Crossroads - Vidas Cruzadas
26 Capítulo 25 - O outro lado da história
Notas iniciais
E pra quem acompanha interativo agora é nesse link aqui: http://nannahandrade.blogspot.com
Beijokas....
POV – Embry
De tudo o que passei na minha vida – incluindo não fazer idéia de quem é meu pai – nada doeu mais que ver Nannah e Jake chegando juntos e ouvi-lo pedir ela em casamento. Mas eu tenho que ser masoquista o suficiente pra ainda estar aqui próximo da casa de Jacob só pra ouvir mais sobre a intensa alegria dos dois.
‘Pelo menos Nannah está feliz’ é o que eu dizia pra mim mesmo, mas recebia de volta a resposta da minha consciência ‘Você é um imbecil, ela podia estar feliz com você.’
Eu devia ir embora, era isso que eu devia fazer. Sair daqui, ir pra longe, encontrar uma garota que realmente gostasse de mim, como homem e não como seu melhor amigo, aquele que te apóia, te faz sorrir e te ampara quando o outro literalmente, fudeu com sua vida.
- ...Está na cara que Nannah ta grávida! – ouvi Paul falar e todas as minhas forças, minha coerência, minha racionalidade foi pro espaço.
Sai correndo sem rumo e sem pensar no que eu estava fazendo, nem mesmo me dei conta que já havia me explodido num lobo gigante e corria a toda velocidade pela floresta, mal me atentando às árvores no caminho.
E foi exatamente uma delas que me fez desviar da minha rota. Eu estava tão rápido, tão desesperado pelo que eu tinha acabado de ouvir que não prestei atenção na árvore que ficava cada vez mais próxima. Resultado, bati com tudo nela. Cai já voltando à minha forma humana, uma dor terrível tomou conta do meu braço esquerdo, me fazendo morder a língua pra não gritar.
Eu chorava, só não sabia se de dor pelo ombro machucado ou pelo coração completamente partido. Não é como se eu esperasse ter qualquer chance com Nannah, nem como se eu fosse tentar tomá-la do Jake, afinal eu sabia da força de um imprinting, mas eu esperava pelo menos me acostumar com a idéia de vê-los juntos antes de ter que ouvir isso. Ela daria um filho a ele, ele teria tudo o que eu cheguei a sonhar.
Eu tinha que ficar feliz, porra, Jake é meu melhor amigo desde sempre, se alguém sabe o quanto ele penou sofrendo pelo amor platônico com Bella, esse alguém sou eu. E eu tenho consciência que ele é a pessoa que mais merece ser amado nesse mundo, mas eu não tenho culpa de amar a mulher dele. ‘Porra, já to ficando incoerente por causa dessa dor’ pensei. ‘Não você está incoerente porque é burro e não segurou a Nannah’ minha consciência me respondeu.
Tentei me levantar pra sair dali, um dos garotos provavelmente já havia ouvido o barulho da arvore que eu derrubei e eu não queria nenhum deles me vendo nessa situação degradante. Consegui me sentar e olhei para meu ombro que doía terrivelmente vendo que o mesmo estava deslocado.
- Isso vai doer pra burro – falei pra mim mesmo antes de segurar o ombro e trazer ele de volta para o lugar. Mais uma vez mordi a língua para reprimir um grito.
- O barulho veio daqui – ouvi a voz de Seth e tentei me levantar para sumir dali antes que ele me achasse.
- Embry? – Jake perguntou antes que eu conseguisse me esconder – Cara o que aconteceu?
- Nada – falei.
- Nada? E esse ombro inchado? – Seth perguntou.
- Não foi nada! – gritei me levantando com dificuldade.
- Você ouviu... – Jake falou calmo, sem me olhar – Você ouviu que Nannah ta grávida.
Eu não respondi, nem o olhei. Jake sabia quais são os meus sentimentos por Nannah, assim como ele sabia o quanto eu estava tentando lutar contra eles.
- Jake é melhor você voltar pra casa – Seth falou – e Paul, você pode ir buscar uma roupa pro Embry? Carlisle tem que dar uma olhada no ombro dele.
- Certo – Paul respondeu e saiu levando Jake junto com ele.
- Ta difícil né? – Seth perguntou depois que Jake e Paul tinham se afastado.
- É meu ombro doi bastante – respondi.
- Não to falando do ombro não. To falando da Nannah e do Jake. – tentei segurar um suspiro, mas ele saiu assim mesmo.
- Ta tão óbvio assim? – perguntei.
- Um pouco... afinal pessoas normais não saem por ai derrubando árvores. Sabe existem formas mais eficientes de se fazer isso... machados, serras elétricas... – eu ri um pouco – ela é imprinting do chefe. – Seth falou sério.
- Eu sei, mas vai falar isso pro meu coração.
- Isso não pode acontecer, Embry. Não tem como um lobo se apaixonar pelo escolhida de outro, principalmente quando esse outro é o alpha.
- Porra Seth, se eu soubesse como acabar com isso eu já tinha acabado. – falei com raiva – Você acha que eu sou feliz assim? Você acha mesmo que eu queria ouvir que a mulher que eu amo vai se casar e ter um filho com meu melhor amigo? Porra talvez tivesse sido melhor eu bater com a cabeça nessa porra de árvore e morrer logo de uma vez.
- Hey, calma, ok? – Seth falou tentando me acalmar – Tem que ter uma resposta pra isso, tem que ter um sentido. Você não pode amar tanto uma escolhida de outro.
- Tem resposta – falei irônico – eu sou um filho da puta, fudido que não faz idéia de quem é meu pai e como se isso não bastasse me apaixonei pela única mulher no mundo que nunca vou poder ter. A resposta é essa, eu sou um imbecil, fadado a viver eternamente desejando a mulher do meu melhor amigo.
- Não Embry, as coisas tem que fazer algum sentido. Você não pode simplesmente se apaixonar pelo imprinting do Jake, tem que haver alguma razão nisso.
- Pára Seth – falei cansado – pára de ficar procurando razão no que não existe...
Seth ia retrucar, mas Paul apareceu com uma bermuda nas mãos que eu tratei de pegar e me vestir logo, caminhando na direção da casa dos Cullen.
- Você consegue se transformar? – Seth perguntou andando ao meu lado.
- Consigo, mas não quero.
- Por que?
- Porque não to afim de deixar que os outros que estão em ronda vejam o que ta na minha cabeça agora, e nem quero me esforçar pra esconder isso.
- E o que ta na sua cabeça?
- Ta falando sério? – perguntei parando de frente pra Seth – Se eu quisesse te contar, eu me transformaria e deixaria você ver.
- Embry eu sou seu amigo, pode confiar.
- Eu sei Seth, mas sei também que você é mais amigo do Jake. E acredite isso não me incomoda – falei quando ele tentou protestar – Eu sei que se eu te contar, você até pode não correr e falar pro Jake, mas vai tentar me dissuadir.
- O que você te pensando em fazer?
- Nada porra. Eu não to pensando em fazer nada. Me deixa Seth. – falei e comecei a andar depressa. Eu tinha falado demais, Seth provavelmente percebeu algo, mas não importava, eu estava decidido a não deixar Nannah. E estaria sempre perto dela, pro que ela precisasse, se eu poderia ser apenas o melhor amigo dela, eu faria isso bem feito.
POV – Terry
Eu me sentia bem mais leve agora, mais tranqüilo, sabendo que finalmente Nannah estava segura nos braços de Jacob. Bem que Patch disse que eles podiam até demorar, mas no fim os dois caminhariam pra ficar juntos.
- Eu sempre digo a verdade, você é que insiste em não acreditar...
- Lá vem o convencido – falei pra Patch que chegava perto se gabando.
- Não estou me ‘gabando’, estou apenas constatando um fato. – ele sorriu amigável.
- E agora? – perguntei – O que eu faço, já que Nannah chegou ao seu destino...
- Continua seu treinamento. Sua irmã pode ter chegado ao primeiro ponto do destino dela, mas você ainda tem uma missão. Você precisa estar pronto para quando sua protegida chegar...
- É o bebê da Nannah, não é? Minha protegida é minha sobrinha. – falei constatando um fato.
- Sim, é. E ela vai precisar muito de você, Terry.
- Por que? – perguntei já me preocupando — Minha sobrinha nem nasceu e já ta correndo perigo?
- Apenas se concentre em treinar direito, memorize todas as regras, pra que você não corra o risco de ser punido e restituído de seu posto. Não infringir nenhuma ordem ou regra, não fazer nada que não seja o ordenado a você, nunca, Terry, nunca aja por conta própria, a menos que seja para manter a sua protegida viva.
- E quais são as regras? – perguntei.
- Basicamente, todas as que você fez questão de ignorar em relação à Nannah. Não interferir o livre arbítrio, não ficar entrando nos sonhos sem uma razão especifica, não apressar as coisas... e principalmente, nunca aparecer pra um humano, seja ele quem for, seja a situação qual for. – ele ficou sério – Terry, aparição pra um humano sem uma permissão dos arcanjos é algo estritamente proibido, por favor guarde isso em mente, não se esqueça disso nunca.
- Pode deixar, eu não vou errar, Patch. Vou cumprir todas as ordens, vou seguir o caminho certo e fazer o impossível para não meter os pés pelas mãos.
- Que bom saber disso.
- Posso mudar o assunto? – perguntei observando uma cena que acontecia no mundo terreno.
- Sim, sobre o que quer falar?
- Como vai ser pra ele? – mostrei Embry que caminhava cabisbaixo em direção à residência dos vampiros Cullen – tudo bem que eu não queria ele com Nannah. Mas também não acho justo vê-lo sofrer tanto.
- Algumas pessoas sé aprendem com o sofrimento, Terry. Embry vai ter o momento de felicidade dele, ele vai encontrar o conforto e a alegria na hora certa.
- E por que ele não se afasta dela, já que ficar perto o faz sofrer tanto?
- Algumas coisas são mais forte que podemos entender, às vezes mesmo que doa profundamente, é preciso estar onde não queremos.
- Por que você insistem em falar em códigos? – perguntei o vendo sorrir.
- Quando for a hora certa, você vai entender tudo o que eu falo, mesmo que eu diga em outra língua. – ele se virou e começou a se afastar. Você é estranho. Pensei sabendo que ele leria na minha cabeça. – Loucos são entendidos apenas por outros loucos. – ele respondeu alto me fazendo rir.
Voltei minha atenção pra Embry, eu queria fazer algo por ele, mas agora eu não podia mais. Eu não me arriscaria em fazer nada estúpido, minha sobrinha dependia de mim....
Fale com o autor