Criminal.
9 Capítulo 9: Faking.
Notas iniciais
Point of view: Demetria.
O pirulito que habitava minha boca a alguns minutos estava começando a se desfazer, mas antes mesmo que o fato chegasse a se concretizar, joguei-o fora e coloquei outro na boca. O simples gesto de me concentrar no doce me permitia esquecer que dali a alguns minutos eu estaria vestida como uma mulherzinha fútil com um vestido Gucci e uma bolsa Prada no ombro. Eu odeio bolsas. Eu odeio vestidos. Eu odeio saltos. Olhei rapidamente para o meu corpo apenas para me certificar de que eu estava realmente muito confortável com meu short jeans e baby look preta. Estiquei o olhar até a porta do meu quarto, onde minha mãe apontou com um olhar de preocupação.
- Veio para ficar? – deu passos curtos enquanto caminhava lentamente –
- Não. Vim buscar esse lixo que vocês adoram chamar de vestido, tenho um encontro com Selena em uma hora. – dei espaço para que ela sentasse na cama –
- Selena é a sua advogada? – assenti – Ela sabe o que está fazendo?
- Selena me conhece como ninguém. – minha voz soou embolada devido ao fato do pirulito estar novamente dentro da minha boca – A mãe dela foi quem me condenou.
- Deus! Essa menina é tão inconseqüente como você. – eu sorri debochada – Espero que ela tenha sorte e não seja expulsa de casa.
- Se isso acontecer, trarei ela para morar aqui. Resolvido. – levantei-me da cama e retirei toda a roupa, colocando o vestido desconfortavelmente curto – O tipo de filha que você sempre desejou que eu fosse: linda, vaidosa, um sorriso bonito, olhos expressivos, inteligente, estudiosa, comprometida, determinada e santa. Uma estúpida, para dizer a verdade, mas é a estúpida que todos os pais querem. – revirei os olhos –
- Você reparou na forma como a descreveu? – senti os dedos delicados da minha mãe deslizarem através do meu vestido até fechar o zíper por completo – “Linda, vaidosa, um sorriso bonito, olhos expressivos, inteligente, estudiosa, comprometida, determinada e santa.” Quantas qualidades em uma frase só, Demi. É demais até mesmo para você.
- Estou tentando te convencer a aceitá-la caso algo de errado aconteça. – dei de ombros com o vestido devidamente arrumado em meu corpo –
- Por que não levá-la para a casa onde fica com seus primos? – virei para ela com o semblante ironizado e sorri, retirando o pirulito da boca –
- Acha mesmo que quero alguém como ela atrás de mim? – dei uma risada alta – Eu já consegui meu lugar no inferno, não preciso fazer caridades para tentar ganhar uma nuvem no céu.
Abri a janela apenas para ter a constatação de que a idéia do vestido estava sendo dispensada. A chuva parecia aumentar a cada segundo fora do quarto, e a janela embaçada deixava a sensação de frio invadir o ambiente artificialmente quente por conta do aquecedor instalado próximo a minha cama. Meus ombros caíram e caminhei até o closet onde algumas roupas mais quentes ficavam guardadas. Retirei de lá uma calça jeans preta com alguns rasgos em ambas as pernas, uma camiseta branca completamente lisa e um colete branco com contornos e detalhes pretos. Nos pés, uma sandália com um salto exageradamente alto, enfeitado com spikes. Rezei por minutos para que não acabasse o dia com uma torção em algum dos meus tornozelos. O último lance de escadas denunciou minha descida, e o ranger do meu salto contra o piso de madeira irritou meus ouvidos, me fazendo soltar um palavrão em voz alta que chamou a atenção do meu pai.
- Onde você vai assim, Demi? – franziu a testa ainda mais ao observar meu cabelo – E quando foi exatamente que você pintou o cabelo de loiro?
- Quando você vai aprender a simplesmente me deixar de lado como Dianna faz? – parei já na porta de saída da casa – Se quer saber onde eu vou e o que faço, não deveria ter me dado tanta liberdade. Além do mais, você apóia isso a partir do momento em que me dá uma mesada de milhares de dólares. Eu não sou uma drogada, nem uma alcoólatra e muito menos uma prostituta.
- Você é uma criminosa. – balançou a cabeça em tom negativo – Não vejo nada de bom nisso.
- Eu vendo drogas e armas, e tudo bem se você é contra isso, mas só para ficar ciente, a sua vida está a salvo por minha causa.
Saí antes mesmo que ele ou minha mãe tivessem tempo de dizer/perguntar algo. Liguei para uma cooperativa de táxi e permaneci debaixo de uma árvore tentando inutilmente cobrir meu corpo com os galhos e folhas da mesma. Quando o taxi parou eu já estava completamente molhada. Percebi alguns olhares do motorista na minha direção, e algumas vezes sorrisos pervertidos surgiam no rosto do mesmo.
- O que você está olhando? – ergui apenas uma de minhas sobrancelhas, a esquerda –
- Você é uma mulher muito bonita.
- Não acha que sou demais para você? – meu cenho franziu-se automaticamente –
- Depende... Eu tenho o que você gosta, você tem o que eu quero.
- Eu sinto muito decepcioná-lo, mas... – inclinei-me para frente deixando minha boca bem próxima ao ouvido dele – Você não é o meu tipo de brinquedo favorito. Eu gosto de armas, drogas e mulheres. Você entende, não é?
- S-sim.
O olhar de reconhecimento que me foi lançado me fez sorrir e piscar para ele através do espelho retrovisor. Ao chegar na casa de Selena, joguei uma nota de cem dólares para ele e saí ignorando os gritos de “o troco” que me eram dados. Olhei-me ainda uma última vez para me certificar de que tudo estava no lugar e toquei a campainha, esticando meu corpo na ponta dos pés para conseguir ver dentro do quintal da casa. Quando Selena me ligou a uma semana atrás pedindo que eu fosse até lá o mais rápido possível, achei que ela possivelmente estava ficando louca. Eu mataria Mandy se fosse até lá. Mas então, antes mesmo que eu começasse a pensar nisso, a mais velha cortou minhas esperanças: a juíza estava viajando e passaria um mês fora. Ainda não seria daquela vez. A figura feminina atravessou o quintal como um raio e em poucos segundos o portão estava aberto para que eu entrasse. Apenas um guarda chuva a protegia, e eu não tinha a menor intenção de ficar tão próxima dela. O meu plano parecia estar dando certo, e eu precisava continuar agindo com indiferença até ela estar completamente apaixonada. Partir o coração daquela garota seria extremamente prazeroso.
- Você pintou o cabelo... – a afirmação veio depois de alguns olhares – Ficou bom.
Ignorei a observação apenas para deixá-la observar todo o resto. Um suspiro se seguiu quando Selena examinou todo o meu corpo, minha roupa e parou novamente no meu rosto.
- Você está linda.
Permaneci olhando para ela como se esperasse algo mais, e ela voltou a suspirar.
- Eu só trouxe um guarda chuva, não sabia que era você. Se quiser podemos dividir.
- Por que você não vai até lá e pega um para mim?
- Vai acabar dando no mesmo. Você vai se molhar enquanto me espera.
- Você pode me deixar com o seu, eu aceito.
Ao esticar minha mão para tocar o objeto, o rápido contato de nossas peles fez com que ela vacilasse por alguns segundos e o guarda-chuva tocou o chão lentamente, me permitindo ver com clareza o rosto de Selena. Ela estava com uma calça preta colada ao corpo, e por cima da mesma usava um vestido de mangas compridas também na cor preta. Um cinto preso a cintura acentuava a marca do quadril. Precisei respirar fundo para não agarrar Selena ali mesmo, no quintal.
- Quer saber? Vamos acabar logo com isso. – peguei o objeto do chão, entregando-o de uma forma bruta para ela –
- O dia mal começou e você já está irritada.
- Não vim aqui para discutir sobre o quanto eu estou bonita ou sobre o quanto os seus olhos me desconcertam. – admiti ao ver os olhos dela tomarem um tom bem claro parecido com topázio – Porque eles me desconcertam. Eu estou aqui para falar com uma advogada. Eu sou séria, apesar de tudo. Você é, Selena?
A expressão um tanto quanto perdida tomou conta do rosto bonito da mulher próxima a mim. Os olhos dela estavam absurdamente bonitos e brilhantes naquele dia, ela deveria estar com algum tipo de lente de contato pois eles estavam bem mais claros do que o habitual. Ela segurou o guarda-chuva próximo ao corpo e começou a caminhar em silêncio enquanto eu a seguia, não conseguindo evitar de olhar o rebolado do quadril durante o percurso. A porta de madeira maciça se abriu, deixando visível uma enorme sala de piso e móveis brancos, e um piano aberto com alguns papéis soltos sob a tampa e as teclas. Ao aproximar-me do mesmo, percorri as letras rosadas contornadas com pequenas pedrinhas que pareciam brilhantes. Sel Gomez.
- Você toca? – peguei uma das folhas reconhecendo o nome nela –
- Toco. Mas não estamos aqui para saber se eu toco. Você quer falar com a sua advogada.
- Eu dou as ordens. – sorri forçadamente e apontei para o banco posicionado próximo ao piano – Toque.
- Como assim? – o rosto ganhou mais cor –
- Toque. O que estava tocando antes de eu chegar.
Permaneci de pé ao lado do enorme piano branco enquanto Selena parecia tomar coragem para começar a tocar. A folha foi colocada na vertical em um local onde ela conseguia ver todas as notas ali e lentamente os dedos longos começaram a dedilhar cada tecla, arrancando do instrumento um som que chegou suave aos meus ouvidos. Antes mesmo que eu pudesse dizer algo, outro som pareceu confundir e sacudir todas as estruturas do meu corpo, me fazendo sair do ar por alguns segundos. Ela estava cantando, e a voz dela era tão sexy e doce que parecia um leve ronronar massageando meus tímpanos. Fechei os olhos me deliciando com a sensação de paz que me estava sendo dada por aqueles poucos minutos. A música que ela entoava era Crush, do David Archuleta. A última frase da música foi cantada com a voz mais baixa e fraca antes que um olhar tímido me fosse dado. Eu sabia que aquela música estava sendo cantada para mim.
- Você já fez aulas de canto? – ergui a sobrancelha esquerda –
- Já, durante quatro anos.
- Sua voz é bonita. – elogiei ainda com o olhar fixado nela –
- Obrigada.
Olhei para Selena ainda mais algum tempo antes de dar-me conta de uma coisa. Se eu queria que a garota se apaixonasse por mim, eu deveria dar indícios de que estava apaixonada pela mesma, e então me dei conta de que estava fazendo tudo errado.
- Venha até aqui. – chamei-a em voz baixa, ela me lançou um olhar desconfiado – Vamos lá, Selena. Não precisa ter medo, acho que já percebeu que não vou te fazer nada.
- Esse é o meu medo. – quando ela ficou de pé, meu corpo arrepiou-se por completo, ela estava muito sexy –
- Eu não acho que consiga fazer nada de ruim contra você quando me olha desse jeito. – menti –
- Isso faz parte do seu jogo, não é? – senti-a suspirar quando colei nossos corpos – Aproveita o que puder de mim e depois vai embora, some por uma semana, duas, um mês. Eu não deveria deixar isso acontecer.
- E por que deixa? – enquanto minha mão direita segurava a cintura fina com delicadeza, a esquerda colocava uma parte do cabelo dela atrás da orelha –
- Eu não sei. Talvez uma parte de mim ache que você pode desistir dessa vingança por... – ela silenciou por um tempo –
- Por? – incentivei, deslizando meus dedos pela lateral do rosto pálido –
- Esqueça, isso não vai acontecer. – os braços dela continuaram caídos ao lado do próprio corpo –
- Diga. – fiz com que nossos olhares se encontrassem –
- Por mim.
Dei um sorriso fraco da forma mais sedutora que encontrei no momento e mantive nossos olhares presos por um tempo. No fundo daqueles olhos agora já com a cor habitual de chocolate eu conseguia ver uma ponta de sentimento, e aquilo me fez sorrir ainda mais forte de satisfação. Eu estava conseguindo exatamente o que queria.
- Você tem noção do quanto é linda? – percorri a sobrancelha larga com meu indicador antes de segurá-la pelo queixo –
- O que você quer, Demetria? – num movimento brusco ela virou o rosto para o lado, mas não conseguiu afastar nossos corpos –
- Quero que você olhe para mim. – pedi – Você é linda demais, Selena.
- Certo, obrigada. Podemos começar?
- Teremos tempo para isso daqui a pouco. – segurei-a pela cintura com as duas mãos –
- Será que você pode parar? – minhas mãos começaram a ficar mais frouxas –
- Por que? Você não quer? – fingi chateação, eu não estava nem aí para o fato dela querer ou não –
- Eu não sou seu brinquedo.
A determinação na voz dela me fez morder meu próprio lábio inferior antes de deixar que ela se afastasse. Ao se sentar no sofá, cruzou as pernas e apoiou nas mesmas uma boa quantidade de papéis que eu não fazia idéia do que eram.
- Eu não sei exatamente o que nós estamos fazendo já que você está solta e ninguém mais está te procurando. – ela guardou todas as folhas dentro de uma pasta transparente – Mas esses documentos são importantes, e essa conversa também será. Eu preciso te avisar que por não ser formada eu só posso cuidar de pequenas causas, ou seja... Se você for presa acusada de homicídio eu não poderei fazer nada por você, então tente não matar ninguém. – ela foi clara nesse momento – Mas quanto a acusações sem provas de assaltos, ameaça e etc. eu posso ajudar. Por enquanto é o máximo que a lei me permite. Eu só preciso que você seja sincera, assim eu terei tempo de correr atrás de algum advogado de defesa caso a coisa fique mais séria.
- Por que você está tentando me ajudar? – sentei-me ao lado dela apoiando a cabeça na mão –
- Não sei. Não faça perguntas difíceis. – desviou o olhar dos papéis para olhar em minha direção –
- Eu matei um homem. Um policial, para ser mais sincera. – dei de ombros – Mas ninguém vai descobrir isso, nunca. Nick e Joe conseguiram um acordo com os policiais que rondam nossa área e agora eles também tem participação no dinheiro do tráfico. Para nós não faz diferença nenhuma, mas para aqueles porcos imundos qualquer dólar a mais é negócio.
- Você matou um homem? – os olhos dela ganharam novamente a cor de topázio –
- O que está acontecendo com a cor dos seus olhos? – aproximei ainda mais o rosto do dela –
- Eu estou usando lentes que mudam de cor conforme a luz. – abriu ainda mais os olhos como que me permitindo observar melhor –
- Você precisa aprender a ser mais centrada. – afirmei – Não percebeu como mudei de assunto sem responder sua pergunta.
- Foi uma pergunta retórica, todos fazem isso. – ela suspirou – Céus, eu estou com algo muito maior do que pensava nas mãos. Vou procurar Jean-Paul Metin e manter o mesmo informado sobre o caso.
- Já ouvi falar dele. – me contorci no sofá, estava sendo difícil manter a pose de uma garota tranqüila para Selena –
- Um ótimo advogado de defesa.
- Eu preciso fumar, pelo amor de Deus. – fiquei de pé me mantendo equilibrada no salto com dificuldade –
- Vou buscar um cinzeiro.
O movimento circular que Selena fazia ao andar simplesmente contribuiu para que o meu grau de estresse fosse a 100. Se antes eu estava irritada por ter que fingir ser algo que não sou e estressada por ter que agüentar todo aquele papo sobre advogados, agora eu estava irritada, estressada e sedenta por um beijo. Quando Selena voltou de um cômodo que julguei ser a cozinha eu já estava devidamente posicionada de pé ao lado do piano branco aguardando-a com um meio sorriso no rosto. O cinzeiro feito de cristal reluzente foi calmamente colocado sob o instrumento antes que nossos olhares se encontrassem e uma corrente elétrica pareceu atravessar toda a sala em questão de segundos. Minhas duas mãos apertaram de uma forma firme a cintura da mulher a minha frente e puxei-a ao meu encontro, provocando um choque entre os corpos. Antes que tivesse tempo para pensar, Selena já estava sentada sob a tampa do instrumento branco com ambas as pernas presas ao redor da minha cintura.
Os dedos da minha mão esquerda roçaram de leve a pele macia e delicada da cintura fina enquanto que simultaneamente os dedos da minha mão direita puxavam de uma forma bruta o cabelo bem escovado da mulher que naquele momento já estava completamente entregue. Uma marca vermelha já era nitidamente visível na região frontal da garganta, agora ambas as minhas mãos puxavam o corpo de Selena ainda mais para frente e uma mordida forte foi depositada em meu ombro, o que me arrancou um gemido baixo, porém deixou explicita a vontade dela. Meus lábios começaram a explorar sem pressa alguma a região um pouco abaixo da orelha, alternando entre pequenas mordidas e chupões fortes e propositais. Eu não queria nenhum vagabundo ou vagabunda brincando no meu terreno.
Após alguns minutos torturando-a decidi que já era hora de dar o que ela tanto desejava. Percorri a lateral pálida e quente do rosto com traços estranhamente latinos antes de deixar que Selena tomasse minha boca em um beijo quase desesperado, o que me fez sorrir. Saber o quanto ela desejava aquilo foi a constatação de que o meu plano estava funcionando perfeitamente bem, e num movimento de puro instinto eu forcei o quadril dela para trás, apenas para poder arrastar novamente para a frente, simulando um vai e vem. Um gemido rouco foi abafado pelo beijo. Em um movimento rápido, abri o cinto que apertava um pouco acima da cintura de Selena e joguei o mesmo para o lado, puxando o vestido apressadamente para cima, revelando um abdome levemente definido com deliciosos 6 quadradinhos que prontamente foram explorados e contornados com a palma da minha mão, proporcionando a ela um prazer desconhecido para mim. Talvez o ponto fraco dela fosse a barriga.
- Demi... – o gemido soou como música para meus ouvidos – Tem empregados na casa... – alertou –
- Foda-se. – minhas mãos alcançaram o feixe do sutiã, que pareceu me odiar naquela hora –
- Temos o meu quarto a poucos passos daqui...
Quarto. Selena. Mandy. Incrivelmente consegui pensar em uma forma de proporcionar a ela o prazer que queria, e a mim pelo menos um pouco de satisfação. Iria rir bastante depois sabendo que Mandy se deitaria todas as noites em uma cama onde eu já havia transado com a filha dela. Segurei Selena pelas duas coxas, tirando-a de cima do piano e fazendo com que ficasse de pé em minha frente. Eu não teria força e nem equilíbrio para carregá-la escada acima com aqueles malditos saltos gigantes que me sentia obrigada a usar para parecer “formal” e séria. Sem deixar que ela estivesse alerta para a situação, voltei a beijá-la de uma forma ainda mais intensa e profunda, segurando-a com uma mão pela nuca, e, com a outra, apertava firmemente a coxa coberta apenas pela calça. Abri rapidamente os olhos tentando adivinhar qual porta era a certa e numa jogada de mestre escolhi a última porta do corredor, que foi aberta revelando milhões de coisas as quais não dei a menor atenção. Tudo o que me importava era o fato de ser o quarto de Mandy e ter uma cama de casal extremamente grande que atenderia a todas as necessidades da pequena e inocente Selena. O ranger da porta ao ser fechada fez com que a mulher entre meus braços terminasse o beijo e afastasse nossos corpos alguns poucos passos, o suficiente para que eu mesma retirasse meu colete e camiseta, partindo em seguida para aqueles malditos saltos agoniantes.
- Esse não é o meu quarto. – piscou diversas vezes passando a mão pelo cabelo –
- Quem se importa, Selena? – aproximei-me novamente encostando nossos corpos já parcialmente despidos –
- É a cama da minha mãe, Demi... – fez charme –
- Vamos lá, Sel... – minha voz soou derretida enquanto prendi o lóbulo da orelha direita da garota entre os dentes – Quer mesmo procurar outro lugar agora?
O cair dos ombros me fez perceber que ela estava começando a ficar um tanto quanto chateada com a percepção do meu possível “jogo.” Levei minhas mãos sem pressa até os ombros tensionados, começando uma massagem que aos poucos desfez cada nó presente na costa branca.
- Por que faz isso comigo? – perguntou de olhos fechados –
- Não posso me impedir de te querer, Selena.
- Você não me quer. Você quer sexo e vingança, e isso ficou explícito agora. Eu é que fui tola por acreditar que havia algo mais.
Maldita Selena. Por que sempre tão esperta? Respirei fundo antes de vestir novamente minha roupa e pegar em meu bolso traseiro uma carteira com meus cigarros e um isqueiro, levando um tubo branco até a boca e acendendo-o em seguida antes de jogar a carteira sob a cama e fumar em silencio parada no mesmo lugar. O olhar atento de Selena não me deixava. Andei até a cama, sentando-me na beirada da mesma ao lado dela.
- Você está bem? – perguntei entre uma tragada e outra ao sentir o indicador dela percorrendo a linha da minha coluna –
- Gostaria que estivesse aqui por mim e não pela minha mãe. – admitiu antes de deixar que o peso do corpo relaxasse na cama –
- O quanto disso é carência e o quanto é sentimento? – meus ombros caíram com a leve massagem e me inclinei poucos centímetros para a frente, apoiando meus cotovelos nos joelhos –
- Não vamos falar sobre uma coisa que eu gosto de cultivar e você não, Demi. – a massagem cessou e percebi o peso ao meu lado desaparecer –
- O que? – levantei-me junto, seguindo-a através do corredor –
- Sentimentos.
Então ela tinha sentimentos por mim? Bingo! Contive um sorriso maldoso com muita dificuldade, não querendo deixar em Selena qualquer tipo de desconfiança. Era difícil me manter como a garota que havia mudado? Sim, mas todo o esforço valeria a pena no futuro quando o coração de Selena estivesse partido e Mandy estivesse sofrendo junto com a garota a maior decepção amorosa de sua vida. Perdida entre pensamentos, despertei com a voz alta de Selena ecoando no quarto.
- Como vai ser?
- Hum? – virei-me lentamente –
- Preciso sair, vou me encontrar com algumas amigas.
- Eu já estou indo.
Desci as escadas sem pressa alguma ainda comemorando a notícia de que os sentimentos que eu tanto desejava despertar nela já estavam ali, e uma vez que já temos uma faísca, basta jogar álcool e esperar que o incêndio comece. Parei na porta de saída quando Selena abriu a mesma e puxei a garota pela cintura com ambas as mãos, roçando nossos lábios lentamente antes de permitir que minha língua invadisse e explorasse cada canto da boca quente, receptiva e extremamente deliciosa dela. Quando os braços envolveram-se em meu pescoço e um suspiro foi abafado contra minha boca, caminhei novamente para dentro da sala fechando a porta com meu pé direito ao mesmo tempo em que guiava Selena de costas até o sofá mais próximo, sentando-a no braço do mesmo. Encaixei-me entre as pernas dela dessa vez não deixando a boca da mesma livre por um segundo sequer para que ela não tivesse a oportunidade de me travar com palavras. Senti os dedos quentes subirem por dentro da minha camiseta arranhando com força toda a extensão da minha costa e suspirei quando um arrepio fez com que nossos corpos tremessem um contra o outro.
Enquanto uma de minhas mãos prendia o cabelo macio e cheiroso, a outra explorava cada centímetro da pele alva que naquele momento sim, me parecia completamente entregue. Deixei que a própria Selena estivesse a vontade o suficiente para tirar a própria roupa e quando senti que a mesma lutava contra o próprio corpo para tirar a camiseta, terminei o trabalho por mim mesma, me surpreendendo por dessa vez ela estar sem sutiã. Segurei a coxa de Selena, arranhando-a com violência antes de me encaixar de uma forma melhor no corpo da mulher e com a mão livre comecei a abrir o short preto me perguntando em que momento ela haveria trocado de roupa sem que eu notasse. Em um movimento rápido, Selena livrou-se do próprio short e começou a morder com força o lóbulo de minha orelha para logo em seguida distribuir chupões pela lateral do meu pescoço. Toquei com o indicador e dedo médio o ponto pulsante ainda por cima da calcinha e instantaneamente recebi um gemido como resposta, o que me fez perder a concentração e retomar os sentidos momentos depois quando ela já investia em um rebolado lento porém forte contra minha mão.
Antes de acabar com a tortura da mais velha, fiz com que ela pedisse.
- O que você quer, Selena? – sussurrei –
- Demi... – gemeu contra meu ombro –
- Diga.
- Eu quero você. – sussurrou de volta com certa dificuldade –
Percebi que talvez ela fosse tímida demais para dizer o que eu queria ouvir com todas as letras e ainda não era o momento de forçar tantas coisas ao mesmo tempo. Retirei com dificuldade o último pedaço de pano que me separava do que nós duas tanto desejávamos e ajoelhei, começando a exercer certa pressão no mesmo local onde antes meus dedos massageavam, enquanto os mesmos deslizavam em um ritmo lento para dentro de Selena, arrancando gemidos altos e roucos correspondentes a cada movimento um pouco mais forte e rápido que era dado. No momento em que senti-a movimentar o quadril para frente e para trás no sentido contrário ao meu, coloquei ainda mais pressão com a língua no local. Não demorou muito mais até que as unhas de Selena estivessem cortando a pele de meus ombros e costa como laminas extremamente afiadas, e antes que eu pudesse prever, um quase grito rasgou a garganta da mesma, preenchendo a sala e com certeza uma boa parte do andar de baixo da casa. Abracei-a rapidamente quando o corpo amolecido começou a escorregar, amparando-o até que ela conseguisse recobrar os sentidos por completo.
- Acho que você está uma hora atrasada. – coloquei a franja que caía sobre os olhos num tom de chocolate escuro atrás da orelha –
- É... Tomara que elas ainda estejam esperando. – suspirou –
- Quer que eu te leve até lá? – juntei todas as roupas espalhadas pela sala, entregando-as a Selena, que recebeu com um sorriso –
- Não vi seu carro. – franziu a testa ao saltar do sofá e se vestir –
- Não vim de carro, mas vou em casa buscar minha moto enquanto você se arruma. Outra vez. – sorri –
- O seu sorriso é tão bonito... – contornou meus lábios com a ponta do indicador –
Pisquei para a mesma antes de selar nossos lábios já na porta de saída e atravessei o gramado correndo. Mal podia esperar para contar aos meus primos o meu novo feito. Ter Selena Gomez na palma da mão era a única coisa que eu precisava para conseguir o gosto doce da vingança, e a garota estava caindo como a verdadeira tola que era.
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