Crazy Bout' You

29 Capítulo 29 - Old Friend


Notas iniciais
Acredito que esse capítulo fique mais claro só pra quem assistiu ou conhece o personagem Demolidor. Anyway, vou esclarecer duas coisas: • Jack, o pai do Matt, era um boxeador que ao recusar se envolver com lutas clandestinas, foi assassinado. • Hell's Kitchen é um bairro de Nova York. Obs:. Coincidentemente o Matthew realmente fez Direito na universidade de Columbia.

Peter foi direto se trancar em seu quarto depois das aulas. Ele havia pedido para que Harry comprasse seu almoço e trouxesse para o Vórtex; tudo porque não queria ver Wade. O loiro havia ligado para ele à noite, mas Peter não atendeu. Ele ainda estava muito chateado.

– Um Big Mac com batatas e refrigerante para o sr. Parker — disse Harry entrando no quarto com uma bandeja.

– Big Mac? Eu pedi um sanduíche do Subway.

– Eu sei, mas eu comi ele. Estava muito bom, aliás.

Peter riu balançando a cabeça em negação e pegando a bandeja.

– Posso saber por que você tá evitando o seu namorado? — indagou Harry indo direto ao assunto. Peter ainda não havia conversado com ele sobre a briga.

Peter suspirou, tomando um gole do refrigerante e criando coragem para contar a Harry. Contou tudo sobre a nova condição de Wade antes de explicar o que acontecera no dia anterior. Ficou encarando o amigo em expectativa, mas Harry apenas olhava para o nada, pensativo.

– E aí? — questionou Peter impaciente.

– É bem complicado — falou Harry, ainda pensativo -, mas acho que você tem mais culpa no cartório.

– Por quê? — indagou Peter, um pouco chateado por Harry não lhe dar razão.

– Bem, você sempre soube que o Wade tinha um parafuso a menos e agora a situação piorou, mas ainda assim você tem consciência do namorado que tem, e mesmo assim provocou ele. Sem contar, é claro, sua estupidez de não ter gritado pelo Sam.

– Não foi proposital! Eu não fazia ideia que ele perderia totalmente o controle! E... eu nem pensei em gritar na hora. Foi muita coisa ao mesmo tempo.

– Continuando... sim, foi extremo ele ter te amarrado e ignorado seus pedidos pra ele parar, mas cá entre nós, você gostou.

– Harry! — repreendeu o moreno.

– O que foi? Você gozou, não gozou?

– Eu não vou continuar com essa conversa.

– Peter, para de ser careta e me fala! É sim ou não!

– Tá! — rendeu-se Peter. — Sim, duas vezes.

– Duas vezes? — Harry arqueou a sobrancelha, surpreso. — Meu garoto...

– Tá vendo? É por isso que eu não falo com você sobre isso. Você só faz piada!

– Okay! Foi mal. Mas você vê? Você acabou cedendo. Agora vou te fazer a pergunta que vai dar o veredito final. Seu corpo se auto-defendeu de um estupro ficando excitado ou você realmente se animou com a situação?

– Eu... eu não sei... — respondeu Peter, confuso.

– Okay, vou tentar te ajudar. Você prestou atenção no Wade? Ficou olhando pra ele com desejo?

– Sim... — admitiu o moreno sentindo-se culpado.

– Acho que isso já diz tudo.

– Não, espera, mas eu também fechei os olhos e fiquei com raiva dele. Eu ainda to com raiva dele e de mim mesmo por ter cedido.

– Argh! Como você é complicado, viu? — Suspirou Harry. — Foda-se o culpado então. Wade tá mal, doente, ele é assim e você sabia! Porém ele te atrai e você não pôde se defender. Fim de papo.

– E o que explica a raiva que eu to sentindo? — questionou Peter.

– É normal, Pet, a atitude do Wade não foi certa, mas ele parece bem arrependido. Hoje ele me perguntou de você, mas eu disse que você não queria ver ele, tinha que ver a cara de cachorro abandonado que ele fez.

Peter pôs as mãos no rosto num gesto de desespero. Aquela declaração não ajudara nem um pouco.

– Mas sua revolta também pode significar uma coisa... — disse Harry.

– O quê?

– Que você pode estar cheio dele. Você quer terminar com ele?

– É claro que não, Harry! Eu só fiquei... sei lá, eu acho que eu tô com medo dele.

– Medo? Medo é o que você devia ter sentido no começo, quando descobriu que ele tem esquizofrenia.

Peter deu uma risada fraca, achando aquilo ridículo. Ele viu o Deadpool, teve conversas estranhas e soube do passado sombrio de Wade, e só agora ele sentia medo.

– Eu me sinto mal pelo que aconteceu. Aquilo não foi saudável, aquilo foi doentio, mas eu quero ajudá-lo.

oOo

(Ele nunca vai te perdoar.)

[Ele te odeia.]

(Veste aquele uniforme e vai descontar em alguém.)

– Não! — exclamou Wade se encolhendo em sua cama. — É tudo culpa de vocês!

(Ou seja, a culpa é sua.)

[Vai bater em si mesmo?]

(Seria engraçado, que tal experimentar?)

Wade se encolheu ainda mais, sentado, enquanto começava a bater a cabeça contra a parede com certa brutalidade. Ele ouviu a porta do quarto se abrir, mas ignorou, continuando a bater a cabeça até que as vozes se calassem.

– Wade... Wade! Para! — dizia Sam afastando o loiro da parede.

– Me deixa, Sammy.

– Você tem que parar com isso, vai acabar com o reboco da parede.

– Então eu vou bater no armário — devolveu o loiro ameaçando se levantar.

– Não! — protestou Sam, impedindo-o. — Foi uma piada, ok? Não é pra danificar a sua cabeça.

– Ele me odeia, Sammy. Eu sou um monstro.

Sam suspirou, sentando-se ao lado de Wade. Ele sabia o que havia acontecido no dia anterior, Wade já o havia posto a par dos acontecimentos.

– Ele não te odeia, Wade, e você só está... doente. Ele sempre soube disso.

– Não, ele não sabia das vozes.

– E não precisa ser um gênio pra saber que esquizofrenia causa alucinações.

– Às vezes eu acho que não são alucinações, elas estão aqui dentro da minha cabeça e querem fazer coisas erradas.

– Então seria tipo o seu lado mal? — indagou Sam sorrindo de canto.

– Você viu como ficou o Flash, entenda como quiser.

oOo

Após terminar de comer seu lanche, Peter saiu da república a fim de tomar um pouco de ar. Ele se sentia sufocado naquele quarto e sufocado por fugir de Wade, uma hora eles teriam de se ver.

Peter olhou para a república Aesir meio hesitante. Ele passou por ela às pressas, andando em frente até que seus pés começassem a cansar. Foi para um lado da universidade onde não costumava andar, onde havia mais repúblicas e pessoas estudando ao ar livre. Peter se sentou sob a grama quente, fechando os olhos e pousando a cabeça sob os joelhos.

As imagens vinham como flashes em sua cabeça o fazendo lembrar de seus pulsos presos, sua mente interpretando uma violação e seu corpo cedendo à Wade. Aquilo era tão confuso, Peter queria nunca mais ver Wade de novo, mas era questão de tempo até que começasse a sentir falta do loiro, ele sabia.

Peter ouviu passos se aproximando dele, passos lentos, porém ele não se moveu. Não conhecia as pessoas que moravam daquele lado, de qualquer maneira, mas os passos tinham uma sincronia diferente. Era como se fossem três pernas andando, ele podia ouví-las sobre a grama. Foi quando ele sentiu algo bater contra sua perna que ele levantou a cabeça, prestes a reclamar com quem quer que fosse o desastrado.

– Me desculpe — falou uma voz masculina -, eu não senti sua presença.

Peter observou a bengala próxima de sua perna e subiu seus olhos até ver o causador daquilo e observou o homem com curiosidade. Ele se levantou para observá-lo melhor, reconhecendo aqueles óculos redondos e escuros.

– Matt? — perguntou Peter, incerto.

– Peter? — disse Matt reconhecendo a voz do amigo.

Peter riu, desacreditando e dando um abraço no amigo. Matt retribuiu, tocando no rosto de Peter logo em seguida, sentindo os óculos e os cabelos cheios de Peter.

– Você não mudou nada.

– Não posso dizer o mesmo de você, o que aconteceu com aquele cabelo de tigela? — zombou Peter.

– Não dava pra ser levado a sério com aquele cabelo — riu Matt.

Peter ainda estava perplexo com a mudança do amigo. Matthew antigamente era menor do que ele, o que o fazia ainda mais indefeso levando em conta sua cegueira. Os cabelos que antes eram lisos num corte de tigela, agora estavam modernos e com leves ondulações. Tinha a barba por fazer e agora se encontrava mais alto que ele.

– Você estuda aqui?

– Sim, faço Direito, e você?

– Ciências Sociais com a Gwen.

– Gwen também está aqui?

– Ela e o Harry.

– Ah... — sorriu Matt. — Aposto que o Osborn vai adorar me ver — disse irônico.

– Deixe de besteiras, ele vai gostar sim.

– Peter, ele fez uma festa quando eu saí da escola. E eu sei que foi comemorando minha saída porque ele mesmo fez questão de me dizer, ele até me convidou.

– Tá, aquilo não foi legal, saiba que eu fiquei duas semanas sem falar com ele por isso. Eu fiquei muito chateado que você saiu.

– Mas foi bom, eu gosto de Hell's Kitchen, lá é minha casa e o ensino médio lá é bom.

– Mas agora você está aqui, eu senti muito a sua falta, cara.

– Eu também. Onde você está hospedado?

– No Vórtex.

– Vórtex, é? Já ouvi umas histórias de lá.

– Com certeza nada boas — riu Peter -, mas o pessoal lá é legal. Você tá ocupado?

– Não.

– Então vem, vou te apresentar pro pessoal.

– Tem certeza...? Eu não acho que o Osborn...

– Esquece o Harry, vem — dizia Peter o guiando com o braço entrelaçado ao dele.

Os dois passaram o caminho todo conversando sobre como haviam sido suas vidas depois que não se viram mais. Peter ficou surpreso em saber que mesmo depois do modo como o pai de Matt morreu, o amigo começou a praticar box. Matt também se surpreendeu com a revelação de Peter sobre a homossexualidade.

– Deixa eu adivinhar, o Osborn e você estão juntos? — chutou Matt.

– Não — riu Peter -, rolou um lance, mas não, eu e Harry somos só amigos. Ele inclusive tá com um cara da Aesir, assim como eu. Eu acho.

– Acha?

– É complicado — suspirou Peter. — E você?

– Ah... bem, digamos que eu não consigo ficar com uma garota só.

– O quê? Matt Murdock é um "pegador" agora? — caçoou Peter.

– Não — riu Matt -, só nunca dá certo. Já estou desistindo. Vou me tornar um assexuado como o Foggy diz.

– Foggy?

– É meu colega de quarto. É de Hell's Kitchen também, ele é bem legal.

– Chegamos — disse Peter guiando Matt até a porta da república.

Peter pegou sua chave, abrindo a porta e ajudando o amigo a entrar.

– Tudo bem Peter, eu sei andar — falou Matt rindo.

– Desculpe, é costume — respondeu Peter, sem graça. — Ainda não acredito que você ficou mais alto que eu.

– Deve ter sido o box — disse Matt sorrindo.

– Ouço vozes, é você Ian?! — Gritou Loki da cozinha.

– Não! — gritou Ian que descia às escadas naquele momento.

Ian arqueou a sobrancelha, curioso ao ver um desconhecido de óculos escuros parado ao lado de Peter.

– Você é da CIA, cara?

– Ian... — disse Peter num tom reprovador. — Esse é meu amigo Matt.

Matt balançou a bengala sob as mãos, dando um sorrisinho discreto, fazendo Ian entender por fim.

– Oh... foi mal aí — disse Ian estendendo a mão -, é um prazer.

– Ele não viu isso, Ian — disse Peter depositando a mão sobre o rosto num gesto impaciente.

– Oh! Foi mal de novo.

– Tudo bem — riu Matt.

– Ah, temos visita? — indagou Loki que vinha da cozinha.

– Loki, esse é o Matt. Matt, Loki.

– Prazer — disse Loki apenas, já percebendo a deficiência de Matt.

– Igualmente.

– Matt e eu éramos amigos no fundamental — esclareceu Peter.

– Gente, está tudo certo! Já contratei as pessoas pra organizarem tudo na... festa — dizia Harry descendo às escadas descontraído, até ver Matthew Murdock parado ao lado de Peter na sala.

– Harry, lembra do Matt? — perguntou Peter, empolgado.

– Murdock — disse Harry num tom odioso.

– Osborn — cumprimentou Matt num tom mais ameno.

– Como foi que...? Quer saber? Esquece — suspirou Harry. — O que ele faz aqui?

– Eu disse — avisou Matt referindo-se ao óbvio desconforto de Harry.

– Harry, não seja grosseiro — pediu Peter.

Harry bufou, furioso. Era como um deja vú, ver Peter defendendo aquele cara.

– Oh, me desculpe — retrucou Harry num tom sarcástico -, como vai, Murdock? — indagou indo até o maior e estendendo sua mão.

Matthew sabia que Harry faria aquilo, então estendeu a sua também, agarrando a de Harry, que estava prestes a deixá-lo no vácuo. Os dois apertaram as mãos com certa força, se soltando bruscamente logo em seguida.

– Vejo que ainda usa esse óculos, ainda não entendo o objetivo, sabia? — provocou Harry.

– Harry, já chega — disse Peter entredentes.

Loki percebeu que os dois tinham algum tipo de rivalidade e resolveu mudar um pouco de assunto para amenizar o clima.

– Harry, você ia dizendo...?

– Ah sim, está tudo combinado, não precisaremos organizar tudo na festa, contratei um pessoal pra isso.

– Ótimo, porque eu não estava afim de arrumar nada — comentou Ian.

– Novidade — ironizou Loki revirando os olhos.

– Você vem, né? — convidou Peter. — Vai ter uma festa aqui no sábado.

– Ah... claro — disse Matt dando de ombros.

– O quê?! — exclamou Harry, indignado. — Tá me zoando, né, Peter?

– Leve como uma festa de boas-vindas, Matt, ao contrário do que foi da última vez. Não é, Harry?

Harry apertou os punhos, dando as costas e subindo às escadas pesadamente.

– Agora entendi — anunciou Ian sorrindo divertido.

– Eu também — concordou Loki.

– Entenderam o que? — indagou Peter.

– Essa hostilidade toda, Harry morre de ciúmes de vocês — respondeu Loki.

– Então ele é um besta, porque isso é ridículo — disse Peter cruzando os braços.

– É engraçado — disse Ian.

– Vai ficar pra jantar, Matt? — questionou Loki.

– Não, eu preciso voltar.

– Eu te acompanho — falou Peter.

Matt se despediu de Loki e Ian, e logo foi em direção da porta com a ajuda de sua bengala. Peter observava admirado ele abrir a porta, passara tanto tempo o ajudando a se achar no ensino fundamental que era estranho vê-lo se virar.

Assim que Matt abriu toda a porta, ele sentiu seu corpo bater contra o de alguém. Fora tão rápido que ele nem pôde sentir a presença da pessoa.

– Ei! Tá cego? — Emburrou-se o homem.

– Basicamente — respondeu Matt, não se ofendendo.

Peter arregalou os olhos ao notar quem era o idiota a dizer tal frase para Matt. Tinha de ser mesmo ele.

– Ãhn... é sério? — indagou Wade encarando Matt com certa curiosidade.

– Já chega, Wade. Tá fazendo o quê aqui? — alertou Peter fechando a porta atrás de si e evitando que Ian bisbilhotasse.

– Eu não aguentei, vim te ver.

– E o que eu disse sobre falar comigo só quando eu quisesse falar com você?

– Petey, por favor...

– Eu tô ocupado agora.

– Eu posso ir sozinho... — sugeriu Matt.

– Não, não pode, você não conhece esse lado da universidade e eu não quero falar com ele — disse Peter encarando Wade com certo rancor.

– Quem é esse? — perguntou Wade, sentindo-se descartado.

– É um antigo amigo.

– Matthew Murdock — apresentou-se.

– Wade Wilson, namorado do Petey — disse o loiro na defensiva.

– Vamos, Matt — disse Peter.

– Espera — disse Wade agarrando o braço do menor com certa força -, vai me evitar até quando?

– Até quando eu quiser.

– Você tá sendo infantil.

– Eu to tentando me recuperar, Wade.

Wade afrouxou o aperto no braço, sentindo a culpa atingí-lo mais uma vez.

– Me desculpe, Petey.

– Me solta.

Wade o soltou, fazendo Peter suspirar em alívio.

– Você quer terminar? — perguntou Wade, incerto, sentindo a garganta apertar com a possibilidade.

Peter encarou os olhos tristes do loiro, balançando a cabeça em negação.

– Não, eu só quero um tempo.

Wade assentiu, um pouco mais aliviado e ao mesmo tempo angustiado. Não sabia por quanto tempo aguentaria ficar sem Peter.

Peter entrelaçou o braço no de Matt, começando a andar ao lado dele. Wade não gostou nada daquilo. E daí que ele era cego? Aquela bengala não servia justamente pra ele andar sozinho?

(Você vai perder o Petey desse jeito.)

[Já viu aquele rosto? Até que esse Matt é bonito.]

(Faz o tipo do Petey, não faz?)

[Temos que dar um jeito nisso.]

(Um jeito nele.)

Wade sacudiu a cabeça, tentando não se deixar levar pelas vozes, ou ele faria mais alguma besteira.

Notas finais
Queridos leitores, eu fiz um ask, qlqr curiosidade, ou se tiverem no tédio msm kkk venham falar com muá u.u (se quiserem conversar cm algum personagem tbm, eles estarão lá!) ^^ http://ask.fm/jessabernathy