Masturbação Conjunta

Naquela noite deitei na cama e esperei para ver o que Daryl faria. E ele ficou sentado na cadeira de balanço em frente a cama. Após termos barricado a porta, apagado as luzes e ficarmos em silêncio apenas escutando o vento lá fora, olhei Daryl. O quarto estava escuro, eu não conseguia vê-lo diretamente, mas ele estava olhando pela janela, observando o céu.

"Você pensa neles?" Perguntei apenas para receber um grunhido como resposta. Eu já estava a acostumada a eles. "Eu gostaria de saber quem está junto."

"Não adianta ficar tentando descobrir."

Ele estava sério novamente, mas não era o sério que me levava a loucura, me deixava questionadora. Não, Daryl estava sério, triste, com raiva, magoado. Tudo que acontecera com meu pai, nossa família, ele achava ser culpa dele, achava que deveria ter feito algo, conseguido matar o Governado antes dele ter feito o que fez.

Escorreguei pela cama e coloquei minhas pernas debaixo do coberto. A noite não estava quente, mas a chuva abafava. Eu estava apenas de camiseta novamente perto de Daryl, mas após tudo que já havia acontecido, eu não me importava mais com isso. Estávamos a tanto tempo juntos que eu não ligava para essas coisas.

"Você acha que um dia isso vai acabar?"

Mesmo pela pouca luz, vi Daryl se virar e me olhar. Não conseguia divisar as expressões em seu rosto, mas conseguia saber que os olhos dele estavam em mim.

"Tudo acaba. O mundo acabou, não acabou?"

Cruzei os braços, sabendo que ele ainda estava me olhando.

"E o que você vai fazer quando ele voltar ao normal?"

Ele pensou um tempo. Não sei até hoje o que passou por sua cabeça, não sei o que ele pensou ou o que ponderou tanto.

"Vamos ter encontrado os outros. Talvez montar uma vila. O que os outros acharam que será bom também."

Assenti devagar, mesmo que ele não estivesse me vendo.

"E se não os encontrarmos?"

"Então vamos ser só nós dois, Bethanie."

A voz dele indicava que ele estava entrando em um território que não gostava. Em um território que envolvia nunca mais vermos nossa família. E para ele aquilo era inaceitável.

"E se eu morrer?"

"Cala a boca, Bethanie." ele levou a mão até a boca, eu não conseguia ver, mas tinha certeza de que ele estava mordendo as pele envolta de seu dedão.

"É uma possibilidade, Daryl."

"Não, não é."

Ele estava colocando um ponto final naquela conversa, mas eu precisava falar. Eu precisava tirar aquilo da minha cabeça. E ele escutaria, querendo ou não.

"Você vai sentir minha falta quando eu me for, Daryl Dixon."

Ele se levantou e andou rápido até a cama, colocando um joelho no colchão, inclinando em minha direção. Eu apenas conseguia divisar seus olhos no escuro, pareciam ter um brilho próprio. Continuei onde estava, olhando-o, esperando pela reação que minha frase causara.

"Você não vai a lugar algum, Bethanie."

"Não sou igual você, Daryl, eu posso morrer a qualquer momento."

"Cala a boca, Bethanie."

Ele se inclinou, uma mão na parede acima da minha cabeça, a outra espalmada no colchão ao lado de minha perna machucada. Eu estava cercada pelo corpo dele, a respiração dele estava alta, me deixando saber que ele estava começando a sentir os efeitos de nossa aproximação da mesma forma que eu sentia.

"Eu… eu não vou ficar aqui pra sempre."

"Cala a boca…"

"Eu vou morrer um dia, Daryl. Não vamos ficar juntos pra sempre."

A realização daquilo acertou inclusive a mim. Eu não imaginava uma casa de cerca branca, cachorro no quintal e dois filhos com Daryl. Mas… eu queria o para sempre com ele. Queria cuidar e ser cuidada por Daryl. Queria que ele me ensinasse a matar, cuidar da carne, cozinha-la. Queria que ele me ensinasse a caçar, prever chuvas, rastrear. Queria saber tudo sobre ele. Queria que ele soubesse tudo sobre mim.

Daryl inclinou-se mais, e por alguns segundos meu coração bateu tão rápido e tão forte que pensei que seria capaz de ouvi-lo pelo quarto. Respirei devagar não querendo espantar Daryl.

"Para sempre é o que temos, garota."

A voz, a proximidade, o modo como ele estava me cercando.

"Daryl…"

"Não discuta, Bethanie."

"Sim, senhor."

Ele se aproximou ainda mais. Seu rosto estava próximo demais, a boca deixava seu hálito bem próximo de minha bochecha esquerda, e eu queria virar meu rosto. Eu queria sentir o gosto da boca dele, sentir a língua dele contra a minha. Deus, eu estava me descobrindo 'precisando' do corpo dele. A cada dia mais que se passava em tinha ideia do quanto eu precisava de Daryl. E acho que ele começava a ter a noção disso também.

"Daryl, eu… eu me toquei." Engoli em seco ao ouvir algo como um rosnado escapar o peito dele. Foi algo ínfimo, curto, mas esteve lá. "Pensando em você."

"Apenas uma vez?"

A voz era a voz da serpente conversando com Eva, incitando ao pecado. Eu tinha certeza de que Eva havia sentindo-se tentada como eu estava. O pecado original escorrendo para dentro de sua cabeça. A vontade nascendo entre suas pernas.

"Sim."

"Vai fazer de novo."

Não era uma pergunta, era uma nova ordem. Daryl estava me dizendo que eu deveria me tocar outra vez, que eu deveria pensar nele, que eu deveria ter mais algum tempo de prazer pensando nele. Estremeci com a possibilidade. Daryl não era a serpente, ele era o próprio pecado.

"Vai dormir, Bethanie."

Com isso Daryl voltou para a cadeira, voltando a olhar para fora. Eu ainda fiquei alguns minutos no mesmo lugar, me acalmando. Eu não saberia o que fazer. Estava estremecendo ainda quando deitei e decidi que deveria dormir, tudo aquilo ainda me atormentaria.

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As duas próximas semanas Daryl me ensinou como tirar a pele, limpar e cozinhar muitos tipos de carnes diferentes. Algumas vezes nos cercamos na cozinha, parecia nossa campo de batalha. As vezes ele me cercava, me encurralava na pia ou na mesa, as vezes eu o cercava na porta da despensa ou perto do fogão a lenha que ele havia construído com um tonel. As vezes que ele me cercava, fazia para me incitar, e as vezes que eu o cercava, fazia para aliviar minha cabeça das imagens dele.

Durante as semanas que estávamos na casa, Daryl saíra para caçar algumas vezes, voltando horas e horas depois. E eu começava a pensar que ele estava me deixando sozinha para poder me descobrir. E foi o que fiz. A cada vez que Daryl me deixava, eu me descobria. Fosse enquanto estava tomando banho, deitada pela manhã, a noite, a tarde.

Mas aquilo já não era mais a mesma coisa. Minha mente criava cenários cada vez mais rápidos, mais curtos e mais violentos. Minha mente amadureceu com relação a sexo em semanas, minha mente aprendeu sozinha o que eu deveria ou não gostar, minha mente aprendeu sozinha o que ele gostaria. E isso se devia ao fato de observar Daryl. Nada dele era devagar, calmo, com carinho. Não, Daryl era bruto, certeiro, metódico. E eu sabia que me dando prazer sozinha por tanto tempo, algo aconteceria.

E na terceira vez que me frustrei e não consegui me dar prazer, não consegui nada, que sabia que havia chegado ao final. Eu precisava de Daryl. E ele não me negaria aquilo. Após semanas aprendendo onde me tocar, onde me dar prazer, pedi a Daryl mais. Não queria mais fazer aquilo sozinha, queria tocá-lo e queria que ele me tocasse. Queria senti-lo. E a mera menção de que ele poderia me recusar até hoje me deixa arrepiada. Eu o mataria se ele me recusasse, eu estava com os nervos a flor da pele naquele estágio.

Ele estava na cozinha, observava a despensa com olhos sérios, acredito que contando as latas e então eu parei na porta do quarto, vendo-o se virar em minha direção devagar. Meu peito subia e descia rápido, minha voz deveria estar transformada, pois os olhos dele escureceram assim que ele a ouviu.

"Mais, Daryl. Mais…"

Ele fechou a porta da despensa com força, dando passos certeiros até mim, me fazendo andar de costas até cair sentada na cama. Ele andou rodeando a cama e me senti como uma das suas presas. Estremeci e ele percebeu, parando perto da cadeira. Não sabia se ele queria manter distância ou se queria me torturar um pouco mais.

"Mais o que, Bethanie?" A voz dele estava distorcida. Mais baixa, firme, escorria de sua garganta.

"Você…"

Ele viu quando meus olhos desceram seu corpo e foi involuntário o que fiz. Não estava pensando em fazer aquilo, mas foi o que fiz. Daryl ficou me fitando sério, eu conseguia ver que ele estava pensando no que deveria fazer.

Por um momento achei que ele fosse sair, mas então ele abriu o cinto, sentando-se na cadeira, me fitando com olhos famintos, assim como sei que os meus deveriam estar. Daryl não conseguia esconder o que sentia, assim como eu também não. Mordi meu lábio inferior com força, eu queria deixar escapar um gemido baixo, ele me daria o que eu queria, finalmente, e eu quase não me aguentava.

O vi abrir a calça devagar enquanto se acomodava na cadeira de balanço, a mão segurando o membro com força, apertando-o na palma, me fazendo ver o quão duro ele estava. Eu nunca tinha visto nenhum, e o de Daryl não parecia ser pequeno. Era grande, grosso… Me remexi na cama, me perguntando se deveria fazer alguma coisa ou apenas assisti-lo enquanto ele se tocava. Ele abriu os olhos devagar, — eu não havia percebido que ele os havia fechado — deixando-os semicerrados, predatórios.

"Me mostre, Bethanie. Me mostre…"

A voz de Daryl estava tremida, como se ele estivesse no limite. Me recostei na cabeceira da cama, o rosto pegando fogo, mas minha mão havia ganhado vida própria e descia devagar por minha barriga, entrando em meu shorts.

Eu queria que ele tivesse a mínima noção do que a imagem dele sentado naquela cadeira de balanço estava fazendo comigo. Do que a imagem dele movendo a mão para cima e para baixo, cada vez mais rápido, que a imagem dele me fitando sério enquanto fazia aquilo estava me deixando sem chão.

Movi minha mão e joguei a cabeça para trás, eu não precisaria de muito mais para me jogar naquele penhasco que eu já conhecia bem. Ouvi um gemido gutural de Daryl e o olhei, vendo-o apenas parado me fitando, os olhos agora concentrados em minha mão perdida dentro de meu shorts.

"O que você pensou antes? Das outras vezes?"

"Você… fazendo… isso…"

Ele sorriu pelo canto da boca. Era aquele sorriso que era meu. E eu amava aquele sorriso. Sorri, mas acho que isso apenas deixou Daryl ainda mais desconcertado. Ele me contou tempos depois que me ver sorrindo enquanto tinha a mão dentro do shorts era uma imagem memorável.

Novamente aquele sorriso, e a mão dele movia-se devagar agora, não acelerando nada.

"Você dentro de mim, na cozinha…" Minha voz estava falhando. Quanto mais eu falava, mais 'via' as imagens, mais olhava Daryl e mais queria dele. E era minha vez de escutar, era minha vez de saber. "E você?"

"Você de joelhos, Bethanie… você e sua boca esperta aberta, sua língua… merda, Beth." Ele se apertou com mais força agora, a outra mão ficando branca conforme segurava o braço da cadeira, mas ele continuou mesmo assim. "Me chupando com força, me deixando te olhar…"

"Não pare." Me ouvi dizendo e não sei até hoje de onde arranjei forças pra falar isso. Ver Daryl mover a mão rápido contra si mesmo, falando o quanto queria que fosse eu a fazer aquilo simplesmente me deixou sem chão e eu gozei como não havia gozado antes naquelas semanas.

E então foi a vez dele. Daryl fechou os olhos, o rosto se contorcendo e ele gozou. Vi tudo escorrer por sua mão e cair em sua calça. Ficamos ambos parados exatamente onde estávamos. Vi Daryl se soltar e recostar na cadeira, abrindo os olhos verdes, mais claros do que nunca. Sorri fracamente sentindo meu corpo ainda sendo levado e arrastado pela onda que meu orgasmo havia me proporcionado.

Ficamos nos fitando um longo tempo. Eu queria dizer algo, mas nada parecia bom o suficiente. Daryl foi o primeiro a falar.

"Me sinto um velho pervertido." Devo ter feito uma cara de confusão muito grande, pois Daryl se levantou e foi até o banheiro, ainda falando comigo. "Você tem dezessete anos, Bethanie. O que eu acabei de fazer…"

"Eu também fiz." Aquela frase acendeu uma fogueira dentro de mim. Ele não tiraria aquilo de mim de modo algum. Não me faria sentir culpada por pedir por algo que ambos queríamos. O vi lavar a mão e então voltar passando o lenço molhado na calça.

"Tenho idade para ser seu pai, Beth."

Fiz o mesmo que ele e aproveitei e lavei o rosto. Daryl estava sentado novamente na cadeira de balanço, os olhos sério me evitando.

"Mas não é." Voltei para a cama, minhas pernas ainda estremecendo. "Não quero isso, Daryl. Quero você, não quero culpa."

"Você tem dezessete…"

"E o que isso tem a ver? Você vai deixar de sentir alguma coisa por causa disso?"

Ele ficou em silêncio. Daryl estava com medo de responder, e ainda não havia levantado a cabeça para me olhar.

"Eu quero você, quero o para sempre que você falou antes."

Minha coragem escorreu de dentro de mim ao ver os olhos de Daryl. Eram olhos nervosos, eram olhos assustadores, eram olhos assustados. Ele se levantou, vindo até a cama, me deitando e deitando o corpo por cima do meu, me prensando ao colchão.

"Bethanie."

"Não. Não quero culpa, Daryl." Segurei seu corpo ao meu, enroscando suas pernas nas minhas, com botas e tudo mais. Enrosquei meus braços em seu pescoço, puxando-o para mim. "Não tenho dezessete, Daryl. Sou sua, só isso."

Ele engoliu em seco. O que eu não sabia é que Daryl já travava uma batalha interna há meses. Ele me revelou naquela noite que estava enlouquecendo, que achava que eu nunca seria dele, que o acharia um velho pervertido quando soubesse o que ele queria de mim. E eu lhe dissera que ele me acharia uma Lolita quando contasse o que queria dele, que então combinaríamos.

Ele riu. E dormimos daquele modo. Tiramos aquela noite e a madrugada para nos enroscarmos um ao outro, nos moldando um ao corpo do outro enquanto dormíamos. E eu dormi tranquila como há muito tempo não fazia.