D Rudra
3 Bob's
Notas iniciais
Os irmãos se levantam ambos vestem suas respectivas jaquetas. A de Aiden azul, e a do Belphegor, vermelha.
–Belphegor, você também vai atrás do papai?
–Não tenho mais pai. E nem mãe.
Ele vira as costas e sai, rumo ao nada.
–Hey, Aiden. Até mais, filho da puta.
–Eu sou seu irmão, porra!
–Então até mais, puto da mãe.
Ambos continuam caminhando, um de costas para o outro, até não poderem se ver além da linha do horizonte.
–Aiden seu idiota, você não pode fazer isso, eu terei que... Eu não sei.
Belphegor para em uma casa, aparentemente abandonada, tinha estilo rústico, um grande quintal, dois andares, e o mais importante, ficava do lado de um Bob’s. Sim, o milk shake é muito mais importante do que um lugar para ficar.
Como Belph saiu do orfanato sem nem ao menos fala com a Cleary, não tinha dinheiro nenhum. Mas tinha uma casa abandonada do lado, que acho que agora tem dono.
Na maior cara de pau, Belph entrou, subiu as escadas e viu a sala, totalmente mobiliada, e um quadro gigante na parede esquerda. Era um homem, aparentava uns quarenta anos, mas com cabelos grisalhos, uma barba bem curta, vestido com um terno preto, gravata e camisa cor de vinho. Estava sentado em um trono de ouro, e rosas negras o cercavam, o quadro parecia não ter fundo, era como o infinito.
Belphegor socou o quadro de um jeito que quebrou somente, o meio, mostrando o que estava dentro: Um cofre, de ouro. Como estava trancado, o jeito mais fácil foi dar outro soco, e funcionou.
Dentro daquele pequeno buraco, havia simplesmente dinheiro, nada mais que o suficiente pra comprar milk shake com Bob’s Picanha o ano inteiro, todos os dias.Foi o que ele fez.
–Com licença, er...Pode me ver um daqueles e um daqueles? De Ovomaltine, por favor.
–Senhor, deu 20 reais, é pra viagem ou pra agora?
–Pra ontem, manda logo, vadia. E fica com o troco. Mentira, quero meus 30 reais.
Belphegor sai com seu milk shake em mãos, e o hambúrguer já na boca. Na ultima mordida, acaba a luz de todo o bairro, mas isso não o impede de ver um vulto derrubar seu milk shake.
–Senhor, com licença, mas acabou de cometer o pior erro de sua vida!
Belph girou o corpo, acertando um soco certeiro exatamente no ser que estava em suas costas, com certeza não era humano, sua testa não amassou.
A criatura estava encapuzada, mas era possível ver parte de seu rosto, ou melhor, seu crânio. O esqueleto assassino possuía uma espada longa em suas costas, uma que ele mal aguentava. Ele puxou a lâmina das costas e com uma grande investida tentou encravar a espada de uma vez só em Belph, que com um salto consegue subir por cima da espada, cujo estava escrito algo com símbolos que com certeza não eram desse mundo, cada um representando uma letra: Wahrheit, que em alemão, significa verdade.
Aproveitando que Wahrheit estava presa na maquina de milk shake, Belhpegor chutou a cabeça do esqueleto, dessa vez causou um pequeno estrago. Vocês já viram uma melancia sendo esmagada? Então, foi assim, por sorte o bicho era um anencéfalo.
–Então, Wahrheit, não é? -Belph se abaixa, ficando apoiado somente pela ponta dos pés -Uma espada legalzinha, onde você pegou isso? Ah, deixa.
Ele tirou a espada da máquina, e aproveitou pra encher 15 copos de 500ml, era o que ele conseguia levar no momento.
–Aí tia do milk shake, valeu, em!
Ela tremia muito embaixo do balcão.
–Amanhã eu passo aqui e pego mais. -Pisca.
Belph esticou o braço contra o vidro da loja, e com um rápido movimento para a lateral, o vidro se partiu, e o D’Rudra já estava em casa.
Ele subiu as escadas, e viu que a parede de um dos quartos estava quebrada, e ele com certeza não ia pagar aquilo. O buraco era recente, havia uma pequena chama negra em um pedaço de pano, o mesmo da capa do demônio em que Belph roubou a Wahrheit. Seu colar queimava cada vez mais enquanto ele ia se aproximando das chamas, que rapidamente foram sugadas pelo cristal do semi-demônio.
–Está começando a ficar divertido!
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