Cygnus - Fallen
30 Vida: Cygnus e Angelique
Notas iniciais
– Eu já te inscrevi. – disse Remo. O olhei zangado.
– Eu estou completamente fora de forma! – ralhei com ele.
– Ótimo, vai ser um campeonato justo então! – riu ele. – Caso contrário não seria emocionante de maneira alguma.
Estava em casa, quando Remo veio nos visitar com a esposa. Eram um casal completamente esquisito, mas perfeitos um para o outro. Alexia estava loira, com algumas mechas rosa choque e tinha a orelha cheia de brincos, assim como Remo. Um piercing na língua e outro pequeno no nariz – tenho certeza que era um diamante. Os dois estavam cheios de tatuagens e tinham viajado o mundo todo. Para completar, Remo ainda fumava um narciso e minha mãe não parecia nem um pouco chocada com aquilo. Ela nem ligou.
– Remo... eu não sei... – murmurei.
– Vamos lá, Cygnus. É completamente Underground. Ninguém da alta sociedade vai ficar sabendo. Você precisa voltar a viver. – disse Alexia Black.
– Sim. Eu vou ser seu padrinho. Vai ser super foda! – riu meu tio.
Eu não queria ir, mas minha mãe concordava com o irmão maluco dela.
– Vá, Cygnus. Nunca vai voltar à boa forma se não tiver prática de verdade.
Então, durante a noite, nós estávamos na Arena, na Travessa do Tranco.
Remo parecia que iria surtar de alegria.
– Eu quero apresentar meu sobrinho. Ele está escrito ai. – disse ele para uma bruxa careca, com a cabeça toda tatuada.
– E quem é o seu sobrinho? Ele é maior de idade? – perguntou ela.
– Sim. Aqui está ele. – riu Remo me puxando. Ninguém nunca acreditava que eu e Remo éramos sobrinho e tio e ele parecia se divertir com isso.
– Ele tem algum Pseudônimo?
– Ele é o Sinistro.
– Não fale isso! – ralhei. Mas Remo riu com descaso.
– Já existem trinta e dois com esse nome. – disse a mulher.
A olhei boquiaberto.
– Que?
– Ok... então ele é... O Herdeiro de Slytherin! – disse Remo.
– Vinte e sete. – murmurou ela, parecendo entediada.
– Régulus. – eu disse – Me inscreva como Régulus... – olhei para Remo – Black. Régulus Black.
– Sim... não tem nenhum Régulus Black. – murmurou ela.
Remo sorriu pra mim e foi me guiando pela multidão. Alexia sorria animada ao lado dele. Chegamos num lugar onde um monte de gente sacudia sacolas com ouro.
– Eu aposto vinte mil galeões no meu garoto aqui. – riu Alexias pegando uma bolsa cheia de ouro. Todos ficaram em silêncio e olharam para mim.
– Está louca? – perguntei assustado.
– Feito! – riu um homem gordo que anotava as apostas – Mais uma aposta maluca do casal Black...
– Bem que dizem que todos os Black são loucos, não é? – perguntou Remo me cutucando com o cotovelo.
– Vocês são dementes! Sabem há quanto tempo eu não duelo? – ralhei.
Mas nenhum dos dois parecia se importar.
– Vamos lá, Régulus. Você vai brilhar, eu sei que vai. – riu Remo – Alexia, meu amor. Fique aqui. Eu vou acompanhar o nosso garoto.
– Claro. – riu ela.
Remo acendeu um baseado enquanto descíamos as escadas.
– Ela é perfeita pra mim, não é? – perguntou ele.
– Sim. São dois malucos! – ralhei zangado – Como funciona isso aqui? Quais as regras?
– Regras? – perguntou Remo rindo de mim – Isso aqui é rinha de bruxos, amigo. Não tem regras. Não tem “fair play” nas ruas, Reg. – riu ele piscando pra mim – Faz o que for necessário pra vencer. E se prepare porque vão fazer o mesmo contra você. Vale até chute no saco.
– Eu volto pra Azkaban, desse jeito.
– Relaaaaxa, cara. Vai dar tudo certo. – riu Remo.
Eu poderia azará-lo agora, mas uma bruxa negra, belíssima, me puxou.
– Régulus Black?
– Sim...
– É sua vez.
Entrei na arena sentindo um grande frio na barriga. Eu não tinha certeza se estava pronto para aquilo... Eu sempre fui vaidoso. Sempre. Desde quando eu competia no colégio, depois na Rússia... eu sabia que era bom e sabia que não perderia. Mas eu tinha perdido aquilo. Eu tinha perdido a confiança em mim mesmo e agora eu me sentia apreensivo e nervoso... E se eu perdesse? Eu não sabia perder... simplesmente não sabia...
– No que eu estou me metendo... – resmunguei pra mim mesmo, pegando minha varinha.
Remo entrou ao meu lado. Do outro lado da arena estava um homem esquisito. Pra falar a verdade... quem ali não era? Remo era até conservador perto de algumas pessoas dali, mas aquele homem ali era mais do que todo mundo. Ele era careca, com os dentes afiados como algum bicho... Os olhos dele eram negros onde deveria ser branco. E sua pupila era amarela brilhante... Ele era magrelo, com o corpo completamente coberto por runas.
– Agora, tire essa sua camisa. – disse Remo com um sorrisinho, tentando levantar minha blusa
– O que?
– Você está me envergonhando, todo arrumadinho desse jeito. – disse Remo soltando uma baforada de narciso em mim. Ele me fez tirar a capa e a camisa – Pronto. Agora exibe essa sua tatuagem de cobra maneira e vamos lá!
Eu poderia ficar envergonhado, mas meu oponente era ainda mais magro que eu, então...
Nos cumprimentamos, cumprimentamos nossos padrinhos e então começamos a duelar.
Eu estava lento e um pouco atrapalhado. Mas depois de alguns feitiços eu comecei a esquentar. Primeiro eu só me defendia, pois não encontrava brechas para atacar. Mas então fui ficando no mesmo nível... e quando eu por fim aqueci, derrotei o cara esquisitão.
Depois dele veio outro oponente e depois outro e depois outro.
No sexto, eu disse que não queria mais. Meu corpo todo estava dolorido. Eu não estava tão bem quanto quando estava no sétimo ano, muito menos quanto quando eu usava o Cajado, mas mesmo assim, fiquei satisfeito.
Eu fiz Remo ganhar quase duzentos mil galeões com suas apostas.
– Você vai me deixar rico, sobrinho. – riu ele.
– Você já é rico... – respondi.
– Nop. Meus pais são ricos. Eu sou um reles empresário. Você vai ser minha mina de ouro. – riu Remo com os olhos brilhantes.
Com um mês lutando nas rinhas e finalmente começando a voltar a boa forma, Remo me inscreveu num campeonato de duelos no Beco Diagonal.
Era a primeira vez que eu iria aparecer para lutar em um campeonato oficial, e como era a moda, eu deveria usar uma máscara.
– Use a do Sinistro. – brincou Remo.
– Nunca mais vou vestir aquilo. – resmunguei.
Mas eu era Régulus Black agora... então fiz uma máscara negra com a constelação de leão, com a estrela mais brilhante – Régulus – mais evidente.
Alexia a encantou para que a constelação movesse vez ou outra e então eu estava pronto para duelar.
Meu avô Sirius veio me ver. Minha mãe também. Mas meu pai nem sonhava que eu estava fazendo aquilo, então ele não veio. Harry também sabia que era eu, então ele veio com Gina, que não parecia muito empolgada.
E quando o campeonato terminou, assim como a estrela Régulus, eu fui quem mais brilhou.
– Já pensou em ser um duelista profissional? – perguntou meu avô, bagunçando meus cabelos compridos – Céus... nunca vi ninguém duelar desse jeito.
– É porque você não viu o Cygnus na escola. – riu Remo abraçado com a esposa.
– Sim... juntavam umas quatro pessoas para lutar contra ele. – riu Alexia – Era assombroso. Mas você está melhorando de novo, Cyg.
Sorri satisfeito, segurando meu troféu de duelos, quando eu vi uma mulher de cabelos acaju. Meu avô começou a falar qualquer coisa, mas eu já não estava mais prestando atenção. Eu tinha certeza que vira Lily na multidão.
Caminhei, abrindo caminho, eufórico. Era ela... tinha certeza que era.
Mas assim que eu a vi, ela abraçou um cara qualquer e os dois se beijaram. Ela não chegou a me ver, eu acho...
– Vamos? – perguntou o cara.
– Sim. Eu quero tomar um sorvete. Quanto calor. – riu Lily.
Me misturei na multidão e me afastei. Voltei pra casa sozinho e fui para meu quarto.
Ela estava com outro... eu tinha demorado demais...
– Eu perdi Lílian Potter... – murmurei deprimido.
Cygnus Régulus Malfoy
– Você viu o filho do Sr. Malfoy, querida? E ele está solteiro.
– Sim... ele é lindo de morrer.
– Igual ao pai dele.
– Não deixe a Sra. Malfoy ouvir você falar isso.
– Quem é o filho do Draco?
– Você não o conheceu, Kalista?
– Não.
– Sua filha está aí? Deveria apresentá-la para ele.
– Mas quem é ele, meu Merlin?
– É aquele rapaz de olhos cinzas e cabelos negros, que está ao lado de Draco, obviamente!
– Minha nossa... ele é bonito mesmo. Vou procurar a minha filha!
– Corre porque tem um monte de gente apresentando filhas pra ele.
– Ele é tão sério.
– Ouvi dizer que ele é um excelente bruxo.
– Ele não foi preso?
– Sim, mas foi inocentado. Foi controlado por um objeto das trevas, pobrezinho...
– Sim... acabou de sair do Mungus, não é?
– Eu ouvi falar que sim.
– Eu o vi duelando no torneio de Duelos que teve aqui no Ministério. Ele venceu. Nunca vi alguém tão talentoso.
– Bonito, rico e habilidoso... se eu fosse alguns anos mais jovem, eu tentava casar com ele.
– Mas ele é tão sério. Não vi ele sorrir pra ninguém.
– Nem eu...
– Ouvi dizer que Cygnus Malfoy nunca sorri...
– Deve ser verdade...
– — -
Mais alguém apareceu apresentando uma filha qualquer pra mim. Meu pai tentava parecer sempre encantado, mas ele estava rindo de mim por dentro.
– Estão todas loucas para entrar nas suas calças. – murmurou ele quando ficamos sozinhos.
– Não poderiam ser menos óbvias? – perguntei zangado.
– Você é um excelente partido, conforme-se com isso. – riu meu pai andando ao meu lado. Estávamos apenas nós dois. Scorpius estava em concentração para a temporada, minha mãe no Mungus, ainda trabalhando. Virgo tinha vindo, mas ela tinha saído apressada por qualquer motivo. Pascal estava em missão e também não pôde vir, o que era uma pena.
– Cygnus! – me virei e vi minha irmã. Ela vinha acompanhada de uma garota. Revirei os olhos antecipando o que viria. – Quero que conheça uma amiga minha. – ela empurrou a amiga dela que a olhou furiosa — Angelique Deshayes.
A olhei novamente. Ela era uma mulher magra, com os cabelos ainda mais platinados do que os de Virgo. Era bastante alta, quase sendo da minha altura. Os olhos eram de um azul púrpura. Os lábios eram carnudos, mas pequenos, parecendo que ela sempre estava fazendo bico. A achei muito bonita, na verdade. Mas não estava interessado em romances.
Porém me curvei e a beijei na mão, como era esperado que eu fizesse.
– Sua irmã tem caramiolas na cabeça, Sr. Malfoy. – resmungou a garota puxando a mão com pressa – É um prazer. – mas ela não parecia feliz em me conhecer. Me olhava com algo parecido com desprezo e isso chamou minha atenção. A assisti se afastar com um rebolado decidido e eu apenas pisquei confuso para minha irmã.
– Angelique! Volte já aqui! – ralhou Virgo, indo atrás dela.
– O que foi isso? – perguntei.
– Alguém que não está louca por você... acontece. – riu meu pai – Aposto cem galeões que não consegue levá-la pra cama. – disse ele com um sorriso canalha.
– Aposto mil que você não consegue. – retruquei. Meu pai deu outro sorrisinho e a olhou de um jeitinho que eu não gostei nem um pouco.
– Ah... se eu fosse solteiro.
O olhei com repreensão e ele apenas riu de mim. Se minha mãe estivesse ali, ele não faria uma brincadeira daquelas.
Era a festa da entrega de títulos e nossa família recebeu três dos cinco. Harry recebeu os outros dois, como sempre recebia, afinal, ele era Harry Potter.
Logo mais senhoras e senhores apareceram querendo me mostrar suas filhas solteiras. Iam desde garotas de quinze anos até algumas solteironas, viúvas de mais de trinta.
– Encantado... – murmurava um pouco enojado daquilo.
Meu pai apenas ria de mim.
Minha mãe voltou do hospital e então ficou a fazer companhia para ele. Obviamente, ele passou a se comportar melhor. E também, ele não desgrudava dela, temendo que alguém viesse cortejá-la de alguma maneira. Minha mãe era uma mulher muito bonita e meu pai era terrivelmente ciumento. Todo mundo sabia disso.
– Eu vou dar uma volta. – murmurei para os dois. Eles me olharam sorridentes e concordaram.
– Isso. Tente se divertir. É uma festa, Cygnus. – riu meu pai, puxando minha mãe para dançar.
Fui até o bar e pedi uma dose de Whisky. Fiquei bebericando, olhando para as pessoas. Algumas me encaravam com desconfiança, outras vinham me cumprimentar ou então me encaravam de maneira sugestiva. Mas eu simplesmente não estava com clima para jogos daquele tipo. Sinceramente, por mim, eu não teria nem mesmo saído de casa.
– Cyg. Você precisa cortejar a Angelique.
– Céus, Virgo. De onde você surgiu? – perguntei a olhando feio. O coração acelerado pelo susto. Virgo me olhava afoita, com uma animação quase adolescente, extremamente atípica dela, que sempre tentara parecer mais velha do que realmente era.
– É sério! Ela é perfeita para ser a futura Sra. Malfoy! – disse Virgo se sentando ao meu lado – É sua responsabilidade arrumar uma boa esposa! Se Lily quer se envolver com aquele nascido trouxa ridículo da Lufa-Lufa é problema dela... – ela certamente notou minha cara de desgosto, pois se deu ao trabalho de se fingir de desconcertada – Oh... você não sabia que ele era nascido trouxa e nem que foi da Lufa-Lufa, né?
Eu me sentia como se ela tivesse colocado uma faca no meu peito e girado.
– Não... eu não sabia.
– E ele joga quadribol também. É do time do James. – disse Virgo querendo parecer casual. Mas eu sabia que ela só queria cutucar meu ego para me incentivar a falar com a tal Angelique – Ele é bem famoso, diga-se de passagem... mas isso não vem ao caso. – disse ela jogando os cabelos compridos para trás – Você PRECISA conquistar Angelique.
– Por que?
– Porque ela é puro sangue, de uma família francesa muito rica e influente. Ela é tipo a nossa avó Damasco, só que não tão absurdamente rica... Mas não vem ao caso. Ela é filha do Ministro Francês!
– Como você a conheceu?
– Eu a conheci no Torneio Tribruxo. Ela era amiga do Apolo, lembra? – perguntou Virgo – Foi a madrinha dele na última tarefa... – Virgo fez biquinho arqueando as sobrancelhas – E flertou com Pascal também... mas isso não vem ao caso. Você precisa fazer isso! Pela família!
– Virgo. Não to com cabeça pra isso!
– Vamos, Cyg. Ela disse que te achou bonitinho. – e ela deu um sorrisinho sacana ao falar isso. Eu a olhei levemente ofendido. Bonitinho significa feio arrumado.
– Bonitinho? – repeti fechando a cara.
– Sim. Ela meio que te acha um cretino... e falou que o Scorpius era mais bonito, mas você é o solteiro então...
– Você disse bonitinho?
– Sim... e ela te achou meio afeminado também...
– COMO É? – ok. Agora Virgo tinha pegado pesado.
– Shhi! Tá louco? – riu Virgo – Vamos lá! A honra da nossa família está em jogo, Cyg!
– Você está me enrolando. – resmunguei sem querer acreditar que uma mulher pudesse me achar bonitinho e afeminado. Eu era um Malfoy, afinal de contas. Meio Malfoy, meio Black.
– Cygnus! Por favor, por mim. Dá em cima dessa garota e conquista ela! Eu a quero como minha cunhada. E vamos ser honestos. Ela é linda!
Olhei para minha irmã caçula, sem paciência, e ela fez aquela carinha de choro que sempre fazia para pedir as coisas.
– Ah, não. Não me vem com esse olhar.
– Por favor, Cyg... por mim! – choramingou ela – Pela sua irmãzinha que te ama tanto.
Xinguei baixinho e me levantei vencido. Fingi não ver o sorriso vitorioso de Virgo e procurei pela tal Angelique pelo salão. Ela estava conversando com um homem muito mais velho. Ele falava no ouvido dela, e ela o empurrava tentando sair de perto dele.
Fui até ela e a puxei pela cintura.
– Ele está te incomodando, meu amor? – perguntei olhando feio para o homem. Ele corou envergonhado.
– Oh... não sabia que ela já estava acompanhada. – resmungou ele saindo.
A soltei de imediato e olhei o cara com censura.
– Algumas pessoas não sabem receber um “não” como resposta. – murmurei.
– Realmente... – murmurou ela – É o sangue veela, sabe?
– Hum... – murmurei me aproximando para cheirá-la no pescoço. Ela se arrepiou com o toque do meu nariz em sua pele – Realmente, tentador.
Ela olhou para mim e me empurrou de leve, parecendo irritada.
– Me respeite. Não te dei liberdade pra isso. – ralhou ela.
– Minhas sinceras desculpas, senhorita. – murmurei usando meu sorriso charmoso. Ou ao menos tentei dar meu sorriso charmoso. Já tinha muito mais de ano desde a última vez que eu flertara com alguém.
– Senhora.
– Você é casada? – perguntei. Virgo estava ficando doida? Me perturbou até dizer chega para cortejar uma mulher casada?
– Viúva.
– Oh... eu também. – murmurei. Ela me olhou descrente – Eu falo sério... – disse um tanto sem jeito – Eu era casado com Dominique Weasley... Ela estava grávida quando morreu. – soltei um suspiro – Ela foi assassinada no dia do nosso casamento... não chegamos a finalizar o rito, mas... eu me considero viúvo.
– Nossa... – Angelique me olhou surpresa – Meu marido morreu na noite de núpcias. – murmurou ela – Não chegamos a consumar o casamento, mas...
– O que aconteceu? Posso perguntar?
– Eu fui tomar banho... me preparar... tomar coragem, sabe?
– Claro.
– E quando voltei, ele estava debaixo das cobertas. Mas notei que ele tremia de leve. Quando eu o chamei, as cobertas se levantaram e...
– Era uma mortalha-viva? – perguntei chocado.
Ela concordou com os olhos brilhantes.
– Eu o amava... eu realmente o amava... mas agora, todos querem que eu case de novo. Ficam me empurrando de um homem pra outro! É ridículo! – lamentou ela. Fiquei com um pouco de pena, pois ela parecia estar uma pilha de nervos.
– Acredite, eu sei como é. – resmunguei. Ela me olhou e deu um meio sorriso.
– Eu acredito.
A olhei novamente.
– O que está fazendo aqui?
– Meu pai queria que eu viesse, para arrumar um noivo de novo... mas...
– Quer dar o fora? – perguntei.
– Meu pai me mataria.
– Claro que não te mataria. Vamos.
Ela me olhou parecendo tentada.
– Eu não sei.
– Qualquer coisa, você diz que estava tentando conquistar Cygnus Malfoy. Isso vai ser o suficiente.
Ela deu um sorrisinho.
– Só não crie esperanças de abrir meu vestido, senhor Malfoy.
– Ótimo. – disse sorrindo – Não vou. Eu também só estou louco pra fugir dessa festa.
Segurei a mão dela e saímos de lá. Quando estávamos na porta, um casal estava pra entrar.
Era meu carma se voltando contra mim.
Pisquei surpreso ao ver Lily, de mãos dadas com um cara com os cabelos cor de palha, olhos castanhos, nariz de batata e sorridente. Olhei para Lily e não consegui sorrir.
– Olá... – murmurei sem jeito. Ela me olhava parecendo chocada. Depois corou furiosamente e desviou o olhar.
– Olá, Malfoy. – murmurou ela parecendo irritada. Odiava quando ela me chamava de Malfoy. – Com licença. – Desviei o rosto e passei reto por ela, com Angelique me seguindo
– Quem é aquela? – perguntou Angelique.
– A mulher por quem eu estou apaixonado. – respondi – Mas... eu não tenho chances com ela.
– Ela é bem bonita, mas o namorado dela parece ser tão sem sal...
– Obrigado por me lembrar disso. – resmunguei. Mas ela apenas riu.
[n.a — Angelique]

Angelique Deshayes
Não, eu não transei com ela e nem a beijei. Na verdade só ficamos de papo, passeando pelos jardins da Mansão Malfoy. Ela era bem divertida, com uma vida bem sofrida. Ela sabia sobre meu passado negro e contou que tinha ido às ruas, com o noivo, gritar por liberdade. Mas então, o Sinistro mudou e ficou sanguinário... Foi quando ela deixou de apoiar aquelas ideias.
– Dominique foi morta por um trouxa? – perguntou ela jogando pedaços de pão para os pavões.
– Sim... alguém o pagou para me matar... mas ele errou os tiros e a acertou... – respondi sem conseguir encará-la... falar sobre Dominique sempre era horrível, mesmo depois de anos... – Nunca descobri quem pagou o trouxa pra fazer aquilo...
– Espera... pagaram? Como assim? – perguntou ela.
– Eu também não entendi... mas parece que os trouxas matam por dinheiro...
– Sacré bleu!
Não consegui não sorrir.
– Diga isso de novo.
– O que?
– Sacré bleu.
Foi a vez dela sorrir.
– Que sotaque horrível.
– Não me enche... nem lembro qual foi a última vez que eu falei francês.
Ela deu uma risadinha e me deu um tapinha no braço.
– Grosso.
– Fresca.
Mas então estávamos rindo.
Quando ficou muito tarde ela achou melhor ir embora. Eu ofereci a carruagem e ela aceitou. Ficamos conversando durante o caminho. Ela era realmente agradável.
– Posso te ver de novo? – perguntei quando a deixei no hotel.
– Claro. Só escreva antes.
– Quanto tempo vai ficar aqui?
– Uma semana.
– Certo. Amanhã a noite vou te levar para jantar, ok?
– Senhor Malfoy. Vou achar que está me cortejando.
– É o que queremos que pensem, não é? – perguntei piscando para ela.
Ela sorriu para mim e concordou oferecendo a mão, que eu não hesitei em beijar.
No dia seguinte, minha mãe estava enlouquecida de tanta animação. Quis até escolher minhas roupas, mas meu pai ficou fazendo piada dela e ela me deixou em paz.
Peguei a nossa carruagem e busquei Angelique no hotel. A levei para comer em um restaurante de luxo e mais uma vez ficamos apenas conversando, trocando histórias. Ela me contou sobre o noivo – Urbain Belvoir – e eu contei sobre Dominique e Lily.
– Você realmente ama essa Lílian, não é? Por que não corre atrás dela?
– Porque ela merece mais do que isso... – murmurei – Ela encontrou alguém legal... não vou me meter.
– Mas vai ficar infeliz... – murmurou ela. Apenas dei de ombros. Finalmente tinha entendido o que significava o verdadeiro amor. Amor quer dizer que você se importa mais com a felicidade da outra pessoa do que a sua própria. Não importa o quão dolorosas sejam as escolhas que você tiver que enfrentar. Era o que eu estava fazendo. Ou ao menos tentando fazer...
– Não acha que isso é covardia?
– Não. – respondi – Ela não quer nada comigo. Eu só posso respeitar a decisão dela...
– Ela quer que você prove que a ama!
– E como eu faria isso? – perguntei – Como se prova algo tão subjetivo como amor? – perguntei – Eu me entreguei por ela... eu nunca machuquei Harry por ela... se isso não foi o suficiente para provar, então eu não sei o que seria... – soltei um suspiro.
Angelique suspirou e segurou minha mão.
– Eu entendo. Mas... Não concordo... Me parece que você fez isso por si mesmo e não por ela... Você não aguentava mais, não era? – perguntou ela sorrindo e alisando a minha mão com o polegar. – Mas eu te entendo, Cyg.
E então voltou.
Aquele calor que me tomava sempre que eu estava perto de alguma mulher bonita. Mas eu não queria misturar as coisas.
– Obrigado.
– O que foi? – perguntou ela.
– Sangue veela. – murmurei.
Ela sorriu timidamente, encolhendo os ombros.
– Isso é chato, às vezes.
– Eu sou resistente, minha mãe é parte veela, minha avó também, mas... – eu desviei o olhar do decote dela – Mas seu vestido é muito decotado.
– Eu sei. Desculpe. – riu ela.
Depois do jantar, passeamos um pouco pela rua, ainda conversando. Contei sobre o dia em que meu irmão e meu tio roubaram o caldeirão furado.
– Eu estava tão louco que peguei a filha de um professor meu e depois saí correndo só de cuecas pela rua.
– Minha nossa! – riu ela – Eu me lembro que você pousou para uma revista no colégio, não foi?
– Céus... as pessoas vão se lembrar disso pra sempre? – perguntei zangado.
– Sim... eu lembro daquela revista. Minha amiga comprou. – riu Angelique – Você tinha um material bem bacana.
– Ainda tenho. Garanto. – respondi. Ela me olhou de um jeitinho travesso. Céus, estou subindo pelas paredes. Qual foi a última vez que estive com uma mulher? Foi no casamento de Virgo... tem mais de ano, isso...
Mas Angelique virou o rosto, rindo, continuando a andar. A deixei no hotel e ela foi embora, me olhando com aquele sorriso travesso.
No dia seguinte ela apareceu na mansão, com o pai.
Meu pai ficou se sentindo um rei, quando o Ministro Francês escreveu perguntando se poderia aparecer para o chá. Ele e meus pais ficaram conversando um tempo e Angelique me puxou para um canto.
– Cygnus... eu sinto muito... eu não queria isso... não desse jeito... – murmurou ela, parecendo alarmada.
– O que houve?
– Meu pai quer arranjar nosso casamento.
Não consegui não sorrir.
– Ele duela bem?
– Que? Como assim?
– Minha mãe vai expulsá-lo daqui se ele vier com esse papo de casamento forçado.
Angelique sorriu, afastando uma mecha de cabelos do rosto.
– Ah... que bom. – disse ela – Digo... você é bem legal... eu adorei te conhecer, mas... você já ama outra pessoa.
– É... mas eu não vou casar com ela.
– Deveria tentar falar com ela assim mesmo.
– Não... acho que não.
Logo escutamos a voz da minha mãe.
– ESCUTE AQUI, SEU IDIOTA! QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA OBRIGAR SUA FILHA A SE CASAR COM QUEM QUER QUE SEJA? EM QUE SÉCULO VOCÊ VIVE?
Eu e Angelique começamos a rir desenfreadamente.
Logo o pai dela apareceu com as bochechas coradas.
– Vamos, Angelique!
– A senhorita é bem vinda a ficar aqui. – disse meu pai com severidade – E eu ficaria muito satisfeito se você e meu filho se dessem bem a ponto de desejarem se casar, mas nunca concordaria em te obrigar a isso.
– Obrigada, Sr. Malfoy. – ela olhou para o pai e depois para mim – Se Cygnus não estiver ocupado, eu adoraria ficar mais um pouco.
– Certamente não estou ocupado. – respondi a olhando nos olhos. Ela sorriu para mim e olhou para o pai, como se pedisse permissão.
Ele pareceu mais brando.
– Como quiser. – murmurou.
E então foi embora.
– Cygnus. Por favor, mostre a mansão para a nossa convidada. – disse meu pai piscando pra mim.
– Claro.
Mostrei para ela o escritório dos retratos e ela ficou impressionada com eles.
– São tantos...
– Muitas gerações de Malfoy... – concordei.
– São todos tão loiros!
– Sim... – respondi sorrindo.
– Por que tem um quadro vazio?
– Porque meu pai morreu por alguns segundos, mas foi trazido de volta pela minha mãe.
– Necromancia?
– Claro que não, bobinha. Ele teve uma parada cardíaca. Minha mãe fez o coração dele voltar a bater. Ela é uma curandeira bastante reconhecida.
Angelique me olhou surpresa.
– Sua família é tão legal... – murmurou ela – Se minha mãe falasse com algum convidado daquele jeito, meu pai a espancaria ali mesmo.
– Meu pai nunca levantaria a mão contra a minha mãe. – murmurei – Ele é apaixonado por ela... e ela por ele.
Angelique se sentou ao meu lado, no sofá.
– Eu queria me casar de novo... com alguém que me amasse...
– E que não morresse no dia do vamos ver...
– Que horror! – ralhou ela.
Mas então estávamos rindo...
– Angelique... não vou mentir pra você... estou numa vontade louca de te beijar. – disse sem delongas.
Ela me olhou surpresa.
– Eu também quero que me beije.
Então a puxei pra mim. Ficamos num amasso divertido. Há quanto tempo eu não sabia o que era aquilo? O que era uma garota resistir aos meus intentos de tocá-la. Aquela sensação gostosa na barriga quando avançava alguns centímetros pela coxa dela, ou aquele arrepio quando ela beijava meu pescoço.
A deitei no sofá, querendo explorá-la, mas ela era tímida e não me deixou avançar. Mas eu gostei assim. Gostei demais. E quando a porta do escritório se abriu, pulamos de susto, envergonhados, como dois adolescentes.
– Opa... – riu Scorpius – Eu não sabia que estava aqui... só vim pegar o Whisky do papai... – ele entrou correndo, pegou a garrafa e saiu.
– Ele não podia ter conjurado a garrafa? – perguntou ela, extremamente corada.
– E perder a oportunidade de me pegar no flagra com você? – perguntei sorrindo negando com a cabeça – Nunca! Coisa de irmãos...
Ela riu para mim.
– Que horror.
– Ele sempre fazia isso... – disse sorrindo – Mas esquece ele. Vem cá...
E logo estava me afogando nos lábios dela.
Quando ela foi embora, todos na casa me olhavam com expectativa, principalmente Virgo.
– O que foi? – perguntei.
– Vai se casar com ela, não vai? – perguntou Virgo.
– Claro que não! – respondi.
– Mas você não transou com ela! Ou transou? – perguntou a minha irmã.
– Claro que não. E o que isso tem a ver? – perguntei corando.
– Oras. Porque você pediu em casamento todas as garotas com quem você teve um lance, mas não transou no mesmo dia. – riu Virgo – Pelo menos depois que você perdeu a virgindade.
– De onde você tirou isso?
– Dominique e Lily, oras. – respondeu Pascal – E aquela mulher é muito gata, Cygnus.
– Pascal! – ralhou Virgo.
– Mas é! – riu ele.
– Isso mesmo, Cygnus. Esquece Lílian de uma vez. – Riu Scorpius.
Mas como eu poderia esquecer Lílian?
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