Crônicas de Estrada

6 Capítulo VI - Eclipse


Eclipse

Faz tempo desde a última vez...

Que pensei em você por um erro.

Certo de que nosso tempo se esvai,

Receios silenciam em meu peito.

O sexo já não é tão prazeroso,

Ou teu gosto, teu cheiro,

Teu lábio gostoso.

Desfaz-se um significado embaçado em esboço...

O carro está estacionado ao lado do posto,

E você, com um sorriso esquisito no rosto.

O destino é nossa próxima parada,

E você está excitada,

Com os deslindes que reservam o fim dessa estrada.

Faz dias desde a última vez...

Que dormimos em camas ou motéis.

Faz até sentido dizer que,

Esse carro foi nossa casa itinerante.

Estranho que, a cada dia teu radiante,

Torna-se sorumbático meu semblante.

Você já não se importa, pois, não parece importante.

Acho que perdi um bom tempo encostado na janela...

Gostaria de dirigir um pouco, e guiar o carro pelo sendeiro.

Mas, ele é seu; e eu seu... passageiro.

Efêmero como uma placa que avisa... o limite da via.

Já rimos delas em algum momento passado,

Porém, esses fatos antigos não são mais engraçados.

Faz dias desde a última vez...

Que eu jurei que não ia me apaixonar,

Que não haveria de haver amor para dar,

Que você era só um erro que eu queria praticar.

Nesse devaneio, à beira de um eclipse solar:

Sob um sol que sobe vertical no horizonte,

E se sobrepõe ao soturno luar.

Tua lua cheia guia as estradas,

E o sol surge obscuro durante a madrugada.

Há coisas erradas que passam em pensamento,

E perco falas antigas para o vento.

Remetendo a quando erros, fogo e estrada guiavam nossos atos,

Em um prisma plissado, escutando noturnas rádios.

Parece muito tempo, tanto que te soa um fardo.

É corolário, como açoite...

Acho que trocaria toda a minha eternidade,

Por só mais uns instantes,

Daquela noite.

~Gabriel.