Na escola eu havia adquirido popularidade. Comecei no basquete, e eu era realmente bom nisso. Estava com um e oitenta de altura e aquelas pílulas, Jess me dera uma nova sacola cheia delas, realmente me faziam crescer rápido demais! A não contar pelas dores que eu sentia ao acordar, as pílulas ajudavam muito para amenizar o desgaste físico. Por sorte as pessoas ao redor diziam que era a puberdade. E particularmente, se não fosse esse novo corpo, eu não cresceria nem dez centímetros, tenho quase absoluta certeza disso. Haviam se passado alguns meses. Eu estava indo bem em meu trabalho de meio período, quase todo dia Chad ia me ver na biblioteca, conversávamos um pouco. Sabrina bem que tentara ficar comigo mais vezes, mas eu não pude continuar com isso, e fiquei feliz dela ter entendido. No fim éramos bons amigos, atualmente ela estava de olho em um rapaz e me alugava para falar dele nos intervalos. Devo confessar que nos dávamos melhor assim. Meus pais eu não havia visto desde que saíra de casa. Chad me diz que papai pergunta de mim frequentemente, mas nunca veio me visitar na república. Hoje pedi a Jess, para me encontrar numa pizzaria perto de onde eu moro, vou apresentá-lo ao meu irmão, que insiste em conhecê-lo. Isso vai dar certo? Só Deus sabe!

- Então você é o famoso rapaz que meu irmão fala tanto. – Chad o olhara de esguelha, apertara sua mão, sorrindo como se fosse comê-lo vivo, com as presas, não pensem bobagens!

- Prazer, sou Jess. – Bem, agora eu havia alcançado a altura de Chad, mas Jess ainda nos ganhava com seus um e noventa! E antes que alguém pergunte, eu gosto de falar de altura porque eu era complexado e agora eu poderia me achar um pouquinho, ok?

- O prazer é meu, sou Chad. – Logo arrumamos uma mesa na área externa do local. Eu encontrei no cardápio algumas pizzas vegetarianas, Jess, que não comia, não pediu nada com a desculpa de estar sem fome. Eu e Chad devoramos duas pizzas médias, eu gosto de comer, só não comia muito porque não existia pra mim o conceito de “comer à vontade” enquanto vivia com meus pais.

- Então você tem dezessete anos, e estuda na mesma escola do Cody..? – Chad indagava.

- Sim, nós nos conhecemos lá, em um dia que seu irmão quase foi abusado por cinco garotos. – Jess era calmo e neutro. Mas eu o olhei e pensei “pra que falar isso.”? E a resposta que notei só com seu olhar, foi algo como “sua família deveria saber o que você sofria!”.

- Como é? Abusado por cinco garotos? – Chad me olhara.

- Tudo bem, já passou.

- Não está tudo bem! – Chad se exaltara.

- Sim, eu consegui expulsar os garotos. – Disse Jess, e eu queria arrancar sua língua!

- Como você não contou isso pra sua famíli... – Ele parara a frase. Talvez porque tivesse lembrado o motivo. Ele mirou Jess, estava visivelmente sem graça.

- Seu irmão sempre sofreu muito bullying. Agora que está crescendo, isso parou. – Jess segurara minha mão que descansava em cima da mesa. Chad olhou o gesto, e corou.

- Tá, mas... vocês são um casal, como os casais héteros? – Me perguntei onde Chad queria chegar com essa pergunta descabida, não podia esquecer que meu irmão era meio ignorantão...

- Sim. Qual seria a diferença? Além do óbvio, é claro. – Eu respondi. A conversa não rendeu muito. Me pareceu que Jess e Chad não se entenderam. E logo eu disse que precisava ir, pois tinha provas no outro dia, o que era uma mentira. Chad se despedira de nós e saiu. O vi atravessar a rua e, naquele momento uma moto viera à toda, e eu não sei dizer se meu irmão vira o que realmente aconteceu, só sei que ouvi uma grande batida e quando olhei, Chad e o motoqueiro estavam estirados ao chão.

- Chad!!!!!!!!!! – Tá, eu perdi a razão, corri pro centro da pista, sem olhar se haviam carros ou o que fosse. A verdade é que eu entrei em desespero. Eu vi sangue em toda parte, meu coração disparara e eu não conseguia pensar.

- Cody! Cody! – Parecia que eu havia ficado surdo por alguns segundos, até ouvir a voz de Jess no fundo da minha mente. Olhei pro lado e ele iluminava com as mãos, o motoqueiro que havia batido a cabeça e estava desacordado. – Eu sei que você consegue! – Ele disse. Olhei para meu irmão, estava ferido no abdômen, mas estava de olhos abertos. Eu olhei seu ferimento, me concentrei e desejei com todas as minhas forças que aquilo funcionasse, porque queria meu irmão vivo, e em segundos minhas mãos se iluminaram de dourado, e eu pude ver seus ferimentos se fechando rapidamente. Chad, que manteve-se acordado, arregalara os olhos, levantando-se, e sentando-se no asfalto.

- O que diabos são vocês?!


Eu sabia que ninguém deveria estar à par da real situação, da verdade propriamente dita, quero dizer. E eu estava disposto a esconder isso de todos. Mas meus planos deram errado, e eu estava ali, com Chad e Jess no meu quarto. Meu irmão com olhos arregalados, a camisa suja de sangue e a mente confusa.

- Eu não queria esconder isso de você, eu só não sabia como te contar algo que aparentemente é um absurdo. – Chad estava sentado no tapete ao pé da minha cama, Jess na cadeira da mesinha de estudo, e eu na cama, olhando para os dois, esperando meu irmão surtar com essa notícia.

- Eu me lembro, quando eu era criança, via bolas de luz em volta de você quando bebê. Já vi na rede, já vi no seu berço. Papai odiava quando eu dizia essas coisas, por isso parei de contar aos nossos pais. Agora eu sinto que alguma coisa aqui está fazendo sentido. Você ser tão diferente de nós, nossa mãe com uma aversão estranha, enfim. Por isso me disse que não tinha muito tempo aqui.

- O corpo que cedemos a ele, tem um prazo de no máximo dez anos, isso se ele mantiver uma vida saudável, praticar exercícios e consumir as pílulas que repõe seus níveis de vitaminas e nutrientes necessários para este corpo. – Jess disse, o que deixou Chad boquiaberto.

- Meu irmão realmente morreu naquele dia? – Ele indagara, seus olhos com lágrimas prontas para escorregarem por seu rosto.

- Seu irmão está aí do seu lado. O que morreu naquele dia, foi seu corpo doente e desgastado. Se não tivéssemos feito a intervenção, provavelmente não duraria muito. As condições de saúde dele eram realmente ruins. A agressão só agravou o que já não estava bom.

- Eu não consigo perdoar a mamãe por isso. Eu... – Ele baixara a face, e as lágrimas finalmente caíram. Eu escorreguei meu corpo para seu lado, e o abracei fortemente. Chad chorou como uma criança, eu nunca o havia visto chorar daquela forma antes, e pude sentir o quanto ele me apertara, e chorara em meu peito.

- Chad, eu estou aqui.

- Eu sinto.. muito. Por tudo! Por tudo que fizeram com você.. por eu ser um péssimo irmão, por tudo ter dado tão errado. Você teve que morrer, e agora não tem mais tempo para viver aqui.

- Eu tenho sim, o suficiente.

- Não é suficiente pra reparar meus erros com você! Nem cem anos seria! – Eu suspirei fortemente, não sabia mais o que dizer. A verdade nem sempre era doce.


Jess havia ido não muito depois e Chad dormira abraçado comigo em minha cama, chorara até pegar no sono, como uma criança faria. Ele era grande e forte, e eu só era grande, agora, e estava um pouquinho mais alto que ele. Meu crescimento era aceleradíssimo e anormal. Me peguei olhando-o dormir, e o pensamento de que perdemos de fazer maravilhosas memórias juntos em família, me pegara de um jeito, que fizeram meus olhos transbordarem em lágrimas. Eu realmente havia tentado de tudo para fazer parte daquela família, mas a verdade da rejeição era realmente dolorida, a vida era um caminho sem retorno, não se pode voltar no tempo e essa era a lamentação de Chad.

Abri meus olhos sentindo a claridade do dia doer meus olhos. Chad estava sentado na cama, me olhando atentamente. Ele levou uma das mãos a esparramar meus cabelos.

- Você está maior que há um mês atrás. E eu devia ter estranhado isso. – Ele disse, rindo-se.

- Fazer o quê, quando se é um etê?

- Ah não! Haha, seu palhaço! – E ele me dera cócegas na barriga, e de alguma forma, aquilo me fizera viajar no tempo, numa época tão antiga, talvez eu tivesse meus dois ou três anos de idade e Chad fazia essa mesma brincadeira. Talvez quando fôssemos crianças, nossa convivência devia ser melhor, eu apenas havia me esquecido disso.

- E então? Você e o tal do Jess já fizeram “aquilo”? – Eu o olhei meio sem saber se deveria ou não contar. Meu irmão não era muito maduro.

- Se eu te contar, promete que não vai ser infantil e tirar o sarro? – Ele erguera uma sobrancelha.

- Desde quando sou infantil?

- Desde que... nasceu?

- Cody! – Eu me peguei gargalhando.

- Tá, eu não vou tirar o sarro. Só não me diga que foi você o enrabado, por favor! – Ok, aquilo era demais!

- Ei! E daí se for essa minha preferência?

- Ah não, Cody...!

- Olha, os Cycloudianos não possuem órgãos genitais, portanto, não dá pra transar com eles. – E pronto! Chad bem que tentara se manter sério, mas logo soltara uma grande gargalhada. Fiquei irritado? É óbvio! Dei um chutão na sua bunda e ele parou.

- Tá, ok, desculpa! Mas agora realmente simpatizei com o zoiudo.

- Não chame ele assim!

- Mas você já reparou o tamanho dos olhos dele? CARA aquilo é normal?

- Pra um Cycloudiano sim. Ele não é humano, Chad. É um alien. – Nessa hora que a ficha do Chad havia caído. Acho que ele estava bêbado de tanto refrigerante ontem.

- Ele não tem um corpo igual ao seu, tipo um híbrido?

- Claro que não! Eu tenho órgãos sexuais! Tecnicamente sou um humano normal, e meus olhos são do tamanho dos dele, só você que não percebeu isso. – Nessa hora, Chad chegara perto.

- Mas que porr..?! Que magia é essa?! – Ele se assustara ao notar.

- Pois é.

- Tá então você ainda é virgem, mesmo sendo todo bonitão agora?

- Você me acha bonito?

- Você sempre foi bonito, Cody... já te falei isso. – Sorri de canto.

- Não sei porque cargas d’água você se preocupa tanto com minha sexualidade! E não, eu não sou mais virgem.

- Eu sabia que você ainda continuava... O QUÊ? Perdeu isso com quem? Se o etezão lá não tem pinto??? Com que cara você saiu? – Aquilo ia me dar dor de cabeça.

- Não foi um cara, tá? Foi uma garota da escola...

- Como assim, Cody?! Você não era gay?

- Aparentemente não. Sou bissexual... eu acho..?

- Tá, e quem foi a felizarda?

- Não vou dizer.

- Ah... foi a Ana. Você ficou lá uma semana. Foi com ela, não foi?

- Não vou dizer.

- Ah, Cody! Qual é?! Ela me ligou depois que você dormiu lá, e me contou que vocês eram bem próximos na escola. Eu só não sabia que eram tanto! – Sabrina fofoqueira, como que me conta uma coisa dessas pra esse desparafusado do meu irmão?

- Tire suas conclusões, não vou confirmar nem negar.

- Ah, eu sei que foi com ela. A Ana ficou uma gata mesmo. Nem tu resistiu. – Revirei os olhos nas órbitas, se aquele papo continuasse, eu iria vomitar.


Notas finais
Oieee! Desculpe a demora, pessoal! Gostaria de agradecer a Thalia, por seguir a história! Gratidão por estar lendo! (๑>◡<๑)