Danna is living with the boys
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Notas iniciais
Nos dias que se seguiram, eu já havia contado para a Suzie da minha mudança e havíamos chorado muito juntas, então minha mãe tentou ao máximo aumentar meu ânimo relembrando do meu sonho de criança.
— Olhe, Danna, essas fotos suas como a Bela de A Bela e a Fera! Você sempre foi uma ótima atriz! Sua professora sempre te elogiou muito! Quando você chegar na Califórnia, procure uma companhia de artes cênicas que eu e o seu pai iremos enviar mensalmente o dinheiro.
— Sério?
Eu havia saído da escola de artes quando tinha 12. Eu adorava estar nos palcos, mas a escola em que eu estava era para crianças de até 12 e a outra que havia na região era cara demais.
— Sério. Eu sei que você nunca se conformou por ter que abandonar esse sonho. Quem sabe estando na Califórnia, não haja várias oportunidades? Por lá também tem muitos concursos de canto...
— Não, mãe. Não.
— Ok, ok. Foi só uma ideia. – essas ideias da minha mãe... – Só não esqueça que é sempre bom ter um diploma! Não se afaste dos estudos!
Dona Lucy deu seu típico olhar de “Eu não vou sustentar vagabundo!”.
A campainha tocou, para a nossa surpresa. Não esperávamos ninguém à essa hora. Lancei um olhar confuso para a minha mãe, que deu de ombros e foi ver quem estava aguardando na varanda.
— Jane! Quanto tempo, querida! – ouvi minha mãe exclamar.
O que a tal de Jane fazia aqui? Na Geórgia? Tipo, do outro lado dos Estados Unidos enquanto ela deveria estar, sei lá, preparando as coisas para a minha chegada a casa dela?
— Dona Martinelli! Pois é, quanto tempo!
— Entre, entre! Sinta-se em casa, vamos, a sala é por aqui.
Logo minha mãe apareceu ao lado de uma mulher com aparência de uns 40 e poucos anos. Ela era alta, com cabelos escuros e belos olhos verdes. Eu conheci a Jane, claro. A minha mãe fez um curso de culinária para veganos – a minha família é dona de um restaurante e meus pais queriam atrair um público maior – quando eu tinha uns oito anos e eu era forçada a acompanhar a minha mãe nesse curso, já que dona Lucy dizia que “precisava passar um tempo só com sua princesinha”.
Mabel, diz que, era a “rainha” da casa enquanto eu, era a princesa. Nunca reclamei pois, afinal, quem liga pras rainhas? As princesas que chamam mais atenção, são as princesas!
Voltando ao foco atual, Jane sentou-se na poltrona em frente ao sofá.
— Danna! Como cresceu! Está uma moça lindíssima! – eu adorava a Jane, na verdade, adorava mesmo eram os adjetivos no modo superlativo que ela usava comigo.
— Obrigada, senhora Fields. A senhora continua incrível! Nem parece que mudou para a Califórnia anos atrás! – sorri adorável.
— Vejo que Danna permanece aquela menina educada, dona Martinelli. Faz tempos que eu não ouço um elogio desses! Mas enfim, deixe-me explicar o porquê dessa visita inesperada. Falando nisso, mil perdões pela falta de aviso!
— Oh, não se preocupe querida! – falou minha mãe, fazendo um gesto com a mão para deixar esses detalhes para lá.
— Então, eu prometi que Danna poderia ficar na minha casa sem problema nenhum, seria um prazer! Mas o Greg acabou pondo na cabeça que adoraria fazer esse tour que vocês vão fazer... Lembra que ele trabalha como diretor de cinema? Pois ele decidiu que quer escrever um roteiro agora para um possível filme e disse que seria incrível para o escritor que tem entro dele, fazer uma viagem ao redor do mundo.
— Então quer dizer que eu não poderei mais ir para a Califórnia? – perguntei. Já conseguia me imaginar correndo atrás do Phillip enquanto ouvia o choro estridente das minhas priminhas que viriam em algumas semanas. Ao menos eu poderia contar com a ajuda de Suzie, já que Adam mora no estado da Geórgia E em Atlanta, nossa cidade.
— Esse é o ponto que queria falar com vocês pessoalmente. – disse Jane – Meu filho mais velho, Mason, tem vinte anos. Ele ficaria cuidando dos outros dois, o Lucas e o Tyler, o mais novo. O que quero dizer é que Danna pode se mudar para nossa casa em Los Angeles sem problema nenhum, Mason é um rapaz muito responsável, eu garanto.
Nem em um milhão de anos, eu esperaria a resposta que a minha mãe deu em seguida. A velha realmente queria curtir uma vida de aposentada e me empurrar do ninho, porque ela nem ao menos deixou a Jane falar o resto da frase que logo soltou um:
— Não tem problema nenhum Jane, a não ser que tenha para você deixar três garotos junto com a minha princesinha. – completou.
Dona Lucy Martinelli ainda tentou soar como uma mãe normal ao colocar o princesinha na frase.
Tentou, porque nunca que uma mãe deixaria a filha mais nova morar no outro lado do país sob a tutela de um universitário, na companhia de seus dois irmãos. Alou? Essa casa estaria repleta de hormônios masculinos, ainda mais se o mais novo fosse uma espécie de infanto-tarado.
— Bom, sendo assim, que dia é o voo da Danna? – sorriu Jane.
***
— Então quer dizer que você vai morar numa casa só com garotos? Pera aí que vou pedir pro meu pai deixar eu ir junto!
— Suzie, ele não vai deixar, nem tente. Mas sim, eu vou.
— Isso é tipo, o sonho de qualquer adolescente! Ir para Los Angeles E AINDA CONHECER E MORAR, VAMOS RESSALTAR ESSA PARTE, COM TRÊS SURFISTAS GATOS BRONZEADOS DA TERRA DO SOL POENTE!
Suzana Wright tinha um fôlego e tanto. Mas foi desnecessário gritar praticamente a frase toda no meu ouvido.
— Primeiro, quem tem 62 é o meu pai e nem ele é surdo, quanto mais eu, não precisa gritar. Segundo, nem todo mundo que mora na Califórnia deve saber surfar e ser bronzeado. Ah e terceiro, o mais novo tem uns nove anos no máximo, já que foi há uns nove anos que os Fields se mudaram para lá. Suzie, o garoto é uma criança. Quanto ao gatos da frase, eu não tenho muita certeza. Eu nunca cheguei a conhecer o mais velho, o tal de Mason quanto mais o caçula, que definitivamente não posso considerar gato por ser algo meio pedofílico.
— Pedofílico ainda não deve ser considerado uma palavra inglesa, Danna. Só ressaltando aqui. Ei! Você não falou nada, tipo, do carinha do meio! Danna! O que você está escondendo da sua melhor amiga? Você conhece esse Lucas, não é esse o nome? Ah, sua safadinha!
— SUZANA! Olha, eu vi sim esse Lucas, umas duas ou três vezes quando a minha mãe e a mãe dele frequentavam aquele curso de culinária. Não, não posso dizer que eu o conheço. Não falei nada dele porquê eu tenho uma péssima lembrança de um desses encontros na escola de culinária para veganos. Digamos que derrubar molho de espinafre no vestido novo branquinho da garotinha que acompanhava a mãe, não é algo legal. Sim, eu era uma criança rancorosa.
— Cof cof, ainda é rancorosa. Mas deve ter sido acidental!
— Suzie, o garoto veio na minha direção com o pote de molho de espinafre e jogou em cima de mim! Foi proposital sim!
— Ok, ok. Suas palavras, meu “finjo que acredito”. Mas então, ele era bonitinho? Ele foi o seu crush aos oito anos? Conte tudo! Eu não te conhecia naquela época!
— Suzie, ele não foi meu crush e todo mundo é bonitinho aos oito anos. Ele tinha cabelo preto e olhos claros.
— Vai que ele seja um bonitão agora? Tipo, nunca se sabe. Qualquer coisa tem o irmão pra gente apostar também. Mas então, deixe-me ver atores com cabelos pretos e olhos claros... eram azuis ou verdes? Vou nem perguntar, você é péssima em lembrar as coisas mesmo! Bom, ele pode estar parecido com Ian Somehalder, Asa Butterfield, ou tipo o Freddie Highmore, Liam Hemsworth, ou quem sabe o Torrance Coombs! Aquele que faz o Bash da série Reign! Danna, se, tipo assim, o Mason ou o Luke chegarem pertinho do deus grego que o Tor é, mana, eu pego o próximo voo pra Los Angeles sem brincadeira nenhuma. A minha mãe quer netos muito bonitos, então não teria como ela negar a minha ida pro outro lado do país!
Suzie estava começando a dar uma de a estranha então era melhor eu dar uma desculpa qualquer e desligar.
— Ok, ok, Suzie. Olha, o meu pai quer que eu vá aparar a grama agora, tenho que ir. Beijinhos!
— Aparar a grama a essa hora? São tipo, onze da noite.
Danna, você é incrível dando desculpas esfarrapadas. Vamos, gênia! Sai dessa agora!
— 62 anos, sabe como é. Tá ficando gagá o velho Carlo Martinelli. Mas não vou desobedecer, né? Daqui a pouco ele vai viajar o mundo, então...
— Certo... boa noite! Sonhe com os anjos!
Eu estava para desligar quando ouvi Suzie sussurrar do outro lado da linha, com voz infantil.
— Você tem que dizer pra eu sonhar com o Torrance mozão, Danna!
— Sonhe com o Torrance, o seu mozão. Boa noite.
Terminei a ligação e me joguei na cama. É, eu iria sentir falta da Suzie, como ela mesmo fala: tipo muita. Eu iria sentir muitas emoções quando me desse conta que estaria mesmo indo para um lugar estranho com pessoas estranhas.
Eu iria sentir tipo saudade da minha vida aqui na Geórgia.
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