Crônicas de Estrada
5 Capítulo V - Rádio Noturna
Rádio Noturna
Talvez,
As coisas já não estivessem mais tão claras entre nós.
O luar majestoso se anuncia no céu,
Enquanto sentimentos, meus e seus,
Estão entregues ao léu.
Há alguns assuntos que eu queria poder tocar,
Mas, acho, você não vai querer escutar.
Um pensamento jaz contínuo...
A rádio toca um jazz fúnebre e,
Estamos próximos do destino.
O que eu sinto?
Queria te dizer tanto, sucinto...
Teus olhos, porém, frios,
Surtem efeitos negativos no meu brio.
Está zangada, pela demora nessa estrada;
Estou inquieto, com nossa sina não terminada.
Sinto vontade de desligar o rádio,
E interromper seus devaneios,
Com todas essas questões,
Com todos os meus desejos.
A madrugada irrompe fria...
Pedir-te um abraço agora,
Acusaria minha esquizofrenia.
Eu já perdi algo,
Grave, como o som desse baixo,
Que ressoa calmo nesse jazz dramático.
Está escuro...
Eu podia te levar até lá.
Mas você não iria querer ver,
Porque é algo demais.
Iria cruzar limites,
E levantar dúvidas.
Mas e se você...?
Esquece.
Já fizemos o que tínhamos que fazer.
Mas, ai se sesse.
Só queria desligar esse rádio...
E ter uma conversa com você,
Sobre desejos, anseios, rumos.
Porém, eu pareceria ainda mais inseguro.
Só queria desligar a rádio...
Para ouvir os sons noturnos.
Quem ignora a beleza de um sentimento puro,
Por prazeres mundanos e sujos?
~Gabriel.
Fale com o autor