Criminal.
15 Capítulo 15: Change.
Notas iniciais
Point of view: Demetria.
Senti um certo incomodo em meu rosto e abri os olhos lentamente, cerrando-os em seguida ao constatar que o incomodo partia dos raios de sol que preenchiam todo o quarto. O lençol de seda branco moveu-se lentamente quando sentei-me na cama e estiquei os braços acima da cabeça. Olhei para o lado constatando que Dianna ainda dormia e tentei não fazer movimentos bruscos para não acordar a garota que não se moveu um milímetro da posição. Desviei o olhar para a barriga da mesma na intenção de apenas constatar que ela estava viva e sorri fraco quando o movimento da respiração fez o lençol se mover. Procurei pelo quarto pela minha camiseta e vesti a mesma, aproveitando que ainda estava de calcinha para ir até o banheiro. Olhei-me no espelho percorrendo com o indicador o hematoma roxo em meu pescoço e sorri quando as lembranças da noite passada começaram a passar bem vivas em minha memória. Dianna e eu estávamos assistindo ao jogo dos Yankes na casa dos meus pais, que por acaso estavam viajando, quando o time escolhido fez o último ponto e derrotou o adversário em uma vitória maçante. A loira pulou em comemoração e acabou sentada em meu colo, com os lábios colados aos meus. Olhei no relógio de cabeceira poucos minutos antes de pegar no sono e os números verdes indicavam 03h50min. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo com um prendedor branco que encontrei encima da pia e depois de estar completamente acordada, voltei até o quarto e abri a janela devagar, percebendo que Dianna começou a movimentar-se preguiçosamente no colchão e virou de costas para a fonte de luz. Dei alguns passos até a garota e retirei uma parte do cabelo loiro que cobria a lateral do rosto.
- Di... – sussurrei com a boca próxima ao ouvido da mesma, sentindo a garota se encolher –
- Oi... – mordi o lóbulo da orelha da mesma ao receber o resmungo como resposta –
- Não acha que já passou da hora de acordar? – percorri a pele macia com os lábios até depositar uma mordida no pescoço quente – Já são quase onze horas.
- Só mais cinco minutos. – pediu com o timbre rouco ainda de olhos fechados –
- Vou descer e preparar o café. Se não descer em cinco minutos eu enfio a mão na sua cara. – ameacei já levantando e seguindo na direção das escadas –
Ainda descendo os primeiros degraus pude ouvir a voz sensual gritar “Prefiro que enfie a mão em outro lugar” e sorri, balançando a cabeça em tom negativo. Peguei meu celular que descansava sob a mesa da cozinha e toquei a tela do mesmo, suspirando fundo quando vi diversas ligações perdidas de Selena e duas de Nick. Resolvi retornar logo as ligações da minha “namorada”, caso contrário ela passaria o dia inteiro me dando um gelo e eu estava completamente sem paciência para agüentar as infantilidades e exigências dela.
- Alô. – a voz suave preencheu a linha –
- Bom dia amor. – disse enquanto enchia uma xícara de água e colocava na cafeteira –
- Oi Demi. – suspirou aliviada – Até que enfim.
- Estava com saudade? – depois de colocar a segunda xícara de café no recipiente, peguei o pote com o pó e despejei duas colheres cheias no reservatório –
- Estava preocupada! Você não pode sumir assim menina! Está tudo bem? Você tomou um tiro ou o que?
- Eu dormi assistindo o jogo dos Yankees, só isso. – ri da preocupação idiota de Selena – O dia em que eu for pega pela polícia outra vez você será a primeira a saber. Eu tenho direito a um advogado, não tenho? – sorri e mordi meu próprio lábio inferior –
- Se você for pega pela minha mãe, seu único direito será apodrecer na cadeia. – a risada divertida de Selena me fez rir também – Eu estou com saudade.
- Eu também. – disparei no automaticamente sentindo minha voz falhar por alguns segundos – Estou atrapalhando sua aula?
- Não me importo de perder uma aula se for para ouvir sua voz. – fechei os olhos e respirei fundo tentando entender o motivo que me levou a tremer quando ouvi a frase – Demi?
- Acho melhor você voltar para sua aula antes que chamem sua atenção por estar falando no celular. O que acha de almoçarmos juntas hoje? – mordi meu próprio lábio inferior –
- Bom. Vou estar te esperando na porta as 14:30 então, certo?
- Certo meu amor. Até mais tarde. – senti que estava sendo observada e virei para a porta da cozinha, deixando escapar um sorriso ao ver Dianna encostada no portal sorrindo –
- Até.
Finalizei a ligação e abandonei meu celular sob o móvel da cozinha antes de caminhar com passos lentos na direção da loira ainda sorridente observando-me com a expressão calma.
- Me traindo na minha frente? – selou nossos lábios antes de envolver minha cintura com os braços e esconder o rosto em meu pescoço – Bom dia Demi.
- Bom dia Di. – meus dedos percorreram a costa nua da garota até estarem devidamente presos no quadril da mesma – Dormiu bem?
- Com algumas dores pelo corpo, mas bem. – ergueu a cabeça e lançou-me um sorriso provocante – Ainda são onze horas, temos umas duas horas até você ir encontrar sua cobaia humana.
- Você não cansa? – dei uma risada antes de encher as duas xícaras com o café e pegar o pote de açúcar sob o móvel –
- Eu estou meio viciada em você. Não posso fazer nada. – deu de ombros enquanto despejava o açúcar da colher na xícara –
- Confesse, o que te atrai em mim é o dinheiro. – dei uma risada fraca ao inclinar meu corpo para frente e selar nossos lábios demoradamente –
Estar com Dianna era agradável pelo simples fato de que eu não precisava vestir uma máscara de garota boazinha e agir como se estivesse perdidamente apaixonada, ao contrário de Selena. Pensar na garota fez uma sensação estranha percorrer meu corpo e o líquido quente travou em minha garganta, levando-me a soltar a xícara instantaneamente e começar a tossir. Dianna levantou em um salto e aproximou-se de mim, abanando meu rosto com a mão delicada enquanto tentava soprar minha boca.
- Eu já estou bem, eu... To bem. – limpei as lágrimas que correram através do meu rosto com o dorso da mão –
- Não acha que já tomou café demais? – ofereceu-me sua mão e eu rapidamente segurei a mesma, levantando-me da mesa –
- Acho. – sorri ao envolver o corpo da loira com os dois braços e beijar a clavícula exposta antes de escorregar a boca até o lóbulo da orelha dela – Quanto tempo temos?
- O suficiente.
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Encarei os olhos negros que me fitavam esperando uma resposta e suspirei pela segunda vez deixando o silêncio do carro ainda mais monótono. O cabelo com mechas roxas e azuis de Selena estava ocupando a maior parte do ombro da mesma e eu apenas empurrei-o para trás antes de segurar a lateral do pescoço da mulher próxima de mim e selar nossos lábios, sussurrando contra o bico que havia se formado.
- Meus pais não estão em casa e eu não tenho uma chave extra. É por isso que não podemos ir para lá. – menti –
- Vamos para o Brooklyn então. – senti os lábios tremerem contra os meus e meu corpo inteiro tremeu como resposta a sensação –
- Por que não podemos ir para a sua casa? – avancei no carro, inclinando-me mais ainda na direção do corpo de Selena e percorri a extensão do maxilar enrijecido com os dentes –
- Porque estamos indo para a minha casa há três semanas. – Selena cruzou os braços, dificultando o contato mais profundo de nossos corpos –
- É mais perto... E é o lugar mais seguro. – sussurrei contra a orelha dela enquanto minhas mãos tentavam inutilmente quebrar a barreira de braços que Selena havia imposto logo abaixo do peito – E eu já expliquei porque não podemos ir para o Brooklyn.
- Então você só vai ter acesso a tudo isso... – apontou para si mesma – Quando pudermos ir para a casa dos seus pais ou para o Brooklyn. – senti um leve empurrão afastar-me do corpo quente –
- Selena, por favor... – aproximei-me novamente levando a mão esquerda diretamente ao seio da garota e fiz um movimento circular no mesmo – Eu quero você...
- Acredite, não quer isso mais do que eu. – afastei-me bruscamente sentindo a raiva tomar conta do meu corpo –
- Ta, como você quiser. Não me culpe depois.
- O que você disse Demi? – o olhar de Selena caiu sobre mim enfurecidamente –
- Nada amor, nada... Vou te deixar em casa, tenho que ficar de vigia hoje a noite inteira porque Nick e Joe vão sair. – girei a chave no lugar dando partida no carro –
- Você ultimamente não tem tempo para nada além de tomar conta desse tráfico idiota que nem te serve de nada. Você não precisa do dinheiro mesmo. – deu de ombros ao meu lado –
- Eu gosto de bater em alguns caras, é só isso. – ignorei o celular vibrando em meu bolso –
- Ah, é claro. Por falar nisso, as coisas vão ficar difíceis agora que minha mãe já voltou. Se ela sonhar em saber o que está acontecendo, eu acho que perco a casa e a mãe. E o resto de toda a família. – ela riu –
Durante o percurso até a casa de Selena, senti que por diversas vezes eu sorria com alguma coisa idiota que ela dizia, e levava a mão até a coxa descoberta para simplesmente deslizar o polegar na região e deixá-la ciente de que eu estava ali com ela. Quando Selena inclinava-se no banco para beijar a lateral do meu rosto, algo em algum lugar do meu peito acendia imediatamente e meu corpo tremia, e por mais que eu ignorasse com maestria todos aqueles ocorridos, ficava difícil ignorar os sorrisos e olhares cada vez mais intensos que eu dava para ela. Aquilo definitivamente não deveria estar acontecendo comigo.
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