Damage
28 Capítulo 28
Notas iniciais
– Você quase me causou muitos problemas agora, eu estaria muito encrencado se o zelador o visse. – sussurrou enquanto seus dedos passeavam pela bochecha dele até chegar ao queixo. – Você não quer que eu fique encrencado, quer?
O cozinheiro-chefe enfiou a mão no bolso e tirou o maço de cigarro, puxando um deles e o levando até a boca. Levou a mão até a caixa de fósforos jogada no balcão em meio a alguns potes com temperos coloridos e pela metade na grande parte, pegou três de uma vez e os riscou na lixa da lateral.
– Eu espero que não, porque desejar coisas más é pior do que ser um garotinho mau. – comentou enquanto acendia o cigarro com os fósforos e quando o fez somente soltou os três que caíram ainda acesos em cima do abdômen de Samuel.
O garoto soltou um gemido mais audível e se contorceu de novo na tentativa de fazer os fósforos caírem, mas eles continuarem em combustão em cima da sua pele queimando-a vagarosa e dolorosamente enquanto ele soltava lamentos e fitava Hans com os olhos apertados, pedindo por algum auxílio.
– Você sabe, garotinhos maus precisam ser corrigidos. – levou o indicador até a boca molhando-o em saliva e apertou os fósforos contra a pele avermelhada apagando-os enquanto Samuel se contorcia em repreensão do ato. – E eles são como cãezinhos, não aprendem com castigos ou longas conversas.
Hans tirou o cigarro da boca com uma das mãos e libertou a fumaça que estava guardada dentro dos pulmões sem deixar de fitar Samuel, cuja atenção foi desviada para a vermelhidão dolorida no abdômen e a pequena marca preta deixada no local onde Hans apertou os fósforos.
– Nós corrigimos garotinhos maus e cachorros com dor. – conseguiu a atenção dele e um bônus no aumento dos batimentos cardíacos e respiração.
Levou o cigarro até a boca de novo e trouxe bastante fumaça para dentro da boca dessa vez, abaixou-se próximo ao rosto dele quase tocando seu nariz ao dele e soltou a fumaça, Samuel instintivamente virou o rosto para o lado para evitar se engasgar com a fumaça já que estava impossibilitado de tossir.
– Me diga, Samuel, você é um garotinho mau? – indagou levantando-se de novo enquanto ele tentava encontrar algum ar para respirar.
O garoto balançou a cabeça negativamente com os olhos molhados devido a fumaça o que deu a eles um brilho maior.
– Mentiroso. – respondeu imediatamente afundando a ponta do cigarro no peito de Samuel e o torcendo até que se apagasse completamente e um sorriso se formasse no seu próprio rosto com o choramingo dele e a expressão de dor em seu rosto que ele tentou esconder sem sucesso. – Você é um garotinho mentiroso que precisa ser adestrado.
Empurrou o cigarro apagado para longe e os fósforos junto com ele. Levou os lábios até o pescoço dele e roçou os dentes de leve em sua pele, fazendo arrepiar-se e soltar um leve lamento. Samuel tinha pele demasiada macia para um garoto, cheiro suave e um gosto levemente adocicado como chantilly, o olhar ingênuo e assustado que lhe transmitiu no momento em que Hans apertou os dentes contra sua pele e a respiração rápida e nervosa obrigaram o cozinheiro-chefe a se render ao rostinho angelical. O ruivo levantou-se de novo, separando a boca do pescoço dele contra sua vontade, mas para o alívio de Samuel que por um minuto achou que o tivesse feito desistir. Estava enganado.
Seu corpo estava pressionado contra a parede atrás do balcão e o de Hans o impedia de cair, suas pernas abertas com o cozinheiro entre elas proporcionava-lhe certa sensibilidade ao que estava na virilha do ruivo. Os olhos azul-acinzentados dele o fitavam de forma assustadora, que o fez se encolher e sentir-se ainda menor, então quando sentiu uma das mãos dele percorrendo sua coxa e a apertando soltou um grunhido e estremeceu, podia sentir algo mais o tocando. Tentou afastar-se, mas não conseguiu fazer mais que apenas contorcer-se e apertar mais ainda seu corpo contra o de Hans que esboçou um meio sorriso ao notar o esforço do menor para se livrar dele e subiu a mão da coxa do garoto até o botão da calça. Assim que percebeu os dedos do ruivo chegando a uma área estritamente proibida Samuel soltou um gemido mais alto, não conseguia falar com a fita na boca então a única coisa que podia fazer era soltar grunhidos e sons indistintos.
– Se eu quisesse ouvir sua opinião não teria te amordaçado.
Deixou de fitar os olhos dele e abriu sua calça rapidamente, puxando-a até os joelhos, Samuel vestia uma cueca box preta que junto à pele branca o fazia parecer ainda mais tentador. O recruta contorceu-se mais um pouco enquanto soltava grunhidos que pareciam formas primitivas de palavras enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro com os olhos fechados.
Hans apertou o que estava por baixo do tecido e aproximou seu rosto do de Samuel, fitando-o de perto e com a testa franzida.
– Se não parar de reclamar eu vou colocar minha boca aqui. E morder. Com força. – ameaçou. – Entendeu?
Ele não respondeu, apenas o fitou com os olhos arregalados como o de um bovino esperando a pancada na cabeça enquanto sua respiração rápida fazia o peito subir e descer. Hans apertou com mais força e ele fez uma careta cerrando os olhos e soltando lamentos audíveis.
– Eu perguntei se entendeu. – lembrou-o enquanto o rosto do garoto ficava vermelho.
Ele balançou a cabeça positivamente de um modo um pouco frenético e quando o ruivo o soltou deitou a cabeça de lado com um suspiro aliviado e permaneceu imóvel.
– Que bom que chegamos a um acordo. – sorriu e afastou mais as pernas dele, sem ouvir nada mais que sua respiração mais acelerada.
Desamarrou os coturnos e os retirou para que pudesse arrancar a calça dele e depois de feito isso levantou-se arrastando a palma da mão sobre a pele dele até voltar novamente ao ponto de partida. Seus dedos roçaram as bordas da cueca e então ele a puxou para baixo até tirá-la e jogá-la em cima das calças do garoto, nesse momento Samuel soltou um breve suspiro, mas nada além disso.
Também não ousou se mover ou tentar chutar o rosto do ruivo, porque poderia ter feito isso quando ele puxou uma de suas pernas e a colocou em cima de um dos ombros enquanto empurrava a outra para poder alcançar sua entrada. Ele tinha mesmo acatado suas ordens de ficar quieto, ou só estava realmente acreditando na sua ameaça, ou simplesmente tinha desistido de lutar. O cozinheiro-chefe desamarrou o avental da cintura e abriu o botão da calça juntamente com o zíper, mas não fez nada além disso. Samuel havia cerrado os olhos com força, como se esperasse por uma facada, seus cílios estavam molhados e por um minuto Hans imaginou se ele tinha fechado os olhos porque não queria vê-lo ou porque não queria que o ruivo o visse chorando.
– Você é ridículo. – resmungou enquanto tirava a panturrilha dele de um dos ombros, queria ouvir os gemidos dele e não ver suas lágrimas.
O cozinheiro sentia-se atraído pelo garoto, pelas nádegas redondinhas e pelo rosto angelical, mas também gostava da personalidade controversa de Samuel, gostava dele, machucar sua carne era algo aceitável, machucar seus sentimentos não. Cuspiu na palma da mão e a levou até o membro de Samuel, inerte até o momento, mas não precisou masturbá-lo por muito tempo para que tivesse algo mais consistente entre os dedos, ele não deveria fazer aquilo com frequência já que ficou duro tão facilmente. Os olhos dele se abriram, curiosos, mas Samuel procurou não fitar Hans, com um pouco de vergonha por estar sendo tocado tão intimamente por ele.
O ruivo parou de repente e curvou-se sobre o abdômen do recruta que se arrepiou ao sentir a respiração quente dele descendo vagarosamente do umbigo até a ereção e a abocanhou. Samuel nunca tinha recebido e muito menos feito sexo oral, na verdade não tinha tido nenhuma relação sexual desde que nascera, as garotas costumavam preferir os garotos mais másculos e o recruta se desvencilhou de todos os homens que insinuaram algo, portanto a sensação de estar sendo tocado ali por outra pessoa além dele mesmo era ao mesmo tempo tão nova e forte que só percebeu que as mãos do ruivo seguravam suas nádegas quando ele as apertou. Soltou um gemido curto e delicado, mas Hans parou de repente e apesar de ter tentado desviar sua atenção o recruta não conseguiu deixar de olhar para os lábios molhados do ruivo. Ele enfiou o indicador na boca momentaneamente e depois o levou novamente à nádega de Samuel, mas desvencilhando-se dela e seguindo até o apertado anel cor-de-rosa.
O toque molhado naquela região fez Samuel instintivamente recuar, embora isso não tenha surtido efeito já que de toda forma Hans acabou conseguindo com algum esforço colocar a ponta do dedo dentro do garoto que tremeu e soltou um gemido mais alto.
– Sem escândalo, é só um dedo. – Hans disse com escárnio e isso não confortou o menor de maneira alguma. – Quanto mais apertar pior vai ser.
Ele terminou de dizer aquilo e lambeu uma gota de saliva que escorria pela ereção de Samuel e então tornou a coloca-la na boca, aquilo de alguma forma o fez se acalmar um pouco, mas independente do quanto estivesse resistindo o cozinheiro empurrou o dedo para dentro lenta e dolorosamente. O recruta não via porque tocar aquela área se ela era tão dolorida e sensível e obviamente não tinha sido feita para tais propósitos, mas tentou desviar sua atenção para o prazer proporcionado pela língua de Hans. Conseguiu ficar em silêncio obedecendo ao pedido do ruivo, mas ele teve a incrível ideia de puxar seu dedo para trás e depois para dentro de novo o que obrigou Samuel a soltar um gemido de dor com o movimento.
Jogou a cabeça para trás, imaginando por um momento se o ruivo estava falando sério quando disse que iria mordê-lo, provavelmente não já que ele estava tendo a chance perfeita e seus dentes nem mesmo roçavam Samuel. Mas sua entrada ardia, estava mesmo doendo, igualmente as duas queimaduras na pele ainda latejavam, suas costas deveriam ter ainda uma marca avermelhada de onde Hans o tinha chutado, tudo misturava-se dentro de si e por um momento aquela dor podia ser confundida com o prazer. As queimaduras doíam tão maciçamente quanto o dedo de Hans cutucando seu interior, mas Samuel deveria estar com algum desvio de sentidos já que tudo parecia ser a mesma coisa que a língua de Hans movendo-se em sua ereção. Tão bom, pensou consigo mesmo considerando que era a primeira vez que sentia algo tão intenso e prazeroso ao mesmo tempo.
O ruivo arranhou a coxa enquanto arrastava a mão das nádegas dele até a parte de trás dos joelhos, soltou-o momentaneamente e deu-lhe um tapa na região deixando-a avermelhada e com a marca exata de seus dedos e palma da mão. Samuel estava mais relaxado agora, já não empurrava Hans para fora com tanta força, mas não parecia tão incomodado com isso mais já que gemia como um cachorrinho no cio. O ruivo quis rir, roçou os dentes de leve na ereção dele e observou vários espasmos percorrendo o pequeno corpo de Samuel. Oh. Separou a boca da ereção dele, um pouco surpreso, mas continuou movendo o dedo dentro dele e o recruta pareceu sequer nem perceber a mudança.
Levou a mão livre até o abdômen dele e circulou com o indicador a área avermelhada onde tinha deixado os fósforos cair e então apontou para o centro da queimadura e a apertou como um garotinho malvado que enfia o dedo dentro do bolo da mãe. Samuel contorceu-se e soltou um gemido de dor alto, mas assim que Hans ameaçou arranhá-lo ali com a unha do indicador o garoto soltou um suspiro e pintou o próprio abdômen com gotas brancas e pastosas.
Hans riu de maneira vitoriosa e retirou seu dedo de dentro do recruta que ofegava imóvel em cima do balcão. Arrancou a fita da boca dele para que o garoto pudesse respirar por ela também e Samuel apenas fez isso, não disse uma palavra ou pedido de ajuda mesmo estando novamente com a língua livre. O cozinheiro abaixou-se até conseguir alcançar o pescoço dele e o mordeu até sentir um suave gosto férrico na boca, então levou os lábios até o ouvido de Samuel.
– Você é meu. – sussurrou como se fosse uma ameaça. – Entendeu?
– Sim, senhor. – Samuel disse imediatamente, embora com voz rouca e boca um pouco seca. Era melhor concordar logo com qualquer coisa que ele dissesse antes que o maníaco decidisse repetir a brincadeira.
O ruivo arqueou uma sobrancelha e afastou um pouco se rosto do pescoço do garoto, para fita-lo bem de perto. Uma das suas mãos escorreu até o abdômen molhado dele e lambuzou o dedo indicador e médio na substância esbranquiçada que o próprio Samuel tinha deixado ali. Segurou o queixo do recruta com uma das mãos e levou os dedos molhados até os lábios dele, enfiando-os sorrateiramente dentro da sua boca.
– Fico feliz que concorde com as minhas condições, não existem muitas pessoas que gozam sentindo dor, Sam. – afirmou enquanto lutava com a língua do garoto e as caretas em seu rosto de recusa ao que Hans tinha enfiado na sua boca.
O garoto permaneceu em silêncio, permitindo-se apenas cerrar o cenho, contrariado. No fundo sabia que o cozinheiro tinha razão, ele tinha mesmo de alguma forma gostado da dor que o imbecil lhe infligira, mas isso era tão repugnante que ele não se atreveria a admitir.
Tinha ficado bastante assustado quando Hans começou aquilo, porque achou mesmo que iria ser violado por aquele idiota, mas sua mente não conseguia mais processar a imagem do rosto do ruivo sem se lembrar imediatamente do prazer que ele tinha lhe proporcionado. Mesmo que tivesse sido doloroso no começo em algum momento daquilo tudo a dor se tornou estranhamente agradável a ponto de Samuel ter a audácia e luxúria de desejar mais daquilo.
– P-Por que eu...? – perguntou em tom baixo
– Porque você é bonitinho, arrogante, covarde e um pouco rebelde. – passou a mão pela sua têmpora até chegar a sua bochecha e segurou o rosto dele de modo que o garoto o fitasse. – E você não tem ideia de como seus gemidos são provocantes.
Samuel fitou os olhos acinzentados de Hans, sem conseguir compreender ao certo sua resposta, o cozinheiro estava tão próximo que o menor conseguia sentir a respiração quente dele em seu rosto. Os lábios dele estavam tão próximos, quase podia sentir a textura deles na sua pele, em sua própria boca. Fitou aflito o cozinheiro, não sabia se Hans já tinha notado que de certa forma ele tinha razão em dizer que Samuel era uma virjão, porque ele era mesmo, bom, o ruivo aparentemente não notou isso porque continuou avançando em direção aos lábios do garoto.
Quando Hans o prendeu e começou a despi-lo o garoto com certeza ficou assustado, mas nada se comparava ao pânico que invadiu seu ser quando percebeu mesmo que ia ser beijado, não porque Hans era um homem, porque era sádico ou porque era seu superior, mas porque ele nunca tinha feito isso. Qualquer pessoa normal estaria preocupada com o que o cozinheiro tinha feito anteriormente ou no que planejava fazer, mas Samuel só conseguia pensar “O que eu faço com a minha língua?” ou “Será que estou com mau hálito?”. Estava completamente desesperado.
– H-Hans! – interrompeu-o quando ele estava a menos de milímetros da sua boca e o ruivo ficou surpreso não por ter sido cortado, mas por Samuel tê-lo esperado chegar tão perto para impedi-lo. – E-Eu n-nunca fiz i-isso.
– Nunca beijou um homem? – isso era normal.
– N-Nunca beijei n-n-ninguém. – confessou, vermelho, suas bochechas queimavam como se tivesse sido despejado água quente em seu rosto.
O cozinheiro arqueou as sobrancelhas, espantado, sabia que o garoto era tímido e retraído, mas jamais imaginou que chegasse a esse nível.
– Para tudo há uma primeira vez. – concluiu depois de alguns breves segundos querendo bater na cara de Samuel para fazê-lo se dar conta do que esteve perdendo todos esses anos.
– N-Não! – impediu-o de novo. – Não pode ser assim...t-tem...que ser e-especial.
– Samuel, eu praticamente te violei agora, quer uma ocasião mais especial que essa? – aquilo era verdade, afinal, não é todo dia que se faz algo assim contra sua própria vontade. – Além disso, sinto que acabei de ganhar na loteria, sabe como é difícil encontrar alguém como você que ainda não dormiu com cinquenta caras diferentes? – o cozinheiro tinha mesmo as pontas dos dedos formigando, Samuel era algo raro e ele se sentia extremamente tentado sabendo que cada pedacinho de pele do garoto jamais tinha sido tocado por ninguém. Era como ganhar um brinquedo novinho. – Eu quero seu primeiro beijo.
Samuel entreabriu os lábios de leve, para dizer a ele que não daria seu primeiro beijo em um maníaco como ele, mas Hans o fitava de uma forma tão intensa e carnal que parecia haver algum calor envolvendo o garoto, tornando-o tão pequeno e frágil que por um momento ele se sentiu um pequeno ratinho sendo encarado por uma raposa que refletia de que forma o devoraria. Estava estampando nas íris azuis dele, iria devorá-lo, de uma forma ou de outra, só cabia a Samuel aguardar por isso e no mínimo tentar acalmar os dentes do ruivo.
– Eu... – engoliu seco. – ...você pode ter meu p-primeiro beijo, só...não quero que seja agora, t-tudo bem?
Hans soltou um longo suspiro, puxou a cueca e as calças do recruta para vesti-lo novamente e uma vez feito isso o colocou sentado em cima do balcão, ele não disse nada enquanto o cozinheiro fazia isso e não se atreveu a falar quando ele o fitou por alguns segundos e virou-se de costas. Samuel olhou para as costas dele curioso, imaginando pelo que o ruivo procurava enquanto condenava e amaldiçoava Damien por mudar as coisas de lugar toda vez que entrava naquela cozinha. De repente puxou uma faca da base de madeiras e fez Samuel querer retomar o plano de sair correndo daquele lugar ou mesmo gritar agora que sua boca estava livre.
Não fez nada.
Observou com a boca seca e coração acelerado enquanto ele se aproximava, mas não fez nada além de piscar os olhos algumas vezes enquanto ele se aproximava novamente. O cozinheiro-chefe segurou seus cabelos com força puxando seu rosto para trás e Samuel permitiu-se soltar um baixo e curto lamento enquanto cerrava os olhos. O metal gelado escorreu sobre a pele do recruta como água fria, avivando seus sentidos e fazendo os pelos se arrepiarem, mas a ponta afiada parou do lado esquerdo do seu peito, um pouco acima do mamilo.
– Tudo bem. – Hans disse enquanto seus olhos permaneciam presos na ponta da faca sobre a pele de Samuel, a respiração dele estava rápida e talvez mesmo que o próprio garoto não percebesse a cada vez que inflava seus pulmões estava empurrando a pele contra a lâmina. – Eu vou confiar em você, porque sei que você não quer ser mau, não é?
Os lábios de Samuel formaram um “Não”, embora a voz tenha saído misturada a um pequeno protesto quando sentiu o calor do seu corpo sendo invadido pelo aço gelado. Além do sangue quente escorrendo em pequeninas gotas ele também sentiu a lâmina acompanhando-as, depois ela afastou-se brevemente para passear em outra linha paralela a primeira que havia sido traçada.
– D-Dói! – gemeu baixinho.
O ruivo não fez nenhum comentário a respeito daquilo, apesar de ter ideias, virou a lâmina e fez um último traço horizontal, arrancando um lamento de reprovação um pouco mais alto por parte do garoto. Soltou seus cabelos e fitou seu corpo por alguns instantes antes de direcionar seu olhar para o rosto dele, a pele clara tinha se tornado rosada, irritada nas regiões tocadas bruscamente pelo ruivo, mas nenhuma dessas marcas se comparava à vermelhidão excessiva das queimaduras em seu abdômen e peito, à mordida que tinha deixado a pele alva do pescoço dele levemente arroxeada e o último ato que foi o que fez o seu sangue novamente escorrer todo até a virilha. O mamilo esquerdo do garoto estava levemente molhado com o líquido pastoso que escorria dos cortes recentes que apesar de deixarem algum carmesim escorrer como tinta em um quadro molhado não tinham sido muito fundos, com sorte Samuel não teria nem mesmo uma cicatriz ali, mas aquela imagem ficaria para sempre na cabeça de Hans.
Samuel ameaçou abaixar o rosto para olhar para si mesmo, mas o ruivo segurou seu queixo e não permitiu que ele se abaixasse, o rosto do garoto provavelmente era a única região que permanecia tão intocada, branca, pura. Levou a mão até o mamilo dele, apertou-o de leve e depois tocou a bochecha do recruta com o indicador, deixando uma pequena bolinha vermelha ali.
– É para que não se esqueça, que pertence a mim. – disse, alto e firmemente, como um lobo que uiva para avisar aos que escutam que aquele é seu pedaço de terra.
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