Crônicas da Segunda Guerra Mundial
2 O Interrogatório
Dias se passaram desde a chegada de John na Inglaterra. O soldado nazista foi preso em uma das instalações militares inglesas e Carl e Bill, companheiros de John Smith, foram enterrados com toda a glória que um soldado iria receber. John ficou sério por todos esses dias que se passou. Alguns acharam que era a maneira que o piloto lidava com o luto de seus amigos, mas na verdade, John ficou mais focado em acabar com cada nazista que passasse pelo seu caminho. E mal poderia esperar para encontrar Klein de novo, desta vez, ele faria com que Klein implorasse por sua morte.
John estava tirando uma soneca em um dos momentos de descanso no quartel, o que era bem frequente e que era bem criticado por outros soldados e pilotos da instalação, mas como John mostrava resultado no campo, ele tinha o direito. Porém, desta vez, a soneca seria interrompida pelo capitão da base.
— Smith! Acorde já! – comentou o capitão.
John tomou um susto e já ia começar a dizer uma série de ofensas, porque não gostava de ser acordado. Mas quando viu que era o seu capitão que tinha o acordado, John imediatamente ficou em posição de sentido.
— Sim Senhor! – Exclamou John!
— Descansar soldado – Completou o capitão – Você foi convocado para o quartel general de Londres. O general Roberts, junto com o secretário de defesa, está ordenando sua presença.
John ficou surpreso e por alguns segundos ficou sem palavras.
— Sim Senhor – Era o que apenas conseguiu dizer.
— Arrume suas coisas e vá logo – disse o capitão e se virando para ir embora. Antes de cruzar a porta se virou novamente para John – Mais uma vez, parabéns pelo sucesso da missão, apesar das baixas. Mas agora, parece que deveres mais sériolhe aguardam.
John Ficou sem entender o que o seu capitão disse,mas, no fundo, ele sabia que trabalho estava apenas começando.Ele levou apenas alguns minutos para se arrumar apropriadamente para a convocação, e imediatamente saiu para pegar o trem direto a Londres. Nunca tinha visto um general de seu exército, então queria disfarçar sua excitação. Além disso, sabia que o nazista estava encarcerado no quartel general de Londres, e já planejava todos os argumentos possíveis para poder participar do interrogatório – isso se já não tivesse acontecido.
A viagem de trem durou apenas algumas horas, mas para John parece que durou uma eternidade. Olhava a cada poucos minutos para seu relógio de bolso, que era presente de sua mãe. Ela não era de demonstrar seu amor em palavras, mas John sabia que ela o amava com alguns gestos. O relógio de bolso era uma dessas demonstrações, já que esse relógio pertencia ao seu avô. John não acreditava em superstições, mas ele se sentia mais iluminado, quando estava em posse do relógio.
Quando chegou à estação, um carro do exército já estava a sua esperapara levá-lo ao quartel. John percebeu que a situação era bem séria, pois nem o motorista queria conversar. Por um momento, durante a viagem de carro, John quase adormeceu, e isso acontecia quando ele ficava muito nervoso. Era quase que um mecanismo de defesa de seu corpo. Mesmo assim, tentou se manter desperto. Não poderia arruinar o que poderia ser a grande chance de sua vida. Chegando ao quartel, dois soldados pediram para lhe acompanharem até o escritório do general.
— Sr. Smith, desculpe perguntar... – disse um dos soldados.
— John. Me chame de John. Sr. Smith era meu pai. – Respondeu John.
— Claro. – respondeu o soldado timidamente – então, o que eu queria perguntar era: Foi você mesmo que capturou o nazista que está aqui.
John até ficou sem jeito, pois não era acostumado a ser admirado. Com tanto tapa que levou, tanto fisicamente quanto psicologicamente, ele ficava desconcertado quando alguém mostrava uma admiração a ele.
— Er... Sim, eu estava na missão de captura. Mas não fiz isso sozinho. Meus dois parceiros deram suas vidas para que a missão se completasse.
— Claro. Sinto muito por isso –lamentou o soldado – tenho outra pergunta, se você não se incomodar.
— Não tem problema. Pode falar.
— Por que lhe chamam de soneca?
John se espantou pelo fato dos soldados do quartel de Londres saberem seu apelido, e tinha medo de que sua narcolepsia poderia fazer com que seja afastado das próximas missões que poderia ser convocado pelo General Roberts.
— Porque sempre boto meus inimigos para dormir, se é que você me entende – Mentiu John.
— Legal! – Acreditou o soldado.
***
John chegou ao escritório do General Roberts e, junto dele, estava o secretário de defesa, Thomas Hall. John já ficou em posição de sentido, assim que avistou as duas autoridades.
Descansar, soldado. – disse o General – Na verdade, eu que deveria prestar continência para você. Seu desempenho na missão de captura foi um sucesso. É a primeira vez que capturamos um nazista, e esperamos que segredos valiosos sejam esclarecidos.
John ficou encabulado com o elogio do General. Ele realmente era focado naquilo que ele queria, mas era raro algum superior elogiar seu trabalho, já que sua narcolepsia sempre ficava em evidência.
— Vou direto ao ponto. Estamos montando um time de elite. Os países aliados mandaram seus representantes com objetivo de saber e apreender os maiores segredos que a Alemanha Nazista tem em posse. Mesmo com a entrada do EUA no nosso lado, Hitler ainda tem forças nas linhas de frente. A verdade é que estamos desesperados. – disse o Secretário Hall, como se estivesse baixando a guarda — E precisamos saber a qualquer custo como a Alemanha está se mantendo, apesar das nossas defesas.
John escutava o secretário de defesa falar sobre a guerra e um arrepio já percorria sua espinha. Mesmo com seus esforços e sacrifícios de seus companheiros, tudo está sendo em vão. Uma mistura de ódio e determinação já se acalorava dentro de si. E já queria mostrar iniciativa na causa desse tal time de elite.
— Estou pronto para qualquer missão, senhor! – Disse John, com determinação.
— Gosto assim, sr. Smith – Respondeu Hall, bem animado. Mas logo sua cara se tornou séria – Porém, preciso perguntar, já que é protocolo dessa convocação. Responda com toda sinceridade. Sua narcolepsia será um problema?
O que John temia, aconteceu. Sua narcolepsia apareceu como um obstáculo para uma das maiores oportunidades que ele já teve. Então ele teria que pensar bem, pois não adiantava mentir. E qualquer palavra pode ser determinante para seu futuro na guerra.
— Não vou mentir Sr. Secretario – Começou John – Essa minha condição já me acompanha em boa parte da minha vida. Mas isso não afetou meus estudos, já que me formei na escola militar bem antes da idade oficial. Essa condição não afetou meu desempenho como piloto, onde é considerada minha especialidade. E essa condição não afetou nas missões em que estive, pois, meu foco sempre vai ser no triunfo dos nossos objetivos.
— Foi um belo discurso, Sr. Smith. Um pouco piegas, mas bonito. Não se preocupe, a vaga de representante da Inglaterra é sua. Agora venha, vou lhe apresentar seus companheiros.
Enquanto andava no corredor, John tentava ao máximo esconder sua alegria. Finalmente iria fazer algo que honrasse o nome da sua família e limpar o nome de seu pai. Essa era sua chance e ele não iria desapontar.
— Senhores, boa tarde. Quero que conheçam o Sr. John Smith – Anunciou Hall, ao entrar na sala de descanso. Nesta sala, aguardavam três homens, um impaciente e os outros dois calmos.
— Ótimo! Agora que vocês chegaram, pode me dizer onde posso arranjar uma bebida? Estou morrendo de sede. – Disse um deles, que aguardava em uma das poltronas da sala.
— Acalme-se Sr. Vanhaim. Logo você terá tudo que puder, mas antes disso, tem os deveres, e antes dos deveres, as apresentações. – Disse Hall, antes de apresenta-lo ao John – Esse é Erik Vanhaim, um dos maiores atiradores de elite da União Soviética.
— Ao seu serviço. Mas não me considero tudo isso. Apenas matei centenas de soldados enquanto estava camuflado na neve. – Explicou Erik, com um sorriso malicioso. – Ah aquela noite foi boa!
— Bem, este aqui é Thierry Petit – Apresentou Hall, indo em direção ao homem que estava na janela. – Filho de um dos maiores médicos da França. Esperamos que siga os passos de seu genitor.
— Eu duvido muito – Disse Thierry, estendendo a mão ao John – Meu pai carrega uma fama que acho que é grande demais para as minhas costas.
— Não se preocupe – disse John – Apenas seguimos os caminhos dos nossos pais. Mas nós fazemos nossa própria história.
— Ah! Você também seguiu os passos de seu pai?
— Sim! Ele foi um dos melhores pilotos da Inglaterra na primeira guerra.
— Espero que já esteja dando orgulho para ele.
— Nunca saberemos, já que ele morreu durante a guerra.
— Sinto muito.
John de cara já sentiu uma afinidade por Thierry, por parecer ter a mesma trajetória. Embora sua vida tenha sido difícil ao viver em um orfanato e, provavelmente, Thierry teve uma infância boa com sua família e estudar nas escolas mais ricas da França, o fato de seguir o mesmo caminho profissional de seus pais, já o cativou bastante.
— Arranjem um quarto vocês dois. – Disse Erik ao ver a conversa dos dois.
— Bem, – Disse Hall – E este é Dante Fontana. Um dos maiores engenheiros mecânicos que já vi trabalhar – Apresentando ao último homem da sala que estava sentado em outra poltrona, fumando seu charuto.
— Dante Fontana? – Estranhou John – Se não me engano, este nome vem de origem italiana.
— É de se esperar, já que nasci e fui criado na Itália – Disse Dante, rindo. Porém, John ficou sério no instante que soube.
— Não se preocupe Sr. Smith. O Sr. Fontana não partilha da mesma ideologia que os ditadores da sua nação. Ele já provou diversas vezes que merece nossa confiança.E eu estava de prova, vendo o seu merecimento de estar na equipe.
— Não se preocupe, sr. Hall – Disse Dante – De onde venho, já estou acostumado com os preconceitos.
— Me perdoe, não quis parecer grosseiro ou preconceituoso – Disse John, com extrema vergonha.
— Não fique assim, eu lhe entendo. Teria a mesma reação se eu visse um alemão por aqui. Mesmo assim, espero ganhar sua confiança com o tempo.
— Se o Sr. Hall confia em você, então também confiarei – Disse John, apertando sua mão.
— O inglês tá cortejando todo mundo hein? – Brincou Erik – Por que você não me cortejou também? – E começou a rir.
— Bom vamos ao que interessa, antes que o sr. Vanhaim comece a perder a compostura aqui na nossa frente. – Disse Hall, com urgência – o Sr. Smith esteve em uma missão onde houve a captura de um soldado nazista. Para provar os seus valores para a equipe e mostrar que vocês são representantes dignos, quero que o interroguem e descubram o que ele sabe sobre os planos de batalha do nazismo.
John Ficou extasiado por dentro. Ele iria participar do interrogatório contra o soldado Klein, e mostrar que foi uma boa escolha ser convocado para as missões mais importantes dos países aliados. Dois coelhos com uma cajadada só.
— Enquanto vocês esperam aqui, eu irei alojar nosso convidado especial – Disse Hall, enquanto se retirava. Depois que o Secretário de Defesa saiu da sala, Erik foi de encontro ao John.
— Então cara, agora que o sr. Secretário saiu, pode nos dizer qual é o seu segredo?
— Do que você está falando? – Perguntou John.
— Todos nós temos uma peculiaridade que, a principio poderia nos dispensar do exército, mas nossas qualidades se sobressaem. Thierry, por exemplo, tem medo de altura. Boa sorte quando botar ele no avião. Dante tem um certo nojo de sangue. Não pode ver uma gota que já quer vomitar.
— E o comediante aqui é alcoólatra – Disse Thierry.
— Discordo um pouco disso. Apenas sou um apreciador de uma bela bebida.
— Aprecia tanto até vomitar – Rebate Thierry.
— Então, retornando ao nosso amigo aqui. Você não é perfeito. Com certeza seu defeito tem uma certa peculiaridade. Até apostamos aqui. Eu apostei que você não sabe nadar.
— Eu apostei que você era gago – disse Dante, rindo de leve – Mas, pelo visto, acho que já perdi.
— Eu apostei que você era virgem – Disse Thierry – Não é algo que te tire do exército, mas é um defeito bem grande.
John até ficou encabulado, mas como viu que seus companheiros também têm seus defeitos, ele resolveu dizer logo, mesmo porque eles acabariam descobrindo.
— Eu sofro de narcolepsia.
Fez-se um silêncio na sala que durou uns belos segundos, que para John foram os segundos mais grandes da sua vida. E, logo em seguida, todos começaram a gargalhar.
— Ah Cara! – Disse Erik – Você venceu! O seu defeito é o pior de todos! Definitivamente nós vamos morrer! – e continuou rindo.
John poderia ter ficado bravo com a atitude dos três, mas começou a rir também. Pela primeira vez, se sentiu parte de um grupo, apesar dos seus defeitos.
***
Os quatro integrantes do novo grupo formado estavam andando pelo corredor, junto com o Secretário Hall, a caminho da sala de interrogatório. O mais ansioso era John, mais pelo reencontro com seu pseudo-parceiro. Erik parecia estar animado, pois sempre gostava de estar na ação, por menor que seja. Uma qualidade que ele adquiriu no exército soviético. Se é para fazer uma missão, será feito com maestria e objetividade. Thierry aparentava desinteresse, afinal, se dependesse dele, nem médico ele seria. Mesmo sendo bem competente, seu desejo seria outro.Mas não contaria para ninguém, pois ninguém entenderia. Dante era o único que parecia estar nervoso. Simplesmente pelo fato de ter aversão a sangue, e com certeza sangue poderia rolar durante o interrogatório.
— Tem algum problema eu não estar presente durante o interrogatório? – disse Dante.
— Por quê? Tem medo de vomitar no nazista? Isso pode ser útil. Vai abrir o bico rapidinho. – brincou Erik.
— Não se preocupe sr. Fontana. Seu trabalho como engenheiro mecânico não será utilizado aqui. Preciso apenas que alguém faça aquele soldado falar o quanto antes – disse Hall, enquanto se aproximava de duas portas bem próximas uma da outra. – Pois bem, nessa porta se encontra nosso convidado. Sr. Fontana, você pode aguardar nesta outra sala. Na verdade, pode até observar o interrogatório.
— Eu vou ficar junto com o Dante. Vai que ele desmaie durante o processo. – disse Thierry, olhando com um certo deboche para o Dante. – Além do mais, também não acho que meu trabalho seja importante aqui.
— Pois é, soneca – disse Erik, que adotou o apelido do John após ele contar na sala de descanso – Parece que só sobrou nós dois. Vamos ver se você é durão.
Erik e John entraram na sala onde estava Klein, enquanto Dante, Thierry e o Secretário Hall entraram na outra sala para observar os acontecimentos, pois qualquer informação poderia ser vital para os Aliados. O espaço era simples até demais, apenas o soldado nazista estava lá, sem camisa, com o braço direito cheio de pontos, sentado em um banco, com as mãos amarradas e a cabeça coberta por um pano. Assim que os dois entraram, Klein começou a se mexer na cadeira, como se estivesse preparado para uma briga, embora não estar em condições para uma luta.
— Me soltem, covardes! Me soltem, para eu mostrar quem é que manda aqui! – esbravejou Klein.
Logo em seguida, Erik tirou o pano do rosto de Klein e o rosto do nazista, todo machucado, se tornou ainda mais raivosa ao ver John na sua frente.
— Rapaz, pelo visto a sua última briga foi intensa hein? – disse Erik – Eu imagino como deve ter ficado o outro cara.
— Não precisa imaginar. Só olhar pra mim.– Disse John, e Erik fez um sinal de respeito para ele. — E aí? Ainda duvida se sou durão?
— Seu miserável! Me solta pra eu acabar com o resto da sua raça. Vou acabar com você assim como fiz com seus amiguinhos.
No momento que Klein fala de seus companheiros falecidos, John solta um soco no estômago do alemão, deixando literalmente sem palavras e ar.
— Ok! Agora que vocês se cumprimentaram, vamos direto ao assunto! – disse Erik –Sabemos que o nazismo tem planos que está dando vantagem nessa guerra. Como você é nazista, esperamos que você saiba alguma coisa.
Klein continuou tossindo e pegando ar, resultado do soco de John, mas depois começou a rir, como se fosse um deboche para os dois soldados.
— Vocês devem estar muito desesperados mesmo! Eu sou simplesmente um soldado. Seu amiguinho aí sabe do que tô falando. Ele ficou do meu lado desde que chegou.
— As piores semanas da minha vida – disse John.
— Se eu soubesse quem você era, eu teria tornado essas semanas piores!
Erik desferiu um soco no rosto de Klein, que fez o soldado nazista cuspir sangue.
— Vamos parar com o papo furado. Temos informações que você teve contato com seus superiores. Então você deve saber alguma coisa.
— Por que não pergunta ao seu amigo aí? – disse Klein, olhando para John – Ele estava comigo durante o tempo que ele ficou disfarçado.
— Você sabe muito bem que eu não tive contato com os superiores! – disse John – Tive que aturar as rondas, enquanto você se divertia nos puteiros da França.
Klein começou a rir de leve.
— Tá com inveja que, enquanto você estava brincando de nazista, eu comia as francesinhas?
John chegou perto, levantou a perna e pisou em cima das partes íntimas de Klein. O soldado alemão começou a gritar de dor como nunca havia gritado antes.
— Espero que tenha aproveitado, porque se depender de mim, você não usa mais essa coisa que você tem entre as pernas. – Logo em seguida, John tirou o pé de cima de Klein.
— Parece que você deixou meu amigo irritado. – disse Erik — E se você sofreu assim porque irritou ele, imagina se você me deixar irritado. Não queira saber. Então para não me deixar irritado, conte-nos logo o que você sabe sobre os planos dos seus superiores.
Antes que Klein poderia dizer mais alguma coisa, John e Erik escutam uma voz direto de um alto-falante preso no canto do teto.
— Senhores, deixe nosso convidado pensando um pouco no que ele fez e na sua proposta, e venham, por favor.
Assim que Erik e John entraram na outra sala, eles viram que o espelho presente na sala de interrogatório só era espelhado pelo lado deles. Na sala onde os outros estavam, estava um vidro normal que dava para ver tudo que acontecia na hora.
— Uau! Vocês estavam vendo tudo? – perguntou John, surpreso.
— Que pena que o Dante viu tudo – respondeu Thierry – Na hora que o Erik deu um soco, ele já virou a cara.
— Não sei do que você está falando. – disse Dante, envergonhado.
—Pois bem, senhores – interrompeu Hall – Já que vocês se apresentaram ao nosso convidado, vamos partir para os finalmentes – Hall foi em direção de uma mesinha e pegou uma bandeja com diversas ferramentas
— Ok! – disse Erik, pegando a bandeja – Quer vir junto, Dante?
— Vai se fuder! – Respondeu Dante.
John e Erik retornaram à sala de interrogatório, com o Erik segurando a bandeja de ferramentas, a maioria pontiagudas.
— Serviço de quarto! – brincou Erik.
— O que é isso? – Perguntou Klein, nervoso.
— Ah já está curioso? – Respondeu Erik – Você já deve imaginar o que é isso. E você deve imaginar o que vamos fazer se não falar o que a gente quer saber.
— Eu já disse que não tenho nada para falar! Não tenho informação sobre nada!
— Sabe Klein – disse John, pegando um bisturi – Ficou bem bonito esses pontos no seu braço. Não falei pra você Erik, mas fui eu que fiz esse belo corte no braço dele.
— É mesmo? – perguntou Erik, entrando na brincadeira.
— Mesmo com o braço dele amarrado dá pra ver. Olha! Se não me engano foram 12 pontos, não é mesmo? – Perguntou John para Klein.
— O que vocês vão fazer?! – Perguntou Klein, com uma mistura de medo e nervosismo.
— Não sei você, Erik, mas eu ficaria muito agoniado de ter só essa bela marca em um dos braços. Acho que ficaria mais bonito ter nos dois.
— Concordo, soneca! Então, vamos ajudar o nosso amigo.
Klein não sabia o que estava acontecendo, porque os dois soldados estavam atrás dele. Quando acabou o pequeno teatro, Klein sentiu sua pele e musculo do braço serem rasgados e uma dor dilacerante veio em seguida. Klein gritou mais alto ainda, clamando por ajuda. Mas ninguém iria ajudá-lo. Após sentir o sangue escorrer do seu braço, Klein ainda sentindo dor começou a rir. Erik e John trocaram olhares tentando entender o porquê do riso.
— Ele te chamou de soneca? – Disse Klein, e olhou para o Erik – e você é quem? O Dengoso?
John empunhou o bisturi e cravou no ombro de Klein. O nazista voltou a sentir a dor que tinha se acostumado ainda a pouco.
— Vamos parar com a palhaçada. Ou conta o que sabe, ou eu vou rasgar essa tua carne com esse bisturi! – E John começou a rasgar com o bisturi, cumprindo sua palavra.
— Eu não sei! Eu juro! – Grita Klein, quase chorando.
— Qual é cara! – disse Erik – Você deve saber algo de algum superior seu. Temos todo o tempo do mundo para você se lembrar. Enquanto isso, vamos ficar brincando com você.
— Não sei de nada... não sei... – E assim Klein desmaia.
— Droga! Ele está vivo? – perguntou John.
Erik botou dois dedos no pescoço de Klein, para sentir a pulsação.
— Está sim! Vaso ruim não quebra. O que a gente faz?
— Melhor chamar o Thierry. Vê se dá para acordar ele e manter consciente.
Erik fez um sinal na direção do espelho, como se estivesse olhando para o Thierry e chamando-o para a sala. Alguns segundos depois, o médico francês chega.
— Vocês exageraram! Nunca fizeram um interrogatório na vida de vocês?
— Esses alemães que são frouxos! Na URSS sofremos coisas piores e depois saímos para beber. Que vontade de beber...
— O que é isso no teu sapato? – Perguntou John.
— Dante não aguentou a cena e deu uma vomitada. Não queira saber como está lá do outro lado. – Disse Thierry, estancando o sangue de Klein. Após alguns momentos, o nazista retorna do desmaio e vê um terceiro elemento olhando pra ele.
— Você é quem? O Dunga? – Disse Klein, meio zonzo.
— Acho que ele está delirando. – Avalia Thierry
— Ou então ele está curtindo com a nossa cara! – disse John, já extremamente irritado. – Ok, seu filho da puta! Conta logo o que seus superiores estão tramando!
Klein ainda se sentia meio zonzo e olhou para John como se estivesse reconhecendo alguém.
— Do que você está falando, Becker? Esqueceu do itinerário do General Schmidt? – diz Klein.
— Becker? – Estranha Erik.
— Era meu nome quando eu estava infiltrado na França como soldado nazista. Ele esqueceu quem eu era de verdade!
— Eu falei que ele estava delirando! Me respeitem, rapazes! – Diz Thierry, com certa exaltação.
— Me lembre então, Klein – continua John – Qual era o itinerário do General Schmidt?
— Você sabe! O General só vem para cá pra Paris para se divertir no Bordel da Madame Louise. As mulheres de lá são espetaculares! Por que estou amarrado?
— Ora, você não sabe? Estamos aqui no bordel. Quando cheguei no quarto você já estava assim – Mentiu John.
— Do jeito que eu gosto! – riu Klein e John faz cara de nojo. – Cadê a francesinha para me fazer uma massagem hein?
Os três se olham, como se não soubessem o que fazer e Thierry começa a fazer uma massagem no ombro de Klein.
— Que delícia! – diz Klein, enquanto Thierry fecha a cara e Erik tenta segurar a risada.
— Ok Klein, voltando ao itinerário do General. –diz John – Além de ir para o bordel, para onde mais o General vai?
— Não faz mais nada. Ele só vem para Paris para comer as francesas e volta ou para o quartel general ou volta pra Alemanha. Às vezes, ele nem traz bagagem. Só aquele maldito diário.
— Diário? Você sabe o que tem no diário? – Pergunta John.
— Minha filha – diz Klein olhando pra cima – Você não quer fazer massagem em outra parte do meu corpo?
Thierry dá um tapa na cara de Klein.
— Humm malvada! – Diz Klein, ainda delirando.
— Klein! – Exclama John, tentando voltar a sua atenção. – O que tem no diário do General Schmidt?
— Eu não sei. Ele não deixa nenhum dos subordinados saber. Mas aposto contigo que tem detalhes das forças do Nazismo. Não é à toa que a gente está ganhando essa guerra.
Os três se olham com convicção que conseguiram o que queriam.
— Muito bem senhores! – diz Hall, no alto-falante – obtivemos a informação que precisávamos.
— Soneca, vamos deixar o Thierry a sós com seu novo namorado – Brinca Erik. Thierry se dá conta que suas mãos ainda estão no ombro de Klein e tira imediatamente.
***
Os quatros soldados estavam de volta ao escritório do General Roberts, junto com o Secretário Hall, dando o relatório do interrogatório do soldado nazista.
— Vocês acham que esse tal diário pode ter informações importantes?
— Não duvidamos que o soldado Klein não soubesse mais do que isso – responde John – Eu mesmo vi na prática que o General não se aproximava diretamente dos subordinados. E ele frequentava bem aquele bordel.
— Ele não está errado. – Comenta Thierry. – Aquele bordel tem história.
— Bom, pelo visto já sabemos nosso próximo passo. Vocês vão ter que adquirir esse diário.
— Como assim? Vamos ter que nos infiltrar em Paris novamente?
— Algum problema, Sr. Smith? – Indagou o General e todos olharam para John
— Não, senhor! – Respondeu John, como se estivesse envergonhado da sua reação. A verdade é que John viu barbaridades no tempo que ficou infiltrado. Viu mulheres sendo abusadas, crianças sendo machucadas e inocentes sendo mortos por besteiras. Não queria ter que passar por isso de novo.Mas se para vencer o nazismo ele tem que ver o pior dos seus inimigos, então sacrifícios devem ser feitos.
— Infelizmente não podemos aproveitar a identidade falsa do soldado Smith, pois na missão de sequestro, seu disfarce foi descoberto. Nem mesmo podemos mandar uma tropa para invadir e, por sorte, capturar ou o General Schmidt ou o seu diário, pois as chances não estão ao nosso favor. Então vamos ter que ser discretos nessa missão – relata o General – Por isso montamos esse grupo. Vocês estarão encarregados em missões “não-oficiais”. Tecnicamente, esse grupo não existe. E se algo der errado, não podemos mandar ajuda. Última chance para desistirem senhores.
— O que é uma vida sem aventura? Estou dentro – Diz Erik.
— Tenho uma dívida com o sr. Hall. Além do mais, quero que essa guerra acabe tanto quanto vocês, e quero ver minha Itália digna de novo. – Diz Dante – Estou dentro.
— E eu quero ver a minha França livre novamente. Assim como quero ser livre também – Diz Thierry – Estou dentro.
— O Nazismo vai pagar pelo que fez! Estou dentro. – diz John, finalmente. E assim, General Roberts e Secretário Hall observam os quatro soldados com satisfação.
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