Cycloudy

6 Minha Mais Renovada Presença


Notas iniciais
Boa leitura! ≽^•⩊•^≼

Meu primeiro dia de aula após me “recuperar do coma”, o que eu e você sabemos que não foi bem assim. Bem, nem preciso dizer que tudo foi bem estranho. Ao entrar na escola, alunos que nunca me notaram na vida, viravam as cabeças para me olharem, uau! Virei uma atração e nem posso falar que me senti um extraterrestre porquê de fato eu era!

- Ouvi dizer que ele apanhou tanto de alguém que ficou em coma! – Infeliz, eu posso escutar você! Porque as pessoas não cochicham baixo? Obviamente tive que ignorar os comentários nada discretos.

Mas foi quando entrei em sala que o burburinho foi maior. Lembram do Peter? Aquele desgraçado que queria abusar de mim? Pois bem, eu estava mais alto que ele, acreditam? Acho que o ditado de quem ri por último ri melhor, funcionou aqui! Claro que todos me olharam e se calaram quando entrei em sala. Eu não havia vindo com uniforme, o mesmo havia ficado pequeno, então fui somente com uma camiseta preta, calça jeans e botas pretas que meu irmão me dera, pois é, usávamos o mesmo número, segundo Jess, ninguém ia perceber a mudança, tsc.

- Bem-vindo de volta, Cody! Você está realmente mudado! – O professor de matemática. Eu não havia cortado meu cabelo, só pra constar.

- Obrigado, professor. Seis meses é bastante tempo.

- Sim, vocês estão na idade de crescer. Por favor, sente-se. Seu lugar ainda está vago. – Com um aceno de cabeça fui em busca do meu lugar. Olhei profundamente para Peter, com um ar de “te pego na saída, seu desgraçado!” e me sentei. O silêncio daquela sala chegou a doer meus tímpanos, em anos estudando ali, nunca havia presenciado esse milagre. Era bem claro pra mim, perceber o tipo de olhar que me davam, fosse homem ou mulher. E eu poderia me achar um pouquinho? Pois bem, eu estava me achando bonito pela primeira vez na minha vida. De certa forma, aquele corpo tinha uma certa presença e elegância, que eu acho, meu corpo anterior não possuía. Pois bem, a aula ocorreu como de costume, a não contar com os olhares que hora ou outra alguém me dava e Peter não se atreveu a me cutucar.

Saí para o intervalo, decidi falar intervalo agora porque estou amadurecendo, enfim, no intervalo procurei minha árvore preferida e sentei no canteiro redondo que contornava seu tronco. Havia trazido uma fruta pra comer, não podia comprar lanche pois todos tinham carne, a merenda escolar era a mesma coisa. Escutei alguns moleques cochicharem, valha-me Deus isso nunca iria acabar?

- Cody, o que aconteceu com você? – Peter. Não me dei o trabalho de olhá-lo.

- O que você quer?

- Poxa, não me trate assim. Fiquei preocupado com você, sumir por todo esse tempo. Ouvi que você apanhou tanto que quase morreu. – Haviam moleques ao lado dele, todos riram. Eu os mirei seriamente, e eles se calaram.

- Não dou a mínima para o que você ouviu ou deixou de ouvir.

- Cody! – Agora a coisa ficou estranha. Como toda a escola, há sempre o clube das patricinhas que geralmente são as garotas mais lindas, porém as mais fúteis também. Pois bem, o clube das meninas vieram até mim. – Você mudou MUITO! – A líder delas, Sabrina, me falara. – Ficou um gato! Você já era, mas tinha carinha de criança. Esse coma fez bem pra você, hein! – Oi? Ela disse mesmo “esse coma fez bem pra você”? É sério isso produção?

- Obrigado.. eu acho. – Isso era mesmo um elogio, né? Enfim, Sabrina era daquelas patricinhas típicas, com tudo farto, se é que me entendem. Olhos pretos, cabelos claros, pele corada. Ao menos ela era inteligente ao ponto de não dar mole pros babacas do colégio, sabíamos que ela namorava algum universitário de família rica, mas dessa parte não tenho certeza.

- Então, como não sou de ver homens bonitos com frequência, e também não sou de deixar oportunidades passarem... – Ela dizia, enquanto se sentava ao meu lado, as amigas dela em volta e os babacas do Peter e sua gangue da terra do nunca, olhando sem saber bem o que estava acontecendo e eu devo confessar que estava em real situação, talvez a única vez que eu e Peter tivemos alguma coisa em comum. Sabrina enroscou os braços ao redor do meu pescoço. Peraí, o que tá acontecendo mesmo? Ela se moveu tão rapidamente que no segundo seguinte se sentara em meu colo, gente, eu não era o gay da escola? O que foi que eu perdi mesmo? Mas o que veio a seguir vocês não vão acreditar. Ela lambeu meus lábios e pôs a língua na minha boca! Nessa hora eu não acreditava e meu fantasminha só flutuou para fora do meu corpo. Eu correspondi, meio que fui obrigado a fazer isso, no calor do momento que eu nem sequer conseguia processar direito. Os meninos que acompanhavam o Peter assobiavam e então eu olhei para Sabrina, que me deu uma piscadela, e continuou a me beijar. Eu havia entendido, fechei os olhos e a beijei com vontade. Meu primeiro beijo não havia sido com quem eu amava, mas havia sido com uma mulher que se tornaria uma amiga colorida.

Naquela tarde eu estava voltando para casa sem entender muito bem tudo que havia acontecido, até Sabrina me chamar, já há duas quadras da escola.

- Acho que o que fiz, foi suficiente pra calar o que aqueles idiotas fazem com você.

- Obrigado. Eu confesso que achei bem estranho, não havia entendido até você piscar pra mim. – Ela sorriu.

- Você é inteligente, sei que é um dos alunos com maior nota da escola. E virou um nerd muito gostoso, viu? – E nessa hora ela apertou minha bunda. Sim, minha gente! Sabrina era abusada. Isso pode ser considerado assédio? – Foi seu primeiro beijo? – Como ela sabia? Eu corei no mesmo instante. – Ah, eu sabia! Me desculpe se você tinha outros planos pro seu primeiro beijo. – É, eu tinha...

- Tudo bem, você me salvou. Eu te devo uma. – Ela me olhou e sorriu, nesse momento uma moto saíra do quinto dos infernos e viera à toda em nossa direção, eu não pensei muito, a puxei pra mim pela cintura, virando-a para o lado oposto. – SEU DESGRAÇADO, OLHE POR ONDE ANDA! – Gritei de raiva. Ao olhar para Sabrina, ela estava assustada e ao mesmo tempo pude ver seus olhos brilharem. Foi aí que me toquei que ainda estava com ela em mim, e a soltei. Entendam, eu não estou acostumado a bancar o herói, mas eu tenho um bom reflexo, e agora, força suficiente para fazer tais atos.

- Obrigada, Cody. Eu não percebi a moto.

- Tudo bem. Quer que eu a leve até em casa?

- Não, eu combinei com meu namorado na lanchonete da avenida. Está a uma quadra. – Então ela realmente tinha um namorado.

- Ok, Sabrina. Te vejo amanhã! – Eu disse, ela me puxou pelo pulso, e me deu um selinho. Mano, isso era traição, certo? Ela tinha um namorado!

- Desculpe. Ok! – Ela se virou, e se foi, quase correndo. Não sei se era impressão minha, ou ela estava de fato na minha?


**


Estava deitado em minha cama, Chad havia dividido as tarefas domésticas comigo, e dessa forma, eu tinha tempo livre e não estava mais sobrecarregado. Pela janela, a luz da lua me iluminava. Eu ergui o pulso esquerdo, a pulseirinha vermelha de cetim ainda estava ali. Eu a segurei com a outra mão.

- Jess... – Eu não o havia visto na escola, e nem havia visto desde que recobrei a consciência. Até que um som mínimo fora escutado do lado de fora, e no segundo seguinte, Jess estava ali, parado na minha frente. – AHHH!

- Calma! Sou eu! – Ele viera ao meu encontro, me abraçando fortemente contra seu peito. – Xiii.. Vai acordar todo mundo. – Ele disse, acariciando meus cabelos. O cheiro dele era diferente dos perfumes da Terra, era peculiar e único, se fosse comparar, diria que lembrava o cheiro da floresta, ou dos campos verdes. Ele me soltou, me olhando atentamente.

- Como você entrou aqui?

- Como você acha? Pela janela, é claro! Minha nave está do lado de fora. – Ele fizera um sinal, e eu fui verificar. Havia algo semitransparente, parado no ar, há alguns metros do chão, a forma circular me fizera lembrar da primeira vez que entrei naquele veículo de chão indecente. – Como você se sente? – Perguntara, me olhando enquanto sentava em minha cama, me puxando junto.

- Estou bem, quer dizer, esse corpo é incrível! Eu não sinto dores, é muito mais energético, ativo e forte. Sem contar que é visivelmente mais bonito. – Eu o vi sorrir.

- Ele é a exata cópia de como você era na adolescência antes de vir para a Terra. Nós, Cycloudianos, preservamos nossa aparência, mesmo habitando corpos humanos ou de outras espécies.

- Eu era bem bonitão, então!

- Você sempre foi, e mesmo naquele antigo corpo, ainda era.

- Jess, eu não consigo comer carne. – Pontuei, antes que caísse no esquecimento.

- Ah sim, isso era esperado. Nós não comemos carne e nem nada físico. Seu corpo tem genes Cycloudianos, obviamente iria rejeitar alimentos que não condizem com nossa dieta. Mas posso garantir que a alimentação vegetariana seria a mais indicada para um híbrido como você. Aqui, eu trouxe isso. – Ele me entregara uma sacolinha de pano. – Há pastilhas de alimento, coma uma por dia. Vai ajudar você a se adaptar cada vez mais ao seu novo corpo, além de te nutrir mais que as comidas humanas, também irá ajudar em seu crescimento.

- Crescimento? Já não cresci o suficiente?

- Na verdade, não. Você vai chegar à minha altura. Homens possuem cerca de um metro e noventa à dois metros.

- O QUÊ?! – Ele só podia estar brincando! – Como vou fazer todos acreditarem que isso é normal?

- Ah sei lá, comece no basquete. – Era uma boa ideia. Mas só tem um problema, tenho medo de bolas.

- Supere seus medos. – Eu o olhei surpreso, ele podia..?

- Ler seus pensamentos? Sim, eu posso, mas só acontece com você, porque temos uma ligação.

- Ligação? Que tipo de ligação? – Ele pareceu sem jeito. Na mesma hora, corei. – Ah, certo. Já entendi.

- Cody. Eu vim aqui pra te dizer algo importante. – Minha espinha gelou. – Você não tem muito tempo aqui na Terra. Seu corpo é resistente, mas não é completamente humano. Ele foi projetado para durar um tempo, mas quando esse tempo acabar, vou te levar embora comigo. Abrimos essa exceção, porque você queria terminar sua missão. – Eu estava surpreso, admito.

- Certo. Quanto tempo tenho?

- Alguns anos. Cerca de dez. – Ok, era bastante! Esperava que fosse alguns meses. Era tempo suficiente pra tentar ajudar a minha mãe. Eu sabia que ajudá-la culminava em ela me aceitar, de alguma forma, eu precisava tocar as pessoas à minha volta. Mas eu tinha algum tempo, talvez eu conseguisse fazer isso.

- Vou dar o meu melhor pra terminar minha missão. Jess, obrigado! Sem você eu jamais seria capaz de estar aqui. Serei eternamente grato. – Ele me puxou para si, me abraçando fortemente mais uma vez. Ele usava uma camiseta branca de gola alta e manga longa, calças brancas e botas prateadas.

- Eu estou feliz por você estar aqui. Agora ninguém será capaz de te parar. E eu estarei sempre aqui pra você. Eu sei que vai conseguir cumprir sua missão. – Meus olhos se encheram de lágrimas, eu era sensível e não aguentava palavras como aquelas. Eu não era de escutar isso com frequência. – Tome a pastilhas todos os dias, você pode sentir “dores de crescimento”.

- Tudo bem. Obrigado.


Notas finais
Peter é um idiota, mas ele é bonito.. ʅ(◞‿◟)ʃ