Crossroads - Vidas Cruzadas
9 Capítulo 8 - Amigos?
Notas iniciais
Eu estava sentado na varanda da casa de Becky quando tomei a decisão. Eu voltaria para La Push. Nós já estávamos no Hawaii há quase duas semanas, Rachel e Rebecca estavam tão felizes juntas, principalmente a Rach, ela estava tranqüila, a tristeza pela morte do nosso pai já tinha se transformado em saudade.
Chamei Paul sem que Rach percebesse pra conversar sobre minha volta com ele, nós combinamos como eu faria, ele ficaria aqui com Rachel por mais algumas semanas, ele concordava comigo sobre ela estar mais feliz aqui.
Acordei cedo no dia combinado com Paul para a minha volta, sai sem me despedir das minhas irmãs, apenas passei pelo quarto de Sarah e Sophie e me despedi da minhas sobrinhas. Eu sentiria falta delas.
Paul me levou até o aeroporto e voltou pra casa de Becky, fiquei sentado esperando o avião, meu coração batia apressado, eu me sentia como um garotinho fugindo de casa. Ri de mim mesmo.
O vôo pareceu mais rápido, talvez por causa da minha ansiedade pra voltar pra casa. Quando desembarquei em Port Angeles, já era noite, preferi voltar correndo na forma de lobo ao invés de pegar outro avião.
Estava com saudades de correr livre na minha forma de lobo. No Hawaii eu e Paul nos limitávamos a transformar por alguns minutos apenas pra saber noticias de nossos bandos. Paul fazia isso com menos freqüência, afinal a responsabilidade maior era de Sam, o alpha dele, ao contrario de mim que por ser alpha do meu bando tinha que estar informado de tudo.
Assim que assumi minha forma lupina ouvi os pensamentos de Quil e Seth. Os dois lembravam de uma festa na fogueira que tinha acabado de acontecer, vi na mente deles como a garota que estava ‘cuidando’ da minha casa tinha sido bem recebida por todos, eles já a tratavam como se fosse da família, principalmente Embry que estava bem próximo dela, não sei por que mas ver os dois juntos me irritou. Louco, pois eu nem mesmo conheço a garota.
‘AS duas comadres vão ficar ai tricotando ou vão fazer a ronda’ falei em tom de deboche.
‘Jake’ Seth falou ‘Achei que vocês ainda demoravam pra voltar’.
‘Rachel e Paul ficaram lá’ falei ‘Eu é que não agüentei de saudades daqui’.
‘É bom te ter de volta chefe’ Quil falou.
‘Sem essa coisa de chefe Quil, eu sou só Jake’ falei
‘Eu sei, mas é bom te irritar’ os dois ladraram risadas à minha custa.
‘Vão rindo’... reclamei ‘eu vou pra casa’.
‘Nannah ainda está lá’ Seth falou, vi a imagem da garota na cabeça dele, ela era linda, dava pra entender o porque de Embry ser tão amiguinho dela ‘eu posso leva-la lá pra casa’ Seth continuou falando.
‘Não precisa’ o interrompi ‘ela pode ficar lá, eu não mordo Seth!’ os dois riram ‘Além do mais, é uma boa oportunidade de conhece-la e agradecer por ter cuidado da casa’
‘Certo então, nos vemos amanhã’ Seth falou e voltou pra sua corrida. Eu segui em direção à minha casa.
Parei na floresta e vesti uma roupa, joguei a mochila nas costas e segui pra casa. Peguei a chave reserva que ficava embaixo de um dos vasos de flores na varanda e entrei. Tentei fazer o mínimo possível de barulho, não queria assustar a garota. Assim que abri a porta, acendi a luz e a vi sentada no sofá me olhando com olhos arregalados e o coração audivelmente acelerado.
- Oi – falei – entrando, ela ainda ficou parada me olhando como se estivesse vendo um fantasma – desculpa se te assustei, eu Jake.
- O-o-oi – ela gaguejou enquanto se ajeitava no sofá – eu sou Nannah... Seth me falou que vocês só voltavam no final da semana...
- É era pra ter sido assim, mas eu resolvi me antecipar – falei me sentando no sofá de frente pra ela – mas Rachel ainda vai ficar um pouco por lá...
Ela ficou um tempo em silêncio, eu fiquei quieto, apenas a observando. Ela era muito linda, o cabelo comprido castanho escuro caia em cachos nos ombros e contrastava bem com a pele clara e com os olhos incrivelmente azuis.
- Seth me falou que você ainda não conseguiu um lugar pra ficar – falei quebrando o silencio – não se preocupa com isso, a Rach ainda vai ficar um tempo no Hawaii, então você pode continuar aqui.
- Obrigada – ela falou simplesmente – mas eu vou ver se consigo algo logo.
- Já disse, não precisa se preocupar – falei – vai ser até legal ter uma companhia aqui, ficar nessa casa sozinho não ia me fazer bem.
- Obrigada de novo e eu sinto muito pelo seu pai – ela falou e eu senti a dor me invadir. Fiquei em silencio, eu não sabia como reagir – eu sei como dói perder alguém tão importante.
Ficamos os dois em silencio por um tempo, percebi que ela se mantinha no sofá encolhida, eu não sentia frio por causa dos meus genes de lobo, mas ela devia estar com muito frio.
- Você devia se agasalhar melhor – falei – está bem frio hoje.
- É está frio mesmo, mas eu já vou me deitar – ela se levantou pegando o cobertor do sofá – quer que eu te prepare algo pra comer antes?
- Não precisa – agradeci – acho que posso me virar sozinho.
- Então boa noite, Jake – ela falou sorrindo – foi um prazer conhece-lo.
- Boa Noite, Nannah – sorri de volta – e me desculpe pelo susto. – Ela foi pro quarto de Rachel e eu fui pra cozinha.
Deitei na minha cama sem muito sono, tinha dormido bastante no vôo pra Seattle e os dias na casa de Becky, sem ronda na madrugada, me deixaram bem disposto. Fiquei deitado olhando o teto até que um som de bater de queixo chamou minha atenção. Levantei e fui até o quarto de Rachel, Nannah estava encolhida na cama debaixo de meia dúzia de cobertores.
Me aproximei pra ver se ela estava bem, assim que toquei em sua testa percebi o porque da tremedeira dela, Nannah estava ardendo em febre. Fui até o armário do banheiro, onde sabia que Rachel guardava os remédios. Peguei um antitérmico e um copo de água e voltei pro quarto onde Nannah estava.
- Nannah – a chamei baixo – Nannah, acorda, você tem que tomar esse remédio.
- Terry... – ela falou baixinho, mas minha audição aguçada me permitiu ouvir – Terry... – ela repetiu.
- Não Nannah, eu não sou o Terry – falei ainda tentando acorda-la, ela abriu os olhos de leve.
- Jake – ela sussurrou.
- É sou eu te trouxe um remédio, você está com muita febre – falei ajudando-a a se sentar e lhe entregando o remédio – você deve estar ficando doente.
- Culpa do idiota do Embry – ela falou me devolvendo o copo e se deitando.
- O que o Embry tem a ver com isso? – perguntei.
- O idiota me jogou na água hoje.
- Por que?
- Segundo ele era meu trote...
- Amanhã você me explica isso direito – falei cobrindo-a – agora dorme.
- Tá fazendo frio – ela reclamou.
- Nannah você está com seis cobertores e ainda está com frio? – perguntei segurando a risada, ela apenas bufou e se encolheu mais. Levantei e me deitei ao lado dela, a abraçando para que o meu calor acima do normal a aquecesse. (n/a me aquece também Jake!)
O perfume que emanava do cabelo de Nannah era embriagante, eu podia passar a eternidade ali apenas sentindo aquele aroma. Acabei pegando no sono, acordei um tempo depois percebendo que Nannah estava encharcada de suor.
Retirei a pilha de cobertores de cima dela, mas vi que a roupa que ela usava também estava molhada, peguei uma roupa no armário de Rachel e acordei Nannah outra vez.
- Nannah – chamei balançando de leve seu ombro.
- Humm? – ela resmungou.
- Levanta, você tem que trocar de roupa. – falei
- Pra que? – ela perguntou abrindo os olhos e só então percebendo que era eu quem falava com ela – Jake? O que você está fazendo aqui?
- Te acordando pra que você troque de roupa, uma vez que a sua está toda suada.
- e por que a minha roupa esta suada? – ela se sentou na cama se avaliando, eu tive que rir – Tá rindo de que? – ela me olhou com a cara fechada.
- De você e da sua amnésia – falei me sentando ao lado dela – Você deu um febrão danado e eu vim aqui e te dei um remédio, só que ao que parece sua febre baixou e as seis cobertas que estavam te cobrindo fizeram você suar bastante. – omiti a parte em que eu fiquei deitado do lado dela.
- Uau, eu não lembro de nada –ela falou pegando a roupa que eu estendia pra ela – de quem é isso?
- Da Rachel – falei – veste, eu vou preparar um chá pra você.
Sai do quarto a deixando sozinha. Não demorou muito e Nannah apareceu na porta da cozinha vestindo a roupa de Rachel e enrolada numa colcha.
- Ainda com frio? – perguntei.
- Não, só não quis me arriscar a vir aqui fora sem estar devidamente coberta, não quero ter febre outra vez. – ela sentou numa cadeira e eu lhe ofereci uma caneca com chá – Obrigada por cuidar de mim.
- Que isso, foi um prazer – falei – eu só não entendi ainda por que Embry jogou você na água.
- Segundo ele eu agora faço parte do bando, não me pergunta que bando por que eu também não entendi a piada – mal sabia ela que eu tinha entendido muito bem – e como caloura eu precisava de um trote, ai ele teve a idéia genial de me jogar na água. Agora eu estou pensando em alguma forma bem dolorosa de tortura-lo.
Eu tive que rir dessa. Nós ficamos sentados conversando, ela me contou como tinha se divertido com os garotos no tempo em que esteve aqui.
- Posso fazer uma pergunta pessoal? – falei, Nannah fez que sim com a cabeça – Terry é seu namorado?
A expressão dela mudou para uma tristeza grande e eu percebi que tinha falado demais.
- Desculpa, eu não devia ter te perguntado isso – falei – é que ontem você o chamou, acho que eram delirios por causa da febre alta.
- Tudo bem – ela tentou sorrir, mas o sorriso não alcançou os seus olhos – Lembra que ontem eu te falei que sabia o que era perder alguém importante? Bom, Terry era esse alguém que eu perdi. Ele era meu irmão mais velho, a única pessoa que eu tinha no mundo.
- Nossa, deve ter sido bem difícil – falei – pra mim foi terrível perder meu pai, mas eu tinha minhas irmãs e meus amigos pra me apoiar, mas você... e os seus pais?
- Meus pais nunca me deram muita atenção – ela falou triste – quando minha mãe descobriu que estava grávida de mim, eles passaram por momentos bem difíceis, então eu meio que virei um fardo pros dois, eles não me davam atenção, não me davam carinho.
- Mas a sua mãe te tratava assim? – era difícil acreditar que uma mãe fosse capaz de ignorar um filho.
- A minha mãe era quem mais me desprezava – Nannah falou triste – ela teve que abrir mão de muita coisa por minha causa. Ela nem se quer me amamentou quando eu era bebê. A única pessoa que cuidou de mim, que se importou comigo foi Terry, por isso foi tão difícil quando o perdi.
- O que aconteceu com ele? – perguntei.
- Nós estávamos acampando com um grupo de amigos de Terry, ai um deles teve a idéia de descer o rio num bote. O bote que Terry estava bateu numa rocha e virou, ele acabou batendo a cabeça e se afogando. – ela respirou fundo – a convivência com meus pais ficou insustentável. Com meu pai nem tanto, já que ele se limitava a me ignorar, mas minha mãe, ela me acusava o tempo todo de ter sido culpada pela morte do Terry.
- Como você pode ter sido culpada? – perguntei – Foi uma fatalidade, você não colocou aquela rocha lá.
- Mas eu o convenci a entrar no bote – ela se levantou chorando – ele não ia participar daquilo, mas eu o convenci a ir.
Nannah chorava muito, eu me levantei e fui até ela, a abraçando.
- Deixa de ser boba Nannah – falei limpando as lágrimas do rosto dela – não foi sua culpa, Terry poderia ter se negado a entrar no bote, mas não ele decidiu ir. Para de se culpar por algo que você não tem culpa.
Ficamos em silencio um tempo, eu não falei nada para que Nannah se acalmasse. Ela chorava muito com a cabeça encostada no meu peito. Quando senti que ela estava mais calma a levei de volta pra se sentar na cadeira e me sentei ao lado dela.
- Vocês são o mais perto de uma família que eu tive depois de perder o Terry – ela falou – eu nem sei porque vocês me receberam assim. Ninguém me conhece, eu sou uma forasteira e vocês me tratam como se eu fosse da família. Eu me sinto como se eu fizesse parte desse lugar há anos.
- Bom, você pode até não fazer parte daqui há muito tempo, mas com certeza vai fazer parte agora – falei sorrindo – todo mundo falou muito bem de você pra mim, inclusive o Seth. Não sei acho que tem uma paixonite dele por você.
- Do Seth por mim! – ela exclamou rindo – não, Seth é como se fosse meu irmão. Eu vi muito do Terry nele, a mesma preocupação comigo, o mesmo carinho.
- E o Embry? – perguntei pra ver a reação dela ao falar dele. Ela riu e balançou a cabeça. – rola alguma coisa ai?
- Não! – ela respondeu espantada – Embry é muito legal, muito atencioso também, como Seth, mas sei lá eu não o vejo assim... ele tem cara de ser muito mulherengo e de fazer muitas mulheres sofrerem por ele. – eu ri, fazendo Nannah me acompanhar.
- Realmente as mulheres são perspicazes, em menos de um mês você percebeu coisas que muitas garotas que conhecem Embry a anos não enxergam!
- Embry tem escrito na testa Sou mulherengo .
- E os outros garotos – perguntei voltando ao assunto anterior.
- O que isso? Ta me investigando Sr. Black? – ela perguntou fazendo cara de ofendida.
- Não só quero saber o que você achou das pessoas daqui! – falei fazendo cara de inocente.
- Então por que você não me perguntou sobre Leah ou sobre Sue? Ou Kim, ou Emily, Dara...
- Eu ia chegar nelas –falei – mas já que você se adiantou... como elas te receberam?
- A Sue é praticamente uma mãe pra mim – ela falou sorrindo – mas a Leah... – ela fez uma careta – sei lá ela parece estar sempre incomodada com minha presença. Ela é sempre agressiva, como se vivesse na defensiva, mas eu percebi que ela não é assim só comigo, claro que comigo parece ser mais intenso.
- A Leah é assim mesmo – falei – você acaba acostumando com ela e ela se acostuma com você também.
Nannah concordou rindo e tomou o ultimo gole de chá se encolhendo, dentro da colcha, em seguida. Toquei na testa dela e vi que a febre tinha voltado.
- Você está com febre de novo – falei me levantando e colocando as canecas na pia – vá se deitar e eu vou levar outro comprimido pra você.
- Sim senhor – Nannah falou se levantando.
Engraçado como nos conhecíamos a menos de 24 horas e eu já me sentia tão a vontade perto dela. Peguei um copo de água e fui pro quarto onde ela estava, antes passei no banheiro e peguei outro comprimido no armário.
POV – Nannah
Estranho, era como podia ser definido o momento. Eu conheci Jake a algumas horas e nós já nos tratamos como se tivéssemos vivido uma vida inteira juntos. Entrei no quarto e me encolhi debaixo dos cobertores. Não demorou muito e Jake entrou com um copo de água e um comprimido e me entregou.
- Dorme que logo a febre passa – ele falou – qualquer coisa me chama – ele saiu do quarto deixando a porta entreaberta, dormi logo em seguida.
Acordei no dia seguinte com alguém batendo na porta da casa. Levantei me sentindo bem melhor e fui tomar um banho, afinal meu cabelo estava puro suor. Tomei um banho rápido e sequei meus cabelos, nem pensar em ficar com eles molhados e adoecer de novo.
Vesti uma roupa decente e quente e fui pra cozinha. Seth estava sentado na mesa enquanto Jake preparava o café.
- Bom dia – falei me sentando perto de Seth.
- Bom dia Nannah – Seth se levantou um pouco e me deu um beijo no rosto – Jake me disse que você teve febre à noite.
- É culpa do idiota do Embry que me jogou na água – falei – mas eu já me sinto bem melhor.
- Que bom, eu trouxe uma boa noticia – Seth falou animado – lembra da lanchonete que eu te falei? Pois é consegui uma vaga pra você lá. É da mãe da Clair, ela está precisando de alguém pra ajudar a atender, parece que os clientes estão aumentando.
- Que noticia boa Seth! – me animei também – e ela falou quando posso começar?
- Ela falou pra você ir lá hoje – ele falou.
- Nem pensar – Jake que tinha se mantido calado falou enquanto colocava o café na mesa – você ainda não pode sair.
- Nem vem Jake, eu já estou melhor e eu não posso perder essa chance – reclamei.
- Sem querer me intrometer, mas já me intrometendo – Seth falou – Nannah realmente ralou muito atrás de um emprego Jake, não é justo ela perder a oportunidade que apareceu agora.
- Não precisa ficar se explicando não, Seth – falei – Jake não pode me prender aqui.
- Ah é assim que você me agradece por ter cuidado de você a noite toda? – ele perguntou ofendido – pode deixar da próxima vez deixo você queimar de febre.
- Ok, desculpa Jake – me rendi – muito obrigada por cuidar de mim ontem, você foi um verdadeiro anjo da guarda, mas eu preciso ir na lanchonete.
- Ta bom chorona – Jake falou rindo – pode ir, mas só pra conversar com Agatha, ok, nada de começar a trabalhar hoje.
- Sim senhor chefe! – brinquei e bati continência, fazendo Jake revirar os olhos e Seth rir.
Começamos a tomar café e alguns minutos depois, Embry, Quil e Leah estavam entrando na casa.
- Já vieram filar café de novo? – Jake perguntou fazendo careta, Seth e eu rimos dele.
- Não preciso filar café na sua casa Jacob – Leah falou revirando os olhos – minha mãe cozinha o suficiente na minha casa. E bem melhor que você.
- A Sue cozinha magnificamente bem, mas o café do Jake não está de se jogar fora. – falei, Leah me olhou de rabo de olho e Jake sorriu pra mim.
- Valeu pelo elogio Nannah! – Jake falou.
- Às ordens – respondi.
- Já se tratam intimamente? – Leah perguntou destilando veneno.
- Acho que a noite passada nos deu esse direito, não é Jake? – pisquei sensualmente o olho pra ele, Leah bufou e saiu da casa batendo o pé – eu acho que ela te ama Jake – falei rindo e ouvi Jake se engasgar.
- Tá louca? – ele perguntou tossindo – a Leah não me ama.
- Como você tem tanta certeza? – perguntei de sobrancelha erguida – ela é mulher, pelo que eu sei solteira, você é homem, solteiro... o que tem demais?
- Seth vai pegar o termômetro, acho que essa garota ta com febre de novo – Jake falou.
- Febre? Você teve febre Nannah? – Embry perguntou sentando ao meu lado e me olhando preocupado.
- embry, você por aqui – falei – isso me lembra de uma coisa.
- O que? – ele perguntou.
- Que eu tenho que te bater até afundar essa sua cabeça grande, seu completo idiota – gritei batendo no braço dele.
- Ai, ai – ele reclamou – o que foi que eu fiz?
- Você me jogou na água, seu retardado e por isso eu dei o maior febrão ontem e não vou poder começar a trabalhar hoje – falei sem parar de bater nele.
- Foi mal – ele se levantou e saiu de perto de mim – eu pedi desculpas ontem.
- Suas desculpas não evitaram a febre dela – Jake falou bravo – você tem que ser mais responsável Embry.
- Ta vendo – falei – ouve o chefe.
Todos pararam de me comer e me olharam.
- O que foi? – perguntei – falei algo errado?
- Não – Quil falou – é que foi engraçado o jeito que você chamou o Jake de chefe.
- Se foi engraçado, vocês deviam estar rindo e não me olhando como se eu tivesse dito “Tem alienígenas cor de rosa comedores de cenouras invadindo a casa”. – eles riram – além do mais, Jake tem cara de chefe, meio rabugento às vezes, mas tem cara de chefe.
- Err... acho que ta na hora de ir na lanchonete de Agatha né, Nannah? – Seth perguntou de repente.
- Posso ir chefe? – perguntei tentando provocar Jake.
- Você sabe ser chata quando quer hein garota? – Jake falou rindo – Vai logo, mas nada de trabalhar hoje hein?
- Pode deixar – falei me levantando – nem que eu quisesse eu conseguiria.
- Ta sentindo alguma coisa? – Embry perguntou preocupado.
- Só uma vontadezinha de te bater – respondi vendo seu rosto adquirir uma expressão triste – to brincando La Push – falei – estou bem, só que meu corpo ainda ta meio dolorido.
- Quer que eu vá com você LA? – Embry perguntou.
- Não precisa, Seth vai me acompanhar. – dei um beijo na bochecha de Embry, vendo Jake fechar a cara e fazer um bico, qual o problema desse garoto? – fica com ciúme não chefe – dei a volta na mesa e fui ate ele e lhe dei um beijo no rosto. Podia apostar que ele tinha ficado corado.
Fui até o quarto de Rachel e vesti uma roupa confortável, me despedi dos garotos que ainda estavam na cozinha e fui em direção à garagem/oficina de Jake onde Seth guardou meu carro no dia em que me mudei pra cá.
Seth estava escorado no carro e assim que eu entrei na garagem ele começou a me olhar com cara de pidão.
- Não vai me dizer que você quer dirigir meu carro de novo – falei.
- Você deixa? – ele fez aquele olhar do gatinho do Shrek.
- Tem como negar algo a esse olhar de cachorro que caiu do carro de mudança em dia de tempestade? – joguei a chaves pra ele que me retribuiu com um sorriso imenso.
Entramos no carro e Seth deu a ré pra sair da garagem, mas antes mesmo de alcançar a rua a bendita lata velha do Terry morreu e não quis religar.
- Fala sério Seth – falei – liga isso!
- Não liga – ele falou girando a chave e pisando no acelerador – viu não funciona.
- Sai daí Seth – bati no braço dele que abriu a porta e saiu, assumi a direção e tentei fazer a joça funcionar – anda porcaria liga! – grite, mas o carro não ligava – grande porcaria essa lata velha – gritei e comecei a bater no volante.
Com meu escândalo os meninos saíram de dentro da casa pra ver o que estava acontecendo.
- Eieieieieieiei – Jake abriu a porta do motorista me tirando lá de dentro – ninguém deve maltratar desse jeito um mustang clássico!
- Ahhhh não, mais um Meu Deus! – falei levantando a mão – o que vocês vêem de tão incrível nessa sucata?
- Não ofende ela! – Jake falou como se eu estivesse xingando, sei lá, sua irmã. – aposto que o problema nem é tão sério assim – ele foi até o capô e o levantou olhando pro motor e pra todas aquelas outras coisas que tem lá e que Terry sofreu até desistir de me ensinar.
Jake me olhou com as sobrancelhas arqueadas e voltou a olhar o carro, depois me olhou de novo.
- O que foi? – perguntei entediada.
- Em que mecânico você levou esse carro? – ele perguntou.
- Nenhum – falei.
- E quem mexeu nisso daqui? – ele mostrou o capô.
- Meu irmão.
- E seu irmão era o que, açougueiro? – ele balançou a cabeça rindo depois me olhou espantado – espera, você veio de Los Angeles aqui nesse carro?
- Foi por que? – agora eu estava curiosa com tantas perguntas.
- É um milagre você estar viva! – ele fechou o capô – ta tudo bagunçado aqui, e a zona que seu irmão fez podia ter te matado facilmente.
- Acho que a única coisa que me mataria nessa lata velha seria tétano – falei entrando em casa – Seth eu vou trocar de sapato e nós vamos andando.
- Não precisa – Jake falou – pode usar meu carro, as chaves estão... – ele olhou pro Embry – onde estão as chaves?
- Na minha casa, junto com o carro – Embry falou descendo as escadas da varanda – eu vou buscar e passo aqui pra te pegar, Nannah.
- Não demora – falei e me sentei. Fiquei observando Jake e Seth levarem o carro pra garagem/oficina, como se ele não pesasse mais que 1 kg.
- Você vai na lanchonete a Aggie? – Quil falou se sentando do meu lado.
- Aggie é Agatha? – perguntei e ele fez que sim com a cabeça – vou, Seth conseguiu um emprego pra mim lá. Você a conhece?
- Sim, Aggie é mãe da Claire – ele falou percebi que seu olhos brilharam ao falar de Claire, uma garotinha de mais ou menos 3 anos que estava sempre com os garotos, na verdade sempre com Quil...
- O que você é da Claire? – perguntei – Você está sempre com ela tem uma certa adoração ao falar dela.
- Meio que um padrinho – ele desconversou, mas tinha um sorriso brincando no rosto dele.
- Parece ser mais que isso – comentei, ele me olhou confuso – desculpa se estou sendo intrometida, é que alguns de vocês tem uma maneira estranha de tratar certas pessoas. Como por exemplo você com a Claire, Jared com Kim... é intenso, como se elas fossem mais importantes pra vocês que qualquer outra pessoa.
- Impressão sua – ele falou, senti que ele estava meio nervoso – Jared é desse jeito com Kim porque ela é namorada dele e eu, bom, Claire é a minha princesinha...
Eu ia perguntar mais, mas não o fiz por dois motivos, um é que eu não queria ser invasiva e outro é porque Embry acabava de estacionar o carro na porta da casa de Jake.
Fiz sinal que ele esperasse e fui até a garagem chamar Seth. Ele estava sem camisa debruçado sobre o capô do carro.
- É assim que você pretende me levar na lanchonete? – perguntei e ele me olhou assustado –deixa – falei – Embry me leva, ia sair mais estaquei quando vi Jake saindo de debaixo do carro sem camisa. Que visão era aquela? Ele tinha o peitoral mais definido que eu já tinha visto na minha vida.
- Você vai se atrasar Nannah – ouvi Embry falar atrás de mim, me virei e dei de cara com ele parado emburrado e de braços cruzados – vamos.
- Vamos – falei tentando afastar a imagem de Jake seminu da minha cabeça, aquele estava me deixando com calor.
Embry e eu seguimos em silencio para a lanchonete, ele parecia estar com raiva de alguma coisa.
- Algum problema La Push? – perguntei.
- Nada não. – ele respondeu sem tirar os olhos da estrada.
- Deixa de ser mentiroso Em. – falei o encarando – você tem algum problema e não que me contar, o que não é justo, pois sou sua amiga.
- Não é nada mesmo – ele me olhou e sorriu, um sorriso fraco.
- Mentira – falei – se fosse verdade seu sorriso estaria maior, seria um sorriso do tipo propaganda de creme dental. – ele riu alto.
- Você é impossível Nannah – ele falou me olhando e pegou minhas mãos nós estávamos parados na frente da lanchonete – não é nada mesmo, só alguns conflitos internos...
- Quando quiser falar promete que vai me procurar? – perguntei.
- Prometo – ele beijou minhas mãos, agora vem que Agatha deve estar te esperando.
Entramos na lanchonete e Embry foi cumprimentado por uma mulher mediana, de cabelos negros e lisos e a pele no mesmo tom moreno de todos os quileutes. Os dois conversaram um pouco, e depois de alguns olhares Embry se virou pra mim com os olhos meio tristes e constrangidos. Ele me pegou pela mão e me levou ao carro.
- O que foi? – perguntei parando.
- Jura que não vai me bater? – ele falou.
- Por que eu te bateria, Em?
- Ela falou que te esperou quase a manhã toda, daí apareceu uma outra garota, filha de um amigo do pai da Agatha e ela acabou ficando com a vaga. – ele falou e olhou pro chão desviando os olhos de mim.
- eu não vou brigar com você Em – falei – não foi culpa sua. – fui até ele e o abracei – nenhum de vocês tem culpa em nada, pelo contrário, vocês são meus anjos da guarda.
Ele sorriu e abriu a porta do carro pra mim.
- Nós vamos achar alguma coisa – ele falou – nem que eu tenha que abrir um negócio e te contratar! – dessa eu tive que rir.
Antes de voltar pra casa, Embry me levou em mais alguns lugares onde eu poderia conseguir um emprego e depois me levou pra ver Sue. Eu estava morrendo de saudades dela, a visita só não foi mais agradável porque Leah estava lá e fazia questão de destilar seu veneno sobre mim o tempo todo. Acabei pedindo Embry pra me levar de volta, estava começando a me sentir mal de novo.
- Você está bem Nannah? – Embry perguntou quando estávamos no carro.
- Acho que a febre deve estar voltando – falei me encolhendo no banco. Embry esticou o braço pegando na minha testa.
- Está mesmo – ele falou acelerando o carro – e está alta.
Cheguei em casa e Jake e Seth ainda estavam mexendo no carro, Embry me ajudou a descer do carro e me levou até o quarto de Rachel.
- Vou perguntar Jake onde tem um antitérmico – ele me deu um beijo na testa e saiu. Minutos depois ouvi os dois discutindo, o armário do banheiro sendo aberto protestando pelos ‘maus tratos’, mais discussão e Embry e Jake quase se matando pra ver que passava pela porta primeiro.
- Eu disse pra você não abusar – Jake falou se agachando ao lado da cama – mas parece que você não quer me escutar. – ele esticou a mão me entregando um comprimido, Embry me deu um copo de água e fez cara feia pra Jake.
- Deita que você logo fica melhor – Embry falou se sentando ao meu lado da cama e passando a mão no meu cabelo – eu vou ficar aqui cuidando de você.
- Não precisa Call, pode ir pra casa ou então arrumar algo pra fazer, eu cuido dela – Jake falou.
- Eu a deixei doente, então eu cuido dela – Embry retrucou, minha cabeça começava a doer com a discussão dos dois. Eu ia abrir a boca pra reclamar deles, mas Seth apareceu no quarto fazendo isso por mim.
- Hey, você vão deixa-la pior desse jeito – ele falou alto – cai fora daqui os dois, deixa que eu cuido dela.
- Nem pensar moleque – Jake falou – os dois podem fazer o favor de ir embora.
- Vocês deviam continuar o que estavam fazendo – Embry falou se levantando e indo até a porta.
- Você que ta sobrando aqui Call –Jake falou se levantando também e parando na frente de Jake. Os dois começaram a discutir, eu não prestei mais atenção, pois estava nos braços de Seth que tinha me pegado da cama e me levava para o carro de Jake.
- Eles vão brigar – falei quando Seth me colocou no banco do carona.
- Aqueles dois ladram mas não mordem ninguém – Seth falou entrando do lado do motorista – eu vou te levar pra minha casa, aqui você não sara nunca.
- O que deu nos dois? – perguntei – Por que eles estão brigando assim?
- Por que os dois tão caidinhos por você – Seth falou rindo e balançando a cabeça.
- Por mim? – perguntei – Fala sério Seth, eu que dou febre e você que delira?
- Acredite no que quiser Nannah – Seth falou estacionando na frente da casa dele. Ele devia estar enlouquecendo, Embry e Jake atraídos por mim? Isso só podia ser loucura.
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