Crazy Bout' You
28 Capítulo 28 - Losing Control
Após a expulsão de Flash da Aesir, Wade contou sua situação para Hogun e Sam. Os dois, apesar da preocupação, confiaram no controle de Wade, mas a constante mudança de humor e o estranho hábito de brigar consigo mesmo passou a assustá-los um pouco. Hogun precisava anunciar uma vaga na república, e, como recuperara o próprio quarto, não podia deixar Wade no quarto que ele e Flash ocupavam, levando em conta a segurança do novo hóspede. Sam não se importou em oferecer o próprio quarto a Wade, ocupando então o dormitório que dividiria com outra pessoa e logo a rotina de Wade passou a ser assistir a suas aulas, visitar Peter e se trancar no quarto para extravasar sua frustração. As vozes sempre pioravam depois que ele visitava Peter.
Duas semanas depois, Peter convenceu Harry, Gwen, Loki e sua tia May, que o visitava às vezes, de que já havia melhorado. Seu rosto não estava mais inchado, restando apenas um leves vestígios rosados que logo passariam, seu corpo já parecia novo em folha e ele conseguia comer sem sentir mais dor alguma.
Peter estava preocupado com Wade. Ele sabia que o loiro se segurava para não agir estranho na sua frente, mas ainda assim Peter não podia negar o certo medo da situação. Wade parecia sempre atormentado, às vezes estava bravo ou até mesmo deprimido, ele não se vestia mais como Deadpool e sempre desconversava quando ele tentava falar sobre as vozes.
– Peter...? PETER! — exclamou Harry, irritado.
– Quê...?
– Ouviu o que eu disse? — indagou o loiro, arqueando a sobrancelha.
– Não, o que foi?
– Disse que você teve sorte de se recuperar logo agora.
– E posso saber o por quê?
– Vamos ter uma festa! — disse Harry empolgado.
– O quê? Aqui? — perguntou Peter fazendo uma careta em reprovação.
– Exatamente.
– Harry... só você tem dinheiro pra fazer isso agora.
– Ian me implorou e eu não sou de negar festas, já estava na hora mesmo, a última festa que teve nesse lugar foi a do Sam, faz séculos!
– Não exagera.
– Enfim, será no sábado, vai ser o máximo!
– O Loki sabe disso?
– Até ele admitiu que já estava na hora. E também é uma oportunidade pra tirar o Thor do trabalho, ele disse que o cara leva serviço até nos fins de semana. E você, senhor "odeio festas", está oficialmente obrigado a comparecer.
– Eu te odeio.
– Também te amo, Pet — riu Harry.
– Eu vou aproveitar minha liberdade pra ver o Wade — disse Peter se levantando da cama.
– Vai lá, Sam me disse que ele anda péssimo.
Peter saiu do quarto, descendo as escadas com pressa e certa alegria. Finalmente estava saindo daquela república, andando sem ninguém reclamar de seu repouso. Ele respirou fundo ao sentir o vento bater contra seu rosto e foi até a república vizinha, tocando a campainha e sendo logo atendido.
– Graças a Deus — disse Sam, dando espaço para Peter passar -, ele tá lá em cima trancado no quarto dele, e pelo barulho ele tá batendo a cabeça no armário.
Peter subiu às escadas de dois em dois, depressa. Ele bateu na porta do quarto que antes pertencia à Sam e tentou abrí-lo sem sucesso.
– Wade... sou eu.
Em alguns segundos o barulho de chaves abrindo a porta do quarto foi audível e Wade apareceu, o puxando para dentro do local e voltando a trancar a porta.
– Fugiu do Vórtex, Petey?
– Não, eu tô livre agora. Você quem parece preso nesse quarto, o que foi?
– Elas estão insuportáveis hoje! — desabafou o loiro pondo as mãos sob as orelhas, tentando abafar seus pensamentos.
(Quem é que tá insuportável aqui?)
[Acho que é você, porque eu tô ótimo.]
(Hum... hoje o baby boy está particularmente estuprável.)
– O que você acha da gente sair pra você tomar um ar? — indagou Peter.
– Não, eu quero ficar aqui — disse Wade se sentando na cama.
– Aqui? E o que a gente vai fazer? — perguntou Peter dando um suspiro frustrado, ele queria curtir um pouco a liberdade.
(Sei de muitas coisas que a gente podia fazer.)
[Tipo tirar a roupa.]
– É melhor você ir, Petey, elas querem te estuprar.
– As vozes? — falou Peter segurando uma gargalhada. — Como se algumas vozes conseguissem me pegar.
– Não! — exclamou Wade tapando as orelhas com urgência. — Não repete isso, elas podem te ouvir.
– Você precisa parar de dar toda essa atenção à elas, Wade, ignora.
– Não dá... e se você for esperto, vai parar de ficar desafiando elas.
– Desafiando? — indagou Peter em tom de deboche. — Eu só to dizendo a verdade, isso é ridículo, elas não podem me fazer nada.
(Quer apostar?)
Peter sentiu mãos o segurarem e o jogar contra a cama. Ele olhou para cima vendo os olhos do loiro ficarem escuros.
– W-Wade...
– (Foi você quem pediu, baby boy).
Wade já não conseguia controlar quem ele era de fato, só acatar aos caprichos de seja lá qual das personalidades tomara conta de si.
Peter ouviu o zíper da própria calça ser aberto e colocou a mão contra o peito de Wade, tentando impedí-lo de prosseguir, mas os olhos do loiro pareciam vagos e sedentos, era como se não fosse mais ele ali, ou melhor, era como se o outro "ele" aceitasse o desafio.
– Para com isso! — mandou Peter tentando impedí-lo de tirar suas calças.
– (Mas a gente tá só começando, baby boy).
[Só começando...]
Wade segurou os pulsos de Peter, colocando as mãos dele para cima. Peter tentou puxar os pulsos em vão, Wade já começava a trilhar uma série de beijos do pescoço até a boca de Peter, mordendo o lábio inferior do moreno.
Peter sentiu seus pulsos sendo soltos e sua camiseta sendo puxada para cima. Ele tentou abaixá-la, mas Wade lambeu um de seus mamilos o fazendo gemer.
Wade retirou a camiseta de Peter, voltando a prender os pulsos dele, dessa vez perto da cabeceira da cama onde ele pôde amarrá-lo com a camiseta, dando um nó bem forte.
– Ei... o que você...? Wade! Me solta!
Wade começou a abaixar a calça de Peter, retirando-a junto dos tênis. Peter puxava os pulsos do nó cego que Wade havia dado com a camiseta, mas estava difícil de se soltar.
– (Nós estávamos loucos pra você se curar logo) — disse Wade passando a mão por cima da cueca box branca que Peter usava, massageando a região e observando Peter virar o rosto para o lado e fechar bem os olhos.
– P-Pare... — suplicou Peter se remexendo inutilmente, quanto mais ele se movimentava, mais necessidade de continuar ele sentia.
– [Nós estamos só começando...] — disse o loiro dando um sorriso malicioso.
Peter abafou um gemido ao sentir os lábios de Wade passarem pela região de sua virilha, subindo até o abdômen e trilhando um rastro de saliva com a ponta da língua até seu mamilo esquerdo.
Peter grunhiu frustrado ao se arrepiar com o contato da boca do loiro em seu mamilo, ele sentia seu membro que ainda estava sendo massageado por cima da cueca começar a acordar, mas aquelas sensações prazerosas não tiravam o medo que estava sentindo por Wade, pela sua situação naquele momento e pelo quanto o loiro ficaria frustrado depois de perceber o que estava fazendo.
– Wade, olha pra mim! — Ordenou Peter, com a voz trêmula.
Wade parou de sugar o mamilo do menor, encarando-o um pouco irritado pela interrupção.
– Me solta agora.
– [Mas você é nosso, baby boy.]
– Você não pode me forçar desse jeito!
– (Forçar?) — Riu o loiro com os olhos evidentemente brilhantes, revelando uma certa insanidade. — (Você não vai ser forçado, baby boy, você também quer.)
– Não, eu não quero! — falou Peter convicto.
– [Ah, não...?] — Sorriu Wade, enchendo a mão direita com o membro de Peter por cima da cueca, começando a dar leves apertões, massageando o membro rijo.
Peter abafou o gemido na garganta, mas não foi o suficiente para fazer com que Wade não o ouvisse. O loiro deu um sorriso vitorioso, sentindo o volume de Peter aumentar sob o tecido. Wade o soltou por fim, e Peter não pôde deixar de grunhir em reprovação, sentindo o próprio pênis latejar pelo abandono.
Wade se levantou da cama, começando a tirar os tênis e abrir o zíper da própria calça. Ele viu Peter engolir em seco, tenso, mas sorriu, abaixando-a e revelando sua cueca box azul marinho.
Peter ainda tentava puxar os pulsos e tentar desamarrar o nó com os dedos, mas ele não conseguia de jeito nenhum, era um nó muito bem feito que ele não fazia ideia de como desamarrar. O moreno olhou para frente, vendo Wade retirar a camiseta e revelar os músculos bem definidos de seu corpo. Peter apertou os olhos, tentando não olhar, mas era difícil, Wade tinha um corpo muito perfeito, independente das cicatrizes.
Peter suspirou ao observar o abdômen de Wade subir em descer rapidamente de acordo com a respiração dele, os braços fortes que apresentavam algumas veias saltadas, que na opinião de Peter só o tornava ainda mais desejável, mas o pior de tudo era sentir seu próprio pênis o traindo ao ficar ainda mais duro só de observar o loiro.
Wade sorriu mais largamente enquanto chegava perto de Peter, abaixando a cueca branca com lentidão, revelando o membro já excitado do menor.
Peter ofegou ao observar o loiro pegar em seu membro e encostar os lábios em sua glande. Wade passou a língua no local, trilhando lentamente um círculo, torturando Peter, para logo depois colocar a glande na boca e começar a sugar a região sensível.
– A-ah... n-não... Wade...
Wade deu uma leve risada, maliciosa, fazendo com que Peter gemesse involuntariamente pela leve vibração que a boca do loiro fizera contra seu membro.
Peter respirou fundo, tentando concentrar-se em não ficar excitado com a situação, mas era muito difícil levando em conta a boca de Wade, que aceitou de bom grado o resto de seu pênis, começando agora a chupá-lo. Peter não pôde deixar de se lembrar das palavras assustadoras de Wade.
"Mas você é nosso, baby boy"
Peter sentiu seu corpo ficar mais quente e seus braços se arrepiarem. Aquilo era absolutamente ridículo! Sua mente tinha plena consciência da gravidade daquilo, mas seu corpo parecia corresponder Wade por completo.
Wade retirou o pênis de Peter da boca, ouvindo um gemido de reprovação do menor.
– (Não se preocupe baby boy, tem mais.)
– Não! — esbravejouou Peter, tirando aquela força do fundo de sua consciência. — Wade, pare agora! Eu não quero, não importa o que pareça ou não! Me solta!
Wade franziu o cenho, confuso.
(Só pode ser brincadeira, né?)
[Mas ele tá excitado...]
(Não solto nem que ele me implore.)
[Petey deve ser mais doido que a gente.]
– (Ainda não acabou, você só sai quando eu quiser.)
Peter abriu a boca e fechou por alguns segundos, chocado com declaração do outro. Ele sacudiu os pulsos com urgência, usando de sua brutalidade. Wade subiu em cima dele novamente, sentando-se sob as pernas do menor com o membro de Peter de frente ao próprio que estava por baixo da cueca.
– Não sou sua propriedade! — dizia Peter ainda tentando se soltar em vão.
Wade ignorou as palavras do menor, atacando o pescoço dele com mordidas e chupadas. Peter sentia as mãos de Wade percorrerem agitadas sob seu corpo como se nunca tivesse o tocado antes, o loiro se movimentava contra seu corpo, causando um choque entre os membros e Peter podia sentir por debaixo da cueca que Wade estava muito excitado.
Peter soltou um gemido rouco ao sentir a mão de Wade voltar a dar atenção para o seu membro, mas ele logo se levantou, ameaçando tirar a cueca azul marinho. Peter negou com a cabeça veemente, mas Wade não deu ouvidos, tirando a própria cueca e voltando a ficar por cima do menor.
– Wade, pensa um pouco! Não faz isso!
– (Por que não?)
– Porque eu não quero, talvez? — respondeu Peter sarcasticamente.
– (Não é o que ele diz) — disse Wade massageando o membro latejante e excitado de Peter, que fechou os olhos gemendo no mesmo instante.
Wade sorriu vitorioso ao observar Peter arqueando as costas e involuntariamente pressionando o membro contra sua mão.
– (Vamos, Petey...) — dizia Wade masturbando o menor com mais velocidade, arrancando gemidos suplicantes. — [Goza pra gente...]
Peter balançou a cabeça em negação, apertando os olhos para não olhar, pois olhar lhe trazia mais excitação. Aquilo era muito doentio. O jeito como Wade se colocava no plural por causa das vozes e principalmente a desobediência de seu corpo, ele não estava acostumado a perder o controle dele, na verdade isso nunca acontecera.
– Aa-ah... e-eu... hu-um...
A mão de Wade não parava, prosseguindo naquele ritmo alucinante, enquanto aproximava o rosto do seu. Peter abriu os olhos, ofegante e surpreso e ver Wade tão perto. Ele observou seus lábios com desejo e Peter logo foi atacado por mordidas e uma língua quente. Ele tentou manter a boca fechada, mas ele estava muito excitado e seu membro começava a doer por sua resistência inútil, e por fim, Peter deu passagem para a língua do maior, correspondendo ao beijo.
Wade explorava cada canto da boca de Peter, enquanto abafava os gemidos do menor, que a esse ponto já se encontrava entregue à ele. Wade mordeu o lábio inferior de Peter ouvindo um sonoro e extasiado gemido do moreno, sentindo logo em seguida um líquido quente derramar sob o seu membro.
– (Isso deve servir) — disse o loiro espalhando o gozo de Peter no próprio membro como um lubrificante.
Peter respirava descompassadamente, ainda sob o efeito do orgasmo, mas ele mal havia saído de um e já começava a sentir sua entrada sendo violada.
– O que você vai...? Ah! Wade! — Exclamou o moreno, com certa raiva.
Peter sentiu o membro de Wade entrar dentro de si com certa facilidade por contra de próprio gozo, mas aquilo não diminuia muito a sensação da dor.
– [Vai passar, baby boy.]
Peter mordeu o lábio ao sentir o membro inteiro de Wade dentro de si. Ele deu um leve gemido esganiçado e Wade se aproximou, tentando beijá-lo. Peter virou o rosto, recusando o gesto e Wade arqueou a sobrancelha, sentindo a rejeição.
(Qual o problema dele?)
[Hoje o Petey tá chato demais.]
(Por que mesmo que a gente gosta dele?)
[Vai ver ele tá com saudades do Wade.]
(Nós somos o Wade, gênio.)
[Ér, mais ou menos, né.]
(Vamos logo com isso antes que o outro apareça e tome o controle.)
Wade abriu bem as pernas do menor, começando a se movimentar dentro dele.
Peter não sabia muito bem o que estava sentindo. Ele não sabia decifrar se era vergonha ou raiva. Talvez as duas coisas ao mesmo tempo. Mas é claro que aquilo aconteceria, o que ele estava pensando? Que seria sempre um mar de rosas namorar um cara esquizofrênico? Que Wade nunca surtaria com ele? Era o que ele achava, antes daquelas vozes aparecerem.
Peter voltou de seus devaneios assim que sentiu o membro de Wade contrair-se contra seu ânus. Estava começando a ficar apertado ali dentro. Wade soltou um gemido prazeroso, estocando com mais força e Peter finalmente se atreveu a olhar pra ele.
"Péssima ideia" pensou.
Wade mantinha o ritmo acelerado, enquanto uma gota de suor escorria num canto da testa. Peter ouvia os gemidos baixos que ele soltava, enquanto observava os lábios entreabertos e os olhos fechados. Foi então que o conflito voltou. Ele não queria que fosse daquele jeito, ele amarrado recusando ter relações sexuais com Wade naquele estado, mas ao mesmo tempo seu corpo não ligava para as circunstâncias com o tanto que também fosse saciado. E imaginar que ele quem causava aquelas sensações em Wade, começava a animá-lo.
– Droga — praguejou Peter.
Wade abriu os olhos encontrando os de Peter. Ele olhou para baixo e Wade seguiu o olhar dele encontrando mais uma vez o membro de Peter acordado. Wade sorriu de modo malicioso, vendo o rosto de Peter ficar vermelho e logo o loiro pôs-se a masturbar o menor.
A sensação melhorou a situação de Peter, mas ele começava a sentir uma dor muito grande nos braços que mesmo deitados, já estava erguidos por tempo demais.
– W-Wade... meus braços estão doendo.
– (Está querendo fugir, baby boy?) — indagou desconfiado.
– É sério — choramingou o menor.
Wade ajeitou o menor, o encostando mais perto da cabeceira, quase o sentando para não precisar sair de dentro dele. O loiro desamarrou o nó bem dado que havia feito e aprendido com um de seus amigos bandidos, e logo Peter pôde movimentar os braços, sentindo uma grande ardência, nem que ele quisesse teria forças para empurrar Wade.
– [Sem gracinhas, hein? E já que tá assim...] — dizia pensativo, fazendo Peter sentar-se em seu colo e apoiar os braços doloridos em seu ombro.
Wade voltou a se movimentar e a masturbar Peter, aquele parecia o jeito mais fácil de fazê-lo se render à ele. O loiro atacou o pescoço de Peter dando fortes chupões, enquanto ouvia extasiado os gemidos de Peter perto de sua orelha.
Com o tempo Peter passou a se movimentar no mesmo ritmo de Wade, puxando os fios loiros da nuca do maior e sentindo seu segundo orgasmo começar a vir.
Wade sentia todo o seu corpo esquentar-se junto ao de Peter e quando finalmente o menor chegara ao orgasmo, sujando sua mão e gemendo o seu nome baixinho, Wade também chegou ao seu ápice, despejando seu prazer dentro de Peter.
Os dois estavam ofegantes e suados. Peter se livrou do abraço do maior, tirando-o de dentro de si e se levantando da cama, passando a se vestir.
Wade olhou confuso para Peter, balançando a cabeça e finalmente recobrando a sanidade.
– O que...?
(Não posso dizer que foi um de nossos recordes, já ficamos no controle por mais tempo.)
[Mas foi ótimo.]
(Se foi... agora a gente entende porquê gostamos dele.)
– Peter, me desculpe.
Peter virou a cabeça, olhando para Wade um tanto quanto surpreso. Aquela frase saíra séria demais.
– Então você finalmente voltou, né? — falou num tom irônico. — Perdeu a festa.
– Eu... eu não perdi, eu só não consegui...
– Se controlar? — completou Peter.
– Não é fácil, sabia?! E foi você quem provocou!
– Você me amarrou, me ignorou e ainda me fez... argh! — exclamou raivoso, não querendo completar a frase.
– Petey...
– Não me chama assim! — disse o moreno aumentando mais o tom de voz. — Eu vou sair daqui, você não vai me seguir e só volta a falar comigo quando eu quiser falar você. E isso pode demorar.
Wade se levantou assim que Peter abriu a porta de seu quarto e saiu. O loiro praguejou vestindo a cueca e a calça com pressa e saiu em disparada, descendo às escadas e encontrando Peter na porta da república, prestes a sair.
– Petey, espera! A gente precisa... — Wade observou Peter sair e fechar a porta com força em sua cara. — Conversar direito — completou, suspirando logo em seguida.
– O que foi isso? — questionou Sam atônito, que estava no sofá observando tudo.
Naquele momento a porta da república bateu e Wade a abriu imediatamente na esperança de ser Peter. Mas não era, era Harry.
– Posso saber por que o Peter saiu daqui cuspindo fogo? — indagou Harry entrando na república.
– Nós... tivemos um problema — disse Wade pondo as mãos no rosto em desespero. — Acho melhor eu ir atrás dele.
– Melhor não, deixa ele sozinho, quando ele se acalmar ele te procura — disse Sam.
– Duvido muito — disse Wade dando meia volta e subindo às escadas cabisbaixo.
– Eu não sei de nada — disse Sam adivinhando o que Harry ia lhe perguntar.
– Droga, agora eu tô curioso.
– Vai atrás do Peter — disse Sam dando de ombros.
– Depois eu falo com ele, eu vim pra te ver e dizer que no sábado tem festa no Vórtex.
– Festa? Dispenso.
– E quem disse que você tem escolha? — esclareceu Harry sentando-se ao lado de Sam e rindo da cara de indignação do moreno. — Não se preocupe, eu te protejo do whisky malvado — zombou.
Sam deu uma cotovelada no maior, bufando logo em seguida.
– Você é muito irritante, sabia? — disse Sam.
– Pode até ser, mas no fundo você adora — falou Harry colocando o braço em volta dos ombros de Sam e dando uma mordida na mandíbula dele.
– Para! — Riu Sam se afastando um pouco. — Isso faz cócegas.
– Cócegas na mandíbula? Você é esquisito mesmo, hein?
– Esquisito é esse seu penteado.
Harry fez uma expressão exagerada de ofendido, fazendo Sam rir.
Naquele momento um raivoso Hogun entrara na república com cara de poucos amigos.
– Droga de porta — resmungou o asiático tentando trancá-la com dificuldade.
– Você não deve estar enfiando direito no buraco — disse Harry do modo mais malicioso possível.
Sam segurou a risada com dificuldade em respeito à raiva de Hogun.
– Fica na sua, Osborn, não tive um bom dia.
– Percebe-se — retrucou Harry.
– O que você tem? Chegou tarde — disse Sam.
Hogun finalmente trancara a porta, se virando e encarando o casal.
– Hoje eu fiz uma apresentação oral, trabalhei muito nela, o professor mesmo disse que apostava em mim, mas eu não fiz a melhor.
– Nossa, que coisa mais nerd — tripudiou Harry.
– Eu trabalhei tanto nela! Pra no final perder pro Murdock! Argh!
– Murdock?! — Exclamou Harry alarmado. — Não é possível...
– Conhece ele? — indagou Hogun curioso.
– Quem é Murdock? — perguntou Sam.
– Matthew Murdock — disse Harry num tom de desprezo. — Conheci ele no fundamental, era o meu pior pesadelo.
– Ele era valentão? — Indagou Sam.
– Impossível — riu Hogun -, o cara é cego.
– Ele é bem espertinho se quer saber — disse Harry -, mas não, ele não era valentão, ele era um imbecil metido a bonzinho que sempre quis roubar o Peter de mim.
Hogun revirou os olhos desacreditando na besteira, enquanto Sam ria do motivo de Harry, achando até fofo.
– Você é um idiota — disse Hogun.
– Vocês não entendem! — continuou Harry, cruzando os braços. — Aquele cara é um babaca, ele queria o meu lugar de melhor amigo e ele é bem persuasivo com toda a sua cegueira "metido a coitadinho". O Peter me ignorava totalmente.
– Tudo bem, Harry, ele é um babaca — dizia Sam segurando a vontade de rir, enquanto consolava o maior.
– Exatamente. Não acredito que ele tá aqui agora. O que vocês cursam?
– Direito — disse Hogun.
– Eu acho bom nenhum dos dois abrir o bico pro Peter — disse Harry num tom ameaçador.
Hogun balançou a cabeça em negação prestes a subir pro seu quarto, mas voltou recordando-se de uma coisa.
– Ah, Sam, e o reitor me disse hoje que resolveu nosso problema de falta de hóspede. Ele disse que vai chegar um cara que fazia intercâmbio em Londres. É americano mesmo. Ele vai vir semana que vem.
– Beleza — disse Sam.
– E o Flash, hein? Sabe dele? — indagou Harry.
– Wade disse que ele tá morando num hotel aqui em frente.
– Que bom, poupa o desprazer da presença dele nas outras repúblicas.
– Mas e esse tal de Matthew, hein? Sr. Ciumento — zombou Sam finalmente soltando uma gargalhada.
– Não tem a menor graça — bufou Harry -, eu realmente odeio o cara.
– Fala sério, nunca tentou conversar com ele?
– Já sim, e ele só tinha "olhos pro Peter" se assim posso dizer, literalmente porque os dois viraram um grude na época. Ou não... já que os olhos dele são inúteis.
– Harry! — repreendeu Sam. — Que horror.
– Ah, é que você não me viu naquela época, eu zoava o Murdock na cara dele mesmo, não sou obrigado a ficar calado enquanto ele rouba o MEU melhor amigo.
– Você sabe que uma hora é capaz deles se encontrarem por aí, não é?
– Muito obrigado pela força — disse com sarcasmo.
– Vem cá, seu dramático.
Harry deitou a cabeça no colo de Sam, enquanto o moreno acariciava os fios lisos.
– Se você conhecer esse cara, promete pra mim que fica longe dele?
– Você tem um sério trauma com esse Matt.
– Ah, então agora ele é Matt, é?
– É mais fácil de falar! — Riu Sam.
– Sam...
– Tá bom, prometo, seu lunático.
Fale com o autor