Crônicas de Tasartir

3 Diferença repugnante


Notas iniciais
Introdução dos personagens mais importantes do enredo. Deem boas vindas a Jude e Ephraim, e claro Elliot (que já fora citado).
Espero que gostem!

A fumaça cheirosa que emana do fogão a lenha, faz meu estômago acordar, e percebo que não como desde manhã. A ave cozinha na água fervente e então eu tampo a panela de barro, limpando minhas mãos em um pano de algodão.

– Está pronto. – Grito para minha mãe, que veio mancando do quarto. Coloco um pouco da sopa de ave em uma tigela de madeira, e coloco na mesa, o vapor ainda fugia do alimento, e estendo uma colher para Sissy, que agora já está sentada na cadeira, apoiando seu cotovelo sobre a mesa.

Seu pé está machucado, dia desses mamãe sofreu uma picada de cobra. Os primeiros dias foram insuportáveis e quase ninguém sabia o que fazer. Apenas minha mãe, que com a dor infernal, cuidou de si própria. Claro que fiz o que pude, mas não sou habilidosa na cura como ela. Além de mim, ela recebeu ajuda de Jude, minha amiga quase irmã, humana. A melhor pessoa depois de minha mãe que pude conhecer.

Jude tem ótimos talentos médicos, e Elliot me disse que ela o lembra minha mãe em sua época jovem.

Confesso que senti ciúme de tal afirmação, afinal, a filha dela sou eu... Confesso que ainda tenho. Preferia então manter dotes medicinais que dotes de caça.

Mas nada é como gostaríamos que fosse.

Sissy toma a sopa inteira sem reclamar, nem elogiar. Sento-me junto a ela na mesa, com outra tigela em mãos, e janto junto com ela.

Terminamos a refeição, e deixei os utensílios em um balcão pequeno na cozinha. Os lavaria no dia seguinte, no rio que passa ali próximo.

O escuro me incomoda verdadeiramente agora, e então espalho pela casa mais lamparinas à querosene. E o local se ilumina. A noite começa a esfriar, e vou até o quarto pegar um pano para me secar.

Saio pelos fundos do casebre, e me deparo com um pequeno banheiro improvisado, e ao lado o reservatório de água está quase vazio. Suspiro, e pego alguns baldes, entro no pequeno local e coloco ali outra lamparina.

Tomo um banho rápido e gelado, o que piorou por a noite estar quase congelando naquela hora. Me enrolo no pano e saio correndo até o casebre com os queixos batendo.

– Deveria ter chegado mais cedo, tomar banho nessa hora é pedir para adoecer, Zira. –Mamãe me repreende e a única coisa que posso fazer é tremer ainda mais. Ela está certa. Sempre está.

Me troco rapidamente, vestindo uma calça de algodão pesado, e uma blusa de mangas longas também escura, me senti finalmente aquecida ali.

Seco meus cabelos negros e lisos com o pano, e o penduro na janela. Consigo fazer uma trança improvisada, e a coloco de lado em meu ombro. Pego luvas de lã, e murmuro um tchau para minha mãe que retribui avisando para eu voltar antes de meia noite.

Vou me juntar aos outros e contemplar a fogueira. Ando lentamente até a praça, e o vento gélido faz meus olhos arderem como se pegassem fogo. Pisco repetidas vezes.

Quanto mais me aproximo dos moradores, mais olhares atraio.

É. Esqueci-me do quão diferente sou dos demais moradores daqui. Suspiro de jeito derrotado.

Sou elfa, isso é claro. Mas não sou como os outros, a única coisa que mantenho em igualdade com eles, é minha pele extremamente branca, as expressões finas, a altura e claro, as orelhas.

Meus cabelos não são loiros. São negros como a noite.

Minha tatuagem de testa não é azul celeste e pacífico, é vermelho. Vermelho sangue pulsante.

Meus olhos não são cinzas serenos e amorosos. São azuis, azuis tais como o da fogueira, diria que até assustadores a vista dos outros.

Sou diferente sim, mas não sou mau. Caço, mas para minha sobrevivência... A maioria dos elfos tratam os caçadores como abortos de Etain, pois nosso legado é proteger a natureza, mas se eu não caçar, morro de fome. Pois nenhum deles aqui me daria um grão de soja se possível.

Tenho de cuidar de minha mãe, e de mim, e sinceramente não tenho nenhuma vocação para agricultura.

Eles me odeiam por caçar, e pior, me odeiam por ser diferente. Me odeiam tanto que até colocaram um nome diferente para me descrever, eles me chamam de Shadow.

Quase tão ofensivo quanto chamar qualquer um aqui de Darkforce.

Shadow, Dark... Maldade, no final das contas.

Me encolho instantaneamente, e posso no meio de todos encontrar a expressão dolorida e de compaixão que Elliot faz me observando enfrentar todos aqueles olhares.

Ao lado dele, se encontra Ephraim, um guerreiro de quase minha idade, irmão mais novo de Elliot, o velho mais sábio que todos por aqui conhecem.

Ephraim é como os outros, não é um Shadow como eu, mas não me encara de forma arrogante como se eu fosse menos que ele. Ele me encara como igual.

Gosto de Ephraim só pelo fato de ele não me odiar, ou não demonstrar isso. Na verdade, nunca trocamos uma palavra.

O frio que a pouco passou, voltou com tudo. O olhar de medo e raiva que vinha de todas aquelas pessoas me esfriou por dentro. Sinto uma vontade incontrolável de voltar para casa, mas braços me prendem ao lado, me impedindo de mover. Viro meu rosto encarando a pessoa, e relaxo suspirando quando vejo que é Jude.

– Pensei que não viesse. – Diz ela, com um sorriso no canto do rosto.

Jude é baixinha, assim como todos de sua raça. Tem os cabelos negros como os meus, e não era discriminada por isso, senti vontade de ser humana quando percebi. Olhos castanhos claro e nariz largo, com feições indígenas e a pele dela é de um tom caramelo que lhe dá um ar de muita saúde. Abaixo meus olhos para o chão, e penso em algo para dizer a ela.

– Estive caçando. – Conto-lhe, e Jude pouco se interessa, isso nunca foi novidade.

– Vamos para longe deles. – Diz ela por de baixo de sua própria respiração, tentando ser discreta. Faço que sim com a cabeça, e vamos para um canto mais escuro da vila, mais afastado de todos. Ainda sinto os olhos de Elliot em mim, mas ignoro com facilidade.

Tenho de ser mestre em ignorar olhares. Eles me perseguem o tempo todo.

– Sua mãe está melhor? – Pergunta ela, comendo algo que não pude identificar.

– Sim. – Afirmo, me sentando em um banco gélido, e ergo minha cabeça observando as estrelas que a pouco ignorei. Tão brilhantes e livres, queria ser como elas.

– É amanhã. – Murmura Jude com cautela, respiro fundo e meu coração falha uma batida.

É amanhã!

Como pude me esquecer?

Abro um sorriso maravilhado, e a olho com felicidade. Jude retribui com veemência. Ela perdeu os pais para a guerra também, e pior que eu, a mãe também. Viveu até hoje com o irmão mais velho, que também já está na fronteira.

Ela tem o mesmo objetivo que eu.

Ajudar esses elfos babões e preconceituosos. Gemo de raiva. Porque eles tem de ser tão idiotas?

– Acha que Elliot vai aceitar? – A voz de Jude soa extremamente sem confiança e a encaro incrédula. Jude é tão confiante, mas agora parecia uma menina assustada. Sorrio fraco.

– Se ele não aceitar, vou fazê-lo aceitar. Se ele não aceitar, vou atormentá-lo até ele aceitar. Ele tem que aceitar. – Jude gargalha com vontade, e me dá um tapinha fraco no ombro.

Queremos que ele nos treine. Assim como vem treinando Ephraim.

Ephraim é bom, e queremos ser como ele. Pelo menos Jude, já eu... Quero ser como meu pai.

Minha mãe já sabe dessa minha decisão, e mostrou extrema insatisfação, mas depois de eu nem me abalar com todas as coisas que ela me disse, finalmente cansou-se e disse para eu fazer o que eu quiser de minha vida. Disse que não poderia me controlar pelo resto da eternidade. Ela disse isso de forma rancorosa, o que me machucou, mas logo me dei conta que era mágoa por ela achar que não penso nela.

Eu penso, juro. Eu a amo.

Mas eu sou tão egoísta.

O pior é que nem lutar contra meu egoísmo eu consigo. A única coisa que quero é ir lutar e arrancar a garganta de alguns Darkforce que aparecerem na minha frente.

Começo a perceber então, que quero vingança.

E então, começo a pensar que talvez as pessoas da vila não estejam tão erradas assim. Quem sabe eu não sou uma sedenta por sangue e vingança, quem sabe se não vou me tornar em alguém assim?

Talvez eles estejam certos sobre mim. Talvez eu seja má. Talvez eu só pense em mim.

E Elliot, Jude e Sissy pensão tão bem de mim. Acham que sou tão nobre por ter aguentado toda minha vida sem arrancar a garganta de algum intrometido (coisa que muitas vezes pensei em fazer), eles colocam tanta fé em mim que até me sinto pesada.

É. Talvez eu realmente seja uma... Psicopata? É disso que os humanos chamam?

Não tenho certeza, mas sei que Elliot não pode achar que quero vingança, ou ele nunca vai me treinar. Ele acha que tenho paixão pelo país, e não o culpo, até eu mesma achei isso durante toda minha vida.

Mas agora as coisas estão claras.

Claras demais.

Então, me dou conta que a única coisa que tenho a fazer, é esconder esse sentimento de vingança o mais fundo possível dentro de mim. Tão fundo que quase seja inexistente, mas não porque não vou querer usá-lo, ao contrário, para não deixar transparecer.

Só vou realmente extravasá-lo quando estiver em campo de batalha, pronta para acertar quantas flechas forem preciso para matar aqueles que mataram quem eu mais amei em toda minha vida.

Quando que me tornei tão suja assim?

Jude fica em silêncio ao meu lado, enquanto come alguma coisa. Talvez ela pense que estou triste pelo acontecido mais cedo. Mas não, a única coisa que consigo pensar ou sentir, é nojo de mim mesma. Mas ao mesmo tempo em minha cabeça borbulha ideias de como vai ser quando finalmente alcançar meu objetivo.

– Quer? São chocolates. – Pergunta a humana, de forma cautelosa, como se eu fosse explodir em choro ou em ataque de raiva a qualquer momento. Mas eu estou tão controlada.

– Onde conseguiu chocolate? – Pergunto casualmente, me perdendo nas estrelas que brilhavam ainda com mais intensidade (se ainda fosse possível) sobre mim.

– Joshua me mandou algum dinheiro. – Suspira. – Ele está vivo, e muito bem, e diz que a cada dia as tropas avançam sobre os Darkforces. – Me informa com felicidade. Sorrio.

– Boas novas! Dê-me um... Me lembro de ter comido chocolate quando era criança, na época que meu pai ainda era vivo. – Quase solto uma gargalhada de prazer, ao me recordar de meu pai em momentos felizes. Mas me contento com um sorriso. Posso parecer sádica.

– É tão bom quanto dizem. – Comenta com a boca cheia. Pego se sua mão um bloquinho negro, e sem receio algum levo até minha boca.

A explosão doce e cremosa me dá um prazer intenso, e se desmancha em minha língua enquanto suspiro aliviada.

– É realmente bom. – Digo, com a boca cheia ainda. Mastigo até ter engolido tudo, e meu estômago se esquenta, e percebo que não sinto mais frio. Sinto vontade instantânea de tomar água.

Aviso para Jude que vou tomar alguns goles de água no rio. Ela me olha desconfiada, mas aceita me deixar ir sozinha.

Não faço a mínima ideia porque quis sair da vila para ir beber água, talvez porque eu não queira passar de novo pela multidão. Desci pela pequena trilha, e a água escura corria ferozmente lá em baixo, refletindo a luz da lua prateada. Me aproximei, agachei-me e tirei as luvas.

Fiz de minhas mãos conchas, e bebi longos goles de água. Senti-me satisfeita na segunda mão, mas ainda sim continuei.

– Você deveria desistir dessa ideia de ir para a guerra. – Congelo imediatamente. Não reconheço a voz, e a pessoa está atrás de mim. Se é que é uma pessoa. Engulo em seco, a voz é de um homem. Mantenho-me parada e derramo a água que tenho nas mãos, que já estão totalmente geladas fora das luvas. Seco-as na calça, e tomo coragem de me virar e ver quem era.

Vejo então Ephraim sentado na grama olhando o céu, com a mesma expressão que minha mãe. Pacífica.

Relaxo, e suspiro. Mas mantenho a desconfiança e o pé atrás.

– O que você tem a ver com isso? – Pergunto de forma mais ríspida que planejei, Ephraim desvia seus olhos do céu e me olha nos olhos. Mantive o olhar firme, e o vento voltara a zunir em meu ouvido, fazendo que meus olhos ardam.

– Você é apenas uma garota. – Murmura me olhando com pena. Ele deve saber de toda a história dos meus pais, e sabe da coisa do preconceito. Rio seca.

– Eu sou um monstro. Todos acham isso. – Mais uma vez minha voz é mais agressiva que o planejado. Ephraim me lança um sorriso cômico, e passa as mãos pelo cabelo.

– Não acho isso. – Bate então na grama, me convidando para sentar ao seu lado. Pondero, mas acabo cedendo. Sento-me ali e cruzo as pernas.

– O que te faz pensar diferente? – Pergunto arrancando alguma grama do chão. Ephraim deposita um tapa forte em minha mão, e me encara com raiva. – Não mate a grama. – Grunhiu.

Afastei imediatamente minha mão do chão, e as pousei em minhas pernas. Afinal ele é como os outros. Natureba.

Natureza acima de tudo.

Oh, não machuque esta árvore.

Cuidado com a flor.

Rolo os olhos.

– Acha idiota? Isso é uma parte de Etain. – Me repreende, e eu ergo minhas mãos em defesa.

– Tudo bem, eu sei. Apenas me esqueci. – Me justifico.

– Você é como os humanos.

– Ei! Não! Eu não sou como eles. – Retruco com o tom mais infantil que poderia ser. Amaldiçoo-me por isso.

Ephraim ri arrogantemente.

– Está andando demais com a Jude. – Ergue uma sobrancelha de forma desafiadora, e a única coisa que faço é semicerrar meus olhos.

– Não te interessa com quem ando, e nem se tenho hábitos humanos. – Falo da forma mais hostil que pude, e Ephraim não move um músculo. – Mas não estou dizendo que tenho hábitos humanos... Ah, eu não te devo satisfações. – Bufo como um boi e quase vejo a fumaça saindo pelas minhas ventas.

– Está dizendo sim. Você admite que é como eles. – Sua gargalhada ecoa pelo local, e eu me sinto mais irritada ainda.

– Não admito não. – Retruco com a mandíbula cerrada. Ephraim no entanto só me dá leves tapinhas no ombro.

– Relaxe, Ziraya. Estou apenas brincando com você. – Riu sonoramente, e eu não engoli essa.

Mantenho-me calada e observando o rio expressando claramente minha chateação. Posso perceber que faço um bico mimado e tenho a expressão infantil de sempre.

– Me desculpe. – Ephraim pede com a voz risonha. – Humanos não são odiosos, Zira. – Zira? Quem deu a ele esse tipo de intimidade? Só quem me chama de Zira é minha própria mãe. Bufo mais zangada ainda. – Eles nos salvaram da escuridão, no final das contas. – Me empurrou de leve.

– Não é tão ruim ser comparado a eles. Tenho certeza que eles se sentem mais ofendidos quando são comparados a você. – Diz de forma séria.

Ephraim ainda me encara, e viro minha atenção para ele com o olhar incrédulo. Um sorriso brinca em seus lábios, e eu pude perceber que tudo não passa de uma brincadeira para ele.

Solto uma gargalhada tímida, e concordo.

– Realmente. Sou o pior a se comparar. – Rio sem pudor, troco olhares divertidos com o guerreiro mais forte da vila.

Pensei que Ephraim fosse carrancudo e de mal com a vida por ter visto tantas mortes. Mas acabara que ele é mais leve que eu. Assim como minha mãe.

Deslizo minhas mãos sobre os meus fios negros os tirando de minha vista e os colocando atrás da orelha, e volto a conversar com ele.

– O que te faz pensar que não sou um monstro? – Pergunto dessa vez séria. Pude ouvir Ephraim relaxar, e o vi esticar as pernas.

– Você transparece inocência. – Sua voz ainda soa risonha, e então o olhei, mas pude perceber que falava sério.

– Não entendo. – Ele suspira pesadamente.

– Eu sei que você deve ter uma festa de ação de graças de tanta bagunça nesta sua cabeça. – Coloca então o dedo indicador em minha testa, e tira minha franja que cobre a tatuagem e a observa. Eu deixo, sem nem mesmo saber o porquê.

– Mas você é boa, na essência. Obvio que isso pode mudar algum dia, mas... Não deixe. – Praticamente suplicou. O encaro com dúvida, eu não sei sobre o que ele fala, não é?

Ou sei?

Sei, bem até demais.

Ephraim tira então a concentração de minha tatuagem e me olha nos olhos.

– Não sei por que esconde, é mais bonita que as dos outros. – Diz ele tirando a mão de meu rosto. Faço uma careta que pode ter parecido engraçada, pois ele sorriu. Na verdade, eu corei. Meu rosto pega fogo em vergonha. Isso foi um elogio.

Eu não recebo elogios.

Nunca.

– É o motivo pelo qual eles me odeiam. – Digo baixo.

– O cabelo também. – Completa.

– Já tentei pintar. Não dá. – Resmungo chorosa.

– Você tentou pintar? Você é louca, Ziraya? – Me repreende e eu me encolho como uma criança assustada.

Quando ele falou da marca, me fez sentir diferente de novo. Sinto-me infeliz, agora.

– Faria o que fosse preciso para ser normal. – Me justifico e abraço meus joelhos os apertando contra meu próprio peito.

– Faria? – Diz ele com dó.

– Faria. – Assinto com veemência. – Não faço mais. Quero que eles vão à merda. – Resmungo de forma rabugenta e Ephraim gargalha como se não houvesse amanhã.

– Você é exatamente como Elliot me disse. – Riu mais.

– O que ele disse de mim? – O olho com curiosidade.

– Disse que você é forte. – Sorriu de canto, e eu o acompanhei, me sentindo orgulhosa.

Os músculos de minha mão estão tão rígidos que mal posso movê-los sem sentir uma dor fraca. Trato logo de colocar minhas luvas novamente, e então me despeço de Ephraim, lembrando-me que estava demorando demais para ter apenas ido tomar água. Ele fica, e então, novamente subo até a vila, seguindo a mesma trilha de antes.

Notas finais
Preferem capítulos mais curtos?