Danna is living with the boys

4 Sapos, iguanas e mozão... 1 e 2


Notas iniciais
Boa leitura! Quero saber o que estão achando ;3

Mason sentiu que eu havia ficado embaraçada com Tyler e tratou de chamar a atenção do garoto para longe de mim.

— Então, Tyler, esta é a famosa Danna que você queria conhecer! Que tal você me ajudar com as compras no mercado? Como mamãe não está, podemos comprar o cereal que você quiser.

— Sério? Que legal!

— E que tal se formos agora para deixar a Danna conhecer melhor a casa? – continuou o mais velho.

— Poxa, mas eu que queria mostrar tudo para ela, sabe Mason, ela já está na minha... – sussurrou não tão baixo, de forma que escutei tudo com uma sobrancelha arqueada.

Luke sussurrou alguma coisa no ouvido do irmãozinho e ele simplesmente me mandou um beijo no ar e puxou Mason para fora de casa.

— Ok, o que foi isso? – perguntei.

— Foi meu irmão se apaixonando pela primeira vez. Eu devia ter tirado uma foto de vocês, casal – piscou – minha mãe gosta de ter tudo registrado, tipo Tyler com sua primeira namorada.

Eu dei um soco em Luke, minha mão acabou doendo porque ele era forte e tinha um físico bem... treinado por debaixo da blusa de mangas compridas que usava.

— Ele nem falou nada de namorada.

— Espere até amanhã – falou, piscando novamente para mim. Ele tinha algum problema ocular?

Rolei os olhos e encarei minhas malas, colocadas no canto da sala de estar. Pigarreei para chamar a atenção de Luke. Eu não poderia levar tudo sozinha e, de fato, ainda não conhecia o lugar para saber qual o meu quarto.

— Ah, desculpa. Eu te ajudo. Seu quarto fica ao lado da biblioteca.

Ele me ajudou a levar as malas para o segundo andar. A escada se bifurcava em duas, segui Luke pelo lado direito e me deparei com um corredor com cinco portas. Luke estava deixando as minhas malas dentro do primeiro quarto do lado esquerdo do corredor.

— Então, aqui é o seu quarto. A segunda porta a frente, ao lado do outro quarto de hóspedes – ele saiu do quarto e eu o segui – ao lado do banheiro fica a biblioteca. Vem, vou te mostrar.

Ele abriu as portas duplas brancas e me vi num ambiente totalmente diferente do corredor e da sala em tons pastéis. A biblioteca tinha um piso de madeira, era repleta de móveis em carvalho, havia uma grande escrivaninha e duas cadeiras com encosto alto, além de várias prateleiras com diversos livros. A maioria para leituras de lazer, mas encontrei alguns títulos que eram livros de química, matemática e outras matérias, seria bom consultá-los para a escola. Caminhei pela sala espaçosa e me encantei com a vista.

— Nossa, é lindo – murmurei.

As grandes janelas que ocupavam quase uma parede toda tinham como vista o quintal da casa, mais precisamente um banco ladeado de flores de diversos tipos, todas muito coloridas. Um pouco para o lado havia uma construção espelhada, que deduzi ser uma estufa.

— O jardineiro de vocês tem talento – me virei para Luke e ele me encarava, mas com os olhos meio distantes, como se estivesse pensando em coisas muito longe dali.

— Hun? O que disse?

— Eu disse que o jardineiro de vocês tem talento.

Ele abriu um sorriso com covinhas.

— Na verdade jardinagem é o hobby da minha mãe, além de cozinhar. Ela que plantou aquilo tudo, se você achou bonito, espere ver a estufa! E por falar em flores, você gosta de bromélias, não é?

Aquela pergunta me deixou desprevenida. Sim, eram as minhas flores preferidas, mas como ele adivinhou? Geralmente as meninas dizem logo rosas, ou orquídias, raramente margaridas, mas agora bromélias? Como ele sabia? Não é possível ser tão bom em chutes, ele sabia.

— Sim, eu adoro, por quê? E como você sabe que eu gosto?

— É que eu disse pro Tyler comprar um buquê delas para você no caminho ao supermercado. Sabe, ele tem que aprender a ser um galanteador – sorriu, mostrando novamente covinhas fofas – e eu só perguntei se você gostava, não se são as suas preferidas, mas que bom que você adora.

Ele voltou ao corredor, mas um quê de dúvida pulava inquieto na minha cabeça. Ele poderia ter dito outros tipos de flores mais comuns e bonitas, mas ele falou logo bromélias.

Ele chamou por mim do corredor e voltou a me mostrar a casa, mas eu ainda estava pensando nas flores.

Voltamos as escadas e seguimos para o lado esquerdo dela. Haviam quatro portas. A primeira que ele abriu era um banheiro, a segunda era um quarto bem organizado, com um papel de parede com listras azuis, verdes e cinzas.

— Esse é o meu quarto.

O garotinho que derrubava molho nos outros havia se tornado um rapaz organizado, mesmo. Tudo estava perfeito, a começar pela cama, que mostrava um lençol dobrado com maestria. Nas paredes, vaguei meu olhar pela coleção de discos de vinil que ele tinha.

Eu mesma tinha uma coleção que considerava incrível na minha antiga casa, mas ao vir para cá havia dado tudo para o Adam, que venderia no eBay. Agora a coleção do Luke superava a minha.

— Curte vinil? Não é todo mundo que gosta – falou Luke ficando ao meu lado para encarar as prateleiras lotadas. – Sabe, hoje em dia tem iTunes e Spotify...

— ... mas eu acho que a música não sai a mesma – falamos juntos. Fiquei encarando seus olhos azulados e sorri. Um colega de mesma opinião era difícil achar, ainda mais se tratando de ouvir discos.

Luke também me encarou de volta, intensificando seu olhar. Eu voltei a dar uma fitada nos seus discos e achei títulos de cantores atuais. Os discos que eu tinha já eram antigos e ele tinha discos com músicas da Adele, Guns ‘n Roses e System of Down.

— Se você for no lugar certo, aqui em L.A., vai achar discos atuais, sabia?

Eu estava doida para ouvir como as músicas do Ed Sheeran ficariam com o vinil.

— Se quiser, podemos ir um dia lá. Eu te levo – propôs. Olhei para Luke agradecida, e notei que suas bochechas se avermelhavam gradativamente, enquanto ele alisava o cabelo, olhando para baixo.

Ele havia falado aquilo como se estivesse me chamando para um encontro?

— Obrigada, a gente podia ver sim, talvez quando você e os seus irmãos me levarem para turistar pela cidade – sorri indiferente.

Ele concordou e seguimos para o corredor. Não me entendam mal, mas eu cheguei hoje E, Luke sempre seria o garotinho do molho de espinafre.

— Ali é o quarto do Mason, mas ele nunca deixa ninguém entrar. Eu acho que ele guarda um corpo, Tyler acha que ele guarda chocolates que não quer dividir conosco e meus pais respeitam a privacidade dele e não perguntam nada. Nunca entre sem a permissão dele – alertou. – Quer ver o quarto do Tyler? É esse aqui.

Luke abriu uma porta verde e eu gritei quando ele o fez, porque uma coisa pegajosa pulou em cima da minha cabeça.

— Não grita! Você está assustando a Sra. Dorothy!

— Eu o quê?

— Venha Sra. Dorothy. Você escapou do aquário de novo? – Luke pegou alguma coisa de cima do meu cabelo e me mostrou.

Era um sapo. A Sra. Dorothy era um sapo.

— Ai, meu Pai! Um sapo!

— Não grita! E é uma rã, não um sapo – verde, asqueroso, nojento, pulou em cima de mim. Pra mim é um sapo e eu vou chamar disso, sim! – Ela escapou do aquário, vou por ela de volta e verificar se a Dolores também fugiu.

Haviam outros???

Fiquei parada na entrada do quarto, que era azul, com diversos bonecos de ação e carros espalhados pelo chão. Luke colocou o sapo, quer dizer, a sapa, dentro de um aquário em cima de uma cômoda, posicionada estrategicamente ao lado da porta. Ele olhou no aquário do lado e constatou que a Dolores estava bem. Mas eu já estava satisfeita só por conhecer a Sra. Dorothy, não precisava conhecer a Dolores.

— Pode entrar, Danna.

Na parede atrás da cama, haviam diversos pôsteres de répteis e outros animais espalhados. Pelo visto, Tyler era uma criança que adora animais, especialmente répteis. Nojentos répteis. Espero que ele não tenha uma cobra.

Estava dando uma olhada num pôster repleto de fotos de iguanas diferentes. Não sabia que existiam tantas raças e tamanhos bem distintos, mas pelo visto eu estava desatualizada nessa questão. Depois olhei para um artigo que explicava como saber se uma cobra tinha veneno ou não. O artigo dizia que cobras escuras certamente que tem, mas há algumas claras que...

— Eu vou pegar o Harold.

Quem era Harold? Luke foi para o lado oposto da cama do Tyler e se agachou.

— Lucas! Quem é Harold? – perguntei nervosa. Por favor, Senhor, que não seja uma cobra! Eu já havia conhecido a espécie Meredith Nariz-Falso, estou com a cota de cobras cheia, já.

— Tenho que falar com o Tyler sobre deixar seus bichos soltos. Não encontro o Harold.

— LUCAS! – gritei, engolindo em seco e tentando controlar meu corpo, que tremia de medo. Venenosa ou não, eu não gostava de cobras. Eu, na verdade, odiava répteis! Senti algo na região abaixo da minha costa.

— Opa, achei – falou Luke animado.

Tentei me virar lentamente, suando frio. Por sorte, Harold não era uma cobra, era uma iguana. De dois males, o menor.

Porém, Harold era uma iguana safada e atrevida. Ele estava com a boca aberta e seguindo a trilha da sua língua, percebi que ela terminava na parte abaixo da minha costa. Sim, Harold estava com a língua nojenta na minha bunda!

— Bem, tecnicamente, ele está com a língua na sua calça jeans – falou Luke, prendendo o riso, enquanto eu encarava o bicho, tentando matá-lo com o olhar.

Eu estava com muito nojo para tirar a língua daquele animal repugnante. Tanto nojo, que eu nem pensei no quão constrangedor foi ter que pedir para que Luke puxasse a língua dele para longe da minha bunda. O problema foi que, depois de feito, não consegui encarar Luke, que estava se matando para não rir.

Logo que o terrário do Harold foi fechado, com ele dentro, seguimos para o andar de baixo, para ver a cozinha, equipada com várias coisas chiques e tecnológicas, o escritório do senhor Fields, repleto com pôsteres dos filmes que ele dirigiu, o porão, que além de ser onde guardavam a secadora e a lavadora de roupas, era também a sala de jogos, com X-box, um totó e uma mesa de bilhar.

— E por aqui fica a piscina, churrasqueira, o gramado para jogar bola e a estufa – disse Luke, abrindo a porta dos fundos da mansão.

Eu passei bastante tempo olhando tudo por lá. A piscina era grande e convidativa e a estufa, incrível. Haviam samambaias e mais flores ainda, além de uma área destinada só para espécies de cactos floridos e outros que pareciam pedra e outra área, apenas para alimentos. Era uma horta bem completa a que a senhora Fields havia plantado.

***

Terminado o tour pela mansão, voltei para meu quarto com a missão de arrumar as minhas coisas em seus devidos lugares. Mason havia ligado para Luke avisando que demoraria, pois traria o jantar pronto de um restaurante que eles gostavam muito.

Eu já havia organizado algumas coisas nas gavetas de uma cômoda ao lado da cama e arrumado minhas roupas no closet espaçoso, faltava apenas grudar algumas fotografias na porta do closet.

A última era uma fotografia, pôster na verdade, do Chris Evans. Eu já havia achado o ângulo perfeito e coloquei cuidadosamente a imagem dele no centro da porta do closet. Dei um beijo nela e olhei sonhadoramente para o meu Chris.

— Olá, mozão.

Alguém fechou abruptamente a porta do closet e eu levei minha mão ao peito, devido o susto. Abaixei o olhar.

— Olá, gata. Você chamou pelo seu mozão e aqui estou.

— Tyler, eu não estava falan...

— Trouxe flores, querida. Embora a mais especial do meu jardim seja você, anjo.

Ele mandou um beijo e entregou o buquê de bromélias. Eu estava ainda um pouco paralisada pelo susto para falar.

— Não precisa falar nada, ursinho. Seu doce olhar já é um rio de palavras para mim.

Claramente, o garoto tinha um repertório de frases desse tipo. Ele saiu do meu quarto sem dizer mais nada e eu encarei a porta.

— Luke! Quando eu saio sem mais nem menos, quer dizer que eu sou um garoto difícil, né? Mas se eu dou flores mostro que estou a fim também, né?

Eu nem prestei atenção na resposta.

Notas finais
S2