Cry Wolf

7 Capítulo 06 - Sem Saída


– Agatha está morta – Disse Klaus, quando chegou à cozinha.

– Meu deus – Falou Rachel, cruzando os braços com lágrimas caindo dos olhos.

– O que vamos fazer agora? – Perguntou Miranda.

– Dar o fora daqui – Respondeu a enfermeira, em prantos e tremendo – É isso o que vamos fazer!

– Mas e a tempestade? – Questionou Fiona – Não podemos sair.

– Você pode tentar – Disse Klaus para Max – É tão difícil assim pilotar um barco numa tempestade?

– É sim – Respondeu o piloto – Mas eu posso tentar, é melhor correr esse perigo do que ficar nessa casa.

– Eu não sei – Falou Miranda – É muito perigoso.

– Mais perigoso seria ficar aqui, quem sabe onde o responsável pelas mortes pode estar? – Fiona retrucou.

Miranda não disse mais nada.

– Eu também acho que deveríamos ir – Concordou Rachel.

– Então vamos – Disse Max – Eu só preciso pegar as chaves do barco lá em cima... Eu encontro vocês no barco.

Ele saiu correndo.

– Meu celular está lá em cima – Disse Fiona, que estava prestes a ir até lá em cima, mas foi impedida por Klaus, que segurou seu braço.

– Não temos tempo, ele pode estar lá em cima, vamos pro barco!

Eles saíram apressados, com medo, cruzando o corredor e, em seguida, a sala, até chegar na porta da frente.

Os quatro saíram na chuva e correram pela passarela no jardim até o portão. Saíram da casa e desceram a escadaria.

– Jesus! – Disse Miranda, ao ver o carro, cujo interior ainda tinha um pouco de fogo vivo.

Eles se aproximaram e puderam ver o corpo de Harry, irreconhecível. Era apenas um pedaço grande de carne queimada.

Rachel soltou um grito.

– Não olhem! – Orientou Klaus, que continuou correndo até o pequeno cais.

Quando os quatro estavam lá, no meio da chuva, esperando Max, Rachel perguntou, chocada, sobre o cadáver no carro:

– Era a atriz?

– Era um homem – Respondeu Klaus.

– Harry – Disse Fiona, com a mão sobre a boca – Só pode ser ele.

De longe, eles puderam ver Max saindo pelo portão e descendo a escadaria. Ele parou para ver o cadáver no carro e continuou a correr em seguida, perplexo.

– Vocês viram aquilo? – Perguntou ele.

– Pegou as chaves? – Miranda ignorou a pergunta.

– Sim – Respondeu ele.

Todos entraram no barco e se sentaram. Max passou direto e entrou na cabine, cuja porta nem ao menos fechou de tanta euforia. Alguns segundos depois, eles ouviram um barulho do motor do barco tentando ligar, mas não parecia que estava tudo certo.

Max parou de tentar e saiu da cabine.

– Não há combustível – Disse ele.

– Como assim não? – Perguntou Klaus – Você não abasteceu antes de vir?

– Aí é que está – Respondeu – Eu abasteci, não é possível que isso tenha acontecido, a não ser que haja um vazamento, o que também é improvável já que eu fiz uma checagem logo após aceitar o trabalho.

– Quem quer que tenha matado os outros, não quer nos deixar sair – Concluiu Rachel – Isso é óbvio.

– O que devemos fazer agora? – Perguntou Fiona.

– Vamos voltar para a casa, somos cinco, ele não conseguiria nos atacar sozinho – Falou Max.

– E se ele não estiver sozinho? – Questionou a enfermeira – É melhor ficarmos aqui.

– Aqui está frio, estamos molhados e precisamos de roupas secas – Disse o piloto.

– Nós não temos roupas secas – Lamentou Miranda.

– Eu tenho algo que pode servir em você – Falou Fiona – Rachel, você tem roupas secas?

– Tenho.

– Nós procuramos algo no guarda-roupa desse homem – Sugeriu Klaus.

– Vamos, mas cuidado, ele pode estar nos observando e se preparando pra fazer mais uma vítima – Max disse.

Eles voltaram correndo pela chuva, subiram as escadas e entraram na casa. Max foi o último, então fechou e trancou a porta.

Fiona respirou ofegante, estava cansada.

– Ainda não estamos seguros, vamos ficar todos em um quarto.

Eles subiram as escadas e entraram no primeiro quarto – o de Charlotte, com Klaus trancando a porta atrás de si.

Fiona olhou para a porta do banheiro aberta, sabendo o que havia lá dentro. O cadáver da atriz.

– Feche aquela porta, por favor – Disse ela para Max, que estava mais próximo.

Ele foi até lá, mas não fechou, pois havia visto o que havia dentro.

– Puta merda! – Exclamou ele. Miranda correu até lá e levou a mão à boca quando viu.

– O que foi? – Perguntou Rachel.

– Charlotte – Respondeu Fiona.

A enfermeira não se levantou da cama onde estava sentada, a última coisa que queria era ver outro cadáver.

Max fechou a porta e também sentou na cama.

– Vamos ficar aqui até amanhecer? – Perguntou Klaus.

– Não tem outro jeito – Respondeu Max – Que horas são?

O cirurgião olhou em seu relógio e respondeu:

– Duas e quarenta e seis.

– Não podemos ligar para a polícia e estamos presos aqui – Falou Rachel – Nossa única esperança é o dono da casa chegar e nos ajudar.

– Eu não contaria com isso – Disse Fiona.

– Por quê?

– Eu aposto que ele está por trás disso tudo.

– Você acha que ele matou os outros?

– Não sei se ele cometeu os assassinatos, mas tenho quase certeza de que ele planejou isso tudo.

– Realmente – Concordou Klaus – Isso tudo sempre soou muito estranho, ele convidar todos nós ao mesmo tempo e não aparecer para dar satisfações.

– Sem falar que ele mencionou um criado na carta, mas não tem ninguém aqui – Completou Max.

– Por que ele sairia e não deixaria ninguém para nos receber, por que não deixou algum aviso lá na marina? – Perguntou Max – Isso tudo cheira muito mal.

– Nós não temos ideia no que se metemos – Falou Fiona, aterrorizada.

– Eu estou com tanto medo – Disse Rachel.

– Nós podemos ligar para a polícia – Comentou Max.

– Como? – Perguntou a enfermeira.

– Chamada de emergência, agora é um bom motivo para fazer uma dessas.

– Você tem razão – Disse ela.

Max pegou seu celular, que estava no bolso molhado da calça e, quando a tela acendeu, clicou em “chamada de emergência”. Ele colocou no ouvido e esperou um pouco, em seguida desligou.

– Sem área – Falou ele.

– Sem área? – Miranda ficou surpresa – Mas as chamadas de emergência não servem para isso? Para ligar para a emergência em qualquer caso?

– Não é bem assim – Respondeu Fiona – Na verdade, quando você não tem sinal, o celular procura redes de outras operadoras, diferente das chamadas normais, que só usam a rede da sua operadora, mas aqui não tem absolutamente nenhum sinal.

– Estamos perdidos – Lamentou Rachel.

– Não estamos, não – Disse Max.

– Como não? Não há como sair daqui!

Max não queria acreditar, ninguém queria, mas era verdade. Não podiam sair.

O barco não funcionava, eles não conseguiam ligar para a polícia e nem podiam contar com o dono da casa, pois provavelmente ele era tão perigoso quanto o assassino que os cercava, isso se ele mesmo não fosse o autor dos crimes. Estavam completamente sozinhos.