Notas iniciais
Olá!!!! desculpem a demora, juro que a expectativa pelo último cap. não foi de propósito! Mas, enfim, tá aqui o último capítulo.Despedidas e agradecimentos, porém, deixarei para o epílogo!

SONETO 19 (William Shakespeare)

Tempo voraz, corta as garras do leão,

E faze a terra devorar sua doce prole;

Arranca os dentes afiados da feroz mandíbula do tigre,

E queima a eterna fênix em seu sangue;

Alegra e entristece as estações enquanto corres,

E ao vasto mundo e todos os seus gozos passageiros,

Faze aquilo que quiseres, Tempo fugaz;

Mas proíbo-te um crime ainda mais hediondo:

Ah, não marques com tuas horas a bela fronte do meu amor,

Nem traces ali as linhas com tua arcaica pena;

Permite que ele siga teu curso, imaculado,

Levado pela beleza que a todos sustém.

Embora sejas mau, velho Tempo, e apesar de teus erros,

Meu amor permanecerá jovem em meus versos.

Ela abriu os olhos e uma dor lancinante fez com que, por instantes, tudo rodasse ao seu redor.

Aos poucos, a consciência voltou.

Estava no palco da Music House.

Arthur jazia ao seu lado, ensanguentado.

-FINN!- ela berrou a plenos pulmões, levantando-se com alguma dificuldade.

Paramédicos estavam colocando-o numa maca, mas Rachel não o viu se mexer, nem falar nada:

-Finn! Meu amor! – ela gritou de novo, sendo amparada por Will.

Só então, ela percebeu que o auditório estava tomado por policiais, vários alunos e professores, além de paramédicos, que agora levavam o corpo inerte de Finn para fora.

-Ele vai ficar bem, querida. – Will beijou seu cabelo.

Rachel estava estupefata, arrasada. Até que seus olhos caíram sobre a figura ensanguentada de Arthur:

-Ele tá morto?

O detetive McGovern passava ao seu lado e disse entredentes:

- Com o tiro que dei nele, acho que sim.

O policial foi até o corpo de Arthur e, com uma frieza que todos os seus anos de profissão lhe deram, apenas pegou o celular e falou com a equipe de médicos legistas.

-Ele está morto, filha. – disse o policial, apertando o ombro de Rachel. – Um tiro no peito. Fui certeiro.

Rachel sentiu-se muito enjoada:

- Como assim?

-Eu estava chegando ao auditório, Finn e Kurt me ligaram avisando de tudo. Quando estava perto da porta, ouvi a discussão e me apressei. Vi o momento em que você gritou e Arthur atirou no Finn. Sem pestanejar, atirei nele. Com o impacto, você, que ele segurava, também caiu para trás e bateu a cabeça, desmaiando. Foi tudo muito rápido, você nem percebeu.

Ela assentiu, com o rosto no peito de Will.

- Detetive, ela já passou por muito estresse... será que agora ela pode ser liberada?

-Eu quero ver o Finn! – Rachel atalhou.

-Você vai vê-lo, querida, mas não agora.

-Finn foi levado inconsciente para o hospital...- disse Will.

- Mas ele tá bem, não tá? Ele tá bem? – ela desesperou-se.

-Rachel, Finn agora está numa situação bem delicada. Ele levou um tiro no peito, não sabemos da gravidade. — o detetive falou de forma bem honesta e direta.

A professora de música foi levada para fora do auditório ainda amparada. Havia repórteres, mais policiais, mas os alunos já tinham quase todos ido embora. Ela ainda viu Kirsten ser algemada e colocada numa viatura, o que lhe deu um pouco mais de tranquilidade.

-Rachel, meu amor! – Kurt lhe deu um abraço forte e demorado. – Você tá bem?

-Sim, sim. Mas eu quero ver o Finn.

- Ok, nós vamos. Eu sei para qual hospital ele foi levado. Meu pai e a mãe dele já estão vindo para cá.

Rachel foi assediada por repórteres e ficou assustada com a repercussão do caso na imprensa. Cansada, ela aceitou as recomendações do detetive McGovern e de Will e Emma, e foi para casa descansar um pouco, comer e trocar de roupa, ao saber que Finn estava passando por uma operação de horas.

Nos dias seguintes, os acontecimentos se desdobraram de forma que não restava dúvidas do quão criminosa e perigosa à sociedade era a Ômega, e a Justiça estava desbaratando a organização.

A Music House voltou ao normal, mesmo que alguns alunos e pais tivessem se assustado demais com o sequestro de Rachel e a morte de Arthur.

Mas, tudo o que ela realmente queria era falar com Finn. A sua operação tinha sido perfeita, mas ele ainda era mantido sedado na UTI.

-Olá. – uma mulher lhe disse com um tom de voz amável, quando Rachel, vencida pelo cansaço, adormecera em um sofá no hospital.

-O-oi. – ela respondeu, hesitante.

- Eu sou Carole, a mãe de Finn.

Rachel ajeitou o corpo e passou os dedos pelo cabelo:

-Oi!

Tomada de surpresa, Rachel sentiu-se abraçada pela mulher:

-Obrigada, minha querida. Obrigada por ter salvo o meu filho.

-Mas... quem o salvou foi o detetive...

Carole sorriu:

- Você salvou o meu filho da rebeldia, da obscuridade que avançava pelo coração dele. Você o salvou de uma vida de vícios, e agora eu sei, até do crime. Você o transformou em um homem de verdade.

Rachel encarava a mãe de Finn com lágrimas nos olhos:

-A senhora... a senhora já sabe... que vai ser avó?

Carole abriu o sorriso mais radioso do mundo:

- Eu? Sério?! – riu nervosamente, entre lágrimas que também molhavam seu rosto. – Oh, meu Deus, eu vou ser avó!

Finn abriu os olhos e sentiu dores e formigamentos estranhos. Aos poucos, ele percebeu que estava num hospital, tomando soro e remédios pela veia, debilitado, apenas com uma bata fina cobrindo seu corpo.

VIVO.

Alívio percorreu seu corpo tão rápido quanto as drogas que haviam injetado nele. VIVO!

Ele poderia ficar com Rachel. Casar com Rachel. Ter seu filho com Ra...

-RACHEL! – ele gritou.

Uma enfermeira veio, lhe pediu calma e silêncio, mas de forma doce e simpática, porque ele estava apresentando visíveis melhoras.

Um dia depois, Finn foi levado para um quarto, pois sua situação não era mais de risco.

Toda a sua família estava lá, amigos da Music House, mas tudo o que ele realmente queria era ficar á sós com sua namorada. Foi Kurt, com muito tato, que “expulsou gentilmente” todos do quarto para que eles finalmente ficassem à sós.

-Oi. – ela disse timidamente, perto da janela.

Finn de repente sorriu como um idiota. Ela era linda, ali, contra a luz suave do sol que entrava no quarto do hospital, carregando um filho deles.

-Vem cá. –ele disse, batendo ao seu lado.

Rachel aconchegou-se a ele na cama. Ela era pequena, cabia ali perfeitamente:

- Eu fiquei todo tempo aqui no hospital esperando você ficar bom.

- Obrigado. – ele disse, beijando o nós dos dedos dela.

Ficaram longos instantes se perscrutando, tocando o rosto um do outro. Palavras não precisavam ser ditas. Eles se amavam, eles se pertenciam, e nada poderia separá-los.

Finn então trouxe os lábios de Rachel para perto dos seus. Ela encurtou a pouca distância e o beijou. Foi lento e calmo no início, apenas lábios se encontrando; depois, a paixão ressurgiu flamejando, ardendo, e suas línguas se reencontraram, saudosas.

Foram diminuindo a velocidade e refreando o desejo, até Rachel desvencilhar-se de Finn e dizer:

- Vamos com calma, garanhão. Você ainda tá convalescendo.

- Eu quero ir logo embora. – Finn fez beicinho.

-Você só vai sair quando estiver bom. Sua operação foi delicada... você quase morreu. – ao dizer isso, seu semblante se obscureceu.

-Hey, baby. – ele segurou seu queixo.- Acabou. O detetive McGovern atirou no Arthur, não foi? Acabou.

-Eu não sei o que faria sem você. – Rachel suspirou, tendo cuidado ao abraçá-lo.

-Nem eu sem você. – declarou Finn. – Você e nosso filho são tudo para mim. Agora, é vida nova.

Rachel encostou sua testa na dele. Vida nova. É isso aí.

E a sensação de paz finalmente foi sentida, não como um vento fugaz, que apenas vem de passagem e bafeja a face. Veio duradoura. Eterna.

Notas finais
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