Damage

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Heey! Fiz esse capítulo um pouco maior. S2 *----*

Assim que terminaram de almoçar, Arthur e os outros recrutas foram para o salão de lutas como Kazimir tinha ordenado. Sempre passavam a manhã estudando e a tarde toda treinando e naquela tarde em especial quando o primeiro-tenente disse que o capitão estava indisposto o louro quase deu um pulo de alegria, mas se limitou a sorrir. Ele gostava das aulas de instrução de combate e gostava quando o capitão não aparecia para pegar no seu pé, mas Kazimir percebeu o repentino sorriso no rosto dele e começou a gritar. “Você ficou feliz por que eu disse que seu capitão está indisposto?! Seu bastardo, você deveria estar chorando agora! Se estivessem em um campo de batalha e o seu capitão estivesse indisposto vocês estariam todos mortos!” e coisas do tipo e logo depois o enfrentou como oponente. Na metade da tarde a visão de Arthur já estava embaçada depois de ser nocauteado tantas vezes pelos punhos nada modestos do Primeiro-Tenente.

Começou a chover só no final da tarde, mais ou menos quando o louro perguntou a Kazimir se podia ir buscar papel higiênico para o seu nariz, que por muito pouco ainda não estava quebrado pela quantidade de sangue que deixava escapar. Wardraig apareceu de novo no exato momento em que Arthur se sentou para descansar um pouco e olhou para ele nada satisfeito, como se o louro estivesse ali sem fazer nada o dia todo. Conversou alguma coisa com Kazimir durante alguns minutos, mas Arthur realmente não fez questão de escutar.

– Cara, olha se meu nariz tá torto. – pediu Heiner que estava sentado ao lado dele no banco, com uma toalha no ombro.

– Eu acho que não. – o louro semicerrou os olhos. – Pelo menos nada que deixe você mais feio do que já é.

– Ah, claro, me desculpe princesa.

Os dois se entreolharam e deram um sorriso meio idiota de autopiedade. O louro desviou o olhar e fitou uma das janelas, a chuva estava caindo realmente forte lá fora, causando estrondos como socos batendo contra o cimento do pátio.

– Que tempo maravilhoso. – o capitão comentou em tom mais alto para que os recrutas que ainda estavam lutando prestassem alguma atenção e nenhum deles ousou não fazer isso. – Que tal ir todo mundo lá pra fora e começar a fazer flexões?

Ninguém disse nada, apenas se entreolharam.

– Foi uma ordem, bando de imbecis, já pra fora!Agora! – gritou Kazimir, carinhosamente. – O que chegar por último no pátio vai fazer 50 flexões a mais!

Por um momento Arthur se lembrou da hora do recreio na escola, quando a professora abria a porta e se escondia atrás dela para não ser atropelada pelo bando de alunos esfomeados. Foi quase isso, mas assim que os recrutas passaram em frente ao capitão rapidamente recuperaram a postura e seguiram adiante com mais calma.

Arthur não foi o último, na verdade foi um garoto mais franzino que foi empurrado para trás pelos cavalos e o louro não o conhecia. Abaixou-se ao lado de Heiner e todos os recrutas começaram a fazer o que lhes foi ordenado, claro que tiveram o trabalho de se organizar em linha para que não recebessem nenhuma punição extra por bagunça.

Depois da sua primeira semana no exército Arthur conseguia sentir todos os músculos do corpo doloridos e inchados de tanto serem trabalhados excessivamente sem quase nenhum descanso, mas agora já estava mais acostumado ao esforço físico e seus músculos já tinham se desenvolvido para o dobro do que eram antes. De alguma forma Arthur ainda odiava fazer tudo aquilo, mas tinha que admitir que estava feliz por ter o corpo que tinha agora, afinal, ele provavelmente nunca teria coragem o suficiente para ir a academia todos os dias para ter aquele físico. Não, na verdade ele nunca teria feito isso, era preguiçoso demais para tal. Ele deu um sorriso enquanto se abaixava e levantava, orgulhoso pelo fato dos braços não ficarem doloridos depois de tantas flexões.

– Muito bem, já chega, todo mundo para o chuveiro. – o capitão deu a ordem após uma hora.

Arthur levantou o rosto com os olhos semicerrados e ficou de pé, estava todo encharcado e alguns irritantes fios de cabelo grudavam na testa. O dia estava praticamente acabado e o capitão e o primeiro-tenente provavelmente estavam ansiosos para ir embora e desfrutar de suas camas macias, mesmo que não tivessem feito muita coisa durante o dia todo, sequer estavam molhados. O louro não se importava mais tanto, porque tinha alguma fé que no futuro fosse ele quem estaria ali mandando em recrutas como ele estava sendo mandado agora.

Foi ao encontro de Heiner e Damien e eles trocaram algumas palavras quando Arthur avistou o garoto que faria as 50 flexões a mais. Maldito remorso, maldito remorso. A maioria dos recrutas tinham se desenvolvido bastante fisicamente assim como ele, mas aquele garoto ainda continuava tão magro e franzino quanto quando tinha chegado e vê-lo se esforçando daquele jeito certamente fazia Arthur se sentir um idiota, mesmo que ele não tivesse culpa alguma. A água parecia bater forte contra as costas dele e empurrá-lo para baixo, fazendo com que levantar cada vez fosse uma tarefa mais árdua.

– Capitão, eu gostaria de fazer as 50 flexões também. – o louro disse a Henry.

– Como queira. – o capitão deu de ombros e saiu acompanhado do primeiro-tenente.

Arthur caminhou novamente até a chuva recebendo os olhares curiosos dos seus dois companheiros de quarto e se abaixou ao lado do garoto.

– Se você apertar os dentes tanto assim vai acabar quebrando-os. – ele deu um esboço de sorriso ao garoto que levantou o rosto imediatamente e só pareceu vê-lo naquela hora.

– Astrophel? O que está fazendo? – o garoto perguntou.

– Não conseguiria dormir direito sabendo que eu deixei alguém sozinho aqui. – confessou. – Você me conhece?

– Ah, sim, todo mundo te conhece. – por um momento os olhos de Arthur brilharam, imaginando se ele era o tipo de recruta que os outros almejavam ser. – Você é o cara que o capitão fez correr pelado no primeiro dia.

O sorriso do louro desapareceu e ele ficou um pouco corado ao se lembrar daquilo, tinha sido realmente constrangedor, mas ele já tinha repetido a corrida mais três vezes depois daquela e já até tinha se esquecido do quanto aquilo era estranho.

– Bem, obrigado. – o garoto sorriu também e continuou a fazer suas flexões.

Demoraram mais alguns minutos e logo terminaram as 50 flexões. Arthur se levantou primeiro e depois ajudou o garoto a se levantar estendendo a mão para ele. O louro realmente tinha sentido que não podia deixar o garoto sozinho ali, na chuva, principalmente quando estava ventando tanto e ele ainda corria o risco de ser atingido por um raio.

– Acha que o banho é quente hoje? – ele perguntou com um ar esperançoso.

– Eu acho que o banho só vai ser quente quando o calor estiver insuportável. – respondeu com um sorriso, provavelmente era isso o que o capitão planejava fazer nos dias de calor.

O garoto fez uma expressão meramente conformada e estendeu uma das mãos para ele.

– Samuel Clarion Lieppert. – apresentou-se, com a cortesia de dizer o nome todo.

– Arthur Draven Astrophel. – apertou a mão do garoto.

O louro deu dois tapinhas no ombro do menor e eles se dirigiram para a entrada do prédio dos dormitórios, estava relativamente tarde e apesar de não estar tão escuro, o céu estava tomado por um azul índigo nas partes em que não haviam camadas grossas de nuvens cinzentas. Os dois estavam prontos para entrar quando Arthur ouviu o rosnado do motor de um carro e se virou para trás, um pouco curioso pelo fato de não ser permitida a entrada de carros no pátio, há não ser em ocasiões especiais, mas aquela não era uma ou ele saberia.

Ele não reconheceu de imediato o motorista, principalmente porque ficou mais interessado na Range Rover cinza e no amassado na frente que provavelmente seria bem caro. Não ficou surpreso quando Kazimir desceu com as mãos na cabeça para se tampar da chuva, a surpresa foi quando ele foi até a porta do passageiro e pegou alguém no banco para correr em seguida até o local onde os dois recrutas estavam se protegendo da chuva.

– O que aconteceu? – Arthur perguntou imediatamente fitando o capitão adormecido nos braços do primeiro-tenente. – Ele está bem?

– Tinha um tronco caído na estrada, Wardraig freou de repente e eu acabei batendo na traseira do carro dele. – explicou. – Ele está bem, só bateu a cabeça com força no volante.

– Por que você não me parece muito preocupado? – Samuel arqueou uma sobrancelha.

– Ainda não. – o 1° tenente disse. – Quando o capitão acordar e vir o que eu fiz no carro dele, aí sim será hora de me preocupar.

Arthur teria rido e concordado plenamente com Kazimir, mas seus olhos tinham vidrado no capitão e não se moviam para nenhuma outra direção além dessa. Henry realmente estava bem, além de um corte na testa de onde escorria algum sangue não havia nenhum outro ferimento visível ou sangue em suas roupas, mas mesmo assim se o louro colocasse a palma da mão no próprio peito sentiria o coração palpitar. Ele estava sempre tão impecavelmente vestido e arrumado que jogado nos braços de Kazimir daquela forma até parecia um garoto do ensino médio fantasiado de militar para alguma festa, a roupa com gotas de água e os cabelos bagunçados caindo-lhe no rosto com certeza tiravam qualquer ar de rigidez que o capitão sempre prezou tanto em manter.

Kazimir arqueou as sobrancelhas enquanto olhava para Arthur, que parecia alterado.

– Arthur, eu tenho que tirar o carro do capitão da estrada e ligar para alguém que possa tirar a árvore. – ele estendeu os braços. – Leve o capitão para a enfermaria para mim.

O louro deu uma risada irônica e deu um passo para trás.

– Ele me mataria. – respondeu. – Não, na verdade me torturaria primeiro, mas com certeza me mataria.

– Não estou pedindo, é uma ordem. – Kazimir sempre conseguia parecer sério, em qualquer situação, mas quando disse aquilo sua rispidez chegou a arranhar os ouvidos de Arthur.

O louro estendeu os braços e aproximou-se do 1° tenente até que pudesse segurar o capitão em seus braços e seu superior o soltasse. Henry não era pesado, obviamente, não como qualquer homem da sua idade deveria ser, mas Arthur conseguia sentir a rigidez dos músculos embaixo do pano, o capitão podia não ter um físico igual ao de Kazimir ou do próprio Arthur, mas com certeza não tinha braços moles e nem barriga macia.

– Lieppert, sabe dirigir? – o garoto balançou a cabeça positivamente sem pensar duas vezes. – Ótimo, então venha comigo.

Arthur entreabriu os lábios para dizer mais alguma coisa, mas antes que percebesse o 1° tenente já estava dirigindo seu carro com Samuel no banco do passageiro. O louro ficou por ali mais alguns segundos, tentando processar a informação de que o capitão estava em seus braços, desmaiado. Entrou logo dentro do prédio a fim de levá-lo a enfermaria como Kazimir havia pedido, sem mais nem menos, deixaria o capitão aos cuidados do enfermeiro e iria tomar banho e dormir logo depois sua merecida noite de sono.

Tentou não suspirar enquanto andava, mas era uma tarefa impossível uma vez que se tinha o rosto de Henry contra seu peito. Aninhado em seus braços daquela forma, o Capitão Wardraig até parecia ganhar um ar inofensivo e estranhamente convidativo. O louro balançou a cabeça para que os pensamentos estranhos fossem embora e entrou na enfermaria.

– Nikolaevich. – ele chamou o enfermeiro, que por ventura já conhecia uma vez que tinha vindo à enfermaria algumas vezes.

– Ah, Astrophel... – o enfermeiro levantou o rosto lentamente do papel em que escrevia alguma coisa. – Esse aí é o Wardraig?

O louro balançou a cabeça positivamente.

– Sabe que ele vai matar você se souber que o carregou até aqui, não é? – o enfermeiro sorriu enquanto ia até ele. – Coloque-o naquela maca.

Arthur meneou a cabeça e caminhou até uma das últimas macas da enfermaria e colocou o capitão em cima dela, lentamente, não queria correr o risco de deixá-lo cair de novo e ter a espinha arrancada com um alicate depois.

O louro não sabia o primeiro nome de Nikolaevich uma vez que somente o sobrenome estava bordado no jaleco branco que ele vestia por cima da roupa, mas de todos os funcionários que ele já tinha conhecido daquele lugar ele era o mais sociável e o único que o tinha tratado como uma pessoa e não um cachorro desde que tinha chegado. Nikolaevich segurou o queixo do capitão e Arthur engoliu seco, imaginando o que teria acontecido com o enfermeiro se Wardraig estivesse acordado, ele analisou o ferimento e depois fitou Arthur com um sorriso.

– É só um arranhão, ele vai ficar bem, nem precisa de pontos. – disse.

Arthur meneou a cabeça, não que negasse estar preocupado com o capitão, só não podia entender como conseguia se importar com o homem que fazia da vida dele um inferno. O enfermeiro pegou em um armário de vidro uma pequena gaze retangular e um lenço umedecido para limpar o sangue na testa do capitão, também pegou um antisséptico em spray na prateleira mais alta.

– Se importa de tirar as botas dele? – perguntou.

Arthur meneou a cabeça e foi até o final da cama, hesitando duas ou três vezes antes de colocar as mãos no coturno do capitão, todos os instintos diziam que fazer aquilo era igual a morrer. Puxou os cadarços desfazendo os laços que pareciam ter sido amarrados de uma forma tão perfeccionista que as orelhas estavam do mesmo tamanho, mas a ponta dos sapatos já não estava tão perfeitamente limpa por causa de gotas de chuva que ainda estavam lá imóveis. Soltou um suspiro e colocou os calçados no chão ao lado da cama percebendo só então o quanto tinha demorado a cumprir tal tarefa, Nikolaevich tinha colocado uma pequena gaze na testa do capitão em cima do corte e tirado o casaco escuro com o sobrenome bordado, Henry também foi livrado da gravata preta, das luvas e do cinto. Além da calça, obviamente, usava somente a camisa branca com botões cinza que costumava ficar embaixo do casaco.

– Meu turno acaba em alguns minutos e o de Barth vai começar, mas não tem problema se quiser ficar aqui com ele. – o enfermeiro sorriu assim que terminou de dizer e saiu andando de volta para a sua mesa quando Arthur tentou dizer alguma coisa. – Vou buscar uma toalha para você.

– Não, eu... – Nikolaevich já estava longe demais.

O louro soltou um longo suspiro e se sentou em uma poltrona que estava ao lado da maca. Ainda chovia lá fora, mas como o enfermeiro tinha dito, já estava tarde e o turno da maioria dos funcionários já tinha acabado ou estava acabando, mas por algum motivo ele simplesmente não conseguia deixar Henry ali sozinho. Podia simplesmente se levantar e ir embora, tomar seu banho e aproveitar a chuva lá fora enquanto dormia, mas toda vez que fitava o rosto de Henry era como se correntes o prendessem ali. Não podia simplesmente deixar o capitão ali sozinho, não sabia o porquê, mas tinha certeza de que seria errado fazer isso.

Arthur levou a mão até o rosto e jogou os cabelos para trás, estavam encharcados assim como o restante da roupa e ele acabou tirando os coturnos e as suas meias também para que não ficasse doente. Nikolaevich jogou uma toalha para ele antes de ir embora, não que ela fosse resolver muita coisa, Arthur tinha feito flexões em plena chuva e suas roupas estavam grudadas no seu corpo, pingando água no chão da enfermaria. O mais sábio a se fazer seria com certeza ir tomar um banho e vestir uma roupa limpa e seca, mas não faria isso.

Virou seu rosto novamente na direção do de Henry que dormia embaixo do cobertor claro, mal dava para acreditar que ele era o mesmo que tinha lhe batido com um chicote e até o masturbado. Engoliu seco e levou as mãos até o próprio rosto tampando os olhos, realmente não dava para sequer cogitar em acreditar no que tinha acontecido naquela noite, no que o capitão tinha feito com tanta naturalidade e mais ainda no fato de Arthur ter ficado excitado com aquilo, ter gozado com aquilo. Afinal, qual era a intenção de Henry com aquilo? Não que ele parecesse ter alguma já que tinha fingido que nada acontecera desde então, conversava e agia normalmente como se jamais o tivesse tocado.

Tirou as mãos do rosto e fitou novamente seu capitão, era estranho vê-lo daquela forma uma vez que ele era sempre tão formal, Arthur sequer chegara a ver as mãos dele mais de uma vez sem as luvas e muito menos ver a cor das meias, que eram brancas aliás. Henry tinha uma cicatriz cortando a palma da mão em uma linha vertical, como se ele tivesse apertado alguma coisa afiada, parecia antiga e Arthur sequer se atrevia a imaginar como tinha sido feita. A segunda cicatriz cortava os quatro dedos da mão na parte de cima, eram mais finas e mais compridas do que a que estava na palma da mão.

Levantou uma das mãos e a levou timidamente até a do capitão, passando o indicador sobre a pele da cicatriz. Henry não tinha mãos macias como as de uma moça, ele tinha calos nos dedos e pequenos arroxeados nos nós dos dedos, o que indicava que ele também andou praticando. Mas não foi a textura que fez Arthur apertá-la com um pouco mais de força, foi o calor estranhamente aconchegante que ela exalava. No final das contas o capitão tinha sangue quente, ele ainda era humano, ou pelo menos uma criatura bem próxima do ser humano comum.

Wardraig ainda era humano, possuía sangue quente, então por que não podia pegar um pouco mais leve? Quer dizer, Arthur sempre esteve se esforçando bastante e a única coisa que queria ultimamente era ouvir algum elogio, aquele era seu único desejo. Podia realmente não ser tão bom na parte teórica, mas tinha inegavelmente uma boa mira e lutava bem, ele não merecia nenhum tipo de elogio por isso? Não merecia que Henry o acariciasse e dissesse que tinha um feito um bom trabalho?

Riu de si mesmo e soltou o capitão, ajeitando as costas na poltrona que já estava molhada. Não precisava ouvir Wardraig dizendo para saber que ele era bom, porque Arthur era e se esforçava para ser cada vez melhor, só que no fundo a única coisa que queria era que Henry também o reconhecesse.

– Isso nunca vai acontecer. – murmurou para si mesmo.

Notas finais
Hohoho, Henry desmaiado, que bonitinho, nem parece que morde. AEHUHAEUHAEUHAEUHUAEH Na parte em que o 1° Tenente entregou o capitão para o Arthur ele pensou tipo: Arthur = agrado para o capitão = capitão feliz = menos zeros no cheque para pagar o concerto do carro = Kazimir feliz.