Cycloudy

5 Um Novo Corpo


Notas iniciais
ATENÇÃO! Tem violência neste capítulo! ~ Avisando para não haver gatilhos! ~ Embora não haja descrição em detalhes.

Adentrei à casa em silêncio, até escutar uma conversa vindo da sala de jantar. Fui pé ante pé, afim de ouvir o que diziam.

- Eu não entendo. Sempre fizemos de tudo por Cody! – Minha mãe dizia.

- É a ingratidão adolescente! – Dessa vez era meu pai. Eles pareciam bem relaxados pra quem estaria com um filho desaparecido.

- Chad jamais fez algo parecido. – Porque será, não é? Será que era porquê Chad era o preferido? – Nunca entendi porque esse menino saiu tão diferente de nós. Preferia que ele se parecesse com Chad. Não ia me dar tanto desgosto. Imagina que mal posso mostrar uma foto dele, pra me perguntarem “seu filho é, não é?” – Certo, eu preferia não estar ouvindo aquela conversa, não que eu já não soubesse, mas ouvir isso a cada vez, magoava. Senti as lágrimas lotarem meus olhos. Eu realmente fazia tudo ao meu alcance para ser aceito naquela família, mas simplesmente nada adiantou até aqui. Agora eu entendia, eu era diferente porque não era daqui, não pertencia àquele povo.

- Quando eu botar minhas mãos nele, vou surrá-lo até que perca a consciência! – Nessa hora meu coração gelou.

- Então vai ter que cumprir sua promessa! – Eu havia sido arrastado até a cozinha por Chad, que me agarrara pela gola da camiseta. Sério, eu não notei aquele brutamontes atrás de mim.

- Seu ingrato! Onde você esteve? – Minha mãe viera até mim, me tirando das mãos de Chad e me arremessando contra a parede, me derrubando no chão. – Me RESPONDA!

- Por aí... – Eu disse, sem muito ânimo, até sentir o rosto arder. Ela havia me dado um grande tapa, me erguendo do chão. Olhei pra ela ainda com lágrimas nos olhos. Eu estava fazendo o maior esforço para que não escapassem.

- Você sabe o estresse que nos causou? A vergonha de ouvir os vizinhos falarem que não cuidávamos bem de você?! – Pela reputação, ela quis dizer. Não estavam realmente preocupados e isso não me surpreendia. Senti a mão pesada da minha mãe me desferir diversos tapas, até alcançar uma cinta de couro e continuar a me bater. Vou ser bem sincero, eu não senti a maioria daqueles golpes, parecia que eu não estava ali naquele momento, até realmente, como ela prometeu, me fazer perder a consciência.


**


- Olha, seu filho está com um quadro grave de anemia, então não são só os ferimentos externos. Há várias costelas quebradas e uma hemorragia interna que tivemos que conter. Não sei quanto tempo ele pode aguentar neste estado. – Eu ouvi uma voz grave de um homem mais velho falar. Eu não sentia muita coisa, parecia que estava vagando entre a consciência e a inconsciência. Até ver minha mãe ao lado da cama, com um senhor de jaleco branco. Havia um tubo de respiração na minha cara, e algo adentrava minha veia, girei os olhos e uma bolsa de sangue estava pendurada ao meu lado. Eu sabia que algo não estava nada bem. Mesmo que o médico não tivesse dito nada, eu sabia que não ficaria mais aqui por muito tempo. Eu estava indo embora e as palavras de Jess soavam aos meus ouvidos “você falhou em sua missão”. Um sorriso triste brincou em meus lábios. Eu não queria ser um fracasso. Eu escutei o aparelho apitar ao longe, até que o som se tornara insuportavelmente agudo e intermitente. Naquele momento, o meu corpo havia morrido.


**


Foi curioso ver a comoção, minha mãe pareceu assustada com a repentina mudança dos acontecimentos. Os médicos vieram às pressas, todos tentando salvar aquele corpo doente e frágil que pertenceu a mim por quinze anos. Era muito estranho me ver ali, deitado e inútil, meu rosto estava cheio de hematomas, um dos olhos bem roxos em volta. Até que Chad invadira o quarto, gritando em plenos pulmões.

- Você matou ele! VOCÊ MATOU O MEU IRMÃO! Eu NUNCA vou te perdoar! – Certo, aquilo me surpreendera. Chad estava mesmo... chorando? Por mim?! Confesso que um misto de confusão, raiva e compaixão me invadira. Minha mãe não chorava, nem mesmo meu pai olhando a cena do outro lado do vidro. Alguns enfermeiros tiveram que conter Chad, levando-o para fora. Não vou dizer que estava respirando rapidamente porque nem respirando eu estava mais! Eu olhei para meus braços, havia uma certa inconsistência ali.

- Interessante, não é? – Me assustei ao ver um Jess muito calmo parado ao meu lado.

“Você pode me ver?!” – Jess rira.

- Não exatamente, mas sinto sua presença e sei que está aqui. Agora me escute. Vou precisar da sua ajuda aqui. – Ele estala-la os dedos, e tudo em volta parara, abruptamente, como se alguém tivesse apertado o pause num filme. Ok, tudo REALMENTE estava uma bagunça total! Eu já havia desistido de entender. Jess com um movimento de mãos, abrira um portal do nada bem ali, no meio da sala do hospital. Havia um corpo em criogenia descansando num tubo de vidro.

- Este será seu novo corpo, uma mistura Cycloudiana e humana.

O QUÊ?!”

- Vamos trocar os corpo, e eu vou precisar que você mantenha a calma na hora do acoplamento alma x corpo. – Aquilo estava me assustando total e eu me perguntava que horas iria acordar. Ele abrira o vidro e muita fumaça saíra dele. Eu flutuei, sim, eu era um fantasminha camarada, como ia dizendo, eu flutuei até o corpo mantido ali, eu era muito parecido com o que era atualmente, a não contar que era um pouquinho mais alto. Meus cabelos pareciam um pouco mais longos, mas eram negros, lisos e minha pele tão pálida quanto atualmente. Era mais bonito, devo ressaltar aqui.

“Ok, mas há uma certa diferença.” – Eu disse, e minha forma de falar mais parecia um pensamento, uma vez que só Jess podia me “ouvir”.

- Humanos são influenciáveis, uma justificativa qualquer e eles irão acreditar.

“Ei! Eu era humano até poucos minutos atrás!”

- Você nunca foi humano, você estava humano. – Eu não tinha uma resposta então decidi me abster. Em questão de segundos meu corpo antigo havia desaparecido e meu novo corpo agora estava deitado no lugar. – Pronto?

“Hã? Não, eu...” – Jess esticara os braços, e parecia saber que eu estava ali. “Não, espera! Jess!” – Sem que eu pudesse lhe dizer mais nada, uma luz forte surgira de suas mãos e ele me “empurrara” com força e eu fui literalmente jogado dentro daquele corpo. Minha visão embaçara, mas pude ver três figuras de luz muito altas me rodeando. Talvez aquilo fosse a tal fusão que ele mencionou, pois senti uma dor tremenda em todos os meus ossos, mas pude escutar uma conversa, embora não visse mais nada.

- Está acontecendo? – Reconheci a voz de Jess. Eu sentia minha garganta queimar, eu queria gritar de dor.

- Sim, há resquícios de lembranças da dor que ele sentia estando no outro corpo. As dores gravam na memória de nossa alma, embora a dor aconteça no físico. – Era uma voz andrógina, não sei dizer se era homem ou mulher. Uma terceira voz, masculina soou.

- Mas não se preocupe, assim que ele se estabelecer no novo corpo, e se adaptar, ele vai melhorar consideravelmente. Este corpo está mais adaptado às nuances terrestres, é muito mais forte que um corpo humano e muito mais saudável. – Isso era maravilhoso! Pensei, enquanto suportava aquela dor tremenda. Aparentemente tudo ainda estava pausado, e ninguém mais podia ver tudo que realmente acontecia ali. Até que os sons foram interrompidos e os únicos sons que eu podia escutar eram dos meus ossos, do meu sangue fluindo em minhas veias, do meu coração batendo como louco em minha caixa torácica, até que eu puxara o ar com força, como se há séculos não respirasse.

- Cody! – Ao abrir os olhos, me deparei com a cara exagerada do meu irmão. Ele me abraçou apertado e quando se separou, afastou as lágrimas rapidamente. Eu o olhei como se há séculos não o visse e a lembrança dele chorando ao me ver morto, surgira em minha mente. Sim, eu podia me lembrar de tudo que havia visto e ouvido enquanto estava no plano astral, é assim que chamam, não é?

- Chad... O que está fazendo aqui? – Quis saber, havia estranhado o abraço. A sala estava diferente, parecia que segundos haviam se passado mas aparentemente eu estava errado com minha percepção de tempo.

- Bom... Sou eu quem sempre estou aqui com você. Eu sabia que você ia acordar uma hora. Você ficou em coma por seis meses. – Olhando bem, ele parecia mais velho e cansado. Haviam olheiras abaixo de seus olhos. Peraí, SEIS MESES?!

- Como eu dormi por tanto tempo?! – Me levantei de tudo, sentindo meu corpo renovado. De fato, aquele não era nem de longe, o corpo que eu costumava ter. Podia sentir a juventude soprar em meus cabelos, e em minha alma! Estou romântico, eu sei.

- É normal, depois de tudo que você passou e veja só! Você mudou nesse período! Seus cabelos estão mais longos e você cresceu! Quero só ver quando sair dessa cama! – Ele nem sonhava que havia “outro” Cody ali, um misto de extraterrestre com humano. Eu o olhei, aquele não era o Chad que eu conhecia, estava mais mudado que eu, que havia literalmente trocado de corpo.

- O que aconteceu com você? Não é meu irmão. – Ele pareceu sem jeito.

- Eu queria muito conversar com você. Estava ansioso para que acordasse. – Ergui uma sobrancelha. O que por Deus ele queria conversar?! – Me desculpe. Por todos esses anos. Por tudo que eu te fiz, por explorar você, por não te ver como um irmão deveria ver. Eu deixei que mamãe te machucasse tanto... eu não... – Ele baixara a face e chorara em silêncio, o rosto entre suas mãos. Ok, aquilo era assustador! Eu nunca havia visto meu irmão chorar. — ... Eu não devia ter permitido. Quando eu resolvi intervir, já era tarde e você havia desmaiado. Me perdoe, por favor. – Eu segurara suas mãos, incrivelmente minhas mãos estavam quase do tamanho das de Chad! Será que esse suposto “crescimento” ia mesmo ser considerado normal aos olhos humanos?

- É claro que eu perdoo você. – Ele me puxara para si, me abraçando mais uma vez. Eu me deixei levar e o abracei de volta. Podia sentir seu corpo tremer, seu coração acelerado. Sim, eu era capaz de sentir e ouvir todas essas coisas. Os caras iluminados não estavam brincando quando disseram que esse corpo era zero bala!


Naquela semana os médicos me deram alta, e sim, bem como Jess dissera, eles atribuíram meu crescimento absurdo à quantidade de vitaminas, o tratamento que recebi e minha puberdade, uma vez que fiquei vários dias internado. Ok, aquilo era demais! Obviamente que “alguém”, vulgo Jess, deve ter alterado a mente daquela galera ali.

- Uau! Você cresceu muito, Cody! – Meu irmão ajeitava minha camisa pra mim. Eu ainda era mais baixo que ele, mas podia notar meus pulsos mais grossos, minhas mãos maiores, mais musculatura e meus cabelos estavam absurdamente mais longos, alcançando minha cintura. Eu os prendi num rabo de cavalo baixo. Então mirei meu irmão.

- Como estou?

- Parecendo outra pessoa! Olhe só pra sua altura, cara! Quanto você está medindo agora? Um e setenta e cinco?! – Poderia ser? Como alguém se convenceria com tamanha mudança?

- Sei que é meu irmão porque o rostinho de boneca continua o mesmo. – Ele pareceu sem graça ao dizer aquelas últimas palavras. – Quer dizer, é um elogio, tá? Você sabe o quanto você é bonito, não é? – Ele estava mesmo me elogiando?

- É mesmo? Eu não sei não, a única coisa que escutei minha vida inteira, é que tenho cara, jeito e corpo de bicha. – Chad ficou vermelho, e baixara face.

- Perdão, meu irmão. Você é realmente muito bonito. Homem ou mulher, qualquer um acharia isso. – Ele dissera, pousando uma mão em meu ombro esquerdo. Chad havia realmente mudado, estava arrependido. Isso me comovera? Sim, é claro. Eu sou coração mole, vocês sabem, já notaram isso, não é? O olhei com pesar. Não esperava isso. Talvez a surra que ele presenciara tenha sido muito? Eu estava adiando pensar nisso, mas de fato minha mãe havia me batido tanto, que minha vida se fora.

- Tudo bem. Você sabe que não sou de guardar mágoa. – Ele sorrira. – Mas e a... mamãe? Como ela está?

- Ah... ela veio te visitar nos primeiros dias. Depois disse que não poderia continuar vindo, por conta do trabalho. Você sabe que ela é ocupada, né? – Eu sabia, mas eu de fato havia morrido de tanto apanhar, e ela não veio mais me visitar. Eu era transparente, era óbvio meu descontento. – Não fique assim, papai vinha todos os dias. Esteve aqui ontem comigo. – Ergui os olhos. Ah, pelo menos o meu velho veio me ver. Sorri para Chad.

- Acho que nossa mãe não quer me ver tão cedo. Eu não tenho pra onde voltar. – Eu disse, me sentando de volta à cama.

- Que isso! Você vai voltar pra casa, comigo! Você é da família, é meu irmão!

- Eu sei, Chad, mas não podemos ignorar o fato que ela quase me matou. Só porquê fiquei fora um dia. Eu nunca dei trabalho, sempre fiz tudo que nossa mãe quis, sempre fui obediente. Você sabe muito bem disso! – Eu sei que estava vivo agora, mas não era graças a ela. Se não fosse Jess e seus aparatos de Clark Kent, eu já havia ido de arrasta. Na Terra não há substituição de corpos, isso é um fato, até onde sei.

- Eu briguei com nossa mãe por causa disso. Não há como encará-la depois de tudo que ela fez. Não consigo perdoá-la. – Ele dissera, sentando-se ao meu lado. Eu não sabia o que dizer, uma vez que ele estar agindo à meu favor, era uma tremenda novidade!

- As coisas vão se acertar, eu espero. – Eu disse, me levantando, embora tenha visto tudo girar no processo.

- Ei! Vai com calma, rapaz! Você acabou de acordar de um coma! – Eu me apoiei em Chad. Ele tinha razão, mas a verdade era que a tontura era devido à troca de corpos. Eu sabia que o processo poderia ser demorado. Eu ainda não estava acostumado com meus membros longos, e não pense besteira, estou me referindo aos meus braços e pernas, ok? Nem sei o tamanho que estava aquilo lá embaixo e nem me perguntem! Enfim, no geral até que eu estava me sentindo bem, com muito mais energia e vitalidade. Mas uma hora eu teria de encarar a minha vida.

- Vamos pra casa então.


**


Lá estava eu, mirando minha casa após meses fora. Ser mais alto era realmente estranho. Eu adentrei com Chad pela porta da sala, meu pai me viu e veio me abraçar com muita alegria e surpresa pela minha nada discreta mudança.

- Você ficou mais forte, ou é impressão minha?

- Pai, você não é uma impressora! – Escutei ele gargalhar.

- Você me deu um grande susto, menino. Achei que fosse perder meu caçula. – Meu pai dissera, me puxando para outro abraço. E a lembrança dele dizendo que não conseguia mostrar minha foto para as pessoas, surgira em minha mente. Ah cara, é difícil esquecer as coisas que as pessoas dizem sobre nós. Com vocês também é assim? – Bom, agora você está da minha altura. Nunca imaginei que cresceria tanto! – Nem eu nunca imaginei, em nenhum dia na minha vida, que eu morreria e um alien me daria um corpo! Chad me levou até a cozinha, onde minha mãe corrigia provas na mesa de jantar.

- Mãe, olha quem está aqui! – Ele dissera, me puxando.

- Hum... Bem-vindo de volta, Cody. Assim que se ajeitar, faça a janta.

- MÃE! Ele acabou de voltar de um coma!

- Então já pode voltar a trabalhar. – Ela dissera, sem me olhar nenhuma vez. Aquilo era surpresa pra mim? Se eu te dissesse que sim, vocês acreditariam? Pois bem, eu achei que ela falaria algo, não estava esperando desculpas, mas ao menos um olhar pro filho que ela matou. Mas nem isso.

- Não, ele não pode. Ele vai descansar e eu farei a janta. Venha, Cody. – Chad me puxara para longe, me acompanhando até meu quarto, que estava limpo e organizado. – Eu arrumei seu quarto, e comprei algumas roupas novas quando percebi que estava crescendo.

- Você comprou??

- Sim, eu estou fazendo estágio e estou ganhando uma grana. – Ele contou, coçando a nuca sem jeito.

- É sério?! Meu Deus! O quanto as coisas mudaram por aqui?! – Chad rira.

- Muitas coisas. Eu percebi que precisava cuidar melhor da minha vida, e aqueles dois namoros que eu tinha, terminei. – Eu estava embasbacado. Eu nunca iria prever isso, nem em meus sonhos! Talvez a maior mudança tenha sido em Chad. Meu pai também mudou. Só estava triste por minha mãe. Eu não havia falhado totalmente se olhasse para os outros dois homens da casa. Eu esperava que conseguisse com minha mãe também.

- Estou orgulhoso de você. – Falei, pousando a mão em seu ombro. Chad me olhara surpreso, como se eu tivesse dito algo inusitado. Até vê-lo sorrir como uma criança que ganha um presente.

- Poxa, irmão! Obrigado! – E mais uma vez ele me abraçara no estilo quebra ossos.


Estava sentado em minha cama, observando tudo ao redor. Minha vida dera uma volta de cento e oitenta graus! Num minuto seguinte eu já não era mais eu, não me sentia mais o velho Cody. Minhas lembranças da vida estavam todas ali; remexi meus cabelos, os fios finos e ralos, pareciam os mesmos, olhei minhas mãos, eram grandes agora, meus pés eram enormes e as pernas bem mais longas. Me levantei, indo até o espelho na porta do guarda-roupas. Meu rosto parecia o mesmo, mas meus olhos eram levemente oblíquos, bem como os de Jess, eram maiores também, evidenciando o DNA alien em minhas veias. Se os humanos ao meu redor soubessem disso, o que pensariam? Eu estava de fato mais bonito. Tirei a camisa e pude notar mais músculos na constituição daquele novo corpo. Era magro, mas bem mais torneado do que meu corpo anterior. Olhei aquele negócio lá e estava maior também. Até coxas eu tinha! E a bunda então? Virei de lado e dei uma boa apertada nas minhas nádegas.

- Nada mal! – Sorri pra mim mesmo em satisfação.

- Cody! Venha jantar! – Chad me chamara, e eu realmente estava estranhando aquele ambiente.

A mesa de jantar estava posta, não sei quando Chad aprendera a cozinhar, acho que seis meses é o suficiente pra alguém aprender, não é mesmo? Me sentei à mesa com nossos pais e meu irmão. Ele havia feito bife com cebolas. O cheiro estava bom, eu adorava cebolas. Minha mãe não me olhara em nenhum momento, somente meu pai que conversava amenidades conosco. Na primeira garfada do bife, algo estava errado, mastiguei a carne e meu organismo simplesmente rejeitou aquilo, nem cheguei a engolir, pra sentir a ânsia vindo. Me levantei imediatamente, e vomitei enzimas no banheiro.

- O que houve? A comida estava tão ruim assim? – Chad viera me perguntar. Eu logo soubera do que se tratava.

- Não, de maneira alguma. Mas acho que não posso comer carne. – Respondi. Já havia lido que determinadas raças alienígenas são vegetarianas, provavelmente isso valia pros Cycloudianos também. Eu nunca fui muito fã de carne, mas comia o que me davam. Agora porém, as coisas mudaram de quadro.

- Entendi. Me desculpe, eu não fazia ideia.

- Eu também não. – Respondi. Voltei pra mesa e meu pai havia me perguntado se estava bem, respondi que sim, mas não estava. Comi salada e me dei por satisfeito. Aquele clima com minha mãe era terrível. Como alguém consegue ignorar o outro à esse ponto? Sempre fui um bom filho, mas nunca houve um reconhecimento ali, somente reclamações e xingamentos. Acho que vocês notaram que até mesmo minha narrativa mudou um pouquinho até aqui. Talvez eu realmente esteja mais triste. Eu costumava ser alguém mais positivo e bem humorado apesar de tudo, mas sabe, tem horas que a gente quer realmente desistir. Me pergunto se foi boa ideia Jess me salvar, talvez teria sido melhor deixar as coisas como estavam. Eu não posso salvar o mundo, e muito menos a humanidade. Os humanos conseguiram destruir o que havia de melhor em mim, e agora estou aqui novamente, sem a energia para recomeçar. Espero que Chad me ajude, e que Jess não me abandone, porque eu, bom... as vezes sinto que já me abandonei.


Notas finais
Cody 2.0 ficou ou não ficou lindo? ♥‿♥ Particularmente, sou apaixonada por esse meu personagem! Aliás, não sei se alguém está lendo mas em todo caso: FELIZ ANO NOVO, MEUS LEITORES MAIS LINDOS DESTE MUNDOOOO!!!! Bjs da Lyze ( ˘ ³˘)♥