Criminal.

25 Capítulo 25: Sick.


Point of view: Demetria.

O aperto de Selena em minha cintura se tornava insuportavelmente doloroso cada vez que passávamos perto de algum posto policial na estrada. O fato de Selena não estar ciente da bala alojada na lateral da minha cintura cooperou bastante para que a mesma mantivesse a “calma” diante da situação. Em determinado momento chegamos a Detroit e em pouco tempo eu estava estacionando a moto na frente do Detroit Medical Center. Esperei que Selena estivesse de pé próxima a mim estendendo a mão para levantar da moto e permiti-me finalmente cair, sentindo minha namorada ajoelhar-se ao meu lado.

- Demi, o que houve? É o seu ombro? – apertei ainda mais os olhos ao sentir os dedos delicados percorrerem a região próxima a bala –

- Vá buscar um médico... – sussurrei –

- Eu te ajudo a chegar lá dentro, vamos... Eu posso te carregar. – empurrei a mão da mesma, que tentou alcançar meu braço – O que foi? – inclinei o corpo para cima o suficiente para retirar a jaqueta e levantei a blusa, deixando aparente a bala na minha cintura – Demi!

Uma fração de segundo foi o necessário para que Selena levantasse e tomasse o rumo para dentro do hospital, voltando algum tempo depois com dois médicos e alguns enfermeiros. Minha mão foi tomada pela garota provavelmente tentando transmitir alguma tranqüilidade, o que foi impossível diante do nervosismo perceptível. Fui colocada em uma maca e depois disso não tenho lembranças concretas do que aconteceu, só lembro do momento em que acordei e vi Selena, meu pai e minha mãe conversando em um canto mais afastado. Meus movimentos fizeram o aparelho ligado a mim apitar, o que atraiu mais atenção do que o esperado e me fez suspirar. Minha mãe posicionou-se ao meu lado direito e meu pai ao lado esquerdo, ambos segurando minhas mãos.

- Demetria, querida... Que bom que acordou. – dei um sorriso fraco em resposta ao som da voz da minha mãe – Você quase nos matou de susto, meu anjo.

- Eu sinto muito. – franzi as sobrancelhas –

- Você não se cansa, não é? – meu pai apertou minha mão com um pouco mais de força – Dessa coisa de ser procurada pela policia, de fugir...

- Pai, eu-

- Você sabe que colocou a vida de Selena em risco, não sabe? – desviei o olhar para a garota quieta no canto do quarto – Sabe que muitas coisas ruins poderiam ter acontecido, não é? – assenti – Nós vamos deixar você sozinha, vocês precisam conversar.

O contato de mãos foi desfeito e meus pais seguiram em silencio para fora do quarto, sendo acompanhados com o olhar por Selena, que ainda demorou alguns minutos a levantar e aproximar-se da cama. Notei que os olhos estavam mais fundos, como se não dormisse há dias, e estava consideravelmente mais magra. Ainda assim linda.

- Eu fico feliz que tudo isso esteja finalmente acabando. – estranhei o fato de ela não estar me segurando ou tocando – Foi tudo bem na sua cirurgia e graças a Deus você acordou. Eu não agüentava mais te ver dormir. – sorri fraco, recebendo um torcer de lábios de volta –

- Você ficou aqui o tempo todo? – ela assentiu – Deveria ter ido pra casa dormir.

- Nós estamos em Detroit, bem longe da minha casa.

- Tem alguma notícia da sua mãe? – sentei-me lentamente na cama, dando espaço para que ela pudesse sentar –

- Da última vez que falei com Priscilla ela estava na UTI. – inclinei-me para frente – Minha tia está cuidando de tudo lá, já falei para a Priscilla me ligar caso alguma coisa mude.

- Selena, eu... Não queria que tudo isso acontecesse. – suspirei ao sentir a postura da garota endurecer –

- Nós precisamos ter uma conversa sobre isso, Demi. – balancei a cabeça em afirmação – Eu estou cansando de tudo isso, sabe? De estar constantemente em perigo, de sair por aí com medo de precisar fugir, correr da polícia, tomar um tiro ou coisa parecida. Eu achei que você valia a pena, que você tinha jeito, mas eu acho que infelizmente foi uma conclusão precipitada, acho que eu deveria ter pensado melhor. – senti uma lágrima escorrer silenciosa através do meu rosto – Eu deveria ser o motivo pelo qual você parou com tudo isso, mas você não conseguiu se manter afastada por tempo o suficiente para que eu me sentisse segura, e quem acabou arcando com as conseqüências foi você mesma. – Selena ergueu o rosto para olhar-me a primeira vez naquele dia – E esse é outro motivo pelo qual nós estamos tendo essa conversa. Você não imagina o quão doloroso foi esperar por oito horas pra que duas balas pudessem ser retiradas de dentro de você, você nem consegue imaginar o quanto eu chorei e esperei, e ainda espero que você fique bem.

- Onde você quer chegar com tudo isso? – limpei as lágrimas que faziam cócegas no meu rosto e abaixei a cabeça, evitando que Selena visse o quão vulnerável eu estava –

- Eu te amo, Demi. – meu queixo foi tocado pelo indicador dela, que ergueu meu rosto e limpou minhas lágrimas com a mão livre – Eu te amo tanto que eu poderia ter entrado na frente dessas balas se eu tivesse a oportunidade. Eu te amo tanto que eu morri por dois dias enquanto você não acordava. Mas infelizmente, um relacionamento não é feito só de amor. Eu quero e preciso de você tanto quanto eu quero e preciso respirar, e isso soa doentio, mas é como eu me sinto... Eu só não sinto todo esse envolvimento de volta, sabe? – apertei os olhos o máximo possível evitando me entregar ao choro preso em minha garganta – Eu sinto que eu me dou toda, e não recebo de volta. Eu sinto que muitas vezes você apenas age como se eu fosse sua obrigação, algo que você mantém por medo de ficar sozinha.

- Sel, não é isso, eu juro. – engoli a seco – Eu te amo!

- Você me ama até que ponto, Demi? Até o ponto onde precisa assumir responsabilidades e se desprender de certas coisas? A partir desse ponto você não me ama mais? – Selena levantou-se da cama e lágrimas começaram a sair incessantemente dos olhos castanhos – Me ama até o ponto onde é confortável e legal? Quando eu começo a tentar cuidar de você e te peço pra não fumar, ou não beber, ou não voltar no Brooklyn, nesses momentos acaba o amor?

- Selena, não! – ameacei levantar da maca, porém fui impedida devido ao soro ligado ao meu braço –

- Chega, Demi! Chega. Eu juro que chega. Não é a primeira e nem a segunda chance, mas eu estou realmente cansada de tudo isso!

- Sel... Por favor, você não pode me deixar. – levei a mão diretamente ao peito por sentir o mesmo extremamente apertado –

- Você não pode fazer muitas coisas comigo, e ainda assim você faz. – balancei a cabeça negativamente ao ver os ombros dela balançarem devido ao soluço contido – Você abusa de mim por saber que eu não consigo viver longe de você, e nem do que você chama de amor. Isso é injusto!

- Selena! – puxei a agulha que antes despejava soro diretamente em minha veia e levantei-me da maca, apertando a garota entre meus braços – Eu vou parar com isso, eu juro que paro! Mas por favor, Selly... Não me deixa... Eu imploro...

- Eu não consigo mais acreditar nisso... – os braços longos envolveram minha cintura em um aperto acolhedor –

- Você tem razão em não acreditar, mas eu prometo. Nós podemos nos mudar, arrumar uma casa em outra cidade, ou até em outro país! Você é a única coisa que eu tenho, se você me deixar, eu...

- Demi, Demi... – Selena interrompeu-me e segurou meu rosto entre as mãos – Eu não quero pensar sobre isso agora. Eu preciso dormir, demais.

- Precisa dormir mais do que precisa de mim? – apertei-a ainda mais contra o meu corpo sem me importar com a dor incomoda em minha cintura –

- Não. Nunca. Mas agora que você já está bem eu só quero dormir. Nós terminamos essa conversa daqui a pouco... – balancei a cabeça em concordância –

- Vem aqui. – deitei na maca dando espaço para que a mesma se posicionasse ao meu lado – Pode dormir. Minha vez de te esperar.

- Eu gostaria que Deus tivesse me dado uma pessoa mais fácil. Alguém que não fosse tão cabeça dura. – o braço fino descansou sobre a minha barriga –

- Quem somos nós pra contestar a vontade dele?

O suspiro de Selena preencheu o quarto e permaneci em silêncio apenas observando-a dormir enquanto refletia sobre os últimos acontecimentos e o quanto ela estava certa em estar cansada. Eu só esperava que não fosse tarde demais pra mudanças.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.