Criminal.
16 Capítulo 16: It's over now.
Notas iniciais
PS - Tô pensando em postar uma fic Achele/HeYa, alguém leria? ;)
Point of view: Selena.
Após muito esperar e pedir, resolvi ir até a casa dos pais de Demi onde a mesma estava ficando há quase um mês desde que eles estavam em uma viagem de negócios por uma boa parte da Europa. Era um sábado de manhã quando desci do meu quarto tentando conter um sorriso torto que logo escapou ao ver que minha mãe estava sentada a mesa com o jornal diário nas mãos observando atenta alguma notícia através dos óculos de hastes pretas que pendia sob o nariz. Chamei a atenção com um leve pigarro e os olhos atenciosos viraram em minha direção e logo o sorriso apareceu.
- Bom dia mãe. – aproximei-me dela beijando a face direita do rosto antes de sentar-me ao lado dela – Dormiu bem?
- Melhor impossível. Só Deus sabe como eu estava sentindo falta da minha cama! – a risada muito parecida com a minha preencheu o ambiente – E da minha filha também. De quem foi a idéia de tanto colorido no cabelo? – franziu a testa –
- Miley! Ela disse que iria ficar legal e ficou mesmo. – puxei a bandeja com morangos para mais perto e levei um até a boca –
- Ficou linda. Nada pode estragar esse rostinho de princesa que você tem, meu amor. – beijou-me a ponta do nariz me fazendo fechar apenas um olho e sorrir – Onde vai tão arrumada?
- Encontrar Ashley. – contei a mentira já ensaiada – Mas vou voltar antes de ficar escuro, prometo.
Mentir para a minha mãe era quase como me jogar na frente de um caminhão e acreditar que não sairia com muito mais do que arranhões. Ela SEMPRE descobria de uma forma ou de outra que eu estava mentindo, e eu tinha certeza de que precisava mentir muito bem dessa vez para não causar uma confusão quando minha mãe descobrisse sobre o meu namoro com Demi. Suspirei ao pensar nela e não pude conter o sorriso que tomou meu rosto. Conforme seguia em passos lentos na direção da enorme casa branca , pensava sobre o meu relacionamento com a dona do cabelo loiro com cheiro de morango. Eu ainda estava um tanto quanto insegura e não queria me entregar completamente, mas pensar no sorriso largo e estranhamente branco fazia meu estomago revirar, deixando uma sensação de nó na garganta que só era desfeito quando eu estava com Demi. Certifiquei-me de que não estava com a roupa desarrumada antes de tocar a campainha uma, duas, três vezes seguidas. Aproveitei que a porta estava entreaberta para entrar na casa enorme e bem decorada um tanto quanto desconfiada. Meu corpo travou na escada quando um som abafado surgiu no andar de cima da casa e aos poucos o estado de choque me atravessou, deixando-me ainda mais paralisada quando o segundo gemido veio, mais alto e mais forte. Aquela voz não parecia em nada com a da mãe da minha namorada e como um estalo, um jorro de informações preencheram minha mente e eu precisei segurar firme no corrimão da escada para não rolar degraus a baixo. Como se tivessem vida própria, meus pés voltaram a mover-se agora quase correndo até a porta do quarto onde me recordo de ter estado da última vez e então o vazio me tomou. Procurei pelo nó na minha garganta. Nada. Procurei pela dor que deveria estar no meu peito. Nada. Procurei pelas lágrimas em meus olhos e eles estavam até úmidos, porém a vontade de chorar não estava. Não havia felicidade, alegria, dor, tristeza, decepção, absolutamente nenhum sentimento. Naquele exato momento eu era apenas um corpo sem qualquer tipo de emoção. Como se o meu espírito estivesse fora do corpo apenas observando a cena.
- O que exatamente é isso?
Desconheci minha voz pela forma fria como soou e permaneci de pé na porta quando a garota loira montada sob a minha namorada levantou lentamente, não muito abalada por ter sido pega em flagrante. Os olhos de Demi fixaram-se em mim enquanto eu apenas permanecia de braços cruzados observando-a com a maior cara de frieza que consegui, ignorando a vontade imensa de voar encima das duas de uma só vez agora que as primeiras pontadas começavam a surgir e pareciam contorcer os ossos do meu peito. Recuei um passo na tentativa de me afastar da cena pois foi a única coisa que me veio em mente quando pensei em afastar a dor quase insuportável. Com lágrimas nos olhos, empurrei ambos os ombros da garota que tentou envolver minha cintura e não lembro em que exato momento reuni forças para entrar no quarto, sentar na cama e dizer com a voz indiferente.
- Será que você pode pegar a pouca dignidade que te resta e sair? Ou se você quiser ficar e assistir todo o estrago que você fez na minha vida, sinta-se a vontade. – sorri falsa para a loira, que deu de ombros e levantou, recolhendo a roupa pelo chão –
Esperei em silencio que a garota acabasse de se arrumar, entretanto toda a racionalidade que eu estava tentando ter acabou quando ela aproximou-se de Demi e selou os lábios da mesma demoradamente, sussurrando algo inaudível. No instante seguinte, os braços da minha namorada estavam tentando quase inutilmente segurar-me contra a parede enquanto eu gritava acusações em italiano para a terceira garota, que apenas desviava dos milhares de objetos que eram lançados na direção dela.
- Stronzo! — minha mão alcançou o controle da televisão que descansava sob a comoda — Zoccolo!
As lágrimas pareciam laminas cortando a pele do meu rosto, os músculos que cobriam a região do meu abdome se contorcendo em pequenos espasmos longos e dolorosos que davam o impulso para a nova onda de lágrimas inundar minha face. Debati-me nos braços de Demi até estar solta e virei para a mesma. Para a minha surpresa, Demi estava engolindo o choro. Abaixei a cabeça escondendo o rosto entre as mãos e encostei-me a parede, deixando por fim toda a dor que tomava as células do meu corpo transparecer em uma explosão de choro.
- Você prometeu. Você jurou que não ia fazer isso. Você mentiu.
*Flashback*
Meu rosto descansava no peito de Demi enquanto um cigarro era finalizado pelos lábios naturalmente rosados. O indicador de minha mão esquerda fazia desenhos aleatórios na barriga nua e incrivelmente pálida enquanto os músculos do meu corpo pareciam se ajustar em seus devidos lugares novamente.
- Demi... – sussurrei com a voz rouca – Promete uma coisa?
- Depende. – senti um leve remexer da parte da garota e mordi meu lábio inferior –
- Promete que não vai me trair... – pedi com uma leve pontada de suplica na voz –
- Eu prometo que não vou te trair. – sorri quando vi que ela havia virado o rosto para mim –
- Ainda tenho medo de que tudo isso seja parte da sua vingança... Não consigo entender como você simplesmente desistiu de tudo por mim. – virei-me na cama para ficar por cima de Demi –
- Você deveria se valorizar mais. – apertou a ponta do meu nariz antes de beijar o local demoradamente – Eu juro que isso não é parte da minha vingança.
- O que você acha de tomarmos um chocolate quente e depois assistirmos algum filme lá na sala? – levantei-me com certa dificuldade pois Demi apertou meu quadril – Vamos sair um pouco desse quarto, por Deus! Estamos aqui há 14 horas.
- Das quais passamos 8 dormindo. – ergueu a sobrancelha ao mesmo tempo em que um sorriso safado surgia no rosto bonito – Não é como se fossemos ninfomaníacas. Eu sou adolescente, meus hormônios estão gritando até quando eu esbarro sem querer no meu próprio corpo.
- Demi... – balancei a cabeça em tom negativo ao ouvir a gargalhada alta, o que me levou a rir também – Que besteira.
- Tudo bem, Sel. Vamos ver a porcaria do seu filme e eu vou acalmar meus hormônios com pipoca. É claro. – cruzou os braços já de pé no canto do quarto –
- Vamos... Não faça essa cara. – pedi segurando o rosto de Demi entre as mãos e selando demoradamente nossos lábios – Você jura mesmo?
- Eu juro... Esquece isso de vingança, traição e tudo mais. Ok? Agora vem comigo.
*Fim do flashback*
- O que eu faço com você? – olhei diretamente nos olhos castanhos que estavam avermelhados e úmidos –
- Você vai terminar comigo? – a voz embargada quase soou verdadeira para mim, porém minha risada alta abafou o primeiro soluço do choro mudo – Selena, por favor...
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