Céu de Lítio
20 Capítulo 20
O portão de entrada não assemelhava-se nem um pouco à aparência inexpugnável do interior da base de experiências, era simples, como o de qualquer casa, cercado por um muro baixo. Sentinelas eram o único elemento diferencial. Eles guardavam, em par, os dois lados do portão. Gerard pensou ter visto um deles murmurarar alguma coisa no radinho, preso ao lóbulo da orelha, portanto preparou-se para revistar sua mente.
Estranho... Não me lembro de nenhuma transferência para hoje... Vejamos... — Lyn, mandou alguém pro portão?
-Não... — respondeu a voz de mulher.
-Certo...
-Por que, o que houve?
-Nada. Depois te falo.
Não! A mente de Gerard dizia-lhe que deviam desviar-se daquela rota, ir para outro lugar, mas onde? Estavam sem saída. Olhou sugestivamente para Frank, mas este não entendeu sua mensagem inarticulada.
-Olá. Já é meio tarde, não. O que fazem aqui? — questionou um dos sentinelas.
-Estamos levando esse prisioneiro... — começou Frank.
-Não fomos avisados de nenhum transferência... Posso ver suas credenciais?
-Claro. — tirou do bolso o crachá de identificação roubado, porém Gerard não imitou-o. Seus olhos estavam sem foco.
Bela hora para ter visões, Gee.. Pensou Mikey.
Não...
-Hum... Oficial Collin, por que não fomos avisados?
-Não sei, talvez tenha havido algum engano ou lapso, esta transfrência foi agendada às pressas.
-Certo... Então não se importa se avisarmos os superiores?
-Por favor... — murmurou Gerard, persuasivo. — Está tarde, quero ir pra casa logo, pulemos a burocracia.
O sentinela sacudiu a cabeça. Era ele, o mutante que havia acabado de chegar, aquele perigoso que podia convencer os outros. Seu companheiro já sussurrava ordens em código no rádio. Estavam perdidos. O plano havia fracassado. Mas Frank não sabia, nem Mikey. Gerard preferiu não falar, até por que seriam entregues mais rápido.
-Podem esperar um instante só? Vamos abrir o portão.
-Claro. — Frank sorrriu, encostando-se, casualmente, no muro. Gerard não moveu-se um milímetro. Tenso.
Mais agentes apreceram, vindos de outros lugares, no perímetro do muro.
-Agente Collin, me desculpe mas acabamos de ser avisados de uma fuga. Teremos de barrá-los aqui.
Os agentes apontaram suas armas, mirando nos três. Gerard estendeu o controle de sua mente para os gatilhos, emperrando-os. Não ia adiantar de nada, os agentes erm mutantes.
-Ou devia chamá-lo de Frank Anthony Iero.
Frank perdeu sua já escassa paciência e empurrou o sentinela de encontro ao muro, reduzindo seu crânio a papa. O corpo tombou, sem vida. Ele olhou, furioso, para os outors agentes. Todos apertaram o gatilho das armas, mas o comando não foi obedecido. Então era isso. Teriam de partir para uma briga corpo-a-corpo contra alguém tão forte quanto o Superman.
Mikey, assustado, elevou-se, voando para o outro lado do muro. Esqueceu do próprio irmão, esqueceu de Frank. Tudo o que fez foi acatar ao seu sub-consciente, fugindo dali. Gerard olhou atônito para o lugar onde o irmão sumira e depois para os agentes. Era hora.
Concentrou-se novamente, enquanto Frank dizimava os soldados, no braço, Gerard tentava assimilar seu novo poder. Mas sua mente era caprichosa, esquecera-se disso, e ela resolveu revelar-lhe algo justo nesse momento. Abandonado sua pose tensa de luta, endireitou-se, tomado pelas visões, vulnerável ao mundo exterior. Um soldado aproveitou-se do momento de distração e dirigiu-se para ele, Frank notou o movimento e atirou-se na direção dele. O soldado escondera o jogo, agora iria se defender corretamente. Seu corpo inteiro irradiou fogo, ferindo Frank, quando este chocou-se contra seu corpo em chamas. Frank afastou-se, olhando Gerard, impotente, caído, sentado no chão atrás do soldado. O agente sorriu e deu-lhe as costas. Era demais para Frank, fora derrotado novamente.
-Eu desisto, podem me levar para onde quiserem. — Frank ergueu as mãos, num gesto de impotência.
Gerard percebeu o lapso que as visões custaram-lhe, suspirou, também derrotado.
-Por favor... É inumano o que estão fazendo conosco... Deixem-nos ir... Por favor...
O agente mais próximo, do corpo cáustico, sorriu diante do apelo inútil de Gerard e deu-lhe uma dolorosa coronhada no maxilar.
-Certo, limpem o perímetro enquanto eu busco outras roupas para mim. — ordenou.
-Sim, senhor Armstrong. — responderam, em uníssono.
-Billie... Eu não sou velho pra ser senhor!
-Certo.
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