Notas iniciais
Oie! Passando pra deixar um capítulo procês! ~ Um aviso: ⚠Este capítulo contém referências de abuso sexual! ⚠

Eu respirei fundo. Eu sabia o que aconteceria, mas mesmo assim não deixava de ficar nervoso. Marquei um encontro num bom restaurante com todos os meus colegas de trabalho, por minha conta. É claro que eles estranharam. Mas eu aleguei estar feliz com uma conquista e queria comemorar com todos eles. Embora todos tenham adorado a ideia, Sabrina foi a única que estranhara.

- Um brinde a Cody! Nosso melhor advogado e mais justo da companhia! – Arnold dissera, era meu chef, e eu pude ver todos brindando em meu nome. A sensação de ser apreciado era realmente boa. Fora uma noite tranquila e um encontro agradável, conversamos sobre amenidades e o ambiente não podia ser melhor. No final, Sabrina viera até mim, eu havia saído alegando uma ligação, e estava do lado de fora, olhando as estrelas.

- Sei que tem algo incomodando. O que é? – Indagara, me entregando um suco. Eu a olhei, de alguma forma ela me conhecia muito bem.

- Nada de mais. Problemas de família.

- Sua família? Não tinha cortado o contato?

- Sim, mas houve um problema.

- Não minta pra mim! Eu sei que tem algo sério acontecendo aqui. Você não marcaria esse jantar só por marcar! Vamos, Cody! O que é? – Ela se pusera à minha frente, séria e imbatível. Ela era uma mulher forte e incrível. Acariciei seu rosto, e a vi fechar os olhos com meu toque. Tínhamos uma forte atração, isso era inegável.

- Chad precisa da doação de uma parte do meu fígado. Mas eu posso não resistir à cirurgia, porque estou gravemente doente. – Sabrina arregalara os olhos, pude ver lágrimas escorrerem deles.

- O que você está dizendo??? Está brincando, não é? Cody, me diz que isso não é verdade. Por favor... – Ela agarrara minha camisa, chorando em meu peito. – Você não pode me deixar aqui! – Dissera, enquanto tentava me “socar”. – Eu a afastei, segurando seus pulsos.

- Sabrina, me escuta!

- Não!

- Você vai encontrar o cara certo. Você é a mulher mais incrível que já conheci na vida! É inteligente, independente, linda!

- Não! A família que queria construir, sempre foi com você! Sempre te vi como pai dos meus filhos, como meu marido! – Aquilo complicava as coisas. Sabia que Sabrina nunca havia de fato perdido esse interesse em mim, mas não sabia que era à esse nível.

- Você vai encontrar um cara bacana, que vai te dar filhos lindos e um casamento maravilhoso, eu sei disso! Mas esse cara não sou eu, e não pode ser eu.

- Eu não quero! Eu quero você na minha vida, Cody! – Apesar de eu e Jess termos uma relação inabalável, ninguém sabia dele, eu não falava da minha vida pessoal, somente Chad sabia.

- Mas eu não posso te dar o que você quer. Eu não tenho mais tempo. – Ela me olhara por fim, me puxara pela gola da camisa e me beijara com força e paixão. Eu não queria deixar fios soltos, essa era a verdade. Eu a correspondi, seu beijo sôfrego e molhado pelas lágrimas. Ela me empurrara para trás de uma viela escura, enquanto tratava de abrir minhas calças, e alcançar meu sexo. A verdade era que eu não podia fazer o que ela queria. – Sabrina, eu não posso.

- Por favor, faça um filho comigo! – Eu podia notar seu desespero. A puxei para mim, abraçando-o com força.

- Não é assim que se faz as coisas. Que tipo de homem eu seria, se deixasse você com um filho meu para trás?

- Não importa... você já fez isso comigo uma vez, só faça de novo! Por favor! – Deus, porque era tão difícil? – Eu a embalei em meus braços, impedindo que ela continuasse a manusear meu corpo. Eu imaginei o quanto de sofrimento ela estaria sentindo. Eu sofria igual em ter que deixá-los, toda a vida que eu construí, para trás. Mas essa era a verdade. Eu sempre soube que meu tempo estava contado.

Sabrina havia bebido além da conta, e eu a havia posto para dormir em meu carro, antes de me despedir de todos no restaurante e pagar a conta, estava começando a me sentir tonto, talvez havia bebido demais.

- O que é isso, Cody? Marcas de batom em toda sua camisa, cabelos desgrenhados e calças amassadas. O que isso pode significar, somado à ausência de Sabrina?

- Mesmo se eu dissesse que não é o que estão pensando, não iriam acreditar em mim.

- Não mesmo! – Todos desataram a rir. E eu só queria que aquilo não pegasse mal para Sabrina.

A via dormir profundamente em minha cama de casal, a ressaca no dia seguinte seria das grandes. Eu só tinha dois dias, teria que aproveitar o máximo de tempo com as pessoas de quem gostava. Pensei, deitando ao lado de Sabrina, dormindo instantaneamente.

**

Acordei no meio da noite, sentindo alguém se mover sobre mim, despertei meio zonzo, até uma pontada no meu baixo ventre me acometer fortemente. Estava escuro, mas eu entendi imediatamente o que estava acontecendo. Sabrina estava cavalgando sobre meu corpo.

- O que...?

- Eu pedi um filho, e quero que você me dê um, tem que ser teu!

- Não, Sabrina! – Meus sentidos estavam todos embaralhados, eu a empurrei, a tirando de cima de mim, mas um líquido espesso se derramou sobre a cama. Liguei o abajur e eu sabia bem o que era aquilo. Ela estava nua.

- É tarde demais pra se lamentar agora. Eu já fiz. – Ela disse. Minhas mãos tremiam fortemente, notei meu coração disparado. Eu não sabia bem o que sentir naquele momento.

- Como eu não percebi nada e não notei? Porque você fez isso comigo? – Eu a vi derramar lágrimas.

- Vo-você é o melhor homem que já conheci no mundo! Só você poderia... poderia ser pai de um filho meu! Ma-mais ninguém! – Ela chorava enquanto cuspia as palavras, estava claramente bêbada. – Eu sempre plane..jei te propor isso um dia, me-mesmo que não tivéssemos nada... Ma.. mas então, você me diz que está doente! Que pode não voltar da... cirurgia, eu... entrei em pânico! Você não sentiu porque botei um negócio no seu suco! Porque eu sabia que havia algo errado com vo-você! Porque não me contou o que estava acontecendo? Que doença você tem? – Ela dissera tudo de uma só vez, com certa dificuldade. Eu estava chateado. Triste e magoado. Eu havia traído Jess, e estava me sentindo um lixo.

- Não importa. Eu e Jess temos um relacionamento, Sabrina. Eu sempre te disse o que sentia por ele.

- Jess? Do ensino médio? Da nossa escola?

- Sim. Você entende o que você fez comigo? – Perguntei a ela. Que ironia, eu não havia sido estuprado aquele dia, mas fui por uma mulher que eu confiava e jamais pensei que faria isso comigo.

- Eu não fiz nada demais, eu te dei pra-prazer!

- Você não me deu prazer, você me violou! Me forçou a fazer isso!

- Eu não te forcei. Te apertei um pouco e você reagiu...

- Não! Eu não me lembro disso, você me dopou e se aproveitou das reações fisiológicas do meu corpo! Pra que isso? Que desespero é esse? Eu queria guardar boas lembranças de todos, mas... – Sempre fui sensível, mesmo meu corpo sendo de um homem forte e adulto, meu mental era de um desgraçado carente. E lá estava chorando em silêncio. – Vou tomar um banho e te levar pra sua casa.

- Cod...

- Não, Sabrina! Não! – Saí de sua presença. Tomei um banho rápido e a fiz tomar banho também. Ela ainda parecia bêbada e a droga que ela usou em mim, estava perdendo efeito, uma vez que minha tontura havia cessado. Se ela estava bêbada, eu ainda podia culpá-la? Não sabia dizer. A levei para casa, e dentro do carro um silêncio mortal se estabeleceu. Os primeiros raios solares podiam ser vistos.

- Cody. – Ela me olhara, parecia um pouco assustada. – Eu acho que fiz algo ruim com você. – Permaneci em silêncio, baixando os olhos. Acho que sua bebedeira estava cedendo.

- Vá dormir. Eu preciso ficar sozinho.

- Mas eu...

- Por favor, Sabrina. Eu não quero conversar sobre isso. – Ela saiu do carro. Eu a esperei passar pelo seu portão e arranquei com o veículo.

Dirigia pela cidade, que era uma metrópole. Os raios do sol adentrando pelo vidro, aquecendo minha face. A sensação que eu ainda mantinha em meu corpo, que minha memória revivia trocentas vezes, era de Sabrina em mim. Aquilo de alguma forma me enojara. Eu já havia transado com ela antes, mas aquilo não podia nem ser chamado disso. Não queria perder o carinho que tinha por ela, mas não sei se conseguiria vê-la da mesma forma agora, justamente agora que estava prestes a deixar este mundo.

“Cody... o que está acontecendo?” Não... não queria olhar para Jess naquela hora.

“Porque está me perguntando?”

“Estou com um aperto no peito, me sentindo inquieto, e sei que isso vem de você. O que aconteceu?” Ali eu comecei a chorar novamente. “Onde você está?”

“Eu não sei. Estou dirigindo sem rumo há algumas horas... Não me preocupei em saber onde iria.” Jess ficara em silêncio. Reparei que estava em uma longa estrada vazia. Talvez saindo da cidade. Até que uma gigantesca sombra pairara sobre meu carro e sua nave prateada surgira repentinamente à minha frente. Eu freei com toda a força que tinha. Se meu carro não fosse tracionado, teria capotado. Jess saíra da nave quase que imediatamente, vindo em minha direção. Ele adentrara ao meu carro, e se sentara, me olhando plácido. Sua nave desaparecera.

- Vamos, me fale.

- Não sei como te contar isso. Eu estou envergonhado. – Respondi, sem olhá-lo. Jess se aproximara me puxando pela camisa, juntando sua testa à minha. Todas as memórias que eu tinha do que acontecera com Sabrina, vieram à tona sem meu consentimento, simplesmente saltaram em minha tela mental. Jess se afastara levemente.

- Está tudo bem, Cody. Não se preocupe quanto à nossa relação. Está tudo bem e nada vai mudar. O que me preocupa é em como você se sente com tudo isso.

- Eu não tive culpa, eu não quis que isso acontecesse, eu...

- Sei disso, eu acabei de ver. Minha pergunta é como você está se sentindo? Afinal isso é um abuso.

- Me sinto com nojo de mim, do meu corpo. Eu mal consegui tomar banho. – Senti Jess acariciar minhas costas. – Eu não quero que ela engravide.

- Não se preocupe. Seus espermatozoides estão inativos. – O mirei com uma ponta de alívio e uma estranha tristeza. A ideia de ter um filho parecia linda e revigorante. No entanto, ela não era para mim. Mas seria melhor assim, eu não poderia ajudar Sabrina a criá-lo, e não era com ela que eu queria um filho. Não havia sentido nesta ideia estapafúrdia. Além do mais, eu era um híbrido, não queria que meu filho sofresse o que eu sofri durante minha jornada, só por ser diferente. As coisas eram como tinham que ser, e assim era a vida.

Notas finais
Cody adulto tá uma tetéia! 😌🤌 ~ eu amo esse final de capítulo, com todo esse cuidado e preocupação que o Jess tem com ele..! ♥