Crazy Little Thing Called Love
23 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo- 5 anos depois
Finn acordou disposto. Olhou para o lado, procurando a morena com quem dividia a cama e a vida há cinco anos, mas não encontrou ninguém.
“Onde ela já poderia ter ido? Hoje é o meu aniversário”, pensou, levantando-se. Ela não estava no banheiro, então ele tomou banho, barbeou-se, escovou os dentes.
À caminho da cozinha, ouviu barulhos característicos da rotina matinal da sua casa: a voz da mulher e de sua pequena filha, Sarah, envoltas no preparo do café-da-manhã:
- Bom dia, amor. – ele disse, beijando os lábios de Rachel.
-Bom dia, querido. Senta aí que já estou terminando de fazer as panquecas.
Finn colocou a filha no colo e cobriu a menina de quatro anos de beijos, enquanto ela descrevia o que iria fazer na escola naquele dia, tagarelando de forma divertida, gesticulando as pequenas mãozinhas de forma rápida, o que fez o homem pensar em como ela era parecida com a sua mãe.
- Amor, será que hoje você pode pegar a Sarah na escola e levá-la para a Music House? Tenho ensaio e, mais tarde, uma pequena coletiva de imprensa para divulgar o meu novo musical.
-Hum... claro. – ele acatou, um pouco ressabiado. Rachel não mencionara nada sobre ser seu aniversário! Mas ela andava ocupada com seu novo musical, estava cada vez mais famosa, e ainda cuidava da casa e de Sarah, então ele decidiu dar um desconto:
- E à noite, a gente poderia sair, hein? Pegar um cinema, ir a um restaurantezinho...
Rachel franziu o cenho, enquanto preparava o lanche que a filha levaria para a escola:
-Hum, Finn, eu tenho que ir ao salão, sabe? Ajeitar o cabelo, fazer depilação, pintar as unhas. Não se preocupe, já falei com a Peggy, ela pode ficar com a Sarah para você aproveitar a noite.
-Aproveitar a noite? – Finn se empolgou um pouco. Talvez ela não tivesse esquecido do seu aniversário completamente.
-É, querido. Hoje não é dia do seu pôquer? – perguntou Rachel, impassível, limpando a boca da pequena Sarah que estava suja de leite.
Finn não estava acreditando naquilo. Rachel esquecera seu aniversário, justo o dia em que ele fazia 30 anos. Aliás, não era nem pela idade, mas porque ela sempre lembrava, sempre comentava, fazia uma festinha, dava presentes e eles faziam amor até caírem de cansaço.
Rachel, definitivamente, não era de se esquecer de datas importantes, e era justamente isso que o fazia admirá-la. Quando se conheceram, achava-a uma garota gostosa, porém, chata, reclamona. Com o passar do tempo, a química entre eles era tão inegável e forte, que eles se entregaram a uma paixão avassaladora. E fora aquela mulher baixinha, gostosa, talentosa e linda que o livrara de todo um passado de coisas ruins, de toda uma rota feita de erros. Só de pensar em como ela o tornara um novo homem, o coração de Finn inchava de amor e orgulho por ela. Além de tudo, ela tinha lhe dado uma linda filha, a pequena Sarah, uma garotinha esperta, bonita, simpática, inteligente.
Apesar de sua mulher, aparentemente, ter se esquecido de lhe dar parabéns, pelo menos, ele ainda se achava um sortudo. Tinha um emprego maravilhoso como professor de música na Music House, tinha se formado em uma das melhores faculdades de música do país, aliás, e também trabalhava em um conservatório, liderando um coral. Tudo aquilo o deixava de bem consigo próprio, com a sensação de que todas as dores e estragos que havia causado a si mesmo e aos outros a sua volta já tinham sido apagados.
- Bom dia, Finn! – seu irmão Kurt lhe cumprimentou assim que ele entrou na sala dos professores. – Acho que Sarah terá companhia na bagunça hoje à noite. Pedi à Peggy que ficasse com Ashley também, já que hoje é o dia de Blaine, você, Sam e Puck jogarem e eu quero ir ao salão com Rachel.
-Hum... ok. – Finn respondeu, chateado. Kurt também tinha se esquecido do seu aniversário? Era isso mesmo?
Marley entrou na sala e cumprimentou-os gentilmente, como de costume:
- Bom dia, como estão?
Kurt respondeu por eles:
- Bem, e você? Este bebê anda chutando muito? – ele indagou, pondo a mão delicadamente sobre a barriga dela, que já estava enorme.
-Sim! – ela sorriu. – Ryder diz que o filho vai ser um lutador de MMA, pelo visto. – ela riu. – Ah, Finn. Gostaria de convidar você e a Rachel para serem padrinhos do bebê, o que você acha? Ryder e eu gostamos muito de vocês, da Sarah...
-Ia ser maravilhoso, Marley! Claro que aceitamos! – Finn abraçou-a.
Há muitos anos que ele e Rachel tinham se entendido com Marley, de forma que a forma como se relacionavam agora era totalmente diferente. Ela se casara com um rapaz muito simpático e que a adorava, Ryder Lynn, e ela estava prestes a dar à luz ao primeiro filhinho deles.
Finn ligou para Rachel para contar-lhe a novidade, mas ela não o atendeu, o que só o fez ficar mais chateado com o rumo que o seu dia, que era supostamente especial, estava tomando.
{...}
-Rápido, vamos aproveitar que ele foi buscar a Sarah na escola! – Rachel comandava a todos como se a Music House fosse um quartel- general.
- Ele não suspeita de nada mesmo? – Will riu, ajudando a pregar os balões nas paredes.
- Não! Espero que ele não fique muito bravo comigo.
Mesas cheias de comida estavam perfiladas no refeitório da escola de música, onde haveria a comemoração surpresa pelos 30 anos de Finn. Sanduíches, fatias de bolo, refrigerantes, salgadinhos, docinhos, chocolates, tortas, jarras de suco: tudo tinha sido providenciado sem nem ao menos ele suspeitar. Até seu padrasto e sua mãe tinham vindo e ele não sabia de nada.
-Kurt, os garotos já estão prontos?
-Já, Rachel, Blaine acabou de passar todas as músicas com eles.
- Ok, perfeito. Agora é só esperá-lo.
Quando Finn voltou com Sarah para a Music House, estranhou as salas estarem vazias justo no meio da tarde, o que não era nada comum.
-Cadê todo mundo, papai? – a pequena perguntou, os olhos arregalados.
- Não sei, bebê. Também estou preocupado.
Foi ao auditório. Nada.
Até que ele ouviu um burburinho vindo do refeitório, como se todas as crianças e jovens estivessem reunidos num mesmo lugar, ao mesmo tempo, mas estivessem sendo contidos. Quando abriu a porta, ainda com Sarah no colo, foi surpreendido com um barulho que quase o fez cair para trás. Estava certo, todos estavam ali, com chapeuzinho de aniversário, cantando “Parabéns para você” tendo Rachel à frente, batendo palmas.
Ele foi avançando pelo refeitório adentro e viu toda a decoração, toda a comida, todas as pessoa sorrindo e cantando para ele, felizes, jogando confete e fitas coloridas.
-Parabéns, meu amor! – disse Rachel, beijando-o nos lábio com doçura.
-Obrigado, Rachel. – ele sorriu, tocando o rosto da esposa em adoração.
-Vem, estrelinha, vamos colocar um chapeuzinho de parabéns pelo papai! – ela pegou a filha no colo e colocou um chapeuzinho pontudo de papelão na cabeça de Sarah.
-Gente, eu... vocês me enganaram direitinho! – Finn disse, emocionado. – Nossa, eu não imaginava que vocês fariam isso por mim, obrigado, obrigado mesmo. Music House, vocês também são minha família. Eu amo vocês todos, vocês mudaram minha vida, e eu sou grato por tudo o que me proporcionaram.
Carole, Rachel, Kurt, Burt, Blaine, todos estavam chorando de alegria, mas Finn foi interrompido em seu discurso por um aluno, que disse:
- Nós também adoramos você, professor Hudson! Mas ainda temos mais uma surpresa!
Ao dizer isso, todos os alunos se colocaram ordenadamente e começaram a cantar “We’ve got a friend”, de James Taylor:
“When you're down and troubled
And you need some loving care
And nothing, ooh, nothing is going right.
Close your eyes and think of me
And soon I will be there
To brighten up even your darkest nights.
You just call out my name,
And you know wherever I am
I'll come running, oh yeah baby
To see you again.
Winter, spring, summer or fall,
All you have to do is call
And I'll be there, yeah, yeah, yeah
You've got a friend.”
(“Quando você estiver deprimido e confuso
E você precisa de uma mão amiga
E nada, nada estiver dando certo.
Feche os olhos e pense em mim
E logo eu estarei lá
Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias.
Apenas chame meu nome,
E você sabe, onde quer que eu esteja
Eu virei correndo, oh sim
Para vê-lo novamente.
Inverno, primavera, verão ou outono,
Tudo que você tem a fazer é chamar
E eu estarei lá, sim,sim, sim
Você tem um amigo.”)
Finn estava emocionado. Com os olhos marejados, ele abraçava a mulher e a filha enquanto escutava seus alunos cantarem para ele:
- Nunca me senti tão honrado em toda a minha vida. Obrigado. – ele disse ao final, ganhando mais vivas e abraços de todos presentes.
Então, chegou a hora de comer, e ninguém se fez de rogado. Os próprios alunos levaram uma mesa de DJ para o refeitório e todos começaram também a dançar e a cantar, porque aquela festa não tinha hora para acabar.
- Cansado? – Rachel aconchegou-se a ele, horas depois, observando as crianças correrem, os adolescentes e outros professores dançarem, Sarah e sua priminha Ashley tocando piano junto com Kurt e Blaine enquanto seus avós olhavam-nas encantados:
- Não... ainda tenho muito fôlego, apesar de ter me tornado trintão. – ele riu.
-Hum... para quê você tá guardando este fôlego, hein? –Rachel se fez de inocente. Eles estavam sentados em um lugar bem afastado da vista de todos, de modo que brincar um pouco com a libido do marido parecia divertido.
- Quer mesmo saber? – Finn puxou-a para mais próximo de si. Ela já estava no seu colo, e ele enlaçou sua cintura. – Tem uma certa morena que foi meio mal-criada comigo hoje. Fingiu que esqueceu meu aniversário... tsc, tsc.
A pele de Rachel arrepiou-se de malícia:
— Você vai me castigar? Eu vou ser uma menina, juro. – ela riu sem-vergonha, entrando no joguinho dele.
- Você merece, mas vou ser bonzinho. Você sabe que eu não resisto a você.
Finn e Rachel entreolharam-se. Havia doçura, desejo, tensão sexual e amor pairando entre eles de forma tão palpável que um beijo avassalador veio de um jeito irrefreável, como se eles tivessem passado semanas sem se tocarem.
-Hummm...- Rachel gemeu, passando os lábios um sobre o outro, deliciando-se com o beijo.- Mal posso esperar por hoje à noite.
- Confessa que eu viro seu mundo. – Finn riu, pretencioso.
- Sempre convencido. – Rachel ironizou o marido.
- Confessa. – Finn insistiu, puxando-a de novo e falando ao seu ouvido, sabendo que isso a excitava demais:
- Eu sou teu, Rachel e você é minha, Somos um só, para sempre.
Rachel olhou fundo naqueles olhos cor de cor amadeirada, misteriosos, viris, amorosos:
- Eu sou sua, para sempre. E, apesar de você ser um convencido – ela percorreu o dedo pelo maxilar firme dele, sedutora. – eu amo você.
- Eu também amo você. Sempre amarei. – ele disse, beijando-a até ambos esquecerem de tudo ao seu redor.
FIM
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