Damage
42 Capítulo 42
Notas iniciais
Tinha começado a se sentir mal há alguns minutos, tinha algo errado com seu corpo com certeza. Estava inquieto, seus membros formigavam como se tivessem energia acumulada e Heiner sentia tudo, menos sono ou vontade de ficar ali deitado sem fazer nada. Olhou de relance para o enfermeiro, ele estava balançando a caneta entre os dedos, parecia entediado, na verdade decepcionado. Estava sendo um idiota ao trata-lo daquele jeito e Sven estava sendo um idiota ao fingir que estava tudo bem, era em momentos como aquele que Heiner queria que o médico fosse sincero e escandaloso como Henry, ou no mínimo tão autoritário quanto Kazimir.
– Escuta, Sven, me desculpe por ter sido tão inconveniente, não foi minha intenção atrapalhá-lo daquela forma. – sentou-se na cama, certamente tinha algo errado com seu corpo.
O enfermeiro arqueou as sobrancelhas e o fitou por alguns segundos com uma expressão surpresa no rosto e boca entreaberta.
– O que foi?
– É que você me chamou pelo primeiro nome. – Sven respondeu e imediatamente Heiner virou o rosto para baixo no intuito de esconder as bochechas vermelhas.
– Me desculpe, não foi minha intenção, Tenente. – tentou reparar o dano, mas isso só fez Sven sorrir de leve e menear negativamente.
– Tudo bem, eu não me importo, prefiro que me chame de Sven do que de Tenente. – respondeu. – E não se desculpe por algo sobre o que não tem controle.
– Não ter controle sobe meus pesadelos não justifica tê-lo abraçado daquele jeito ou...arranhado seu pescoço. – ele arqueou uma sobrancelha, de perto ainda era possível ver algumas marcas avermelhadas na pele do enfermeiro.
– Eu não me importo que tenha me abraçado, você só estava com medo. – disse um pouco aliviado por estarem tendo aquela conversa. – E meu pescoço pode melhorar, não é nada que ultrapasse arranhões.
O recruta balançou a cabeça sem muita disposição e então levantou o rosto até fitar Sven de novo, suas bochechas continuavam avermelhadas embora agora o enfermeiro não tivesse com tanta certeza sobre ele só estar envergonhado. Passou os olhos pelo corpo dele e percebeu que seus pelos estavam arrepiados nos braços e as mãos agarravam e apertavam o lençol da cama trêmulas como se estivessem fortemente lutando contra algo crescendo dentro dele.
– Heiner, você está bem?
– Não. – ele nem hesitou ou tentou mentir. – Tem alguma coisa muito errada comigo.
– Fisicamente...ou psicologicamente? – se arriscou a perguntar.
– Os dois. – ele ofegou como se estivesse prestes a explodir e então levou os olhos castanho-esverdeados até os de Sven que o fitou com certa preocupação. – Eu acho que eu quero queimar no inferno.
O enfermeiro voltou os olhos até sua mesa procurando o termômetro entre a sua bagunça pessoal que vinha e ia com ele todos os dias. Sven até tentava ser organizado, mas seus objetos pareciam muito mais felizes e descontraídos quando estavam bagunçados, o Tenente tinha a sensação de que eles estavam brincando entre si e isso era mais agradável do que a frieza de uma mesa rigidamente organizada. Encontrou-o junto com alguns lápis e canetas e rapidamente apanhou o instrumento dirigindo-se até Heiner que parecia ter começado a se desmanchar de repente.
– Como assim queimar no inferno? As pessoas não queimam no inferno a não ser que sejam más. – não era muito religioso, mas pelo menos tinha sido aquilo que seus pai haviam lhe falado.
– Eu sei, é que eu quero fazer algo tão ruim e errado que tenho certeza que vou para lá quando morrer.
Ficou em pé na frente dele e colocou a mão na sua bochecha a fim de ter uma noção sobre o calor dele, o recruta estava mais quente que o normal, mas não parecia febril embora estivesse mesmo aparente que ele não estava agindo como normalmente. O enfermeiro colocou o termômetro ao lado da xícara de café em cima da mesinha junto à cama e tornou a levar sua mão até o rosto de Heiner afim de mantê-lo olhando para si. A expressão dele não era das melhores, ele parecia estar remoendo algo dentro de si e sofrendo com isso, mas de alguma maneira parecia ter noção de que tudo aquilo era verdade, não negava mais, mas repudiava sentir aquilo.
– Heiner, do que você está falando? – indagou e os olhos dele se fecharam por mais segundos do que o necessário.
– Você. – ele murmurou, podia culpar Sven, mas sabia que ele não tinha culpa alguma se os sentimentos dentro de Heiner tinham ficado mais fortes e incontroláveis. – Eu gosto de você.
Ele afastou as mãos do enfermeiro e levou uma das mãos até o próprio rosto, esfregou os dedos nos olhos e não conseguiu abri-los de novo. Seu corpo queimava ansiando e clamando por toques, mas não só toques, ele queria o enfermeiro, queria Sven e queria tão desesperadamente que não podia mais negar nada.
– Heiner... – o enfermeiro arregalou os olhos e ficou imóvel por alguns minutos, deveria ter sentido uma enorme sensação de realização naquele momento, mas no momento a única coisa que sentiu foi o quão doloroso para Heiner foi dizer aquilo. Abaixou-se na frente dele e puxou sua mão para que pudesse ver o rosto dele de novo. – ...você não vai queimar no inferno por isso, gostar de alguém não é algo ruim.
– Não é gostar de alguém. – ele franziu o cenho de leve e algumas lágrimas se formaram no canto dos seus olhos, mas nenhuma delas caiu. – É gostar de outro homem.
– Isso não muda nada, é amor do mesmo jeito, não é errado e você com certeza não vai para o inferno por sentir algo bom. – tentou explicar para ele que não havia mal algum em desejar ser feliz com outro ser humano, seja ele quem fosse. Ajoelhado na frente dele daquela forma o enfermeiro o obrigava a abaixar levemente o rosto para fita-lo e Sven podia ver cada curva na sua expressão, cada tempestade dentro das íris. – Heiner, eu não sei o que te disseram ou o quanto te machucaram para enfiar isso na sua cabeça, mas não há mal algum em sentir amor, em desejar o bem, seja para quem for. Você vai para o inferno por fazer coisas ruins, como machucar as pessoas, amar não é algo ruim.
Ele ficou em silêncio, embora sua respiração estivesse rápida, seus olhos balançaram um pouco sem conseguir se focar em algo certo até que o rosto do enfermeiro pareceu realmente o local mais aconchegante. No entanto, Heiner não tinha certeza se estava acordado, estava doendo tanto que podia ser só mais um pesadelo então escorregou as orbes até a porta e percebeu que ela estava aberta. Nos seus pesadelos elas sempre estavam trancadas. Heiner sempre estava preso. Uma lágrima escorreu de um dos seus olhos e devido à gravidade acabou escorregando da sua pele e caindo na bochecha de Sven que parecia que a qualquer momento ia pegar o recruta no colo e sair correndo.
– Heiner, alguém machucou você, não foi?
A respiração dele ficou mais rápida por um segundo, mas antes que o recruta fizesse menção de se afastar Sven segurou seu rosto de novo, limpando o caminho deixado pela lágrima em seu rosto com o dedo.
– Uma vez Alessandra disse que queria casar comigo, eu acho que tinha seis anos, não me lembro direito, mas eu respondi que não queria me casar com ela, porque eu gostava de meninos. – começou e no pequeno intervalo que fez para resgatar as lembranças outras lágrimas escorreram. – Amélia me pegou pelo braço e me arrastou até a sala dela, me mostrou um vídeo de dois homens fazendo sexo e perguntou se era aquilo que eu queria. Sinceramente eu nem entendi o que aconteceu, eu não tinha a mínima ideia do que eles fizeram, mas eu os vi se beijando, então concluí que gostavam um do outro e respondi que sim, que era o que eu queria. Ela sorriu para mim e pegou um taco de baseball que estava atrás da sua mesa e me bateu tanto que eu não conseguia mais nem andar quando ela terminou. – ele soluçou e parou por mais um segundo. – Então ela me mostrou o vídeo de novo e perguntou se ainda era o que eu queria, mas eu respondi que não, que eu odiava aquelas pessoas.
– Heiner, você...
– Ela me dizia todas as noites antes que eu adormecesse, que o diabo viria me pegar se eu gostasse de meninos, que ia me jogar no fogo do inferno e que eu ia me queimar todo até ficar tão feio quanto um dos próprios demônios. – cortou-o, se tinha começado a despejar todas aquelas coisas em Sven então que fosse de uma vez só. – E também tinha um quarto que ficava no segundo andar, ela dizia para nós que era um portão para o inferno e quando alguém desobedecia ela trancava lá dentro no escuro, tinha...alguns animais empalhados lá dentro e por causa do escuro eles pareciam mesmo demônios e...toda vez que ela me trancava lá dentro eu gritava tanto e tanto tentando abrir aquela porta que uma vez ela disse “Por que está com tanto medo? Eles são exatamente iguais a você, é por isso que ninguém quer você, nem a sua mãe”.
– Não, Heiner, isso não é verdade. – limpou o restante das lágrimas que escorria pela bochecha dele. – O que ela fez com você foi muito errado, ela não estava falando a verdade, nenhum diabo vai vir te buscar porque o que você está sentindo não é errado e você não é igual a nenhum deles, você nunca vai ser. Eu quero você, ok? Eu quero muito você, só pra mim, para que eu possa te abraçar e dizer que te amo quantas vezes eu quiser.
Ele deixou mais algumas lágrimas caírem e entreabriu os lábios, mas não disse nada, apenas ficou tremendo enquanto olhava para Sven.
– Eu quero você, entendeu? – perguntou. – Por favor, me diga que sim, que sabe que não está sozinho, que entendeu que eu gosto de você.
Heiner meneou positivamente e limpou as lágrimas que ainda restavam em cima da sua bochecha, nem se lembrava mais da última vez que tinha chorado, porque isso sempre pareceu tão idiota e ridículo que a sensação de alívio que aquilo lhe proporcionou só pareceu ainda mais idiota. Levantou uma das mãos, ainda sentindo-a um pouco trêmula e hesitante, mas logo ela chegou até a bochecha de Sven e a tocou de leve, aquilo fez o enfermeiro quase sorrir exageradamente, mas o primeiro não foi nada comparado ao segundo toque que o fez perder os sentidos e cair em êxtase profundo. Heiner levou os lábios até os seus e permitiu ao enfermeiro experimentá-los, além de descobrir o quanto eles eram macios e molhados Sven também encontrou o leve gosto de café na boca dele enquanto o recruta segurava seu rosto como se não quisesse soltá-lo nunca mais. Sua língua explorava Sven como se tivesse encontrado algo muito valioso dentro dele, algo que não podia perder na pior das hipóteses e algo que ele queria aproveitar ao máximo enquanto o tinha para si daquela forma. Amélia disse que ele iria para o inferno se beijasse, se amasse um homem, mas quando sentiu os lábios do enfermeiro nos seus teve a singela impressão de que inferno era o que ele vinha vivendo até então. Era rejeitar e esconder seus próprios sentimentos, era fazer as pessoas que amava ficarem tristes, era agir como um idiota para se encaixar nos padrões da religião e nunca aceitar o que o fazia feliz, isso era o inferno, não amar alguém. Nada de ruim pode vir do amor, só do ódio.
Heiner manteve sua testa colada à dele mesmo quando seus lábios se separaram, até que sentiu aquele calafrio de novo, seu corpo não estava mesmo bem, tinha alguma coisa errada. Afastou-se de Sven de uma vez e fitou a xícara, imaginando se não tinha algo no café, mas não considerou a hipótese de que o enfermeiro tivesse colocado alguma coisa na sua bebida, ele não tinha coragem e nem era tão radical assim.
– O que foi? – ele perguntou receoso.
– Nada. – respondeu e desviou os olhos dos do enfermeiro. – É que eu ainda me sinto estranho.
– Estranho como?
– Eu...estou com calor. – relutou, suas bochechas ficaram mais vermelhas do que já estavam.
Sven olhou para ele tentando procurar alguma coisa errada, até que arqueou uma sobrancelha e entendeu.
– Até onde eu sei chamam isso de “excitado” e não “estranho”. – riu de leve e Heiner franziu as sobrancelhas.
– Eu não estou excitado, não dá pra ficar excitado só com um beijo, eu já estava assim antes, você colocou alguma coisa no meu café?
– Claro que não, nem fui eu que prepar... – interrompeu-se e olhou para a xícara vazia em cima da mesinha, por algum motivo uma imagem do Hans sorrindo veio imediatamente até sua mente.
O cozinheiro tinha facilitado um bocado as coisas para os dois, com Heiner excitado ele devia ter se sentido mais sensível por causa das reações químicas causadas por provavelmente algum estimulante sexual com uma suave ajuda das duas semanas de abstinência sexual e todos aqueles sentimentos confusos e inflamáveis dentro da cabeça dele. Eu amo esse Hans, pensou consigo mesmo e evitou dar um meio sorriso indecente.
– Bom, de qualquer forma isso deve passar logo. – Heiner bufou.
– Não vai. – o enfermeiro arqueou uma sobrancelha. – Não é algo causado pelo seu organismo, quer que eu te ajude?
– Se eu quero que... – fez uma expressão que misturou surpresa, constrangimento e uma pitada de medo e nervosismo. – Não! Ficou maluco? Não quero que me ajude, eu posso me masturbar sozinho, porra Sven!
O enfermeiro sorriu com a reação dele e levou uma das mãos até a coxa dele, não estava tão difícil, já estava ajoelhado na frente do recruta mesmo.
– Tem certeza? É tão entediante fazer isso sozinho.
– E eu achando que você prestava. – o recruta semicerrou os olhos e afastou a mão do enfermeiro da sua coxa.
– Eu presto. – confirmou levantando-se e enfiando as mãos nos bolsos do jaleco. – Não são só as pessoas imprestáveis que fazem sexo.
Heiner teve alguns segundos para pensar até que Sven virou-se de costas e fez menção de voltar para a sua mesa. Seja lá o que estava em seu café era algo que realmente o estava fazendo entrar em agonia com aquela ereção entre as pernas o incomodando e fazendo-o pensar em coisas indecentes.
– Espera, se nós fizermos isso eu vou ser oficialmente gay, não vou?
– Heiner, você já é oficialmente gay desde o momento em que se apaixonou por outro cara. – Sven arqueou uma sobrancelha. – O sexo é só uma consequência disso.
– Então eu já sou tão viadinho assim?
– Você me ama? – o enfermeiro perguntou.
– Sim.
– Então sim, você já é oficialmente um viadinho, gay, maricas, bicha, homossexual. – confirmou usando algumas das expressões pejorativas que aparentemente enchiam o vocabulário do recruta.
Heiner ficou um pouco surpreso com as palavras, mas mais ainda com o fato de no momento estar realmente pouco se fodendo para o que queria. Pensou mais um pouco e então uma questão veio à sua mente, algo com o que não precisava se preocupar quando transava com mulheres.
– Eu tenho que ser o passivo?
– Não. – Sven riu com a preocupação dele e voltou até a cama, sentando-se ao seu lado. – Isso não é algo fixo, podemos revezar, e eu posso só fazer um sexo oral se não estiver tão à vontade.
– Não vai ter graça se só eu for satisfeito. – ele balbuciou virando o rosto em outra direção, um pouco constrangido e Sven não conseguiu ficar sem sorrir de novo ao notar que ele também considerava isso e não só o seu próprio alívio. Murmurou algumas coisas consigo mesmo enquanto refletia e então de repente fitou Sven com um olhar sério que nem parecia pertencer ao cara que estivera chorando a alguns minutos atrás. – Certo, vamos fazer isso. Eu não sei como fazer, então você pode ser o ativo dessa vez.
Embora ele tenha tentado não ficar vermelho seu rosto corou violentamente quando ele disse aquilo, porque provavelmente era algo que o deixava mais que envergonhado e absolutamente algo que Heiner Traenkner nunca diria nem de brincadeira.
– Tem certeza?
– Não. – ele respondeu imediatamente. – Vai doer muito? Eu não gosto de dor e não acho que eu consiga me acostumar com ela, muito menos ser paciente.
– Você é muito sincero. – o enfermeiro suspirou, já tinha sim sido passivo algumas vezes, mas em nenhuma delas foi algo muito doloroso, principalmente porque estava calmo e porque em todas essas vezes ele tinha feito com alguém que gostava de verdade. Sven não fazia sexo com pessoas por quem não sentia nada. Olhou para Heiner, ele parecia tão nervoso que sequer escondia as mãos tremendo de leve. – Eu não sei...pode ser que doa um pouco...mas você pode me pedir para parar se achar que não consegue.
Embora não tenha sido a intenção de Sven, no momento em que ele disse “se achar que não consegue” Heiner se sentiu imensamente desafiado, e intimidado também, foi como se Sven tivesse golpeado sua masculinidade já ferida. Levou a mão até as barras da própria camiseta e a arrancou do corpo jogando no rosto de Sven.
– Eu consigo, babaca. – respondeu. – Vai fechar a porta.
Sven tirou a camiseta dele do rosto e a jogou em cima da sua mesa enquanto ia até a porta da enfermaria, seria muita falta de sorte se alguém aparecesse ali machucado durante as atividades proibidas entre os dois, mas era sexta-feira, se algum recruta se machucasse ele ia preferir mentir que estava tudo bem do que arriscar passar o final de semana ali por causa de algum ferimento idiota. Trancou a porta por via das dúvidas e depois voltou até sua mesa, tirou o jaleco que cobria seus ombros e o colocou em cima da cadeira, não havia problemas em jogar as roupas no chão, mas não queria arriscar sujar a peça branca. Lembrou-se também de outra coisa importante e pegou um vidro transparente na sua gaveta, a última das três, todas ficavam trancadas, obviamente.
– Isso é... – começou a dizer quando Heiner o fitou curioso.
– Não, não me conte, por favor. – o recruta o interrompeu no entanto.
Sven sorriu com o canto dos lábios e voltou até ele, colocou o vidro ao lado da cama e se sentou nela, colocando o pé em cima do joelho para desamarrar o coturno. Heiner o fitou com os olhos bem abertos e com um pouco de incerteza, mas deu à sua expressão um ar tão ingênuo que ele pareceu um cachorrinho fitando o dono retirar os sapatos para roê-los. Quando Sven olhou para ele o recruta desviou o olhar e ficou um pouco vermelho, o enfermeiro levou a mão até seu queixo para trazer seu rosto de volta e o beijou de novo, embora esse segundo beijo tivesse sido mais rápido e não tão calmo quanto o primeiro. O enfermeiro se inclinou sobre Heiner, deitou-o e ajoelhou-se com as pernas dele passando retas entre as suas, não o queria se movendo demais porque o tornozelo dele ainda estava se recuperando.
Findou o beijo e mordeu de leve o lábio inferior dele, surpreendendo-se quando Heiner lhe deu um selinho molhado no canto dos lábios, como se quisesse dizer que ainda podia reagir embora seu corpo estivesse imobilizado pelo de Sven. O enfermeiro roçou a boca nas bochecha áspera devido a barba, ainda tinha pontos que estavam levemente molhados e quando passou a língua nos lábios sentiu o gosto salgado das lágrimas, na verdade se olhasse com cuidado podia perceber que seus cílios também estavam grudados uns nos outros, encharcados. Moveu a boca até o lóbulo da orelha dele e a mordeu de leve descendo gradativamente até o pescoço, quando envolveu a pele macia dele com seus dentes sentiu as mãos do recruta se movendo e parando com as palmas contra seu peito, mas ele não fez nada além disso. Contudo, elas continuaram ali conforme Sven descia até um dos mamilos dele. Era como se uma parte dentro de Heiner ainda achasse aquilo muito errado o fizesse odiar a si mesmo tanto a ponto dele deixar as mãos prontas para empurrar o enfermeiro caso aquela parte o convencesse de que não deveria fazer aquilo. Sven não queria que aquela parte vencesse, mas quando sua língua tocou o mamilo esquerdo do recruta as mãos dele se fecharam agarrando o tecido da sua camiseta. O coração dele batia tão rápido que o enfermeiro podia ouvi-lo sem a ajuda de nenhum equipamento médico e o fez refletir sobre o que estava fazendo.
– Heiner, você quer que eu pare? – perguntou fitando os olhos dele.
– N-Não. – gaguejou.
– Mas você está sofrendo tanto...
– Eu estou bem. – garantiu para ele. – Juro.
Mentiroso, Sven pensou consigo mesmo, mas depois repreendeu a si mesmo, porque de certa forma era errado chamar Heiner de mentiroso uma vez que esse ato deveria ter um significado muito distorcido para ele, já que o recruta mentiu durante a sua vida para todo mundo sobre quem era, inclusive para ele mesmo. Deu um beijo em seus lábios e depois outro em cima da pinta abaixo da clavícula direita, só então voltando ao mamilo de antes que já tinha molhado de leve com sua saliva, mordeu-o brevemente enquanto deslizava sua mão até o abdômen dele, por um momento achou que ele realmente ia lhe empurrar, mas ao invés disso Heiner recolheu as mãos. O ato fez Sven se sentir mais confiante, porque achava que podia ser jogado no chão a qualquer momento com as mãos do recruta no seu peito. O enfermeiro enfiou os dedos sorrateiramente por dentro da calça dele e depois da cueca, mas não demorou para encontrar a ereção dele cuja ponta estava levemente molhada.
– Nossa, você está mesmo...
– Sven!
– Me desculpe. – o enfermeiro respondeu sorrindo de leve ao perceber o quanto ele tinha ficado vermelho e constrangido.
Quando Sven envolveu sua ereção com uma das mãos ele fechou os olhos e deixou os lábios levemente entreabertos, mas os fechou quando o enfermeiro começou a mover a mão de leve. Apesar de ter apreciado as reações dele como nunca tinha apreciado antes logo o Tenente achou plausível tirar a calça que o atrapalhava a fazer um movimento completo e a cueca junto com ela, achou que Heiner fosse manda-lo parar naquele momento, mas o recruta só tampou a boca e o nariz com uma das mãos e desviou o rosto junto com os olhos que pareceram olhar para um lugar distante. O enfermeiro resolveu tirar sua própria camiseta também e a jogou no chão, ela passou no raio de visão de Heiner e obrigou sua atenção e curiosidade a voltarem novamente os olhos até ele, deixando-o um pouco surpreso com a visão de Nikolaevich sem todo o tecido que costumava cobrir seu tronco.
Levou a mão livre até o ombro dele, havia alguns riscos avermelhados deixados pelo recruta na pele do pescoço dele, não conseguiu evitar de traçar um caminho com a ponta dos dedos até lá, mas sem conseguir verdadeiramente tocá-lo com firmeza. Seus dedos tremiam tanto que sua mão não encontrou nenhuma coragem para fazer algo além de encostar nele de leve. Sven desviou os olhos por um segundo, quase frustrado, contudo já tinha chegado até ali, não desistiria agora e nem deixaria Heiner fazer isso, mesmo que estivesse tão nervoso e inseguro. Segurou a mão dele e a apertou contra seu pescoço, arrastando-a posteriormente até seu peito e descendo até os músculos do abdômen, abandonou-a ali, e embora não estivesse mais apertando a mão do recruta contra sua pele sentiu como se ainda fosse assim, porque Heiner a deixou ali, segurando-o, embora tenha permitido que ela voltasse a passear pelo corpo do enfermeiro quando ele levou a mão de novo até sua ereção.
Heiner costumava ficar excitado quando fazia sexo com mulheres, porque obviamente estava sendo tocado em uma região que lhe dava prazer, mas quando sentiu Sven fazendo aquilo ao mesmo tempo que suas palmas das mãos lhe davam certeza de que seu parceiro era um homem, de que nunca teria seios ou curvas, que tinha um corpo igual ao seu, o recruta sentiu algo diferente do que costumava sentir. Quis entender o que era, mas Sven abaixou o rosto e tocou seu abdômen com os lábios, descendo de leve até a ponta da sua ereção e a enfiando na boca, nesse momento ele perdeu qualquer esperança de entender o porquê de estar sentindo algo tão diferente, algo tão bom. Uma das suas hipóteses era que aquilo poderia ser um efeito de qualquer coisa que tivessem colocado em seu café, mas parte das sensações eram mais reações no seu peito do que no restante do seu corpo em si, era como se o seu coração fosse uma grande fábrica e de repente alguém tivesse tido a incrível ideia de misturar todas as caldeiras, jogando raiva, medo, felicidade e mais um monte de sentimentos em uma única.
Balbuciou o nome dele bem baixinho, sem querer admitir que um homem podia fazer aquilo tão bem, sem querer olhar para ele e deseja-lo mais do que já tinha conseguido desejar uma mulher. Soltou um gemido e levou a mão até o ombro dele visando fazê-lo parar, estava tão excitado que não sabia se teria controle da própria ejaculação, poderia fazer isso nos lábios do enfermeiro sem ter a intenção e não queria imaginá-lo com líquidos óbvios escorrendo pelo queixo, parecia mais êxtase do que a pequena fábrica de sensações em seu peito conseguia criar, mesmo com todas as caldeiras tão distintas.
– E-Eu não sei se posso me segurar se você c-continuar. – disse para o enfermeiro quando ele parou e o fitou curioso.
– Bom...então não se segure. – sugeriu.
Heiner não soube exatamente o que responder naquele momento, mas Sven não voltou à sua ereção imediatamente, primeiro despejou um pouco daquele líquido transparente na mão e molhou os dedos nele. Ao mesmo tempo em que o recruta sentiu seu membro sendo envolvido pelo calor da boca dele também se arrepiou quando o líquido gelado o tocou em partes inexploradas do corpo, o fez engolir seco e desviar as íris dos cabelos cor-de-noz que antes fitava com tanto gosto. Sven o massageou de leve, percebendo que parecia impossível qualquer chance de caber ali dentro, mas estava com tanta vontade de experimentar que aquilo pareceu só um detalhe por um momento. Forçou o indicador contra a entrada dele e percebeu que o garoto se contorceu um pouco somente com a ameaça de se inserir ali, mas não parou até que a ponta do seu dedo estivesse envolvida dentro dele. Ele soltou um gemido de repreensão e aumentou o tom gradativamente enquanto Sven abria caminho com seu dedo indicador, aquilo lhe causou certo incomodo, mas foi algo suportável até o enfermeiro resolver que um dedo não era o suficiente e empurrar outro para dentro. Mas tinha dito que suportaria, por isso engoliu qualquer gemido e reclamação exagerada e cerrou os dentes. Tentou se concentrar nos movimentos com a língua que seu superior fazia ao redor da sua glande, aquela sensação era quase boa o suficiente para mascarar a outra.
Esperou até o garoto se acalmar um pouco mais e moveu os dedos de leve escutando imediatamente um “Que droga, Sven!” entre gemidos e quis sorrir com a reação dele que foi deveras um pouco engraçada. Ele estava tão apertado por dentro que mesmo para somente os dois dedos do enfermeiro a tarefa de fazer alguma coisa parecia impossível, primeiramente então tentou só deixar o ambiente mais confortável curvando os dedos de leve e massageando a próstata do recruta, a maioria dos homens sentia algum prazer ao ser tocado ali, mas se Heiner tinha sentido algum ele não deixou Sven saber, pois só reclamou durante alguns minutos até que a energia do pré-ápice começou a se acumular em seu abdômen e deixa-lo mais relaxado. O enfermeiro retirou a ereção dele da boca quando sua língua foi envolvida com o gosto amargo do fluído de Cowper, se Heiner chegasse ao seu ápice então voltariam ao estado inicial e ele estaria tão apertado quanto antes.
Afastou-se dele tirando seus dedos também do interior do recruta e se sentou na cama avistando nele certo alívio por estar livre. Teria dito que os dedos eram muito menos dolorosos do que vinha a seguir, mas não quis cortar o barato do recruta então só ficou calado. Ficou em pé ao lado da cama e tirou o cinto que prendia suas calças abaixando-as junto com a cueca, quando se livrou da roupa abaixou-se para pegar o vidro de lubrificante e depois de despejar mais na mão que já estava levemente molhada colocou-a em cima da própria ereção para espalhar o líquido sobre ela. Sentou-se na beirada da cama e continuou os movimentos por mais alguns segundos até ter certeza que já tinha o suficiente. Quando virou-se na direção de Heiner de novo ele virou o rosto para o lado como que tentando disfarçar que não estava olhando para o enfermeiro que riu de leve com o ato infantil, não havia problemas em olhar indiscriminadamente um para o outro daquela forma uma vez que estavam fazendo sexo.
Inclinou-se sobre ele e mordeu sua bochecha de leve devorando seus lábios depois, Heiner o retribuiu com um pouco mais de afinco que os anteriores, poderia ter sido porque estava mais calmo ou mais excitado naquele momento, mas algo dizia a Sven que era uma forma do subconsciente dele dizer ao enfermeiro que estava com medo, uma forma de tentar agradá-lo ao máximo para que não o machucasse, embora muito provavelmente o próprio Heiner não tenha percebido isso. Após separar seus lábios dos dele ajoelhou-se entre as pernas do garoto e levou as mãos até as coxas dele para separá-las mais, no entanto foi logo repreendido.
– E-Espere. – ele pediu e demorou alguns segundos para conseguir continuar. – E-Eu quero fazer de outro jeito.
– Claro. – respondeu, não costumava ter uma posição específica que ele gostava e se daquele jeito não estava confortável para Heiner então poderiam fazer em qualquer uma em que ele ficasse.
O garoto meneou positivamente e se ajoelhou de costas primeiro depois distribuindo o peso do corpo nas mãos também, de quatro. Oh. O enfermeiro arqueou uma sobrancelha, daquele jeito o ato parecia muito mais tentador e cheio de pecados. Aproximou-se dele encostando sua ereção nas nádegas do recruta e se debruçou sobre ele para alcançar seus braços, dobrou-os e obrigou Heiner a ficar apoiado nos cotovelos, dando-lhe mais que apenas uma bela visão do corpo do recruta, como de repente a sensação de poder tocá-lo onde quisesse e do modo que quisesse sem temer ser repreendido. Manteve-se ajoelhado e roçou seu membro de leve entre as nádegas do recruta algumas vezes antes de finalmente guia-lo até a entrada do garoto. Apertou a glande contra a pele de Heiner e ele soltou um gemido que provavelmente teria sido mais alto se ele não o tivesse contido, contudo Sven continuou mesmo assim, lentamente colocou-se dentro do garoto até que em determinado momento ele levou uma das mãos até sua coxa e o impediu de avançar mais.
– Eu não consigo. – disse.
O enfermeiro o fitou com certa dó nos olhos, mas ao mesmo tempo teve de se repreender por ter achado a situação do recruta no mínimo provocante, ele estava um pouco trêmulo e sua respiração estava tão rápida que ele podia perceber seu peito indo e vindo conforme o ar entrava e saía, algumas lágrimas se acumulavam no canto de seus olhos e ele gemia de uma forma que Sven não escutava a muito tempo. Heiner também o apertava tanto que mesmo sem se mover conseguia sentir-se tão excitado como se estivesse.
– Tem certeza? – perguntou esperando que ele mudasse de ideia.
Ele esperou alguns segundos como se refletisse e então recolheu sua mão e puxou o travesseiro até o rosto enfiando-o nele. Sven levou a mão até seus ombros e os massageou um pouco subindo-as até as nádegas de Heiner, apertou-as de leve e o segurou pela cintura colocando um pouco mais de si dentro dele, o recruta soltou um gemido em tom de voz normal dessa vez, embora tenha sido um pouco abafado pelo travesseiro. Não esperou muito e logo colocou o que faltava dentro do garoto sem devaneios, embora o tenha ouvido soltar um gemido choroso e rouco.
– Por favor, devagar. – o recruta disse no momento em que o enfermeiro parou por um segundo dando-lhe tempo para que ele respirasse.
Heiner sentiu que seu pedido tinha chegado até Sven, e sido acatado, porque ele parou por alguns minutos, como se lhe desse tempo para controlar todos os instintos que mandavam o recruta expulsar o enfermeiro de entre as suas pernas, gritando que aquilo só o estava machucando. Heiner parou de respirar brevemente e então reiniciou o ciclo de ar dentro do seu corpo mais uma vez, dessa vez tentando não ofegar ou se atropelar no ar que colocava dentro dos pulmões. As mãos de Sven seguravam seu quadril com força, embora não exagerada demais, como se ele o quisesse ali, mas não tentasse prendê-lo para o caso de mudar de ideia. O ato podia até então estar sendo somente desconfortável, mas saber que era o enfermeiro quem Heiner estava recebendo o fazia se sentir melhor, o fazia convencer a si mesmo de que aquilo não era nada que não pudesse ser suportável desde que Sven continuasse ali com ele. Levou sua mão até a própria cintura procurando pela dele e a segurou, o que causou certo espanto em Sven, mas o enfermeiro logo se inclinou de novo em cima do recruta e o beijou de leve no ombro apertando-o com a mão que ainda tinha livre contra seu próprio corpo.
Heiner se arrepiou com o toque e sorriu com o canto dos lábios ao ser coberto pelo calor do enfermeiro que cobria suas costas, mas logo engoliu a expressão quando Sven se moveu de leve e soltou alguns baixos gemidos. Contudo o enfermeiro pareceu ter notado que o tinha agradado com as carícias e permaneceu naquela posição, segurando o recruta com uma das mãos na cintura e a outra em seu abdômen apertando as costas dele contra seu peito. Ele estava quente, talvez levemente febril e quando Sven tocou seu ombro com a ponta da língua e a arrastou até o pescoço dele o recruta estremeceu e sussurrou seu nome de leve em meio aos gemidos que reclamavam por causa dos movimentos embora tenha logo parecido se acostumar com eles. Tornou-se menos rígido e apesar de não deixar de apertar o enfermeiro, Heiner não parecia mais querer empurrá-lo com tanto desespero quanto antes.
Em algum momento a dor deixou de ser manifestada com tanta ênfase pela boca dele e passou a soltar periodicamente alguns sons bastante eróticos que obrigaram Sven a aumentar um pouco seu ritmo. Quando Heiner soltou sua mão de repente e a levou até a própria boca apertando-a com força o enfermeiro achou que o tivesse machucado, mas ao mover um pouco sua própria mão no abdômen dele percebeu que sua pele estava molhada com várias gotas de líquidos óbvios.
Mordeu de leve as costas do garoto e riu de leve com um pouco de orgulho por Heiner ter chegado ao seu ápice sem precisar se masturbar, mas o recruta rapidamente franziu o cenho e ficou bastante vermelho tentando negar que todo seu corpo tremia e se arrepiava a cada toque daquele idiota. E mais ainda tentando fingir que não sentia uma grande plenitude correndo por suas veias enquanto Sven se movia dentro de si, massageando com toda a calma e paciência que o ato podia proporcionar aqueles músculos virgens e mais ainda um certo ponto especial que Heiner ainda não tinha entendido como era possível aquilo lhe dar algum prazer, tanto prazer. Ele diminuiu seu ritmo de repente e arranhou o peito do recruta de leve enquanto puxava sua cintura para mais e mais perto do seu abdômen, naquele momento Heiner decidiu que queria muito ouvir mais daqueles gemidos que Sven soltou quando chegou ao seu ápice, e senti-lo tendo todos aqueles espasmos e apertando seu corpo como se quisesse uni-lo ao seu próprio.
Então ficaram imóveis por um momento, apenas apostando entre si qual dos dois estava com a respiração mais pesada, mas depois de um empate técnico Sven deitou sua testa à nuca do recruta e deixou a respiração quente que saía dos lábios pairar por aquela região por alguns segundos antes de conseguir alguma coragem de verdade.
– O que eu vou fazer se você acordar amanhã arrependido e me odiando? – ele perguntou baixinho, em um tom quase choroso que surpreendeu Heiner subitamente.
– Tá me zoando? – indagou com escárnio. – Acha que eu deixaria você comer minha bunda se não tivesse certeza disso?
– Então...você gosta mesmo de mim...?
– É. – foi o máximo que seu orgulho lhe permitiu dizer, embora no fundo Heiner tivesse muitas palavras esperando para serem ditas. Talvez no futuro.
O recruta olhou para os braços e não conseguiu acreditar que os tinha treinado tanto para agora eles simplesmente estarem tremendo diante de uma situação daquelas, não tinha pagado tantas flexões na sua vida para não conseguir se manter de quatro em cima de uma cama, embora esse não tivesse sido o objetivo inicial dos seus músculos. Estava pronto para perguntar a Sven se ele pretendia ficar parado para sempre quando sentiu algo molhando sua pele na nuca.
– Ah, Sven, você está chorando? – riu e depois acrescentou com mais sarcasmo. – Você é muito viadinho, não é macho o suficiente para me comer, retire-se da minha bunda agora.
– Eu sei. – disse ao se lembrar de que Hans tinha dito algo do tipo. – Eu sei.
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