Cycloudy

14 Amor De Almas


Não conseguia controlar meu próprio coração e ansiedade. Jess me deitara no chão macio e morno de sua nave. Aos poucos ele tirara cada peça de roupa molhada que estava em mim, me deixando completamente nu à sua frente. Então ele esticara suas duas mãos, e uma luz dourada envolvera todo meu corpo. Ele estava me curando, pois na certa eu estava prestes a ficar doente.

- Você já está com febre. Mas vai ficar bem. Quero que descanse aqui hoje.

- Tudo bem. Você pode ficar comigo?

- Eu não vou à lugar algum. – Ele dissera, se deitando ao meu lado, beijando minha testa. Não sei bem o que aconteceu à seguir, mas adormeci quase que instantaneamente.


Eu ouvia vozes conversando, acordei aos poucos e quando abri os olhos, Chad estava ao meu lado, junto com Jess.

- Ah, graças a Deus você acordou! – Chad dissera. Eu me sentei, notando que estava usando uma calça e blusa claras e soltas. Provavelmente Jess havia me vestido.

- Chad..? O que faz aqui?

- Trouxe seu bolo! Não deixei ninguém comer. Eu mandei mensagem no seu celular, você não respondeu. Quando liguei Jess atendeu, me deu coordenadas e aqui estou, em uma nave irada alienígena! – Eu ri. Apanhei o bolo sentindo água na boca. Logo Jess dera jeito e nós dois comemos o bolo num pratinho. Estava delicioso!

- Como se fosse de uma confeitaria. – Comentei e meu irmão se gabara por isso.

- Se nada der certo, vou virar boleiro! – Era impossível não rir. – E aí, como você está?

- Bem. Mas nunca mais me convide pra entrar naquela casa. Eu não faço mais parte daquela família, aliás eu nunca fiz parte dela. Eu desisto! Nem mesmo nosso pai intervira.

- Sabe que a última palavra é sempre da mamãe. Ele nem tenta.

- Sim, eu sei. Por isso incluo ele nisso. Minha família é só você e o Jess. Não há mais ninguém. Por favor, não tente mais fazer com que haja uma reconciliação porque isso não vai acontecer. – Chad pareceu triste mas concordara.

- Tudo bem. É você quem manda. – Ele se levantou da “cama” onde eu estava deitado e se aproximou de Jess, que futucava o painel da nave, provavelmente pra tentar deixar eu e meu irmão pouco mais à vontade. – Obrigado, Jess. Por cuidar do Cody. Desculpe por ter mostrado marra no começo. Não sei o que seria de Cody sem você. – Jess o olhara e ambos se deram um abraço.

- Não sei o que seria de mim sem o Cody. Eu o amo, por isso estou aqui. – Chad pareceu corar, e meu coração batera mais depressa com essas palavras.


Eu estava de frente para Jess, ele me olhava seriamente. Ambos estávamos sentados, de pernas cruzadas, na tal cama estranha e arredondada. Meu irmão havia ido embora e Jess propusera me mostrar qual a forma de interação íntima Cycloudiana.

- Tá, e agora?

- Agora você irá fechar os olhos e tentar esvaziar sua mente. – Tarefa difícil, não, tarefa impossível! Vi Jess sorrir, talvez porque lera meus pensamentos desesperados em não conseguir fazer o que ele me instruiu. Senti seu polegar em minha testa, aquele toque estava mais quente que o normal, e em segundos eu vi, na minha tela mental, um local completamente diferente do qual eu estava. Era como o espaço, haviam planetas distantes, incontáveis estrelas, nebulosas coloridas, era algo surreal. Na minha frente estava Jess, e ele parecia estranhamente brilhante e semitransparente. Flutuara até mim, encostando sua face à minha, sussurrando pensamentos em minha mente, dos quais eram tão ricos em informações, que meu cérebro humano era incapaz de racionalizar e traduzir. Eu simplesmente me deixei levar pelas sensações, de alguma forma, eu entendia o que era dito, e eu sabia que era a forma dele me dizer que me amava incondicionalmente. Imagine só, nem os pais, em muitos casos, amam seus filhos humanos de forma incondicional, se eles não cumprirem tal expectativa, a relação pode ficar abalada, minha vida é um exemplo. Fora então que senti a energia de Jess mais próxima de mim, a sensação era incrivelmente quente, eu podia vê-lo juntar seu corpo luminoso ao meu, cada vez mais perto até que o notei invadir meu espaço e uma “fusão” acontecer. Não tem como descrever em simples palavras o que eu senti naquele momento, parecia que Jess fazia parte de mim, sempre fizera, como se estivesse preenchendo toda minha existência e todo meu ser com sua presença. Para mim, foi como acolhê-lo em meio à uma tempestade, abraçá-lo e aquecê-lo de todo o frio que pudesse existir. Um prazer enorme envolvera meu corpo, como ele próprio dissera, muito melhor e mais intenso que um simples orgasmo humano. Aquele prazer preenchera cada célula do meu corpo, e eu não sei dizer quanto tempo aquilo durara, mas posso dizer que foi muito.

Ao abrir os olhos, me vi deitado em minha cama, no quarto da república. Estava tudo escuro e ao tatear o colchão, pude sentir Jess ao meu lado, dormindo profundamente. Me aninhei ao seu lado, em algum momento ele me trouxera ao meu quarto. Aquela sem dúvidas seria uma boa noite de sono.


Acordei naquele dia, escutando uma voz soar em minha mente, me dizendo para despertar. É claro que aquilo foi assustador, mas ao olhar em volta, pude ver Jess, parado no arco da porta, me olhando com uma bandeja cheia de biscoitos, café, suco e outras coisas mais.

“Disse para acordar” – Ele “disse”, mas sua boca continuou fechada e aquilo foi no mínimo assustador!

- Ahhh o que é isso???? – Gritei no desespero, ele só rira, palhaço!

- Me desculpe, achei que devia testar a nova habilidade desbloqueada.

- Como assim? Isso aqui virou um jogo de rpg?

- É que quando há troca de energia numa fusão, nossa ligação se completa, e há alguns benefícios, como “ouvir” seu parceiro mentalmente. Nós já tínhamos isso, mas como você veio para cá, algumas coisas se perderam.

- Ah... entendi. – Eu disse, esfregando as mãos na cara. Aquilo era bem estranho, porém não poderia negar, curioso. – Então quer dizer que a gente “transou” no modo alien? – O vi sorrir e corar, sério, eu nunca o tinha visto corar.

- Digamos que... sim. – Ele dissera, baixando o olhar. O vi se aproximar, baixando a bandeja para meu colo. Eu estava sem camisa, e isso não incomodava Jess, na real que as coisas que nós, humanos, nos sentimos envergonhados, não produz efeito nos Cycloudianos. – Você precisa se alimentar. – Eu sorri de canto.

- Então me alimente. – Ahh agora deixei ele mais corado! O vi pegar um biscoito e direcioná-lo para minha boca. Dei uma generosa mordida, mas sem tirar os olhos dele. A respiração de Jess parecia levemente mais acelerada. Eu diria que estaria excitado, mas eles não sentem isso. Ao contrário de mim, é claro. Se isso continuasse, coisas lá embaixo iriam apitar.

“Eu sei que isso te excita”. Ele me dissera. Cara! Aquilo era assustador! Uma voz falando na sua mente, não é como um pensamento, não! É literalmente uma voz! Como um telefone dentro do seu cérebro! Vi Jess deixar a bandeja de lado, enquanto ria fortemente, até começar a gargalhar.

- Ei! Isso não é engraçado! Você tá notando meu desespero com isso!

- Estou sim... Me desculpe, é que a sua cara é surreal! – Eu segurei sua gola e o puxei para mim.

- Ok, Clark. Cadê a sua super força? – Eu disse, o empurrando para a cama, montando nele. Ele sorriu de um jeito diferente, erguera um dos joelhos, fazendo-o esfregar-se bem onde vocês estão pensando. Eu me deitei sobre seu peito e deixei que ele o fizesse, o senti tatear meu sexo, e o massagear até que eu sentisse um orgasmo. Mas de alguma forma eu notei um grande vazio, como se aquilo não fosse o suficiente. Eu o olhei um pouco perdido, e Jess notara isso. Ele me puxara para si, beijando meus lábios, encostando sua testa à minha. Fora então que uma luz rosada e forte o suficiente para me cegar, acendera entre nós.

“Feche os olhos”, ele nem precisava “dizer”, eu já os havia fechado, mas mesmo com as pálpebras baixadas, a luz transpassava por elas. Um calor envolvera meu corpo e pude sentir começar novamente a mesma experiência de fusão da noite anterior. Era como se uma chama que não queima, começasse a arder por dentro de mim, a energia de Jess me invadira rapidamente, como se o caminho já estivesse ali, senti minhas costas arquearem, e uma vibração subir por minha espinha, fazendo-me sentar sobre seu colo. Minha respiração se tornara ofegante e minha mente se tornara nublada, como num transe. Abri meus olhos, ainda estava sobre Jess, que me olhava tão profundamente, que podia sentir sua alma na minha, ele segurara meus braços, e então se sentara, me abraçando fortemente. O mesmo prazer me invadira. Era como se por um segundo eu tivesse as respostas para todas as questões humanas não respondidas, como se não existisse tempo nem espaço, como se o infinito sempre estivera ali, ao alcance de minhas mãos; a vida humana era um sopro diante do todo. Eu não conseguia sentir o meu corpo, era como se o físico fosse irrelevante e todas as coisas ao meu redor fossem uma mera ilusão, somente aquela energia era real, somente aquela sensação quente e persistente que invadia minha alma, minha consciência, existisse. Por alguns segundos eu e Jess éramos um só, em uma conexão à nível psíquico, difícil de explicar. Não havia Jessiel e Cody, havia ali uma única alma que há muito ansiava pela unidade.


Querido Jess, eu não sei em qual momento da minha vida eu notei sua existência, quiçá ainda fosse um bebê recém nascido neste mundo, mas a certeza de que uma centelha sua jamais me abandonara, era persistente; você sempre esteve aqui, dentro de mim e eu sempre estive aí, dentro de você.

☯️

Notas finais
Particularmente, amo esse capítulo! ~ autora é suspeita pra "falar" algo ~ mas só quem vivênciou isso, entende a profundidade que é! ◦°˚\(*❛ ‿ ❛)/˚°◦ Próximo capítulo tem um pulo de tempo.