Crush Culture
2 "Oh não, não olhe nos olhos deles"
Notas iniciais
"Fiquei para trás de todos os meus colegas de classe e acabei aqui;
Despejando meu coração para um estranho
[...]
Eu só queria que você soubesse que essa sou eu tentando..."
Após o sino tocar, indicando o final do período, Kagami recolheu seus materiais, guardando-os em sua bolsa. Se levantando e caminhando até a porta, ignorando todo o barulho externo dos adolescentes no cio.
Eram poucos os seus colegas de sala que não estavam namorando. Afinal, namoricos naquela idade eram comuns, mesmo que não durassem para sempre.
Andou até a porta, e começou a perceber que as conversas da sala eram mais voltadas para sussurros alvoroçados, o que a deixou desconfortável. Foi ao levantar o olhar que percebeu que o rapaz de cabelos azulados estava na porta, em uma pose despretensiosa e descolada.
— E aí? — disse, dando uma piscadinha e um sorriso torto para ela, quase como um flerte. Atitude que gerou automaticamente uma profunda revirada de olhos da moça.
— Ah, então é por sua causa… — comentou, passando reto pelo rapaz na porta da sala.
— Por minha causa o quê? — indagou atordoado, seguindo a garota.
— Adolescentes de todas as idades, sexos e sexualidades sentem o cheiro de rapazes como você a quilômetros de distância… Fazendo-os entrar em estado de choque — respondeu dando de ombros, enquanto caminhava em passos lentos pelos corredores.
— Rapazes como eu? — Um sorriso involuntário surgiu no rosto de Luka, lembrando-se do ocorrido daquela manhã.
— Sim. Populares, com postura de macho alfa e no cio. — Interrompeu a caminhada e voltou-se para o rapaz, dando-lhe um sorriso sarcástico.
— Eu não tenho postura de macho alfa e nem estou no cio — riu, comentando indignado com tais afirmações.
— Claro que não! — debochou. — E é exatamente por isso que você não está me perseguindo!
— O cio acontece com as fêmeas e é um período em que ela está disposta a aceitar o macho — Luka argumentou, fazendo Kagami rir com tal fato.
— Bom, então talvez você seja uma fêmea! — Ela viu o rapaz expressar uma feição engraçada e “chateada” ao mesmo tempo. — Mas, é sério, machos também entram no cio, só que é diferente das fêmeas. É mais pra um cio constante, com períodos de maior ou menor intensidade. O que eu acho pior…
— Certo, vamos parar de falar de cio, eu fico cada vez mais chateado com o rumo dessa conversa e com seus argumentos — comentou Luka rindo e negando com a cabeça. — Enfim, vamos andando.
— Vamos? — Kagami levantou uma das sobrancelhas.
— Vamos. Como bom cavalheiro que sou, vou te acompanhar até a sua casa. — O rapaz sorriu, fazendo uma reverência como se estivesse em um romance de época.
Kagami olhou o gesto com desgosto e deu as costas ao rapaz, começando a andar em direção às escadas.
— Não, obrigada — respondeu enquanto caminhava.
Luka recuperou a postura e viu que ela já estava na metade do corredor. Riu, balançando a cabeça negativamente, e correu até a menina, ficando lado a lado com ela, e caminhando ao seu lado.
— “Não” não era uma opção… Estou no prazo do nosso desafio — disse com o ar divertido, enquanto observava a feição séria da moça, que claramente estava desinteressada e aborrecida com ele.
— Seu desafio… — corrigiu-o. — E você sabe que o que está fazendo é assédio, não é?
— Não tem graça interagir com você. — Luka revirou os olhos e fez um biquinho de chateado, o que fez Kagami soltar um riso nasal. — Mas, por favor, deixa eu te acompanhar até a sua casa, Gami…
— Por favor, faça o que quiser, só não me chame de Gami… — Kagami interrompeu a caminhada e fuzilou Luka com um olhar que deixou o rapaz assustado.
— Por que Gami não pode, Gami? — perguntou em tom provocativo, apenas para ver a reação da garota.
Luka não sabia por que estava interessado ou por que queria ver a garota ficando brava com ele, mas insistia em tomar aquelas atitudes que poderiam lhe causar graves consequências. Talvez seja porque ele já havia percebido que não conseguiria provar nada a ela, nem mesmo chamar a sua atenção, com um sorriso galanteador, uma cantada ou algo do tipo. Então, ser profundamente irritante e insistente poderia ser uma maneira de ela pelo menos olhar na cara dele.
— Adeus, Couffaine. — A menina voltou a caminhar, outra vez dando as costas a Luka, mas foi segurada pelo mesmo. — O que foi agora?
— Certo, certo… Nada de Gami. Me desculpe. — Luka deu um sorriso sem graça, vendo que a menina lhe observava levemente irritada.
— Mais um deslize e te corto pela raiz… — ameaçou-o. — Vamos logo, se eu me atrasar minha mãe me corta a cabeça.
Luka apenas assentiu com a cabeça e foi caminhando com a garota. Chegando perto das escadas, o rapaz percebeu a garota parando de caminhar antes de começar a descê-las, e buscou, olhando ao redor, o porquê disso.
Seus olhos se depararam com os cabelos azulados e o sorriso inocente e gentil de uma de suas ex's ali perto, na porta da sala conversando com Alya e Nino, e com o braço daquele belo modelo sobre seus ombros.
Luka, desde que começara a namorar aquela garota, em meados de seus 15/16 anos, percebia nitidamente que ela sentia algo por outro, por ele. Sempre estivera claro que, por mais que a Dupain-Cheng negasse, ela era perdidamente apaixonada por Adrien Agreste.
E quem não se apaixonaria por Adrien? Ele era lindo e gentil, diferente de muitos modelos de sua idade que só eram bonitos por fora.
Luka não sabia ao certo porque eles namoraram, mas ele soubera que naquele tempo ensinou muito a ela, e ela lhe ensinou muito também, sobre a vida e sobre o amor. Foi um término amigável. Eles teriam sido muito felizes juntos; se Marinette não gostasse de outro, é claro.
O rapaz observou novamente Kagami e percebeu que ela olhava para os casais que ali trocavam risadas — ou melhor — para o casal, mais especificamente aquele que era composto por sua ex e pelo modelo. Estranhou tal comportamento, ela parecia incomodada com a cena, ou talvez estivesse mais para triste.
— Está observando qual dos deuses gregos: o Agreste ou a Dupain-Cheng? — perguntou, na intenção de desfazer o clima estranho que havia se instalado.
— Idiota… — resmungou Kagami.
Luka se perguntou se tal xingamento foi para ele ou para algum dos jovens o qual observavam. Mas, quando viu Adrien acenando timidamente para a menina ao perceber que ela os olhava, supôs que seria para ele quando a moça retribuiu o gesto revirando os olhos.
Kagami havia tido um dos seus piores relacionamentos com Adrien. Talvez pela falta de maturidade dos dois jovens, ou por ambos já terem seus próprios problemas e não saberem lidar com eles, nem juntos, nem separados, tornou-se um relacionamento tóxico e exaustivo por parte de ambos. E seu coração, já fragilizado, só se destruiu ainda mais quando sua melhor amiga havia começado a namorar seu ex.
Kagami sempre soube da paixão velada de Marinette pelo rapaz, mas, na época, a amiga namorava outro, e ela estava muito próxima de Adrien, o que a fez se declarar para ele e começarem um romance trágico.
Marinette nunca havia deixado de falar com Kagami ou apoiá-la em suas decisões, antes, durante e depois do namoro da Tsurugi com Agreste. Todavia, quando foi a vez da Dupain-Cheng ter o modelo em seus braços, Kagami não conseguiu segurar a amizade das duas e foi se afastando de pouquinho em pouquinho, com meias desculpas, até fazer que elas perdessem o contato de vez. Havia sete meses que elas não se falavam mais.
A lembrança de Adrien ainda fazia mal para Kagami, ver sua amiga todos os dias com ele e fingir sorrir, sentir o cheiro dele nela, vê-la feliz com alguém lhe machucou não seria fácil de engolir.
Antes perder essa amizade pela falta de contato do que por um surto “bobo”. Pensava Kagami ao ir se afastando aos pouquinhos de sua melhor e única amiga desde que chegara do Japão.
— Kagami… — Luka chamou-a, ao perceber que ela parecia mais tensa que o normal. Aquela cena estava lhe destruindo, ela parecia perdida naquela visão e dentro de si mesma.
A garota fechou os olhos com força, respirou fundo e cerrou os punhos, em uma tentativa de aliviar o estresse. O garoto pode ver uma pequena lágrima escapar de seus olhos, não sabia se era de tristeza ou de raiva, mas coisa boa não era.
Kagami, com as forças que lhe restavam, segurou firme o pulso de Luka e puxou-o consigo para descer as escadas.
— Vamos logo, ou minha mãe vai me matar — repetiu mais uma vez, como se fosse o real motivo de sua pressa.
Luka não a questionou e apenas desceu as escadas com ela, sem ousar olhar para trás ou fazer qualquer tipo de pergunta a respeito daquilo.
[...]
Caminharam durante bons minutos em um profundo silêncio. Kagami ainda sentia o nó na garganta e o peso em seu peito naquele momento, que foi uma espécie de gatilho. Também estava envergonhada por ter parecido maluca na frente de Luka. Ela não fazia ideia do porquê a opinião dele sobre ela parecia levemente relevante, então apenas manteve o silêncio, para não estragar a sua “reputação” de obstinada.
O rapaz se questionava internamente do porquê da reação de Kagami. Ele não fazia ideia do passado dela e tinha medo de chateá-la ao perguntar.
Pensando no que deveria fazer, Luka sentiu que devia puxar assunto sobre aquilo que mais entendia e mais amava: música.
— Que tipo você gosta? — perguntou, enquanto desenrolava os fones de ouvido que retirava do bolso de sua calça.
— Hã? — Kagami voltou o olhar para o rapaz, com uma expressão confusa.
— Que tipo de música você gosta? — repetiu, deixando agora a frase mais clara.
— Por que quer saber? — A garota observou-o enroscar-se nos fones de ouvido, ainda meio confusa.
— Não é óbvio? Vamos ouvir música! — Deu um sorriso despretensioso, enquanto indicava o objeto em suas mãos, e exclamou vitorioso quando finalmente havia conseguido desfazer aquele nó. — Vamos, me diga um gênero, uma banda, uma música, qualquer coisa!
— Joni Mitchell — murmurou, enquanto virava o rosto de volta para o caminho.
— Perdão, eu não entendi…
— Eu disse: Joni Mitchell, anta — exclamou, estressada.
— Nossa, não precisava disso tudo — reclamou em tom divertido e levemente ofendido. Sabia que a garota estava estressada, então não fez nenhuma reclamação que poderia lhe ofender ou lhe magoar ainda mais.
Ele colocou um dos lados do fone na própria orelha e o outro encaixou cuidadosamente na de Kagami. Ele pode perceber que a menina teve um calafrio com tal atitude e soltou um riso nasal com a cena, achando fofa. Depois de ajustar o volume, o rapaz deu play na música “The Circle Game” pelo seu celular.
— Não imaginava que uma garota como você curtiria Joni Mitchell… — comentou enquanto ouvia a música.
— Primeiro, pare de usar “garota como você”. Segundo, cale a boca e ouça a música. — Deu cotovelada na região das costelas de Luka, não muito forte ao ponto de machucá-lo, mas em intensidade boa o suficiente para incomodá-lo e fazendo-o gemer sutilmente de dor.
Caminharam em um profundo silêncio, escutando a voz soprano da cantora naquela melodia calma e gostosa de escutar. Luka observava discretamente a feição da moça, que agora parecia mais leve ouvindo a música.
O caminho para a casa de Kagami não era muito movimentado, haviam poucas pessoas caminhando por aquelas ruas além dos dois jovens, e o tráfego dos carros também era baixo. Parecia um bairro chique e calmo, o que fez Luka sentir um pouco de inveja, pois, quase sempre havia alguma confusão ao ponto de envolver policiais no lugar onde morava, normalmente eram vândalos, assaltantes ou apenas bêbados causando alvoroço, e os horários eram os mais diversificados o possível.
— Kagami — chamou-a.
— Já não falei para ficar quieto? — reclamou, voltando o olhar para Luka, mas sua feição furiosa se desfez quando percebeu que o garoto parecia mais sério que o normal. — O que foi?
— Como são os seus pais? — perguntou ainda com o olhar perdido pelas ruas do bairro.
— Por que a pergunta? — indagou confusa, mas não obteve respostas do rapaz, então cedeu-lhe a resposta. — Minha mãe é uma pessoa bem rígida e severa, muitas vezes parece uma megera, mas eu sei das noites que ela vira acordada para tentar me dar a melhor vida o possível. Quase sempre ela está com uma expressão fechada e carrancuda, mas quando ela sorri, é extraordinário, parece até outra pessoa… apesar de já fazer um tempo que ela não sorri — contou-lhe boa parte com um meio sorriso no rosto, mas naquela última frase o sorriso se desfez.
— E seu pai? — Luka olhou para baixo, como certo medo da resposta, parecendo estar arrependido por fazer aquelas perguntas. Mas ele começava a perceber que a garota estava mais aberta naquele momento e não poderia perder a oportunidade de conhecê-la por abertura própria.
— M-meu pai… — Kagami sentiu um nó fazer-se em sua garganta, mas tentou falar mesmo assim. — Ele era gentil. Um pouco menos rígido que minha mãe, e até me mimava demais, muitas vezes. Ele sempre sorria, e sempre nos fazia sorrir também… — recordava-se da memória de seu pai, segurando as lágrimas que começavam a se formar em seus olhos. — É por ele que mamãe deixou sorrir.
Luka não perguntou mais nada. Sabia que, naquele ponto, seria crueldade com ela. Mas aqueles relatos fizeram-no se esquecer de seus próprios problemas.
— Já faz uns dois anos… — Todavia, Kagami seguia contando a ele sobre seu pai enquanto caminhavam. A Tsurugi sentia vontade de falar eternamente de seu pai, apenas para preservar a doce lembrança de seu sorriso viva em suas memórias. — Nós estávamos afastados. Mamãe teve que vir à França por negócios, e ele ficou no Japão para cuidar dos de lá. Eu vim junto com ela, aqui oferecia um curso incrível de esgrima, e eu queria muito fazê-lo para impressionar ele. Mas ele nunca pode me ver presencialmente em nenhum dos meus campeonatos, mesmo dizendo que amava os vídeos que enviávamos e que logo estaria presente para me abraçar em uma das minhas vitórias.
Luka ouvia em silêncio, já não prestava mais atenção na música, apenas na garota ao seu lado que tinha um triste sorriso ao lembrar-se da memória do pai.
— Nós não ficamos sabendo que ele estava doente quando viemos para a França, e, quando ficamos, ele se recusou a aceitar que minha mãe deixasse os negócios de lado para vir sofrer por ele e com ele. No dia em que ele morreu, eu estava em um torneio de esgrima, e aquilo me destruiu ao receber a notícia depois de uma partida. Não consegui mais lutar esgrima nesse dia, e nem em mais nenhum outro. — O rosto dela já estava avermelhado, segurando as lágrimas, as quais ela limpava rapidamente ao se acumularem demais. — O meu melhor exemplo de amor morreu naquele dia — completou, em um tom dificilmente audível para Luka, mas o rapaz conseguiu captar a mensagem com o pouco que escutara.
Luka parou de andar fazendo Kagami o imitar por sentir o fone de ouvido cair de sua orelha, confusa com tal ação.
— Couffaine? — chamou-o, estranhando tal ação.
O rapaz encheu-se de culpa por tocar no assunto, sentindo-se um idiota. Era como se houvesse cravado uma faca na alma de Kagami, em sua visão. E não conseguiu ter outra reação a não ser puxá-la contra seu peito e fechá-la em um abraço quente e apertado.
Kagami se assustou com tal ação repentina, sendo envolvida pelos braços de Luka, com sua cabeça deitada no tórax do rapaz, ouvindo sutilmente as batidas do coração dele. Ela ficou levemente vermelha por estar tendo tamanho contato com o rapaz.
— Luka?
— Me desculpe — disse com a voz trêmula.
— Pelo quê?
— Por te fazer lembrar de momentos dolorosos, eu fui um estúpido — respondeu, sentindo uma lágrima escorrer pela própria face.
— Você é um estúpido, um verdadeiro estúpido — disse, e soltou um pequeno riso. — Mas não por esse motivo. Não precisa se preocupar.
Kagami colocou os braços em volta da cintura de Luka, retribuindo o abraço.
— Você é curioso e sensível demais, até parece uma fêmea — Kagami brincou, fazendo Luka rir fraco.
— Outra vez, você parece ter razão — disse, entrando no jogo e quebrando o clima melancólico entre eles.
— A gente precisa andar depressa agora, eu não minto a respeito da minha mãe odiar atrasos. — A garota desfez-se do abraço, fazendo com que o garoto a soltasse também.
Kagami sorriu divertida para Luka, deixando-o sem saber o porquê daquilo, e começou a correr.
— Ei! O que tá fazendo? — gritou começando a correr atrás dela.
— Estou zelando pela minha vida! — gritou de volta.
Kagami era extremamente rápida e ágil, não que Luka não o fosse, mas ele certamente não conseguiria alcançá-la tão facilmente.
Luka riu daquela atitude levemente infantil, mas ficou contente que ela não estava mais cabisbaixa. Ele se admirou por perceber que ela era mais forte do que já demonstrava ser, e muito mais profunda do que ele pensava.
Quando eles chegaram frente a uma grande casa, muito bem construída, não chegava a ser uma mansão, mas também não era nenhuma casa simples, os jovens pararam de correr e permitiram-se respirar com mais calma.
— Chegamos — afirmou Kagami, entremeio a respiração ofegante, limpando o suor de seu rosto.
— Sua casa é linda. — Luka sorriu, admirando o lugar que realmente tinha uma fachada muito bonita.
Kagami estava prestes a tocar a campainha para pedir que abrissem o portão, mas Luka segurou sua mão, pedindo-a que esperasse um pouco.
— Sabe, vai estar ocupada na tarde de sexta? — perguntou, sorrindo de lado, com os olhos brilhando e ansiosos pela resposta.
— Acredito que não — respondeu, arqueando as sobrancelhas.
— Gostaria de ver o ensaio da minha banda? — O rapaz convidou-a, sem perder o brilho no olhar. Fazendo que Kagami ficasse como que compadecida com aquele olhar de pedinte.
— Vou ver se minha mãe permite — respondeu soltando um suspiro e vendo o rapaz já soltar um sorriso vitorioso. — Eu disse que vou ver… Ela deixar, é outra história.
— Ela vai deixar, tenho certeza disso — disse convencido.
— Você nem conhece a minha mãe. — Soltou um riso seco.
— Você é muito negativa — falou Luka, vendo Kagami revirar os olhos ao ouvir aquela frase.
— Negativa não, realista — Kagami e Luka disseram a uníssono, fazendo a garota olhá-lo com um olhar mortal e o rapaz rir da reação dela, pois eles sabiam que aquela cena já havia acontecido naquela manhã.
— Até mais, senhorita. — Fez uma reverência cavalheiresca outra vez, fazendo a garota rir da atitude.
— Você é brega — disse.
— Brega não, romântico — rebateu com um sorriso de canto.
— Deu no mesmo.
Luka negou com a cabeça rindo. Despediu-se dela com um aceno e pôs-se a caminhar de volta para direção de sua casa. Enquanto Kagami observava o rapaz se afastar de seus olhos, diminuindo de tamanho à medida que caminhava, até que ele sumiu completamente de sua visão e ela finalmente tocou a campainha de sua casa, anunciando sua chegada.
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