Crossroads - Vidas Cruzadas
22 Capítulo 21 - Imprinting Parte 2
Notas iniciais
Interativo em:http://tfiapoio.blogspot.com/2012/02/crossroads-vidas-cruzadas-by-nannah.html
CAPITULO 21 – Imprinting Parte II
POV – Nannah
"Porra de Lei de Murphy miserável”. Era isso que ocupava minha mente nesse momento. Eu bem achando que nada podia ficar pior na minha vida. As palavras do Dr. Cullen ainda rodavam na minha cabeça, elas insistiam em me provar que não, eu não estava sonhando.
Flashback on
- Oi, eu sou Carlisle Cullen, Jake me pediu pra vir aqui dar uma olhada em você. – falou o homem incrivelmente lindo e loiro parado na porta do meu quarto. Eu estava passando mal, eu sei, mas quando um Adônis desse para na sua frente e fala com você com uma voz de anjo te olhando com olhos dourados hipnotizantes, é normal você esquecer até mesmo no seu nome.
- Olá – respondi, ou melhor balbuciei, feito uma idiota, confesso, mas eu podia culpar meu mal estar por isso, não podia?
- Então,Nannah como você se sente? – eu não me atentei tanto ao fato dele saber meu nome, se foi Jake quem o chamou provavelmente ele havia dito ao Dr. o meu nome.
- Fraca – falei – mas acho que é porque não me alimentei direito hoje – o dr. Cullen caminhou até a minha cama, se sentando na beirada e colocando um aparelho de pressão no meu braço.
- Quando foi sua ultima refeição?
- Menos de uma hora atrás. – falei – e há uns dez minutos coloquei tudo pra fora.
- Antes dessa refeição, o que você comeu... e há que horas? – ele guardou o aparelho de pressão e colocou o estetoscópio no pescoço, passando a avaliar meus olhos.
- Tomei café da manhã. – me preparei para a bronca, nenhum médico ia ficar feliz em saber que alguém ficou horas sem se alimentar.
- Você ficou mais de cinco horas sem comer nada? – ele me olhou de sobrancelhas arqueadas, eu apenas afirmei com a cabeça – Isso não é bom.
- É eu sei – falei forçando um sorriso.
- Eu vou te fazer algumas perguntas, ok? – acenei que sim – Tem sentido tonturas constantes?
- Não constantes, mas algumas vezes eu me sinto sim meio tonta. – falei me lembrando de algumas vezes que perdi o equilíbrio na loja devido à tonturas.
- E os desmaios, são freqüentes?
- Não, na verdade esse foi o primeiro. Eu já senti umas duas vezes uma sensação de quase desmaio, a minha visão escureceu e eu suei frio, mas não cheguei a desmaiar.
- Você costuma sempre negligenciar sua alimentação?
- Não. – falei – Eu sempre me alimento bem e na hora certa, acontece que nos últimos dias eu não tenho me dado muito bem com a comida...
- Como assim?
- Eu fico enjoada. Algumas vezes basta olhar pra um prato de comida.
- Enjoada? E desde quando você vem tendo esses enjôos?
- Há alguns dias.
- Como anda o seu sono? – o que meu sono tinha haver com a conversa eu não faço idéia. – Eu quero saber se você dorme bem.
- Bem demais, às vezes fica difícil levantar da cama pra ir trabalhar e muitas vezes eu sinto tanto sono no trabalho que fico tentada a deitar em um dos sacos de dormir e tirar um cochilo – eu ri, o Dr. Carlilsle me acompanhou.
- Bom, até agora temos desmaio, enjôo, sono... e quanto ao seu corpo, sentiu alguma mudança nele?
- Visiveis não... – ok eu não ia falar de alguns assuntos com o Dr. primeiro porque ele é homem, segundo porque eu nem o conheço direito e terceiro porque eu sinceramente não estava vendo razão para essas perguntas...
- Nannah, eu sou médico ok? Não precisa se sentir acanhada em me contar nada. O que você disser aqui, ficará aqui. – Ta certo, esquece o que eu falei do Dr. dois segundos atrás, eu posso não conhce-lo, ele pode ser homem, mas me passou uma baita confiança agora.
- Eu to me sentindo meio inchada, sabe... não é exatamente inchada, é como se algumas partes estivessem, maiores... sei lá, eu não sei te explicar.
- Os seios aumentaram e estão mais sensíveis e o quadril também parece estar mais largo, não é isso? – ele falou o que eu não conseguia.
- É – sussurrei.
- Mais uma pergunta. – ele me olhou sério – quando foi seu ultimo período menstrual.
Ok o mundo parou nessa hora. De repente todas as perguntas do Dr. Cullen fizeram sentido, mas me faltou coragem para admitir.
- Está... está atrasada – murmurei. Eu não precisava fazer as contas pra saber. Eu tinha certeza agora que minha menstruação estava atrasada há dois meses... Dois... me...ses. OMG dois meses era exatamente o tempo desde a minha noite com Jacob.
- Você está grávida, Nannah. – Dr. Cullen falou com tanta convicção que me deu medo. Acho que no fundo eu ainda queria que fosse mentira. – E pelo que conversamos, você teve uma crise hipoglicemica.
- O que... o que é isso? – perguntei.
- Seu bebê só pode ser alimentado através de você. A simbiose entre mãe e feto sempre irá privilegiar o mais fraco, então mesmo que você não se alimente, seu bebê vai buscar os nutriente que precisa em você. Ele acaba ‘pegando’ as suas reservas de glicose o que te deixa sentindo esse mal estar todo. Você e seu bebê precisam que você se alimente bem e regularmente.
Meu...bebê... Ai meu Deus, onde eu me enfiei... claro que ser mãe é maravilhoso, mas na minha situação...
- Dr. Cullen...
- Por favor, só Carlisle. – ele pediu.
- Carlisle, eu entendi o que você disse, mas acho que preciso ficar um pouco sozinha.
- Claro, mas antes vou providenciar algo pra você comer. – ele saiu e voltou minutos depois com uma cestinha com algumas frutas e uma jarra de suco. – Aqui – ele me entregou o que trazia – Hoje você come frutas, elas tem o açúcar que seu corpo precisa.
- Obrigada – falei.
- Eu aconselho você a procurar um obstetra, eu não sou especialista em gravidez, então não posso te ajudar, mas no hospital de Forks existem alguns médicos muito competentes.
- Eu vou procurar um, obrigada mais uma vez Carlisle. – agradeci, mas antes que ele saísse do quarto eu fiz mais um pedido – Dr.? – ele se virou pra mim – Não fala nada com ninguém, por favor.
- Como eu já te disse, o que foi dito aqui ficará aqui. – ele saiu e eu comecei a entrar em desespero, que só fez aumentar quando Embry abriu a porta do quarto fazendo o ambiente ficar menor que já era.
- Nannah, o que aconteceu, anjo? – ele perguntou visivelmente preocupado.
- Nada – falei.
- Como nada? O Dr. Cullen acabou de sair daqui, você está chorando...
- Eu passei mal, Embry, foi só isso. Tive uma crise hipoglicemica, mas o Dr. mandou que eu comesse algumas frutas e eu iria melhorar...
- E por que você está chorando?
- Nada demais – ele obviamente não acreditou. Eu olhei pra ele pra tentar dar mais credito às minhas palavras, mas ao ver os olhos de Embry meu desespero aumentou, como eu ia fazer com ele? Como ele reagiria ao saber que eu estava esperando um filho de Jake? – Embry... – comecei a falar sentindo um bolo se formar na minha garganta – nós não podemos continuar...
- Continuar o que Nannah?
- Continuar juntos. – falei com dificuldade – E acho melhor acabar aqui.
- Acabar? Mas por que? O que eu fiz?
- Nada, Emb, você não fez nada... é só que não dá mais.
- Não dá mais? Mas Nannah a gente mal tentou! – ele se abaixou ao meu lado ficando com o rosto na altura do meu – Eu sei que posso te fazer feliz, basta você deixar.
- Eu nunca duvidei que você pudesse me fazer feliz, Embry. – ele secou uma lágrima que caia do meu olho – Acontece que eu não posso fazer você feliz. Como eu vou viver com isso? Como eu vou ter paz sabendo que você não é feliz?
- Te ter do meu lado, já me faz feliz. – ele falou baixo.
- Não é suficiente, eu tenho que te amar, e eu não te amo Embry.
- Mas você pode aprender, um dia...
- Não Embry – falei mais alto, colocando mais firmeza na minha voz. – Isso acaba aqui. Você vai encontrar alguém que vai te amar como você merece.
- Eu nunca vou amar alguém como eu amo você. – ele falou entre dentes. – Eu não quero alguém que não seja você.
- Eu não posso mais Embry. Me desculpe, eu sei que estou fazendo com você o mesmo que Jake fez comigo, mas eu não posso mais ficar com você, eu não posso mais te iludir.
- Não – ele choramingou – Eu não quero ficar sem você.
- Vai embora, Embry – pedi sentindo meu coração ser esmagado pelas minhas palavras. Eu podia não amar Embry como eu amava Jake, mas eu sentia um tipo estranho de amor por ele, algo que eu não sabia como explicar.
- Eu te amo – ele tentou me beijar, mas eu o afastei.
- Por favor, vai embora. – sussurrei e ele se levantou caminhando em direção à porta. – Eu não quero ver mais ninguém, por favor.
Flashback off
Depois que Embry saiu eu ainda vi Jacob, ele entrou no quarto pra saber como eu estava e eu disse qualquer coisa a ele. Eu não pensava nas palavras, a única coisa que passava pela minha cabeça é que o pai do meu filho estava bem na minha frente e eu não podia dizer a ele que nós teríamos um bebê juntos. Por que? Simples, porque eu não queria Jacob comigo por pena ou por obrigação. Ele disse que nós não poderíamos ficar juntos, e isso é algo que nem um filho pode mudar. Eu não me humilharia a ponto de pedir pelo amor de Jacob.
Me levantei e tranquei a porta e voltei para a cama, eu não queria ver mais ninguém. Minhas mãos desceram até minha barriga. Um calor estranho tomou conta do meu peito. Éramos só nós dois agora, eu e meu bebê. Fiquei longos minutos sentada com as mãos no ventre, apenas imaginando como seria o amanhã. Fui despertada pelas batidas de Jake na porta.
- Nannah abre pra mim – ele pediu com a voz ansiosa. O primeiro pensamento que me ocorreu foi que Carlisle não havia cumprido o que combinamos, ele havia contado pra Jake.
- Não quero conversar Jake. – falei começando a chorar mais, eu não queria que ele soubesse desse filho, pelo menos não agora.
- Nannah por favor, é importante, abre. – Droga, droga, droga. Ele devia saber, só isso o deixaria tão ansioso e... eufórico.
- Não Jake, sai daqui e me deixa sozinha. – gritei pedindo a Deus que ele ouvisse e saísse da minha porta. Eu tinha medo que ele a arrombasse, mas algo o fez sair de lá.
Eu não dormi, não consegui pregar o olho. Minha cabeça rodava, eu não sabia o que fazer da minha vida agora que eu viveria por dois. De uma única coisa eu tinha certeza, eu não seria mais sozinha, eu teria alguém pra ser sempre meu, que estaria comigo. Alguém que eu poderia amar como eu não fui amada, alguém pra quem eu poderia dar todo o amor que Violet nunca me deu. Eu seria mãe, uma mãe muito diferente da minha. Depois de pensar muito, eu finalmente tomei uma decisão. Me levantei e fui até o armário, pegando minha mala e colocando nela tudo o que me pertencia. Sim eu faria o que sempre fiz de melhor. Eu iria fugir.
Troquei minha roupa e coloquei todas as outras na mala. Abri a porta do quarto com cuidado, já era bem tarde, algo perto das três da manhã, mas Jake era uma pessoa imprevisível no que diz respeito aos hábitos noturnos, sendo que era comum pega-lo vagando pela casa de madrugada.
Fui até a cozinha deixar as coisas que o Dr. tinha levado pra mim mais cedo, coloquei tudo na pia e me virei para voltar para o quarto, mas eu senti uma fome repentina. Fui até a geladeira e peguei o que precisava para preparar um sanduíche. Acabei fazendo dois, e os comendo. Nossa parecia que eu não via comida há muitos dias. Quando estava satisfeita fui até o meu quarto e peguei minha mala, levando-a até o carro. Depois voltei e peguei meu violão, o guardando também.
Ao voltar pro quarto eu percebi que não podia ir embora sem me explicar para algumas pessoas. Claro que eu não iria contar tudo, mas eu tinha que pelo menos agradecer por tudo que fizeram por mim aqui. Peguei um caderno e uma caneta e comecei a escrever, decidi endereçar a carta à Rachel, ela era dona da casa onde eu vivi todo esse tempo, e eu não conseguiria escrever nada pra Jake, mesmo.
Rach,
Antes de qualquer coisa queria agradecer imensamente por você ter me permitido ficar aqui com vocês. La Push foi com certeza a melhor coisa que me aconteceu na vida. Vocês me receberam tão bem aqui que eu realmente me senti parte dessa imensa família.
Por favor, não fique brava por eu não ter me despedido, e acredite, eu tive meus motivos pra fugir. De um abraço em todos por mim e peça desculpas a eles por eu ter partido sem dizer adeus.
Diga ao Seth que ele foi um irmão incrível, e que eu o amo muito, mas que farei questão de bater nele se não cuidar da Mel. Diga a Mel que eu sinto por ter feito mais uma fez o que prometi nunca mais fazer – eu fugi sem dizer tchau.
Diga à Sue que ela é uma mãezona, a mãe que eu não tive e a mãe que eu quero ser. Dê um abraço no Quill, no Jared, na Kim, na Emily, no Sam, no Colin e no Brad. E no Paul também... a propósito, me desculpe por não estar ai quando vocês se casarem. Desejo toda a felicidade do mundo à vocês dois.
Diga ao Jake que... que eu estou bem... e que eu o desculpo pelo que aconteceu. Ele... vocês vão estar comigo sempre.
Amo vocês Rach. Obrigada por tudo.
Nannah.
Óbvio, eu terminei de escrever chorando, o que me fez gastar um tempo até me recuperar e deixar a carta no quarto de Rachel. Quando sai de lá foi impossível controlar a vontade de ver Jacob, talvez se eu entrasse no quarto dele devagar ele não acordaria.
Abri a porta fazendo o máximo de silencio que conseguia, mas pro meu espanto ele não estava dormindo. Ele nem mesmo estava no quarto. Eu ia fechar a porta e sair dali, mas uma camisa dele jogada displicentemente sobre a cama me chamou mais atenção do que eu queria. Dei uma olhada no corredor, para certificar que eu estava sozinha e entrei no quarto. Minhas pernas me guiaram automaticamente até a cama e minhas mãos – seguindo o exemplo das minhas pernas – pegaram a camisa de Jake. Levei-a até meu nariz e aspirei o perfume único de Jake impregnado no tecido.
Eu podia desistir de tudo, podia simplesmente contar pro Jake sobre o bebê e seguir a vida do jeito que desse, mas será que eu estava preparada pra isso? Será que eu conseguiria viver com alguém que eu sabia estar comigo por uma obrigação? E o mais importante, como Jacob reagiria ao saber que vai ser pai? Muitas duvidas, nenhuma resposta. Larguei a camisa na cama e sai depressa, eu não iria implorar pelo amor de Jacob, nem iria usar meu filho como isca para isso.
Peguei as chaves do meu carro e botei – mais uma vez – o pé na estrada. Eu teria que ser rápida em me afastar de Forks, caso contrário teria muitas chances de eu ser encontrada. Dirigi o mais rápido que eu pude em direção à ‘Deus sabe onde’.
POV – Terry
Sinceramente agora eu tive vontade de dar as palmadas que sempre impedi que Nannah levasse... Eu confesso que fiquei feliz quando finalmente a anta do Jacob enxergou o imprinting, mas ai vem minha adorada irmã e foge. Tudo bem que ela teve um motivo pra fugir... Caraca minha baixinha está grávida, motivo suficiente pra eu querer acabar com o Black, mas deixa isso pra outra hora.
- Eu tenho que fazer alguma coisa Patch. – falei.
- Não, não tem. – Patch me respondeu com aquela tranqüilidade que me dava nos nervos. – Livre arbítrio, lembra?
- Argh... já falei que odeio essa coisa... – Livre arbítrio... isso até agora só serviu pra colocar Nannah e Jacob a quilômetros de distancia um do outro.
- Vamos ter que voltar àquela conversa sobre como eles dois escolheram a vida deles antes de nascer??? Sobre como o espírito deles antes de reencarnar escolheu exatamente essa vida?
- Não, não precisa repetir tudo – reclamei – eu posso pelo menos ficar lá perto dela?
- Não antes de eu fazer isso – Patch se aproximou e tocou meu ombro. Senti uma vibração no meu peito que surgiu e se foi rapidamente.
- O que foi isso? – perguntei o encarando.
- Eu tirei de você o poder de entrar nos sonhos.
- Você o que?... Você não confia em mim?
- Quer a sinceridade ou quer que eu minta? – ele sorriu. Droga Patch era esperto demais às vezes. – Escuta Terry, se você apressar as coisas não é só Nannah e Jacob que vão ter aprendizados tomados deles, você também vai.
- Como assim? – Terry suspirou fundo e se aproximou de mim mais uma vez.
- Você tem uma razão pra estar aqui. As pessoas que morrem vão para um lugar onde elas vão estudar e se preparar para voltar para o mundo dos vivos. Algumas outras que já cumpriram sua missão vão para um plano onde vão usufruir das maravilhas recebidas por terem feito o bem. E outras, como você, vem pra cá, pra aprender a ser um anjo. Mas se você continuar nesse desespero de resolver tudo de uma vez, e colocar o carro na frente dos bois, tudo o que você vai conseguir é ir para o plano onde os que vão reencarnar estão.
- Eu vou ser um anjo? – perguntei espantado, aquela noticia era uma novidade.
- Se você completar o treinamento, sim.
- Por que você não me falou isso antes? – eu já teria me comportado se soubesse disso antes.
- Porque não era a hora.
- E porque agora é a hora?
- Porque a pessoa a quem você vai proteger já está se preparando para nascer. – ele sorriu de novo – E em breve ela será responsabilidade sua, e qualquer erro, qualquer ‘travessura’ sua, você vai virar um anjo caído.
- Anjo Caído?
- Uma alma que não está nem no Céu nem no Inferno. Preso na Terra, sem suas asas você vai se sentir fraco e incompleto.
- Eu vou ter asas? – outra novidade.
- Todos os anjos tem asas... – Patch riu como se minha pergunta fosse a coisa mais idiota que ele ouviu.
- Porque eu não vejo a sua?
- Porque você ainda não é um anjo. As asas são feitas de um material celestial, só os anjos podem ver.
-Então eu tenho que me comportar agora?
- Isso mesmo.
- Pode devolver meu poder então – falei, ok eu me sentia meio ridículo pedindo isso, mas eu me sentia também meio infantil com Patch tendo que tomar algo de mim para eu me comportar.
- Talvez depois – ele falou sumindo.
O que eu podia fazer? Quando Patch sumia assim eu não o encontrava até que ele quisesse me ver. A única coisa que me restava era ficar perto da minha irmã.
Me forcei a estar no banco do carona do carro, ao lado de Nannah que ainda tinha algumas lágrimas presas nos olhos.
- Pra onde você vai, pequena? – falei mesmo sabendo que ela não me escutaria. Estiquei minha mão tocando no rosto dela eu queria poder enxugar aquelas lágrimas.
- O que vai ser de nós agora? – Nannah perguntou colocando uma das mãos na barriga e chorando mais. – Pra onde nós vamos?
- Eu não concordo com sua decisão maninha, mas eu vou estar aqui pra proteger vocês. – falei tão seguro das minhas palavras que cheguei a me assustar.
- Deus as coisas eram tão mais fácies antes – Nannah ainda murmurava pra sua barriga – E eu sempre achei que minha vida na casa de Violet e Goerge fosse ruim... o que eu consegui saindo de lá? Um coração partido... um filho que eu vou ter que criar sozinha...
- Você fez amigos pequena. – continuei meu monólogo, eu sabia que Nannah não me ouvia, mas eu sentia necessidade de falar com ela.
- Eu me sinto tão perdida – ela sussurrou – tão sozinha...
- Mas eu estou aqui – falei perto do ouvido dela – Eu sempre vou estar.
Nannah tencionou o corpo e parou o carro no acostamento. Um medo grande me invadiu, será que ela estava sentindo alguma coisa? Não precisa ser um expert pra saber que todo esse nervosismo não faz bem pra gravidez dela.
- Terry? – ela sussurrou baixinho e foi a minha vez de tencionar – Deus... eu sinto você aqui...
- É porque eu to aqui, Nannah.
- Eu sinto tanto sua falta... – ele encostou a cabeça no volante e começou a chorar – Se você estivesse aqui minha vida não ia estar essa bagunça.
- As coisas vão se organizar, pequena. – passei a mão pelo cabelo dela, e queria muito poder consolá-la, mas eu sentia que não havia nada que eu pudesse fazer agora a não ser permanecer sentado ao lado dela.
Nannah respirou fundo e ligou o carro dando partida novamente, eu não sabia pra onde ela iria, mas eu estaria com ela, onde quer que ela fosse.
POV – Jake
Estávamos todos reunidos na casa dos Cullen, que fedia muito mais que o normal, uma vez que a aglomeração de vampiros era absurda. E o pior, a maioria desses vampiros se alimentava de humanos, o que fazia meu interior se agitar com vontade de acabar com aqueles que destruíam a vida humana.
- Mas você não pode – Edward falou respondendo meus pensamentos – eles estão aqui pra ajudar.
- Tá incomodado é só dar o fora cachorro. – a loira falou de um canto qualquer.
- Vontade não me falta loira. – respondi mesmo sem saber onde ela estava – mas meu dever é proteger os humanos e Renesmee é meia humana, sendo assim... – interrompi minha frase uma vez que o complemento dela era óbvio.
Ta eu tinha que admitir que estar aqui não me agradava, que eu não queria proximidade com os Cullen e muito menos com Bella que era uma página virada na minha vida – vida que agora só tinha espaço para a dona de um par de olhos azuis céu. Eu sei que minha intenção quando vim pra cá era deixar tudo certo e me mandar, eu poderia deixar o comando nas mãos do meu beta, e me preocupar apenas em gastar todo o meu tempo me perdendo nos braços e no perfume da minha escolhida, mas quando cheguei aqui e vi a filha de Edward e Bella – Renesmee – foi impossível não aceitar lutar pela vida dela.
A garotinha é linda, talvez fossem os olhos dela, cor de chocolate ao leite, que me encantaram tanto, eles eram a exata cor dos olhos de Bella quando ela ainda era humana. Apesar de aparentar ter uns quatro anos, a pequena tinha meses de vida. E ela era esperta. Pelo que os Cullen me contaram, ela conseguiu convencer todos os vampiros que ela não é uma ameaça, que ela não é perigosa nem nada do tipo. Tudo bem que ela havia me convencido também, eu que a queria morta alguns meses atrás, quando eu ainda achava que amava Bella.
Nessie – como eu a chamava, Renesmee é um nome muito esquisito para uma bonequinha como ela – era o tipo de criança que eu queria ter como filha. Tirando claro o fato que ela era uma criança que conseguia derrubar com facilidade um leão da montanha e – por mais nojento que isso soe – sugar todo o sangue dele.
- Estava tudo ótimo até você insultar minha filha – Edward reclamou.
- Você não iria se importar se não estivesse xeretando minha cabeça – falei – ‘o que os olhos não vêem o coração não sente’ não é isso que dizem por ai?
- Ler pensamentos não é o tipo da coisa que dá pra ligar e desligar Jacob – ele retrucou.
- Bom você tem outras vinte mentes pra ler...
- Mas nenhuma me dá as razões que a sua me dá – ele falou baixo, mas não o suficiente pra que eu não ouvisse. Ignorei, era melhor que travar uma discussão com esse vampiro cabeça dura... será que ele não via que eu não tenho mais o menor interesse na mulher dele?
- Fica difícil quando você pensa que minha filha é o que você queria como filha pra você... – ele falou perto e baixo o suficiente pra que só eu ouvisse.
Edward, eu acho que ficar lendo a cabeça das pessoas ta te deixando meio biruta – pensei, eu até podia dizer isso em voz alta pra constrangê-lo pelo ciúme idiota que ele estava sentindo, mas eu não precisava de ninguém, além de Edward óbvio, sabendo os pensamentos que tive – eu pensei aquilo de modo retórico... eu não quero a Renesmee como minha filha, eu só disse que se um dia tiver uma filha queria que ela fosse doce e carinhosa como a sua. – balancei a cabeça pra ele ver o quanto eu estava achando ele um imbecil.
- O que vocês dois tanto conversam? – Bella perguntou aparecendo por trás de Edward.
- Nada importante – falei sorrindo pra Nessie que me sorria de volta. Incrível, já passava da meia noite a menina ainda estava acordada... filha de vampiro, Jacob, falei pra mim mesmo – Já era hora de você estar dormindo, não? – perguntei pra ela.
- Não quis pregar os olhos enquanto não visse você. – Bella afirmou e Edward bufou fazendo uma careta.
- Bom já me viu, agora pode dormir. – brinquei e Nessie esticou os braços pra mim, eu já disse o quanto ela é adorável, né? Pois é não resisti e a peguei no colo. Eu sinceramente não sei o que aconteceu comigo, eu odiava essa menininha porque ela havia quase matado Bella. Desde o dia do nascimento dela, e da conseqüente transformação de Bella, eu nunca havia sequer olhado pra Renesmee, mas agora eu me sentia até confortável perto dela.
- Renesmeè, você não devia aceitar ir no colo do pulguento, vai ficar fedorenta agora. – Rosalie reclamou como se Nessie estivesse brincando na terra com um vestido novo.
- Eu gosto do Jake, tia Rose. – Nessie respondeu na voz de soprano dela. Rosalie jogou o cabelo pra trás e murmurou algo como ‘é filha da Bella mesmo’. Eu ri.
Nessie esticou a mãozinha e colocou no meu pescoço, o choque pelas imagens que ela enviava pra minha cabeça foi o mesmo da primeira vez, acho que isso não era algo com o que nós pudéssemos nos acostumar.
Ela me mostrava imagens de Bella cantando pra ela, o que era engraçado, eu nunca imaginei que Bella era o tipo de pessoa que cantava assim. Nessie deu dois tapinhas no meu pescoço pra chamar minha atenção. Novamente a imagem de Bella cantando pra ela, seguida de uma de Edward, outra de Rosalie e uma de Esme. Todos cantavam pra ela, era isso que ela queria me mostrar? A imagem seguinte era como um espelho do que estava acontecendo, Nessie no colo e eu olhando pra ela, ela me mostrava que era diferente comigo... ahhh ela queria que eu cantasse pra ela também.
- Quer que eu cante pra você? – perguntei e ela fez que sim com a cabeça –Eu não tenho a voz bonita como os outros. – justifiquei, na verdade eu nem sabia como era minha voz numa canção, eu nunca tinha parado pra cantar, pelo menos não que eu me lembrasse.
- Não me importo – ela falou baixinho.
- Acho que você devia começar a treinar, Jacob – Carlisle me falou de onde estava na sala eu o olhei com o cenho franzido, afinal eu não entendia o que ele queria dizer – acho que você vai querer ter filhos um dia – ele sorriu sem graça – principalmente agora que encontrou seu imprinting...
Ele tinha razão nesse ponto, eu ia querer sim ter muitos filhos com Nannah. Falar em Nannah trouxe à tona todo o sentimento que eu tinha conseguido reprimir me distraindo com Nessie. Toda a vontade de vê-la, o arrependimento por tê-la tratado como eu tratei, a saudade, o amor sem fim que agora – tendo sido libertado no meu peito – transbordava de vontade de ser repartido com a mulher da minha vida.
Mais dois tapinhas de Nessie no meu pescoço me fizeram voltar – parcialmente – à tona. Então ela queria que eu cantasse pra ela, certo? Isso seria bem constrangedor. Olhei as pessoas à minha volta, mas a maioria não parecia prestar a mínima atenção ao que acontecia entre Nessie e eu, e os que prestavam, tinham um ‘incentivo’ mudo no olhar. É eu ia cantar, talvez fosse mais fácil pensar que eu poderia estar fazendo isso com a filha que eu teria um dia com Nannah, e não com a filha de Edward e Bella.
De repente, eu me lembrei do sonho que tive, da garotinha na praia. Com os olhos azuis de Nannah,o jeitinho de sorrir também era do meu imprinting... A canção quileute saiu dos meus lábios sem o menor esforço, fluiu naturalmente e eu não fazia idéia de como ela estava soando aos ouvidos aguçados dos vampiros presentes, mas também não estava ligando pra isso.
Fechei os olhos e comecei a visualizar a cena mais perfeita de todas. ‘Um quarto pequeno, todo decorado em rosa e branco, um bebezinho minúsculo aconchegado nos meus braços, protegido ali onde ninguém poderia fazer mal à ela, e Nannah parada na porta a poucos passos de mim. Eu cantava pro bebê que dormia tranquilamente a mesma canção que minha mãe cantou pra mim. A canção que todas as noites ela repetia para que eu aprendesse e cantasse um dia para os meus filhos.’
- Ela já dormiu, Jake – a voz Bella soou perto me fazendo interromper a canção – é melhor irmos pra campina agora.
E foi nessa hora que o clima da casa esfriou. Apesar de ter mais de dez vampiros reunidos aqui o clima desde que cheguei estava ameno, ninguém parecia preocupado que em poucos instantes todos poderiam estar mortos, eu estranhei a principio, mas depois entendi que era por causa de Nessie. Ela podia até ter uma inteligência além da idade dela, um desenvolvimento super rápido, mas ainda era só um bebê e mesmo que metade vampira, uma preocupação desse tamanho não seria saudável pra ela.
... (n/a: a partir daqui o capitulo contém spoilers de Amanhcer, alguns com pequenas alterações pra se encaixar no POV de Jake, uma vez que no livro foi contado por Bella)
A clareira onde nos reuníamos era a mesma onde houve a batalha contra os recém-criados. Edward havia montado uma barraca para Nessie a alguns metros da floresta para que ela pudesse dormir com mais segurança.
Os preparos para esse momento já eram feitos há dias, mas essas ultimas horas pareciam ser mais tensas que o começo, quando não havia nenhuma esperança. No começo da manhã todos se reuniram, trazendo a prova muda de seus preparativos. Meu irmãos também chegaram junto aos raios de sol.
Carlisle havia organizado todos de forma simples, os Cullen e os Denali no meio, como uma família só e as testemunha em colunas ao lado. Eu e meu bando ficamos escondidos atrás deles, ainda na floresta. Nós éramos o elemento ‘quase’ surpresa. Quase porque os Volturi sabiam sobre nós, graças à vampira que dedurou os Cullen, mas ele não faziam idéia de quantos nós éramos. Depois de algum tempo ali esperando, um silvo de Edward, liberado por entre dentes trincados, nos deu o sinal de que eles estavam vindo.
Eles surgiram da floresta em frente a nós, uma formação perfeita, capuzes pretos e cinzas que pareciam flutuar sobre o chão. Trinta e dois mantos medonhos. E mais atrás, outros quarenta vampiros que não pareciam fazer parte do grupo dos italianos.
- Testemunhas – Edward sussurrou respondendo meu pensamento – Eles não siginificam nada para os Volturi, Aro apenas gosta de uma platéia.
‘Nós acabamos fácil com esses velhotes’ Jared sussurrou em nossos pensamentos.
‘Olha só aqueles três... são mais assustadores que o Drácula um e o Drácula dois que estão do nosso lado...’ foi a vez de Paul falar. Drácula um e Drácula dois era como nós nos referíamos aos vampiros romenos. Os dois já tinham milênios de existência e os três importantes da Itália pareciam ter a mesma velhice deles.
‘Foco pessoal’ pedi ‘temos que ficar atentos pro caso da briga estourar, eu não quero perder nenhum de vocês’.
‘Assim você me emociona chefinho’ Leah destilou o sarcasmo do dia.
‘Chega, atenção no que está acontecendo’ parei de prestar atenção na conversa interna da matilha e me concentrei nos mantos que avançavam cheios de presunção.
‘Acho que nós devíamos mostrar a eles que os Cullen não estão sozinhos’ Seth murmurou.
‘É isso ai, vamos fazer uma entrada triunfal... vamos deixar os velhotes de queixo caído...’ Paul incentivou. Mas até que a idéia não era ruim, os Volturi estavam muito confiantes de uma vitória certa, era hora dos guerreiros quileutes mostrarem que os Cullen não sairiam dessa sem lutar.
‘Hora de nos juntarmos à festa, pessoal ‘ Saimos do nosso esconderijo e nos aproximamos dos aliados dos Cullen, nos dividindo nas laterais.
Assim que nossos corpos enormes ficaram visíveis, toda a formação italiana parou. Os olhos nos avaliando, como eu imaginava eles não tinham idéia do nosso numero, e – ao que parece – dezessete lobos era algo que colocava medo.
‘Nós vamos tocar o terror’
‘Sem piadas, Matt’. Reclamei um dos lobos mais jovens. Com esse aparecimento de vampiros aqui, era de esperar um surto de febre e transformações, e eles eram cada vez mais jovens, o que significava nenhuma responsabilidade e nenhuma maturidade. Para a maioria deles estar aqui era divertido.
‘Desculpa, Jake. Vou me concentrar’ Matt falou visivelmente envergonhado.
‘Você vai ter oportunidades de se divertir como lobo garoto’. Falei como pedido de desculpas por ter sido duro com ele.
- Aro meu velho amigo. Já faz séculos. – Carlisle falou tirando o nosso foco da conversa da matilha.
Um silencio perturbador se instaurou na clareira. Até os vento parou era como se o mundo tivesse medo de agir tamanha era a tensão no lugar. Um dos três velhotes italianos deu um passo à frente, uma outra figura de manto negro se moveu com ele. Ele devia ser o tal Aro, a quem Carlisle se referiu.
A guarda se agitou com esse ato, ao que aprece eles não esperavam que seu líder se manifestasse assim. Rosnados, grunhidos e presas expostas se destacaram, alguns membros da guarda chegaram a se abaixar em posição de ataque.
- Paz – o tal Aro falou numa voz estranha, quase um sussurro. Geralmente vampiros tinham vozes com mais... presença, digamos assim. – Belas palavras Carlisle, mas parecem deslocadas, considerando o exercito que você reuniu para me matar e matar os que me são caros.
Carlisle sacudiu a cabeça e esticou a mão para Aro.
- Basta tocar minha mão para saber que essa nunca foi a minha intenção. – ele disse e os olhos de Aro se estreitaram.
A discussão dos dois continuava, e eu me desliguei dela, me concentrando em observar cada ponto da formação da guarda, analisar cada expressão dos vampiros que iríamos enfrentar. Eu buscava fraquezas, pontos onde eu poderia mandar meus irmãos avançarem, onde eu saberia com certeza que eles venceriam.
‘Nós não somo fracos’. Embry reclamou ‘Podemos dar conta de qualquer um aqui’.
‘Eu sei disso’ falei ‘Eu só não quero perder nenhum de vocês. Eu já tive muita coisa tirada de mim por sanguessugas’.
Voltei a me concentrar nas estratégias que usaria. Estava tão focado nisso que me assustei quando Bella me chamou.
- Jacob! Emmett! – voltei a me concentrar na conversa e vi que Edward estava no meio do campo, ao lado de Aro.
‘O italiano quer conhecer Nessie’ Seth me explicou ‘Bella quer que você vá junto’
Assenti e me aproximei de Bella, imediatamente Nessie entrelaçou os dedinhos no meu pelo.
- Companhia interessante vocês têm – um dos vampiros de manto cinza que estava perto do Aro falou. Senti uma certa ironia na voz dele, o que me fez rosnar baixo.
Bella se entreteve numa conversa com o outro vampiro de manto cinza que também estava com Aro, eu não me prendi aos dois, ao que parece eles tinham algo um contra o outro, talvez desde a época que Bella foi atrás de Edward na Itália. Mas isso não importava, eu estava agora prestando atenção na forma que Aro olhava para Nessie. Ele parecia fascinado.
- Ouço seu coração estranho, sinto seu cheiro estranho. – ele voltou seus olhos para Bella – Na verdade, jovem Bella, a imortalidade a tornou extraordinária. É como se tivesse sido feita para essa vida.
Bella assentiu sem dizer nada, apenas um leve mover da cabeça.
- Gostou do meu presente? – Aro perguntou olhando um pingente que pendia do pescoço de Bella. Um coisa grande e muito extravagante, algo que não era nem de longe a cara de Bella.
- Posso cumprimentar sua filha, adorável Bella? – Aro continuou falando.
Bella parecia contrariada ao dar dois passos e se aproximar de Aro. No fundo eu também me sentia contrariado, era errado deixar um ser tão pequeno e indefeso como Renesmee à mercê dos Volturi.
- Mas ela é excepcional, tão parecida com você e com Edward. – Aro murmurou baixo – Olá Renesmee? – ele completou com a voz mais alta.
- Olá Aro – Nessie respondeu com a voz de soprano soando firme, mais firme que a de muitos vampiros que se dispuseram a ficar do lado dos Cullen.
- O que é isso? – sibilou um dos vampiros de manto negro que ficou pra trás. Ele tinha a mesma pele ‘fina’ de Aro e tinha cara de quem comeu comida estragada.
- Meio mortal, meio imortal – Aro falou ao que questionou e ao restante da guarda – Concebida e trazida à luz por essa recém-criada quando ainda era humana.
- Impossível – o ranziza reclamou.
- Acha então que eles me enganaram irmão? Aro falou alterado, mas ainda sorrindo para Nessie. – O coração que você está ouvindo também é um truque?
O velhote ranziza emburrou Aro ladrou mais uns dois ou três sermões para o ‘irmão’ e voltou a se concentrar em Nessie. Ele esticou a mão pra ela, a principio eu estranhei, mas então me lembrei que Carlisle disse que Aro tinha um poder como o de Edward, com a diferença que pra ler os pensamentos ele devia tocar a pessoa.
Nessie ignorou a mão estendida pra ela e se afastou um pouco de Bella, se esticando para poder colocar as mãozinhas no rosto do vampiro italiano. O sorriso dele aumentou.
- Brilhante – ele sussurrou.
- Por favor? – Nessie pediu, a que ela se referia eu não sabia.
- É claro que não desejo machucar seus entes queridos, preciosa Renesmee. – Aro falou gentil, mas eu consegui perceber a entonação diferente ao chamar Nessie de preciosa. – O que me faz imaginar... – ele completou tirando os olhos de Nessie e os colocando em mim.
- Não funciona assim – disse Edward.
- Foi só uma idéia errante – Aro disse enquanto ainda me avaliava.
‘Esse excremento de vampiro não ta pensando o que eu to pensando não né?’ Paul reclamou e uma imagem surgiu na mente de todos. Nós lobos do lado contrário da campina, parados como cães de guarda dos vampiros.
- Eles não nos pertencem, Aro. Eles não seguem nossos comandos dessa maneira. Estão aqui porque querem.
‘Filho da puta!’ Paul rosnou me fazendo acompanhá-lo, só que meu rosnado teve um efeito maior, um efeito alpha que dizia claramente pra esse vampiro miserável enfiar a língua dele no...
‘Tá bom Jake, já entendemos... tem menores no recinto então por favor pensamentos menos obcenos, ok?’ Leah falou, mas eu senti que ela concordava com cada pensamento que eu tive.
‘Sim concordo, exceto quando esses pensamentos se referem à bonequinha de porcelana...’ é estava demorando para ela destilar seu veneno...
Os dois, Edward e Aro, ainda discutiam sobre nós lobos, virei minha cabeça pra Edward querendo saber o que eu tinha perdido enquanto debatia com Leah.
- Ele está intrigado com a idéia de... cães de guarda – Edward murmurou.
Ruminei aquela informação por meio segundo então minha cabeça foi atacada por reclamações.
‘Miseraveis só no pesadelo deles eu seria cachorrinho desse bando fedorento’
‘Eu devia ir lá arrancar a cabeça deles’
‘Cães de guarda, manda a mãe dele ser cão de guarda...’
‘Aposto que nem mãe esse trapo velho tem, isso ai é filho de chocadeira.’
‘CHEGA!’ gritei.
- Imagino que isso responda a pergunta – Aro disse rindo – Este bando escolheu seu lado.
‘E eu escolhi arrancar sua cabeça e enfiá-la no seu rabo.’ Paul ladrou.
Edward rugiu e se inclinou pra frente pronto a atacar o vampiro, os dois da guarda que estavam junto à Aro se colocaram em posição de ataque, eu me preparei também. Mas Aro dispensou os dois guarda-costas dele, fazendo Edward voltar à sua posição.
- Há muito o que discutir, muito o que decidir. Se vocês e seu protetor peludo me derem licença meus caros Cullen, eu e meus irmãos temos que conferenciar.
‘Peludos? Quem esse cara acha que é pra falar assim da gente?’ Paul reclamou
‘Alguém importante...’ Colin falou ‘Olha só, primeiro os Cullen juntam esse bando de vampiro só pra enfrentar ele, depois... olha o medo que todo mundo tem dessa guarda?’
‘Eu não tenho medo de ninguém’ falei ‘Esse cara vai aprontar alguma. Eu sei o que Edward viu na mente dele... ele quer a Nessie. Ele quer o poder da Nessie.’
Ta certo, eu não sei que sede assassina foi essa que me invadiu, mas eu não ia deixar esse cara fazer nenhum mal à Renesmee. Eu sentia que tinha que protegê-la de qualquer forma. Senti Edward, Bella e Emmett recuando, mas eu não voltei na rapidez deles. Meus pelos estavam eriçados e meus dentes prontos pra serem fincados no pescoço de Aro, mas as mãozinhas de Nessie segurando a ponta do meu rabo me fizeram acalmar um pouco e recuar.
Eu não voltei ao meu lugar ao lado dos meus irmãos, eu me coloquei próximo à Bella e Nessie, de alguma forma meu lugar, hoje, era ali.
- Obrigado – Edward sussurrou – Por estar tão disposto a salvar minha filha.
‘Você faria o mesmo se fosse eu no seu lugar’. Pensei.
- Sim eu faria. – ele respondeu com um sorriso mínimo no rosto.
Os três vampiros conversavam do outro lado. Aro parecia ter acreditado no que os Cullen diziam sobre Nessie, mas o outro, queria apenas uma coisa: destruição.
Não importava o argumento que o outro usava, Aro tinha uma resposta que o mostrava que não fazia sentido atacar, que eles não teriam como justificar tal ato.
- Os lobisomens – O velhote emburrado falou como cartada final.
- Ah irmão... – Aro murmurou.
- Defenderá essa aliança também? Os Filhos da Lua têm sido nossos inimigos mais amargos desde a aurora dos tempos. Nós quase os levamos à extinção na Europa e na Ásia. E, no entanto, Carlisle estimula uma relação familiar com essa enorme infestação... sem duvida uma tentativa de nos destronar. Melhor para proteger seu estilo de vida distorcido.
‘Uma dentada só Jake... só uma dentada nesse gasparzinho...’ Paul pediu ‘Que diabo de Filho da Lua é esse que esse cara ta falando?’
- Caius, estamos no meio do dia – Edward falou após pigarrear para chamar atenção. – Estes não são Filhos da Lua, obviamente. Não têm nenhuma relação com os seus inimigos do outro lado do mundo.
- Vocês criaram mutantes aqui. – o tal Caius acusou Edward.
- Eles nem são lobisomens. Aro pode lhe contar tudo sobre isso, se não acredita em mim.
- Meu caro Caius – Aro falou gentilmente com o irmão – eu o teria alertado a não insistir nesse ponto, se tivesse me contado seus pensamentos. Embora as criaturas se considerem como lobisomens, elas não o são. Um nome mais preciso para elas seria transfiguradores. A opção pela forma de lobo foi puramente fortuita. Podia ter sido urdo, falcão ou pantera, quando aconteceu a primeira transformação. Essas criaturas nada têm a ver com os Filhos da Lua. Elas meramente herdaram essa habilidade de seus pais. É genético... eles não dão continuidade a sua espécie infectando os outros, como fazem os lobisomens.
Caius olhou para Aro, com irritação.
- Eles conhecem nosso segredo.
- Eles são criaturas de nosso mundo sobrenatural, irmão. Talvez ainda mais dependentes que do sigilo que nós; não podem nos expor. Cuidado, Caius. Alegações falsas não nos levam a lugar nenhum.
‘Se o que ele disse é verdade’ Seth murmurou ‘então quer dizer que pode haver outros como nós pelo mundo? Outro que tomam forma de outros animais?’
‘Talvez Seth’ falei ‘Mas não é hora pra isso.’
‘Pode não ser agora, mas pensa Jake. Se existem outros como nós, e se Aro vê que de alguma forma nós estamos lado a lado com os Cullen, ele pode sair por ai atrás de animais de guarda pra ele...’
‘Vamos deixar esse assunto pra depois, Seth. Quando não estivermos em risco de morrer, mas nós temos mesmo que discutir isso com os Cullen. É uma possibilidade provável e nós teremos que estar preparados.’
A discussão de Aro e Caius já havia mudado de foco, agora Caius interrogava uma vampira loira, e pela forma que as Denali – Kate e Tanya eu acho – reagiam à essa conversa, eu imaginei que Caius interrogava a vampira que havia acusado os Cullen.
A vampira agora se desculpava por ter denunciado algo que não existia, por não ter reparado antes que Nessie não era um bebê imortal.
...
Eu devo ter perdido algo pois em um instante a vampira se desculpava e no outro ela estava cercada de mantos negros. Um som de metal sendo rasgado e chamas consumiam o que antes era uma vampira. Kate e Tanya se rebelaram e se jogaram para frente prontas a atacar.
Uma delas foi segurada por Carlisle e a outra por um dos vampiros que estava perto dela. Eu entendi então o que Caius queria. Todas as desculpas para atacar os Cullen tinham se esvaído. Não havia como acusá-los porque não havia crime, então eles apelaram para um ataque de ‘defesa’. Eles queriam que nosso lado atacasse primeiro, ai eles poderiam alegar estar apenas se defendendo.
‘Malditos filhos da mãe.’ Reclamei.
‘Eles vão achar um jeito Jake...’ Leah rosnou ‘Eles vão encontrar uma desculpa para atacar’
‘E nós vamos estar prontos para a luta’. Falei firme.
Aro se aproximou para ‘ouvir’ algumas das testemunhas dos Cullen. Começando pela esquerda e ficando terrivelmente próximo de Paul e Jared.
‘Relaxem rapazes’ ordenei ‘não vamos dar a eles o que eles querem. Uma desculpa para atacar’.
Paul rosnou alguns muitos palavrões.
‘Vamos nos ocupar de outra coisa’ falei buscando distrair a atenção de Paul do pescoço de Aro ‘As defesas deles, nós devemos avaliá-las, saber quais são os melhores pontos onde atacar primeiro. Os Cullen não podem discutir isso agora, mas nós podemos, temos a vantagem de ninguém, exceto Edward nos ouvir’.
‘Edward falou que as melhores armas de Aro são os que usam manto cinza escuro.’ Seth falou, ele era quem tinha mais contato com os Cullen, então o que tinha mais informações sobre os Volturi ‘A menina tem o dom de provocar uma sensação de dor, digamos assim, ela pode queimar uma pessoa com esse dom. O que está ao lado dela, pode bloquear todos os seus sentidos. Visão, olfato, audição... você fica completamente indefeso e imóvel. O outro é um rastreador. Esse é o principal alvo, segundo Edward, se quisermos dar alguma chance de quem quiser fugir. O grandão não tem poder nenhum, mas tem força. É o melhor lutador dos Cullen. Tem uma outra, que eu não sei quem dentre eles ela é, mas ela tem o poder de quebrar laços de afeição. Na minha opinião ela é um risco pra nós...’
‘Como assim?’ perguntei
‘Se ela alcançar você, Jake, e quebrar o laço de amor, amizade, responsabilidade e respeito que você tem por nós, ficaremos sem um alpha. Ou seja, ficaremos perdido e vulneráveis, porque por mais força que tenhamos, não somos nada sem um lider’.
‘Mais alguém com quem devemos nos preocupar?’ falei.
‘Não, acho que esses são os perigos eminentes... sem eles fica fácil vencer os outros.’
Minha atenção saiu por um momento das estratégias que eu armava com meu bando, quando vi Bella conversando com Nessie, ela estava se despedindo da filha.
- Lembra o que eu disse a você? – Bella perguntou. Os olhos de Nessie encheram de lágrimas e ela sussurrou.
- Eu amo você.
- Eu também amo você – Bella disse e tocou um medalhão no pescoço de Nessie – Mais do que a minha própria vida.
Eu gemi buscando uma explicação para o que estava acontecendo ali. Bella se esticou na ponta dos pés e falou no meu ouvido.
- Preciso de você meu amigo. Só você pode fazer isso por mim. Espere até que eles estejam totalmente distraído, depois corra com ela. Vá para o lugar mais longe daqui possível. Quando estiver o mais distante que conseguir a pé, ela terá o aquilo de que vocês precisam para continuar por ar.
Eu encarei Bella sabendo que apesar de no momento eu ser um animal ela entederia a minha expressão. Eu não podia simplesmente abandonar meu bando, não podia deixá-los sem um guia, sem um líder. Por mais que meu coração se apertasse em imaginar o risco que Nessie corria aqui, eu não podia ir... não podia deixar Nannah...
‘E você pode morrer?’ Embry falou ‘Se você ficar, você pode morrer Jake, o que vai ser de Nannah se você morrer? Ela pode não dar o braço a torcer, mas ela te ama. Muito. E é um amor que não vai acabar... eu tentei Jake, você mais que ninguém sabe que eu tentei fazê-la me amar, mas ela é seu imprinting, e nada nem ninguém nesse mundo vai mudar isso. Como parte do seu bando, como seu irmão, eu o aconselho a aceitar o pedido de Bella. Saia daqui com Nessie, vá a reserva pegue Nannah e viva com as duas longe daqui’.
‘Faço minhas as palavras de Embry.’ Seth falou.
‘Vai ser osso não ter você aqui, chefe, mas se isso é o certo, eu te apoio’. Quill concordou
‘Tem meu apoio também, deixa com a gente que não vai sobrar nem cinza de sangussuga aqui’. Foi a vez de Paul. Sendo seguido de Jared, Colin, Brad, Matt e todos os outros lobos. Todos menos uma...
‘Se eu falar que você vai ser um medroso fugindo vai mudar alguma coisa?’ Leah ladrou ‘Não, não vai. Então pega logo o filhote de sanguessuga e a sua bonequinha de porcelana e da o fora daqui.’ Eu sabia que esse era o jeito de Leah dizer que me apóia, sem ter que dar o braço a torcer.
‘Eu não quero que vocês se arrisquem mais que o necessário. Nosso povo precisa de vocês, então ajudem, mas se a coisa ficar feia demais caiam fora. E isso é uma ordem. Eu vou voltar, assim que tudo esfriar eu volto pra La push, por que lá é meu lugar, é minha casa e é onde minha família vive. Eu vou estar sempre em contato com vocês, sempre vou estar na minha forma lupina pra saber como as coisas estão aqui.’
‘Certo chefe’ quinze lobos falaram em uníssono.
Edward terminou de se despedir da filha e a colocou nas minhas costas. Eu me virei pra Bella, pra que ela tivesse certeza que eu a ajudaria – mais uma vez.
- Você é o único a quem poderíamos confiá-la. Sei que pode protegê-la, Jacob. – Bella murmurou.
Então todos ali começaram a se despedir... seria esse o fim? A coisa começou a ficar feia, quando ainda sem Aro ter dado qualquer parecer, sua guarda começou a usar os poderes contra os Cullen. O que gerou todo o alvoroço foi o momento onde a baixinha que podia causar dor com a mente descobriu o poder de Bella – poder esse quem nem nós mesmo sabíamos ser tão intenso.
Bella havia erguido um escudo sobre todos do nosso lado. Nada que os Volturi fizessem iria nos atingir, desde que Bella estivesse de pé. Os vampiros aliados começaram a dividir os Volturi entre si, junto à divisão deles, estava a divisão do meu bando, cada um escolhia aonde iria ajudar, quem iria matar. Nós estávamos em vantagem numérica, mas ninguém contava vitoria antes da hora porque eles conheciam o poder dos italianos.
Aro ainda tentou mais uma vez convencer os aliados dos Cullen a se juntarem a eles, mas ninguém aqui queria passar para o lado negro da força, na verdade eles queriam era acabar com essa supremacia Volturi de uma vez por todas.
- Sendo assim vamos votar – Aro disse.
- A criança representa o desconhecido. Não há motivo para permitir que um risco desses continue a existir. Ela deve ser destruída, junto com todos que a protegem. – Caius falou com um sorriso de expectativa.
- Não vejo nenhum perigo imediato. Por ora, a criança é suficientemente segura. Podemos reavaliar depois. Vamos embora em paz.
- Cabe a mim o voto de minerva, ao que parece. – Aro falou. Até parece que isso não era a intenção desde que eles se reuniram...
- Sim! – sibilou Edward de repente. Olhei pra ele buscando qualquer evidencia que algo estava acontecendo, mas vi apenas uma sombra de esperança, a mesma que vi no dia que Nessie nasceu, quando ele pode ouvi-la e soube que conseguiria manter Bella e a filha com ele.
- Aro? – Edward voltou a falar.
- Sim Edward? Há mais alguma coisa?
- Talvez. Primeiro posso esclarecer uma questão?
- Certamente.
- O perigo que você prevê vindo da minha filha... ele tem origem inteiramente em sua incapacidade de deduzi como ela se desenvolverá? É esse o xis da questão?
- Sim amigo Edward. Se pudéssemos ter certeza de que, enquanto cresce, ela será capaz de permanecer escondida do mundo humano... de não colocar em risco a segurança de nossa obscuridade...
- Então se pudéssemos ter certeza exatamente do que ela se tornará... então não haveria necessidade de um conselho deliberativo?
- Se houvesse alguma maneira de estar absolutamente certo, então sim, não haveria o que debater.
- E poderíamos nos despedir em paz, como bons amigos novamente.
‘Que porra Edward, chega logo no finalmente!’ pensei.
- É claro meu jovem amigo. Nada me agradaria mais.
- Então tenho algo mais a oferecer.
- Ela é absolutamente única. Seu futuro só pode ser conjecturado.
- Não absolutamente única, rara, certamente, mas não única.
Todos do nosso lado se sobressaltaram com a declaração de Edward, afinal ninguém sabia como Nessie seria no futuro, ninguém sabia nada dela
- Por que não se junta a nós Alice? – Edward falou fazendo todos os vampiros assustarem e sussurrarem ‘Alice’.
Alice tinha fugido com Jasper há alguns dias. Todos achavam que ela havia feito isso para se proteger de Aro, afinal de todos os poderes do clã Cullen, Alice e Edward eram os que Aro mais cobiçava... e Bella, agora também entrava nessa lista. Mas ao que parece, Alice havia apenas saído em busca de suas próprias testemunhas.
Uma delas era uma vampira e o outro era estranho, ele tinha todas as características de um vampiro, mas seus coração batia, eu podia ouvir o sangue circular em seu corpo. Ele era como... como Nessie.
Nahuel – como ele se chamava – era também um meio-vampiro, ele assegurou aos Volturi que aos sete anos Nessie pararia de crescer e teria sempre a aparência de uma adolescente. E ainda que ela não teria veneno, pois as irmãs dele não tinham, ao contrário dele que poderia transformar uma pessoa, como havia feito à vampira que estava com ele.
Depois de todo o discurso do garoto, Aro assentiu solenemente e se virou para a sua guarda.
- Meus caros, não lutaremos hoje. – ele disse e se virou para os Cullen – Fico feliz que tenhamos podido resolver tudo sem violência. Meu amigo Carlisle... que satisfação poder chamá-la de amigo de novo! Espero que não haja ressentimentos. Sei que entende o fardo severo que o dever coloca em nossos ombros.
- Va em paz Aro e lembre-se, por favor que ainda temos nosso anonimato a proteger, e evite que sua guarda cace nessa região.
‘Disso nós nos encarregamos’ Paul pensou já imaginando um dos sanguessugas caçando por aqui e os lobos o dividindo em fatias.
‘E eu quero mesmo que façam isso, mas com cuidado, não podemos confiar nessa laia’ falei ‘Fiquem atentos e garantam que eles não matem ninguém aqui, e se matarem vocês sabem o que fazer.’
Tomei um susto quando Bella quase me escalou para tirar Nesssie das minhas costas.
- Nessie, Nessie, Nessie! – ela cantarolou e eu ladrei uma risada. Bella nunca gostou do apelido que dei à filha dela. – Cale a boca.
- Vou poder ficar com vocês? – Nessie perguntou.
- Pra sempre. – Bella respondeu.
- Pra sempre. – Edward concordou.
Me afastei dos três pronto para correr em direção à La Push, em direção à minha escolhida, mas a voz de Bella me fez parar.
- Vamos comemorar, Jake. – ela falou – Vem conosco.
‘Não posso’ pensei sabendo que Edward traduziria pra ela.
- Por que? – ela perguntou.
- Ele quer ir pra casa Bella, quer ver Nannah...
- Mas você pode vê-la depois – Bella choramingou.
‘Até mais Edward’ falei em pensamentos e me afastei, eu não ia estender uma sessão ‘quero voltar ao passado’ com Bella.
Antes que eu tomasse velocidade, Bella parou na minha frente.
- Volte pra forma humana – ela pediu – quero falar com você e quero ouvir oq eu você tem a dizer.
Relutante eu fui até de trás de uma arvore e me transformei.
- O que é agora Bella.
- Por que você está se afastando? A gente estava bem há minutos atrás.
- A gente não estava bem Bella. Eu estava do lado do correto. Eu tinha que proteger Nessie, e foi o que eu fiz.
- Então venha comigo, por ela.
- Não força a barra Bella. Não tem chance das coisas voltarem a ser como eram antes, e eu acho que já te falei isso um milhão de vezes.
- É por causa dela, não é? Por causa da humana que ta na sua casa.
- É sim, é por causa da Nannah. Eu finalmente enxerguei que ela é a minha escolhida.
- O... seu... imprinting?
- É Bella, meu imprinting. E agora me da licença que eu tenho que ir vê-la. – falei passando por ela indo em direção à La Push.
- Espera – ela segurou meu braço.
- Bella, chega ta. Já deu. Você tem sua família feliz e completa agora. Dá um tempo pra mim, me deixa. Eu demorei pra enxergar que Nannah era minha felicidade, mas agora eu vi e não vou perder mais nenhum segundo. Eu não sou mais o Jake de antes, eu cresci e estou tentando viver minha vida. Então por favor, faça você o mesmo.
Não esperei uma resposta dela apenas corri. Quando vi que estava a uma distancia segura eu tirei a bermuda e me transformei.
...
Entrei em casa com o coração acelerado. Já era tarde, a batalha tinha me tirado quase um dia inteiro. Fui direto ao quarto de Nannah ver como ela estava, contar pra ela tudo sobre mim, sobre os lobos, e principalmente, pedir perdão por ter sido um cego burro.
Abri a porta pronto pra ver o par de olhos azuis mais lindos do mundo, mas pra minha surpresa ela não estava lá. Talvez ela tivesse ido trabalhar hoje. Peguei uma camisa no meu quarto e ia saindo quando senti o perfume dela lá, estava fraco, mas estava presente. Não só no meu quarto, mas na minha camisa também. O que Nannah teria feito no meu quarto com minha camisa?
Balancei a cabeça pra espantar as idéias, calcei um tênis e fui até minha moto. Pilotei rápido até Forks, Diana estava fechando a loja quando estacionei na calçada.
- Jacob. – ela me cumprimentou.
- Oi Diana, a Nannah ta por ai?
- Não, eu ia mesma te perguntar sobre ela, ela não veio trabalhar hoje.
- Ela passou mal ontem – falei – talvez seja por isso... ela deve estar na casa da Sue... bom eu vou procurá-la lá.
Me despedi e voltei para a moto, voltando rápido para La Push. Fui até a casa de Sue, que também não sabia de Nannah. Meiio relutante frente à idéia, eu fui até a casa de Embry, mas a mãe dele também não a tinha visto. Emily tambémnão sabia onde Nannah estava.
Procurei na praia, no centro da reserva, no penhasco. Nada, nenhum um sinal de onde ela podia estar. Fui pra casa na esperança dela ter voltado pra lá. Encontrei Rachel e Paul abraçados na sala. O alivio estampado no rosto da minha irmã.
- Jake. – ela sussurrou vindo me abraçar – Que bom que você está bem.
- Cadê Nannah? – perguntei.
- Eu não a vi de manhã, e quando voltei ao meu quarto perto da hora do almoço, eu encontrei isso. – ela me estendeu um papel.
Era um bilhete de Nannah, dizendo que ela estava indo embora, que não podia ficar ali mais. Ler aquelas palavras foi ter meu coração arrancado de mim. Eu preferia ter morrido naquela batalha a ter que ver isso que estava nas minhas mãos.
No final do bilhete, em uma linha que foi riscada, mas que eu conseguia ler perfeitamente estava escrito:
Diga ao Jake que... que eu estou bem... e que eu o desculpo pelo que aconteceu. Ele... vocês vão estar comigo sempre.
Se ela me desculpava, por que ia embora então? O que tinha acontecido pra ela tomar essa decisão? Por que a porra da minha vida não podia ser fácil pelo menos uma vez?
Simples, Jacob, porque você é um idiota fodido que nunca faz o que é certo.
CONTINUA...
Notas finais
Bom, espero que tenham lido esse capitulo com a mente aberta... eu TIVE que aproximar o Jake da Nessie, caso contrário, qual seria a razão para a aliança dos lobos e dos Cullen????? Então Jake se encantou pela Nessie sim, mas fiquem tranqüilas por que ELA não vai ficar entre Jake e a PP...
Respirem fundo porque ainda tem MUITA emoção por vir... e muita baixaria... vcs viram só a Bella Bitch nesse capitulo??? Não dá uma dentro... ela ainda vai aprontar muitas dessas... aguardem e confiem....
Mas o que vcs acharam??? Deem suas opiniões... ahhh e aproveitando o espaço... MUITO obrigada a TODAS que me deixam reviews maravilhosos... já disse que amo vocês??? Nos vemos semana que vem???? Bjos...
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