Crazy Bout' You

9 Capítulo 9 - Patience


Notas iniciais
Eu estava com mta preguiça de escrever esse capítulo, por isso demorei. Vlw, flw u.u Mas ta aê! Enjoy ;)

Peter acordou com o barulho do despertador tocando incessante pelo quarto. Sentou-se na cama devagar deixando o aparelho tocar até que Harry acordasse também — ele tinha uma péssima mania de se atrasar -, mas com um baque ensurdecedor, Peter olhou para o lado meio assustado observando o despertador jogado num canto do quarto aos pedaços e um Harry voltando a dormir.

O moreno bufou levantando-se e pegando o que restara do despertador colocando-o de volta na cômoda. Peter se trocou rapidamente dando a Harry mais alguns minutos e quando achou que ele finalmente levantaria, só o observou mudando de posição na cama provavelmente em seu terceiro sono. O moreno se aproximou da cama de Harry e com toda a sua força gritou.

– ACORDA OSBORN!

Harry se sentou imediatamente dando uns golpes no ar e acertando a cabeça de Peter fazendo o óculos cair em cima da cama.

– Ei! Seu doente! — Praguejou Peter colocando-o de volta nos olhos.

– Mas que porra... — Bocejou Harry se espreguiçando — Não vou hoje — Concluiu se jogando na cama.

– Deixe de ser preguiçoso! Anda! — Disse Peter puxando o lençol de Harry para fora da cama.

– Droga Peter! — Exclamou Harry tentando se cobrir com as mãos — Eu preciso dar uma relaxada primeiro, se você não entende.

Peter ficou vermelho devolvendo o lençol imediatamente. Harry estava excitado e ele deveria ter pensado nisso antes de tirar o lençol, quer dizer, isso acontecia com ele também, era normal.

– Podia me ajudar — Disse Harry dando um sorriso sacana.

– Claro, se você me disser onde tem uma tesoura eu dou um jeito nessa sua ereção em dois segundos — Retrucou o moreno.

– Ai... — Gemeu Harry fazendo careta enquanto imaginava a dor — Depois dessa eu levanto — Disse enfim se levantando e procurando o que vestir.

Peter sorriu triunfante saindo do quarto e indo tomar café.

oOo

Harry assistia a aula com praticamente um olho aberto e o outro fechado. Deixava sua cabeça escorregar direto à carteira constantemente e percebeu que Administração não era mesmo o seu forte. Quer dizer, ele se dava muito bem na Oscorp, assim como todo mundo lá, ele fez o estágio e o concluiu com êxito, mas uma coisa que Harry Osborn detestava era ficar preso numa sala à mercê da explicação de alguém que achava estar o instruindo. Podia soar o quão arrogante fosse, mas ele se dava melhor lendo os livros do que sendo obrigado a ouvir alguém.

Harry bocejou pela milésima vez e farto, se levantou de sua carteira e saiu da sala. Coisa que ele adorava em ser universitário era a opção de simplesmente se levantar e não assistir a aula. Ele pediria o caderno que alguém para estudar depois.

Ele olhou para o relógio vendo que havia passado mais da metade do tempo de aula dentro da sala, mas ele ainda tinha um tempo para zanzar por aí se quisesse. Harry olhou para a quadra vendo o time de vôlei masculino jogando, mas não foram alguns rapazes sem camisa que ganharam sua atenção naquela quadra. Foi um rapaz magro, de óculos e cabelos negros ondulados sentado na arquibancada que lhe fez mudar o seu curso e ir até lá.

Harry não era do tipo que corria atrás de alguém — à não ser que essa pessoa fosse Mary Jane Watson -, mas isso já era outra história. Ele apenas estava entediado, e mexer um pouquinho com aquele garoto seria um bom entretenimento até a hora do almoço.

Sam tinha em mãos um livro de poesia, guardava consigo sempre para quando em ocasiões como aquela, estivesse sem nada para fazer. Sua aula já havia acabado e sempre lhe restava tempo antes do almoço, e ler parecia muito melhor que ficar assistindo um estúpido jogo de vôlei. Ele não era apreciador do esporte, na verdade de esporte nenhum.

– "[...]e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos e beijos de adeus
tudo isso antes que a mente desperte, atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio."

– Allen Ginsberg? — Disse uma voz familiar fazendo o moreno levantar a cabeça de imediato.

– O que você quer? — Indagou Sam fechando o livro.

– Vejo que você não recebeu educação na sua casa, não é? — Disse Harry sentando-se ao lado de Sam.

– Como sabia o que eu lia? A capa nem estava à mostra.

– Não confia na minha intelectualidade?

– Nem um pouco — Admitiu o moreno.

Harry sorriu deixando Sam irritado com o humor inabalável do outro.

– Conheço a poesia, e o poeta. Me lembro de ler bastante na pré-adolescência, as garotas gostam, entende?

Sam revirou os olhos.

– Não devia estar em aula? — Indagou o moreno.

– Eu decido onde eu devo estar — Respondeu Harry dando de ombros.

– E acha que vai ganhar um diploma nesse rumo?

– Acho sim, e digo mais, ganho dois por ser tão absurdamente ilustre e bem sucedido.

– Seu egocentrismo é palpável — Disse Sam em sarcasmo.

– É auto-estima, conhece?

– Eu não diria auto-estima, diria vida ganha.

– Tanto faz. Até porquê, se eu sou um egocêntrico, você é um arrogante pretensioso.

Sam franziu o cenho começando mesmo a se irritar fuzilando Harry com o olhar.

– Não somos tão diferentes afinal.

– Ah, somos sim — Discordou Sam — No dia em que eu for um mimado exibicionista feito você, pode me internar.

– Não entendo essa sua mania de jogar na minha cara o meu dinheiro, ser rico é um dom e é o que você e todas essas pessoas estão buscando no final das contas estudando nessa universidade.

– Eu faço Filosofia Osborn, no dia em que eu for rico como você seguindo esse curso você pode argumentar — Disse Sam por fim pegando sua mochila e saindo da quadra.

Harry ficou um pouco sem reação observando-o se afastar. O prédio ao longe começava a encher de gente anunciando a hora do almoço. Harry se recompôs levantando-se e indo em direção ao refeitório.

O lugar era terrivelmente cheio e barulhento, e Harry deu graças à Deus que o Vórtex tinha uma mesa própria reservada assim como todas as repúblicas dali para criar uma certa ordem. Viu Loki e Ian discutindo alguma coisa e Peter junto à Gwen devorando seus hambúrgueres.

– Se perdeu Harry? — Indagou Gwen — A gente comprou seu lanche.

– Valeu — Disse devorando as batatas-fritas, estava faminto — Eu estava falando com o White.

– O Aesir? — Indagou Peter franzindo o cenho — Já está me traindo com ele, é? — Zombou.

– Ah, Pet. Eu nunca prometi um relacionamento sério — Disse Harry entrando na brincadeira.

– Seu insensível! — Disse Peter com uma falsa voz amargurada tacando uma batata no amigo.

– As duas bonitas podiam fazer o favor de não desperdiçar a batata? — Indagou Gwen — Não quer, dá pra mim.

– Sua gorda — Disse Harry.

– Gorda é a mãe! — Disse a loira dando um tapa na cabeça do amigo.

– Ai!

– Idiota — Ria Peter.

Harry massageou sua cabeça agora dolorida e se lembrou de que agora o Vórtex tinha visitantes.

– E onde está o Stark?

– Está na fila com o Steve — Respondeu Loki mau humorado.

– Você está bem? — Indagou Peter curioso.

– Tony me disse que eles acordaram abraçadinhos — Riu Ian.

– Isso não é verdade! — Exclamou o moreno furioso — Eu me lembro muito bem de acordar primeiro que ele muito bem afastado por sinal. Só fui eu voltar a dormir que ele chegou me abraçando e dizendo que dormimos de conchinha.

– Ele é meu herói — Riu Harry recebendo um olhar furioso de Loki.

Tony e Steve voltavam da fila juntando-se à eles na mesa.

– Aqui está o suco da moça — Disse Tony entregando à Gwen um suco de groselha — Agora vai ter que se inscrever pro estágio.

– Já está me roubando a estagiária Stark? — Disse Harry.

– Fazer o quê, ela é boa — Deu de ombros.

– Vou pensar no seu caso Tony — Riu Gwen.

– Traidora — Disse Harry num tom dramático.

Ele voltou a prestar atenção em sua comida ficando alheio à conversa dos amigos. Harry olhou de esguelha para a mesa Aesir vendo Sam rindo de Wade que brincava com a comida tentando enfiar dois pedaços de aipo no nariz.

– Péssima ideia — Disse Tony.

– O quê? — Disse Harry distraído.

– Está olhando pra mesa Aesir, péssima ideia — Disse Tony acompanhando o olhar de Harry — Está a fim de quem ali?

– Não estou a fim de ninguém — Disse Harry quase rindo do absurdo — Só estava olhando.

– É o maluco com os aipos no nariz? — Indagou Tony rindo de Wade que retirou-os do nariz começando a espirrar.

– Não, e eu já disse que...

– É o de óculos — Disse Peter se metendo na conversa.

– Ah... — Sorriu Tony analisando Sam — Nada mau, mas você gosta mesmo de caras com óculos, hein?

Peter ficou um pouco vermelho e Harry bufou começando a ficar revoltado.

– Eu não gosto dele! Na verdade eu estou começando a achar que esse cara me odeia.

– Por quê? — Indagou Peter.

– Sei lá, vai perguntar pra ele — Deu de ombros.

– Você foi egocêntrico — Disse Peter em afirmação. Harry sempre tinha uma mania de grandeza e no ensino médio algumas pessoas não gostavam dele por isso, Peter já conhecia a história.

– Não fui não — Disse com birra cruzando os braços.

– Nem todos são capazes de nos entender — Disse Tony pondo a mão no ombro de Harry em solidariedade.

Harry revirou os olhos desistindo de tentar fazer Tony acreditar nele. Não olhou mais a mesa Aesir e se concentrou em sua comida. Pouco lhe importava se aquele nerd gostava ou deixava de gostar dele, era só mais um idiota metido a vítima por ter menos do que ele.

oOo

Peter passava sua tarde no Campus tirando algumas fotos do lugar para mostrar à sua tia May. A maioria dos estudantes não se importavam em ser fotografados, até faziam caretas e sinais com as mãos, o que deixava o ar bem mais descontraído. O que realmente deixava Peter meio nervoso era a possibilidade de Flash passar por ali e cumprir sua promessa de quebrar novamente sua câmera, era por isso que ele havia pedido à Harry que vigiasse os lados enquanto ele tirava as fotografias.

– Isso é ridículo — Suspirou Harry — Ele não vai ap... Peter! Ele está vindo!

O moreno olhou para trás vendo do longe Flash andando em sua direção abraçado à Mary Jane, mas o pior era que o loiro olhou imediatamente em sua direção olhando para ele e para a câmera.

– Corre — Sussurrou Harry.

Peter não pensou duas vezes saindo dali depressa. Ele sabia que Mary Jane não deixaria Flash ir atrás dele, mas por precaução o moreno saiu da universidade caminhando devagar pela calçada enquanto recuperava fôlego.

E como num passe de mágica como sempre acontecia quando ele saía de Columbia, Peter viu trajes vermelhos se esgueirarem atrás das paredes de um carro ali perto, mas não foi somente o traje de Deadpool que lhe chamou a atenção, e sim fios de cabelos loiros se escondendo atrás do veículo fazendo o moreno correr até lá curioso.

– Ah... Oi baby boy.

Peter deixou os ombros caírem frustrado em ver que Deadpool havia colocado a máscara antes dele chegar ali, mas ele sabia o que havia visto.

– Então quer dizer que você é loiro? — Disse Peter com um sorriso triunfante.

– Ãhn... Não.

– Nem vem, eu vi o seu cabelo.

Deadpool suspirou em derrota pondo as mãos na cabeça.

– O que está fazendo aqui à essa hora? — Indagou o mercenário.

– Estava fugindo de alguém, e você? Tirando a máscara aqui tão perto da universidade... Tem certeza que não estuda aqui?

– Eu não estava tirando, estava colocando — Disse sentando no capô do carro alheio — E eu não estudo aqui.

– Seria tão simples se você me dissesse as coisas! — Bufou Peter cruzando os braços frustrado.

– Você só me faz esse tipo de pergunta agora, sabe que eu não gosto! — Disse Deadpool cruzando os braços também.

– O que eu tenho que fazer pra você me dizer?!

– Nada! Eu não vou falar!

Peter suspirou em desistência dando meia volta e indo na direção contrária. Ele andou por uns bons dez minutos e ele sabia que estava sendo seguido por Deadpool, mas não disse nada. Apenas se sentou num banco perto de uma pequena praça onde seu tio Ben costumava levá-lo quando criança e o mercenário sentou-se ao seu lado colocando os pés no banco, sobrando os joelhos e apoiando a cabeça neles.

– Meu tio Ben costumava me trazer aqui quando eu era criança — Disse Peter com um suspiro — Ele quem me criou, ele e minha tia May.

Deadpool olhou para Peter curioso a fim de ouvir mais.

– Meus pais morreram num acidente de avião — Esclareceu o moreno.

– Você lembra deles?

– Sim, mas é estranho pensar nisso, quer dizer, na ideia de ter pais, eu não tive os meus por muito tempo.

– Pelo menos você tem os seus tios.

Peter sorriu fracamente balançando a cabeça em negação.

– Meu tio Ben morreu há uns meses. Assalto.

Deadpool sentiu uma imensa vontade de abraçar o menor, mas ele não entendia porque ele estava dizendo aquilo pra ele.

– Isso é chantagem emocional?

– Depende, está funcionando?

– Não — Disse o mercenário — Isso tudo é verdade?

– É claro que é — Disse Peter se sentindo ofendido.

– Desculpe. Olha, meu passado não é uma coisa que eu gosto de comentar, eu nunca falei disso com ninguém.

– Eu posso esperar um pouco mais — Disse Peter.

Deadpool passou as mãos em seu rosto por cima da máscara num gesto de desespero e lembrança. Ele gostava de Peter, parecia ser um bom amigo e alguém confiável, mas ele tinha medo de ser rejeitado ou algo do tipo depois de dizer sobre ele.

– Eu vou te dizer baby boy, mas na hora certa. Quando eu estiver pronto pra tirar essa máscara e revelar quem eu sou.

Peter assentiu se levantando do banco. Deadpool fez o mesmo e surpreendeu o moreno quando se aproximou pressionando seu corpo ao dele num abraço. Peter ficou estático por uns instantes sentindo as batidas de seu coração falharem em nervosismo.

– Eu sinto muito pelos seus pais. E o seu tio — Disse o mercenário com os braços apoiados nos ombros do menor.

Peter retribuiu por fim sentindo as lentes de seu óculos embaçarem e o corpo de Deadpool se delinear ao seu.