Damage
6 Capítulo 6
Notas iniciais
O salão de festas costumava ser bem grande e bonito, com piso de mármore, colunas brancas e teto com pinturas de anjos em um vasto céu tempestuoso. O Sr. Wardraig não dava muitas festas, mas fazia questão de que todas que acontecessem ali fossem mais que perfeitas, tudo precisava estar maravilhoso para receber os convidados.
Henry sorriu para os convidados e se dirigiu até o piano, sentou-se no banco e deu uma breve ajeitada na cauda do paletó. Os dedos estavam frios e suando, ele esteve praticando aquela música durante semanas para que quando finalmente tivesse que tocá-la não errasse absolutamente nada.
Se levantasse os olhos sobre o piano podia ver os convidados, a maioria oficiais do exército com patentes maiores, todos acompanhados de suas esposas, velhas de rostos enrugados usando brincos caros e vestidos coloridos. Sua irmã também estava lá, segurando uma taça de champanhe e sorrindo para ele, sorrindo com escárnio. Ela era bonita, tinha corpo magro e recheado de curvas, cabelos castanho-claros encaracolados e olhos cor de café. Estava usando um vestido vermelho vibrante com pérolas nas orelhas e no pescoço, isso sem contar o decote extravagante que mostrava parte dos seios.
Ele não esperou mais, levou a mão até as teclas brancas de marfim e começou a tocar a música que tanto tinha ensaiado. Podia tocá-la ao contrário se quisesse, as notas estavam todas lá, flutuando em sua cabeça.
Levantou o rosto brevemente procurando pelo pai e não o encontrou. Será que tinha demorado demais? A ponta dos dedos tremeu, talvez tivesse demorado demais para começar a tocar, talvez tivesse arruinado os planos do Coronel. Sentiu uma gota de suor frio escorrendo pelo canto do rosto e continuou tocando, mesmo que não houvesse ninguém perto dele Henry podia escutar os sussurros ao seu redor, podia escutar risinhos e a irmã comentando sobre ele. Podia sentir o calor ao seu redor, como se estivesse em um elevador lotado, podia sentir o calor de todas aquelas pessoas lhe sufocando e fazendo-o suar. A risadinha da irmã soou de novo por seus ouvidos e ele não ousou levantar os olhos, o que faria se todos estivessem rindo? O que faria se seu pai estivesse com a testa franzida?
Errou uma nota.
Continuou tocando mesmo assim, a maioria daquelas pessoas provavelmente não deveria ter notado, foi um erro quase imperceptível, ele trocou um som por outro bastante parecido. Ninguém notaria, mas seus dedos estavam tremendo tanto que havia a possibilidade de cometer um erro maior.
A música acabou, finalmente, levantou-se ofegante e com náuseas. Não havia ninguém rindo dele, nunca houve, todos aplaudiram quando terminou de tocar e murmuraram entre si como a música havia sido bonita. Mas Charlotte continuava sorrindo e quando sua irmã estava sorrindo é porque havia algo errado. Abandonou o piano com certa pressa e desceu as escadas até o salão que estava cheio de pessoas importantes e cheiros de perfumes caros. Escutou uma ou duas pessoas lhe elogiando e cumprimentando-o, mas tinha que chegar logo ao seu quarto e não pretendia perder tempo com os bajuladores de seu pai.
De repente alguém o segurou com força pelo pulso e o impediu de avançar. Henry virou-se para trás com as sobrancelhas juntas, pronto para indagar a insolente criatura que o havia segurado daquela forma quando percebeu que era seu pai.
– Onde está indo? – ele perguntou, sua testa estava franzida.
Ele havia percebido.
– P-Para o meu quarto. – gaguejou.
– Ótimo, então é para lá que vamos. – o Coronel respondeu.
Henry arregalou os olhos na direção do homem, fitando a cicatriz na bochecha dele, uma cicatriz que havia sido o próprio Henry que havia causado.
O Sr. Wardraig disse algumas palavras aos convidados e puxou Henry para os corredores da mansão, eram grandes e extensos o que dava tempo suficiente para que o pânico invadisse o peito do garoto quando se aproximaram do seu quarto.
– M-Me desculpe, por favor. – pediu em um sussurro para o homem que o segurava.
O Coronel franziu o cenho e apertou mais seu pulso, àquela altura a mão de Henry já estava dormente devido à falta de circulação.
– Eu o avisei que não podia errar. – ele disse, sua voz era grave como um tiro. – Por acaso achou que eu estava blefando?
– N-Não! – Henry sabia que não, seu pai nunca blefava.
– Então cale a boca.
Ele obedeceu, não gostava de desafiar o pai. O homem empurrou a porta do seu quarto com força e o jogou lá dentro, cruzou os braços e o fitou com os mesmos olhos da irmã.
– É isso que vai fazer toda vez que cometer um erro? – ele arqueou a sobrancelha. – Vai começar a chorar? Porque eu estou começando a pensar que é só isso o que consegue fazer.
Henry soluçou e limpou as bochechas. Não conseguiu olhar para o rosto do Coronel, porque só havia desprezo e decepção nele.
– Vou lhe dar até amanhã para fazer ou eu mesmo farei. – o homem disse antes de lhe dar as costas e sair do quarto de novo.
O garoto se levantou e fitou a porta. Seu pai o havia avisado uma semana antes daquela festa, ele havia dito que quebraria seus dedos se errasse uma única nota e Henry não duvidou em momento algum que ele realmente fosse fazer isso, porque seu pai já havia feito coisa pior. Fitou a palma da própria mão e viu a cicatriz a cortando, era recente e havia sido feita com a mesma coisa que feriu também o rosto do Coronel: um ramo de roseira brava.
Henry sabia que se não fizesse aquilo por si mesmo seu pai o faria de uma forma muito pior, provavelmente quebraria um de seus dedos de cada vez com chutes e isso não seria nada agradável. Levou uma das mãos até a porta e a abriu, colocou os dedos entre o vão e fechou os olhos.
Ele nunca teve muita força, precisou bater a porta várias vezes para quebrar todos os dedos.
–x-
Henry acordou assustado e ofegante, levou a mão até o rosto e jogou os cabelos para trás, estavam molhados com suor frio. Não precisou parar de respirar com força para escutar os batimentos cardíacos tão exagerados quanto no sonho. Não, não foi um sonho. Ele estava tão apavorado quanto o garoto de 15 anos, mesmo tendo se passado 10 anos desde que aquilo tinha acontecido, eram memórias, mas memórias tão vividas e dolorosas que era como se elas estivessem acontecendo agora. Olhou para os dedos, a cicatriz ainda estava lá, sempre esteve para lembrá-lo de que não se erra as notas de uma música.
– Você está bem? – Arthur perguntou com os olhos arregalados fitando o capitão. – Me desculpe, eu não deveria tê-lo acordado, mas achei que estivesse tendo um pesadelo.
Ficou um pouco surpreso por ver Arthur ao seu lado, uma das últimas pessoas que ele esperava tê-lo acordado de suas memórias. Olhou ao redor e percebeu que estava na enfermaria e a julgar pelo escuro visível depois do vidro das janelas já era noite e ainda chovia bastante. Levou a mão até a testa e percebeu o curativo colado ali, se lembrou imediatamente do acidente. Estava chovendo e havia neblina na estrada, ele não viu um tronco derrubado e acabou freando de repente para não atingir o legume gigante, mas Kazimir não teve o mesmo tempo para frear e bateu na parte de trás do seu carro lançando a cabeça de Henry com força contra o volante.
– O que está fazendo aqui? – perguntou quando vasculhou a memória e não encontrou Arthur nela.
– Ah, bem. – o louro começou a dizer. – Na verdade eu não tenho um motivo, só estava preocupado.
Henry arqueou uma sobrancelha e levou a mão até a calça para conferir se ela ainda estava intacta e não havia nada violado ali. Obviamente, não havia indícios. Qualquer recruta comum que tivesse passado pelo mesmo que Arthur teria pensado em vingança enquanto o capitão dormia, mas não o louro, ele não pensava nesse tipo de coisa. Às vezes Arthur era tão bom que Henry simplesmente ficava com raiva.
– Preocupado? Comigo? – ele arqueou uma sobrancelha e riu. – Você é bem divertido, Astrophel. Onde está Kazimir?
– Eu não sei, acho que ele foi embora. – o recruta deu de ombros.
Henry soltou um longo suspiro e esfregou os olhos. Arthur estava sonolento e parte das suas roupas ainda estava molhada, apesar de haver uma toalha branca sobre seu ombro, ele provavelmente não o tinha deixado sozinho nem para ir tomar um banho ou colocar roupas secas. Olhou para o lado, o criado mudo de metal pintado em branco que todas as enfermarias tinham estava ali, sobre ela estava seu casaco, as luvas e o cinto, além de uma vela acesa.
– Por que a vela? – indagou curioso.
– A energia acabou a algumas horas. – ele esclareceu. – Acho que é por causa da tempestade.
– Obviamente. – adicionou.
Afundou a cabeça no travesseiro de novo e deitou-se com a barriga para baixo, sua cabeça estava doendo, provavelmente não só por causa da batida que tinha chacoalhado seu cérebro.
– Pode ir embora, eu estou bem. – murmurou para Arthur.
– Já está muito tarde, o dormitório deve estar trancado por causa da chuva. – o louro respondeu, o vento lá fora estava forte o suficiente para abrir as portas com força e fazê-las bater se estivessem destrancadas.
O capitão ajeitou-se na cama de novo, deitando-se de lado dessa vez e mantendo seus olhos no recruta que por um momento ficou corado. Claro, devia ser algo novo para eleve-lo daquela forma, tão vulnerável e informal, os cabelos estavam tão bagunçados que alguns fios lhe caiam na testa e outros deixavam sua visão um pouco trêmula.
– Por que entrou para o exército? – perguntou, sem nenhum motivo especifico.
Arthur pareceu um pouco surpreso com a pergunta, mas logo arqueou as sobrancelhas imaginando um meio de responder.
– Por causa da minha irmã. – disse. – Ela morreu no ano passado, nos atentados terroristas.
– Eu sinto muito por ela. – o louro meneou a cabeça ao escutar o capitão. – Mas se o que você quer é vinga-la então deveria ter seguido carreira política, nenhum militar respira sem que os engravatados deem a ordem.
– Eu não quero vinga-la, eu quero impedir que coisas assim aconteçam de novo com pessoas como ela. – ele corrigiu-se, tinha pensado por muito tempo em realmente vinga-la, mas com o tempo percebeu o quão infantil isso era. – Ela iria preferir que eu proteja pessoas ao invés de tirar a vida delas.
Henry balançou a cabeça, não esperava que palavras daquele tipo saíssem da boca de Astrophel, principalmente pelo fato dele ser tão impulsivo e agir da maneira que quer mesmo que tenha que sofrer as consequências por isso depois.
– E o senhor, capitão, por que entrou para o exército? – ele indagou após alguns minutos.
– Meu motivo não é tão bom, na verdade é bem fútil e egoísta. – esboçou um leve sorriso e procurou outro ponto para fitar. – Meu pai também é um militar, logo eu entrei porque queria chegar a um posto tão alto que ele tivesse que abaixar a cabeça para mim, obedecer minhas ordens e me respeitar.
– Você... conseguiu?
– Não. – respondeu.
Henry não gostava de falar sobre aquilo, sobre seus motivos para ter entrado para o exército e, sobretudo sobre seu pai, aquilo o fazia se sentir uma pessoa lamentável. Sentou-se na cama e olhou em volta procurando pelos coturnos, mas não os encontrou, então resolveu ficar por ali mesmo, como Arthur tinha dito, havia uma tempestade lá fora e estava de noite, não havia muito que se fazer para matar o tédio. Inclinou um pouco a cabeça para ver quem era o enfermeiro de plantão, mas estavam longe demais e ele conseguiu ver apenas o rosto de Barth de relance, provavelmente era horário dela.
O capitão conhecia bem aquela enfermeira estúpida e velha, ela deveria ter cerca de 70 anos e tinha aquele horrendo rosto enrugado que sempre se contraia quando os olhos dela pousavam no semblante de Henry, isso porque ela era uma cristã convicta e conhecia as atividades noturnas do capitão. Barth costumava dizer que ele era o próprio demônio que atentava os pobres recrutas para o caminho da luxúria. Semicerrou os olhos e rangeu os dentes, desejando ter matado aquela megera na primeira vez que a viu. Henry não tentava levar ninguém para o caminho da luxúria, ele era a própria luxúria.
– Por que não tira as suas roupas? – indagou enquanto fitava o louro, normalmente.
O louro o fitou com um ar surpreso e suas bochechas rapidamente tomaram uma cor vermelha.
– C-Capitão, eu não acho que seja necessário. – ele gaguejou enquanto levava uma das mãos até a gola da camisa, apertando-a.
Henry semicerrou os olhos, levemente contrariado, Arthur não estava ali para achar nada, estava ali para obedecer suas ordens e nada além disso, era seu subordinado, quem deveria seguir suas regras e acima de tudo brincar com ele sem reclamar. Levantou-se e foi até o louro, ele estava sentado em uma poltrona então não foi muito difícil acomodar-se sobre o colo dele com as pernas flexionadas ao lado das coxas dele.
– C-Capitão, o que está f-fazendo? – ele perguntou em tom vacilante, mas não ousou afastá-lo.
– Como assim? – disse como se não soubesse do que ele estava falando. – Não era você quem estava me devorando?
O louro ficou violentamente vermelho e desviou o olhar, confirmando o que Henry acabara de dizer.
– P-Por favor, saia de cima de mim! – ele pediu.
O capitão levou os lábios até a orelha dela, soltando um longo “Shhh!” e depois sussurrando de modo deveras longo e arrastado “Você não quer que a enfermeira o escute”. O recruta engoliu seco e se silenciou, fitando Henry com certo olhar desesperado e ao mesmo tempo envergonhado. Wardraig sorriu deleitando-se com o medo de Arthur e levou uma de suas mãos até uma das dele, segurando-a delicadamente.
– Para onde você estava olhando? – sussurrou, sem esperar uma resposta. Levou a mão dele até seu peito, sobre a camisa fina e branca. – Aqui?
Arthur entreabriu os lábios corados, mas não moveu a mão, as pontas dos dedos formigavam necessitando por mais contato, mas quando se referia ao Capitão Wardraig tudo era incerto, por isso não ousou mover um músculo. Os olhos azuis dele brilharam enquanto ele erguia uma sobrancelha e então moveu a mão do loiro mais para baixo, até que Arthur pudesse tocar os botões da sua calça.
– Aqui, talvez? – indagou.
O louro contraiu os dedos dos pés dentro dos coturnos, sua mão tinha de ser fortemente controlada ou sairia do controle, Arthur não se lembrava de ter desejado tanto tocar alguém antes, o que mais queria no momento era segurar os pulsos do capitão e afundar seus lábios nos dele, queria sentir o gosto da sua carne na ponta da língua e principalmente seu calor o envolvendo. De repente aquelas fantasias voltaram a povoar sua mente, os gemidos do capitão, sua expressão.
– Eu acho que não, você estava olhando para outra coisa. – o capitão ergueu a mão de Arthur e a deslizou sobre seu abdômen e peito até que seu dedo indicador tocasse os lábios. – Eu acertei não é?
Arthur soltou um baixo gemido e rangeu os dentes quando Henry tocou seu indicador com a ponta da língua enquanto o fitava com aquela expressão carregada de seriedade e ao mesmo tempo plena luxúria. A parte abaixo do umbigo implorava por atenção, tanto que o louro sentia espasmos correndo pelo corpo, desesperado por algum toque. Henry soltou sua mão.
– E então Astrophel, porque não tira suas roupas? – ele murmurou vitorioso.
Ele ficou em silencio, hesitou por alguns minutos, mas logo corou de novo e levou as mãos até os botões da camisa, abrindo todos eles e em seguida retirou a camiseta branca por baixo da farda. Henry sorriu vitorioso e levou as mãos até o peito nu do recruta, passeando lentamente por ele e então finalmente para aliviar a dor do louro aproximou os lábios do pescoço dele. O capitão mordiscou alguns pedaços de pele e levou a língua até o mamilo, passeando por ao redor dele e abocanhando-o em seguida, Arthur soltou um lamento mais alto e se contorceu, extasiado pela sensação de ter Henry lhe dando sua língua daquela forma, já que da última vez ele tinha sofrido mais dor que prazer.
Não aguentaria esperar mais, provavelmente tinha entre as pernas a melhor ereção que já tivera antes e que latejava quase gritando por ajuda. Arthur levou a própria mão até a calça e a desabotoou com uma velocidade e habilidade incríveis, enfiou a mão por dentro do tecido que envolvia a região intima e deixou o ar quente escapar dos pulmões pela boca ao finalmente poder se tocar para conseguir algum alivio. Os momentos de prazer foram estritamente curtos, já que alguns segundos após o louro começar a se masturbar Henry moveu a boca para a região um pouco acima do mamilo que tocava e mordeu com força o suficiente para arrancar-lhe algum sangue da carne e um gemido mais tímido da garganta de Arthur.
– Quando foi que eu disse que podia se tocar? – ele indagou fitando os olhos verdes do recruta.
Henry segurou a mão de Arthur novamente afastando-a da sua virilha e levou-a até os lábios de novo, dessa vez introduzindo o indicador dentro da boca.
– Capitão espera...! – disse um pouco mais alto, mas acabou se interrompendo ao morder o lábio inferior quando Henry mordeu o seu dedo com força o suficiente para que se abrissem dois cortes. – Isso machuca!
Henry ergueu uma sobrancelha como que dizendo “Acha que eu não sei?” porque obviamente se aquilo não trouxesse algum tipo de dor ao recruta então Henry não teria feito.
– Continue. – o capitão ordenou soltando a mão dele.
O louro moveu a mão até que ela alcançasse a calça de novo, mas não fez nada além disso, porque de alguma forma não se sentia mais tão excitado agora que seu dedo sangrava. Não conhecia os fetiches e gostos sexuais do capitão, mas ele não gostava de sangue.
Novamente a ideia de querer ouvir algum elogio por parte de Henry veio a sua mente, ele com certeza não sabia o que estavam fazendo e nem porque estavam fazendo, mas se o próprio Arthur estava tão excitado com o capitão o tocando então talvez o sentimento fosse recíproco. O louro não só queria ouvir os lábios macios do capitão o elogiando, mas também queria que ele de alguma forma se sentisse bem e pedisse por mais.
– P-Por que... – começou a dizer. –... Por que não me deixa lhe dar algum prazer de verdade...?
O sorrisinho sádico desapareceu do rosto de Henry e o louro teve a impressão de ter visto uma sombra negra passando pelos olhos dele, como se a simples menção daquilo lhe trouxesse lembranças ruins.
– Eu não quero. – ele respondeu sem hesitar e se levantou dando dois passos à frente. – Por que quer fazer isso?
Arthur ficou um pouco frustrado com a resposta, porque de alguma forma se sentiu incapaz e inútil, se o capitão não o desejava era porque ele provavelmente estava fazendo alguma coisa errada ou estava apenas brincando com o louro esse tempo todo. O recruta não gostava de pensar nessa última hipótese, devia haver algum motivo para que Henry pegasse tanto no seu pé e tivesse o provocado daquela forma. Não podia ser simplesmente porque Henry precisava de alguém para descontar sua raiva. Arthur não era nenhum tipo de brinquedinho e por mais ingênuo que fosse não gostava da ideia de ser tratado como um. Existe uma diferença entre ingênuo e idiota.
– Não acho justo que eu goze sozinho. – ele respondeu ao capitão e se levantou também.
Ele realmente não achava justo, mas também não achava justo que Henry não dissesse nada do que sentia para ele, não lhe desse uma explicação ou no mínimo um motivo para o que fazia.
– Não tem que achar justo, só tem... – Henry começou a dizer, quando foi interrompido pelo louro.
Arthur segurou o pulso do capitão e o puxou para que o fitasse enquanto falava, se Henry exigia que o louro conversasse com ele com o queixo levantado e o abaixasse para ouvi-lo o mínimo que Arthur podia querer era que ele olhasse para ele quando falasse.
– Obedecer você? – completou a frase. – Eu vou obedecê-lo, mas primeiro precisa me dizer por que está fazendo isso.
– Me solte. – ele rosnou, mas sequer tentou se soltar, sabia que Arthur era mais forte. – Me solte agora.
– Eu vou soltá-lo, quando me responder.
Henry arqueou a sobrancelha e flexionou o braço livre para trás rapidamente com a intenção de dar um soco no rosto do louro, mas ele o segurou antes que fizesse isso e o empurrou de volta para a maca.
– Seu idiota, o que pensa que está fazendo?! – ele disse um pouco mais alto, mas não o suficiente para que Barth o ouvisse. – Me solte agora e eu vou pensar em lhe dar apenas uma expulsão!
– Por que eu deveria soltá-lo agora se vai me expulsar de todo jeito? – Arthur arqueou uma sobrancelha.
O louro empurrou as pernas do capitão e ficou entre elas, mantendo os pulsos dele presos com certa dificuldade. Conseguiu sentir a pulsação dele aumentando quando o louro encostou seu abdômen ao espaço entre suas pernas.
– Você é ridículo. – o capitão murmurou depois de algumas risadas secas de escárnio.
– Vou te mostrar o que é ridículo.
Arthur inclinou um pouco o rosto na direção dos lábios do capitão e tentou beijá-lo, mas Henry virou o rosto e não permitiu que ele alcançasse seus lábios. O louro rosnou e segurou os pulsos do capitão sobre a cabeça dele usando somente uma de suas próprias mãos e levou a outra até o queixo dele, para segurar seu rosto. Apertou as bochechas do capitão e ele tentou se soltar com um pouco mais de afinco, chutando sem querer a estante metálica e fazendo com que a vela equilibrada em um pires caísse no chão e se apagasse.
– Arthur! – Henry gritou quando o louro estava a poucos centímetros dos lábios dele.
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