Criminal.

8 Capítulo 8: Defender.


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Sabrina, minha princesa ♥'
Mais um pra vocês, que esperaram tanto tempo né? IUHASIUAHSIUAHS eu tenho as melhores leitoras do mundo, yeah

Point of view: Demetria.



– Vocês deixaram uma garota de 18 anos presa em uma cela do lado de assassinos? Inacreditável.



Eu estava sentada no chão acinzentado quando ouvi a voz de Selena ecoar pelo corredor do departamento. Levantei-me num salto indo parar diretamente presa as grades, onde não demorou muito até que ela aparecesse. Ela estava com uma calça jeans azul, sandálias de salto alto de uma cor que agora não me lembro, usava uma camisa branca social de mangas compridas, mas as mesmas estavam enroladas até a altura do cotovelo. Preso a calça havia um suspensório e na cabeça uma boina, e ela estava extremamente sexy com o mesmo olhar inocente de sempre. Nossos olhares se cruzaram por alguns segundos antes que ela estivesse virada para o oficial novamente.



– Solte-a. Ela não cometeu o crime que vocês estão achando que cometeu. – as duas mãos repousaram na cintura fina –


– Não vou soltar. Pode não ser culpada do crime que a acusamos, mas com certeza é culpada de muitas outras coisas.


– Deixe-me dizer só uma coisa para você. – ela fez sinal com o indicador para que ele se aproximasse – Eu estou estudando advocacia, e eu entendo muito bem os direitos dessa garota. Vocês tem alguma prova contra ela?


– Não. – ele limitou-se a responder, o semblante carrancudo, meu olhar estava alternando eles dois –


– Então perfeito. Quero falar com o delegado desse departamento. – ela virou-se para a cela outra vez – E se você quiser manter o seu emprego, trate de abrir essa cela imunda agora.



Prontamente a cela foi aberta, o que de fato não foi lá uma grande vantagem pois ele não hesitou um segundo sequer antes de puxar meus braços para trás e prender-me com um par de algemas. Ao indicar onde ficava localizada a sala do delegado, o oficial olhou-nos com escárnio antes de virar as costas e sair com seu andar completamente torto e largado. Caminhei de cabeça baixa apenas seguindo a mulher ao meu lado como se ela não estivesse fazendo nada de importante por mim ali.



– Eles trataram você bem por aqui? – percebi que ela me olhava –


– Você não deveria se importar. – limpei a garganta antes de continuar – Como sabe que eu não mandei assaltarem a sua mãe? – ergui a sobrancelha ao olhar para ela –


– Você não respondeu a minha pergunta. – olhou para o chão –


– Nem você a minha.


– Você já deixou claro que eu sou a pessoa que quer usar para atingir minha mãe. Eu posso ter cara de ingênua, Demetria, mas eu não sou tão inocente assim. No dia da perseguição o seu primo teve inúmeras oportunidades de bater no carro da minha mãe com tudo, e no entanto ele não fez isso. Quando eu fui até onde minha mãe estava e liguei para ela, o estado de nervosismo dela piorou dez vezes, você conseguiu o que queria, que era atingir a ela usando a mim. Você sabia que eu iria me meter, não é? – ela assentiu antes mesmo que eu pudesse dizer algo – Eu sempre me meto em tudo.


– Já vi que preciso mudar minha tática com você. – concordei antes de virar-me de costa para ela – Eles me trataram relativamente bem. No bolso direito tem um isqueiro, no meu casaco tem um maço.


– Eu não fumo. – o semblante franzido que vi começar a se formar antes de virar estava deixando-a ainda mais sexy do que antes –


– É para mim. – disse como se fosse óbvio –


– Você não pode fumar na sala do delegado.


– Meta a mão nesse maldito bolso. – dei um pequeno passo para trás –


– Direito? – assenti e senti que os dedos dela começaram a deslizar delicadamente pelo tecido, demorando mais do que o necessário para achar o pequeno objeto perdido no fundo do bolso –


– Deixe isso com você, vamos me livrar logo dessas malditas algemas. – ela olhou-me desconfiada – Vamos lá... Não estou armando. O que eu poderia armar com um isqueiro e cigarros? É sério, eu juro.


– Prove.



Olhei-a nos olhos em silêncio, sabendo que naquele momento eu estava livre de máscaras e farças que há muito pareciam cobrir meus olhos, evitando que qualquer um pudesse me conhecer a fundo. Selena não precisava me olhar nos olhos para entender cada atitude minha, e já havia provado aquilo com o discurso de minutos atrás onde descreveu para mim exatamente o que eu havia planejado com a perseguição. Ouvi-a suspirar antes de guardar o maço e o isqueiro em seu próprio bolso e bater três vezes com os nós dos dedos contra a porta de madeira escura.



– Será que você pode ficar em silêncio enquanto eu negocio?


– Se esse filho da puta não vier me falar as mesmas coisas idiotas que todos falam sempre eu acho que consigo ficar em silêncio.


– Ele não vai ter tempo para dizer nada além de: perdoe meus oficiais.



Como ela poderia ser tão auto-confiante quando o assunto era lei e ao mesmo tempo ter tanto medo de uma simples garota de 18 anos como eu? Sorri fraco ao pensar no efeito que tinha sobre ela e olhei para a figura feminina de perfil ao meu lado. Eu não poderia baixar a guarda com aquela mulher nem um segundo, ou ela entraria na minha vida como um furacão, devastando todas as coisas que eu julgava “estáveis” até o momento em que nos conhecemos. Surpreendentemente, algumas das minhas paredes já não eram assim tão estáveis perto dela. Ao adentrar a sala extremamente iluminada, avistei um homem de aparentemente 50 e poucos anos, cabelos grisalhos, a barba também grisalha arranhando a face, um óculos quadrado com haste pretas apoiado no nariz, no peito um pequeno distintivo com o nome. Romney. Ele encontrava-se sentado em uma cadeira de frente para uma mesa com milhares de papéis espalhados por ela. Os olhos estreitaram ao olhar-me diretamente e em seguida desviou o olhar para Selena.



– Delegado Romney, é um prazer. – ele levantou-se de sua mesa presunçosamente e caminhou até nós com passos lentos – Sou Selena Gomez. – ela esticou a mão para ele, que apertou-a formalmente – Gostaria que desse ordem aos seus homens para soltar Demetria.


– Filha de Mandy. Não sabia que viria. Por que eu faria tal idiotice? Essa aí ordenou que a sua mãe fosse assaltada e seqüestrada. Graças aos meus homens os assaltantes não obtiveram sucesso. – os dedos gordos que mais pareciam salsichas giravam uma caneta –


– Em primeiro lugar, delegado Romney, com todo o respeito? “Essa aí” tem um nome, e se chama Demetria. Em segundo lugar, Demetria nem sequer sabia que minha mãe havia sido assaltada, e em terceiro, ela não foi a mandante desse assalto. – olhei-a de relance quando senti o toque da mão delicada contra o alto da minha costa –


– Como sabe disso? – o olhar debochado não desapareceu do rosto do homem –


– Tenho meus contatos, delegado. Vocês não tem prova alguma contra essa garota, e eu exijo que ela seja solta agora mesmo. – a voz subiu uma escala, a veia do pescoço dela estava visível devido ao grau de irritação ao qual o delegado estava levando Selena –


– E quem você pensa que é? – cruzou os braços comodamente na altura do peito –


– A advogada dela!



A minha reação foi incrivelmente parecida com a do advogado.



– O que? – perguntamos em uníssono – Selena, não precisa fazer isso. – coloquei-me de frente para ela – Já está indo longe demais.


– Deixe ela, Demetria. – a voz grave soou próxima ao meu ouvido, aquilo me irritou – Vou adorar ver a pequena Selena afundar a carreira dela por uma vagabunda nova como você.



Antes que meu cotovelo atingisse o rosto do homem, Selena estava com os braços envoltos na minha cintura puxando-me para trás. Conforme eu me debatia parada no mesmo lugar, ele ria em alto e bom tom como que para provocar ainda mais a minha ira e a mulher atrás de mim apertava-me com ainda mais força, lutando contra meu corpo para que eu não conseguisse avançar e acabar com a cara daquele delegado maldito.



– Demi, se você encostar um dedo nele, a lei permite que você seja presa por agressão. Dá pra você manter a sua maldita cabeça no lugar por um segundo e tentar me ajudar a resolver a sua vida? – em segundos eu já estava completamente livre do "abraço" dela, porém continuei parada no lugar – Se você quiser ser presa, faça como quiser. Eu estou tentando ajudar.



Puxei o ar através da minha boca, soltando o mesmo pelo nariz provocando um som alto de insatisfação. A chave da algema já estava na mão de Selena, e ao livrar-me da mesma, ela fez questão de deslizar o indicador quente ao redor do meu pulso numa tentativa falha de amenizar as marcas vermelhas que o aperto do aço causou. Parei para analisar a situação com calma, e percebi que ela estava certa em não me deixar acertar o rosto do delegado. Como pessoa eu poderia não conhecer nada daquela mulher, mas profissionalmente falando ela estava se tornando um monstro. Uma ótima advogada, com certeza.



– Perdoe meus oficiais. Nos vemos em algum tribunal por aí, Gomez. – um cigarro habitava os lábios quase nulos do delegado –


– Reze para que não.

Notas finais
revie-ews?