Cygnus - Fallen

29 Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos


Notas iniciais
Gente... esse capítulo é ascensão do Cygnus. O capítulo começa terrível, mas vai melhorando pra ele. Esse capítulo do Mungus e o de Azkaban são super importantes porque significam toda a reconstrução do nosso protagonista =D Bem... é isso. #PARTIULER!!! ps.: Obrigada a todos que me desejaram um feliz aniversário!!! Beijos =*

Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos

– Mas que droga! Onde está Dominique? – perguntei para aquela mulher tonta que insistia em me dar poções – Não tenho tempo pra isso. Eu preciso ver Dominique.

– Dominique virá depois que tomar seus remédios, Sr. Malfoy. – disse a mulher amavelmente.

Suspirei, zangado. Mas concordei. O que mais eu poderia fazer? Onde estavam os meus Algozes? Aquela mulher não sabia fazer nada direito!

Onde estava Alzar, sempre tão competente?

Onde estava Cerce, sempre sorrindo e aprovando nossas ações, sempre querendo colocar mais nobreza nelas?

Onde estava Katarina com seus entusiasmo sem igual?

Onde estava Noah e seus conhecimentos sobre os trouxas, me ajudando a entender sua tecnologia?

Onde estava Leto e sua capacidade de saber o que eu queria sem que eu desse a menor pista?

E principalmente... Onde estava Dominique? Onde estava minha Dominique?

Bebi a poção e a mulher me deixou sozinho. Senti um sono violento e então me deitei na cama.

Estava em um quarto de motel e Dominique fazia minha barba. Sorri para ela.

– Ei... vamos ter outro filho? – perguntei pra ela. – Leon precisa de um irmão para brincar.

– Cygnus... Você sabe que eu não posso mais ter filhos...

– Eu sinto tanto a sua falta...

– Eu sei, querido... eu sei.

Abri os olhos. Era hora do chá. Eu, Salazar e Abraxas tomávamos chá. Abraxas reclamou porque o dele tinha açúcar.

– Essa curandeira é burra. Eu já disse que quero sem açúcar. – resmungou ele.

– Quando vai pegar o cajado de volta Cygnus? – perguntou Salazar.

– Quando eu voltar das férias. – eu respondi.

– — -

Gritei de ódio, frustração e desespero. Meu corpo doía de maneira absurda. Sabia que as pessoas queriam me ajudar, mas elas não conseguiam. Meu corpo entrava em colapso, meus olhos, nariz, orelhas escorriam sangue e eu vomitava mais daquele líquido vermelho, enquanto minha mãe e as outras curandeiras tentavam me estabilizar.

– ME DEVOLVAM O MEU CAJADO, SUAS IMBECIS! – gritei de desespero. A dor era tanta... tanta.

O meu limite estava próximo. Eu podia sentir. Eu transpirava sangue. E eu olhava para aquelas mulheres incompetentes com completa fúria.

– Se fosse eu fazendo a massagem, ele estaria bem melhor. – murmurou Dominique olhando desdenhosamente para um curandeiro que tentava conter meus braços.

– Vamos ter que estuporá-lo. – disse uma curandeira.

– Aponte a varinha pra mim, sua vadia e eu arranco esse seu nariz enorme com os meus dentes! – rosnei para ela, enfurecido.

Soquei alguém no rosto quando a pessoa que segurava meu braço se descuidou.

– Segure-o! – exigiu minha mãe.

– Ele está transpirando sangue. Está escorregadio! – disse alguém.

Então vi minha mãe apontar a varinha.

– NÃO OUSE, TRAIDORA! – rosnou Abraxas... ou fui eu? Talvez Salazar...

Mas minha mãe simplesmente me estuporou.

– — -

Não aguentava mais. Olhei para baixo, pela janela. Era tão alto... mas era um meio de escapar, não era? Fechei meus olhos, sentindo o vento bater nos meus cabelos. Lily não respondera a nenhuma carta. Ela não queria mais saber de mim...

E sem Lily... pra que viver?

Então curvei o corpo, querendo cair e morrer. Mas me puxaram pela cintura.

– NÃO FAÇA ISSO!

Abri os olhos e vi meu padrinho e James. Albus olhava assustado, mais atrás. Eu estava no Mungus. Eu ainda estava no Mungus.

– Está tudo bem. – eu disse – Dominique disse que estaria me esperando.

– Cygnus. Dominique não ia querer que você morresse. – disse James, os cabelos absurdamente desarrumados. Sério... eu iria dar um pente de aniversário para aquele cara.

– Mas eu preciso ver Leon. – expliquei – Tenho tantos livros pra ler pra ele...

– Eles estão mortos, Cygnus. – disse meu padrinho.

– Então eu quero estar morto.

– Não. Você não vai morrer. Você não quer isso! – disse Albus se aproximando.

Sorri para ele.

– Albus. Onde está a Lily?

Os três trocaram um olhar hesitante.

– Ela não pôde vir, Cygnus. – disse meu padrinho.

– Eu estou com saudade dela... diga a ela para vir me ver quando ela puder, ok?

– — -

Chutei a porta de raiva.

– ME DEIXEM SAIR! EU SOU INOCENTE! – mas ninguém veio. Ninguém nunca vinha. Me virei para olhar Dominique, Salazar e Abraxas – Eu preciso sair daqui! Tenho que voltar para a guerra!

– Você trancou o Cajado, lembra? Não há nada que a gente possa fazer. – resmungou Salazar me encarando com censura. Abraxas mudava os canais da televisão, sem nunca parecer satisfeito com o que estava passando.

– Oh... eu juro que se meu próximo café vier com açúcar, eu mato aquela curandeira burra. – rosnou ele sem humor.

Olhei para Dominique. Ela cantarolava uma música de ninar parecendo triste. Leon não estava mais com a gente e ela estava imensamente triste.

– Eu vou trazê-lo de volta, Nini. Eu juro. – disse olhando pra ela. Ela soltou um suspiro triste e negou com a cabeça.

– Estamos todos mortos, Cygnus... todos mortos...

– — -

– EU VOU MATAR TODOS VOCÊS SEUS DESGRAÇADOS! – rosnei enfurecido, preso numa camisa de força. Meu rosto estava sujo de sangue porque eu tinha arrancado um pedaço de alguém que queria me sedar. – ESPEREM ATÉ EU RECUPERAR MEU CAJADO!

Mas uma curandeira colocou uma mordaça em mim, provavelmente para que eu não tentasse arrancar a minha língua para sangrar até morrer... ou talvez ela só estivesse de saco cheio das minhas ameaças...

Fiquei me debatendo na sala do sossego, querendo desesperadamente sair dali. Quando me trancavam no escuro, os dementadores vinham. Eu me lembrava disso em Azkaban. Me sentei desesperado, esperando que os vultos negros aparecessem para sugar o que restara de mim.

Onde estava a minha varinha?

Onde estava o meu cajado?

Onde estava Cygnus Malfoy? Porque aquele garoto assustado, choramingando no canto, com medo do escuro certamente não era ele... Cygnus não tinha medo do escuro...

Lily tinha...

E ela não me respondera nenhuma carta e nem tinha vindo me visitar uma vez sequer...

– — -

Gritei de desespero e acordei numa cama macia. Respirei assustado.

– Estou no Mungus. Estou no Mungus. Não estou em Azkaban... eu estou bem. Estou seguro... – murmurei tremendo. Me levantei e caminhei pelo meu quarto. Quando eu ia sair dali?

Quando ficaria são novamente?

– Lily escreveu, querido? – quis saber Dominique. Minha esposa quase nunca vinha me ver. Normalmente era só Abraxas e Salazar. Me sentei ao lado dela e neguei com a cabeça.

– Acho que ela desistiu de mim...

– — -

– O correio chegou, senhor Malfoy! – disse a curandeira. Me levantei animado, cheio de expectativa.

– Será que a sua namorada te enviou alguma coisa dessa vez? – provocou Abraxas.

– Oh, cale a boca! – ralhei olhando as cartas. Nenhuma de Lily... – Você só sabe perturbar, Abraxas!

– Senhor Malfoy... não tem ninguém falando com o senhor além de mim.

– Diz isso praquele idiota! – resmunguei apontando para Abraxas – Ele tem arrotado o alfabeto grego para me importunar há mais de uma hora!

– Senhor Malfoy... não tem ninguém...

– Recebi uma carta do pai do Alzar. – cortei a curandeira com excitação – E Abraxas gosta do café sem açúcar. Quantas vezes vou ter que repetir?

– Senhor Malfoy...

– Ah, sai daqui! – resmunguei me sentando e abrindo a carta.

– Senhor Malfoy. O senhor precisa aceitar que suas visões não são reais e...

Mas a voz dela foi sumindo...

Alzar tinha sido executado... mataram meu braço direito. Olhei para a curandeira que ainda falava que eu tinha que ignorar as vozes.

– Saia daqui. – sibilei. O olhar calmo dela encheu-se de medo.

– S-senhor Malfoy...?

– SAIA! – gritei e ficou tudo escuro.

Acordei com os curandeiros me levando para o quarto do sossego. Um quarto para relaxamento, como eles diziam.

Mas não havia nada de relaxante nele. A única coisa que eu conseguia pensar era no quanto ele me lembrava Azkaban.

Então gritei até ficar sem voz...

– — -

– Muito bem, senhor Malfoy. Você está indo muito bem. – disse a curandeira pegando os frascos vazios – Dominique continua aparecendo?

– Não... – murmurei calmamente.

– E Salazar e Abraxas?

Olhei para o lado. Os dois estavam ali, me encarando com desdém.

– Sim.

– Bem... é um fantasma a menos, não é?

O único agradável...

– É...

– Você tem visitas. – disse a curandeira de maneira amável. A olhei com curiosidade – Vamos pentear os cabelos, para ficar bem bonito?

– Não sou uma criança, sabia? – perguntei fechando a cara. Mas fui para frente de espelho e penteei meus cabelos compridos. Afinal, poderia ser Lily.

Minutos depois Scorpius chegou com a família. Olhei minhas duas sobrinhas: Narcisa e Dália.

– Olá, maninho. Como se sente? – perguntou Scorpius com um sorriso. Narcisa ficava me olhando desconfiada, enquanto Dália (que era igualmente ruiva e sardenta), dormia no colo de Rose.

– Melhor. – murmurei indiferente. Olhei novamente para Narcisa – O que está olhando?

Ela correu para trás de Rose, timidamente.

Ri com descaso e me sentei numa cadeira.

– Eu tenho uma notícia. – riu Scorpius. O olhei indiferente. Rose se sentou ao lado dele. Narcisa escalou o colo do pai e ficou me encarando com a cara fechada.

– O que? Vai jogar na seleção de novo?

– Bem... sim... mas não era isso que eu ia contar. – riu Scorpius – Eu quis que fosse o primeiro a saber.

– O que?

– Estou grávida de novo. – riu Rose.

Desviei o olhar.

– Meus parabéns... – murmurei triste... Scorpius já estava indo para o terceiro filho... Bom para ele...

– Não está feliz por mim? – perguntou Scorpius.

– Desculpe. – murmurei olhando para minhas mãos – Estou com inveja... só isso... – soltei um suspiro e olhei para meu irmão, que olhava com receio para a esposa – Quer outra garota ou um menino dessa vez?

– Eu quero um menino. – disse Rose, que olhava de maneira estranha para meu irmão. Como se temesse que ele falasse algo que não deveria – Mas Scorpius só quer ter filhas.

– Quando elas começarem a namorar, ele vai se arrepender disso. – murmurei com uma sombra de sorriso nos lábios. Scorpius me olhou como se nunca tivesse pensado nisso. Mas então ele sorriu.

– Que elas casem com nascidos trouxas! Há! – riu ele.

O olhei chocado, mas então sorri também.

– Só você...

– Mas eu vou falar. Você vai ser o padrinho desse.

– Está bem. Eu prometi que seria. – eu disse tranquilamente – Espero já ter saído daqui quando ele nascer...

– Bem... eu também. – riu Scorpius.

Sorrimos um para o outro.

– Como está Lily? – perguntei.

Scorpius deu de ombros, zangado. Rose olhou para as próprias mãos, como se estivesse com medo de me encarar.

– Ela não veio te visitar? – perguntou ele.

– Nenhuma vez... – respondi com um sorriso triste.

Scorpius suspirou.

– Eu não tenho falado com ela... nunca fomos realmente amigos, sabe?

Mas eu sabia que ele estava mentindo.

– — -

Levantei meus olhos e vi Harry. Ele sorriu para mim. Albus vinha com ele e também sorria gentilmente.

– Olá. – murmurei casualmente.

– Como se sente? – perguntou Harry.

– Estou melhor... não confundo mais minhas alucinações com a realidade, não me perco mais no tempo... – respondi – Mas Abraxas e Salazar seguem me atormentando...

– Não acho que vão deixar de atormentar enquanto não destruirmos o Cajado. – murmurou Harry se sentando ao meu lado.

– Então acho que vou ter que aprender a conviver com eles... o Cajado é indestrutível. – murmurei sem me abalar. Eu já estava conformado com aquilo.

– Eu e Rony tivemos uma ideia, mas o Ministério ainda está tentando destruí-lo. Três pessoas morreram ao encostar nele... como conseguia usar aquilo?

– Por causa do meu sangue puro. – murmurei – Nem Voldemort conseguiu usar o cajado... – olhei minhas mãos, ainda marcadas pelo sangue – Mas estou pagando o preço, não é?

– Sim. Mas fico feliz que esteja melhorando.

– É... espero poder sair logo. – murmurei. Levantei meu olhar para Harry – Como está Lily?

Ele sorriu para mim, nervosamente.

– Está bem... mas muito ocupada... não pode vir...

– Está mentindo. – eu disse sorrindo – Mas tudo bem... eu entendo... – murmurei olhando para minhas mãos, enquanto as torcia ansioso – Eu entendo... – soltei um suspiro – Vamos ver o Star Wars de novo? Já faz muito tempo que não assistimos.

– Sim. Eu trouxe um dvd. – riu meu padrinho parecendo triste.

– — -

– Cygnus! – minha irmã pulou nos meus braços e me abraçou.

– Virgo... vai com calma. – murmurei a abraçando – Olá, Pascal.

– Olá, irmão. – riu Pascal me abraçando com força e me tirando do chão.

– Minhas costelas, Pascal! – ralhei.

Ele apenas riu me colocando no chão e me largando.

– Como você está?

– Estou indo... – murmurei massageando as costelas. Virgo olhava para meu quarto com desaprovação.

– Ah, não... que quartinho mais mixuruca esse seu, Cyg... eu vou falar com o diretor do Mungus. Ah, se vou! – resmungou ela.

– O quarto é ótimo.

– Não tem nem janela, Cygnus. – ralhou ela.

– É que eu tentei pular e me matar algumas vezes. – expliquei – Então perdi o direito a uma janela.

– Mas isso foi no início, meses atrás! Você está bem melhor. – disse Virgo.

Eu dei de ombros.

– Vamos falar com alguém. – concordou Pascal – Você não é prisioneiro. É um paciente de primeira classe!

Sorri para eles.

– Vocês dois... parem de me mimar.

Virgo soltou um suspiro.

– Eu estou pensando em engravidar. – disse ela.

– Você uma ova! – resmungou Pascal – Eu quero que ela engravide, mas ela não quer de jeito nenhum.

– Você viu como Rose está? Ela está gorda de novo!

– Ela está grávida. – discordou Pascal.

– Dá na mesma. – resmungou Virgo – Cygnus. Explique pra ele que eu não sou exatamente muito maternal.

– Seus filhos vão ser pentelhinhos mimados e insuportáveis. – adverti.

– Eu não ligo! – riu Pascal beijando Virgo na bochecha.

Virgo sorriu para ele.

– E se eu não conseguir voltar a ser magra?

– Você pode ficar careca, gorda e caolha, querida. Eu vou continuar te amando.

– Eu duvido. – retrucou ela teimosamente.

– Como está Lily? – perguntei. O ar descontraído deles morreu.

– Ela veio alguma vez? – perguntou Virgo. Neguei sorrindo tristemente – Ah! Eu vou falar com ela. Nem que eu tenha que arrastá-la pelos cabelos... ela vai vir te ver!

– Não precisa. – disse sorrindo e me sentando no sofá – Eu só queria saber se ela está bem.

– Parece que está... – murmurou Pascal – Ela abriu a própria loja de equipamentos mágicos... Ela é realmente uma boa feiticeira. – murmurou Pascal.

– Ah... que bom pra ela. – soltei um suspiro – Diga a ela que... – suspirei novamente – Nada... não digam nada...

– — -

– Tenho um presente pra você. – disse meu pai com um sorriso.

O olhei com curiosidade. Minha mãe segurava minha mão, alisando meus cabelos.

– Não acha que deveria cortar, querido. Está tão comprido...

– Eu gosto assim. – murmurei. Os cabelos já estavam quase na cintura.

Meu pai se sentou ao meu lado e me estendeu uma caixa comprida. Meu estômago revirou e eu a peguei com as mãos trêmulas.

– Tome. – disse ele.

– Eu... eu posso mesmo? – perguntei abrindo a caixa e vendo minha varinha.

– Só quando alguém estiver supervisionando. – explicou meu pai.

Sorri para ela. Há quanto tempo eu não fazia magia? Será que ainda conseguia fazer alguma coisa?

A segurei com cuidado e me concentrei. Transformei meu copo em um beija-flor. Ele saiu voando pelo quarto, agitado e então ele voou pela janela. O acompanhei com o olhar, sentindo-me triste.

– Por que um beija-flor, querido? – perguntou minha mãe.

– É o patrono de Lily... – respondi tristemente – Como ela está?

– Bem... – murmurou minha mãe.

– Está namorando um tal de Murlock... – adicionou meu pai.

– Draco!

– É verdade!

– Mas não precisava ter falado isso!

– Está tudo bem, mamãe... fico feliz por ela. – murmurei calmamente.

Mas eu precisei limpar uma lágrima que descia pelo meu rosto.

Quando eu tinha ficado tão chorão?

– — -

– Cara... Você acredita que elas apreenderam o meu narciso! – resmungou Remo.

Eu sorri para ele, achando graça.

– Não iam te deixar entrar com aquilo.

– É medicinal, cara! – resmungou Remo se sentando ao meu lado – Como está? Me disseram que você vai sair em breve.

– Sim. Escutei isso também. – murmurei.

Remo olhou para a minha mesa. Tinha pergaminho, pena e tinteiro ali.

– O que estava escrevendo?

– Uma carta... para Lily.

– Ah. Estão conversando por cartas?

– Eu mando cartas para ela todos os dias, desde que vim pra cá... – murmurei triste – Mas ela nunca respondeu...

– Nenhuma? – perguntou Remo. Apenas concordei com a cabeça. Ele soltou um suspiro – Mas ela veio te visitar, não é?

– Não... mas tudo bem... ela deve estar muito ocupada...

– Eu estou muito ocupado. Scorpius está muito ocupado, Harry está muito ocupado. Mas todos viemos, não é?

– Ela tem os motivos dela.

– E que motivos são esses?

Fechei os olhos magoado e triste.

– Espero descobrir um dia...

– Ela não pode te culpar pelo que você fez, Cyg... você não era você... – disse ele – Eu vou colocar algum juízo na cabeça daquela teimosa...

– Você? Colocando juízo na cabeça de alguém?

– Você ficaria surpreso. – disse Remo – Meu pai falou que eu tenho a sabedoria do amigo dele de quem eu herdei o nome...

– Hum...

– Mas é sério... tô decepcionado com a Lily...

– Como ela está?

– Namorando um babaca, nerdzinho de merda. É assim que ela está! – resmungou ele – Só porque ele joga quadribol... e ele nem é muito bom. É o pior artilheiro do time. Mas a loja dela vai bem. Ela está trabalhando no Beco Diagonal. Tem um talento pra vender as coisas, a Lily...

– Que bom... mas... mas ela está... feliz?

Remo me olhou com algo que parecia pena.

– Sim... ela parece bem feliz... eu queria que ela estivesse um caco. Você preso aqui... e ela lá... Que absurdo, cara.

– Não fique com raiva dela... ela não me deve nada.

– Para de defender a Lily, Cygnus! – ralhou Remo – Por favor! Você estava doente. Quando você entrou aqui, você não sabia nem o próprio nome. Ficava conversando com pessoas invisíveis... minha irmã falava que você passava a noite inteira gritando por socorro... Chamando a Lily... eu falei com ela, sua irmã falou, sua mãe, seu irmão... Céus... Até o Draco foi pedir pra ela vir te ver... e você me diz que ela não veio nenhuma vez? Me diz que escreve para ela todos os dias, mas que ela nunca te respondeu? Faz quase um ano que você tá aqui!

– Ela deve ter os motivos...

– Não me interessa os motivos dela! – rosnou Remo ficando de pé. Remo era sempre irritantemente contente e risonho. Vê-lo irritado daquele jeito me fez sorrir. Ele estava zangado por me ver sofrer... desviei o olhar para minhas mãos. Eu tinha muita sorte apesar de tudo... – Não me interessa mesmo. Ela vacilou. Vacilou feio. E eu não gosto de quem vacila com os meus amigos. Não corre atrás dessa mulher de novo, Cygnus. Não corre! Por favor.

Sorri para Remo, ainda triste.

– Mas eu a amo...

– Mas pelo que parece Cyg... ela não ama mais você... então não fique se torturando. Você passou mais de um mês em Azkaban, quase um ano aqui no Mungus... Você não merece mais ser castigado. Sejam quais foram os seus crimes, os verdadeiramente seus, você já pagou por eles. Agora, quando sair daqui, apenas tenta ser feliz...

Mas como ser feliz... sem Lily?

– — -

Estava na hora do intervalo.

Todos queriam que eu me socioalisasse com os outros loucos no Mungus, mas eu estava bem ganhando no xadrez de Abraxas. Pelo menos para me entreter minhas alucinações serviam...

– Senhor Malfoy... você tem uma visita. – escutei a curandeira falar. Olhei pra ela preguiçosamente – São duas garotas. Nunca as vi antes.

Me enchi de expectativa. Será que Lily finalmente tinha vindo me visitar? Talvez ela e Gina?

Me levantei e voltei para o meu quarto. Penteei os cabelos e me sentei esperando, ansioso, esperando estar bonito... Me sentia um adolescente, bobinho. Meu estômago parecia repleto de diabretes enlouquecidos. A porta se abriu e eu não consegui não sorrir. Não eram Lily, mas...

– Katarina! Cerce!

As duas sorriram para mim e me abraçaram. Ambas pareciam muito abatidas e havia um ar sombrio nelas que eu sabia o que significava. Significava Azkaban.

– Um ano. – murmurou Katarina, que me abraçava com força – Um ano trancafiadas em Azkaban...

– Por minha causa... – murmurei sentindo um frio na barriga. Katarina me afastou e me olhou nos olhos.

– Não! Não se culpe! Eu faria tudo de novo, Cygnus! – disse ela com um sorriso.

– Mas nós não vamos te arrastar praquilo de novo. – disse Cerce com doçura – Como você está? Seu pai não quis contar que você estava aqui... Tivemos o maior trabalho pra descobrir onde você estava...

– Eu imagino. – disse sorrindo. Me sentei entre as duas primas – Como está o mundo?

– Você conseguiu, Cygnus. Você mudou tudo. – disse Cerce sorrindo – A lei internacional anti-sigilo caiu. Vários países estão se programando para contar para os trouxas. Eles vão saber.

– Fala sério? – perguntei verdadeiramente animado pela primeira vez em muito tempo.

– Sim! – disse Cerce sorrindo e segurando a minha mão – Cygnus... você acha que se não fosse o cajado, a gente conseguiria ter feito isso de maneira menos sangrenta?

Meu sorriso murchou completamente e senti os lábios de Katarina na minha bochecha.

– Nós sabemos como se sente... o Cajado mexeu com todos nós... – disse Katarina entrelaçando os dedos nos meus – Todos nós nos tornamos monstros... Menos Dominique.

– Ela era a melhor de nós. – murmurou Cerce.

– Era, não era? – perguntei triste.

As duas passaram a tarde comigo. Ambas iriam se mudar para o Egito.

– Começaremos vida nova em outro lugar. – Explicou Cerce – Onde não saibam sobre nós... sobre o que fizemos... Quando sair daqui, você podia vir com a gente!

Eu sorri para Cerce e a beijei na mão.

– Não posso abandonar minha família de novo... não depois de tudo... – murmurei. As duas sorriram pra mim.

– Entendo... bem... vamos sentir sua falta, Cygnus. – disse Katarina.

– Não esqueça de escrever! – cobrou Cerce.

– Não se preocupem... não farei como Lily...

– Quem? – perguntaram as duas. Mas Katarina riu com desdém.

– A filha de Potter.

– É... a filha de Potter. – murmurei triste.

– Ele é apaixonado por ela. – disse Katarina para Cerce – Minha cela era do lado dele. Ele sempre gritava o nome dela.

– Eu gritava muito. – murmurei.

Katarina sorriu concordando.

– Todos nós gritamos, Cygnus... Todos nós. – murmurou Cerce.

O Cajado e o Arco da Morte

Deixar o Mungus foi excitante. As curandeiras me adoravam. E algum engraçadinho – tenho certeza que foi Remo – arrumou uma edição do Seminário das Bruxas, em que eu era a capa e enviou de presente para elas.

– Você tinha uma carinha de bebê! – riu uma delas.

Sério! Deixem essa revista morrer no esquecimento!

Chegar em casa foi um alívio. Os portões da mansão me encheram de tranquilidade. Meus pais ficaram me observando, com cautela, enquanto eu olhava tudo com atenção... eu estava em casa... na minha casa...

Fiquei um pouco mais de um ano no Mungus... Um ano para ser considerado clinicamente não louco...

Subi as escadas indo para meu quarto. Uma sensação gostosa de nostalgia me tomou. Olhei meu piano e passei as mãos pelas teclas de marfim. Me sentei e apertei uma, deixando uma nota melódica soar e morrer, devolvendo-me ao silêncio. Suspirei e tentei tocar um pouco, mas meus dedos vacilavam... eu costumava tocar muito bem... mas já tinha tanto tempo... Foi quando meu pai se sentou ao meu lado e sorriu. Ele tocou um pouco e me olhou pacientemente. O imitei um pouco desengonçado.

Ele voltou a tocar, calmamente e eu segui o imitando, tentando aquecer os dedos, reacostumá-los a tocar... eu estava muito enferrujado. Tocar piano com o meu pai era o passatempo que eu tinha com ele quando eu era criança. Fui o único entre meus irmãos que gostava do piano...

Meu pai voava com Scorpius com Virgo, treinando quadribol com os dois. Desde muito pequenos os dois faziam aquilo. Mas o piano era algo apenas meu e dele. Era o momento em que eu era o filhinho dele. Antes de Hogwarts, antes de todos saberem que eu era um prodígio com magia... O piano era meu momento com ele e eu nunca tinha reparado o quanto eu senti falta de tocar com ele.

Quase meia hora depois, estávamos rindo, tocando acordes complicados, meu pai me desafiando a acompanhá-lo, algo que eu já não era mais capaz de fazer, mas foi divertido ainda assim. Minha mãe ficou escutando e cantando vez ou outra.

Mas quando comecei a tocar “So Close”, a música que tocou na formatura de Virgo, eu me senti miseravelmente triste.

Fiquei um ano no Mungus... um ano inteiro...

Mas Lily não me visitou nenhuma vez, nem respondeu minhas cartas...

– Eu... eu vou dormir um pouco. – murmurei para meus pais. Eles concordaram e me deixaram sozinho.

Tomei um banho e me deitei. Minha mãe me acordou para o almoço e eu comi muito bem, para a alegria dos meus pais. Ficamos conversando um pouco, sobre amenidades. Meus pais me olhavam com alívio e ternura. Por um momento me senti uma criança pelo modo como minha mãe falava comigo, sempre me acariciando os cabelos.

– O que pretende fazer agora, Cygnus? – perguntou meu pai.

– Eu não sei... – respondi – Mas não quero trabalhar no Ministério...

– Por que não?

– Eu posso ser promovido... – murmurei torcendo as mãos, estremecendo de leve – Eu não sei lidar com poder...

– Nasceu na família errada, filho. – brincou meu pai – Mas está tudo bem... Se quiser não trabalhar, não trabalhe... não é como se precisássemos de dinheiro.

– Eu vou arrumar algo pra fazer. – murmurei – Só preciso me fortalecer primeiro. – disse sacando a varinha.

Meus pais concordaram em silêncio. Fiquei um pouco com eles e então fui para o túmulo de Leon.

Me ajoelhei olhando fixamente para os nomes Dominique Malfoy e Leon Malfoy. Se eu estivesse casado com Dominique... se eu nunca tivesse me tornado o Sinistro... Eu seria feliz? Acho que sim... não seria completo. Tenho certeza disso. Eu tentaria levar a vida. Eu provavelmente estaria tentando convencer Dominique a me dar mais outro filho. Scorpius já estava indo para o terceiro... Eu gostaria de ter uma menininha... Uma bem parecida com Dominique.

Sim... eu poderia ser feliz, apesar de que eu provavelmente viveria me perguntando...

Como teria sido com Lily? Se eu nunca tivesse feito a rota das trevas... Se eu tivesse esperado que ela terminasse a escola, como Pascal fez com minha irmã... Então eu a pediria em casamento na formatura. Se minhas mãos não fossem tão sujas, ela me teria aceitado?

Mas seria cogitar demais... Eu estaria satisfeito com Dominique e Leon... Dominique me entendia de uma maneira que ninguém mais nunca entendeu. Foi assim desde os tempos da escola. Lily queria que eu mudasse por ela. Dominique me amava do meu jeito torto e errado.

Talvez um dia eu aprendesse a amá-la... Como meu avô Lúcio aprendeu a amar minha avó Narcisa... Talvez um dia, já velho, eu diria a um neto meu, em meu leito de morte, que minha esposa tinha sido a melhor coisa que já me acontecera. Talvez um dia eu aconselharia o filho de Leon a amar. A não se proibir sentir. Eu diria que amor não é fraqueza. Eu diria para que ele se arriscasse...

Eu certamente seria muito mais caloroso com Leon do que meu pai fora com a gente. Meu pai não era um homem de palavras, mas de ações. Mas eu falaria... eu seria mais como minha mãe... Eu já o era, na verdade. Quantas vezes eu disse a Leon que eu o amava, quando Dominique já estava dormindo? Quantas vezes eu beijei a barriga dela, simplesmente feliz por aquela criança que nunca viria?

Eu demorei tanto pra desistir da guerra... mesmo por Lily... Mas por Leon... Eu teria desistido da guerra... eu teria desistido de ser o Sinistro... por ele eu teria. Queria acreditar nisso. Queria acreditar que eu seria melhor por ele... Que eu nunca teria ido para Azkaban... que eu nunca teria enlouquecido... que eu teria trancado o Cajado e o escondido onde ninguém nunca o encontraria...

Eu teria feito isso por Leon...

– Você já estaria com uns dois anos... – murmurei olhando aquela lápide... Quantas horas eu já tinha passado olhando aquela pedra, perdido em dor e em culpa? Será que um dia seria capaz de me perdoar? Será que um dia eu vou conseguir superar isso? Meu pai superara... mas será que algum dia ele veio aqui chorar pelo filho que ele não chegou a ter? Não conseguia imaginar meu pai fazendo algo do tipo, mas... ele sempre me via vir e sempre parecia entender a minha dor... um dia talvez eu pergunte para ele... – Vou te comprar um presente, Leon...

Fui para o Beco Diagonal e comprei um leão de pelúcia. Então voltei para casa e o coloquei junto do túmulo de Leon. Me levantei e me afastei um pouco sacando a varinha. Pratiquei um pouco de magia. Eu estava tão mais fraco... Eu no meu quinto ano seria capaz de me derrotar agora.

Se tivesse o Cajado...

– Não!

Segui treinando durante quase toda a tarde. Quando o sol se pôs, eu fui tomar um banho, sentindo-me simplesmente exausto.

Logo depois do jantar, Harry chegou com Pascal.

Os cumprimentei me perguntando o que eles faziam ali.

– Cygnus. Precisamos que venha no Ministério com a gente. – disse Pascal.

– Por que? – perguntou minha mãe, ficando entre eu e eles – Ele não fez nada de errado!

– Não fez mesmo... Mas é que finalmente decidimos o que vamos fazer com o Cajado... – disse Harry – Eu acho que ele deveria estar presente.

– Meu filho já teve experiência demais com aquela coisa! – disse meu pai.

– Eu vou. – murmurei. Todos me olharam e eu mantive o olhar firme – Eu vou com vocês! – disse decidido.

Meu corpo tremia de excitação. Eu queria poder segurar o cajado de Salazar Slytherin pelo menos uma vez mais... Mas eu tinha medo do que poderia acontecer...

Fomos todos juntos para o Departamento de Mistérios. Virgo me esperava lá. Ao lado dela, a curandeira de Azkaban, Monny Peace.

– Monny. Quanto tempo! – disse sorrindo para ela. Só então notei que ela segurava a caixa anti-magia, com o Cajado. Me afastei imediatamente. Abraxas e Salazar começaram a gritar, desejando que eu o pegasse. Meu corpo tremia, desejando aquilo.

– Está tudo bem? – perguntou Monny.

– Sim... está... – murmurei ignorando os Slytherin. Mas eu segurei a mão de Harry com firmeza, ciente que minha respiração tinha acelerado. Harry me segurou no ombro, e sorriu.

– Pronto?

– Pronto. – respondi. Fomos andando até chegarmos num lugar muito esquisito. Parecia um auditório, e lá embaixo, havia um arco com cortinas. E eu jurava ouvir vozes vindo dali.

Caminhamos até lá, comigo sentindo o corpo tremer de ansiedade. Eu desejava segurar o Cajado uma última vez, mas não tinha coragem. Eu estava viciado nele e tinha certeza de que se eu o segurasse, nada de bom iria acontecer...

Mas Monny me entregou a caixa assim mesmo.

– Jogue lá e diga adeus às suas assombrações.

– Certeza? – perguntei tremendo.

– Sim. – disse ela – Guardaremos a chave em outro lugar, aqui no departamento de Mistérios, com a sua história... Mas a caixa com o Cajado estarão pra sempre fora de alcance.

Concordei em silêncio.

– Tome cuidado, Cygnus. Não caia aí dentro... – disse Harry – Independentemente do que ver ou escutar.

– Certo.

Respirei fundo, apertando a caixa. Então a coloquei no chão, ficando de joelhos. Respirei fundo novamente e a empurrei para dentro do arco. Ele tinha um buraco dentro dele. Um buraco que parecia não ter fundo.

Logo a caixa caiu lá dentro. Me perguntei se ela cairia para sempre, perdida naquele lugar estranho, místico... para sempre longe do meu alcance. Senti um desespero e um alívio gigantescos ao pensar aquilo.

Abraxas e Salazar gritaram. Mãos brancas saíram lá de dentro e os seguraram, puxando-os para dentro. Olhei para os lados, mas ninguém parecia ter visto nada. Escolhi não dizer nada a respeito. Estava para me levantar, quando a escutei.

– Olá...

Pisquei e olhei para o arco.

– CACETE! – disse Monny pulando pra trás – Que isso?

– Isso o que? – perguntou meu pai.

– Tem uma mulher ali! Com um... um... um menino...

– Leon... Dominique. – murmurei.

Dominique segurava Leon pela mão. O mesmo Leon dos meus sonhos. E os dois sorriam para mim de um jeito muito terno.

– Viva, Cygnus... nós amamos você. – disse ela – Não podemos ficar... mas queremos que seja feliz.

Tampei a boca com as mãos, chocado. Leon sorriu pra mim e acenou, mas então os dois sumiram, nas cortinas. Por um momento me perguntei se eles realmente estiveram lá.

Meu corpo inteiro tremia violentamente. Eu me virei. Monny me olhava emocionada. Harry parecia entender. Minha mãe estava chorando. Mas meu pai, Virgo e Pascal olhavam de um para outro sem entender nada.

– Eu não estava alucinando, estava? – perguntei.

Minha mãe negou com a cabeça e se ajoelhou ao meu lado para me abraçar.

– Merlin! Ele era igualzinho a você!

– Era, não era? – perguntei a abraçando de volta com as lágrimas molhando meu sorriso.

Notas finais
Viu? Começou a melhorar ^^