POV Mônica

– Como assim eles vem de outro mundo? – perguntei incrédula.

– Eles vieram de outro local, diferente de nosso mundo. Algum evento aconteceu e os trouxe para cá – falou Dorinha.

– Quero esclarecimentos sobre essa situação! – respondi assertiva.

Estava em dúvida, porém a capacidade perceptiva de Dorinha dificilmente se enganava. Mesmo sendo cega, ela havia entrado para as amazonas sempre se saindo bem com seus sentidos apurados. Lembro-me de quando fiquei reticente em aceita-la no grupo, tinha medo dela ser morta logo no primeiro embate, mas ela se mostrou forte e perspicaz. Desde então se tornou uma das minhas principais companheiras.

– Tirem as amarras deles – ordenei respirando fundo – mas vocês só irão sair daqui quando me responderem algumas questões.

Eles foram soltos pelos soldados e fiz um gesto para que sentassem. Ao obedecerem me coloquei diante deles.

– Vocês tem o mesmo nome das pessoas que estamos enfrentando a cinco anos – fiz uma pequena pausa – por isso os prendemos, mas nossa amiga está nos informando que vieram de outra dimensão e por mais relutante que esteja, ponho minha mão no fogo pelas palavras delas.

– Comandante – falou o tal Cebola – nós também não estamos entendendo o que está ocorrendo. Em um momento estávamos nos direcionando a Milão e de repente perdemos o controle de nosso carro e acordamos aqui.

– Milão? Carro? Onde fica isso? – perguntei confusa.

– Milão é uma cidade do nosso mundo e carro é tipo uma carruagem sem cavalos e muito mais rápido – falou o Yugi.

– Interessante...apesar de estranho seu mundo deve ser bastante atraente.

– É sim – falou o Cascão – com os avanços do nosso universo poderíamos ajudar vocês.

Ele falou de maneira debochada, mas se os avanços que ele menciona forem verdade eles poderiam ser úteis a nós. Os dois lados poderiam sair ganhando. Me aproximei de Denise, Xaveco, Sofia e Dorinha. Os reuni para tratarmos sobre como poderia organizar os ajustes com os três forasteiros.

– Eles poderiam ajudar com construções – falou Denise – precisamos de uma melhora em nosso muro de proteção.

– Podem nos ajudar em medicina – comentou Dorinha – temos poucos médicos na cidade.

– Poderiam ensinar nossas crianças – revelou Sofia – professores nunca são demais.

– Podem nos ajudar na guerra – comentou Xaveco. E rapidamente viramos para ele – se eles são tão avançados como dizem, então significa que os embates no mundo deles devem se resolver de maneira rápida.

– É uma teoria – disse Dorinha

— Mas provavelmente não têm experiência de combate. Visto a forma de como os capturamos – interveio Denise.

– Eles foram pegos muito facilmente – disse Sofia – mas talvez possam ser conselheiros.

– Sem experiência? Acho que não fofa – respondeu Denise com um certo deboche.

– Esperem! – falei – antes de decidirmos o que designar a eles quero fazer mais questionamentos sobre este outro universo, mas colocar eles em combate está fora de questão, por hora.

Enquanto conversávamos Marina se apresentou ofegante diante de nós.

— Comandante! – falou se recuperando – nossos batedores encontraram tropas imperiais marchando em direção à cidade.

— Quantas horas daqui?

— Uma no máximo.

— Alertem todos os soldados e a população. Vamos Às armas! – ordenei. Os forasteiros teriam de esperar é hora de defender minha terra.

POV Cebola

Uma grande correria começou a se instalar naquele local. Parece que os inimigos com os quais fomos confundidos estavam se aproximando para um ataque. O que significava que estávamos em segundo plano agora. O grande problema era que se a comandante for derrotada, Deus sabe o que farão conosco, pois podem pensar que somos impostores e parte de algum plano para derrubá-los. E já sabemos como eles tratam pessoas indesejadas.

A comandante saiu de seu quartel-general e pediu para que a seguíssemos. Atendemos prontamente e a acompanhamos até o local onde eram guardadas as armas. Não entendi muito bem o porquê de nos levarem até lá.

– Vocês irão até as muralhas para acompanhar o combate, quero que fiquem sob vigilância mesmo eu estando em batalha – revelou a comandante.

– Mas não tem como escaparmos com um exército vindo cercar a cidadela – disse Yugi incomodado.

O – Pouco me importa – advertiu – não é porque soltei vocês que confio plenamente em suas atitudes. Vão seguir conosco e chega de questionamentos.

Preferimos não contestar e continuamos seguindo os soldados designados de nos levar até os muros. Lá percebemos o quão vasto era o território uma vasta planície com o bosque que encontramos, assim que chegamos, ao fundo. Passado algum tempo, comecei a observar a aproximação de uma tropa com muitos homens. Não poderia contar a quantidade de soldados que se aproximavam, mas chutaria em torno de quatro a cinco mil. Cascão me cutucou e apontou para baixo e o que vimos foi a abertura dos portões.

– Por que estão abrindo os portões? – perguntei assustado.

— Estão loucos! – exclamou Cascão.

— Com muros como esse dificilmente irão invadir – continuou Yugi.

— Fiquem quietos e prestem atenção no que vai ocorrer – falou uma voz subindo as escadas – vocês verão como as amazonas lutam.

— E quem seria você? – perguntei.

— Sou Ana, uma das amazonas – falou ela com orgulho.

— Se é uma das guerreiras, por que está aqui? – perguntou Cascão uma pitada de piada.

— Estou seguindo ordens de cuidar de servir como babá de vocês – respondeu tentando nos ofender – se não fossem tão estranhos estaria defendendo a cidade junto com minhas irmãs de armas.

Com estas palavras ela apontou para baixo e vimos os soldados saindo ordenadamente e tomando posições em frente às portas da muralha logo atrás vieram as amazonas e os demais guerreiros abriram as fileiras para que elas tomassem a frente dele. Pareciam serenas em suas armaduras. Seus olhares aparentavam confiança, nem pareciam estar próximas de arriscar suas vidas. Seria uma batalha ferrenha e tenho certeza que não seria como nos jogos e filmes.

A comandante se apresentou em um belo corcel negro tomando sua posição. Logo depois ela ordenou que os portões fossem fechados. Os arqueiros também começaram a se posicionar abaixo de nós. Então era desse modo que eles lutavam, diferentemente do conhecia em minhas leituras, elas iriam enfrentar o exército inimigo de frente ao invés de encarar um cerco que poderia durar dias e diminuir as provisões da cidade. Arriscado, mas inteligente!

Os soldados ficaram esperando a aproximação do oponente por minutos e isso causou um pouco de aflição em mim. Muitas daquelas pessoas não iriam ver o pôr-do-sol neste dia. Porém pelo que observava em Ana, todos pareciam animados e dispostos a se sacrificar. Não conhecia o real motivo das hostilidades, mas me pareceu um motivo bastante viável, pelo menos à primeira vista.

As tropas rivais se aproximaram e a comandante começou a correr na frente de seus soldados onde passou a discursar para eles.

— Hoje é mais um dia de entrarmos para a história. O inimigo vem até nós para nos tirar a liberdade e a de nossos familiares e amigos. Eles podem ter feito isso com outros povos que vacilaram, todavia, nós temos fé e fome de liberdade! Vamos lutar e expulsá-los mais uma vez! – a comandante novamente passou cavalgando de uma ponta a outra das fileiras, enquanto seus guerreiros gritavam.

O exército inimigo se aproximou e realmente tinham mais homens, talvez na proporção de um para dois. A marcha era acelerada e logo se posicionaram. Observando com calma pude ver os comandantes adversários na retaguarda da e para minha surpresa passei a entender todo o motivo da nossa confusão.

— Sou eu!! – falou Yugi impressionado.

— Mas como é possível? – perguntou Cascão.

— Entendem agora o porquê de termos capturados vocês – interveio Ana – aquele é o general Yugi, braço direito do imperador e comandante em chefe do exército de Endívia.

— Compreendo, mas continuo confuso – disse – significa que somos inocentes.

— Por hora – falou Ana – agora observemos a batalha.

Não seria um espetáculo, mas tínhamos a quem torcer. Logo que me dei conta a marcha do exército endiviano foi acelerada por uma ordem de ataque do general xará do meu amigo. “Fiquem firmes!” deu para ouvir a comandante Mônica gritar. Logo após veio um sinal para os muros e os arqueiros dispararam. As flechas fizeram um arco no céu e caíram sobre os soldados inimigos. Muitos caíram feridos ou mortos. As setas mal chegaram ao chão e outra saraivada já havia sido disparada. Mais soldados sucumbiram. Enquanto isso, nosso exército (acho que posso chamar de nosso) se posicionava de modo que faziam uma espécie de parede de escudos. os exércitos se aproximaram e a investida dos dois foi logo seguida de um violento choque.

Com o choque o exército opositor foi lançado contra as lanças das amazonas que faziam a linha de frente e os que escapavam eram abatidos pelos soldados das linhas de retaguarda. As tropas começaram a se empurrar e combater singularmente. Os guerreiros brandiam suas espadas em golpes fortes contra seus adversários. Muitos caíam com golpes perfurando seus corpos, outros perdiam membros e a batalha se acirrava.

As amazonas estavam conseguindo empurrar seus adversários, fazendo-os recuar e os cansando. A moça que nos salvou do calabouço, Dorinha, mesmo cega conseguia perceber os movimentos de seus rivais e os derrubava com facilidade. Pelo menos três soldados foram em cima dela e foram mortos com uma habilidade de guerrear imensa. Ela não demonstrava medo e continuava avançando entre as fileiras inimigas. Seguindo-a estava Denise e Sofia também lutavam muito bem. A primeira era ágil e vencia as tropas inimigas com golpes rápidos e cirúrgicos. Já a outra derrubava todo mundo na sua frente, a força dela era descomunal. Os guerreiros inimigos sucumbiam e muitos fugiam dela. Muitos dos que a encaravam tombaram.

Os generais inimigos tentavam animar suas tropas e partiram para o combate na tentativa de moraliza-los. Eles também eram soldados exemplares e causavam baixas em nossas tropas. Porém, a comandante Mônica percebendo que seus soldados estavam em dificuldade começou a cavalgar em direção às fileiras inimigas. Ela passava aterrorizando seus rivais, vencia-os com facilidade extrema. Seu cavalo lembrava os desenhos de antigas histórias antigas e medievais. Ela desceu de seu animal e partiu para o combate corpo a corpo. Ela venceu um inimigo cravando sua espada no pescoço e logo depois partiu para a frente das tropas reorganizando as mesmas. Os soldados a seguiam cegamente e conseguiram abrir brechas para a retaguarda oposta onde o general Yugi incentivava seu exército. O combate se intensificou e o local virou um pequeno cemitério, principalmente de corpos endivianos, que claramente estavam perdendo a batalha. Mônica continuou na frente onde encontrou três inimigos. O primeiro ela derrubou com um golpe em seu abdômen, o segundo teve sua garganta cortada, já terceiro tentou golpeá-la pelas costas, mas sua tenente-general a salvou com um golpe no peito do adversário.

— Olhem! Estão recuando! – gritou Cascão.

Era verdade. O general Yugi estava dando o toque de retirada. Imediatamente Mônica fez um sinal e os arqueiros passaram a disparar novamente. Muitos soldados foram pegos na fuga. Quando estavam distantes do alcance das flechas, o ataque cessou. A comandante deu um grito de vitória e os demais a acompanha na celebração de seu triunfo.