Notas iniciais
Depois nasceram os assentamentos coloniais Cidade Real, em 1557, na Foz do Rio Piquiri e Vila Rica, no meio do Rio Ivaí, em 1576, no noroeste de Paraná, fundada pelos espanhóis, lugar que foi destruído pelos paulistas em 1630. Durante a colonização do Sul do Brasil, conforme relatos de Nancy R. Henríquez, tem destaque principal a chegada dos jesuítas da Companhia de Jesus, que instalaram missões para agrupar índios e catequizá-los. Esses missionários chegaram junto com os colonos europeus, tanto da Espanha quanto de Portugal.

Atualmente, há de 120 a 130 mil Guaranis distribuídos na Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. No Brasil, há cerca de 30 mil indivíduos; destes, cerca de 5 mil estão nos estados que formam as Regiões Sul e Sudeste, entre Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os outros 25 mil Guaranis estão nos estados do Espírito Santo e Mato Grosso.

História:

“No século XVI, os Tupis-Guaranis distribuíam-se por uma área geográfica muito vasta. Os Tupis ocupavam a parte média e inferior da bacia do Amazonas até Canonéia. Os Guaranis ocupavam a porção do litoral compreendida entre Canonéia e Rio Grande do Sul; a partir daí, estendiam-se para o interior até os rios Paraná, Uruguai e Paraguai. Da confluência entre o Paraguai e o Paraná, as aldeias indígenas distribuíam-se ao longo de toda a margem oriental do Paraguai e pelas duas margens do Paraná. Seu território era limitado ao Norte pelo Tietê, a oeste pelo rio Paraguai. Mais adiante, separado deste bloco pelo Chaco, vivia outro povo Guarani, os Chiriguanos, junto às fronteiras do Império Inca”. (CLASTRES, 1987, p.8)

E essas migrações eram acompanhadas pela busca de "Terra sem males" onde o mel e os frutos brotam da terra. Infelizmente, essa crença nessa terra sagrada originou bastante dor, tanto aos Guaranis quanto às outras tribos brasileiras que partiram em sua busca, através dos caminhos da floresta. Profetas mal iluminados, ou mal intencionados, encaminhavam tribos inteiras mata adentro, onde elas morriam de fome, cansaço e exaustão. E cada vez que os Guaranis não encontravam esse paraíso, era porque a Terra Sem Males estava em outro lugar. O grupo se organizava então, em outra direção, sempre atrás do profeta que tinha o poder de orientar o povo.

As cerâmicas Guaranis dos ancestrais eram muito ricas, belas e de grande variedade. Existem as cerâmicas para transformar ingredientes em alimentos, como pratos, panelas e copos para beber o caium. O cambuchi – para guardar o caium— tem de 20 a 40 cm, e o diâmetro da boca é de 12 e 34 cm. Também há as urnas funerárias de 90 cm de altura, 100 cm de diâmetro na boca e capacidade de guardar 130 litros, ou mais.

Reduções Coloniais

Os povos ceramistas Tupis e Macro-Jê invadiram as terras catarinenses, em 2.500 AP (antes do presente), extinguindo as antigas culturas pré-indígenas entre guerras e alianças, e isso durou mil anos. Já os europeus que chegaram ao Brasil demoraram menos de 350 anos para devastar os povos indígenas, pois doenças como varíola, gripe, sarampo, tifo, malária, tuberculose, pleurisia, caxumba, coqueluche, meningite e as venéreas mataram muito mais do que as invasões. No século XVI, já havia pontos de comércio europeu em São Vicente, Santos e Piratininga. Mas esses lugares serviam, também, para a exportação de escravos para a região Nordeste.

Depois nasceram os assentamentos coloniais Cidade Real, em 1557, na Foz do Rio Piquiri e Vila Rica, no meio do Rio Ivaí, em 1576, no noroeste de Paraná, fundada pelos espanhóis, lugar que foi destruído pelos paulistas em 1630.

Durante a colonização do Sul do Brasil, conforme relatos de Nancy R. Henríquez, tem destaque principal a chegada dos jesuítas da Companhia de Jesus, que instalaram missões para agrupar índios e catequizá-los. Esses missionários chegaram junto com os colonos europeus, tanto da Espanha quanto de Portugal.

Ao longo do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, do Paraguai e da Argentina, os agrupamentos indígenas passaram a ser chamados de Reduções. Essas Reduções provocaram uma alteração na cultura Guarani, pois, embora fosse permitido que se conservassem os laços de parentesco entre eles, os padres cometeram alguns erros com o povo: combateram a poligamia, a liberdade de migrar através das florestas e os próprios padres discursavam na maneira indígena, para serem respeitados como Xamãs verdadeiros. Assim, ocorreram as Missões portuguesas no Brasil e as Missões espanholas na Argentina, e, em ambos os países, as características de construção são iguais: estilo romano, paredes fortes de muita largura, indestrutíveis através dos tempos.

Os chefes Guaranis, contrários ao cativeiro, revoltaram-se e tentaram convencer o povo a voltar às suas origens e a viver conforme os antigos costumes. Alguns deles tiveram algum sucesso. O padre Roque Gonzalez foi morto e despedaçado junto aos seus companheiros.

“Em Nuestra Señora da Fé, por exemplo, em meio às dificuldades materiais que afligiam a redução, um chefe revoltou-se contra a palavra dos padres, que resolveram puni-los tirando-lhe o bastão, símbolo máximo de sua autoridade. Os seguidores deste chefe, todos batizados e considerados cristãos exemplares, abandonaram a missão em protesto”. (CUNHA, p. 400)

No mínimo, 25 rebeliões aconteceram durante a metade do século XVI, dirigidas por Xamãs Guaranis, que recorreram à violência para contestar as injustiças cometidas contra os costumes do povo. Líderes Guaranis e seus seguidores abandonaram o modo de vida imposto pelos Karaí cristãos, e adentraram na mata longe das Missões.

No entanto, por causa da ameaça dos portugueses de São Paulo e dos espanhóis do Paraguai, inimigos dos Guaranis muito mais perigosos que os padres, as Reduções transformaram-se em lugares seguros contra o confronto com o inimigo maior. As Missões começaram a se reorganizar, conforme acordo entre padres e índios, e passaram a funcionar em harmonia por algum tempo. Infelizmente, os paulistas, olhando tudo de longe, dali em diante acharam mais fácil atacar os dóceis e bem comportados Guaranis das Missões, em vez dos Guaranis selvagens e arredios das florestas.

Entre os anos de 1628 e 1632, a população da Missão do Guairá girava em torno de 35 mil Guaranis e a de Tape era de 52 mil índios. Mas os ataques dos paulistas começaram com muita crueldade, e foram levados como prisioneiros para São Paulo entre 30 a 50 mil Guaranis, dos quais poucos índios chegaram a seus destinos, pois a maioria morria de cansaço pelo caminho.

De dez a doze mil Guaranis que fugiram para as florestas, menos da metade sobreviveram, pois os paulistas os seguiram e os mataram sem dó. Milhares de Guaranis foram aprisionados e levados para São Paulo. Alguns eram vendidos para as fazendas, aos Senhores de Engenho, como escravos. O resto ficava nas vilas de Itu, Sorocaba, Parnaíba, como mão de obra. Os índios trabalhavam na agricultura e no transporte, levando mercadorias nas costas através dos caminhos do mar.

Fugas, em busca de liberdade, continuaram a ocorrer em São Paulo. Infelizmente, com o passar do tempo, os índios ficaram aglomerados nos cordões da pobreza, ao redor das vilas, junto aos brancos pobres, mulatos e outro miseráveis. Cabe assinalar, neste item, o filme brasileiro “A Missão”, que retrata com fidelidade os confrontos dessa época no Sul do Brasil.

No Paraguai, os espanhóis agiram de forma diferente dos paulistas brasileiros. Em lugar de escravizar, tentaram alianças com os Guaranis por meio de casamentos com as índias filhas dos Caciques. Os espanhóis esperavam obter vantagens com essas alianças. Pretendiam formar guerreiros para combater índios resistentes à colonização espanhola, a exemplo do grupo Del Chaco. Também se desejava sustento agrícola para as tropas da Espanha com a exploração de mão de obra indígena barata, ou sem custos.

Os Guaranis também pretendiam obter alguns lucros com essas alianças com os espanhóis, afinal os espanhóis seriam úteis contra inimigos tradicionais, e, além das armas de fogo, os espelhos e as bugigangas os fascinavam como artefatos mágicos de estranha beleza e utilidade. Assim, graças a essas alianças, foi construída e fundada a cidade Assunção, com sua fortaleza armada, com a ajuda dos Guaranis e o trabalho dos colonos espanhóis.

Infelizmente, os colonos, ao migrarem junto aos Guaranis, trouxeram doenças que afetaram a população indígena. As piores foram a varíola e o sarampo. “O jesuíta Barzona, por exemplo, em 1594 afirmava que a maior parte dos Guaranis de Guairá e das imediações de Assunção já havia perecido”. (HEMMING, 1978, p.243)

Os Guaranis, então, começaram a fugir dos espanhóis e migraram para imediações das colônias portuguesas no Brasil.

O dia a dia da atualidade

Hoje eles possuem terras catarinenses em São José, Guaramirim, perto de Joinville, e na Terra Indígena Ibirama, numa Aldeia anexa aos Xokleng. Possuem escolas de ensino básico, onde os meninos são alfabetizados em dois idiomas, a língua mãe e o português. Mas suas terras não possuem uma grande área para encontrar matéria-prima para o artesanato, nem para o cultivo como era antigamente. Pode-se afirmar que a vida deles é extremamente carente, e seu artesanato não chega a ser suficiente para o sustento familiar.

Notas finais
Os Guaranis também pretendiam obter alguns lucros com essas alianças com os espanhóis, afinal os espanhóis seriam úteis contra inimigos tradicionais, e, além das armas de fogo, os espelhos e as bugigangas os fascinavam como artefatos mágicos de estranha beleza e utilidade. Assim, graças a essas alianças, foi construída e fundada a cidade Assunção, com sua fortaleza armada, com a ajuda dos Guaranis e o trabalho dos colonos espanhóis.