Crossroads - Vidas Cruzadas

21 Capítulo 20 - Imprinting Parte I


Notas iniciais
Olá amores.... estão mais calmas???? Eu quase tive que contratar um guarda-costas pra mim.... kkkkk..... brincadeira...
Mas eu nunca vi minhas leitoras tão possessas comigo! Oo Fui malvada né???? Gente mas que culpa tenho eu que meu Jake é meio lerdo, medroso, e tem um coração tão sofrido que não se arrisca a trocar o certo pelo duvidoso????
Mas enfim... muita água correu por debaixo da ponte desde o capitulo passado... trocando em miúdos, houve um 'salto no tempo' do capitulo passado pra esse. EXPLICAÇÃO: Eu adiantei alguns eventos... não exclui nada que eu tinha pensado pra fic, apenas consegui condensar uns 3 capitulos nesse aqui, tanto é que se não me engano esse é o maior capitulo de CR...
Enfim, eu espero que gostem, fiz pensando no bem estar mental e cardíaco de vocês....
Vamos ao capitulo??? Quem acompanha ele interativo aqui está o link (http://tfiapoio.blogspot.com/2012/02/crossroads-vidas-cruzadas-by-nannah.html)
Boa leitura e nos vemos lá embaixo.

Dois meses depois...

POV – Nannah

O dia estava mais que lindo em La Push, era como se tivesse colocado First Beach na Califórnia. Mas o que tornava tudo tão lindo não era o sol brilhante sobre minha cabeça, nem era a água da praia... o que deixava tudo perfeito era Jacob me olhando com um sorriso sacana no rosto. Eu sabia que tinha que correr, o motivo nem passava pela minha cabeça.

Comecei a correr pela praia, mas não consegui avançar muito, pois mãos quentes me alcançaram me jogando na areia. Nós dois riamos muito, mas meus risos foram interrompidos pelos lábios dele que me devoravam num beijo avassalador. Suas mão subiam pelas minhas pernas até chegarem ao cós da calcinha do meu biquíni.

Os dedos quentes me invadiram sem pedir permissão, me fazendo arfar contra a boca dele.

- Sempre pronta pra mim... – ele sussurrou no meu ouvido mordendo o lóbulo em seguida – Não dá pra esperar, amor, vai ter que ser aqui mesmo.

Minha resposta foi um gemido alto. Minha calcinha foi parar em qualquer lugar sobre a areia e Jake se posicionou na minha entrada. Um único impulso pra frente e ele estaria dentro de mim...

Acordei assustada, o sonho tinha sido real demais, e meu corpo e meu coração queriam que fosse real. Eu estava suada e ofegante e precisava de um banho, na verdade eu precisava de outra coisa, algo grande, forte e quente que dormia há dois quartos de distancia do meu. Como nada é fácil, as palavras de Jake na manhã seguinte a nossa única noite juntos vieram à minha cabeça: ‘Não dá pra ignorar o imprinting Nannah. E eu não posso ficar com você correndo o risco da minha escolhida chegar’. Tirei meu pijama suado, me enrolei na toalha eu realmente precisava de um banho.

Assim que minhas mãos tocaram a maçaneta da porta do banheiro, a mesma se abriu e Jake saiu de lá com uma toalha enrolada na cintura e algumas gotas de água escorrendo pelo peitoral forte. Droga. Essa definitivamente não era a imagem que eu precisava agora. E como se fosse pra me tentar ainda mais uma gota escorreu do lado direito do peito dele, se desviando no meio do caminho e descendo pelo centro da barriga, indo parar exatamente na borda da toalha onde eu sabia que o que estava guardado ali era exatamente o que eu queria agora.

- Você está bem? – a voz rouca dele cortou o ar.

- Estou – falei – eu só quero tomar um banho.

- Claro – ele saiu da porta e eu passei me desviando dele – Er... durma bem. – ele falou antes de se virar na direção do quarto dele.

É difícil depois dessa imagem sua. Pensei.

Tomei um banho rápido e voltei para o quarto, eu precisava dormir, amanhã tinha que trabalhar cedo.

oOo

As coisas não estavam sendo nada fáceis. Meu ‘namoro’ com Embry estava indo... nem bem nem mal, apenas seguindo. As coisas iam bem até mais ou menos uma semana atrás.

Flashback on

Estávamos na sala da casa de Embry, uma vez que não dava pra namorar na praia por estar frio demais nem na ‘minha’ casa, onde eu não queria encontrar Jacob. Eu deixava esses encontros pras horas inevitáveis.

Embry era mais que carinhoso, nosso namoro não passava de beijos – isso mesmo, nem um amasso, nem nada mais longe que beijos – mas especialmente hoje Embry parecia estar mais afoito. Seus beijos eram mais urgentes, suas mãos estavam mais, digamos, agitadas, tanto que quando percebi eu estava deitada com ele em cima de mim, e sua mão insistindo em subir por baixo da minha blusa.

- Embry... – sussurrei quando seus lábios deixaram os meus e se moveram para o meu pescoço — ...rápido demais... – Ele levantou a cabeça e me olhou com os olhos escuros.

- Como assim? – empurrei ele para que eu pudesse me sentar.

- Eu ainda não to preparada pra isso. – falei sabendo que ele entenderia a que eu me referia.

- Sim, mas nós não precisamos fazer nada. – ele voltou a se inclinar pra mim, com intenção de me beijar – a gente pode só se curtir.

Seus lábios voltaram a tomar os meus. Dessa vez ele me puxou e me colocou sentada no seu colo, com uma perna de cada lado dele, de modo que eu pude claramente sentir o quão ‘animado’ ele estava. Suas mãos foram para o meu quadril e de lá começaram a subir novamente por baixo da minha blusa.

Foi então que as lembranças surgiram... o toque suave, as caricias, os beijos e depois a decepção, a desilusão... quem me garantia que Embry não fosse fazer a mesma coisa que Jake? Quem me garante que ele não vai usar a mesma desculpa que Jake usou pra me deixar depois? Foi com essas duvidas todas que eu me soltei do braços de Embry e me levantei.

- Eu preciso ir embora – falei e sem esperar resposta dele sai correndo.

Flashback off

Eu devia me sentir culpada por isso, por meu namoro com Embry ter esfriado depois disso, mas eu não me sentia. Eu não podia ser condenada pelo medo que eu tinha de ser abandonada outra vez depois de me entregar, eu já me sentia pequena e sozinha o suficiente.

Eu sentia falta de alguém pra conversar, essa era a verdade. As meninas da reserva eram bem legais comigo – com exceção de Leah, claro – mas eu não conseguia ver em nenhuma delas uma amiga de verdade... isso me fazia lembrar do e-mail que recebi algumas semanas atrás. Tirei o papel do bolso da calça e o reli pelo que parecia ser a milésima vez.

‘Oi Nannah, nem sei por que estou escrevendo esse e-mail, você provavelmente não vai responder. Se você quisesse manter contato, teria deixado pelo menos uma pista do lugar onde está se escondendo.

Na verdade eu sei sim por que estou escrevendo... eu sonhei com Terry... não foi nada demais, não... ele pedia no sonho para eu entrar em contato com você... eu sei que não faz muito sentido, sabe, mas eu meio que senti necessidade em fazer isso.

Eu sei que dói a falta dele, Nannah, mas acho que fugir não resolve nada... bom eu não quero julgar você, sei que seu relacionamento com seus pais não era fácil, mas se você quiser uma amiga... você sabe que eu estou por aqui...

Olha se a questão é não querer que seus pais saibam onde você está, eu não conto pra eles, prometo. Ou então me dê um numero de telefone pra que eu possa te ligar. Eu sinto sua falta... pra mim foi, melhor, ainda é, difícil demais eu perdi meu primeiro amor e minha amiga.

Acho que vou parar por aqui, já não to escrevendo nada com nada sem contar que já estou chorando... fiquei bem Nannah, se cuide e se um dia se sentir preparada pra conversar, me procure.

Beijos... Mel...’

Eu havia respondido o e-mail dela, Mel era o mais perto de uma amiga que eu tive em toda minha vida. Eu contei a ela sobre minha vida aqui, sobre a reserva e como todos eram carinhosos e atenciosos. E contei sobre Jake... é pode parecer ter sido loucura, mas eu tinha que desabafar com alguém, que não fosse Embry.

- Boa tarde, será que você pode me ajudar? – desviei os olhos do e-mail de Mel, que voltei a dobrar e por no bolso, e me dirigi até a cliente que acabava de entrar na loja, mas meus pés estacaram no mesmo lugar.

- Mel? – praticamente gritei correndo até ela – OMG, como você... O que... Quando... – eu estava tão chocada em vê-la aqui que não consegui formular uma frase coerente.

- Calma Nannah, sou só eu. – ela falou rindo.

- Meu Deus você está linda! – falei. E realmente, ela estava. Não que Mel não fosse linda, mas ela estava bem mais agora.

- Eu? Olha só pra você! Quem diria que a falta de sol lhe faria tão bem... – o som do sininho da porta chamou nossa atenção.

- Olha só está quase na hora de fechar, me espera um pouco e nós conversamos, ok? – falei quando vi um senhor entrar na loja.

- Claro, vai lá faz seu trabalho e eu fico aqui esperando.

Fui até o senhor, que eu já conhecia bem, pois ele estava aqui uma vez por semana comprando material para pesca. Eu já sabia o que ele queria, então atendê-lo foi rápido. Logo que ele saiu eu fui até o escritório avisar Diana que já era hora fechar a loja. Ultimamente ela tem tentado dar uma organizada nos documentos da Newton’s então se eu não lembrá-la de fechar, ela fica aqui até altas horas.

Depois de apresentar Mel pra Diana e fechar a loja nós seguimos pra casa. Seria melhor conversar com ela lá, apesar de eu correr o risco de ver Jake, coisa que eu fazia o possível para evitar.

- O carro do Terry – Mel falou quando viu como iríamos pra casa.

- Eu precisava de um pra ir embora – falei – acho que ele não se importaria...

- De você pegar? – ela me olhou e sorriu, um sorriso fraco, eu imaginava como estavam as lembranças dela – Definitivamente ele não se importaria. Acho que não existia pessoa mais importante pro Terry que você...

- Você também era – completei – Ele te amava, Mel...

- Eu sei, ele confessou isso pra mim, uma noite antes do acidente. – algumas lágrimas escapavam dos olhos dela – Eu sinto tanta falta dele... – ela sussurrou e eu me aproximei para abraçá-la.

- Eu também sinto – falei, apesar de os últimos acontecimentos terem me feito pensar menos no meu irmão, a dor de não tê-lo ainda estava aqui – Mas sabe – falei me afastando dela – às vezes eu sinto como se ele ainda estivesse aqui.

- Engraçado eu também sinto. – Mel sorriu, um sorriso mais autentico agora – Tia Violet quase pirou quando soube que você tinha pego o carro...

- Violet não precisa de um motivo para pirar... – respondi fria, eu não queria falar dela agora.

- Tio George sente sua falta... – Mel falou me olhando com olhos sérios.

- Você contou pra ele que eu estou aqui? – perguntei.

- Não.

- Na verdade, como você me achou? – essa era uma boa pergunta, eu não tinha dado à Mel meu endereço...

- Conhece o Google? – ela riu – Você me disse que estava morando em uma reserva indígena chamada La Push e trabalhando em uma loja de artigos esportivos em Forks... sabe quantas lojas de artigo esportivo tem aqui? – fiz que não com a cabeça – Uma. Então não foi difícil achar você.

- Isso é bom – falei – eu precisava de uma amiga...

...

- Então, ta gostando de morar aqui? – Mel perguntou quando já estávamos dentro do meu carro.

- La Push é legal – falei – É pequena, mas sei lá é aconchegante sabe?

- Imagino...

- Como eles estão... – perguntei de repente e Mel me olhou por um instante até entender de quem eu falava.

- Sua mãe está ainda muito abalada, apesar de ter tanto tempo que Terry se foi, ela ainda insiste que ele está vivo e que vai voltar... e seu pai, bom ele está bem triste, um mês depois que você foi embora ele passou a presidência da empresa pra outra pessoa e se enfiou em casa... é muito raro vê-lo sair de lá...

- Eles amavam muito o Terry, não deve estar sendo fácil aceitar que ele não está vivo mais... – falei, um bolo começava a se formar na minha garganta, eu queria que Mel falasse que eles sentiam minha falta, que eles me queriam de volta, mas isso era pedir demais.

Entrei na reserva e a primeira pessoa que vi foi Seth, caminhando devagar. Parei o carro e pedi que Mel esperasse um minuto.

-Seth! – falei saindo do carro, ele parou e se virou pra mim, sorrindo em seguida. – Hey, faz tempo que não vejo você! Senti sua falta.

- Senti sua falta também baixinha. – ele me abraçou.

- Vem aqui, quero te apresentar uma pessoa. – puxei ele em direção ao meu carro e fiz sinal pra Mel descer – Seth essa é Melanie, minha amiga de Los Angeles. Mel esse é o Seth, meu ‘irmão’ de La Push.

- Oi – Mel falou e Seth enrijeceu ao meu lado. Silencio. Ele não respondeu ao cumprimento de Mel.

- Seth, acho que você tem que falar alguma coisa – falei olhando pra ele, mas o mesmo parecia congelado olhando pra Mel. – Seth? Ta tudo bem? – perguntei balançando o braço dele, ele pareceu despertar.

- O-oi. – ele gaguejou, Mel esticou a mão pra ele e que a segurou como se Mel fosse de vidro. Seth inclinou e deu um beijo no rosto dela de forma tão suave, tão carinhosa que me lembrou a forma como Jake me tratou na caverna um mês atrás.

A lembrança fez meu estomago embrulhar. Ou seria a falta de comida? Uma vez que eu não me alimentava desde o café da manhã. Eu não sei o que era, mas de repente um mal-estar se apossou de mim e eu senti o mundo rodar.

- Droga. – foi só o que eu consegui falar antes de desmaiar.

POV – Jake

Eu estava sentado na sala quando a porta foi aberta com o que era obviamente um chute. Me virei pra xingar quem quer que tivesse feito isso quando vi Seth entrar com Nannah desmaiada nos braços.

- O que aconteceu – perguntei já tomando ela dele.

- Não sei, ela desmaiou de repente. – Seth falou. Havia uma garota loira com ele, mas eu não fazia idéia de quem era, também não me apaguei a isso, Nannah era importante agora.

- É melhor chamar um médico Jake. – Seth falou enquanto eu colocava Nannah na cama.

- Faz isso –respondi me ocupando de tirar o casaco que ela vestia e as botas. – Você é? – perguntei pra garota loira que ainda estava parada na porta.

- Melanie – ela respondeu – sou amiga de Nannah, de Los Angeles...

- Prazer Melanie, eu sou Jake.

- Ah... você é o Jake... – aquilo não foi uma pergunta, foi uma constatação, mas eu ignorei, porque Nannah começava a acordar.

- Hey... você voltou – falei aliviado.

- Jake? – ela parecia confusa.

- Você desmaiou – falei – Seth já foi chamar um médico.

- Não preciso de médico – ela falou se afastando de mim – Eu só preciso comer algo, e de um banho também.

- Eu vou... pra sala. – falei, ela não me queria por perto, e eu não ia forçar, por mais que eu quisesse.

Deixei as duas no quarto e encontrei Seth voltando.

- Liguei pro Dr. Gerandy, ele disse que estará aqui em vinte minutos.

- Nada de Dr. Cullen? – perguntei espantado. Eu achei que Carlisle seria a primeira pessoa em quem Seth confiaria.

- Você disse uma vez que não quer Nannah sabendo do lado sobrenatural do mundo, então achei melhor não envolver os Cullen nisso. – ele se explicou – Como ela está.

- Já acordou e disse que vai tomar um banho e comer algo eu acho. – me joguei no sofá.

- Preciso conversar com você – Seth falou ainda parado perto do corredor que dava pros quartos. Pela cara dele ele não sabia se ia pro quarto ou conversava comigo, ele parecia dividido.

- Fala logo Seth – pedi.

- Aconteceu.

- Aconteceu o que? – me sentei direito pra ouvir o que ele ia falar.

- Imprinting.

- Com quem?

- Melanie.

- A amiga de Nannah?

- O que tem a Mel? – Nannah perguntou parada a poucos passos de Seth. – Eu ouvi mal ou vocês falaram sobre o tal im... qualquer coisa?

- Imprinting – respondi – É nós falávamos sobre isso... lembra que eu te expliquei o que era? – tudo bem que eu não tinha dito exatamente a verdade – Pois é aconteceu com Seth e com sua amiga.

- Oi? – a tal Melanie perguntou – Eu vou querer saber o que é isso?

- Eu vou te explicar – Seth falou e esticou a mão pra ela – Você vem comigo?

- Eu devo? – Melanie perguntou Nannah.

- Se tem alguém nesse mundo em quem você pode confiar é no Seth. – Nannah sorriu pra amiga, eu posso até estar enganado, mas acho que foi uma indireta pra mim. Tipo ‘pode confiar no Seth, mas aquele ali não vale nada’. E essa doeu. – Já que você vai estar em boas mãos, eu vou tomar um banho.

Seth saiu com Melanie, Nannah foi tomar banho e eu fiquei sentado na sala com cara de idiota.

POV – Terry

Ta certo, quando Patch falou que eu não ia gostar do que tinha feito eu não só imaginei que eu iria odiar... tudo bem que esse não é um sentimento muito legal pra um aprendiz de anjo... mas não era também um ódio que me fazia querer voltar a ser vivo e matar o Seth... era mais uma inveja dele, por ele ter a chance de fazer a Mel feliz... Ta não ia ser nem um pouco fácil ver ele beijando a minha Mel, mas ela ia estar feliz não é? Acho que por isso valia a pena sofrer...

Ok, acho que eu sou bipolar.... primeiro to odiando o garoto por ele estar com a minha menina, depois to aceitando sofrer pra ele ficar com ela...

- Isso se chama aceitação – Patch falou – Eu confesso que achei que você ia xingar, quebrar tudo, querer bater em alguém... mas você está até calmo.

- Eu não posso mais ter a Mel. – falei – De que me adianta ficar sentindo raiva por ela estar vivendo?

- Meu Deus, quem é você e o que fez com o Terry? – Patch brincou.

- É aceitação. – repeti o que ele tinha dito instantes antes.

- Eu fico feliz com isso. Significa que você está evoluindo. Só falta aceitar que sua irmã tem que fazer as escolhas dela sozinha e no tempo certo.

- Ai já é pedir demais.

- Eu imaginei. – Patch falou. Em seguida Sara e Billy se aproximaram de nós.

- Convenção? De novo? – perguntei fazendo graça.

- Não... nós só queríamos estar perto de você quando você visse o que vai acontecer... – Sara falou e se sentou do meu lado.

POV Jake

O Dr. Gerandy estava demorando um pouco mais que os vinte minutos que ele havia dito que demoraria, mas eu até estava tranqüilo, Nannah tinha tomado o banho dela e feito um lanche na cozinha. Ela já tinha cor de novo e parecia estar melhor, agora ela estava sentada na sala vendo TV comigo... ok, não exatamente comigo, nós dois estávamos no mesmo ambiente, mas ela fazia questão de me ignorar. ‘Coisa boa Black, foi magoar a menina’ minha consciência me gritou.

Lembra que eu falei que Nannah parecia estar melhor? Pois é retiro o que eu disse. Por que? Simplesmente porque ela acabava de levantar correndo em direção ao banheiro onde ela vomitou todo o lanche que tinha acabado de fazer.

- Sai daqui Jacob – ela gritou pra mim que, não me pergunte por que, estava junto dela no banheiro.

- Nem pensar – falei sério – você pode estar com raiva de mim, com todos os motivos do mundo, eu sei, mas eu não vou te deixar passando mal aqui sozinha.

Onde é que estava a porra do médico que não chegava? Nannah se mexeu para levantar e eu a ajudei, ela lavou o rosto e escovou os dentes, sempre me direcionando um olhar de ‘que diabos você ta fazendo aqui?’. Coisa que eu também me perguntava, acontece que eu não conseguia fazer meu cérebro enviar uma mensagem pras minhas pernas me tirarem daqui.

- Vou pro meu quarto – Nannah falou se virando pra sair do banheiro, mas o único passo que ela deu a fez perder o equilíbrio, ela só não caiu porque eu a aparei antes.

Peguei ela no colo, mesmo com todas as suas reclamações e a coloquei na cama.

- Vou chamar outro médico – falei saindo do quarto. Pro inferno com a idéia de afastar Nannah do sobrenatural, eu não ia ficar aqui sentado esperando o velhote do Dr. Gerandy enquanto Nannah passava mal. Disquei o numero que eu pensei nunca mais ligar.

- Alô – a voz de sino de Bella falou do outro lado.

- Oi Bella – respondi.

- Jake! – eu odiava quando Bella falava assim, como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo pra ela.

- Carlisle está ai? – cortei logo qualquer assunto que ela quisesse puxar.

- Sim, por que aconteceu alguma coisa? Você está bem?

- Chama ele pra mim.

- Jake? – Carlisle falou – algum problema?

- É a Nannah. – falei – Ela chegou em casa desmaiada e não está passando bem agora, será que tem como você vir dar uma olhada nela?

- Claro, estarei ai em dois minutos. – desligamos o telefone ao mesmo tempo.

Eu ia ter que deixar Nannah sozinha pelo tempo de avisar quem estava de ronda que Carlisle ia atravessar a fronteira. Corri até a floresta, num lugar onde ninguém me veria e eu poderia ouvir Nannah na casa – se forçasse minha audição – eu tirei minha roupa e me transformei.

Na ronda estavam Leah, Colin, Brad e Embry. Colin e Brad estava aqui mesmo na reserva, Leah e Embry estavam quase no Canadá.

‘Carlisle tem autorização pra atravessar a fronteira’ falei, todos os quatro voltaram suas mentes pra mim.

‘Aconteceu alguma coisa?’ Embry perguntou, e eu não queria, mas a imagem de Nannah desmaiada acabou surgindo na minha cabeça ‘O que aconteceu com ela?’ ele perguntou desesperado já começando a correr.

‘Eu não sei, Seth falou que ela desmaiou de repente. Mas ela já acordou, só que ainda está passando mal’. Expliquei.

‘Eu to indo pra ai’. Ele apressou a corrida.

‘Que seja’ falei ‘quando Carlisle aparecer, deixem ele passar.’

Voltei à minha forma humana e corri pra casa. Nannah ainda estava no quarto, novamente pálida demais. Carlisle bateu na porta e eu não demorei a atender.

- Onde ela está – ele perguntou.

- No quarto do meu pai. – eu o segui quando ele começou a andar na direção do quarto, mas Carlisle me parou antes de chegarmos.

- É melhor você sair. – ele falou sério. O que? Ele achava mesmo que eu ia deixar ele sozinho com Nannah? Tudo bem, não é que eu não confiava nele, é só que eu não conseguia sair. Ele deve ter visto minha reluta e voltou a falar – Olha só Jacob, eu vou avaliar ela, mas não vou fazer isso com você aqui ouvindo tudo o que falamos lá dentro.

- Qual o problema em eu ouvir? – perguntei.

- Ética médica, Jacob. Se ela quiser te contar, depois ela te conta. E se eu precisar de algo, eu te chamo.

- Vai adiantar eu discutir?

- Não, não vai.

Sai da casa contrariado. Porra de ética médica. Porra de médico que tem que saber da minha audição apurada. Estava decidido a ficar na varanda, onde eu poderia muito bem ouvir o que acontecia lá dentro, mas pra minha surpresa o que eu encontro? A vampira com cara de fada parada me olhando.

- Oi Alice. – falei.

- Oi Jake. Eu sei que você chamou só o Carlisle, mas eu tinha que vir junto, eu tinha que te contar a ultima visão que tive.

- E o que foi?

- Os Volturi decidiram quando vir.

- E quando vai ser?

- Amanhã.

- Mas já? – ela não podia ter tido a visão com pelo menos uns dois dias de antecedência?

- Nós já estamos nos preparando. Vamos nos confrontar na clareira onde teve a batalha com os recém criados.

- Certo, nós estaremos lá também.

Embry chegou correndo e já ia entrando em casa quando o impedi.

- O que é? – ele falou nervoso – eu quero vê-la.

- Ela ta com Carlisle – falei – Espera.

Menos de cinco segundos depois que falei Carlisle saiu pela porta. Embry empurrou minha mão e entrou feito um furacão.

- Ela está bem? – perguntei a Carlisle.

- Está sim. – foi só o que ele falou. Eu devia imaginar que ele não ia me contar o que ela tinha. – Vamos Alice? Você já falou com Jake sobre a visão?

- Já, ele disse que eles estarão lá. Certo Jake?

- Certo – respondi e os dois se mandaram correndo.

Eu estava entrando em casa quando Embry passou por mim sério.

- Ela não quer falar com ninguém – ele falou e saiu. Eu obviamente ignorei o que ele tinha falado e fui até o quarto dela.

- Nannah? – perguntei abrindo a porta –Ta tudo bem?

- Ta – ela falou sem me olhar, mas era visível que ela tinha chorado. – Você estava chorando, o que foi?

- Nada, Jacob.

- O que Carlisle falou com você?

- Que eu desmaiei porque minha pressão caiu e que eu provavelmente botei meu lanche pra fora porque comi rápido demais. – ela falou tudo rápido, como se tivesse decorado o que ia dizer.

- Você chorou por causa do Embry?

- Não. Embry não é quem me faz chorar. – ela jogou as palavras na minha cara como se fosse bola. E doeu na mesma intensidade, quer dizer, doeu mais, porque uma bolada na cara não ia doer tanto em mim.

- Vou deixar você descansar – falei me levantando.

Foi estranho. Isso é tudo o que eu posso dizer. Foi muito estranho o que eu senti quando vi que Nannah tinha chorado. Sei lá era um aperto no peito, uma necessidade de fazê-la sorrir pra levar pra longe a dor dela, seja lá qual fosse a dor.

Meu primeiro pensamento foi que Carlisle havia dado a ela alguma noticia ruim, depois eu pensei que Embry pudesse ter feito algo, afinal ele saiu daqui meio bravo. E se fosse ele mesmo, pode ter certeza que eu ia dar uma boa surra nele.

Estou ficando louco. FATO.

Balancei a cabeça pra espantar as idéias embaralhadas que estavam confundindo minha cabeça.

- Jake!!! – Rachel entrou na cozinha berrando feito doida.

- Ta louca mulher, fala baixo. – ela ia acabar incomodando Nannah. Por que isso me importava? Não faço idéia.

- Desculpa, não quis te assustar, mas achei que os sentidos de lobo serviam pra vocês não serem pegos de surpresa...

- Xiu! – reclamei – Nannah ta ai.

Rachel devia estar doida mesmo, ficar falando sobre os lobos em casa com risco de Nannah ouvir...

- Ta bom, mas deixa eu te contar o que eu vim aqui pra contar – eu ri com a embaralhada de palavras dela – Beccky me ligou mais cedo... eles finalmente decidiram se mudar pra cá!

- Que noticia boa – falei me animando um pouco, desde o dia que eu falei com Nannah sobre o imprinting, em meias verdades, óbvio, não havia nada que conseguisse me animar.

- Eles vêm no final de semana. Então nós vamos ter que encontrar um lugar pra eles ficarem. Eu pensei em Nannah ficar comigo no meu quarto e Becky ficar no quarto do papai... – Rachel tagarelava sem parar, mas eu não conseguia me concentrar nas palavras dela, tirar Nannah do quarto do meu pai era dar a ela a brecha que ela queria pra ir embora daqui.

Eu sei que o que fiz era errado, eu devia ter falado do imprinting antes de transar com ela, ai ela poderia decidir se queria ou não ficar comigo... é eu poderia se eu estivesse raciocinando na hora, mas sinceramente eu não sei explicar o que aconteceu comigo. É como se o perfume, a presença de Nannah fizesse meu cérebro virar mingau, eu não pensava mais, eu não era eu, eu era só o desejo por ela.

- JAKE! – Rachel gritou me assustando.

- O que é? – reclamei.

- To falando com você.

- Depois a gente conversa Rach... eu to sem cabeça.

- O que está acontecendo com você? – ela perguntou naquele tom de voz igual ao da nossa mãe, aquele que eu não conseguia deixar de me abrir com ela.

Peguei Rachel pela mão e a levei pra oficina, lá nós poderíamos conversar sem que Nannah pudesse ouvir.

- Eu fiz uma besteira sem tamanho, Rach. – confessei.

- Você matou alguém? – ela perguntou me fezendo olhá-la incrédulo com a pergunta. Fiz que não com a cabeça. – Você assaltou um banco, ou cometeu qualquer outro crime? – fiz que não de novo – Então tem solução, seja lá o que for.

- Talvez não. Talvez eu tenha feito algo sem volta...

- Bom me conta o que foi e nós vamos ver se tem ou não conserto. – respirei fundo e me sentei no chão de frente pra Rachel que sentou num banco de carro.

- Vai parecer coisa de gente louca, mas espera eu terminar de falar antes de se pronunciar, ok? – ela fez que sim – um pouco antes do pai... morrer, eu sonhei com nossa mãe. Bom não foi bem um sonho, foi meio como uma aparição... eu tava sofrendo por causa da Bella – Rachel revirou os olhos, é ela era uma das que não eram muito fãs de Bella, ignorei e continuei falando – nossa mãe falou comigo que meu sofrimento ia acabar, que meu imprinting ia chegar...

- E isso é a besteira sem tamanho?

- Deixa eu terminar de falar, Rachel. – reclamei e continuei contando – Eu me senti mais confortado depois disso, ai o pai... aquele... aquele sanguessuga desgraçado matou o pai, e a dor voltou... porque mesmo eu sabendo que tenho você, a Becky, os meus irmãos, eu ainda me sentia sozinho... nós fomos pro Hawaii, eu me distrai um pouco lá, mas o vazio ainda estava aqui – coloquei a mão no peito – e quando eu voltei, eu conheci Nannah, ela estava doente quando cheguei e eu cuidei dela... e a proximidade com ela me fez esquecer um pouco de todo esse vazio... nós viramos amigos. E eu não sei porque, mas no dia do noivado de Emily eu a beijei. – Rachel sorriu, agora não me pergunta a razão – Mas depois eu fugi, por que eu me lembrei da mamãe falando que meu imprinting ia aparecer, e eu não podia ficar dando esperanças pra Nannah, eu tinha medo dela se magoar como a Leah...

... Eu tentei me afastar mais dela, mas eu não consegui. No dia do casamento de Emily, Nannah estava linda... e minha atenção estava toda voltada pra ela, eu não conseguia ver mais nada, só... ela. Depois da confusão de Leah, eu acabei levando Nannah pra um lugar que eu descobri há um tempo e nós dois... ficamos. – olhei pra Rachel que me olhou de volta com as sobrancelhas arqueadas – Essa foi a besteira sem tamanho.

- Você e Nannah dormiram juntos? – ela falou baixo.

- Foi.

- E porque ela namora o Embry agora?

- Porque eu falei com ela do imprinting, quer dizer eu contei uma meia verdade, porque eu não falei dos lobos nem nada disso... e eu falei que eu não podia ficar com ela por causa do meu imprinting e que ela podia ficar magoada quando ele aparecesse... mas agora eu fico aqui que nem um idiota, lutando comigo mesmo pra não ir atrás dela e morro de raiva só de pensar nela com Embry...

- Jake, você realmente fez uma burrada e tanto, mas como eu disse, tem conserto.

- Como? Eu prefiro sofrer a fazer ela se magoar quando meu imprinting aparecer...

- Vocês homens são cegos mesmo – ela falou se levantando – nem mesmo quando é uma magia mais forte que qualquer outra coisa, vocês conseguem enxergar.

- Do que você está falando?

- Nannah é seu imprinting, Jake. Ela é a escolhida do seu lobo. – Rachel falou com uma convicção que ia além da minha compreensão.

- Mas eu deveria saber se fosse ela... eu tinha que sentir. Como Seth sentiu hoje pela Melanie.

- Você não quis perceber, mas seu lobo sim. Tanto que ele ta ai querendo ir lá pra dentro cuidar dela... Acorda, Jake. Presta atenção nas coisas ao seu redor. Escuta seu coração, escuta seu lobo... para de pensar um pouquinho.

Rachel saiu da oficina me deixando sozinho lá. As palavras da minha irmã rodavam na minha cabeça e de repente, num ‘clic’ tudo fez sentido. Eu sabia agora, eu sentia que Nannah era minha. Ela sempre foi minha e eu burro nunca percebi. Me levantei pra ir correndo falar com ela, pedir perdão e dizer que eu sou mesmo um imbecil, mas que nunca mais eu iria magoá-la de novo.

Passei por Rachel na cozinha feito um furacão e fui direto para o quarto de Nannah. Bati na porta – que estava trancada.

- Nannah abre pra mim – pedi.

- Não quero conversar Jake. – ela falou, a voz dela estava tremula, ela estava chorando.

- Nannah por favor, é importante, abre. – pedi mais uma vez.

- Não Jake, sai daqui e me deixa sozinha.

- Jake – Rachel me chamou – Da um tempo pra ela. Amanhã vocês conversam. Além do mais, Paul esta lá na sala esperando você.

Respirei fundo, e muito contra a minha real vontade, eu sai da porta do quarto, mas amanhã eu falaria com ela. Eu não queria passar nem mais um minuto longe da minha pequena.

- O que foi Paul? – perguntei.

- São os Cullen, eles pediram pra que nós nos reuníssemos na casa deles. Parece que vamos discutir os últimos detalhes pro confronto.

- Então vamos – falei já saindo, se eu ficasse mais um minuto nessa casa eu com certeza ia arrancar a porta daquele quarto e tomar Nannah nos meus braços.

Notas finais
Eu não tinha escrito o capitulo assim, como já disse... na verdade Jake só descobria o imprinting uns quatro capítulos à frente, mas eu recebi tantas ameaças que fiquei com medo O.O... kkkkkk... brincadeira, eu reli a minha fic e vi que eu estava enrolando demasiadamente pra que esse imprinting acontecesse, ou melhor, fosse descoberto. Então eu reescrevi... mas já vou dizendo que as coisas NÃO serão flores ainda.... hahahahaha *risadamalefica*.... O que gente, vocês acham que depois do que Jake fez Nannah vai simplesmente perdoá-lo e dizer que está tudo na paz????? Não mesmo....
O que vocês acham que aconteceu pra Nannah chorar depois que o Embry foi embora???? Será que foi algo que Embry fez???? Será que foi algo que Carlisle disse???? Façam suas apostas..... Semana que vem tem mais... a menos que você não me encham de comentários..... Bjos....