Cycloudy

13 Aniversário Tempestuoso


Era meu aniversário e o tempo estava realmente feio, ameaçando uma chuva das grandes no começo da noite. Chad havia preparado um bolo recheado e confeitado, pasme, ele mesmo havia feito! Pois bem, me convidara para ir à casa de nossos pais, e eu obviamente não gostei nada da ideia. Desde que eu fui embora naquela noite, não havia retornado. Nem meu pai ou minha mãe haviam me visitado. E assim eu estava vivendo. Quando entrei, meu pai me recebera com um abraço e um sorriso.

- Não acredito que você mudou tanto assim em apenas um ano! – Ele me dissera, Chad me olhara de soslaio, e eu o olhei de volta, a típica comunicação com o olhar.

- Pois é, a puberdade foi melhor para ele do que para mim, está até mais alto! – Chad dissera.

- Não, que isso! Pra você ela foi excelente, meu filho! Cody nunca pareceu ser nosso filho, agora mais ainda! – Meu pai disse, gargalhando. Reparei no quanto Chad pareceu sem jeito.

- Nada disso! Ele é o número um no time de basquete! E luta taekwondo melhor do que eu! – Veja esses músculos torneados. – E erguera meu braço. A verdade era que eu estava gargalhando por dentro, em observar no quando meu irmão abraçara a causa. De certa forma, isso me deixava feliz. Acho que agora Chad compreendia o quanto de preferência existia ali, com relação a nós dois e nossos pais.

- Não sei se você ainda gosta, mas trouxe pra você. – Meu pai me entregara dois bombons. – Eu me esqueci de comprar um presente, você sabe, muito trabalho!

- Eu sei, pai. Obrigado. – Eu disse. Eu amava chocolate, mas o que costumava me deixar feliz, de alguma forma me deixara triste. Meu pai esquecera do meu aniversário, essa era a verdade que doía. Chad notara isso, pois viera me abraçar e me levar para a cozinha.

- Venha, vou te mostrar o bolo que fiz! – Eu o acompanhei, vendo-o abrir a geladeira, e realmente o bolo estava lindo! De chocolate por cima, com recheio de chocolate, segundo ele.

- Uau! Onde você aprendeu a fazer?

- No YouTube! Lá tem ótimos cursos! Sabe, eu peguei gosto em cozinhar. Não imaginava que fosse tão bom! – Eu o agradeci feliz, aquele sem dúvida era o melhor presente que eu já havia ganho na vida. Ninguém nunca havia me dado um bolo antes, raramente alguém lembrava do meu aniversário. Esse ano foi diferente, Sabrina viera me parabenizar e me dera um perfume incrível, até mesmo Peter me dera um presente, um kit de barbear, eu realmente precisava disso.

- Obrigado, meu irmão. Tenho certeza que está bom!

- Vou esperar mamãe chegar e bateremos os parabéns! – Nesse mesmo instante ela entrara na cozinha. Me olhara friamente e depois para Chad. Meu estômago gelara.

- O que você faz aqui? – Ela me dissera, olhando-me.

- É aniversário dele, mãe! Eu disse que faria um bolo! Vamos, vamos bater os parabéns!

- Você não é bem-vindo na minha casa. Se esqueceu disso? – Chad não soubera o que fazer. E eu muito menos. Olhei para fora, havia começado uma tempestade, e eu não havia trazido guarda-chuva e não tinha dinheiro para táxi ou carro de aplicativo.

- Não faça isso, mãe! Ele é seu filho!

- Saia! Ele não é meu filho. Esse homem estranho não saiu de mim! – Eu não sabia bem dizer o que eu senti naquele momento. Foram tantos sentimentos misturados que eu não sabia dar nome a eles. Talvez eu fosse embora daqui sem conseguir reparar qualquer erro, que nem mesmo eu sabia, que havia cometido com essa mulher, que dizia não ser minha mãe. Talvez não houvesse o que fazer.

- Obrigado, Chad. Eu estou indo... – Eu estava segurando as lágrimas com a maior força que eu possuía dentro de mim.

- Não, meu irmão! Mãe, por favor!

- SAIA! – Disse de forma ameaçadora, como se fosse voar em mim a qualquer instante. Eu dei alguns passos pra trás, com o mesmo medo que costumava sentir quando menor, e saí correndo. Como um animal enxotado. Pulei o pequeno portão com facilidade e continuei correndo sem rumo pela rua. Podia escutar meu irmão e meu pai me chamar. Mas não havia como olhar para trás ou dar-lhes ouvidos. A noite já havia chegado, a chuva que caíra em cima de mim, me impedia de definir se o que embaçara minha visão eram minhas lágrimas ou a água da tempestade. A verdade é que não sei quanto tempo corri naquelas ruas vazias. Num dado momento eu chorei como uma criança, me ajoelhei ao chão e queria ir embora dali. Podia sentir cada entranha do meu corpo se revirar, cada célula de mim, lamentar e chorar comigo. Porque meus pais me odiavam tanto? O que eu havia feito? O frio me fizera tremer, eu olhei em volta, não sabia onde estava, minhas roupas ensopadas, meus cabelos longos completamente molhados. Eu sei que ficaria doente. Talvez eu devesse entregar os pontos...

- Cody. – Olhei para o lado. Jess estava ali. Fazia um tempo que não o via. Estava da sua altura agora, o que fora surpreendente. – Vamos. – Sua nave aparecera ao seu lado, como se estivesse ali o tempo todo, mas só agora eu podia vê-la. Eu o segui e ele me levara para dentro, numa pequena escotilha que se abrira. Eu desabei ao chão morno daquele lugar conhecido e relaxante. Ele se abaixara e me abraçara fortemente e eu pude chorar um pouco mais, tendo seu amparo. O abracei de volta, enterrando meu rosto em seu pescoço, enquanto não conseguia cessar as lágrimas. A dor era tão forte, que nem um soco ou chute doía mais. – Xiii... calma. Vai ficar tudo bem, eu estou aqui com você, meu amor. Sempre soubemos que seria difícil. Há humanos que estão desprovidos de amor em seus corações. Você fez tudo que pode, Cody. Não insista mais.

- Eu só... queria saber, porquê ela me odeia tanto? O que eu fiz pra ela não gostar de mim? – Eu olhei para Jess, como se pudesse buscar uma resposta em seus olhos. Ele me apertou contra seu peito.

- Porque ela não sabe aceitar amor. Você sempre foi um menino que emanava amor por todos os poros, e pessoas que não possuem esse sentimento dentro de si, costumam rejeitar quem os tem. É incompatível. Por isso não se culpe, não é sobre você. Nós transbordamos aquilo que possuímos em nós. No caso dela é amargura e solidão. Viva seu tempo restante na Terra, com orgulho de ter feito tudo que pode, busque a felicidade no tempo que te resta aqui. Está bem? – Eu concordei. Aquilo não era fácil, eu queria pedir para Jess me levar de uma vez. – Você sabe, eu não posso fazer isso. Você se comprometeu e agora tem que honrar com sua missão.

- Eu sei... É só um desejo, porque estou cansado. – Jess se aproximara, beijando meus lábios com amor e carinho. O beijo que eu ensinara a ele.

- A propósito, feliz aniversário! – Ele me puxara para seu colo, me fazendo encavalar as pernas sobre seu corpo, acariciara meus olhos, limpando os resquícios das lágrimas que haviam caído. – Eu amo você, e isso é pela eternidade. – Eu senti minhas bochechas corarem, meu coração acelerar e meus olhos arderem. Ninguém nunca havia me dito que me amava. Aquela fora a primeira vez, várias coisas aconteceram pela primeira vez naquele dia, e essa sensação era muito boa.