Danse Macabre
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N.A.: Boa leitura! Sem betagem!
Leves Toques
Levei apenas dois dias após nossa conversa na biblioteca para começar a riscar as coisas em minha lista. Alguns dois itens me deixava vermelha e com vergonha apenas em reler, mas eu estava curiosa, e estava curiosa se Daryl saberia me responder.
A oportunidade de riscar um dos itens surgiu quase a noite, um dia antes de tudo desmoronar. Talvez se eu soubesse o que aconteceria no dia seguinte, teria me focado em outras coisas. Mas agora… bem, agora é tarde e a vida já seguiu seu curso. Estava seguindo para dentro da cozinha conjunta quando vi Daryl sozinho saindo do corredor das celas. Falei baixo enquanto passava por ele.
"Porque você nunca me toca?"
Ele me olhou juntando as sobrancelhas, uma leve surpresa passou por seus olhos.
"Te toquei outro dia, Bethanie."
"Não, você me segurou."
Ele se virou e continuou andando. Muito tempo depois Daryl me contou que quando lhe perguntei aquilo, ele quis me jogar contra a parede e mostrar como eu deveria ser tocada. Ri disso por alguns minutos, apenas instigando-o a fazer.
Logo após isso todos entraram para jantar e Daryl ficou na porta, apenas me observando. E eu sentia. Sentia como se com o olhar, ele me tocasse. Sentia que com o olhar, ele me dissesse que estava me tocando. E eu deveria saber melhor do que tentar provocá-lo. Porém, eu não estava mais no controle. Eu queria vê-lo perder o dele também.
Jantei sem vontade alguma, comendo sem realmente ver o que estava comendo. Olhei Daryl ainda no mesmo lugar, comendo em pé e sorri, mesmo sabendo — como sei até hoje — que ele odeia sorrir em público. Ele não retribuiu o sorriso e seguiu para a pia, para deixar a tigela ali.
Me levantei sem pressa e fui na mesma direção, sabendo bem que chegaria antes dele. Coloquei minha tigela na pia e o vi deixar a dele ao lado, o olhei enquanto mordi meu lábio. Queria uma resposta satisfatória para o que havia perguntado.
"Não me respondeu."
Ele me fitou sério, os olhos com aquele brilho.
"Lave a louça sozinha."
Engoli em seco com seu tom sério.
"Sim, senhor."
E lá estava. Lá estava a chama que se acendia a cada vez que eu falava 'senhor' para ele.
Esperar até a hora que todos forma dormir, foram longos minutos. Todos foram saindo devagar, Carol ficando para me ajudar, mas após duas tentativas, ela desistiu quando lhe disse que ela merecia dormir mais cedo.
Após todos saírem, recolhi tudo que precisava e tampei a pia, deixando toda a louça submersa. Minha cabeça estava longe dali, mesmo que minhas mãos já estivessem fazendo o trabalho a muito tempo. Eu pensava nas possibilidades do que aquela ordem de Daryl significaria. Eu sabia que minha pergunta para ele havia tirado ele dos trilhos, mas não esperava essa ordem.
Estava quase terminando a louça quando Daryl apareceu. Primeiro não o escutei entrar na cozinha, estava tudo muito silencioso, mas mesmo assim ele era um caçador e eu não o ouvi entrar. Apenas quando senti a presença dele atrás de mim, é que sabia que ele estava ali.
"Continue lavando." Ele disse isso quando fiz menção de me virar. Respirei fundo e continuei lavando, agora bem mais devagar, a louça do jantar. "Porque quer que eu te toque, Beth?"
"Porque não?"
Deixei água escorrer em dois pratos, tirando o sabão, inclusive de minha mão.
"Onde?"
Um dos pratos escorregou de minha mão e voltou para a pia, que ainda bem estava cheia de água, ou ele teria se quebrado. Ouvi Daryl respirar fundo em minhas costas e quase me virei novamente, mas continuei o que estava fazendo, pensando na resposta.
"Onde?"
A melhor defesa, é o ataque. Aquele estava se tornando meu mantra.
"Toda parte."
Soltei a louça que lavava e segurei a borda da pia. A voz dele estava mais perto, o hálito batendo contra minha nuca e minhas pernas fraquejaram com a resposta dele. Mas não houve nenhum toque. Esperei e então percebi que ele estava esperando uma resposta minha.
"Sim, senhor."
A mão direita de Daryl tocou devagar meu ombro, os dedos calejados descendo por meu braço, o toque duro, intenso. Eu sabia bem que estava tremendo e que ele estava conseguindo sentir.
"Toda parte, Beth?"
"Sim, senhor."
A voz dele estava diretamente em meu ouvido e eu não sabia de onde havia arranjado forças pra ficar ali. Eu estava estourando todos meus limites, e sabia que os de Daryl também; mas ele não estava reclamando, e eu não faria isso.
Deus, se soubesse o que aquilo viraria, eu teria girado o corpo e o agarrado ali mesmo na cozinha. Mas era ingenua e infantil, ainda precisava passar pelos estágios que passaríamos para poder lidar com Daryl.
Ele voltou com a mão para meu ombro, agora seguindo por minha nuca e descendo o outro braço. Eu estremecia a cada pequeno pedaço meu que ele tocava. Estremecia com a força que ele exercia em mim, mesmo sem usar força alguma. Continuei segurando a pia a minha frente, me segurando para não cair.
Conseguia sentir Daryl diretamente atrás de mim e o calor do corpo dele passava para o meu. Inclinei levemente meu corpo para trás, ficando assim encostada nele, enquanto Daryl continuava a correr a mão por meus braços e ombros. Eu sabia que não deveria me aproveitar da situação, aquele realmente não era lugar para aquilo, e Daryl definitivamente não era a pessoa para aquilo, mas eu não consegui evitar.
Daryl era a única pessoa após Jimmy que estava me tocando daquele jeito, e eu queria saber até onde ele iria. Pois com Jimmy, não fora a parte alguma. Eu era muito nova e não tinha ideia do que era nada. Mas com Daryl... bem, com Daryl foi diferente.
Senti a mão de Daryl parar em meu ombro e ele colocar a outra logo após. Abri os olhos que nem ao menos lembrava ter fechado e o senti deixando o corpo mais rente ao meu, o calor ficando mais e mais forte.
"Bethanie?"
Olhei por cima de meu ombro direito, sabendo bem que ele estaria me olhando de cima. E aquele brilho estava lá novamente. Aquele brilho que eu aprendi a gostar. Aquele brilho que foi meu 'coelho' no País das Maravilhas naquele momento.
"Vire."
Meu corpo todo estremeceu e lembro bem que meus joelhos fraquejaram, mas consegui me virar, ficando de frente para ele. Respirei fundo, as mãos de Daryl estremeceram duas vezes antes dele conseguir controla-las. Segui seus dedos enquanto desciam por meus ombros novamente, passando por meus braços, segurando brevemente minhas mãos e então minha cintura.
Deus, eu sabia que deveria estar tremendo muito pelo modo que ele me segurou firmemente. Lembro que achei que deveria mesmo me encostar na pia, mas então Daryl me puxara contra seu corpo, me mantendo ali. E eu sentia seu peito contra o meu, sentia a força de seus dedos subindo minha cintura, pulando dela para meu colo e então raspando os dedos das mãos contra minha garganta e ele chegou a meu rosto.
Lembro bem que sentia como se aquilo fosse uma das coisas mais sensuais que já havia sentido em toda minha vida. Os dedos de Daryl correram meus lábios com a mão direita, enquanto a esquerda permanecia segurando-me pelo maxilar. Era dedos leves e raspavam contra minha pele, e o cheiro de terra, tabaco, suor, grama, misturava-se e me deixava zonza.
Os dedos dele tocaram meu lábio, o modo como ele tocou levemente deixou tudo em contradição. Eu olhava para cima, para seus olhos, enquanto os olhos escuros dele seguiam a ponta dos próprios dedos. E isso é algo que Daryl gosta muito de fazer, olhar tudo que toca. E ele olhava com fascinação enquanto tocava meus lábios, seguindo pelo contorno de meu nariz, os cantos de meus olhos e voltando para meus lábios.
Ali Daryl perdeu bons momentos, e fechei meus punhos, me impedindo de tocá-lo e estregar tudo. Eu queria mais. O toque de Daryl era diferente de qualquer toque que eu havia recebido em toda minha vida. Eu queria muito mais. Analisando seus olhos e seu rosto, vi algo que Daryl até hoje nega: devoção. Naquele momento ele estava admirando algo que ele imaginava nunca poder ser dele, mas eu já era, ainda só não entendia.
Respirei fundo quando ele abriu minha boca com o dedão segurando meu lábio inferior, e então por puro instinto, lambi a ponta de seu dedão, apenas com a ponta da língua. E tudo foi por água a baixo.
Daryl me soltou no segundo seguinte, afastando-se vários passos, virando e saindo da cozinha. O ouvi dizer vários palavrões, como que se dizendo que havia ido longe demais. Eu respirava e estremecia ao mesmo tempo, sabendo que eu havia ultrapassado meus limites, mas não queria que ele tivesse passado os dele. Aquilo definitivamente afastaria Daryl de mim. E eu não iria querer aquilo, não mesmo.
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Os próximos dias se passaram como um borrão. O Governado nos atacou, perdi meu pai, perdi minha família, todos nos separamos e então nos perdemos. Eu havia visto a morte de perto, havia visto muitos de nós tombarem, muitos se erguerem como heróis, e eu não imaginava como ficaria orgulhosa deles. Mas nada, nada tirava a imagem de meu pai sendo decapitado. Nada tirava de minha mente a imagem de Maggie sendo atingida por uma bala no ombro, e nada tirava a imagem até hoje dessas duas cenas.
E nada tirava de minha mente Daryl gritando: "Temos que ir, Beth. Temos que ir."
E eu fui. Todos já haviam fugido para algum lugar e eu havia partido com Daryl. E ficamos em silêncio por muito tempo. Passamos por muita coisa por muito tempo. E minha lista ficou esquecida dentro de meu bolso. E mesmo quando estávamos sozinhos, eu apenas pensava em minha família, qualquer outro sentimento colocado de lado. Até que as coisas ficaram diferentes novamente.
Já se faziam semanas que estávamos andando, caçando, brigando, conversando, rindo, chorando. Eu puxei minha lista esquecida no meu bolso, li uma noite ao lado de uma fogueira até decorá-la e a deixei queimar. Daryl estava fazendo a ronda e me viu fazer isso.
"O que é isso?"
"Uma lista."
Respondi me enrolando em minha blusa de frio suja e olhei atrás da fogueira para Daryl. A luz que o atingia o deixava mais sério, mais sombrio. Ele parecia uma pessoa diferente. Ele parecia alguém que faria tudo para sobreviver. E eu na verdade sabia que ele já havia feito.
Daryl ficou a me fitar e após conferir as latas ao nosso redor, apagou uma parte da fogueira, deixando-a menor e aumentando o frio. Quando o vi se sentar ao meu lado, olhei pra cima, ele estava fitando o fogo e seus olhos pareciam perdidos. Eu queria olhá-lo boa parte da noite, mas o sono começou a me pegar e ele me olhou quando eu comecei a fechar meus olhos.
"Que lista?"
A voz dele estava baixa, calma.
"Perguntas pra você."
Ele sorriu pelo canto da boca, a luz da fogueira quase apagada deixando-o com o rosto quase imerso nas sombras.
"Aquelas perguntas?" Assenti fechando meus olhos e ouvindo Daryl rir baixo de novo. "Você as decorou?" Assenti mais uma vez, a voz dele indo embora, meu sono havia me carregado. O ouvi rindo mais uma vez e cai em um sono sem sonhos.
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No dia seguinte, acordei assustada, barulhos de lata a minha direita, algo estava enroscado em nossa cerca de proteção. Levantei e vi que ainda era madrugada, nossa fogueira estava totalmente apagada e Daryl não estava por perto. Puxei a faca em minha bota, medo correndo minhas veias. Tentei divisar alguma coisa na escuridão, mas apenas o negro me cercava. Lembrei que Daryl me disse para acalmar a vista, que ela se ajustaria e eu conseguiria ver as coisas.
E foi exatamente o que fiz. Acalmei meus olhos, utilizando a luz da lua ao longe e que entrava fraca pelo meio dos galhos para ver que existiam duas pessoas andando ao redor da linha de latas, facões em suas mãos. Comecei a andar para trás, querendo saber onde Daryl estava.
Recordo agora que tive medo de Daryl ter me deixado para trás, como se eu fosse um peso morto. Mesmo com tudo que ele havia me ensinado, eu tivera medo de que ele tivesse me deixado. Mas então ouvi meu nome, bem baixo e bem próximo a minha orelha. Ele então me puxou pelo braço, tocando a pele exposta ali e colocando a mão na minha boca, me prensando na árvore. Lembro que tremi de medo dele naquele momento, a luz da lua iluminava seus olhos e eram olhos homicidas. Aquelas pessoas estavam roubando nossa comida, e não estavam olhando para os lados, procurando os donos das mochilas, o que na minha opinião, eles deveriam ter feito.
Não foi necessário mais do que eu olhar para Daryl para saber o que ele faria. Vi que ele havia tirado a faca de dentro do coldre e me olhar sério, eu sabia o que ele faria. Devagar ele se agachou e então saltou, acertando o primeiro homem no ombro, mas arrastando a faca para cima, abrindo seu pescoço. Corri, querendo acertar o segundo, evitar que ele acertasse Daryl enquanto ele terminava o que estava fazendo.
Mas então um clarão aconteceu e um barulho alto também, propagando-se pela floresta. Respirei fundo e então vi Daryl matar o outro homem. O vi caindo para trás, a arma que havia disparado em minha direção escorregando de sua mão. E então tudo era silêncio novamente. Eu estava aliviada que tudo havia acabado e a sombra de Daryl a minha frente estava respirando fundo, parecendo aliviado também.
Então aconteceu, senti algo escorrer por minha perna direita, era quente e eu achei que poderia ser sangue de alguns dos dois homens, mas então uma fisgada me derrubou sentada e um gemido de dor escapou minha garganta. Daryl estava ao meu lado em um segundo, a faca presa ao coldre e as mãos em meus ombros.
"Beth?"
"Minha perna..."
Senti lágrimas embaçando minha vista, Daryl estava se levantando e foi para perto das mochilas, jogando as coisas que os homens tentaram levar novamente para dentro e pegando as mochilas e armas deles, jogando dentro de qualquer mochila ou sacola que pudesse caber. Em minutos estava novamente ao meu lado, me entregando duas mochilas enquanto colocava duas em suas próprias costas, junto com a besta.
Em pouco tempo Daryl estava me levantando do chão, me levando para longe. Apoiei meu rosto em seu pescoço, ouvindo sua respiração pesada, o suor que escorria de seu esforço em me carregar e carregar as coisas. Minutos após começarmos a caminhada, ele parou e me desceu devagar, vi que estávamos perto de uma grande árvore.
"Vamos para cima."
Ele disse baixo, a boca bem próxima de meu ouvido. Olhei para onde ele apontava e vi que havia algo por entre os galhos e respirei aliviada. Daryl pegou minha mão e lembro detalhadamente o que senti ao senti-lo fazer isso. A mão dele estava quente, e áspera, os dedos estavam pegajosos e desejei não saber do que eram. Olhei seu rosto e me deparei com algo que achei que não veria: medo. Daryl estava com medo de algo.
"Apoie o peso na perna que não está machucada."
Fiz muita força para subir a escada de madeira feita na árvore aquela noite. Chorei várias vezes no caminho, mas Daryl estava logo atrás de mim, me incentivando, me dizendo que eu conseguiria. E por várias vezes pensei em desistir. Por várias vezes pensei em não subir, mas Daryl conseguiu me fazer subir. Até hoje me pergunto o que teria acontecido se eu não tivesse conseguido chegar aquele pequeno esconderijo de caça na árvore.
Consegui me arrastar para dentro, ficando apoiada na parede ao fundo enquanto via Daryl entrar, jogando as coisas perto da janela, que mesmo fechada, ainda deixava ar frio entrar. Olhei ao redor, meus olhos ainda estavam com lágrimas e minha perna estava dormente do joelho pra cima. Eu sabia que se não cuidasse daquele ferimento corretamente, infeccionaria e seria ainda pior.
A pequena cabana era escura, não havia nada sem ser nossas coisas e poeira. Daryl conseguia ficar de pé com grande dificuldade e ao andar ao redor procurando por aberturas no chão, ele parou perto de mim. Seus olhos me fitaram e eu não quis deixar transparecer as coisas que eu estava sentindo. Mas acho que foi impossível, Daryl me fitou seriamente.
E ele cuidou de mim. Daryl me fez tirar a calça que usava, olhando em outra direção quando tirei a peça e me cobri com um lençol rasgado, tampando minhas coxas até onde podia, sem cobrir meu ferimento. Ele costurou minha perna com uma linha de uma das roupas, e eu gritei e fiquei com raiva dele o tempo todo. Queria acertá-lo pela dor que ele estava me infligindo, mas felizmente ele me distraiu — mesmo que sem perceber e sem querer. Em pouco tempo a mão dele corria minha perna, me mantendo parada e eu estava quase que totalmente distraída.
"Foi raspão."
Ele correu um pano úmido, limpando a área por onde o sangue havia escorrido quando eu tinha forçado a perna na subida, e agora a mão dele que segurava minha perna levantada, estava quente, áspera e eu achava que estava no lugar certo. Mas como sempre, Daryl afastava-se no momento errado. Até hoje ele faz isso.
"Coloca um shorts e tenta dormir do outro lado."
"Sim, senhor."
Mesmo com minha voz baixa, o barulho da chuva que começou lá fora, a escuridão dentro do pequeno esconderijo, eu 'vi' Daryl respirar fundo. Nunca conversamos sobre essa noite, mas eu 'vi' dentro dos olhos de Daryl que aquela palavra mexia com ele, que chamá-lo de 'senhor' fazia coisas com ele para as quais eu não estava pronta. E naquele momento eu apenas queria dormir. Mesmo que ainda conseguisse sentir o toque dele em minha pele, mesmo que conseguisse sentir a vontade dele ser traduzida no olhar. Em minutos, mesmo ainda no chão, coloquei um shorts velho, reclamando pela dor no meu ferimento. Em pouco tempo, estava dormindo e Daryl ficou me vigiando. E eu sonhei com ele.
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