Crepúsculo
9 9 - Força.
9 — Força.
Eu e Magali fomos umas das primeiras a chegar a aula de Ciências humanas. Pensei em esclarecer porque o Cascão estava estranho ontem.
Magali também chegou muito estranha quando chegou.Não disse nada,os olhos fixados no teto,um sorriso enorme no rosto.
Não pensei duas vezes e fui até sua carteira.
Ela estava rabiscando o caderno,aproveitei para dar um vasculhada nele.
O caderno dela era bem feminino — florzinhas nas margens,coraçõszinhos enfeitando as letras — ela estava desenhando em uma folha livre e nem notou minha espiada indiscreta.
Na folha um coração muito bem desenhado cortado por uma flecha de cupido — típico dela — e no centro dele,uma palavra iria começar a ser escrita.
Mas antes de terminar de escrever a frase - \"Eu amo o...\" — Magali virou para trás e arqueou uma sombrancelha.
-Perdeu alguma coisa? — perguntou ela.
-Sim,a sua personalidade — brinquei — o que te deu Maga?
Ela riu.
-No lanche eu te falo,O.K? — ela piscou,talvez,pelo fato de ter muitas pessoas ali.
-Beleza. — sorri e voltei para a carteira.
Magali teria um segredo incrível para me contar.Deus!O que aconteceu de tão impressionante ontem na casa dela?
A aula começou muito boa,uma surpresa inesperada apareceu na sala.
Jeremias.Ele tinha recebido alta e estava com mais saúde que eu.Todos se assustaram quando ele apareceu na porta.
-Jeremias? — perguntou o professor assustado — Como se recuperou tão rápido?E sem sequela alguma?
-Bom — ele colocou a mochila na mesa — no fim eu só estava inconciente porque tinha batido a cabeça com força,então acordei muito bem após receber uma boa quantidade de sangue de uns amigos.E agora estou bem como nunca! — ele sorriu de satisfação.
-Então juízo da próxima vez que for dirigir,não quero que repita o ano na minha matéria outra vez — ele pegou o giz — por causa de estar no hospital.
Alguns riram pelo fato de ele ter repitido.O único garoto da sala que podia dirigir.
Eu ri também.
-Agora chega de tragédias e vamos a aula — disse o professor — hoje não vamos fazer ciências humanas e sim ciência animal.Uma aula diferente.
Ele pegou uma caixa no ármario de aço no fundo da sala.
A abriu e tirou cinco bandejas.Em seguida mais algumas.
-O laboratório estava sendo usado,então,não sujem minha sala! — el fechou a caixa — Dissecar sapos.Nossa próxima tarefa.Para aprenderem o quanto somos mais resistentes que seres animais.
Magali murmurou algo que ninguém pode ouvir.
-Vou distribuir as bandejas e espero que leiam o livro antes de executar o exercício.
Ele colocou a bendeja — em cima o sapo morto virado para cima — na minha mesa.
Meu estomago se revirou e uma ância foi subindo pela minha garganta.
O cheiro dele era horrível.
Eu tampei minha boca com as duas mãos.E o professor percebeu e foi até a mim.
-Esta tudo bem Mônica? — perguntou ele preocupado.
Só balancei a cabeça.
-Alguém pode levar Mônica para a enfermaria da escola por favor? — perguntou ele se virando para a sala.
-Eu! — se ofereceu Jeremias já vindo até a mim — Sei como você sente — sussurrou ele para mim saindo da sala — já passei por isso ano passado,respire fundo.
Ele me guiou pelo corredor segurando na minha cintura para não cair no chão de tanta náusea.
Quando chegamos no primeiro dregrau da escada,fiz um sinal para eu sentar.
-Fica a vontade. — ele sentou — Só continue respirando,afinal,esta um pouco esverdeada.
Tinha que ser forte.A tontura qe o cheiro me causou piorou,fechei os olhos e encostei minha cabeça na parede gelada.
-O que aconteceu — perguntou a voz familiar.
Fale com o autor