Cry Wolf

8 Capítulo 07 - Um Lobo Entre as Ovelhas


A tempestade continuava caindo, mas esse era o único que se ouvia dentro quarto. Rachel e Miranda sentadas na cama, Fiona no chão, com as mãos em volta dos joelhos, Klaus encostado na parede perto da porta e Max olhando pela janela.

– Esquecemos de pegar as roupas – Disse o cirurgião.

– Vamos agora? – Perguntou Max.

– Eu estou congelando – Respondeu ele.

– É, eu também – Falou Rachel.

– Eu vou pegar no meu quarto – Avisou Fiona, levantando-se.

– Não, vocês ficam aqui – Aconselhou Klaus – Eu e o Max vamos, nenhum lugar é tão seguro quanto aqui.

Ela voltou a sentar.

Klaus abriu a porta e os dois saíram, fechando-a. Miranda rapidamente trancou a porta. Elas permaneceram lá por alguns segundos, até Fiona lembrar-se de algo.

– Ah que droga – Disse ela.

– O que houve? – Perguntou Miranda.

– Eles não vão achar as roupas – Respondeu ela – Elas não estão na minha mochila, eu deixei sobre o balcão do banheiro.

– Eu vou pegar – Falou Rachel, levantando-se.

– Não, eu mesma vou.

– Não, fique aqui, você já vai emprestas as roupas, o mínimo que eu posso fazer é ir pegá-las.

Rachel destrancou a porta e respirou fundo.

– Tome cuidado – Disse Miranda.

– Ok – Respondeu ela, saindo do quarto.

Fiona trancou a porta quando ela saiu.

A enfermeira caminhou até o fim do corredor até o quarto de Fiona – Todas as portas estavam fechadas.

Ela entrou no quarto de Fiona e foi até o banheiro, a roupa estava lá. Ela a pegou e se olhou no espelho, havia um corte na sua testa que ela não sabia de onde tinha vindo.

Neste momento, ouviu o barulho da porta do quarto onde estava se fechando. Havia alguém no quarto.

Ela não foi olhar, estava paralisada. Poderia ser o assassino.

Rachel fechou a porta, mas lembrou-se de que Klaus e Max passariam no quarto de Fiona para pegar as roupas então deveria ser eles.

– Klaus? Max? – Perguntou ela, sem resposta.

Perguntou novamente, enquanto seu coração batia em disparada. Estava prestes a sair, mas viu as sombras dos pés de quem quer que estivesse do outro lado. Ele estava ali. Não era Klaus, nem Max, caso contrário, por que ficariam calados?

Rachel trancou a porta e se afastou. As lágrimas começavam a cair do seus olhos. Ela estava tremendo de medo. Olhava para a sombra dos pés do provável assassino. Colocou a mão sobre a boca para que ele não ouvisse nem sua respiração. Olhou para os lados, procurando uma janela para sair. Havia apenas uma, mas era alta e muito pequena. Só tinha uma saída, e havia alguém bloqueando.

Ela se aproximou e colocou o ouvido na porta, para ouvir se ele estava falando algo ou mesmo se havia mais alguém no quarto, até porque poderia ser Klaus e Max pregando alguma brincadeira – Isso não fazia sentido.

Não conseguia ouvir nada. Nenhuma conversa.

De repente, um pequeno ruído foi ouvido e um jato de sangue foi lançado no espelho do banheiro – que havia quebrado com o impacto da bala que recebeu – e na parede do outro lado. Rachel caiu no chão instantaneamente, com os olhos abertos e uma expressão vazia congelada no rosto. O líquido vermelho fluindo dos dois pequenos buracos na sua cabeça, por onde a bala entrou e por onde ela saiu, escorrendo piso branco.

Na porta havia um pequeno buraco feito bem onde ela estava com a cabeça. Do outro lado o assassino segurava uma pistola com um silenciador bem junto à madeira da porta. O tiro havia sido certeiro. A bala atravessou a madeira e depois o crânio da enfermeira, rasgando seu cérebro e saindo pelo outro lado.

***

Klaus entrou no quarto, que estava destrancado, e encontrou Fiona acabando de se sentar na cama. Ele estava segurando uma espingarda calibre 12 em uma mão e na outra uma garrafa de cerveja.

– Onde estão Rachel e Miranda? – Perguntou ele.

– Rachel foi pegar as roupas – Respondeu ela – E Miranda precisou usar o banheiro.

– O que? Elas não podiam sair daqui, tem um assassino vagando por aí, pelo amor de Deus!

– Onde você achou essa arma? E onde está o Max?

– Nós fomos até o quarto do dono da casa... O filho da puta tinha armas! Ele está seguro, pegou um revólver 38.

– Max está trancando as portas, se ele estiver lá fora, não entrará mais...

Ela sentou na cama.

– Eu não quero morrer.

– Você não vai, nós temos armas agora, estamos em vantagem.

– Mas ele tem a vantagem de saber onde nós estamos e agir em silêncio.

***

Max estava na cozinha escura. A tempestade ainda caía.

Ele segurava um revólver em mãos, mas Charlotte tinha sido esfaqueada, então ele não deveria se preocupar, em uma briga entre alguém com uma faca e alguém com uma arma de fogo, o resultado é bem previsível.

Ele acabara de trancar a porta da cozinha, estava indo para o corredor do outro lado, trancar as outras portas, sempre com o revólver em punho, pronto para atirar no assassino caso ele aparecesse de repente.

Max estava com medo, nunca havia se sentindo assim em toda a sua vida. Aquilo era um perigo real, ele estava correndo risco de morte, agora sabia como alguém reagiria diante de uma situação daquelas.

***

Klaus e Fiona estavam no quarto, sozinhos. Ela sentada na cama e ele também.

– Será que vai doer muito se eu morrer? – Perguntou ela.

– Eu não sei – Respondeu ele.

– Eu não estou com esperanças de sair daqui, estou morrendo de medo.

– Eu também, mas agora temos uma vantagem.

– Ele pode estar nos ouvindo agora... Ele sabe cada passo que damos, está à espreita em qualquer lugar por aí, pronto para atacar.

Klaus pegou a cerveja em cima do criado-mudo e ofereceu a ela.

– Quer um gole?

Ela pegou a cerveja e levou até a boca. Viu um olhar diferente em Klaus, seus olhos brilhavam e ele sorria com uma criança que estava fazendo uma travessura.

Ela bebeu e sentiu instantaneamente sua língua e garganta queimar. Não conseguiu gritar, e tampouco falar, o ácido clorídrico estava destruindo suas cordas vocais.

Ela segurava a garganta com as mãos, enquanto fazia uma careta de dor extrema. E a dor era realmente lancinante. Estava tudo ardendo e queimando.

Fiona olhou para Klaus, que estava sorrindo. Não conseguia acreditar. Enquanto tossia sangue, sujando o chão, ela pensava. É ele.

Ela estava certa, o assassino sempre soube os passos de todo mundo, sempre esteve os observando, sempre esteve os ouvindo... Era Klaus.

O homem se aproximou ela e ela o chutou no joelho, correndo para a porta. Ele correu também e a puxou pelos cabelos, jogando no chão. Em seguida trancou a porta.

Ela continuava tossindo sangue. Seus olhos estavam muito vermelhos e saía sangue pelo nariz também. O ácido estava queimando tudo, as vias respiratórias, a garganta, o esôfago. A pior dor que ela havia sentido.

Klaus se ajoelhou por cima cima da barriga dela e segurou seu pescoço pálido. Fiona tentou lutar contra, mas ele começou a apertar. Ela tossia e cuspia sangue em seu próprio rosto, enquanto ele a estrangulava.

A garota se debateu, mas não tinha tanta força quanto ele. Klaus apertou com mais força e os olhos dela ficaram mais vermelhos. Fiona se debateu por mais alguns segundos, até parar. Os olhos vermelhos ficaram abertos e o pescoço estava com manchas vermelhas e um pouco arroxeadas. Klaus se levantou e saiu do quarto.

Notas finais
penúltimo capítulo