Criminal.
24 Capítulo 24: Final Goodbye.
Notas iniciais
Point of view: Selena.
Pouco mais de duas semanas haviam se passado desde o incidente com minha mãe e os pais de Demi, e desde então nenhuma notícia da minha mãe havia sido dada. Assim que voltamos para Manhattan eu comecei a procurar um apartamento, fui a faculdade destrancar minha matrícula e ajudei Demi a dar entrada no processo para retirar Kevin da cadeia mesmo sabendo que as chances de ser uma causa ganha eram mínimas. Marquei de encontrar com Miley, Ashley, Taylor e mais algumas amigas no shopping para apresentar Demi oficialmente, mas ela parecia determinada a permanecer sentada na cama sem me dar ao menos atenção.
- Demi, por favor. – pedi pela quarta vez ganhando novamente o desprezo –
- Nós encontramos o amor em um lugar sem esperança, nós encontramos o amor em um lugar seeeem eeespeeerança. – fechou os olhos enquanto cantava –
- Dá pra você parar de agir como uma criança só por um segundo? São só minhas amigas.
- Diamantes amarelos à luz, e estamos lado a lado. Como sua sombra atravessa a minha é o que se paga pra estaaaaaaaaar viiiiiivo.
- Demi! – gritei fazendo com que a cantoria cessasse – Ou você vai comigo, ou eu vou sozinha! E eu estou te avisando que se eu for sozinha eu não vou voltar mais!
- Por que você está gritando comigo? – os olhos castanhos refletiram a luz do quarto e eu respirei fundo –
- Pelo simples fato de você estar se portando como uma criança sendo contrariada. Como se você nunca tivesse visto Ashley, Taylor ou qualquer outra. – revirei os olhos –
- Eu só tenho um mau pressentimento quanto a isso. – suspirou antes de colocar-se de pé – Mas se é tão importante para você, vamos logo.
Meus olhos atentaram para o fato de Demi estar com uma quantidade enorme de chaves no bolso, e aquilo só podia significar uma coisa. Brooklyn.
- Ah Demi... Precisamos mesmo ir lá? – senti minha mão ser puxada para a dela e nossos dedos foram entrelaçados –
- Precisamos. Vai ser rápido, o Nick está precisando de umas chaves e só eu tenho.
O fato de eu estar caminhando na frente de Demi permitiu-me parar na porta para analisar melhor a roupa que ela trajava naquele momento, e o semblante sério da garota fez com que um arrepio percorresse toda a linha da minha coluna. Demi usava todas as peças na cor preta, a começar por uma sandália com alguns strass em prata, uma calça jeans sem detalhe algum, a camiseta um pouco comprida tapando metade das coxas, a jaqueta aberta apenas para se certificar de que não sentiria frio e tudo era finalizado e marcado com um crucifixo que caía um pouco abaixo dos seios. Minhas mãos involuntariamente alcançaram a cintura fina e puxei Demi para mais perto, encostando nossas testas por um breve segundo.
- Por que você é tão linda? – questionei –
- A minha beleza está nos seus olhos. – sussurrou deixando um sorriso tomar a face –
- Não seja estúpida. – minha risada baixa foi abafada pela proximidade do rosto dela – Você é uma garota linda, independente de qualquer coisa.
- Selena... – Demi voltou a sorrir e envolveu meu pescoço com os braços – Eu posso ser bonita, mas eu volto a dizer que a minha beleza está nos seus olhos. Eu não sou tão irresistível assim, sabe? Eu só causo isso em você. Tudo em mim te atrai, é uma armadilha.
- Ashley costuma dizer que todos nós temos um ponto fraco, então você é o meu.
Estávamos prestes a começar um beijo quando o celular vibrou em meu bolso, quebrando por completo o clima. O olhar frio voltou ao rosto da minha namorada quando atravessamos a porta do shopping, o que me deixou um tanto quanto hesitante por saber do que aquela garota era capaz quando algo não a estava satisfazendo, e de fato ela não estava satisfeita em estar ali, porém analisando o outro lado eu não poderia estar mais feliz, afinal mesmo estando contrariada, Demi estava ali comigo. Apertei com mais força nossas mãos juntas quando nos aproximamos da mesa e minhas amigas ficaram de pé uma por uma para cumprimentar Demi, que apenas sorria e retribuía os elogios que recebia. Percebi que durante um bom tempo ela permaneceu inquieta em sua cadeira, trocando mensagens um tanto quanto duvidosas com Nick, e em algum momento ela pediu licença e afastou-se, gesticulando sem parar no telefone enquanto minhas amigas aproveitaram a saída para falar dela.
- Selena, eu não acredito! – Taylor arregalou os olhos azuis em minha direção – Você sabe que ela é perigosa, certo? E que a qualquer momento a polícia pode entrar aqui e encher ela de tiros, certo?
- Não acredito que isso vá acontecer, Taylor. – dei de ombros – Demi não faz mais parte do tráfico, a chance de a polícia vir atrás dela é mínima. Mas sim, ela é perigosa e eu estou com medo do que pode estar acontecendo para ela estar nervosa assim.
- Perigosa ou não, eu só tenho uma coisa a acrescentar: ela é quente! – Miley revirou os olhos e abanou o rosto com a própria mão – Maravilhosamente gostosa.
- Não se esqueça que você está falando da minha namorada. – ergui a sobrancelha e Miley riu –
- Mas ela é gostosa mesmo, Selly. – Ashley sorriu safada antes de morder o próprio lábio – Se eu fosse namorada dela eu não largaria aquela bunda nunca mais. – Taylor deu uma gargalhada que foi acompanhada por outras meninas – O que gente?
- Vocês ainda não repararam na bunda dela? – Vanessa manifestou-se do outro lado da mesa – É maravilhosa!
- Chega! – franzi o cenho e fiquei de pé – Parem de falar da bunda dela e esperem um segundo que eu já volto.
Cruzei o pequeno espaço até o encontro de Demi e peguei apenas a última parte da conversa onde ela concordava com algo e dizia que em alguns minutos estaria lá. Ao finalizar a ligação, os olhos caramelados fitaram-me parecendo distantes.
- O que houve, Demi?
- Nick disse que a polícia andou fazendo uma ronda por lá e mataram alguns traficantes. – os olhos baixaram e percebi a respiração da garota oscilar – Eles eram meus amigos, e... E eu... – dei um passo a frente quando uma lágrima rolou pela lateral da face –
- Tudo bem, amor... Calma... Vai ficar tudo bem. Você quer ir lá agora? – senti o rosto roçar em meu ombro e deduzi que era em concordância – Ok, só vou falar com as meninas e nós vamos embora, vem.
Permanecer forte diante do que me dá força foi talvez a coisa mais difícil que já fiz em toda a minha vida. O interior do veículo estava silencioso, a não ser por leves soluços que cortavam o ambiente e deixavam a sensação de impotência presente circulando em meu corpo, eu estava com o coração na mão por não ter uma forma mais útil de ajudar. Estacionei meu carro um pouco afastado da casa onde Demi costumava ficar e apenas escuro nos cercava.
- Você tem uma arma? – Demi questionou ao limpar as lágrimas com o dorso das mãos e livrar-se do cinto de segurança –
- Eu não sei... Mas qual é o motivo de você querer uma arma? – franzi o cenho –
- Eu só preciso de uma arma... E eu preciso que você me prometa que não importa o que aconteça, você não vai sair desse carro. – ela inclinou-se no banco em minha direção e uma de suas mãos segurou minha nuca – Por favor, por favor...
- Me diz agora o que ta acontecendo aqui, Demetria. – afastei-a pelo pulso com força – Eu vou te tirar daqui. – senti minha mão ser afastada violentamente da chave do carro antes de receber um olhar furioso –
- Você deve estar ficando louca! – Demi socou o painel do carro – Eles estão aqui, Selena! Esses malditos tiras estão escondidos aqui, você precisa ficar dentro dessa porra de carro e se ouvir alguma coisa se abaixe.
- Não acredito que isso vai acontecer outra vez. – o choro preso em minha garganta desde a saída do shopping pareceu explodir todo de uma vez em meu rosto – Você não pode sair daqui, você vai morrer Demetria!
- Selena, se acalme! – senti meus ombros serem balançados para frente e para trás – Não interessa o que vai acontecer comigo, foi o que eu quis e eu estou arcando com as conseqüências! Mas eu nunca me perdoaria se você tivesse a sua cabeça estourada por uma bala sabendo que a culpa foi minha, então você vai ficar dentro dessa merda de carro e assim que eu entrar lá você vai embora! Entendeu?
- Eu não vou sair daqui sem você. – protestei –
- Mas que... Você sabe o risco que corre, não sabe?
- Eu sei, mas se eu pudesse morrer nos seus braços eu não me importaria.
Demi selou nossos lábios rapidamente e saímos do carro simultaneamente, precisei apenas acelerar o passo para acompanhá-la e nossas mãos foram unidas pela garota ao meu lado, que caminhava com a arma presa a cintura parecendo hesitar em cada passo que dava a diante na escuridão. Antes que pudéssemos entrar no pequeno quarto onde provavelmente estariam Nick, Joe e mais alguns outros traficantes, três pontos vermelhos se fixaram diretamente no coração de Demi, e o primeiro reflexo da garota foi puxar-me para sua frente, deixando meu peito na direção das miras.
- Abaixem as armas! – ordenou uma voz na escuridão – Bom ver você outra vez, Demetria.
- Demi, o que você está fazendo? – sussurrei ao sentir a garota apontar a arma para a frente – Quem é?
- Como assim quem é? – o pequeno corpo tremeu logo atrás de mim – É a sua mãe!
- MÃE? – gritei com a sensação de espanto que me tomou – Mãe, pelo amor de Deus! O que você quer? O que você está fazendo aqui? Meu Deus! – empurrei Demi para trás com os cotovelos – Eu achei que essa história já tinha sido esclarecida!
- Não estou aqui para falar com você, Selena. Se não quer que isso termine na sua morte é melhor que se afaste. – pisquei algumas vezes tentando distinguir as figuras que se moviam através do beco onde nos encontrávamos –
- Mandy, é melhor você se afastar. – Demi puxou-me ainda mais contra seu corpo e girou, deixando-me por trás –
- Eu não vou a lugar nenhum até conseguir o que quero, Demetria. E sabe o que eu quero? – a risada da minha mãe soou familiarmente – Quero ver o seu sangue escorrer para o esgoto.
Engoli a seco quando percebi uma movimentação até então desconhecida atrás de minha mãe e minhas pernas tremeram quando a mesma virou-se e se deu conta de que estava sozinha. Durante a pequena discussão entre minha mãe x eu x Demi os primos da mesma haviam retirado silenciosamente os policiais que serviam como apoio, e então minha mãe e sua pistola estavam sozinhas contra Demi e minha arma. Naquele jogo eu não tinha a menor dúvida de quem sairia vitoriosa. Minha namorada usou seu próprio corpo para empurrar-me na direção do paralelepípedo, onde acabei por tropeçar e assisti de relance quando ambas as armas dispararam e as duas mulheres as quais eu estava mais intimamente ligada foram parar no chão. Lentamente um filme passou em minha cabeça, e com tantas sensações percorrendo meu corpo foi difícil decidir entre a garota que eu amava ou a mulher que havia me colocado no mundo.
NÃO! – dei passos incertos antes de debruçar-me sobre o corpo de Demi e tateei até sentir no alto do ombro direito da garota o pano úmido – Demi, vai ficar tudo bem meu amor. – abaixei-me e selei o lábio da mesma rapidamente – Vai ficar tudo bem, eu prometo.
- Selena, a sua mãe... Eu sinto muito por ela. – a voz rouca soou com certa dificuldade –
- Mãe? – arrastei-me lentamente até tocar o rosto quente da minha mãe e sentir a ponta dos meus dedos molhadas – Vou chamar uma ambulância para você. – ameacei colocar a mão no bolso quando o som da arma sendo engatilhada me fez engolir a seco – O que você vai fazer?
- Acabar com isso de uma vez por todas. – a voz fraca vinda da mulher a minha frente falhou durante a frase –
- Nem tão rápido, Mandy. – uma sombra moveu-se rapidamente e a arma foi chutada da mão dela para longe –
- Eu preciso levantar... Nós temos que sair daqui... – aproximei-me de Demi, que levantou-se – A minha moto está ali atrás, eu preciso de ajuda para correr.
- Você não pode correr! – tentei impedi-la, entretanto quando percebi meu corpo estava sendo arrastado –
- Nós não temos muito tempo, Selena! Os policiais estão vindo, Selena. Você não ouve eles se aproximando?
- Mas se formos embora, então tecnicamente seremos fugitivas. – franzi o cenho quando atravessamos um terreno vazio e avistei a moto, que descansava encostava no muro –
- Bingo. Coloque isso. – Demi estendeu um capacete em minha direção e assim que o mesmo estava devidamente preso em minha cabeça outro capacete me foi estendido, dessa vez para ela – Droga, eu não sei se consigo dirigir até muito longe com o ombro assim.
- Nós temos o meu carro, nós podemos voltar e-
- Selena, não! Quando você vai entender de uma vez que nós estamos fugindo? Nós não podemos usar o seu carro ou nenhum veículo conhecido, nós precisamos ir rápido! – meu corpo foi empurrado brutalmente para a moto – Tente não apertar a porra do meu ombro.
- Para onde nós vamos? – esforcei-me ao máximo para raciocinar e perguntar algo coerente –
- Nós precisamos sair desse estado, e procurar um hospital o mais rápido possível. Ou talvez nós podemos ir para um parque de diversões, o que você acha? – o deboche evidente na voz de Demi me fez suspirar – Que merda de pergunta imbecil. É melhor você segurar bem, eu vou correr.
Fale com o autor