Notas iniciais
Olá flores, como prometido, capitulo novo.

Boa leitura!

POV – Jacob

Voltei pra casa sem a menor coragem, eu não queria imaginar a sensação de entrar lá e não ser recebido pelo meu pai. No caminho Rach e eu decidimos fazer uma viagem até o Hawaii, era muito difícil pra Becky vir pra La Push, então nós iríamos até lá conforta-la pela perda do nosso pai.

Entrei em casa sentindo um vazio no peito, seria assim a partir de agora, vazio. Fui direto para o meu quarto, arrumar algumas coisas para levar, nós embarcaríamos para o Hawaii amanhã cedo.

- Jake – Rachel falou da porta – vem comer, eu fiz sanduíche.

- Obrigado Rach – falei – mas não estou com fome.

- Um lobo sem fome – ela entrou no quarto parando ao meu lado – essa é nova. – ela me ajudou a escolher algumas camisas – eu sei que dói, está doendo em mim também, mas nós temos que ser fortes.

Ficamos em silencio um tempo, Rach me ajudou a arrumar minhas coisas na mochila.

- Vamos comer antes que Paul acabe com tudo – falei fazendo-a sorrir um pouco.

Depois de lanchar nós ficamos na sala, acertando os últimos detalhes da viagem. Paul já tinha comprado as passagens, o vôo sairia às sete da manhã, e Rachel já tinha ligado avisando Becky.

Deixei os dois na sala e fui caminhar um pouco na praia, eu precisava respirar. Sentei na areia e fiquei fitando o mar. Senti uma presença perto de mim e me virei, vendo que era Leah.

- E ai chefe – ela falou fazendo graça – como estão os preparativos pra viagem?

- Já ta tudo pronto – falei sem tirar os olhos do mar – Paul já comprou as passagens. Eu vou estar sempre me transformando Leah, pra saber como andam as coisas por aqui.

- Nós damos conta de cuidar de tudo Jake – ela falou revirando os olhos – uma semana sem você não vai doer. Vai ser até bom, você é um chefe muito chato!

- Você preferia o Sam? – brinquei, ela fez uma careta e nós rimos – eu sei que vocês dão conta, mas eu quero ficar inteirado do que ta acontecendo por aqui.

- Ele não vai aparecer por aqui tão cedo Jake – ela falou e eu sabia que ela se referia ao vampiro que matou meu pai – mas se ele aparecer, nós vamos dar um jeito nele. Billy era importante para todos os lobos, todos nós queremos nos vingar.

- Obrigado – falei me levantando – eu já vou indo, tenho que dormir.

- É eu também vou, tenho que cobrir o Seth em casa – ela falou bufando.

- Cobrir o Seth? – perguntei juntando as sobrancelhas – Desde quando ele precisa fazer a ronda escondido da Sue?

- Não vou cobri-lo pra mamãe – ela falou entediada – é pra hospede que ele arranjou – fiz cara de quem não estava entendendo nada – Ele encontrou uma garota na campina onde seu pai foi atacado, quando ele foi te procurar, ai ele a ajudou a voltar pro carro dela que tava na estrada e acabou descobrindo que ela estava procurando emprego e um lugar pra morar. Ai o desmiolado do meu irmão ofereceu a nossa casa e a mamãe ainda me fez o favor de ‘se apaixonar’ pela garota. É Nannah pra Nannah pra lá...

- Háháhá – eu ri – Leah, você ta com ciúmes!

- Ta louco garoto! – ela me deu um tapa na cabeça – olha o respeito, você pode ser meu alpha, mas ainda é mais novo que eu! Eu não to com ciúme, só que parece que eu sou a única que vê que não é legal ter essa garota tão perto do nosso segredo.

- Vocês são espertos, vão dar conta de driblar ela – falei me afastando – só manda ela tomar cuidado com o Embry!

Ouvi Leah rindo e segui pra casa. Entrei direto pro quarto e me joguei na cama, eu precisava dormir pra ver se a dor no meu peito diminuía.

Sonhei que eu estava na campina, meu pai estava lá também, mas ele não estava caído no chão como da ultima vez que o vi, ele estava de pé. Isso mesmo de pé, sem cadeira de rodas. Ele estava de costas pra mim, foi impossível segurar o grito.

- Pai! – falei e ele se virou pra mim abrindo os braços. Como se fosse um menino de oito anos, eu corri pros braços dele

- Calma filho – meu pai falava enquanto eu tentava controlar o choro – hey para de chorar, eu não tenho muito tempo.

- Como assim? – perguntei o encarando – isso aqui é um sonho, não é?

- Mais ou menos – ele sorriu – se acalma e me escuta filho.

Nós nos sentamos no tronco de uma árvore caída.

- Eu fiquei muito orgulhoso das palavras que você me falou, filho – ele disse com lágrimas nos olhos – mas tinha algo errado naquelas palavras.

Eu olhei pro chão, envergonhado por não ter dito a coisa certa.

- Você sempre foi um guerreiro. Nunca divide disso – ele sorriu – mas não era só isso que eu tinha pra te falar. Eu quero te pedir pra não ir atrás do que me tirou a vida.

-Desculpa pai – eu o interrompi – mas não sei se poderei fazer isso. Eu quero, eu preciso me vingar dele. Aquela coisa não pode continuar viva por ai, matando gente inocente.

- Jacob – meu pai falou alto e forte, como uma voz de alpha – eu não quero que você vá atrás dele. Se ele aparecer nas nossas terras de novo, ai sim você deve proteger o nosso povo, mas não o procure filho. Me escute mais uma vez.

- Tudo bem pai – falei já com um pedido de desculpas no coração, pois eu não desistiria de encontrar o sanguessuga desgraçado.

- Eu quero que você prometa – ele foi firme – que jure pelos guerreiros ancestrais. Que jure pelo sobrenome Black!

- Eu não posso pai – falei fitando o chão – eu não vou ter paz se não matar o miserável que fez isso com você!

- E eu não vou ter paz se você estiver correndo o mundo atrás de um vampiro, deixando nosso povo desprotegido!

- Nosso povo não vai estar desprotegido, os outros lobos vão estar em La Push.

- E quem vai estar lá pra liderar os outros lobos? – ele me olhou sério eu vi toda a sabedoria quileute nos olhos dele – eles vão ficar perdidos sem um alpha.

Nós ficamos em silencio um tempo. Eu ouvi um farfalhar de tecido roçando nas folhas atrás de mim e me virei, vendo minha mãe caminhar na nossa direção sorrindo . ela se sentou próxima ao meu pai, escorando a cabeça na perna dele.

- Eu estou em paz, você pode ver? – meu pai falou alisando o cabelo da minha mãe, eu vi a alegria nos olhos dele – eu senti muita dor em deixar você e principalmente suas irmãs, mas encontrei a paz e alegria quando soube que teria minha Sarah de volta.

Eles trocaram um olhar cúmplice e apaixonado.

- Eu sei que você pode proteger a Rachel e a Rebecca – meu pai falou

- E eu sei quem vai cuidar de você – minha mãe falou se levantando e sentando ao meu lado – ela está perto filho, você precisa se cuidar para encontra-la. Se você sair pelo mundo atrás de vingança, vocês vão se desencontrar, seu coração vai continuar ferido, o coração dela vai continuar sozinho...

- Escute sua mãe filho – meu pai falou e sorriu para minha mãe – ela sabe o que diz.

- Tudo bem – falei vencido – eu não vou atrás da aberração.

- Nós ficamos mais tranqüilos assim – meu pai falou me abraçando – mas nós vamos continuar cuidando de vocês, na medida do possível.

- Quando eu vou conhece-la mãe? – perguntei sentindo a ansiedade em saber logo quem era a ‘minha prometida’.

- Logo – ela respondeu me dando um beijo na testa.

- E como eu vou saber que é ela? – perguntei.

- Você verá nos olhos dela – ela se levantou e estendeu a mão para o meu pai – mas você verá isso na hora certa. Agora, é hora de nós partirmos filho.

Abaixei a cabeça tentando não chorar.

- Eu me orgulho de você, Jake – meu pai falou se abaixando na minha frente – eu sempre me orgulhei de você, da sua coragem, da sua bravura, mas principalmente, do seu caráter. Você é um homem bom filho e tem que continuar assim. Não deixe a raiva e a sede de vingança estragarem isso.

- Eu não vou deixar – falei me levantando e recebendo um abraço do meu pai – não vou te decepcionar pai.

- Eu sei que não – eles se afastaram e sumiram por entre as árvores. Fiquei mais um tempo sentado pensando em tudo o que aconteceu.

Acordei com o cheiro do café da manhã de Rachel e o som da minha barriga roncando. Levantei e olhei as horas, 5 da manhã, era hora de arrumar tudo para irmos ao Hawaii

Cheguei na cozinha e encontrei Paul e Rachel arrumando a mesa.

- Achei que eu nunca viveria pra ver essa cena – fiz piada – Rach, você devia ganhar um premio por conseguir domar o Paul!

- O amor faz essas coisas – Rachel respondeu rindo e colocando panquecas na mesa.

- Se for pra ficar fazendo piadinha às minhas custas, da próxima vez eu te acordo com um banho de água fria – Paul falou enquanto enchia a xícara de café.

Eu me sentei e tomei café com eles, não demorou muito e a cozinha já estava cheia de esfomeados – vulgo lobos – que vieram com a desculpa de que iam se despedir.

- Vocês querem é filar café da manhã seus tratantes – falei rindo da cara deles.

- Você tem que entender Jake – Seth falou com a boca cheia – que a Emily perdeu a função de cuidar da gente quando você reivindicou o posto de alpha. E como você não tem namorada, nem é casado, a função agora é da Rachel!

- Função da Rach uma ova! – Paul falou dando um pedala nele – a única pessoa que a Rach tem que alimentar sou eu, seu futuro marido.

Todos começaram a rir, menos eu.

- Hey – gritei jogando um pedaço de pão na cabeça de Paul – Que historia é essa de futuro marido?

- O que é? – ele me olhou com as sobrancelhas arqueadas – Até parece que você sabia que não ia dar nisso!

- Tá mas eu acho que você devia ter me comunicado antes – falei fazendo cara de bravo, mas no fundo eu queria era rir da cara de medo do Paul – eu sou o homem da casa agora.

- Ah Jake dá um tempo e deixa de ser machista – Rachel bateu com a colher de pau na minha cabeça – Paul me pediu em casamento ontem e eu aceitei e estou muito feliz.

Olhei pra Rachel e vi que ela me suplicava com os olhos pra que eu não encrencasse com isso. Hora de acabar com a brincadeira.

- Eu to brincando Rach – falei me levanto e indo abraça-la – é claro que não vou me opor ao casamento de vocês, sei que o Paul vai te fazer feliz. Pro bem dele é bom ele te fazer feliz.

- Obrigada, Jake – Rachel falou se apertando no meu abraço – você não faz idéia de como é bom ouvir isso.

- E você – falei bravo pra Paul me soltando do abraço de Rachel – bem vindo à família – eu ri e o vi soltar o ar aliviado.

- Valeu Jake – ele me deu um abraço torto – não que eu já não fizesse parte antes...

Todos riram mais uma vez, dessa vez eu os acmpanhei.

- Acho que ta na hora de ir, né? – Rachel perguntou terminando de ajeitar a cozinha.

- Está sim, ou vamos perder o vôo – falei me levantando – Leah, toma conta de tudo, e dos garotos. E garotos tomem conta da Leah.

- Você ta parecendo uma mãe quando vai sair e deixa os filhos em casa Jake – Seth falou revirando os olhos.

- Leah sua mãe perguntou se a Nannah vai poder cuidar da casa? – Rachel perguntou enquanto trancava a porta.

- Perguntou, ela falou que vai cuidar de tudo aqui até vocês voltarem. – Leah respondeu pegando a chave com Rachel – eu vou indo, tenho que fazer a ronda. Seth – ela gritou o irmão que se virou e aparou a chave que Leah jogou em cima dele – hoje você me cobre!

Leah virou e saiu correndo pra floresta, Quil foi até a casa da Claire – como se a menina fosse estar acordada uma hora dessa – Seth foi pra casa, ‘cobrir’ a Leah e Embry ficou pra nos levar até o aeroporto de Port Angeles, onde pegaríamos um pequeno vôo para Seattle e de lá pegaríamos outro vôo para o Hawaii.

- Que conversa é essa da menina que ta na casa da Sue cuidar da nossa casa? – perguntei quando estávamos no carro.

- Ontem eu fui na casa de Sue, pedir para que ela desse uma olhada na nossa casa até voltarmos – Rachel começou a explicar – ai ela falou dessa menina, ela ta procurando um lugar pra morar, por enquanto ela fica na casa de Sue. Ai Sue teve a idéia dela ficar lá em casa cuidando das coisas e enquanto isso procura outro lugar pra ficar.

Eu não falei nada, fiquei em silencio apenas digerindo essa informação. Será que podíamos confiar em alguém assim? Alguém que nem conhecíamos? Não que nossa casa tivesse qualquer coisa de valor, ou que eu estivesse disconfiando dela nesse sentido, mas era difícil pensar tranquilamente em uma completa estranha andando pela minha casa.

- A menina é gente boa – Embry falou como se lesse meus pensamentos – eu a conheci ontem, ela tem uma historia bem triste.

Olhei pra ele com as sobrancelhas erguidas, pedindo um ‘explique melhor’.

- Ela saiu de LA depois que o irmão morreu. – ele me olhou avaliando minha expressão – parece que ela quer recomeçar ou algo assim...

Chegamos em Port Angeles sem que Embry falasse mais sobre a garota misteriosa, eu até queria saber, mas não quis perguntar nada.

O vôo de Port Angeles para Seattle foi rápido, mas o de Seattle para o Hawaii não foi tão rápido assim. O pior é que a falta do que fazer – e a falta de espaço, uma vez que aviões não são projetados tendo em mente o tamanho de um home-lobo – deixavam minha cabeça trabalhando a mil.

O sonho com meus pais, a promessa de não ir atrás do vampiro, a minha mãe dizendo que minha prometida está chegando... tudo isso fervilhando na minha cabeça e me impedindo de dormir.

Desembarcamos em Honolulu já no final da tarde, Becky estava nos esperando ao lado do marido dela e de duas garotinha pequenas. Eram as gêmeas – pra variar – dela. lembro do dia que ela ligou falando que estava grávida e de como meu pai ficou eufórico. Nós tínhamos planejado vir aqui no final do ano, pra ele finalmente conhecer as netas.

O marido de Becky pegou a bebêzinha que estava nos braços da minha irmã, pra que ela pudesse nos abraçar. Rach não conseguiu controlar as lágrimas quando encontrou os braços da nossa irmã. Eu as abracei, segurando as minhas lágrimas, eu tinha que ser forte pra elas.

- Por que ele se foi? – Becky perguntava entre os soluços – eu nem tive tempo de dizê-lo o quanto eu o amava...

- Ele sabe disso, Becky – falei tentando confortá-la – ele se foi só de corpo mas de alma ele vai sempre estar com a gente.

Me lembrei das palavras do meu pai no meu sonho, ele dizendo que sempre estaria cuidando da gente.

- Deixa eu apresentar as sobrinhas de vocês – Becky falou se afastando de Rachel e limpando o rosto – essa é Sarah – ela falou pegando uma das bebês e entregando Rachel depois se virou pegando a outra e me entregando – e essa é Sophia.

Peguei a pequenina nos braços – grande demais para o tamanho mínimo dela — e fiquei admirando o rostinho sereno que dormia.

- Ela parece um anjinho – falei baixo com medo de acordá-la.

- Elas são – Becky falou com os olhos brilhando – os meus anjinhos.

Sorrimos um pro outro.

- Vamos pra casa – Becky falou – vocês devem estar cansados.

Fomos de carro até a casa de Becky, o marido dela voltou para o trabalho. Chegamos na casa e ela foi junto com Rachel, colocar as garotinhas na cama. Elas voltaram logo em seguida abraçadas, era bom ver minhas irmãs juntas de novo, era bom te-las perto de mim.

- Então você é quem está fazendo a minha irmã sorrir – Becky falou pra Paul.

- Eu faço o meu melhor – Paul sorriu pra elas.

- Bom seu melhor está surtindo efeito, já que Rach está muito mais bonita desde a ultima vez que a vi. – ela sorriu pra Rachel e depois se virou pra mim – por falar em estar diferente... o que você anda comendo pra estar tão grande e forte garoto!

- A Rach ta caprichando na minha alimentação – brinquei.

- Você está lindo Jake – Becky se sentou do meu lado – exceto pelo seu cabelo...

- O que tem meu cabelo – falei mexendo neles os deixando ainda mais bagunçados.

- Eu preferia quando eles eram compridos... – ela falou passando a mão na minha cabeça – por que você cortou?

- As garotas pediram... – brinquei e pisquei pra ela.

- Garotas... sei... – ela estreitou os olhos – todas ou uma em especial?

- Eu sou de todas Becky! – falei levando uma almofadada da Rachel.

- Ta bom – Becky se levantou, eu vou preparar o jantar, você me ajuda Rachel?

- Claro – Rachel se levantou e depois se virou pra mim e pro Paul – meninos, comportem-se.

- Sim senhora – falamos em uníssono.

oOo

Os dias na casa de Becky estavam agradáveis, era bom se desligar um pouco das obrigações em La Push, me afastar dos problemas.

Eu estava sentado na praia, pensando em tudo que me aconteceu, em como foi me transformar, em quando eu descobri o que sentia por Bella, em como foi perde-la pro sanguessuga, em como foi vê-la morrer por causa da filha... mas o que mais permeava na minha mente eram os sonhos com minha mãe, e em como ela falava em todos eles que a minha prometida estava chegando.

Uma coisa era viver pensando que meu imprinting podia acontecer, como também não poderia... outra era saber que ele aconteceria, e que em algum lugar do mundo ela esperava pra me encontrar.

Olhei pro céu e vi a lua enorme que iluminava tudo aqui embaixo, e ao olhar pra lua eu me toquei que ela poderia estar em algum lugar olhando pra mesma bola redonda e brilhante que eu fitava. Com esse pensamento eu podia senti-la perto de mim.

Eu sei que você está ai em algum lugar...

Em algum lugar longe...

Eu quero você... eu quero você...

Meus vizinhos pensam que eu sou louco

Eles não entendem...

Você é tudo o que eu tenho...

Tudo o que eu tenho...

À noite quando as estrelas iluminam meu quarto

Eu me sento sozinho...

Conversando com a lua

Tentando chegar até você

E desejando que você esteja do outro lado

Falando comigo também

Ou eu sou um tolo

Que se senta sozinho...

Conversando com a lua....

POV – Nannah

Cheguei na casa de Seth depois de mais uma manhã procurando um lugar pra ficar. Sue estava preparando o almoço quando entrei.

- Olá Nannah – ela falou sorrindo – o almoço já está quase pronto.

- Você precisa de ajuda? – perguntei, ela sorriu e me mostrou uma pilha de pratos talheres e copos num canto do balcão.

- Pode arrumar a mesa pra mim? – ela perguntou.

- Claro! – caminhei ate a pia, onde lavei minhas mãos e peguei as coisas pra arrumar a mesa.

Tinha acabado de esticar o forro quando ouvi Seth entrar.

- Oi mãe – ele falou dando um beijo no rosto de Sue – estou morrendo de fome!

- Quando você não está assim? – Sue perguntou batendo na cabeça dele.

- Quando estou dormindo – Seth falou rindo e veio até onde eu estava – oi Nannah – ele falou e me deu um beijo na bochecha, me pegando totalmente desprevenida, mas ele não percebeu pois se escorou no balcão que dividia a cozinha da sala e ficou me fitando – e ai, acho alguma coisa hooje?

- Nada – falei desanimada – e estou achando que vou ter que começar a procurar em Forks.

- Bom – ele falou se aproximando – eu tenho uma solução pra uma ou duas semanas...

- Que solução? – falei juntando as sobrancelhas – Se for pra eu ficar aqui, pode esquecer, eu não quero mais atrapalhar vocês.

- Primeiro que você não atrapalha. Estou mentindo mãe? – ele perguntou a Sue que respondeu um ‘não’ – e segundo que não é pra você ficar aqui.

Olhei pra ele com cara de ‘não to entendendo nada’ e ele se explicou.

- Lembra que eu te contei de um amigo que perdeu o pai ontem? – ele falou e eu me lembrei do garoto triste, fiz que sim com a cabeça – bom ele e a irmã dele viajaram para o Hawaii, pra visitar a outra irmã deles, então eles vão ficar mais ou menos umas duas semanas lá, ai eles concordaram em você ficar lá na casa deles nesse tempo.

- Por que se eles nem me conhecem? – perguntei não conseguindo evitar um tom de desconfiança na voz.

- Rachel veio aqui me pedir pra ficar de olho na casa pra ela, ai eu expliquei sua historia e ela concordou em você ficar lá. – Sue me explicou.

Meio relutante – apenas pra mim mesma, pois não queria ser grossa com Sue e Seth – eu aceitei.

Nós almoçamos e Seth me levou até a casa dos Black, como ele tinha me explicado antes. A casa era simples, mas bem confortável. Não tinha muito o que arrumar, estava tudo bem organizado. Seth me deixou sozinha dizendo que tinha que resolver algumas coisas. Eu não dei muita importância, apesar de ter passado apenas dois dias com ele e Leah, eu já tinha percebido como eles eram misteriosos.

Fiquei na sala olhando os porta retratos. Peguei um na mão, era a foto do garoto triste, Jacob – eu me lembrava de ter ouvido Seth e Leah falando dele — ele era realmente lindo. Nessa foto ele estava com o cabelo comprido, tinha uma outra, onde ele estava com o cabelo curto e bem mais forte. A foto parecia ter sido tirada numa festa na praia, ele estava junto com uma garota bem branca com o cabelo comprido num tom de marrom avermelhado. Ela era bonita e ele devia gostar muito dela, pois a olhava com carinho, o mesmo olhar que eu vi diversas vezes de Terry para Melanie.

Deixei as fotos no lugar e fui terminar de conhecer a casa. Dei uma olhada nos quartos, que também estavam arrumados. Voltei pra sala e fiquei lá pensando no que faria da minha vida agora. Acabei adormecendo.

oOo

Os dias passaram rápido, mas nada de encontrar um lugar pra ficar. Seth insistia em não me deixar procurar um lugar em Forks e eu já tinha desistido de encontrar algo em La Push. Ninguém queria se arriscar em alugar um quarto para uma total estranha da cidade grande. Eu estava esperando uma oportunidade de fugir de Seth e ir até Forks, mas ele parece que tinha lido meus pensamentos, pois quando ele não estava comigo estavam Quil ou Embry.

Os amigos de Seth eram legais, com exceção de Leah, que vivia sempre emburrada e dava respostas ríspidas pra tudo. Embry era o mais engraçado de todos, sempre com uma historia pra contar, fosse ela de um toco que ele levou de alguma garota, ou algum segredo de infância dos outros meninos que ele fazia questão em compartilhar.

Estávamos fazendo um pequeno lual na praia, uma fogueira acesa e todos ao redor dela, cantando e rindo. Eu estava sentada na areia, escorada num tronco de árvore que os meninos usavam como banco, olhando a lua e me lembrando das muitas vezes que eu e Terry ficávamos deitados no telhado olhando o céu.

- Pensando na vida Nannah? – Embry perguntou se sentando ao meu lado.

- Lembrando de algumas coisas do passado – falei sem tirar os olhos do céu – eu e meu irmão costumávamos nos sentar no telhado e ficar olhando a lua...

- Ela é bem inspiradora – Embry falou olhando na mesma direção que eu – dizem que ela inspira os apaixonados – ele falou e me olhou de lado com um sorrisinho safado no canto da boca.

- Fala sério Embry – dei um tapa no braço dele.

- Eu to falando – ele riu – pelo menos isso é o que disseram, que a lua inspira os apaixonados...

- E quem te disse que ela me inspira... – desconversei – eu só gosto de olhar pra ela... gosto de pensar que tem alguém em algum lugar olhando pra ela também, então eu não me sinto tão sozinha...

- Meio louco, mas faz sentido – ele falou voltando a olhar o céu – só não é certo a parte que você está sozinha... – ele me encarou – você não ta sozinha Nannah, você tem a gente. – ele me mostrou todos na roda se divertindo.

- Eu sei e sou muito grata por isso – falei.

- Somos sua família agora, você é parte do bando – ele falou rindo de alguma piada particular que eu não entendi – eu vou deixar você ai contemplando a sua lua, mas se precisar de alguma coisa é só chamar.

Ele se levantou me deixando sozinha de novo. Terry me disse que minha felicidade estava aqui, e eu estava começando a acreditar, mas eu ainda sentia um vazio no peito, olhei mais uma vez pra lua, o que será que faltava?

Eu estou me sentindo como uma celebridade

O assunto da cidade

Eles dizem que eu enlouqueci

Sim eu enlouqueci

Mas eles não sabem o que eu sei

Por que quando o sol se põe

Alguém está falando de volta

Sim estão falando de volta

À noite, quando as estrelas iluminam meu quarto

Eu me sento sozinha

Conversando com a lua

Tentando alcançar você

E desejando que você esteja do outro lado

Conversando comigo também

Ou eu sou uma tola

Que se senta sozinha

Conversando com a lua.

Fiquei mais um bom tempo sentada, só me dei conta da hora quando Embry parou na minha frente.

- E ai LA – ele me chamou pelo apelido que ele e Jared me deram – vai ficar aqui até que dia?

- Já estou indo embora – falei e ele me ajudou até em casa – você me acompanha La Push? – brinquei o chamando pelo apelido que dei a ele.

Seguimos pra casa com Embry fazendo piadinhas sobre os garotos e suas namoradas.

- Tá – falei quando parei de rir – você pode até fazer piada, mas é bem intenso o jeito que Jared olha pra Kim, Sam olha pra Emily e Colin olha pra Dara. É como se só existe as duas no mundo deles.

- É mais ou menos isso – Embry falou.

- Como assim?

- É que eles são dois idiotas apaixonados e ficam assim babões em cima das duas... – ele tentou desconversar.

- Eu sei que tem mais coisa ai – falei vendo-o arregalar os olhos – mas eu não vou insistir... não quero ser invasiva, afinal eu acabei de entrar para o bando.

Nós rimos.

- Sabe – Embry parou de andar – você não teve o trote dos calouros...

- Como? – olhei pra ele sem entender, mas antes que eu fizesse qualquer pergunta ele me pegou no colo me levando pra dentro do mar.

- E agora o primeiro caldo da caloura! – ele falou me jogando pra cima e me fazendo cair da água.

- Embry seu imbecil! – gritei quando sai da água – a água estava fria!

Me encolhi abraçando meu corpo tentando fazer as tremedeiras passarem e o frio acabar.

- Desculpa – ele falou se arrependendo – eu não devia mesmo ter feito isso.

Ele veio até mim e me abraçou. O abraço dele era quente.

- Vem, vamos pra sua casa logo, se a Sue ter ver assim ela vai me matar – seguimos pra casa com Embry me aquecendo com seu abraço.

Embry me deixou na porta da casa dos Black e foi embora, não depois de perguntar duzentas vezes se eu queria que ele ficasse e depois de cinco milhões e meio de pedidos de desculpa. Entrei em casa e fui direto pro chuveiro, um banho bem quente ia ajudar bastante, eu sentia como se meus ossos estivessem congelados.

Muito contra a minha vontade, sai do chuveiro, apenas porque minhas mãos já estavam começando a ficar enrugadas. Me enrolei na toalha e sequei meus cabelos, segui pro quarto onde eu estava dormindo, o quarto de Rachel. Procurei uma roupa quente pra vestir, mas não encontrei, eu ainda não tinha ido a Port Angeles comprar mais algumas peças de roupa, já que sai de LA com pouquíssimas. Vesti uma blusa de malha e manga comprida e uma calça, peguei um cobertor e fui pra sala.

Deitei no sofá e fiquei zapeando pelos canais procurando algo pra assistir, mas não tinha nada de interessante. Desliguei a TV e ia me levantar quando ouvi mexerem na porta, meu coração disparou no peito, quem seria a essa hora? Os Black só voltariam na semana que vem.

A porta foi aberta, mas antes que eu pudesse gritar por ajuda ou esboçar qualquer outra reação, a pessoa que entrava acendeu a luz. Meu coração quase parou quando o vi parado na porta.

Notas finais
Quem estava na porta?.... quem ai sabe levanta a mão O/

E ai o que acharam? Já estou trabalhando no próximo, se der posto amanhã...

Bjo, Bjo, Bjo.

Meus reviews hein... vamos escrever!