria arrancado minhas roupas rapidamente e implorado para que ele me tomasse ali mesmo. Me escorei na parede para suporte e continuei a mover meus dedos em meus seios, segurando meus mamilos de um jeito que doía ao ponto de ser prazeroso. E eu não me enganava ao achar que com ele seria diferente.
Movi meus dedos por entre minhas pernas, meus olhos fechados e apenas pensando em Daryl, em seus braços, seus olhos verdes escurecendo e em sua voz em meu ouvido. Eu estava a ponto de cair no chão, mas mantive minhas pernas firmes e deslizei um dedo dentro de mim mesmo, com a força de Daryl, gemendo mais alto durante o processo, minha cabeça me fazendo 'ver' Daryl ali, fazendo aquilo por mim e pra mim, me dando aquele prazer.
Empurrei meu dedo com força dentro de mim, querendo chegar ao máximo de mim, apertando meu mamilo por dentro da blusa, movendo minha mão entre minhas pernas mais rápido e forte, os movimentos restritos pelo jeans e então 'ouvi' Daryl dizendo baixo em meu ouvido, como se ele estivesse ali.
"Goza pra mim, Bethanie."
"Daryl."
Foi meu fim. Disse seu nome enquanto gozava e achava que todo meu mundo pegaria fogo a partir daquele momento. Abri os olhos porque queria ver Daryl ali, mas estava sozinha, ele ainda estava caçando ou vasculhando as casas, e eu era uma bagunça.
Tirei minha mão de dentro de minha calça e caí sentada no chão. Não conseguia acreditar que havia feito aquilo realmente. Meu corpo todo tremia e sentia entre minhas pernas uma ardência, como se aquilo não tivesse acabado. Respirei fundo e me apoiei no chão, querendo levantar. Eu precisava de um banho e voltar a fazer o que eu estava fazendo. Não sabia se Daryl saberia o que eu tinha feito, mas algo me dizia que ele apenas precisaria olhar pra mim. E eu não sabia que ele havia assistido desde o começo, e apreciado o show.
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Mais tarde naquele dia, saí da casa para retirar as roupas que havia deixado secando na parte de trás da casa. Minha cabeça ainda girava em como eu queria que Daryl voltasse logo. Eu queria olhá-lo, queria que ele me olhasse e queria saber se ele conseguiria ver o que eu havia feito. Levei a roupa para dentro e ouvi um barulho na porta da frente.
Fui até o quarto rapidamente e joguei a roupa na cama, pegando minha faca e ficando atrás da porta, olhando pela fresta qualquer movimentação. Ouvi passos leves e hesitantes, e então vi Daryl. Ele entrava cuidadoso, olhando para os lados e me procurando.
Ele estava com uma caixa embaixo do braço direito, a besta no ombro, um grande facão na mão esquerda. Deus, ele era a visão de um guerreiro. E eu estava respirando fundo antes mesmo de me dar conta. Daryl parou na porta do quarto, os olhos me fitando pela fresta. Sorri enquanto o vi piscar algumas vezes e seguir na direção da cozinha.
Fiquei no quarto, guardei minha faca, e dobrei as roupas, colocando-as em nossas mochilas. Por mais que estivessemos bem naquela casa, nunca sabíamos o que poderia acontecer e quando precisaríamos sair correndo. O ouvi se mover pela cozinha por vários minutos, quando terminei de arrumar as coisas, fui até lá, apenas para ver Daryl colocando a caixa de papelão no armário mais alto, sua camiseta subindo e então… lá estava.
Eu nunca havia visto as costas de Daryl. Nunca soube o que ele escondia, mas naquele momento eu vi, apenas um pequeno pedaço, mas o suficiente para que eu conseguisse entender o motivo dele nunca ficar sem camisa perto de mim. Prendi a respiração e Daryl olhou para trás, abaixando-se e se virando. Por um mero segundo, pensei que ele gritaria comigo ou sairia porta a fora, mas Daryl sempre me surpreende.
Daryl se aproximou devagar, me fazendo dar alguns passos para trás, batendo o quadril na mesa. Vi seus olhos escuros mirarem minha boca, as mãos procurando algo nos bolsos. Ele estava há dois passos de mim, e eu não conseguia olhar em outra direção que não fosse seu rosto. E Daryl era lindo. Ele sabia disso. Ele sabia que era bonito. Talvez não uma beleza convencional, mas mesmo assim, tinha sua beleza.
Sorri devagar, tentando fazê-lo sorrir ou ao menos conversar comigo, mas ele apenas puxou o cigarro do maço quase vazio, puxando o isqueiro logo após e acendendo. O cheiro entrou por meu nariz em um segundo, mas não me incomodou, eu estava absorta demais na imagem a minha frente para me importar.
Daryl tragou longamente, os olhos quase fechados, a mão segurando o cigarro como se estivesse o escondendo na palma, o corpo quase que em posição de ataque. Engoli em seco. Cigarro era algo que eu odiava, mas Daryl Dixon fumando é uma visão. Mordi meu lábio e vi Daryl descer os olhos para lá, tirando o cigarro da boca e soltando a fumaça pra cima, deixando seus olhos parcialmente nublados.
"Quantos anos você tem, Bethanie?"
Engoli em seco, apoiando-me na mesa. A voz dele estava grossa, talvez do cigarro, talvez de ter ficado em silêncio por várias horas. Só sei que ela havia enviado um arrepio por minha espinha mais uma vez.
"Fiz dezessete quando comemoramos o natal." Ele tragou novamente. "E você?"
"Quando o mundo virou uma merda eu tinha trinta e dois."
Fiz as contas, Daryl deveria ter trinta e cinco então. Eram dezoito anos a mais. Eram dezoito anos a mais de experiência. Ele soltou a fumaça novamente e tragou, e eu me apoiei novamente na mesa ao vê-lo se aproximar um passo. Deus, ele era possessivo. Tudo ao redor dele parecia pertencer a ele, apenas por estar por perto.
"Pensou no que te disse, Bethanie?" Assenti devagar, os olhos dele me mirando sérios. "Se tocou?"
A voz dele ficava cada vez mais grossa, cada vez mais pesada. Daryl estava escorregando no controle. Fumava cada vez mais rápido, e então ele deu mais um passo, seu corpo ficando rente ao meu. Estremeci com a aproximação. Ele soltou a fumaça para cima devagar e deve ter visto algo em meu rosto, porque seus olhos fitaram sérios os meus, e logo ele se inclinava, olhando pra mim sério.
"Se tocou, Bethanie?"
"Sim… senhor."
Ele sorriu pelo canto da boca, se virando e indo para o lado de fora da casa. Meu Deus, eu estava perdida se ele continuasse a fazer isso.
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